AMÉRICA LATINACOOPERAÇÃO INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

Os 190 anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre Brasil e Rússia

No dia 3 de outubro (2018), comemorou-se o 190º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre o Brasil e o Estado russo. Os dois países têm, portanto, uma história de aproximação que data desde 1828, sendo o Brasil o primeiro país da América Latina a formalizar tal arranjo com a Rússia. Em grande parte deste período tal associação prevaleceu, tendo sido interrompida em apenas duas ocasiões: em 1917, após a Revolução Russa, sendo reafirmada em 1945; e em 1947, no governo Dutra, tendo essa situação sido resolvida em 1958, com o governo de Juscelino Kubitscheck.

À parte dessas duas ocasiões, pode-se afirmar que as relações entre os dois países são estáveis e vêm se tornando cada vez mais próximas, principalmente desde a década de 1990. A partir desse momento, em 1997 foi criada a Comissão de Alto Nível de Cooperação (CAN), foro de diálogo e concertação política, que se responsabiliza pelo acompanhamento das relações bilaterais Brasil-Rússia. Em 2002, chegou-se ao patamar de “Parceria Estratégica” e, em 2004, celebrou-se a “Aliança Tecnológica” entre eles. Assim, ao longo dos anos 2000, houve vários encontros presidenciais e ministeriais que foram essenciais para o avanço das relações entre os Governos do Brasil e da Rússia.

Os líderes do BRICS em encontro oficial em 2016. Da esquerda para a direita, o Presidente do Brasil, Michel Temer; o Presidente da Índia, Narendra Damodardas Modi; o Presidente da China, Xi Jinping; o Presidente da Rússia, Vladimir Putin; e o Presidente da África do Sul, Jacob Gedleyihlekisa Zuma

Nesse sentido, é importante destacar que a parceria entre ambos também é estratégica no âmbito das organizações e fóruns internacionais, por exemplo, na Organização das Nações Unidas (ONU), no G20 e na Organização Mundial do Comércio (OMS). Isso ocorre porque Brasil e Rússia são considerados países emergentes e em várias ocasiões lideraram a agenda política e socioeconômica dos países em desenvolvimento no cenário internacional. Tal parceria fortaleceu-se com a criação do BRIC, em 2008, um fórum entre Brasil, Rússia, Índia e China responsável por facilitar a troca entre esses Estados e facilitar a assinatura de Acordos bilaterais, trilaterais ou multilaterais, referentes, a princípio, às questões de caráter econômico. Em 2011, a África do Sul uniu-se oficialmente ao grupo, tornando-o BRICS.

Portanto, percebe-se que o Brasil e a Rússia possuem um forte diálogo em diversas instituições internacionais. De acordo com o presidente Vladimir Putin, o Brasil “é, sem dúvidas, uma das prioridades da Rússia e um dos parceiros mais importantes na América Latina”. Essa afirmação converge com o depoimento dado por Sergey Lavrov, Ministro das Relações Exteriores da Federação Russa, o qual destacou que “a cooperação de parceria entre a Rússia e o Brasil no âmbito da ONU, BRICS, G20 e OMC representa um fator importante da estabilidade global”.

Além de questões político-diplomáticas, aponta-se que a Rússia é a maior parceira comercial do Brasil na Europa do Leste. Em 2017, o comércio entre os dois países chegou ao valor de US$ 5,3 bilhões, aumento de 20% em relação ao 2016, sendo isso explicado por Acordos e parcerias que foram firmados para facilitar as trocas. Ambos os Governos também estão comprometidos em cooperar em diferentes áreas, como defesa, ciência e tecnologia, agricultura, energia, educação, esporte e cultura.

Neste aniversário de 190 anos, o Ministro das Relações Exteriores da República Federativa do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira, enviou uma carta ao ministro Lavrov, na qual celebra o acontecimento e afirma o compromisso brasileiro de continuar colaborando com o avanço da diplomacia entre ambos.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeiras da República Federativa do Brasil e da Federação Russa” (Fonte):

http://www.itamaraty.gov.br/portal.itamaraty/index.php?option=com_content&view=article&id=5587&Itemid=478&cod_pais=RUS&tipo=ficha_pais&lang=pt-BR

Imagem 2Os líderes do BRICS em encontro oficial em 2016. Da esquerda para a direita, o Presidente do Brasil, Michel Temer; o Presidente da Índia, Narendra Damodardas Modi; o Presidente da China, Xi Jinping; o Presidente da Rússia, Vladimir Putin; e o Presidente da África do Sul, Jacob Gedleyihlekisa Zuma” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/6b/BRICS_leaders_meet_on_the_sidelines_of_2016_G20_Summit_in_China.jpg/800px-BRICS_leaders_meet_on_the_sidelines_of_2016_G20_Summit_in_China.jpg

AMÉRICA LATINACOOPERAÇÃO INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

Vkhutemas: Arte e cultura russa em São Paulo

Fundada em 1920, em Moscou, capital da União Soviética à época, a Vkhutemas (acrônimo russo para Vysshiye Khudojestvenno-Tekhnicheskiye Masterskiye – Escola Superior de Arte e Técnica) foi uma escola artística e tecnológica estatal russa que sucedeu à uma série de escolas de arte, por Decreto do então Presidente do Conselho do Comissariado do Povo da União Soviética, Vladimir Ilyich Ulyanov, mais conhecido pelo pseudônimo Lenin.

Fachada do prédio da Vkhutemas

O objetivo da instituição era preparar artistas com a mais alta qualificação para a indústria da construção, além de formar construtores e gestores para atuar no ensino técnico-profissional, tendo grande importância influenciadora em outras instituições de ensino artístico como a famosa escola alemã Bauhaus, onde, em paralelo, formaram os primeiros artistas-designers especialistas em formas modernas.

Como instituição provinda da iniciativa do Estado, tinha como princípio unificar a tradição artesanal com a tecnologia contemporânea, com um curso elementar que incidia princípios estéticos, aulas de teoria da cor, design industrial e arquitetura e, com isso, estruturar uma modificação na maneira de pensar o fazer artístico, seguindo os ideais e conceitos de liberdade propostos pela revolução de outubro de 1917. Era considerada como um centro de experimentações, defendendo o uso da arte como instrumento educativo e de transformação social.

Em seu modelo de escola de artes e ofícios – que se distanciava dos processos distintos das chamadas “belas-artes” – a aprendizagem estava diretamente vinculada ao que consideravam ser a invenção de um mundo novo, de uma sociedade diferente. Suas novas práticas pedagógicas se equilibravam entre atitude estética e postura política e visavam democratizar o ensino, combater o analfabetismo e promover a emancipação feminina, formando, entre 1920 e 1921, mais de 30 mulheres arquitetas, como Lidia Komárova, que assinou o projeto do Komintern*, e influenciaria, anos mais tarde, artistas norte-americanos como Frank Lloyd Wright, o qual tinha em suas obras expostas em 1959, no Museu Guggenheim, em Nova York, o inconfundível legado da artista russa.

Slogan da Vkhutemas

A escola Vkhutemas funcionou até 1930, quando o regime stalinista*** começou a deixar de lado o espírito revolucionário e ganhar um caráter mais autoritário, colocando um ponto final em iniciativas autônomas no meio artístico. Após seu fechamento abrupto, a maior parte dos registros históricos e ações desenvolvidas pela instituição foram destruídos ou se perderam.

Agora, São Paulo tem a possibilidade de sediar, até o dia 30 de setembro de 2018, uma mostra histórica** com recriações dos maiores artistas experimentais da vanguarda soviética provenientes da Vkhutemas, como Maliévich, Ródtchenko, Tátlin, El Lissítzki, Lidia Komárova, Liubov Popova e Várvara Stepánova. São 75 os mestres reunidos nesta exposição, entre designers e arquitetos ligados a correntes artísticas que firmaram a abstração e o construtivismo no mundo ocidental.

———————————————————————————————–

Notas:

* A Internacional Comunista ou Komintern, ou também conhecida como Terceira Internacional (1919-1943), foi uma organização internacional fundada por Vladimir Lenin em março de 1919, para reunir os partidos comunistas de diferentes países. Tinha como propósito, conforme seus primeiros estatutos, lutar pela superação do capitalismo, o estabelecimento da ditadura do proletariado e da República Internacional dos Sovietes, a completa abolição das classes e a realização do socialismo, como uma transição para a sociedade comunista, com a completa abolição do Estado e para isso se utilizando de todos os meios disponíveis, inclusive armados, para derrubar a burguesia internacional.

** Exposição “Vkhutemas: O futuro em construção (1918 – 2018)”.

*** Stalinismo foi um regime totalitário de governo liderado por Josef Stálin, líder da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), entre 1924 e 1953.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Logotipo Exposição ‘Vkhutemas: O futuro em construção (1918 – 2018)” (Fonte):

https://www.sescsp.org.br/files/programacao/bf5da65f/1eee/4313/b08c/e3056beae5b1.jpg

Imagem 2 Fachada do prédio da Vkhutemas” (Fonte):

https://thecharnelhouse.org/wp-content/uploads/2015/09/building-of-the-1st-sgkhm-vkhutemas-vkhutein-asi-mai-in-rozhdestvenka-street-former-building-of-the-stroganov-school-new-workshops-reproduction-from-the-vkhutemas-newspaper-1920.jpg

Imagem 3 Slogan da Vkhutemas” (Fonte):

https://i.pinimg.com/originals/1e/6a/2c/1e6a2cc4fde5ededa039891d6ea3c5a1.jpg

AMÉRICA DO NORTECOOPERAÇÃO INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

Casa Branca propõe cortes na ajuda financeira para o Cáucaso do Sul

A administração Donald Trump pretende cortar 32% da ajuda financeira oferecida pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, em inglês) a países ao redor do globo. Essa redução consta da proposta orçamentária enviada ao Congresso pelo Departamento de Estado dos EUA, no dia 23 de maio, e faz referência ao ano fiscal de 2018, que se inicia em outubro de 2017. Caso aprovada pelo Legislativo, a medida terá um impacto ainda mais sensível entre as repúblicas do Cáucaso do Sul, que terão seus repasses abatidos em mais de 60%.

Rico em petróleo e gás natural, o Azerbaijão é o país da região menos dependente de ajuda externa, que pela proposta seria praticamente extinta. Dos US$10,2 milhões recebidos atualmente, ao azerbaijanos passariam a contar apenas com US$1 milhão. A Armênia teria seus US$20,372 milhões atuais reduzidos para US$6,8 milhões. No entanto, conta com a atuação da diáspora armênia nos EUA que costumeiramente influencia o Congresso em seu favor. A maior prejudicada seria a Geórgia, que veria seus US$80,605 milhões encolherem para US$34,1 milhões, a redução mais dramática se considerados números absolutos.

Primeiro-ministro Giorgi Kvirikashvili em Washington. Fonte: Governo da Georgia

A decisão da Casa Branca parece ter pego Tbilisi de surpresa. No início de maio, o primeiro-ministro georgiano, Giorgi Kvirikashvili, realizou uma visita oficial a Washington, onde se encontrou com o presidente Donald Trump, além de outros oficiais do alto escalão estadunidense. No dia 9, em entrevista coletiva dada após os encontros, Kvirikashvili disse acreditar que os EUA “continuarão a apoiar a Geórgia, e essas relações só vão se fortalecer”, além de anunciar que Trump “forneceu fortes mensagens de apoio à Geórgia”. A proposta de corte orçamentário, divulgada apenas duas semanas após a reunião entre os dois líderes, pode suscitar desconfianças entre a classe política do país caucasiano, até então o mais fiel aliado americano na região.

A diminuição dos gastos no exterior coaduna com o lema “America First”, que levou os republicanos de volta ao poder em 2016. Entretanto, cortar ajuda financeira a países em desenvolvimento resulta no enfraquecimento de laços bilaterais e na diminuição da capacidade dos EUA em influenciar o mundo que os cerca. O perigo do desengajamento norte-americano se torna ainda mais evidente se considerada a importância estratégica do Cáucaso do Sul. Negligenciar uma região que é cortejada pelos crescentes investimentos chineses, que está constantemente sujeita às pressões da ressurgente Rússia e atua como barreira entre a instabilidade do Oriente Médio e a Europa pode custar aos americanos um preço geopolítico mais alto do que a aparente economia prevista no novo orçamento.  

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Logo da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/United_States_Agency_for_International_Development#/media/File:USAID-Identity.svg

Imagem 2Primeiroministro Giorgi Kvirikashvili em Washington” (Fonte):

http://government.ge/index.php?lang_id=ENG&sec_id=463&info_id=61041

ÁfricaAMÉRICA LATINAÁSIABLOCOS REGIONAISCOOPERAÇÃO INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASTecnologia

[:pt]BRICS e a Cooperação em Tecnologia da Informação[:]

[:pt]

Esse mês de novembro, no 2o Encontro dos Ministros das Comunicações dos Brics, em Bangalore (sul da Índia), foi definida uma agenda de ações para o aprofundamento e desenvolvimento das cooperações multilaterais no campo da Economia Digital, Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs). Das ações debatidas, foram apontadas agendas digitais nacionais como elementos cruciais para consolidar o crescimento econômico e social, ao alimentar e desenvolver o ecossistema doméstico de TICs.

O Brasil se comprometeu em liderar com a África do Sul agendas nacionais digitais e, com a China, o Comércio entre empresas (B2B – business to business). Ficou aberta para a contribuição brasileira o debate em: pesquisa, desenvolvimento e inovação; reforço das capacidades; governo eletrônico, incluindo aplicações móveis; e engajamento e articulação internacional.

Esse encontro anual fortalece as relações entre os BRICS, mostrando a força do Bloco que deseja se consolidar e a capacidade de superação e desenvolvimento das complexidades internas destes países, de forma cooperativa, debatendo pontualmente como cada um deles lida e organiza suas pastas e como podem conjuntamente se desenvolver.

———————————————————————————————–                    

ImagemPrimeiroMinistro da Índia, Narendra Modi” (FonteLicença CC):

http://s4.firstpost.in/wp-content/uploads/2016/10/Modi_Brics_PIB.jpg

[:]

COOPERAÇÃO INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]Manobras conjuntas sino-russas e as tensões no sul da Ásia[:]

[:pt]

O Ministério da Defesa da China anunciou que irá realizar exercícios militares conjuntos com os russos na região do Mar do Sul da China, a ocorrerem proximamente, no mês de setembro (2016). A inédita iniciativa será numa região onde há disputas territoriais entre Beijing e países vizinhos e é vista principalmente como uma resposta ao projeto de escudo antimísseis dos Estados Unidos.

O porta-voz do ministério chinês, Yang Yujun, comunicou que a manobra será para consolidar a cooperação estratégica Beijing-Moscou, que vem apresentando saldo positivo nos últimos anos em diversos setores socioeconômicos. Na China, especificamente, a manobra é vista como um novo caminho para fortalecer a defesa contra possíveis ameaças na costa do país e um grande passo para firmar a aliança sino-russa.

Atualmente, os chineses enfrentam diversas disputas territoriais em regiões próximas de sua costa, sejam no sul, sejam no leste, em cujas águas também acontecem manobras militares dos estadunidenses com seus aliados. Alguns analistas também veem essa ação dos chineses com os russos como uma resposta aos árbitros internacionais, que não aceitam a postura China em se considerar detentora de certas áreas que, hoje, pertencem a diferentes países do sul da Ásia.

Outros observadores compreendem a iniciativa apenas como uma resposta aos exercícios dos Estados Unidos com Japão e Coréia do Sul e, como dito, ao seu escudo antimíssil preventivo contra ameaças da Coreia do Norte. Para analistas de defesa asiáticos, Moscou e Beijing percebem as manobras e projetos de defesa estadunidenses como capazes de afetar os interesses de ambos os Estados. Agora, resta aos analistas aguardarem os exercícios sino-russos, daqui a pouco mais de um mês, para verem quais desdobramentos essa iniciativa poderá ter.

———————————————————————————————–                    

Imagem (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mar_da_China_Meridional#/media/File:Karta_CN_SouthChinaSea.PNG

———————————————————————————————–                    

Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://portuguese.cri.cn/1721/2016/07/28/1s219302.htm

[2] Ver:

http://www.paraibaurgente.com.br/s/noticias/china-e-russia-anunciam-manobras-militares-conjuntas-ineditas

[:]