AMÉRICA DO NORTEEuropaNOTAS ANALÍTICASORGANIZAÇÃO INTERNACIONALORIENTE MÉDIO

Estados Unidos propõem que OTAN treine as Forças iraquiana

No último dia 18 de maio, quinta-feira retrasada, o general Joe Dunford, comandante das forças conjuntas dos Estados Unidos da América (EUA), participou de uma reunião de planejamento para o próximo encontro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que ocorrerá brevemente em Bruxelas, na Bélgica. Segundo comunicado do Departamento de Defesa dos EUA, o general Joe Dunford propôs que a OTAN treine as Forças Armadas iraquianas, após derrotar o grupo Estado Islâmico (EI). Além disso, reforçou a ideia do atual Governo estadunidense de que a Aliança se torne membro da coalizão internacional que combate o EI no Iraque e na Síria, haja vista que todos os membros da OTAN já compõem a coalizão.

Até o presente, a OTAN forneceu suporte secundário à coalizão internacional, através de missões aéreas de reconhecimento e treinamento de oficiais iraquianos. Segundo o general Dunford, contar com a Organização no combate ao EI seria benéfico, uma vez que facilitaria o compartilhamento de informações e inteligência. Jens Stoltenberg, Secretário Geral da OTAN, conforme destacou o Telegraph, afirmou que a OTAN precisa atuar de maneira mais contundente na luta contra o terrorismo.  Nesse aspecto, segundo pontuou o Defense One, Dunford ressaltou que visa encontrar uma maneira para que cada país otimize sua contribuição, além da organização poder contribuir de maneira a fornecer uma missão de treinamento por período duradouro. Dunford assinalou ainda que a OTAN poderia contribuir com questões de logística, aquisições, capacitação institucional, dentre outros serviços de apoio.

No entanto, o General ressalvou que esse cenário diz respeito ao futuro, pois a Organização teria as capacidades necessárias para assumir a tarefa que vem sendo desempenhada pelos EUA no Iraque. Nesse ponto, para Dunford, a questão não reside no fato de os iraquianos precisarem de apoio, mas sim em como fornecê-lo. De acordo com o Departamento de Defesa dos EUA, os próprios líderes dos países membros destacaram a possibilidade de atuar mais ativamente. O comandante das forças conjuntas dos EUA afirmou também que, a curto prazo, a Aliança continuará com uma atuação modesta, contudo, os líderes deverão discutir o papel da OTAN e arcar com maior responsabilidade no Iraque.

Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Fonte: Wikipedia

Desde que assumiu a Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump vem pressionado os países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte para que assumam maior papel no combate ao terrorismo. Em fevereiro deste ano (2017), James Mattis, Secretário de Defesa dos EUA, declarou que o Governo Trump iria moderar seu comprometimento com a Aliança se os demais membros não elevassem seus gastos em Defesa. A crítica de Trump reside na baixa participação financeira dos aliados e seu discurso no próximo encontro deverá pontuar justamente no aumento dos gastos militares nacionais para alcançar a meta de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), tal como foi acordado na reunião ocorrida no País de Gales, em 2014. Nesse âmbito, compete ressaltar que, dos 28 membros da aliança, apenas os Estados Unidos, Reino Unido, Estônia, Grécia e Polônia tem atingido ou ultrapassado a meta de 2%.

O EI vem perdendo algumas frentes no Iraque, particularmente em Mossul, que era considerada a fortaleza do grupo no país. O conflito no Iraque foi responsável pelo deslocamento de milhares de pessoas. Para Haider al-Abadi, Primeiro-Ministro do Iraque, as forças iraquianas vão precisar de apoio após a derrota do Estado Islâmico. Por fim, cabe destacar que nesta última quarta-feira, 24 de maio, os países que compõem a OTAN concordaram em integrar a coalizão internacional na luta contra o EI, decisão que deverá ser oficialmente confirmada no decorrer da semana.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1New chairman JCS” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Joseph_Dunford#/media/File:Dunford_CJCS.JPG

Imagem 2 Logo of the North Atlantic Treaty Organization (NATO), em português, Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN)” (Fonte):  

https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_do_Tratado_do_Atl%C3%A2ntico_Norte#/media/File:Seal_of_the_North_Atlantic_Treaty_Organization.png

AGÊNCIAS DE COOPERAÇÃOCOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORGANIZAÇÃO INTERNACIONALORIENTE MÉDIOSociedade Internacional

[:pt]A OIM no pós-Declaração de Nova York[:]

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Em meados de setembro de 2016 ocorreu importante mudança no Regime Internacional dos Refugiados, a partir da celebração da Declaração de Nova York, no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU). Dentre suas resoluções, vale destaque o vínculo construído entre a organização internacional supracitada e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que até então atuava de forma independente, colaborando na gestão das migrações no mundo. Tal fato aparenta ser um passo assertivo e engajado na promoção da governança dentro do Regime Internacional dos Refugiados, sobretudo pelos desafios enfrentados no contexto atual, que demandam maior cooperação entre os atores internacionais envolvidos.

O cálculo estratégico que direciona os Estados a cooperar compreende, sobretudo, os riscos caso eles não colaborem no fomento de uma regulação que também abranja os demais Estados. As mudanças nos fluxos de refugiados no pós-Guerra Fria tem como adendo o processo de globalização, o qual tem como uma de suas características o encurtamento das distâncias a partir da permeabilização das fronteiras.

Ou seja, os Estados estão cada vez mais sensíveis e vulneráveis aos problemas sociais, econômicos e políticos em um país vizinho que possam acarretar na solicitação de refúgio por parte dos seus cidadãos. Tal contexto foi determinante para a concretização da Declaração de Nova York para os Refugiados e Migrantes e na vinculação da OIM ao sistema ONU como uma organização parceirarelated organization.

Atuando como agência das Nações Unidas para Migração, na primeira semana de maio, a Organização doou mais de três toneladas de suprimentos médicos e hospitalares para um hospital no Iêmen, um dos países mais pobres do Oriente Médio e que sofre com emigrações decorrentes da crise político-econômica pela qual padece. A ação, desenvolvida em caráter de urgência, foi em resposta a um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) – também pertencente ao sistema ONU – que mostrava que o sistema de saúde do Iêmen estava em situação calamitosa. 

Portanto, a vinculação entre ambas as organizações pode aprimorar a governança dentro do Regime Internacional dos Refugiados, no qual os atores envolvidos vêm sendo questionados, haja vista suas dificuldades em lidar com os desafios atuais. A aproximação da OIM pode ser vista como reconhecimento de que ela é uma instituição proeminente em assuntos relativos a migrações, com capacidade de intensificar sua contribuição ao regime. Isso poderá dirimir a concorrência e ampliar a cooperação e a complementariedade, garantindo maior efetividade ao Regime Internacional dos Refugiados em um período histórico que demanda por ações concretas e assertivas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Cimeira das Nações Unidas para os Refugiados e os Migrantes” (Fonte):

http://refugeesmigrants.un.org/summit 

Imagem 2 Protestos do Iêmen” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Yemeni_Protests_4-Apr-2011_P01.JPG

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AGÊNCIAS DE COOPERAÇÃOCOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORGANIZAÇÃO INTERNACIONALORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]Yêmen: dois anos de fome, embargos, conflitos e promessas[:]

[:pt] Na última quarta-feira (25 de abril), António Guterres, Secretário Geral das Nações Unidas, se fez presente em Genebra para angariar fundos para o Iêmen, país da Península Arábica. Na ocasião, Guterres recebeu a promessa…

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[:pt]O novo Acordo Militar entre Estados Unidos e Israel[:]

[:pt]

O novo pacote de cooperação econômico-militar oficializado entre Estados Unidos e Israel na última semana recria em valores financeiros e na condução geopolítica do Oriente Médio cenários variados que inserem os dois Estados como protagonistas em um provável realinhamento armamentista de larga escala.

Embora Israel seja o principal aliado estadunidense na região desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o novo Acordo de ajuda militar expõe que a centralização de forças impulsiona outros atores a procurarem os mesmos mecanismos para reequilibrar a balança de poder da região, dentre os quais os países membros do bloco denominado Conselho de Cooperação do Golfo (GCC na sigla em inglês).

O pacote de ajuda, que totaliza US$ 38 bilhões para os próximos 10 anos, foi assinado por Jacob Nagel, Conselheiro de Segurança do Estado de Israel, Thomas A. Shannon Jr, Subsecretário de Estado para assuntos políticos, e Susan E. Rice, Assessora de Segurança Nacional da Presidência dos Estados Unidos, em cerimônia no Departamento de Estado e prevê um acréscimo no montante em comparação ao último acordo estabelecido, de US$ 3,1 bilhões para US$ 3,8 bilhões, para o próximo período de 2019 a 2028.

Conforme observadores internacionais consultados, o novo plano militar firmado expõe a profunda relação existente entre Estados Unidos e Israel que, através do tema segurança, cria as bases para mitigar o avanço de extremistas nas fronteiras do Estado Israelense.

Por essa vertente que os investimentos preveem a manutenção e ampliação do sistema de defesa antimíssil conhecido como “Iron Dome”, que procura absorver os ataques de foguetes de curto alcance lançados por grupos militantes políticos, como o Hizbollah, do Líbano, e o Hamas, alocado na região da Faixa de Gaza.

Segundo anúncio do Departamento de Estado, outros investimentos previstos remetem ao desenvolvimento de tecnologia capaz de neutralizar ameaças vindas do subterrâneo dos territórios ocupados, uma ferramenta capaz de detectar os túneis que ligam os assentamentos palestinos ao centro das principais cidades israelenses. Mais uma iniciativa acordada no pacote é a entrega do primeiro avião do Programa Joint Strike Fighter, o F-35, da empresa estadunidense Lockheed Martin.

No âmbito diplomático, Tel-Aviv negociou o Acordo sempre com a premissa de alcançar mais financiamento e outras concessões, uma estratégia da qual o Primeiro-Ministro israelense optou, por entender a necessidade de demonstrar força e evitar qualquer associação ao Acordo Nuclear do Irã, haja vista que a posição israelense sobre o tema saiu enfraquecida em virtude da oposição às tratativas alcançadas e, por conseguinte, qualquer manobra inicial de flexibilidade poderia soar como enfraquecimento de sua posição de líder.

Segundo especialistas em Oriente Médio, a questão tomou novos rumos nos últimos meses de diálogo, pois havia entendimentos de que a administração Obama não abriria a renegociação dos termos propostos. As incertezas que cercam sobre quem será o novo mandatário a assumir a Casa Branca, aliadas à pressão dos militares israelenses, fizeram com que o acerto fosse firmado nos termos de Obama, uma observação que deve ser levada em consideração, devido às rusgas que existem entre o líder estadunidense e o Primeiro-Ministro israelense, que dentre as suas ações apoiou explicitamente Mitt Romney, candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos em 2012, durante um discurso no Senado, em Washington.

Ao recriar as bases para manter a vantagem militar qualitativa, o Acordo de Cooperação firmado abre precedente, com interpretações de legisladores mais à direita do espectro político, assim como comentaristas de política externa de que há para a próxima década uma limitação da capacidade de Israel fazer lobby no Congresso estadunidense, uma vez que, dentre as regras desse novo pacote, não haverá injeção de investimentos no período de vigência do contrato.

Desse modo, as políticas desenvolvidas por Barack Obama no Oriente Médio, ainda conforme uma parcela de legisladores e especialistas, ao incluir o Irã na nova geopolítica da região poderá gerar perigos que possivelmente um pacote de auxílio militar de US$ 3,8 bilhões/ano não seria capaz de se equiparar a tal ameaça.

Nesse sentido, o Governo de Teerã, com o advento do descongelamento dos ativos, poderá ter acesso a novas armas e, diante deste cenário, os Estados Árabes, por temerem as ambições iranianas, passarão também a investir em mais tecnologia bélica, tal como faz Arábia Saudita que negocia US$ 115 bilhões em contratos militares, desde 2009, primeiro ano da administração Obama.

À frente de novos desafios que deverão surgir com a nova administração estadunidense certamente estará a diplomacia e as negociações necessárias diante das tensões que implicarão com este novo grau de militarização da região mais instável do sistema internacional.

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Imagem (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7f/Defense.gov_photo_essay_070418-D-7203T-023.jpg

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NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOTecnologia

[:pt]Energia nuclear na Arábia Saudita[:]

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Conhecida internacionalmente por seus grandes poços de petróleo e como uma liderança regional no Oriente Médio e no mundo árabe, a Arábia Saudita não possui oficialmente um programa nuclear com fins militares e se tornou signatária do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares desde 1968, ano em que o mesmo foi aberto para assinatura, muito embora não tenha aderido ao Protocolo Adicional de 1997. Apesar disso, em dezembro de 2006, os seis Estados membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), entre eles os sauditas, anunciaram planejamento para o uso da energia nuclear para fins pacíficos.

Em abril de 2010, o Governo da Arábia Saudita emitiu através de Decreto Real um comunicado informando os principais motivos pelos quais o país tem necessidade de recorrer à energia nuclear: “O desenvolvimento da energia atômica é essencial para atender às crescentes necessidades do Reino para geração de energia elétrica, produção de água dessalinizada e redução da dependência dos finitos recursos de hidrocarbonetos”. Há alguns anos, Riad tem concentrado esforços na utilização da energia nuclear como fonte energética substitutiva do gás natural e de combustíveis derivados do petróleo em plantas de dessalinização da água do mar para baratear o custo de operação. Atualmente, o país conta com a maior usina de dessalinização do mundo, que foi construída na cidade de Ras Al Khair, localizada na costa oeste do país, com a capacidade de produzir cerca de 728 milhões de litros de água dessalinizada por dia.

No que diz respeito à geração de energia elétrica, de acordo com a World Nuclear Association, a crescente demanda desse tipo de energia por uma população estimada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em aproximadamente 31 milhões de pessoas, em um país com escassez de recursos hídricos, tem direcionado o Governo nacional a investir na energia nuclear como uma alternativa viável e mais barata que os combustíveis fósseis para geração de eletricidade.

Recentemente, a Arábia Saudita anunciou que planeja construir 16 reatores nucleares ao longo dos próximos 20 anos, a um custo superior a 80 bilhões de dólares, o que tem levado Riad a se abrir à compromissos de cooperação internacional. Atualmente, o Reino possui acordos com países como a França, Coreia do Sul, Argentina e China para pesquisa, compra e construção de reatores nucleares. A Rússia, por sua vez, já demonstrou interesse no plano saudita e também pretende investir no país.

O desenvolvimento da tecnologia nuclear para fins pacíficos na Arábia Saudita tem se mostrado como uma solução importante para os problemas energéticos do Reino, que tem procurado investir no setor para garantir sua segurança hídrica e energética com maior eficiência, diversificando a matriz nacional para geração de energia.

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Imagem (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Nuclear_program_of_Saudi_Arabia

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AMÉRICA DO NORTECOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]EUA atinge meta de reinstalação de refugiados sírios: 0,2% do total de deslocados no mundo[:]

[:pt] Nesta última segunda-feira, 29 de agosto, a Casa Branca afirmou ter cumprido sua meta de reassentar 10.000 refugiados sírios neste ano (2016). O total equivale a cerca de 0,2% do número total de refugiados…

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[:pt]O que é a “OTAN Árabe”?[:]

[:pt]

Entre os dias 28 e 29 de março de 2015, na vigésima sexta cúpula da Liga Árabe, sediada pelo Egito, em um resort de Sharm el-Sheikh, cidade localizada no sul da Península do Sinai, os líderes árabes ali reunidos concordaram em criar uma força militar unificada para a resolução de crises regionais, como as crescentes ameaças de grupos terroristas extremistas como o Estado Islâmico (EI), e as guerras na Síria, na Líbia e no Iêmen.

Historicamente, a formação de coalizões militares entre os países árabes não é novidade. Por quatro vezes (em 1948, 1956, 1967 e 1973) alguns Estados árabes foram à guerra juntos contra Israel; no ano de 1982, os membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) – Arábia Saudita, Bahrain, Catar, Emirados Árabes Unidos (EAU), Kuwait e Omã – criaram o Escudo da Península, em resposta à Guerra Irã-Iraque (1980-88). Em 2011, o Governo do Bahrein solicitou auxílio das forças do Escudo da Península para conter os protestos da então “Primavera Árabe” e proteger instalações estratégicas no país. Um outro exemplo de coalizão se deu na recente Guerra do Iêmen com a operação ‘Tempestade Decisiva, encabeçada pela Arábia Saudita e que reuniu os membros da CCG (exceto Omã), mais a Jordânia, Egito, Sudão, Marrocos e o Paquistão. Curiosamente, países cujos governos seguem uma orientação sunita do islã e são contrapostos aos houthis, milícia xiita apoiada pelo Irã.

A possível criação de uma organização militar multinacional anunciada em Sharm el-Sheikh recebeu a alcunha de “OTAN Árabe”, mais por conta da possível estrutura do que pelo poderio bélico evidentemente. Sob o ponto de vista estratégico, uma união militar entre os países da Liga, em teoria, poderia representar um maior fluxo de informações de inteligência e a ampliação de interesses coletivos entre seus membros, sobretudo porque a maioria dos Estados da Liga são de orientação sunita, embora um grande número de xiitas componha a maioria da população no Líbano, em Bahrein e no Iraque. No que diz respeito à geopolítica e à geoestratégia, tal coalizão se estenderia desde o Oceano Atlântico ao norte do Índico e à margem leste do Golfo Pérsico.

Sharm el-Sheikh é uma prova que, apesar das dificuldades de conciliar interesses políticos, comerciais e geopolíticos, os países árabes podem buscar soluções conjuntas para os problemas regionais. Ademais, a possibilidade de no futuro ser criada a “OTAN Árabe” como uma entidade militar internacional pode ser considerado um fator alarmante para países como o Irã e Israel, que são inimigos históricos de grande parte dos países da Liga.  

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Imagem (Fonte):

http://www.americansecurityproject.org/time-for-an-arab-nato/

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NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

A influência do Movimento Gülen no cenário internacional

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Aos 72 anos, o turco Fetullah Gülen figura[1] entre as cem pessoas mais influentes do mundo, segundo a revista Time. Este líder religioso, filósofo, escritor e educador é um empreendedor bem-sucedido que inspirou um movimento conhecido como “Hizmet” (Serviço, em turco), ou Movimento Gülen. O Movimento[2] originou-se no final dos anos 1960, na Turquia, como inspiração islâmica baseada na fé e em torno da criação de oportunidades educacionais, na forma de bolsas de estudo, dormitórios, escolas e centros de ensino. Durante quatro décadas, o Movimento Gülen tem crescido como um movimento transnacional, educacional, intercultural e inter-religioso, com o número de participantes chegando aos milhões, incluindo centenas de fundações, empresas, associações profissionais, associações formais e informais. No início da década de 1970, a mensagem de Gülen sobre profunda fé e prática religiosa, altruísmo e ação foi transmitida em uma Turquia repleta de pobreza e corrupção, em que ocorriam intervenções não democráticas, restrições à expressão religiosa na vida pública, embates políticos e ideológicos. Neste cenário caótico, a abordagem abrangente de Gülen sobre indivíduo, sociedade, nação e a humanidade em geral permitiu o fortalecimento do Hizmet.

Os ensinamentos do Movimento Gülen[3] baseiam-se em aspectos motivadores da , como meio para transformação do espírito humano; da educação, como modificadora da mentalidade social; da ativa participação da sociedade, diante de questões não solucionadas pelos Governos; da inclusão social, por meio de atuação nas instituições da visão integracionista da sociedade e do Governo. Os participantes do movimento não são diferentes da população comum da Turquia, em termos de etnia, cultura, religião, classe social, e atitudes em relação à violência. Outro fator que contribui para o desenvolvimento do Movimento Gülen é o respeito às leis, ao ensinar o poder da Democracia, pois cada cidadão é visto como um futuro participante potencial. No mundo[4] atual, o Hizmet atraiu um grande número de empresários, como a agência de notícias Cihan, a maior do país, que possui correspondentes em 82 países, incluindo o Brasil, onde tem um escritório estabelecido em 2011, em São Paulo.

No entanto, mesmo sendo considerado o muçulmano mais influente do mundo, Fetullah Gülen foi apontado[5] como um dos motivadores da recente reviravolta no cenário político da Turquia em julho deste ano (2015), com o resultado das eleições parlamentares que sinalizou uma derrota para o presidente turco Erdogan. Para alguns analistas e cientistas políticos, apesar de tentar consolidar a ideia de um islamismo brando, as intenções de Gülen não são explícitas e atraem suspeitas. Segundo o cientista político alemão de ascendência turca Ekrem Güzeldere, que trabalha[6] como analista no think tank ESI (European Stability Initiative), existe um sério problema em relação ao movimento, que é a falta de transparência, e afirma: “O Movimento Gülen não é transparente, portando-se quase como algo clandestino[6]. Para Gareth Jenkins, analista do Institute for Security and Development Policy, um centro sueco de pesquisas e analises geopolíticas,  “o Movimento Gülen baseia-se em crenças conservadoras que se propagam em três fases: 1) islamizar o indivíduo; 2) islamizar a sociedade; e 3) islamizar o Estado e introduzir a sharia[6].

Com análises favoráveis e desfavoráveis, o Movimento Gülen[7] continua sua expansão e, atualmente, possui instituições de ensino de inspiração gulenista espalhadas por mais de cem países, do Quênia ao Cazaquistão, passando por Estados Unidos e nações da Europa, além, é claro, da Turquia. Tais instituições são descritas como seculares e os professores devem se apresentar como modelos morais (não podem fumar, beber e nem serem divorciados), as mulheres têm pouca participação e não ocupam posições de chefia no Movimento Gülen. Ao que tudo indica, a Casa Branca e os demais países não o veem como um chefe islâmico radical, mas como alguém que deve ser acompanhado, dado o poder financeiro e influência que exerce no cenário internacional.

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Imagem (Fonte):

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/gulen-vs-erdogan-struggle-thre-2014311144829299446.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.huffingtonpost.com/david-l-phillips/turkeys-fight-against-ter_b_6445664.html

[2] Ver:

http://pt-hizmetmovement.blogspot.com.br/p/gulen-movement.html

[3] Ver:

http://thediplomat.com/2015/08/tajikistan-turkey-and-the-gulen-movement/

[4] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/03/1425613-polemico-movimento-turco-tem-braco-no-brasil.shtml

[5] Ver:

http://oglobo.globo.com/mundo/acusado-por-erdogan-de-tramar-golpe-movimento-hizmet-diz-temer-por-liberdade-na-turquia-11337481

[6] Ver:

http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/quem-e-fetullah-gulen-o-muculmano-mais-influente-do-mundo/

[7] Ver:

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/gulen-vs-erdogan-struggle-thre-2014311144829299446.html

[:en]

Aos 72 anos, o turco Fetullah Gülen figura[1] entre as cem pessoas mais influentes do mundo, segundo a revista Time. Este líder religioso, filósofo, escritor e educador é um empreendedor bem-sucedido que inspirou um movimento conhecido como “Hizmat” (Serviço, em turco), ou Movimento Gülen. O Movimento[2] originou-se no final dos anos 1960, na Turquia, como inspiração islâmica baseada na fé e em torno da criação de oportunidades educacionais, na forma de bolsas de estudo, dormitórios, escolas e centros de ensino. Durante quatro décadas, o Movimento Gülen tem crescido como um movimento transnacional, educacional, intercultural e inter-religioso, com o número de participantes chegando aos milhões, incluindo centenas de fundações, empresas, associações profissionais, associações formais e informais. No início da década de 1970, a mensagem de Gülen sobre profunda fé e prática religiosa, altruísmo e ação foi transmitida em uma Turquia repleta de pobreza e corrupção, em que ocorriam intervenções não democráticas, restrições à expressão religiosa na vida pública, embates políticos e ideológicos. Neste cenário caótico, a abordagem abrangente de Gülen sobre indivíduo, sociedade, nação e a humanidade em geral permitiu o fortalecimento do Hizmat.

Os ensinamentos do Movimento Gülen[3] baseiam-se em aspectos motivadores da , como meio para transformação do espírito humano; da educação, como modificadora da mentalidade social; da ativa participação da sociedade, diante de questões não solucionadas pelos Governos; da inclusão social, por meio de atuação nas instituições da visão integracionista da sociedade e do Governo. Os participantes do movimento não são diferentes da população comum da Turquia, em termos de etnia, cultura, religião, classe social, e atitudes em relação à violência. Outro fator que contribui para o desenvolvimento do Movimento Gülen é o respeito às leis, ao ensinar o poder da Democracia, pois cada cidadão é visto como um futuro participante potencial. No mundo[4] atual, o Hizmat atraiu um grande número de empresários, como a agência de notícias Cihan, a maior do país, que possui correspondentes em 82 países, incluindo o Brasil, onde tem um escritório estabelecido em 2011, em São Paulo.

No entanto, mesmo sendo considerado o muçulmano mais influente do mundo, Fetullah Gülen foi apontado[5] como um dos motivadores da recente reviravolta no cenário político da Turquia em julho deste ano (2015), com o resultado das eleições parlamentares que sinalizou uma derrota para o presidente turco Erdogan. Para alguns analistas e cientistas políticos, apesar de tentar consolidar a ideia de um islamismo brando, as intenções de Gülen não são explícitas e atraem suspeitas. Segundo o cientista político alemão de ascendência turca Ekrem Güzeldere, que trabalha[6] como analista no think tank ESI (European Stability Initiative), existe um sério problema em relação ao movimento, que é a falta de transparência, e afirma: “O Movimento Gülen não é transparente, portando-se quase como algo clandestino[6]. Para Gareth Jenkins, analista do Institute for Security and Development Policy, um centro sueco de pesquisas e analises geopolíticas,  “o Movimento Gülen baseia-se em crenças conservadoras que se propagam em três fases: 1) islamizar o indivíduo; 2) islamizar a sociedade; e 3) islamizar o Estado e introduzir a sharia[6].

Com análises favoráveis e desfavoráveis, o Movimento Gülen[7] continua sua expansão e, atualmente, possui instituições de ensino de inspiração gulenista espalhadas por mais de cem países, do Quênia ao Cazaquistão, passando por Estados Unidos e nações da Europa, além, é claro, da Turquia. Tais instituições são descritas como seculares e os professores devem se apresentar como modelos morais (não podem fumar, beber e nem serem divorciados), as mulheres têm pouca participação e não ocupam posições de chefia no Movimento Gülen. Ao que tudo indica, a Casa Branca e os demais países não o veem como um chefe islâmico radical, mas como alguém que deve ser acompanhado, dado o poder financeiro e influência que exerce no cenário internacional.

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Imagem (Fonte):

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/gulen-vs-erdogan-struggle-thre-2014311144829299446.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.huffingtonpost.com/david-l-phillips/turkeys-fight-against-ter_b_6445664.html

[2] Ver:

http://pt-hizmetmovement.blogspot.com.br/p/gulen-movement.html

[3] Ver:

http://thediplomat.com/2015/08/tajikistan-turkey-and-the-gulen-movement/

[4] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/03/1425613-polemico-movimento-turco-tem-braco-no-brasil.shtml

[5] Ver:

http://oglobo.globo.com/mundo/acusado-por-erdogan-de-tramar-golpe-movimento-hizmet-diz-temer-por-liberdade-na-turquia-11337481

[6] Ver:

http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/quem-e-fetullah-gulen-o-muculmano-mais-influente-do-mundo/

[7] Ver:

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/gulen-vs-erdogan-struggle-thre-2014311144829299446.html

[:ru]

Aos 72 anos, o turco Fetullah Gülen figura[1] entre as cem pessoas mais influentes do mundo, segundo a revista Time. Este líder religioso, filósofo, escritor e educador é um empreendedor bem-sucedido que inspirou um movimento conhecido como “Hizmat” (Serviço, em turco), ou Movimento Gülen. O Movimento[2] originou-se no final dos anos 1960, na Turquia, como inspiração islâmica baseada na fé e em torno da criação de oportunidades educacionais, na forma de bolsas de estudo, dormitórios, escolas e centros de ensino. Durante quatro décadas, o Movimento Gülen tem crescido como um movimento transnacional, educacional, intercultural e inter-religioso, com o número de participantes chegando aos milhões, incluindo centenas de fundações, empresas, associações profissionais, associações formais e informais. No início da década de 1970, a mensagem de Gülen sobre profunda fé e prática religiosa, altruísmo e ação foi transmitida em uma Turquia repleta de pobreza e corrupção, em que ocorriam intervenções não democráticas, restrições à expressão religiosa na vida pública, embates políticos e ideológicos. Neste cenário caótico, a abordagem abrangente de Gülen sobre indivíduo, sociedade, nação e a humanidade em geral permitiu o fortalecimento do Hizmat.

Os ensinamentos do Movimento Gülen[3] baseiam-se em aspectos motivadores da , como meio para transformação do espírito humano; da educação, como modificadora da mentalidade social; da ativa participação da sociedade, diante de questões não solucionadas pelos Governos; da inclusão social, por meio de atuação nas instituições da visão integracionista da sociedade e do Governo. Os participantes do movimento não são diferentes da população comum da Turquia, em termos de etnia, cultura, religião, classe social, e atitudes em relação à violência. Outro fator que contribui para o desenvolvimento do Movimento Gülen é o respeito às leis, ao ensinar o poder da Democracia, pois cada cidadão é visto como um futuro participante potencial. No mundo[4] atual, o Hizmat atraiu um grande número de empresários, como a agência de notícias Cihan, a maior do país, que possui correspondentes em 82 países, incluindo o Brasil, onde tem um escritório estabelecido em 2011, em São Paulo.

No entanto, mesmo sendo considerado o muçulmano mais influente do mundo, Fetullah Gülen foi apontado[5] como um dos motivadores da recente reviravolta no cenário político da Turquia em julho deste ano (2015), com o resultado das eleições parlamentares que sinalizou uma derrota para o presidente turco Erdogan. Para alguns analistas e cientistas políticos, apesar de tentar consolidar a ideia de um islamismo brando, as intenções de Gülen não são explícitas e atraem suspeitas. Segundo o cientista político alemão de ascendência turca Ekrem Güzeldere, que trabalha[6] como analista no think tank ESI (European Stability Initiative), existe um sério problema em relação ao movimento, que é a falta de transparência, e afirma: “O Movimento Gülen não é transparente, portando-se quase como algo clandestino[6]. Para Gareth Jenkins, analista do Institute for Security and Development Policy, um centro sueco de pesquisas e analises geopolíticas,  “o Movimento Gülen baseia-se em crenças conservadoras que se propagam em três fases: 1) islamizar o indivíduo; 2) islamizar a sociedade; e 3) islamizar o Estado e introduzir a sharia[6].

Com análises favoráveis e desfavoráveis, o Movimento Gülen[7] continua sua expansão e, atualmente, possui instituições de ensino de inspiração gulenista espalhadas por mais de cem países, do Quênia ao Cazaquistão, passando por Estados Unidos e nações da Europa, além, é claro, da Turquia. Tais instituições são descritas como seculares e os professores devem se apresentar como modelos morais (não podem fumar, beber e nem serem divorciados), as mulheres têm pouca participação e não ocupam posições de chefia no Movimento Gülen. Ao que tudo indica, a Casa Branca e os demais países não o veem como um chefe islâmico radical, mas como alguém que deve ser acompanhado, dado o poder financeiro e influência que exerce no cenário internacional.

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Imagem (Fonte):

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/gulen-vs-erdogan-struggle-thre-2014311144829299446.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.huffingtonpost.com/david-l-phillips/turkeys-fight-against-ter_b_6445664.html

[2] Ver:

http://pt-hizmetmovement.blogspot.com.br/p/gulen-movement.html

[3] Ver:

http://thediplomat.com/2015/08/tajikistan-turkey-and-the-gulen-movement/

[4] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/03/1425613-polemico-movimento-turco-tem-braco-no-brasil.shtml

[5] Ver:

http://oglobo.globo.com/mundo/acusado-por-erdogan-de-tramar-golpe-movimento-hizmet-diz-temer-por-liberdade-na-turquia-11337481

[6] Ver:

http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/quem-e-fetullah-gulen-o-muculmano-mais-influente-do-mundo/

[7] Ver:

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/gulen-vs-erdogan-struggle-thre-2014311144829299446.html

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