COOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

Agências Humanitárias têm cinco dias de cessar fogo para entregar ajuda ao Iêmen

Agências de ajuda humanitária preparam-se para entregar milhares de toneladas de alimentos, combustível e suprimentos médicos para iemenitas carentes durante um período de cinco dias de cessar-fogo entre os rebeldes Houthis e a coalizão militar liderada pela Arábia Saudita. O cessar-fogo teve inicio às 23hrs de terça-feira, 12 de maio de 2015[1]. Desde que a coalizão de 10 países, com o aval de Washington, começou os ataques aéreos contra os rebeldes, em 26 de março, ao menos 1.400 pessoas foram mortas e 6.000 feridas durante os confrontos, informam as Nações Unidas. A operação é encabeçada pela Arábia Saudita e tem como objetivo retroagir os avanços e poder conquistados pelos houthis e restituir o então presidente deposto Abed Rabbo Mansour Hadi. As Agências advertem que cinco dias de cessar-fogo não serão suficientes para distribuir completamente a urgente assistência necessária[1][2]. Analistas são receosos quanto à duração da trégua, já que forças leais a Hadi e outras milícias apoiadas pela Arábia Saudita fornecem apoio em terra aos ataques aéreos contra os Houthis, acusados de serem apoiados pelo Irã[1].

No Iêmen, ataques aéreos da coalizão atingiram a capital Sanaa, o Porto de Aden e a cidade de Taiz, ao sul, poucas horas antes do cessar-fogo da terça-feira entrar em vigor. Embora confrontos tenham sido relatados ao longo das últimas horas antes da trégua – incluindo ataques aéreos contra posições Houthis em Abyan e continuados combates entre houthis e milícias populares locais – o nível de violência parece ter se reduzido significativamente[2][3].

O canal televisivo houthi alMasira reportou que as forças terrestres sauditas alvejaram seu reduto ao norte da província de Saada e acusou os bombardeios de serem uma violação do cessar-fogo[4]. Arábia Saudita e Houthis trocaram acusações mútuas de violações de cessar-fogo ao longo da fronteira montanhosa entre os dois países, mas moradores disseram que as hostilidades pareciam ter em grande parte diminuído[5]. O Governo saudita ofereceu a trégua de cinco dias para permitir a entrega da ajuda humanitária em meio ao grande número de mortes de civis causadas ​​pelos seus ataques aéreos e pelo bloqueio[1][3].

A escassez de alimentos, remédios e combustível no país mais pobre do mundo árabe são crescentes. A trégua da última terça-feira é a primeira pausa na guerra e dá às organizações internacionais de ajuda humanitária a sua melhor oportunidade para se juntarem a grupos de socorro locais que tentam enfrentar a crise humanitária de extrema gravidade no Iêmen. Esta crise tem sido agravada por um bloqueio naval, aéreo e terrestre encabeçado pela Arábia Saudita[1].

O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas (WFP, na sigla em inglês) afirmou estar enviando provisões alimentares para 750 mil pessoas, além de 25 mil provisões alimentares especiais para mulheres grávidas e crianças com idade inferior a 5 anos. Ao todo, é objetivo da WFP enviar 14 mil toneladas de alimentos para o Iêmen a partir de seus armazéns no Djibouti. O Alto Comissariado da ONU para Refugiados disse que também estava embarcando 300 toneladas de cobertores, colchões e utensílios desde Dubai[1]. Mas grupos de ajuda iemenitas e internacionais alegam que a trégua de cinco dias é demasiado curta para parar, quanto mais reverter, o aprofundamento da miséria de muitos dos 26 milhões de habitantes do Iêmen.

Antes do início dos conflitos mais recentes, o WFP disse que 10.600.000 iemenitas não tinham acesso regular a uma alimentação adequada. Até abril de 2015, o número havia subido para 12 milhões[1]. Pontes, estradas e aeroportos danificados significam que não haverá tempo suficiente para alcançar muitas pessoas necessitadas, incluindo as 300.000 pessoas que a ONU alega terem sido forçadas a deixar suas casas em virtude dos combates[1]. Mesmo o sucesso limitado do esforço de ajuda dependerá da vontade da coalizão em permitir o acesso aos portos do Iêmen e da extensão do dano aos aeroportos do país[1].

A Human Rights Watch disse nesta semana que sete navios estão à espera ao largo da costa do Iêmen desde 1o de maio, incapazes de obter autorização da Arábia Saudita para descarregarem um total de 349.000 toneladas métricas de suprimentos de combustível de emergência[1]. “O bombardeio [saudita] dos aeroportos de Sanaa e Hodeida no Iêmen, bem como as restrições à importação, tornam quase impossível trazer ajuda humanitária[1], disse Sitara Jabeen, PortaVoz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. De outro lado, os houthis também são acusados de impedirem a entrada de ajuda humanitária. Segundo o exilado Ministro das Relações Exteriores do Iêmen, Riyadh Yassin, “É difícil distribuir ajuda nas cidades do Iêmen devido ao fato de que as milícias Houthi estão no controle das estradas onde instalaram postos de controle, confiscando materiais[6].

A mídia estatal do Irã informou nesta terça-feira, dia 12, que um navio iraniano transportando 2.100 toneladas de ajuda de emergência havia embarcado para o Yemen[1]. A coalizão já havia negado tentativas anteriores do Irã de transportar ajuda humanitária para Sanaa. Autoridades norte-americanas solicitaram que o Irã enviasse o navio de ajuda para o Djibouti a partir de onde a ONU está coordenando as entregas da ajuda humanitária ao Yemen[1]. Os Estados Unidos enviaram um porta-aviões à região para fazer com que um navio de carga iraniano com destino ao Iêmen retornasse devido às suas suspeitas de que o Irã estivesse carregando suprimentos militares aos houthis[2][7].  Chamando a ação iraniana de “provocadora” o Coronel e PortaVoz do Pentágono, Steve Warren, declarou: “Se os iranianos estão planejando algum tipo de conluio na região, então eles sabem tão bem quanto nós que isto seria inútil e, de fato, poderia potencialmente ameaçar o cessar-fogo que foi tão meticulosamente alcançado[1]. A Arábia Saudita e seus aliados sunitas acusam os houthis de serem mandatários de seu rival xiita, o Irã, em uma luta de poder regional que ajudou a exacerbar as tensões e contornos sectários em todo o Oriente Médio[5].

Até o presente momento, pouco se sabe sobre o alcance da ajuda humanitária ao empobrecido país, que tem sido assolado por mais de quatro anos de caos político e violência, desde o início da Primavera Árabe[5]. Horas antes do início do cessar-fogo, o enviado especial da ONU para o Iêmen e recém-nomeado, Ismail Ould Cheikh Ahmed, chegou em Sanaa na esperança de reiniciar o diálogo político entre as facções políticas iemenitas que colapsaram em fevereiro de 2015[1][6]. “Estamos convencidos de que não há solução para o problema do Iêmen exceto por meio de um diálogo, que deve ser [fundamentalmente] iemenita[6], afirmou o enviado da ONU.

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Imagem Organizações humanitárias tentam enviar ajuda ao Iêmen durante a trégua de cinco dias após semanas de ataques aéreos liderados pelos sauditas contra os rebeldes Houthis. Doze milhões de iemenitas não têm acesso à comida suficiente, água potável, combustível ou cuidados médicos” (Fonte):

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-32719194

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.wsj.com/articles/aid-groups-plan-to-boost-deliveries-in-yemen-ahead-of-planned-cease-fire-1431428990

[2] Ver:

http://link.foreignpolicy.com/view/525440b6c16bcfa46f6fced82lksh.4re/6851597d

[3] Ver:

http://www.democracynow.org/2015/5/12/headlines#5122

[4] Ver:

http://www.reuters.com/article/2015/05/13/us-yemen-security-idUSKBN0NY0Z820150513

[5] Ver:

http://www.reuters.com/article/2015/05/13/us-yemen-security-idUSKBN0NX0K520150513

[6] Ver:

http://www.worldaffairsjournal.org/content/new-un-envoy-yemen-arrives-sanaa-truce-begins

[7] Ver:

http://www.nytimes.com/2015/05/13/world/middleeast/iranian-cargo-ship-heads-toward-yemen-and-saudi-blockade.html

COOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

ONU demanda acesso humanitário à Yarmouk, após invasão do ISIS

As Nações Unidas estão exigindo acesso humanitário aos residentes de Yarmouk, campo de refugiados palestinos localizado nas periferias de Damasco, capital síria. O campo, que é situado a menos de 10 quilômetros do palácio presidencial sírio, foi invadido no primeiro dia de abril por combatentes do Estado Islâmico do Iraque e de alSham (ISIS), e desde então apenas algumas centenas de moradores foram capazes de escapar[1]. De acordo com Pierre Krähenbühl, ComissárioGeral da Agência de Obras Públicas e de Socorro das Nações Unidas, estimadas 18.000 pessoas que residem nos campos, incluindo 3.500 crianças, estão presas em meio aos combates e passam fome[1]. “A situação no campo está para além de desumana[2], afirmou Christopher Gunness, porta-voz da Agência, que classifica o cerco como uma catástrofe humanitária[2]. “Furiosos conflitos tomam conta das ruas ao redor das casas[1], complementou.

Durante esta semana foram reportados mais relatos de bombardeios e combates esporádicos entre facções armadas palestinas e militantes do ISIS. Os avanços do autoproclamado Estado Islâmico sobre Yarmouk refletem a incursão cada vez mais profunda do grupo dentro de Damasco[3]. O grupo vem colaborando declaradamente com seus rivais da Frente alNusra, ligada à alQaeda, para manter seu cerco ao acampamento e já controla quase a totalidade do território[2].

Uma delegação para discutir a possibilidade da implementação de corredores humanitários para fornecer comida, água e suprimentos médicos ao campo estava a caminho de Damasco no início desta semana, declarou Ahmed Majdalani, funcionário da Organização para Libertação da Palestina, à BBC. Yarmouk já foi o maior enclave de refugiados palestinos na Síria. Se a ajuda irá ou não alcançá-los será “um teste de todo o sistema internacional[1] , disse Krähenbühl.

De acordo com Christopher Gunness, em entrevista concedida ao Democracy Now, a situação em Yarmouk está além de desumana. O acampamento desceu a níveis de desumanidade que são desconhecidos até mesmo neste lugar, isto em se tratando de uma sociedade em que as mulheres morrem no parto por falta de medicamentos e as crianças morrem de desnutrição. Agora, com a tomada do campo pelo ISIS, os habitantes encolhem-se em suas casas destroçadas e estão apavorados demais para saírem às ruas. “Nós na UNRWA [Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos] não tivemos acesso [ao campo] desde o início do conflito, de modo que não há comida da ONU, não há água da ONU, nem nenhum remédio da ONU. O fornecimento de eletricidade é muito, muito escasso. É surpreendente que o mundo civilizado possa ficar imóvel enquanto 18.000 civis, incluindo 3.500 crianças, podem enfrentar potencial abate iminente e não fazer nada[2]. Hatem alDimashqi, ativista baseado em Yalda, uma área ao sul de Damasco, relatou que mesquitas suplicavam por doações de sangue nas áreas ao redor do acampamento, incluindo Yalda, Babila e Beit Saham, conforme os hospitais recebiam civis feridos de Yarmouk[3].

Autoridades palestinas e ativistas sírios afirmaram que combatentes do ISIS trabalham ao lado de seu até então rival, a Frente alNusra. Os dois grupos travaram batalhas sangrentas entre si em outras partes da Síria, mas parecem cooperar no ataque à Yarmouk[3]. Relatos locais dão conta que houve um acordo feito por debaixo da mesa entre a Frente al-Nusra e o ISIS. Muitos ficaram chocados, disse o ativista Hatem alDimashqi à Al Jazeera[3]. “A Frente al-Nusra divulgou um comunicado afirmando ser neutra, mas na realidade isso não é verdade. A al-Nusra tem vários checkpoints dentro de Yarmouk, e o ISIS entrou sem quaisquer dificuldade. Esta é a razão mais importante pela qual o ISIS foi capaz de invadir Yarmouk e controlá-lo[3]. De acordo com a Agência EFE, a infiltração teria sido motivada, sobretudo, para atacar o grupo palestino Aknaf Beit alMadqis[4].

Grupos armados palestinos estão lutando ao lado do Exército Sírio Livre para impedir que o ISIS estabeleça uma posição em Damasco, declarou Salem alMeslet, porta-voz da Coalizão Síria. Ele diz, no entanto, que os grupos estão subequipados. Além dos confrontos terrestres, as forças aéreas sírias também bombardeavam o acampamento, como relatado pelo Observatório Sírio para os Direitos Humanos, com sede em Londres, que monitora o conflito sírio através de uma rede de ativistas[3].

A captura de Yarmouk pelo ISIS marca a sua incursão mais profunda em Damasco, aumentando a pressão sobre o regime de Bashar al Assad, uma semana depois da tomada da importante e estratégica cidade de Idlib pelas forças rebeldes. Os arredores de Damasco são de importância simbólica ao ISIS, pois são mencionados nas tradições islâmicas apocalípticas sobre as quais sua filosofia se baseia[5].

Stefanie Dekker, correspondente da Al Jazeera, reportando de Beirute, declarou: “É uma situação complexa. As forças do governo controlam a parte norte [do campo] em direção a Damasco. É a sua prioridade manter a capital segura[3]. Ponderou ainda: “O fato dos militantes do ISIL estarem a menos de 10 km de distância é de uma enorme preocupação. Caso eles permitam que um corredor humanitário seja implementado, quem será que sairá do campo?”.

Um funcionário palestino baseado em Damasco, Khaled AbdulMajid, afirmou que o ISIS controla cerca de 90% do campo de Yarmouk[3]. O local, situado na fronteira da capital síria e configurado como um campo de refugiados palestinos em 1957, tornou-se uma espécie de bairro residencial para mais de 160 mil habitantes, inclusive sírios. Com o estopim da guerra civil, em 2011, a região de 2 Km2 – uma vez a maior comunidade palestina na Síria[6] – começou a ser gradualmente evacuada até atingir as cifras atuais estimadas em 18.000 habitantes[3][4]. O campo esteve sitiado sob cerco do Governo sírio por cerca de dois anos e já foi palco de diversas rodadas de combates mortais entre forças governantes e rebeldes[3]. Yarmouk é atualmente uma espécie de amostra aumentada do conflito sírio; na prática, o país se tornou um campo de batalha para potências regionais que disputam controle e preponderância regional[5].

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Imagem Campo de refugiados palestinos, Yarmouk, em Damasco, na capital síria em 6 de abril de 2015. A intensificação dos combates no local obrigou cerca de 2.000 pessoas de uma população já sitiada a fugirem” (Fonte AFP / Getty Images):

http://america.aljazeera.com/multimedia/photo-gallery/2015/4/photos-islamic-state-lays-siege-to-yarmouk-refugee-camp-2000-flee.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://link.foreignpolicy.com/view/525440b6c16bcfa46f6fced82gubk.60q/8baec00a

[2] Ver:

http://www.democracynow.org/2015/4/7/headlines#471

[3] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/2015/04/isil-seizes-syria-yarmouk-refugee-camp-150404135525226.html

[4] Ver:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/40040/estado+islamico+invasao+a+campo+de+refugiados+palestinos+causa+catastrofe+humanitaria+na+siria.shtml

[5] Ver:

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/islamic-state/11520845/Inside-the-living-hell-of-Yarmouk.html

[6] Ver:

http://www.haaretz.com/blogs/a-special-place-in-hell/1.650850

COOPERAÇÃO INTERNACIONALEuropaNOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

UE anuncia novo apoio a Palestina

A União Europeia (UE) disponibilizou[1] € 200 milhões em apoio à Autoridade Palestina (AP) e à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA, sigla em inglês), com objetivo de fornecer serviços básicos vitais para o povo palestino, como educação, assistência de saúde e serviços sociais.

Este é o primeiro aporte da UE ao povo palestino para 2014. A assistência é composta por duas ações principais[1]: uma contribuição de € 130 milhões para a Autoridade Palestina, por meio do Mecanismo Palestino-Europeu de Gestão da Ajuda Socioeconômica (PEGASE, na sigla em inglês), e uma contribuição de € 70 milhões para o Fundo Geral da UNRWA .

O PEGASE é o mecanismo por meio do qual a UE ajuda à AP a construir as instituições do “futuro Estado palestino independente[1]. Os valores doados também são utilizados para o pagamento de salários dos funcionários públicos e pensionistas que garantem que os serviços públicos essenciais continuem operando. Ele também prevê subsídios sociais para as famílias palestinas que vivem em extrema pobreza.

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Imagem (Fonte):

 http://www.palestinalibre.org/fotos/4675220130828062546752.jpg

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Fonte Consultada: 

[1] Ver:

http://europa.eu/rapid/press-release_IP-14-617_en.htm

                 

ÁfricaCOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

Risco de seca eleva preocupação da ONU com a fome na Síria

A “Organização das Nações Unidas” (ONU) alertou a Síria nesta terça-feira, 8 de abril, quanto ao risco de escassez de alimentos devido à seca iminente no país. A ONU alarmou que uma seca na Síria pode levar à um record na quebra da safra de trigo e colocar milhões de habitantes em risco, já que o índice pluviométrico sírio desde setembro está inferior à metade da média para o período[1].

De acordo com o “Programa para Alimentação Mundial” (WFP, na sigla em inglês) da ONU, em março de 2014 foi fornecida alimentação para inéditos 4,1 milhões de sírios. Contudo, a ajuda alimentar internacional à Síria foi reduzida em um quinto, devido à falta de fundos dos doadores internacionais[2].

A “Porta-Voz do Programa da ONU para Alimentação Mundial”, Elisabeth Byrs, anunciou estar preocupada com o impacto que uma seca iminente possa ter no noroeste do país, principalmente nas cidades de Aleppo, Idlib e Hamah[1], assim como em Al Raqqah”, Al Hasakah” e Deir el Zour no nordeste[3]. O relatório da WFP informou que as áreas mais afetadas pela seca, as localizadas no noroeste, são tradicionalmente responsáveis por metade da produção de trigo síria. Além da falta de chuvas, muitas destas províncias presenciaram alguns dos piores combates nos últimos dois anos[3].

Segundo Byrs, até 6,5 milhões de sírios poderão precisar de ajuda alimentar de emergência, acima das cifras de 4,2 milhões atuais[1]. De acordo com o relatório da WFP, como resultado da seca, a Síria pode ser obrigada a importar mais do que os 5,1 milhões de toneladas de trigo que precisou no ano passado[1]. A agência da ONU estima que a produção de trigo no país será de somente 1,7 milhões à 2 milhões de toneladas este ano – um recorde de baixa[3]. Com a menor área plantada de trigo em 15 anos, a quebra de produção do cereal prevista é de 29% em relação à safra do ano passado e a colheita estimada em cerca de metade dos níveis pré-guerra, disse a WFP[4]. A produção de cevada e a agropecuária também têm sido atingidas.

Byrs relatou que o número de pessoas que necessitam de assistência alimentar deve aumentar nos próximos meses, uma vez que as condições de seca, agravadas pelos impactos da guerra civil, resultarão no colapso do setor agrícola[3]. Desde o início da guerra, o país vem sofrendo maciças faltas de abastecimento porque a luta tem se concentrado em áreas rurais – dominadas pela oposição – em torno de grandes cidades da Síria, incluindo a capital, e ao longo da fronteira com o Líbano, onde a maioria das terras agrícolas está localizada[3].

Além da pior seca desde 2008, estes três anos de guerra civil devastaram a infraestrutura do país, deixando danos de longo prazo para irrigação devido a danificação de bombas e canais, falhas no fornecimento de energia e falta de peças de reposição. De acordo com a agência, estes danos terão efeitos duradouros sobre a produção agrícola da Síria, mesmo depois que a paz for restaurada[4].

Na segunda-feira, 7 de abril, o Programa para Alimentação Mundial da ONU informou que em março foi forçado à reduzir o tamanho das suas cestas de alimento às famílias sírias em 20%[1]. A redução teria sido forçada pelos atrasos no recebimento de fundos dos doadores internacionais. A cesta básica familiar para cinco pessoas inclui arroz, trigo para quibe, macarrão, grãos, óleo vegetal, açúcar, sal e farinha de trigo. De acordo com a WFP, somente 22% dos recursos necessários para suas operações na Síria foram recebidos[1]. A WFP afirmou que sua operação na Síria é a maior e mais complexa do mundo, lhes custando mais de US$ 40 milhões por semana, incluindo a alimentação de 1,5 milhão dos 2,6 milhões de sírios refugiados registrados oficialmente que migraram para países vizinhos, principalmente Turquia, Líbano, Jordânia e Iraque[4].

Ao todo, a “Organização das Nações Unidas” recebeu apenas 16% dos US$ 2,2 bilhões necessários para as suas operações de ajuda no interior da Síria este ano. Os “Estados Unidos” são o maior doador com 108 milhões dólares, seguido pela “União Europeia”, com US$ 53,7 milhões, e os “Emirados Árabes Unidos”, com US$ 50 milhões[4]. A mídia estatal iraniana informou também neste dia 8 de abril que o Irã enviou um extra de 30 mil toneladas em alimentos para auxiliar o Governo vizinho à lidar com a escassez de alimentos devido à guerra civil[5][1].

A fome, em virtude da iminente seca no noroeste do país, pode exacerbar a crise humanitária de refugiados e deslocados internos. De acordo com a ONGObservatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), mais de 150.000 pessoas foram mortas desde que os combates começaram na Síria há três anos[6] e o país sofre com a maior crise de refugiados e deslocamentos internos, cujo êxodo para países vizinhos totaliza estimados 3 milhões de pessoas, de acordo com o alto comissário da ONU para refugiados Antonio Guterres.

O número de refugiados sírios oficiais registrados nos países vizinhos é de 2,6 milhões, embora centena de milhares mais já tenham cruzado as fronteiras sem solicitar assistência internacional[2]. No Líbano, por exemplo, mais de um milhão de refugiados registrados totalizam quase um quarto da população total do país[2]. Os refugiados sírios em países vizinhos, somados aos 6,5 milhões de deslocados internos, indicam que metade da população síria[7] já seja constituída de deslocados e de refugiados[2].

Ainda de acordo com Guterres, a tensão é iminente em em vizinhos como Líbano e Jordânia, onde vem sendo registrado o aumento no número de desempregados, decréscimos nos salários e aumento nos preços de produtos e dos alugueis, de modo que a crise síria tem registrado um impacto dramático também na economia e na sociedade dos países ao seu redor[2].

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Imagem (Fonte):

http://www.bbc.com/news/world-middle-east

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-26943503

[2] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2014/04/fund-crunch-forces-un-cut-syria-food-aid-20144851120732617.html

[3] Ver:

http://www.haaretz.com/news/middle-east/1.584566

[4] Ver:

http://www.dailystar.com.lb/News/Middle-East/2014/Apr-08/252681-syrians-face-drought-wheat-production-seen-at-record-low-wfp.ashx#axzz2yK7CcoAf

[5] Ver:

http://www.dailystar.com.lb/News/Middle-East/2014/Apr-08/252695-syria-iran-sends-30000-tons-of-food-supplies.ashx#axzz2yK7CcoAf

[6] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/siria/noticia/2014/04/guerra-na-siria-provocou-mais-de-150-mil-mortes-diz-ong.html

[7] De acordo com os dados da “Central de Inteligência Americana” (CIA), em 2008, a população síria era estimada em 22,5 milhões de habitantes. Ver

https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/rankorder/2119rank.html?countryName=Vietnam&countryCode=vm&regionCode=eas&rank=14#vm

AMÉRICA LATINACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

MDIC anuncia aprovação de 4 Projetos pelo “Programa de Cooperação Tecnológica Brasil-Israel”

De acordo com informações publicadas no site do “Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior”[1] (MDIC), foram aprovados quatro dos dez Projetos apresentados até o momento ao “Programa de Cooperação Bilateral em Pesquisa e Desenvolvimento…

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COOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORGANIZAÇÃO INTERNACIONALORIENTE MÉDIO

Os desafios da transição política no Iêmen

Enquanto Síria e Irã têm recebido, nos últimos dias, a maior parte da atenção da “Assembleia Geral das Nações Unidas”, às margens, o grupo “Friends of Yemen” realizou seu sexto encontro ministerial. A Reunião serviu de base para que o governo iemenita exigisse prestação de contas de países doadores em relação aos valores acordados – que totalizam 7,8 bilhões de dólares[1] – e para que estes, por sua vez, cobrassem do governo as reformas prometidas[2]. No Evento foram elogiados as conquistas políticas e econômicas alcançadas pela “Conferência do Diálogo Nacional”, em difíceis circunstâncias.

Após o turbulento contexto político iniciado no país em janeiro de 2011 com a “Revolução Iemenita”, o então presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, assinou, em novembro daquele mesmo ano, um Acordo intermediado pelo “Conselho de Cooperação do Golfo” prevendo o fim de seu governo e a transferência do poder a Abd Rabbo Mansour Hadi, seu Vice. O Acordo pôs fim a um período de 33 anos de ditadura, marcados por inúmeras violações aos “Direitos Humanos”, e, ao mesmo tempo, ofereceu a Saleh imunidade contra processos judiciais[3].

Desde então, o país vive um processo de transição política que tem como peça chave a “Conferência do Diálogo Nacional”, que iniciou em 18 de março de 2013, encarregada de discutir questões políticas de longa data no país e produzir uma nova Constituição para guiar as eleições previstas para fevereiro de 2014[4].

Apesar do reconhecimento internacional de organizações como o “Banco Mundial[5] e as “Nações Unidas[6], bem como dos avanços alcançados pela Conferência, países preocupados com o recrudescimento das atividades da al-Qaeda no país[7] clamaram por reformas políticas, sociais e econômicas que estabilizem o Iemen e defenderam a criação de um fundo de desenvolvimento para o país, especialmente a fim de oferecer suporte ao programa do “Fundo Monetário Internacional” (FMI), adotado recentemente, de reestruturação da economia iemenita[8].

Como destaca a analista Danya Greenfield, agora começa o trabalho árduo da transição política, em que as decisões dos nove grupos de trabalho do “Diálogo Nacional[9] devem ser traduzidas “em políticas concretas, mudança legislativa, reforma administrativa, e em uma nova constituição[2].

Dentre os grupos de trabalho do “Diálogo Nacional”, especialistas como Greenfield e, também, o “International Crisis Group” parecem concordar que o “Southern Issue” aparece como pilar da nova estruturação do país. O termo, que pode ser traduzido como “questão sulista”, é utilizado para designar uma série de reivindicações políticas, sociais e econômicas vindas do sul do Iêmen, que era um Estado independente até 1990. Na região, o grupo “Southern Movement” (Hiraak) alinha organizações e ativistas que defendem o separatismo ou, ao menos, um “Federalismo de dois Estados” (“two-state federalismo”) seguido de um referendo sobre o futuro do sul do Iêmen[10].

Ressalte-se que a “Conferência do Diálogo Nacional” já ultrapassou o prazo para encerramento de seus trabalhos, previsto para 18 de setembro, havendo pressão internacional para seguir adiante, iniciando a elaboração de uma constituição e preparando novas eleições[10]. No entanto, os sulistas ainda rejeitam as próprias premissas do Diálogo e as decisões ali alcançadas, o que dificulta perspectivas de estabilidade no país[2].

Nesse sentido, apesar do esforço doméstico e internacional de garantir uma estabilidade política no Iêmen por meio de uma estabilidade econômica, o grupo “Friends of Yemen” não deve deixar que os sucessos do “Diálogo Nacional” – sobretudo a integração de vozes de mulheres, jovens e representantes da sociedade civil[2] por meio de 565 delegados que compõem a Conferência[2] – oblitere os pontos em que essa integração não é sinônimo de concordância.

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ImagemO Grupo Friends of Yemen” (Fonte):

http://mideast.foreignpolicy.com/posts/2013/09/25/don_t_forget_about_yemen

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[1] Ver:

http://www.foxnews.com/world/2013/09/24/yemen-hopes-donors-will-fulfil-aid-pledges/

[2] Ver:

http://mideast.foreignpolicy.com/posts/2013/09/25/don_t_forget_about_yemen

[3] Ver SHARQIEH, Ibrahim. “A Lasting Peace? Yemen’s Long Journey to National Reconciliation”. Brookings Doha Center Analysis Paper, n. 7, fev. 2013, pp. 3 e 25. Em:

http://www.jornal.ceiri.com.br/wp-content/uploads/2013/05/BDC_Yemen%20National%20Reconciliation_Sharqieh.pdf

[4] Ver INTERNATIONAL CRISIS GROUP. Yemen’s Southern Question: Avoiding a Breakdown. Middle East Report n. 145, 25 set. 2013, p. 2. Em:

http://www.crisisgroup.org/~/media/Files/Middle%20East%20North%20Africa/Iran%20Gulf/Yemen/145-yemen-s-southern-question-avoiding-a-breakdown.pdf

[5] Ver:

http://www.worldbank.org/en/news/press-release/2013/09/25/friends-of-yemen-committed-support-next-stage-yemen-transition

[6] Ver:

http://www.un.org/apps/news/infocus/sgspeeches/statments_full.asp?statID=1989#.UkrndjalISU

[7] Ver, como exemplos recentes:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-24335568

http://www.aljazeera.com/video/middleeast/2013/09/201393133847736637.html  

http://www.jornal.ceiri.com.br/ameacas-de-ataques-terroristas-no-iemen/

[8] Ver:

http://www.foxnews.com/world/2010/09/24/friends-yemen-group-urges-economic-social-political-reforms-stabilize-country/

[9] A saber, “Southern Issue”, “Sa’ada Issue”, “Transitional Justice”, “State-Building”, “Good Governance”, “Military/Security”, “Special Entities”, “Rights/Freedoms” e “Development”; cf. http://www.ndc.ye

[10] Ver INTERNATIONAL CRISIS GROUP, op. cit., p. i.

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Palestina recebe recursos financeiros da Europa e “Banco Mundial”

O “Banco Mundial” anunciou[1] uma doação de US$ 72,2 milhões para a Palestina. Esta contribuição foi realizada pelo “Fundo Palestino para o Plano de Reforma e Desenvolvimento” que reúne recursos de vários doadores do “Banco Mundial”.
De acordo com informações da agência de notícias palestina Wafa, o dinheiro foi doado pelos governos do Kuwait, Austrália e Reino Unido” e irá contribuir com as necessidades orçamentárias da “Autoridade Nacional Palestina”, oferecendo apoio para a educação, saúde e outros serviços sociais.

Ainda de acordo com informações da Wafa[2], no dia 4 de setembro o vice-ministro de Relações Exteriores da Itália, Lapo Pistelli, assinou um acordo de 60 milhões de euros com o ministro das Finanças palestino, Shukri Bishara. Com o acordo firmado, a Itália destinará 30 milhões de euros aos palestinos nos próximos três meses em forma de doações e outros 30 milhões em empréstimos a juros baixos.

Pistelli[2] declarou que a verba será usada em ações nas áreas de saúde, promoção de igualdade de gêneros e para um projeto de apoio a novas e pequenas empresas palestinas.
Já nesta quinta-feira, dia 5 de setembro, a “Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos” (Unrwa) anunciou[3] que receberá uma ajuda de seis milhões de euros da Bélgica. De acordo com a Unrwa, o comissário-geral da instituição, Filipo Grandi, afirmou que a Bélgica tem sido um dos países que mais oferecem apoio aos refugiados palestinos, tendo doado desde 2007 mais de US$ 70 milhões à entidade.

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://english.wafa.ps/index.php?action=detail&id=23117

[2] Ver:

http://english.wafa.ps/index.php?action=detail&id=23113

[3] Ver:

http://www.unrwa.org/etemplate.php?id=1866

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