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[:pt]Indo além do senso comum: mitos e evidências da cooperação triangular[:]

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Apesar do fenômeno da cooperação triangular não ser novo no campo da cooperação para o desenvolvimento, datando da década de 1970, desde o início dos anos 2000, este tipo de cooperação vem ganhando novos contornos, principalmente em relação aos atores e às áreas temáticas. Além disso, a agenda de debate sobre a cooperação triangular corta transversalmente outros dois temas, sendo eles: as discussões acerca do financiamento do desenvolvimento, concretizadas na Agenda de Ação de Addis Ababa, e os canais utilizados para fortalecer as parcerias para o desenvolvimento, um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Diante da reemergência de projetos de cooperação trilaterais, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sumarizou e analisou as respostas obtidas por 60 atores – mediante a aplicação de questionário – que, ao todo, cobrem aproximadamente 400 projetos e atividades relacionadas à cooperação triangular.

No relatório, a OCDE destaca a quebra de três mitos. Em primeiro lugar, acreditava-se que a cooperação triangular era pequena em escala e em escopo e que se resumia a atividades em apenas algumas áreas temáticas. No entanto, as respostas evidenciaram grandes variedades em termos de escala, escopo, regiões, setores e tipos de projetos. Por exemplo, a participação expressiva de alguns países emergentes (África do Sul, Argentina, Brasil, Colômbia, Chile e México) e de doadores tradicionais que utilizam esta forma de cooperação (Japão, Noruega, Espanha, Alemanha). Além disso, o relatório também destacou a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) como as organizações internacionais mais ativas.

O segundo mito quebrado se relaciona à dificuldade em mensurar esta modalidade, em detrimento da cooperação bilateral e regional. Isto porque, ela geralmente ressalta como parcerias horizontais, construção de confianças, troca de conhecimento e proximidade cultural. O relatório destaca que há mais motivações, tais como o aprendizado e o compartilhamento de experiências com parceiros da cooperação sul-sul, a resposta às demandas dos parceiros e o aproveitamento das vantagens comparativas das relações sul-sul.

Por último, assumia-se que os projetos de cooperação triangular não seguiam planejamentos, nem mecanismos de implementação de forma clara. No entanto, o questionário ressaltou que, em grande parte, os atores têm usado mecanismos da cooperação bilateral para planejar a cooperação triangular e assinar iniciativas conjuntas em mais da metade das atividades.

Em suma, a combinação de esforços baseados no conhecimento compartilhado é considerada peça chave para acompanhar as metas da Agenda 2030 e, agora, com mais acesso à informação e aos diferentes arranjos políticos e institucionais, acredita-se que será possível potencializar o alcance da cooperação triangular.

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ImagemMapa dos Estados Membros da OCDE” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:OECD_member_states_map.svg

 

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[:pt]Fórum Global de Nutrição Infantil[:]

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Durante cinco dias, representantes de 45 países se reuniram na Armênia, no Fórum Global de Nutrição Infantil, com o objetivo de discutir as diversas maneiras, políticas, ferramentas de gestão de programas direcionados para a alimentação escolar no mundo.

O evento foi organizado pela Global Child Nutrition Foundation e pelo Centro de Excelência Contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas, em parceria com o Governo da Armênia. Ele contou com a participação de representantes de governos, companhias, organizações internacionais, organizações não governamentais, instituições acadêmicas e outros profissionais ligados a programas de nutrição infantil e alimentação escolar.

Um dos principais temas discutidos durante o Fórum foi a criação de redes regionais de alimentação escolar. A rede africana foi criada como resultado do Fórum ocorrido em 2014 e, neste ano (2016), estimulou o comprometimento dos países do sul da Ásia a também se organizarem.

A declaração oficial do evento recomenda que programas de alimentação escolar vinculados à agricultura local sejam priorizados por governos, com a devida alocação de recursos e baseados em estudos e análises. Além disso, recomendou-se também a efetivação das redes regionais e globais como plataformas para o compartilhamento de práticas e lições aprendidas.

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Imagem (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Food_security,_Indonesia_(10695863556).jpg

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O Grupo dos 7 pela manutenção da atual ordem mundial

A localidade de Ise-Shima, no Japão, foi escolhida para hospedar a Cúpula do G7 deste ano (2016) e, como acontece anualmente, a rodada de debates e discussões multilaterais entre Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão, Reino Unido, mais União Europeia, tem caráter histórico e hegemônico, à medida que o encontro visa reequilibrar os ditames da ordem internacional liberal constituída no início dos anos 90 do século passado, ao término da Guerra Fria.

Com inúmeros resultados alcançados ao longo de décadas, dentre os quais as reconstruções e investimentos no período pós-guerras, a derrocada do modelo soviético frente à modalidade capitalista e suas ingerências, as transições democráticas, por vezes forçosas, e as interpretações acerca de um milagre econômico, a Cúpula deste ano não pretende se vangloriar dos resultados alcançados em outros tempos, mas refletir sobre os rumos do sistema internacional e do modelo que entendem como o mais adequado para sustentabilidade da estrutura vigente, assim como do status quo.

À luz de um recorte que traz como ponto fundamental o questionamento sobre o exaurido modelo atual de ordem mundial, a reunião no Japão busca bases para a análise de dois pontos nevrálgicos que compõem, hoje, as principais ameaças ao equilíbrio de poder estruturado pelas nações deste bloco. São eles: a agenda de segurança internacional e a agenda econômica.

No que tange as deliberações da agenda de segurança internacional, o encontro acontece em um momento de crescentes tensões estratégicas, a começar pela Ásia, com as preocupações de Tóquio em relação à beligerância norte-coreana, que insiste nos testes de mísseis com ogivas nucleares e com capacidade intercontinental, passando pela tentativa da China de redesenhar o mapa geopolítico do Mar Meridional da China, com a imposição de uma política externa com alguns vieses isolacionistas, além da crise imigratória que atinge duas regiões no globo (Europa e Oriente Médio), bem como do terrorismo, que faz vítimas nos campos do Oriente Médio, África e Europa.

Ao elencar as principais tensões que assolam as condicionantes de equilíbrio, torna-se justificável que a Cimeira das principais nações desenvolvidas busque, no seu papel de atores preponderantes, mecanismos para aliviar a pressão e evitar um colapso anárquico, de populismo e de protecionismo que ameaçam os referidos ganhos históricos, com possibilidade de saturação e estagnação do atual sistema organizacional.

Em resposta à erosão da ordem liberal, o G7, na visão de alguns analistas, deve revitalizar a cooperação, cuja alternativa seria a busca por um mundo mais fragmentado, em que os poderes que moldam a política internacional possam ser compartilhados sem a necessidade de impor valores centrais, em especial pelo grupo de aliados. Contudo, líderes na China e Rússia se mostram pouco amistosos em compartilhar essa visão, pois, em suas políticas, mantêm retóricas militares de uso da força, fazendo com que os Estados Unidos continuem sendo, segundo alegam, por conta desse imperativo, o provedor da segurança na Ásia e Europa, com ajuda ativa e apoio de seus principais aliados.

O Japão, nessa que se apresenta como a nova corrida armamentista, está a emergir como parceiro militar de seus vizinhos, ao sul e sudeste do continente asiático, aumentando as salvaguardas de manutenção do equilíbrio regional estratégico, através do treinamento, venda de equipamentos e com exercícios navais conjuntos (como ocorreu, por exemplo, com a Índia recentemente), medidas que surgiram para fazer frente às ingerências dos chineses. Um modelo similar a esse deve ser seguido pelos aliados europeus, que, ao invés de esperar pela segurança terceirizada de Washington, entrarão mais ativamente na expansão da capacidade de proporcionar segurança e estabilidade em um contexto global.

A agenda econômica também foi muito explorada na Cimeira, principalmente por ser encarada como fundamento para a grande estratégia de manutenção da ordem liberal. Estados Unidos, Europa e Japão estão envoltos em importantes iniciativas comerciais que, se aprovadas, podem fornecer choques de crescimento para as economias dos respectivos países.

A Parceria Trans-Pacífico, a Parceria Transatlântico para Comércio e Investimento e o Acordo de Livre Comércio Japão-União Europeia são modelos que podem culminar em crescimento interno e engajamento internacional, com ressalvas que ainda estão em debate pelos envolvidos que receiam perder competitividade. Porém, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a projeção de expansão mundial foi estipulada em apenas 3,2%, ante uma estimativa de 3,4%, em janeiro. Ou seja, para a parcela de especialistas e políticos contrários ao aprofundamento dos blocos econômicos, a tímida recuperação econômica pode ser o motor principal para acelerar as discussões sobre essas potencialidades.

Ainda de acordo com o relatório do FMI de abril deste ano (2016), a projeção de crescimento para cada membro do G7 é tímida: 2,4% para Estados Unidos; 1,9% para o Reino Unido, que ainda passará pelo referendo conhecido por “Brexit”, acerca da manutenção ou não do país no bloco europeu; 1,5% para o Canadá e Alemanha; 1,1% para França; 1% para Itália; e apenas 0,5% para o Japão.

A reflexão toma contornos mais nebulosos quando se faz um estudo mais aprofundado sobre orçamentos. Os Estados Unidos e o Japão, por exemplo, são dois casos emblemáticos, pois as dívidas governamentais são demasiadas altas.

Nos Estados Unidos, de acordo com o Congressional Budget Office, estima-se que a dívida do Governo federal dobrou na última década, indo de 36% do PIB para 74%, com possibilidades para chegar a 86% com os novos programas de aumento de gastos; o Japão, por sua vez, tem um cenário de endividamento bruto pior, com mais de 200% do PIB, com possibilidade de crescer mais no médio prazo.

Em virtude da complexidade das duas agendas e das inúmeras conjunturas a modelar, o enfoque dado no curso das negociações multilaterais do G7 pretende contextualizar os rumos a serem tomados pelo dispendioso modelo capitalista vigente e mudanças radicais não devem ser desconsideradas.

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Imagem (Fonte):

http://pbs.twimg.com/media/CjXYX_KVEAE-4WW.jpg

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I Conferência Energia para o Desenvolvimento da CPLP

Nos dias 23 a 25 de junho de 2015 ocorrerá no Centro de Congressos do Estoril, em Lisboa, a I Conferência Energia para o Desenvolvimento da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

De acordo com as informações do site do evento, a Conferência pretende “valorizar a capacidade da CPLP para se afirmar como um ator global no mapa da energia mundial enquanto plataforma intercontinental para a concertação política e diplomática; parceiro de cooperação técnica, econômica e financeira; interlocutor para a criação de negócios e geração de riqueza; agente na produção de investigação, ciência e tecnologia, e dinamizador de um modelo global de soberania energética e desenvolvimento para o séc. XXI[1].

Segundo informado, o setor da Energia tem sido um dos principais pontos de deliberação da CPLP. Na VII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da organização, realizada em Lisboa, em 2008, foi realçada a importância do setor da Energia, reforçando a resolução do XII Conselho de Ministros da CPLP, de 2007.

O secretário executivo da organização, Murade Murargy, afirmou que se pretende assim colocar a CPLP no “mapa da energia mundial enquanto plataforma intercontinental de concertação política e diplomática, cooperação, negócios, ciência e investigação nas múltiplas dimensões de energia. E queremos fazer tudo isso em língua portuguesa[2].

Contando com a participação dos governantes dos Estados membros da CPLP, de acadêmicos, especialistas e empresários do setor da Energia, esta I Conferência pretende consolidar a articulação de uma visão em conjunto nesta área de atuação.

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Imagem (Fonte):

http://www.energiacplp.org/site/assets/img/logo_home.png

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.energiacplp.org

[2] Ver:

http://oje.pt/desenvolvimento-de-energia-da-cplp-debate-se-em-cascais-no-final-de-junho/