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[:pt]Arábia Saudita e Rússia: cooperação para estabilizar o mercado petrolífero[:]

[:pt] Durante o último encontro do G-20, realizado no dia 4 de setembro deste ano (2016), em Hangzhou, na China, os ministros da energia Alexander Novak, da Rússia, e Khalid al-Falih, da Arábia Saudita, anunciaram…

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[:pt]A ciência como instrumento diplomático da União Europeia[:en]The science as a European Union’s diplomatic tool [:]

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O uso da expressão Science Diplomacy vem ganhando terreno nas relações internacionais. Do ponto de vista acadêmico, ela é uma área de sistematização relativamente recente, denotando que ainda há necessita de maior discussão e validação pela comunidade acadêmica internacional. Sob o prisma diplomático, seus primórdios se encontram nos anos 1950, mas somente nos anos 2000 essa modalidade diplomática ganhou capilaridade global. No campo da política internacional, a Science Diplomacy é uma seara explorada com assiduidade nas relações bilaterais e multilaterais, ainda que frequentemente de maneira difusa ou permeando ações tradicionalmente capitaneadas por assuntos políticos ou econômicos.

Na União Europeia aquela linha de ação diplomática também segue essa tendência. Muito atrelada à cooperação internacional, ela consiste essencialmente no emprego da ciência para o atingimento dos objetivos políticos e econômicos do Bloco. A estratégia europeia para o uso dessa modalidade de diplomacia foi publicada em 2012 e tem como principais eixos: i. pesquisa e inovação para competitividade econômica e industrial; ii. responder aos desafios societais globais; iii. apoiar a política externa do Bloco.

De maneira geral, a União Europeia entende a Science Diplomacy como uma ferramenta de soft power operacionalizada pelas iniciativas de cooperação internacional nas áreas de pesquisa e inovação capazes de, simultaneamente: a. incrementar a obtenção de resultados tecnológicos e econômicos de relevância global; b. cultivar um canal diplomático fluido entre países e regiões.

DocHdl1OnPN-PRINTRDY-01tmpTargetEm 2016, a União Europeia publicou dois documentos que demonstram a vivacidade da díade ciência-diplomacia para o Bloco. No documento Open Innovation, Open Science, Open to the World – a vision for Europe, a Comissão Europeia aborda de maneira estratégica suas metas e ações para a área de pesquisa e inovação. O principal objetivo é dinamizar o mercado europeu e a presença europeia no mundo, com destaque para a assimilação do viés global que o conhecimento incorpora em plena era da informação.

No preâmbulo do documento, Jean-Claude Juncker, Presidente da Comissão Europeia, evidencia bem a interação entre a ciência e a projeção global do Bloco ao registrar que “pesquisa e inovação também podem contribuir com o fortalecimento da União Europeia como um ator global, na medida em que outras partes do mundo buscam trabalhar com nossos principais cientistas e porque as relações científicas podem florescer mesmo onde as relações internacionais estão tensas” (tradução livre).

Já no relatório Science, Research and Innovation Performance of the EU, a Comissão Europeia trata, do ponto de vista tático, o cenário europeu em pesquisa e inovação diante do contexto global. O documento traz uma análise dos pontos fracos e fortes do Bloco. Seu foco está em sistemas eficientes e efetivos de pesquisa e inovação que possam resultar em crescimento econômico e de produtividade sustentáveis para criação de empregos. Carlos Moedas, Comissário Europeu para pesquisa, ciência e inovação, declara no preâmbulo que este “relatório mostra como a crescente abertura dos sistemas de pesquisa e inovação fortaleceu a importância da colaboração internacional, tornando-se um fator crucial para o acesso a novas fontes de conhecimento e melhoria da competitividade” (tradução livre).

Tendo em conta o ambiente que culminou com a elaboração desses dois documentos, nota-se que a União Europeia está consolidando tanto o entendimento como o uso das suas atividades de cooperação internacional, principalmente na área científica, como um instrumento primordial para sua ação externa em temas de interesse global e para se alavancar economicamente em face à crise econômica que desde 2008 assombra a Europa.

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Imagem 1 Bandeira da União Europeia” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/União_Europeia

Imagem 2Open Innovation, Open Science, Open to the Word a vision for Europe” (Fonte – DirectorateGeneral for Research and Innovation, European Commission):

http://bookshop.europa.eu/en/open-innovation-open-science-open-to-the-world-pbKI0416263/;pgid=Iq1Ekni0.1lSR0OOK4MycO9B0000dEV6Oco1;sid=TiXreFEJDC3rcQbetXV13zMsA0b1ChxqUFc=?CatalogCategoryID=Gj0KABst5F4AAAEjsZAY4e5L

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The expression Science Diplomacy has been conquering ground in international relations. From an academic perspective, it is a relatively new systematized area of knowledge, indicating that there is still need for further discussion and validation by the international academic community. From a diplomatic approach, its origins are in the 1950s, albeit only in the 2000s this kind of diplomacy gained global capillarity. In the field of international politics, Science Diplomacy is a quite explored genre in bilateral and multilateral relations, whilst often in a diffuse way or permeating actions traditionally guided by political or economic subjects.

In European Union (EU) this diplomatic line of action also follows this trend. Closely linked to international cooperation, it consists essentially in the deployment of the science in order to achieve the European political and economic objectives. The EU strategy for this diplomatic modality was published in 2012 and its main axes are: i. research and innovation for economic and industrial competitiveness; ii. address global societal challenges; iii. support EU’s foreign policy.

In general, the EU understands the Science Diplomacy as a soft power tool implemented through international cooperation initiatives based in research and innovation fields, which are able to: a. boost technological and economic results of global impact; b. foster a fruitful diplomatic channel between countries and regions.

DocHdl1OnPN-PRINTRDY-01tmpTargetIn 2016, the European Union published two documents that demonstrate the vivacity of science-diplomacy dyad. In the first one, named Open Innovation, Open Science, Open to the World – a vision for Europe, the European Commission addresses strategically its goals and actions for the research and innovation field. The main objective is streamline European market and the European presence in the world, highlighting the global feature that knowledge incorporates in the era of information.

In the foreword of this document, Jean-Claude Juncker, President of the European Commission, pointed out precisely the interaction between science and the global projection of the EU when he wrote “research and innovation can also contribute to the European Union as a stronger Global Actor, as other parts of the world seek to work with our leading scientists and because scientific relations can flourish even where international relations are strained”.

Another document released this year (2016), Science, Research and Innovation Performance of the EU brought European Commission tactical vision of the European scenario on research and innovation in the international context. This report, essentially, analyzes the strengths and weaknesses of the EU. It focuses on efficient and effective research-innovation systems, which can bring economic growth and sustainable productivity for job creation. Carlos Moedas, European Commissioner for Research, Science and Innovation, states that “the report show how the growing openness of the global research and innovation system has enhanced the importance of international collaboration, and has become a crucial factor in accessing new sources of knowledge and improving competitiveness.”

Considering the environment that led to the elaboration of these two documents, it can be noticed that the European Union is consolidating both the understanding and the use of its international cooperation activities, especially in scientific issues, by taking it as an overriding tool for its external action in global affairs, as well as to leverage its internal market against the economic crises that has astounded Europe since 2008.

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Image 1 European Union’s flag” (Source):

https://pt.wikipedia.org/wiki/União_Europeia

Image 2 “Open Innovation, Open Science, Open to the Word  a vision for Europe” (Source – DirectorateGeneral for Research and InnovationEuropean Commission):

http://bookshop.europa.eu/en/open-innovation-open-science-open-to-the-world-pbKI0416263/;pgid=Iq1Ekni0.1lSR0OOK4MycO9B0000dEV6Oco1;sid=TiXreFEJDC3rcQbetXV13zMsA0b1ChxqUFc=?CatalogCategoryID=Gj0KABst5F4AAAEjsZAY4e5L

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AGÊNCIAS DE COOPERAÇÃOCOOPERAÇÃO INTERNACIONALFÓRUNS INTERNACIONAISNOTAS ANALÍTICASORGANIZAÇÃO INTERNACIONALSociedade Internacional

[:pt]Fórum Global de Nutrição Infantil[:]

[:pt]

Durante cinco dias, representantes de 45 países se reuniram na Armênia, no Fórum Global de Nutrição Infantil, com o objetivo de discutir as diversas maneiras, políticas, ferramentas de gestão de programas direcionados para a alimentação escolar no mundo.

O evento foi organizado pela Global Child Nutrition Foundation e pelo Centro de Excelência Contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas, em parceria com o Governo da Armênia. Ele contou com a participação de representantes de governos, companhias, organizações internacionais, organizações não governamentais, instituições acadêmicas e outros profissionais ligados a programas de nutrição infantil e alimentação escolar.

Um dos principais temas discutidos durante o Fórum foi a criação de redes regionais de alimentação escolar. A rede africana foi criada como resultado do Fórum ocorrido em 2014 e, neste ano (2016), estimulou o comprometimento dos países do sul da Ásia a também se organizarem.

A declaração oficial do evento recomenda que programas de alimentação escolar vinculados à agricultura local sejam priorizados por governos, com a devida alocação de recursos e baseados em estudos e análises. Além disso, recomendou-se também a efetivação das redes regionais e globais como plataformas para o compartilhamento de práticas e lições aprendidas.

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Imagem (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Food_security,_Indonesia_(10695863556).jpg

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AMÉRICA DO NORTECOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]EUA atinge meta de reinstalação de refugiados sírios: 0,2% do total de deslocados no mundo[:]

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Nesta última segunda-feira, 29 de agosto, a Casa Branca afirmou ter cumprido sua meta de reassentar 10.000 refugiados sírios neste ano (2016). O total equivale a cerca de 0,2% do número total de refugiados sírios registrados junto às Nações Unidas. Muitos organismos de direitos humanos urgem aos Estados Unidos que aceitem mais refugiados da Síria. De acordo com o Alto Comissariado para Refugiados das Nações Unidas (ACNUR, ou UNHCR, na sigla em inglês), atualmente, 4,808 milhões de sírios estão nesta condição.

A admissão deles em território norte-americano é parte de um programa de reassentamento anunciado pelo presidente Obama, em outubro de 2015. Sob pressão da Europa e de outros países que vem enfrentando a crise migratória global, Obama prometeu conceder status legal a pelo menos 10.000 refugiados sírios no ano fiscal de 2016. Também alocando US$ 4 bilhões para grupos humanitários que trabalham com refugiados. A meta foi atingida um mês antes do cronograma, mas a maioria dos refugiados foi admitida somente nos últimos três meses de 2016. Os meses de Junho, Julho e Agosto registraram o recebimento de cerca de 2.500 refugiados cada. Em 2015, a média mensal não passou de 250, e em anos anteriores beirava a zero.

De acordo com o Jornal The New York Times, os refugiados que chegaram da Síria desde 2012 foram alocados em 231 vilarejos e cidades. Michigan e Califórnia tomaram a maioria, com 570 e 500, reportou o The Atlantic. Alguns deles chegaram a grandes cidades como Chicago e Houston, mas a maioria foi enviada para cidades médias mais acessíveis e com maiores índices de emprego. Os refugiados recebem ajuda para encontrar trabalho e moradia, mas espera-se que se tornem autossuficientes dentro de um ano. Eles também foram instalados em localidades que já contemplassem outros imigrantes sírios – 150.000 deles já vivem no país. Boise, em Idaho, aceitou mais do que Nova York e Los Angeles juntos; Worcester, Massachusetts, aceitou mais que Boston.

Desde o início da Guerra Civil síria, em 2011, os EUA admitiram um total de quase 12.000 refugiados em solo nacional, somente 2.000 deles sendo recebidos entre 2011 e 2015. No ano fiscal de 2015, apenas 2% dos 70.000 refugiados admitidos eram sírios. A maioria era de Mianmar, Iraque e Somália.

Após parabenizar o anúncio da Casa Branca, Tarah Demant, diretora sênior da Anistia Internacional norte-americana declarou que “muitos sírios ainda estão presos em circunstâncias terríveis em campos de refugiados ou em zonas de guerra”. E que “os Estados Unidos devem fazer mais para manter sua responsabilidade de fazer todo o possível para proteger aqueles que fogem de abusos aos direitos humanos”.

Os refugiados sírios totalizam 4.808.229 no estrangeiro e 6,6 milhões de deslocados internos na Síria. Somente na Turquia vivem 2.724.937; no Líbano, 1.033.513 sírios formam cerca de um quinto da população total do país; enquanto 656.198 estão registrados da Jordânia, outros 114.911 no Egito e 249.395 no Iraque, conforme dados da ACNUR.

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ImagemSírios caminham em direção à região do Curdistão Iraquiano em 17 de agosto de 2013” (FonteACNUR/G. Gubaeva):

http://data.unhcr.org/syrianrefugees/syria.php

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ÁSIACOOPERAÇÃO INTERNACIONALECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

[:pt]Panorama sobre os primeiros projetos do Banco Asiático de Infraestrutura e Investimentos (AIIB): Paquistão, Índia, Bangladesh, Tadjiquistão e Indonésia[:]

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No dia 25 de junho deste ano (2016), ocorreu a primeira reunião anual dos membros do Banco Asiático de Infraestrutura e Investimentos (AIIB, na sigla em inglês), em Pequim, na China, cidade sede da Instituição. Nessa mesma ocasião, foram anunciados os primeiros projetos que serão financiados por ele. Atualmente, existem seis projetos aprovados, envolvendo investimentos no Paquistão, na Índia, em Bangladesh, no Tadjiquistão e na Indonésia.

Pretende-se realizar a ampliação de uma usina hidrelétrica no Paquistão, além a construção de uma rodovia de quatro pistas, que terá a extensão de 64 quilômetros, ligando as cidades de Shorkot e Khanewal, na província de Punjab, no mesmo país. Estima-se que o conjunto destes projetos alcance o montante de US$ 660 milhões.

Na Índia, o projeto em andamento consiste na instalação de novas redes de transmissão de energia elétrica para a região Sul do país, que sofre com regulares episódios de falta de energia. O projeto está sendo conduzido pela Empresa Nacional de Energia Elétrica da Índia e alcançará o montante de US$ 289,2 milhões, sendo que US$ 150,0 milhões foram financiados pelo AIIB.

Em Bangladesh o projeto consiste na expansão de linhas de energia, visando à criação de mais de 2,5 milhões de postos de abastecimento, capazes de prover eletricidade para 12,5 milhões de pessoas que habitam em áreas rurais. Os custos estimados alcançam o montante de US$ 262 milhões, sendo que US$ 165 milhões foram financiados pelo AIIB.

No Tadjiquistão, o projeto foi financiado em conjunto com o Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento e consiste na reabilitação de um trecho de cinco quilômetros de rodovias, na fronteira com o Uzbequistão.
Na Indonésia o projeto foi financiado em conjunto com o Banco Mundial e consiste na reforma de diversos aspectos infraestruturais e sanitários de favelas localizadas em mais de 154 cidades, havendo a expectativa de afetar 9,7 milhões de pessoas.

As participações de outros Bancos Multilaterais de Desenvolvimento (BMD) nos financiamentos do AIIB têm um impacto positivo na imagem de que esta instituição não visa contestar a ordem vigente, mas complementar a ação dos organismos existentes. Além disso, o financiamento em conjunto permite que haja a troca de experiências e boas práticas que podem levar à maior efetividade das ações do AIIB.

O Banco Asiático de Infraestrutura e Investimentos conta com 57 membros, sendo que mais de 30 países estão aguardando para aderir a ele. A China, a Índia e a Rússia são os países com maior participação acionária, e, por consequência, com maior poder de voto nas decisões da instituição. Suas participações de votos são de 26%, 7,5% e 5,9%, respectivamente.

Aponta-se que os investimentos globais em infraestrutura alcançam o montante aproximado de US$ 2,5 trilhões anualmente, sendo que seriam necessários US$ 3,3 trilhões anuais para que o atual ritmo de crescimento seja mantido. Assim, as ações dos Bancos Multilaterais têm muito a contribuir para o cenário de desenvolvimento da economia global, que se encontra em ritmo de desaceleração.

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Imagem (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0e/AIIB_logo.png

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AGÊNCIAS DE COOPERAÇÃOAMÉRICA LATINACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

[:pt]Melhor prevenir do que remediar: alternativas para enfrentar desastres naturais na América Central[:]

[:pt] Frequentemente debatido nos meios humanitários, a gestão de riscos e prevenção de desastres busca minimizar os impactos dos desastres naturais, ao montar um sistema integrado de planejamento, resposta e resiliência para as comunidades atingidas….

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AMÉRICA DO NORTEÁSIACOOPERAÇÃO INTERNACIONALDEFESANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Índia prevê acordo de compartilhamento de bases militares com os EUA[:]

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Estados Unidos (EUA) e Índia demonstram ter um relacionamento promissor, e isso se deve, também, aos seus vínculos linguísticos, uma vez que a Índia foi colônia britânica, e aos descendentes existentes nos territórios dos dois países. O primeiro possui 3 milhões de sua população com descendentes de indianos e o segundo tem 125 milhões de seus cidadãos fluentes na língua inglesa. Além disso, a política dos dois busca seguir os parâmetros do Estado contemporâneo, embora com configurações e níveis institucionais diferentes, pois ambos apregoam o princípio do estado democrático de direito e a livre iniciativa. Somado a isto, há também preocupações comuns: tanto EUA quanto a Índia lutam contra o extremismo islâmico e trabalham em busca de enfrentarem e se adaptarem à ascensão da China.

Contudo, o relacionamento é conturbado devido a posicionamentos específicos de ambos os Estados, algo que pode ser visto em novos acordos. O mais recente deles foi anunciado dia 23 de agosto, terça-feira passada. O Acordo visa o compartilhamento das bases militares indianas com o país norte-americano, no propósito de prestar serviços de assistência humanitária e logística. Ao que tudo indica, o projeto do memorando de entendimento para intercâmbio de logística, conhecido pela sigla inglesa LEMOA, já está pronto e poderá ser efetivado durante a presença nos EUA do Ministro da Defesa indiano, Manohar Parrikar, hoje, segunda-feira, dia 29 de agosto.

A discussão para elaboração do Acordo foi iniciada em abril deste ano (2016), durante uma visita à Índia do Secretário de Defesa dos EUA, Ashton Carter, nos dias 10 a 12, para tratar de assuntos de apoio mútuo e logístico entre os dois Exércitos.

Após longas discussões, o Acordo foi criado com a condição, proposta pela Índia, de não haver instalação de tropas norte-americanas em seu território, sob qualquer pretexto. Durante a elaboração do LEMOA, a Índia passou por grandes questionamentos de seus analistas políticos, um deles, chamado de Nilanjan Mukhopadhya, alegou grandes implicações em “dar acesso a pessoas que pedem mais acesso do que a Índia recebe deles”, colocando-a em “vulnerabilidade”.

Contudo, o Governo indiano contornou as preocupações, ao alegar que não faria qualquer acordo com os EUA que o tornassem aliados militares dos mesmos. Além disso, o LEMOA é um Acordo bem diferente dos que os EUA estão acostumados a fazer com seus aliados. Este, em especial, propõe aos dois países que peçam autorização com antecedência para usar as determinadas infraestruturas e os objetivos iniciais delas serão exclusivos para treinamentos e exercícios à assistência humanitária.

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Imagem (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Secretary_of_Defense_Ash_Carter_and_Indian_Defence_Minister_Manohar_Parrikar_conduct_a_joint_press_conference_in_the_Pentagon_Briefing_Room.jpg

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BLOCOS REGIONAISCOOPERAÇÃO INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]Em busca do Espírito da Europa[:]

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Em encontro repleto de simbolismos, Matteo Renzi (Primeiro-Ministro italiano), François Hollande (Presidente francês) e Angela Merkel (Chanceler alemã) reuniram-se no último dia 22, na ilha italiana de Ventotene, para marcar o passo da discussão dos principais temas da agenda da União Europeia após o referendo que selou a saída do Reino Unido do Bloco Europeu (Brexit).

A ilha, localizada no Mar Tirreno nas proximidades da cidade de Nápoles, habita o imaginário integracionista europeu como palco do nascimento das ideias federalistas e integracionistas a favor de uma Europa unida. Lá, entre 1941 e 1944, Altiero Spinelli, considerado um dos “Pais Fundadores” da União Europeia, e seus correligionários escreveram o Manifesto de Ventotene, no qual delimitaram os fundamentos da sua visão federalista e o futuro da Europa.

Como não poderia deixar de ser, a reunião teve como pano de fundo um ambiente europeu ainda perplexo pelo resultado do referendo de 23 de junho de 2016, ocasião em que os britânicos optaram por sair do Bloco. Acerca deste ponto, o encontro em Ventotene enquadrou-se como uma pequena reunião de cúpula para as três maiores economias da Europa alinharem suas posições, com vistas à reunião informal que será realizada no dia 16 de setembro, em Bratislava, capital da Eslováquia, com os 27 membros do Bloco. A reunião terá como pauta o futuro da União Europeia em face à saída do Reino Unido do Bloco Europeu.

Adicionalmente a essa pauta, o encontro abordou ainda assuntos de caráter mais imediato que afligem o Bloco, tais como segurança, terrorismo, fronteiras externas da União Europeia e migrações. Acerca destes tópicos, a imprensa europeia noticiou recentemente movimentações pontuais como a possibilidade de criação de uma guarda costeira europeia, necessidade de reforçar a defesa coletiva da União e, principalmente, como enfrentar a questão migratória e suas consequências internas.

O encontro foi marcado por um tom europeísta afinado entre as chancelarias dos três países. Durante a coletiva de imprensa no porta-aviões Garibaldi, navio italiano símbolo de operações humanitárias e de vigilância no Mar Mediterrâneo, Renzi, Hollande e Merkel não pouparam menções ao legado de Spinelli na tentativa de retomar o espírito da Europa unida.

Inspirados no passado, mas projetando o futuro, os líderes europeus reconheceram a existência de deficiências na União Europeia. Contudo, indicaram que o Bloco desempenhou, e ainda desempenha, um papel catalisador importante para o desenvolvimento harmônico do continente. Nesta linha, as três personalidades se esforçaram para sinalizar que a União Europeia continua sendo uma opção sólida para que os europeus possam articular o enfrentamento dos seus dilemas internos com seus desafios no cenário internacional.

No geral, a Cúpula teve caráter eminentemente político, em alguma medida até ontológico, visando passar uma mensagem otimista sobre o futuro da União Europeia e esboçar os primeiros alinhamentos para a árdua negociação do Brexit. Processo que ainda está aguardando definições para ser iniciado, principalmente do Reino Unido, e deve continuar movimentando o noticiário pelos próximos anos.

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ImagemMatteo Renzi, François Hollande e Angela Merkel em coletiva de imprensa concedida a bordo do portaaviões Garibaldi após visita à ilha de Ventotene” (Fonte):

http://www.governo.it/media/ventotene-vertice-italia-francia-germania/5597

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