COOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDESociedade Internacional

[:pt]Instituto de Saúde dos EUA recruta estrangeiros soropositivos para estudo sobre tratamento antirretroviral[:]

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Recentemente, o Instituto Nacional de Doenças Alérgicas e Infecciosas (NIAID) dos Estados Unidos da América (EUA), anunciou o seleção de indivíduos sul-africanos com Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV, na sigla em inglês) para compor um quadro de estudo sobre o vírus. Essas pessoas, com idade entre 40 e 75 anos, serão monitoradas por cerca de seis anos. Além dos sul-africanos fazem parte da pesquisa cidadãos estadunidenses, tailandeses, canadenses e brasileiros. O estudo promovido pela instituição norte-americana visa analisar o risco de doença cardíaca na população soropositiva e contará com 6.500 participantes que iniciarão um novo tratamento antirretroviral. De acordo com a NIAID, estima-se que algumas enzimas usualmente utilizadas para controlar o colesterol que são receitadas para pessoas com risco cardíaco, podem vir a reduzir a inflamação provocada pelo vírus.

O HIV é um vírus que se espalha através de fluidos corporais e afeta células específicas do sistema imunológico, incapacitando o corpo humano de lutar contra infecções e doenças. Nesse caso, diferentemente do que ocorre com outros vírus, uma vez que o corpo contrai o HIV, ele não é capaz de se livrar dele, o que pode levar a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). Segundo a Unaids, cientistas apontam que a transmissão do vírus se deu inicialmente num tipo de chipanzé na África Ocidental e que, por volta do século XIX, pode ter ocorrido a sua transmissão para humanos, quando esses se alimentaram de macacos infectados. Durante os anos seguintes, o vírus foi se espalhando por todos os continentes, tendo seus primeiros registros nos EUA na década de 1970.

Segundo relatório publicado pela Unaids no ano passado (2016), em 2015, havia aproximadamente 36,7 milhões de pessoas vivendo com HIV no mundo, desses, cerca de 34,9 milhões eram adultos e 1,8 milhão eram crianças. Ainda de acordo com o Organismo, 57% dessas pessoas sabem que estão infectadas, 46% delas já possuem acesso a tratamento com drogas antirretrovirais e 38% conseguiram zerar sua carga viral. Apesar do número de novas infecções terem diminuído, cerca de 40% em relação a 1997, quando se deu o maior número de infecções registradas, no período entre 2010 e 2015 não houve progresso nas metas de redução. Ainda de acordo com o Organismo da ONU, em regiões como América Latina houve crescimento de 2% o número de novas infecções entre adultos, já no norte da África e no Oriente Médio ocorreu o aumento de 4%, na região do Caribe, cerca de 9%, enquanto que no Leste Europeu e Ásia Central o número de novas infecções foi de aproximadamente 57%.

De acordo com dados do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), em 2015, cerca de 39.500 pessoas foram diagnosticadas com HIV nos Estados Unidos. O número de indivíduos diagnosticados com a doença caiu 19%, entre 2005 e 2014.  Ainda de acordo com o Centro, o declínio é um reflexo dos esforços direcionados à prevenção. Os dados apontam também que a comunidade LGBT registrou 82% dos diagnósticos em 2015. No Brasil, conforme a Unaids, havia 700 mil pessoas vivendo com o vírus em 2010, mas esse número saltou para 830 mil, em 2015. Desde 1996, o Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro fornece gratuitamente tratamento contra AIDS e, pelos dados da Unaids, enquanto a média mundial de pessoas que recebem tratamento antirretroviral é de 46%, no Brasil esse número é de 64%, mesmo assim, cerca de 15 mil pessoas morreram em decorrência da AIDS, em 2015. Já na África no Sul, cerca de 7 milhões de pessoas vivem com o HIV, dos quais 19% estão entre 15 e 49 anos. Conforme estimativas de 2015 da mesma entidade, aproximadamente 180 mil sul-africanos morreram em virtude da AIDS e o número total de mortes em função da doença foi de 1,1 milhão de pessoas.

Não existe uma cura efetiva e segura. No presente, o tratamento para HIV, também denominado de terapia antirretroviral, pode prolongar a vida e diminuir as chances de transmissão. Conforme destaca Carl Dieffenbach, do NIAID, o infectado pode viver bem se o tratamento iniciar cedo. No caso do Brasil, a Unaids tem como meta acabar com a epidemia de HIV até 2030, assinalando que a AIDS pode ser uma ameaça à saúde pública. Por isso, foi estabelecido que 90% das pessoas infectadas deverão ser diagnosticadas até 2020. Desse modo, 90% das pessoas receberão tratamento e terão a carga viral zerada. Assim, a agência pontua que AIDS pode vir a ser uma doença controlada até 2030.

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Imagem 1 Logo of the United States National Institute of Allergy and Infectious Diseases, part of the National Institutes of Health. The logo is a stylized representation of an antibody, a protein made by the bodys immune system cells to protect it against invading foreign substances” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/National_Institute_of_Allergy_and_Infectious_Diseases#/media/File:US-NIH-NIAID-Logo.svg

Imagem 2 O edifício de UNAIDS em Genebra, Suíça, com as montanhas de Jura ao fundo” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Joint_United_Nations_Programme_on_HIV/AIDS

Imagem 3 Sede do CDC em Atlanta, Geórgia” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Centros_de_Controle_e_Prevenção_de_Doenças#/media/File:CDC_HDR_I.jpg

Imagem 2 Carl W. Dieffenbach, Ph.D.” (Fonte – Credit: NIAID):

https://www.niaid.nih.gov/about/carl-w-dieffenbach-phd

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COOPERAÇÃO INTERNACIONALECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]Relações entre Sérvia e Bósnia com a Arábia Saudita aumentam possibilidades de negócio[:]

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No início do mês de fevereiro passado, visitaram o Reino da Arábia Saudita as Delegações da Sérvia (pela primeira vez na sua história) e da Bósnia-Herzegovina. Durante as reuniões com o Rei saudita, Salman, esforços foram feitos para estabelecer laços de cooperação com este país do Oriente Médio e promover as relações bilaterais, tendo sido realizada a reunião na sede do Conselho das Câmaras Sauditas (CSC). As Delegações incluíram funcionários dos Ministérios do Comércio e Turismo; o Presidente da Câmara de Comércio e Indústria da Sérvia; além de empresários.

Em visita feita à Bósnia no ano de 2016, o Governo saudita apoiou projetos educacionais e buscou fortalecer os laços com o país balcânico, os quais, ressalte-se, já vem se fortalecendo desde o final da Guerra da Iugoslávia, em 1995. De maioria muçulmana (49% da população), a Bósnia-Herzegovina possui proximidade religiosa com o Reino Saudita e, por essa razão, almeja a captação de recursos financeiros, assim como atrair turistas para a região.

Já para os sérvios e sua Delegação, a oportunidade foi vista como um pontapé inicial para futuras cooperações bilaterais. O Ministro do Comércio da Sérvia, Rasim Ljajic, salientou que a empreitada bósnio-sérvia no Oriente Médio é uma demonstração de que, com movimentações como essa, a cooperação para a paz nos Bálcãs é alcançável.

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Imagem 1Relações Arábia Saudita e Balcãs Fragmentos das Bandeiras da Arábia Saudita e da Bósnia” (Fonte):

http://previews.123rf.com/images/istanbul2009/istanbul20091508/istanbul2009150800271/43564911-Saudi-Arabia-and-Bosnia-and-Herzegovina-Flags-in-puzzle-isolated-on-white-background-Stock-Vector.jpg

Imagem 2Guerra Civil Iugoslava, em 1993” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Desintegração_da_Iugoslávia

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ÁSIACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASTecnologia

[:pt]Criação de um Consórcio para pensar o Desenvolvimento do Sul Global em Pequim[:]

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A Universidade de Pequim criou no dia 14 de dezembro (2016) o Consórcio De Pesquisa Global sobre as Transformações Econômicas Estruturais (GReCEST). O Consórcio possui 33 membros fundadores que consistem em instituições de pesquisa já estabelecidas e provenientes de diversos países. O objetivo do GReCEST é fornecer relatórios, análises, recomendações de políticas públicas e suporte para países emergentes, focando nos aspectos ligados ao desenvolvimento sustentável; cooperação sul-sul; política industrial e inovação; cadeias globais de valor e transformação estrutural em economias rurais.

O GReCEST busca trabalhar para o aumento da participação dos países em desenvolvimento junto à governança econômica global, no sentido de contribuir para a sua capacidade de agência. A instituição é igualmente uma plataforma para promover a troca de experiências e de boas práticas (best practices) e faz parte da Rede Global de Think Tanks Austrais, uma coalização organizada pela ONU e formada por mais 200 think tanks dos mais diversos países, que visa promover o desenvolvimento de países emergentes.

Nesta mesma linha analítica, cabe abordar brevemente a política oficial da China para promoção do desenvolvimento. As diretrizes oficiais do país no tocante a este tema podem ser encontradas no Livro Branco de Ajuda para o Desenvolvimento (lançado no ano de 2014) e incluem alguns pontos importantes. Dentre eles podem ser citados: que a cooperação ocorre essencialmente através de aportes financeiros bilaterais, de modo a auxiliar na redução da pobreza em países de menor nível de desenvolvimento; que os investimentos costumam apresentar o caráter de financiamento para projetos de infraestrutura; que não são impostas condicionalidades políticas ligadas ao aporte dos recursos –  neste ponto, a China é guiada pelo princípio de não intervenção nos assuntos internos de outros Estados e afirma que é importante respeitar os modelos de desenvolvimento particulares de cada país.

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ImagemThe Mesh of Civilizations in the Global Network of Digital Communication” / “A Malha de Civilizações na Rede Global de Comunicação Digital” – (Tradução Livre) (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3AThe_Mesh_of_Civilizations_in_the_Global_Network_of_Digital_Communication.PNG

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ÁfricaAMÉRICA DO NORTEAMÉRICA LATINAÁSIACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]A Embrapa e as duas faces da cooperação triangular brasileira[:]

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Criada desde 1973, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) representa um dos motores da cooperação brasileira para o desenvolvimento internacional. De acordo com o relatório do Ipea, ela tem atuado na cooperação técnica e científica & tecnológica, difundindo práticas da pesquisa agropecuária brasileira em todos os continentes e em diferentes temas. Apesar do reconhecimento nacional e internacional sobre o conhecimento acumulado e o papel de difusor que a Embrapa representa, a sociedade civil tem lançado críticas severas a um projeto trilateral, em particular, executado pela empresa: o ProSavana. Nesse sentido, e aliado à conjuntura internacional, citamos dois exemplos opostos no campo da cooperação triangular.

Lançado em 2009, o ProSavana é um programa de cooperação triangular entre os Governos de Moçambique, Brasil e Japão, visando o desenvolvimento agrícola na região norte de Moçambique, conhecida como Corredor de Nacala. Entretanto, o projeto foi alvo de duras críticas, por desconsiderar o contexto local e buscar o reaproveitamento do modelo agroexportador implantando no Cerrado brasileiro – fruto da cooperação entre o Brasil e o Japão na década de 1980. No Brasil, há pesquisas que comparam os objetivos e a implementação do ProSavana em relação ao PAA Africa (Purchase from Africans to Africa) e ao ProAlimentos.

Recentemente, a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) anunciou o término da primeira fase de um projeto trilateral entre Brasil, Suriname e Nova Zelândia, trazendo à tona mais um caso de sucesso da Embrapa, de acordo com o Governo. O projeto foi responsável por aumentar em três vezes a produtividade agrícola, diminuindo o tempo entre as colheitas e melhorando as técnicas de plantio em menos de um ano. Segundo a Embaixadora da Nova Zelândia no Brasil, Carol Bilkey, os resultados estão fantásticos, ressaltando a satisfação com a parceria e com os benefícios gerados às comunidades quilombolas.

Dois pontos merecem destaques nessa breve comparação. Em primeiro lugar, a tendência crescente em buscar mecanismos alternativos – como a cooperação triangular – para dar continuidade à projeção brasileira na cooperação para o desenvolvimento. Em um clima de incerteza política e orçamentária, a cooperação triangular serve de instrumento de financiamento e triangulação entre o Brasil, um país parceiro do Sul e outro país do Norte ou uma Organização Internacional, capaz de subsidiar os custos inerentes à implementação do projeto. Em segundo lugar, a legitimidade da Embrapa ao longo dos anos, mediante a apresentação do seu know-how, mantém sua posição como ator relevante na cooperação brasileira, mesmo diante de críticas levantadas desde o início do ProSavana, destacando-se que o imbróglio em Moçambique está mais para um caso atípico do que uma tendência da cooperação triangular.

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Imagem (Fonte):

https://leeufscar.files.wordpress.com/2014/10/81947.jpg

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AMÉRICA DO NORTEAMÉRICA LATINACOOPERAÇÃO INTERNACIONALMEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade Internacional

[:pt]Luta pela conservação da Amazônia aproxima EUA e Brasil[:]

[:pt] Na última terça-feira, dia 13 de dezembro, foi divulgado que Brasil e Estados Unidos (EUA), por meio de seus especialistas e representantes internacionais, participaram da II Reunião Anual do Programa Parceria para a Conservação…

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AGÊNCIAS DE COOPERAÇÃOAMÉRICA LATINACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORGANIZAÇÃO INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Monitoramento e Avaliação da Cooperação para o Desenvolvimento: o tecnicismo à mercê da vontade política[:]

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Grosso modo, o fortalecimento do discurso pró-monitoramento e avaliação na agenda do desenvolvimento internacional tomou um fôlego com o advento dos Objetivos do Milênio e a Declaração de Paris sobre a Efetividade da Ajuda, em 2005. Independente da direção – seja na verticalidade da ajuda externa, seja na horizontalidade da cooperação sul-sul – ou do tipo de arranjo (bilateral, trilateral, multilateral), os atores locais, nacionais e internacionais estão reforçando os compromissos com a transparência dos dados, das evidências e da efetividade dos projetos aplicados em nome da cooperação internacional para o desenvolvimento, como já tratado anteriormente nessa coluna.

Entretanto, o provimento de insumos para alimentar bases de dados via monitoramento e avaliação de políticas está além das questões técnicas e metodológicas, discutidas em eventos, tais como ocorrera recentemente no Quênia. Para tanto, esclarece-se 3 pontos necessários para, senão esclarecer, lançar as bases para o debate.

Em primeiro lugar, questiona-se: a cooperação para o desenvolvimento é um item importante na agenda doméstica? De acordo com dados da Agência Brasileira de Cooperação, o número de projetos e atividades isoladas criadas anualmente alcançou o seu pico em 2010, com 472 projetos e tem caído ano a ano, registrando 59 novas atividades em 2014, um número inferior ao registrado em 2005. Como já destacado anteriormente em outros meios, o país presenciou um ativismo sem precedentes na política externa no período 2003-2010, seguido por um forte marasmo. E, em 2016, em decorrência do processo do impeachment, o cenário ficou mais nebuloso, considerando o realinhamento da estratégia Sul-Sul com a África pelo novo Chanceler, José Serra. De fato, esse contexto gera, naturalmente, um questionamento sobre a continuidade ou não dos projetos de cooperação Sul-Sul do Brasil.

Então, o que explicaria a manutenção do tema “cooperação brasileira” entre acadêmicos? Em parte, devemos entender que os resultados da cooperação levam algum tempo até se tornarem claros. Logo, pode-se compreender que no período 2011-2016 há poucas novidades e mais continuidades e adaptações de projetos implantados anteriormente.

Em segundo lugar, indaga-se: quem está interessado nas evidências? Como tomador de decisão ou como acadêmico, a pergunta pode parecer tola, mas isso não se enquadra do ponto de vista político. Como já bem abordado na literatura da Ciência Política, os políticos fazem uso seletivo de dados para beneficiar suas imagens e garantir a continuidade na vida pública. Além disso, como já tratado em trabalhos anteriores, a transferência e a difusão de projetos e políticas cooperação sul-sul ocorrem menos por questões racionais (baseada em evidências externas) do que por propaganda internacional e efeito cascata (racionalidade limitada). Entretanto, deve-se esclarecer que a falta de evidências corresponde apenas ao âmbito internacional. Por exemplo, a difusão internacional dos bancos de leite humano tem um salto exponencial após o recebimento do Prêmio de Saúde Sasakawa, concedido pela Organização Mundial de Saúde em 2001.

Por último, o debate repousa sobre os entraves nos âmbitos técnicos e políticos. No lado tecnocrático, a discussão pode se estender entre as possíveis metodologias qualitativas, quantitativas e mistas que poderão ser utilizadas para fomentar os relatórios brasileiros, ou sobre as diferentes prioridades dadas por países do Norte e do Sul para pensar monitoramento, avaliação, efetividade e sustentabilidade da cooperação para o desenvolvimento. No lado político, é vontade do Governo externalizar se a cooperação brasileira está gerando benesses ou não? Em um momento de alta periculosidade doméstica, que combina baixa popularidade, aumento do desemprego e estagnação econômica, não há um Governo que queria correr o risco de dar um passo adiante em prol de mais transparência e de avaliação de impacto sobre gastos nacionais no exterior.

Em outras palavras, no ponto de vista racional do contribuinte, pensar em monitoramento e avaliação dos recursos brasileiros em prol da cooperação internacional faz todo o sentido. Isto porque, os dados serviriam para legitimar a importância da cooperação (caso os resultados sejam positivos) ou para pressionar a realocação de recursos (caso os resultados não sejam significativos). Do ponto de vista do Governo, os dados ora serviriam para ratificar suas estratégias internacionais perante a comunidade doméstica, ora para compartilhar os ideais com a comunidade internacional. A pergunta é: É possível garantir o cumprimento da agenda 2030 sem evidências? Enquanto isso, a cooperação brasileira está em declínio e a economia brasileira, tombando.

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Imagem (Fonte):

http://www.oficinamunicipal.org.br/uploads/images/course/190/535/oficinamunicipal-grid_6.jpg?1446240378

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COOPERAÇÃO INTERNACIONALDireito InternacionalFÓRUNS INTERNACIONAISNOTAS ANALÍTICASORGANIZAÇÃO INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade Internacional

[:pt]Refugiados e apátridas palestram no TEDx São Paulo[:]

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Na última terça-feira (29 de novembro), a cidade de São Paulo foi palco para a troca de experiências interculturais diretamente de refugiados e apátridas. Sob a organização da equipe Migraflix, o evento foi conduzido no formato TEDx, com a participação da banda Mazeej, composta por refugiados, migrantes e brasileiros, e com a apresentação de relatos reais de refugiados e apátridas, atualmente residentes no Brasil.

captura-de-tela-2016-12-04-as-21-02-00captura-de-tela-2016-12-04-as-21-02-00Entre os relatos, as Nações Unidas destacaram as histórias de Maha Jean Mamo, Alphonse Nyembo e Basma El Halabi. A primeira aborda as dificuldades enfrentadas por um apátrida, isto é, que não possui nacionalidade ou pátria de origem, ou que perdeu. De acordo com Maha, ela e os seus irmãos nunca puderam ser registrados, porque eles são filhos de sírios de religiões diferentes e esse tipo de união civil entre cristãos e muçulmanos é ilegal naquele país. No intuito de mobilizar a comunidade sobre as dificuldades enfrentadas por apátridas, Maha declarou apoio à campanha #IBelong, que busca recolher 10 milhões de assinaturas e acabar com a condição de apátrida até 2024.

Alphonse Nyembo, refugiado da República Democrática do Congo, compartilhou a sua história dando ênfase aos conflitos civis, muitas vezes relacionados à prática extrativista. O relato de Alphonse revela um efeito cascata de externalidades negativas, ao observar que as crianças e adolescentes são exploradas para a obtenção dos recursos naturais; e que os consumidores poderiam reverter esse cenário verificando as condutas das empresas e aproveitando ao máximo o tempo de vida útil de aparelhos eletrônicos.

Por fim, Basma El Halabi relatou os abusos psicológicos sofridos durante toda a sua vida no Marrocos por ser mulher. Na apresentação, Basma divulgou a campanha “16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres”, que, neste ano (2016), tem como tema: “Prevenindo e enfrentando a violência sexual”.

Em suma, o evento contribuiu para aproximar a população sobre as trajetórias e os desafios de refugiados e apátrida, ligando-os a temas que estão constantemente em debate, como o direito à cidadania, o consumismo na agenda do desenvolvimento sustentável e a igualdade de gênero.

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Imagens 1 e 2Refugiados do Congo caminham na Praia de Copacabana em ato contra a guerra civil, violações de direitos humanos e por garantia de eleições presidenciais em seu país” (Fonte):

http://fotospublicas.com/refugiados-do-congo-caminham-na-praia-de-copacabana-em-ato-contra-guerra-civil-violacoes-de-direitos-humanos-e-por-garantia-de-eleicoes-presidenciais-em-seu-pais/

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AMÉRICA LATINACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORGANIZAÇÃO INTERNACIONALSociedade Internacional

[:pt]O prejuízo de US$ 580 milhões após o furacão Matthew: recursos insuficientes para o Haiti[:]

[:pt] De acordo com os Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), apenas 62% dos recursos financeiros para ações humanitárias foram atendidos em 2014, resultando em uma lacuna de US$ 15,5…

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