ÁfricaCOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

HANCI: nivelando o comprometimento dos Governos com a fome e a nutrição

No fim de setembro, o Institute of Development Studies da Universidade de Sussex lançou a terceira edição do estudo Hunger and Nutrition Commitment Index (HANCI 2014), um projeto que busca: 1) ranquear o comprometimento político de governos no combate à fome e à desnutrição; 2) mensurar o que os governos tem alcançado ou onde tem falhado nesses temas, de forma a contribuir com a transparência e prestação de contas; 3) elogiar e chamar a atenção dos governos, de acordo com suas condutas no tema; 4) apoiar a sociedade civil para estimular e acelerar o alcance das metas; e 5) avaliar se o maior comprometimento leva à redução da fome e da desnutrição[1].

Lançado pela primeira vez em abril de 2013[2], o HANCI serve para difundir os esforços nacionais para a erradicação da fome, como também, para colaborar no acompanhamento, monitoramento e avaliação de políticas públicas voltadas para a redução da fome e da desnutrição a nível global[3]. O índice ganha respaldo através do primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM) (Reduzir pela metade, até 2015, a proporção da população com renda inferior a um dólar por dia e a proporção da população que sofre de fome)[4] e, mais recentemente, na adoção do primeiro Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) (Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares até 2030) e ODS 2 (Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável)[5].

Para fornecer os dados, o índice compara as políticas adotadas por 45 países em desenvolvimento com status severo ou alarmante relacionados à fome e à desnutrição. Dessa forma, o índice ranqueia o comprometimento político baseado em 22 indicadores, sendo 10 ligados à redução da fome e 12 ligados às políticas para redução da desnutrição. Ambos os indicadores são agrupados em três temas: gastos, políticas e leis[6].

Os gastos são referentes às despesas públicas, como a porcentagem do orçamento governamental destinado à agricultura. As políticas são representadas pelos programas, arranjos e articulações governamentais na abordagem dos temas da fome e desnutrição. Ou seja, de que forma os temas estão inseridos no planejamento ou nas estratégias de desenvolvimento nacional. Por fim, as leis condizem com o enquadramento legal, isto é, a forma pela qual o Governo garante através da Constituição ou outros arranjos normativos o direito à alimentação adequada ou assuntos correlatos.

O HANCI 2014 trouxe dados relacionados aos primeiros e aos últimos do ranking, às melhores variações em relação à última edição, aos padrões encontrados e às divergências entre as políticas. O Peru alcançou a primeira colocação, ultrapassando a Guatemala – primeira colocada nos dois primeiros relatórios. Malaui, Madagascar e Brasil completam o top 5. Infelizmente, Guiné Bissau, Sudão e Angola permanecem entre os últimos colocados do ranking, assim como no HANCI 2013. Contudo, alguns países mostraram melhorias consideráveis, com variações de cinco ou mais posições no ranking. Essa lista de países é composta pela África do Sul, Costa do Marfim, Camarões, República Democrática do Congo, Mali, Quênia e Filipinas.

Coincidentemente, os únicos três países da América Latina presentes no HANCI estão entre os cinco melhores. O estudo também constatou que os países onde a taxa de crianças com menos de 5 anos desnutridas ultrapassam os 40% apresentam baixíssimos níveis de comprometimento político, a saber, Camboja, Paquistão e Nigéria.

Um dado importante do estudo ressalta que o relativo comprometimento na redução da fome não significa que o país também tem se mobilizado no campo da nutrição. Por exemplo, Gambia é o primeiro colocado no sub-indicador sobre nutrição, mas está apenas na 36ª posição no ranking quando se analisa o combate à fome. Do outro lado, a China está na segunda colocação no combate à fome, enquanto figura apenas na 41ª posição nas políticas relacionadas à melhoria da nutrição.

Seguindo a lógica de monitoramento e avaliação, o índice serve de apoio para pesquisadores, tomadores de decisões, organismos internacionais, organizações não governamentais e sociedade civil, para acompanhar o comprometimento dos países no que tange aos temas (fome e desnutrição), às ações tomadas em diferentes âmbitos (leis, gastos e programas/políticas), ao longo do tempo e de forma comparada com os demais.

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Imagem (Fonte):

http://www.hancindex.org/wp-content/uploads/2014/05/hanci-themes-schematic.gif

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

LINTELO, D.J.H.; LAKSHMAN, R.W.D. “The Hunger and Nutrition Commitment Index (HANCI 2014)”. Evidence Report, No 150. IDS: Sussex, Sept, 2015.

Disponível em:

http://opendocs.ids.ac.uk/opendocs/bitstream/handle/123456789/7072/ER150_TheHungerandNutritionCommitmentIndexHANCI2014.pdf;jsessionid=289268873C47D8ADF6AB203B02860B8E?sequence=1

[2] VerHunger and Nutrition: What do we know?”:

https://www.youtube.com/watch?v=PKv6G0Zw4UI

[3] VerHANCI Index”:

http://www.hancindex.org/

[4] VerObjetivos de Desenvolvimento do Milênio”:

http://www.objetivosdomilenio.org.br/fome/

[5] VerObjetivos de Desenvolvimento Sustentável”:

http://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/

[6] VerHANCI Index (Understanding the indicators)”:

http://www.hancindex.org/explore-the-data/understanding-the-indicators/

COOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

A crise de refugiados na Europa e solicitantes de asilo afegãos

Pode-se argumentar que a crise de refugiados na Europa é a consequência de uma crise global de 59,5 milhões – número jamais antes visto – de pessoas deslocadas à força[1], que agora chega à Europa.

Embora a crise europeia inclua também migrantes, António Guterres, Alto Comissário da ONU para Refugiados, destaca que se trata “principalmente de uma crise de refugiados, não apenas de um fenômeno migratório[2].

Ao mesmo tempo, a relação entre a crise global e a crise europeia fica clara quando o Alto Comissário observa que “[a] grande maioria das pessoas que chegam na Grécia vêm de zonas de conflito como Síria, Iraque ou Afeganistão e estão simplesmente correndo por suas vidas[2].

Esse cenário tem contribuído para uma atenção cada vez maior da mídia sobre a crise de refugiados sírios[3], que constituem mais de 50% das pessoas chegando a Europa pelo Mediterrâneo[4]. No entanto, justamente “[p]orque sírios constituem a maior parte dos refugiados [chegando à Europa], a situação de outros refugiados tem sido pouco relatada[5]. Esse é o caso de afegãos, que correspondem a segunda maior população de solicitantes de asilo chegando à Europa – 13% do total de chegadas peloMediterrâneo[4].

Até o ano passado, afegãos constituíam a maior população de refugiados do mundo, com 2,6 milhões de pessoas – quase 10% da população total do Afeganistão[6] – e, durante os primeiros seis meses de 2015, cerca de 40 mil afegãos buscaram asilo na Europapela primeira vez[7]. Ainda, de acordo com relatórios não-oficiais da Província de Nimruz, cerca de 8 mil afegãos atravessam a fronteira com o Irã diariamente[6].

Como aponta Peter Bouckaert, escrevendo para a Foreign Policy, “[e]mbora o interesse internacional no Afeganistão tenha diminuído e a maioria das tropas estrangeiras tenha partido, a guerra [no país] está apenas piorando[8]. De fato, a Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA, na sigla em inglês) documentou 1.592 mortes e 3.329 feridos nos primeiros seis meses de 2015, representando um aumento de 1% (no total de mortos e feridos) em relação ao mesmo período de 2014[9].

A retirada de tropas e organizações do Afeganistão não apenas contribui para a situação de desemprego em massa e fraca economia, mas também deixou um vácuo de segurança em muitas partes do país[10], onde grupos extremistas, como o Talibã e grupos afiliados do Estado Islâmico estão travando insurgências[11]. Com efeito, em abril deste ano (2015), o Ministro para Refugiados e Repatriação do Afeganistão alertou países europeus de que 80% do território não é seguro para o retorno de afegãos que buscaram proteção na Europa[12].

Dessa forma, apesar da contribuição de fatores econômicos[10], muitos dos afegãos que deixam o país o fazem fugindo de violência, insegurança ou ameaças do Talibã ou de milícias próGoverno, e “têm tanto direito ao status de refugiado ou outra [forma de]proteção [quanto sírios]”[8].

No entanto, diversas políticas relacionadas à crise de refugiados na Europa têm favorecido pessoas vindo da Síria. Como relata e reclama Bouckaert, um militar afegão – que fugiu de Kabul após receber ameaças de morte do Talibã: “Por que nós ouvimos ‘Apenas sírios, apenas sírios’, ao entrarem pessoas em ônibus aqui na fronteira [entre Sérvia e Hungria], enquanto nós somos forçados a esperar sob o sol quente?[8].

Ainda, embora a legislação da União Europeia (UE) – a Convenção de Dublin – estabeleça que uma solicitação de asilo deva ser examinada pelo país de entrada na UE, no mês passado, a Alemanha havia anunciado suspender a deportação de solicitantes de asilo sírios ao país de entrada[13], como Hungria e Grécia, a fim de aliviar o peso da crise de refugiados nesses países.

De toda forma, tal crítica à ênfase em solicitantes de asilo sírios, tanto na mídia quanto nas políticas da EU e Estados membros – no contexto da crise de refugiados na Europa –, não implica dizer que a Europa deva reverter políticas favoráveis à recepção e concessão de proteção aos sírios. Ao contrário, tais políticas devem ser estendidas a outros grupos[14] de solicitantes de asilo chegando à Europa, como é o caso dos afegãos.

Bill Frelick, da Human Rights Watch, apresenta argumento convincente para o estabelecimento de políticas de asilo mais favoráveis, como mudanças na Convenção de Dublin, permitindo que solicitantes de asilo escolham seu país acolhedor (ao invés de serem forçados a permanecer no país de entrada), e atribuição de status de refugiado prima facie – i.e., atribuição automática a grupos específicos, sem necessidade de análise individual de cada caso[15].

No entanto, mudanças na Convenção de Dublin beneficiariam a todos os solicitantes de asilo na Europa, não apenas sírios. Mesmo a concessão de proteção prima facie, restrita a grupos específicos, não seria necessariamente aplicável apenas a sírios, mas também a “outras nacionalidades e subgrupos[15].

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Imagem Afegãos procuram abrigo em uma estação de metrô, durante uma tempestade em Victoria Square, centro de Atenas, 26 de setembro de 2015” (Fonte):

http://media1.s-nbcnews.com/j/msnbc/components/slideshows/_production/ss-150926-tip/ss-150926-tip-mn-07.nbcnews-ux-1024-900.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.unhcr.org/558193896.html;

Ver Também:

https://ceiri.news/dia-mundial-do-refugiado/

[2] Ver:

http://www.unhcr.org/55e9459f6.html

[3] Ver, e.g.:

http://www.irinnews.org/report/101948/europe-doesn-t-have-a-migrant-crisis-it-has-a-syrian-crisis;

http://www.aljazeera.com/indepth/features/2015/09/refugee-crisis-escaping-syria-europe-unknown-150921122422522.html; e

http://www.brookings.edu/blogs/order-from-chaos/posts/2015/09/03-eu-refugee-crisis-kirisci

[4] Ver:

http://data.unhcr.org/mediterranean/regional.php

[5] Ver:

http://mondoweiss.net/2015/09/refugee-crisis-since

[6] Ver:

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2015/09/afghanistan-refugee-crisis-150915073827019.html

[7] Ver:

http://ec.europa.eu/eurostat/documents/2995521/6887997/3-18062015-CP-EN.pdf/4457b050-26f9-4cf1-bf27-9ffb73ff8c7b, p. 4, para o primeiro trimestre de 2015;

e http://ec.europa.eu/eurostat/documents/2995521/6996925/3-18092015-BP-EN.pdf/b0377f79-f06d-4263-aa5b-cc9b4f6a838f, p. 4, para o segundo trimestre.

[8] Ver:

http://foreignpolicy.com/2015/09/18/europes-refugee-crisis-isnt-only-about-syria-iraq-afghans/

[9] Ver:

http://www.un.org/apps/news/story.asp?NewsID=51563#.Vgqhi9-qpBc

[10] Ver:

http://www.theatlantic.com/international/archive/2015/09/afghanistan-brain-drain-migrant-crisis/406708/

[11] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2015/sep/10/refugee-crisis-apart-from-syrians-who-else-is-travelling-to-europe

[12] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2015/apr/22/judge-blocks-deportation-flight-for-rejected-afghan-asylum-seekers

[13] Ver:

http://www.bbc.com/news/blogs-trending-34064131;

 e http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/europe/germany/11821822/Germany-drops-EU-rules-to-allow-in-Syrian-refugees.html

[14] Para uma análise sobre o impacto da política de asilo europeia sobre solicitantes de asilo vindos de países africanos, ver:

http://time.com/4031569/migrant-crisis-europe-african-refugees/

[15] Ver:

https://www.hrw.org/news/2015/09/09/time-ditch-dublin

COOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

Dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Após assumir posição de destaque nos últimos anos com o alcance das metas traçadas nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e, principalmente, na liderança das discussões globais sobre combate à pobreza e mitigação da fome, o Governo brasileiro chega à Nova Iorque como ator chave.

Para além do tradicional discurso de abertura na Assembleia Geral das Nações Unidas[1], as autoridades brasileiras atuaram em diversos eventos paralelos ao tema dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). No dia 26 de setembro, o Governo brasileiro publicou, em conjunto com os governos da Alemanha, Índia e Japão, um comunicado endossando a necessidade de reformar o Conselho de Segurança da ONU, com o intuito de torná-lo mais representativo, legítimo e eficaz no enfrentamento dos conflitos e das crises globais[2].

Na última sexta-feira, dia 25, representantes do Governo do Brasil participaram do seminário “Dos ODM aos ODS: experiências e desafios para o Brasil”. O evento possibilitou o intercâmbio internacional de experiências e boas práticas de participação social e para implementação da nova agenda de desenvolvimento, a partir de 2016[3].

A Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Sustentável ocorre por três dias em Nova Iorque, com o objetivo de oficializar os novos desígnios para o desenvolvimento nos próximos 15 anos. Serão 17 objetivos, subdivididos em 169 metas, cujo cumprimento será medido com cerca de 300 indicadores que a ONU elaborou para determinar como as nações estão cumprindo as promessas feitas[4].

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Imagem (Fonte):

http://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2015/09/2660b711-6e73-4a5e-9b33-10660fcb5be6-460×310.jpeg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver MRE”:

http://www.itamaraty.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=11918:discurso-da-presidenta-da-republica-dilma-roussef-por-ocasiao-da-abertura-da-septuagesima-assembleia-geral-das-nacoes-unidas-nova-york-28-de-setembro-de-2015&catid=197:discursos&lang=pt-BR&Itemid=448

[2] Ver MRE”:

http://www.itamaraty.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=11906:reuniao-dos-lideres-dos-paises-do-g-4-brasil-alemanha-india-e-japao-sobre-a-reforma-do-conselho-de-seguranca-das-nacoes-unidas-comunicado-conjunto&catid=42:notas&lang=pt-BR&Itemid=280

Ver também IstoÉ

http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/economia/20150926/brasil-alemanha-india-japao-pressionam-por-maior-papel-onu/302647

[3] Ver Nações Unidas”:

http://nacoesunidas.org/brasil-mostra-experiencias-bem-sucedidas-na-cupula-da-onu-de-desenvolvimento-sustentavel-em-nova-york/

[4] VerEBC”:

http://www.ebc.com.br/noticias/internacional/2015/09/cupula-da-onu-que-pretende-definir-novas-metas-de-desenvolvimento

ÁfricaCOOPERAÇÃO INTERNACIONALEuropaNOTAS ANALÍTICAS

Com vistas à imigração, Alemanha sedia encontro com líderes africanos

Destacam-se na história diversos exemplos de projetos de crescimento econômico concebido pelos países desenvolvidos a serem aplicados nos países pobres. Acima de tudo, tais projetos objetivam conter uma série de fenômenos sociais que, de alguma forma, afetam a conjuntura econômica e política estável dos países ricos. Foram os casos, por exemplo, do Plano Marshall, após a Segunda Guerra Mundial, e do Plano Colômbia, no fim da década de 80 e início dos anos 90[1].

No caso do Plano Marshall, além de reestabelecer os mercados europeus como mercados consumidores dos produtos americanos, o Plano também foi concebido com o intuito de retardar o avanço do comunismo em importantes parceiros estratégicos para os Estados Unidos. No caso colombiano, os investimentos na economia do país foram efetuados pelos norte-americanos com o intuito de criar atividades econômicas alternativas ao tráfico de drogas, diminuindo o fluxo de entorpecentes aos EUA.

Atualmente, a intensa imigração africana e síria aos países da Europa desperta imensa preocupação entre as autoridades políticas deste continente. Tendo em vista a infindável guerra civil em países como Sudão, Eritreia, Somália, Síria e Iraque, líderes europeus temem que o fluxo de imigrantes continue no mesmo patamar nos próximos anos, gerando pressões cada vez maiores sobre a oferta de serviços públicos e emprego aos que chegam nos principais países europeus.

Tendo este cenário como pano de fundo, líderes das principais organizações africanas se reuniram com o Ministro das Relações Exteriores e outras importantes autoridades políticas alemãs nos dias 7 e 8 de setembro, em Berlim[2]. Estiveram presentes no encontro representantes da União Africana, da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, da Comunidade da África Oriental e da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental[2].

Foram discutidas, acima de tudo, políticas de investimento da Alemanha para o desenvolvimento econômico das nações africanas[3]. A questão das doações internacionais ficou em segundo plano, uma vez que se objetiva consolidar no continente africano um cenário favorável para o recebimento de investimentos estrangeiros diretos, cuja capacidade de gerar empregos e renda é maior do que as doações. Vale ressaltar que essa questão também foi destacada pelo Presidente dos EUA, Barack Obama, em sua visita oficial ao Quênia e à Etiópia, há dois meses[4].

A África Subsaariana como um todo presencia um expressivo crescimento econômico nos últimos anos e a amplitude de seu mercado consumidor representa considerável atrativo aos empresários europeus, em especial aos alemães. No entanto, questões políticas, a precária infraestrutura e crises cíclicas de saúde pública ainda significam um risco aos negócios que visam se estabelecer nessa região.

Lidar com tais questões representa aos países africanos uma oportunidade única para atingir níveis de desenvolvimento e bem-estar social nunca antes conquistados. Do outro lado, aos países europeus, um cenário de estabilidade política e social na África, bem como a sustentação do atual ritmo de crescimento econômico nos próximos anos, reduziria a pressão a qual a Europa vem sendo submetida nos últimos meses, em abrir as portas para cada vez mais imigrantes. Dessa maneira, claramente as políticas internacionais de desenvolvimento podem ser vistas também como ações políticas estratégicas dos países europeus.

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Imagem (FonteCHIMP Reports):

http://chimpreports.com/eac-sg-sezibera-roots-for-stronger-ties-at-germany-africa-business-summit/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver BBC”:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2012/04/120411_plano_colombia_lf.shtml

[2] Ver Addis Standard”:

http://addisstandard.com/germany-hosts-first-german-african-business-summit/

[3] Ver:

http://suedafrika.ahk.de/en/events/current-events/event-details/events/german-african-business-summit-1/?cHash=212838c2ef612b127a44790e1091231c

[4] VerCEIRI Newspaper”:

https://ceiri.news/em-meio-a-recordacoes-do-passado-obama-projeta-futuro-de-inovacao-e-crescimento-ao-quenia/

ÁfricaCOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Agricultura africana baseada no ecossistema: a saída para um continente mais quente e mais faminto em 2030

Relatórios da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) mostra que aproximadamente 25% da população da África Subsaariana carece de alimentação adequada. Além disso, cerca de 200 milhões de pessoas sofrem com sintomas de mal nutrição, de crônica a severa, levando às altas taxas de mortalidade infantil (abaixo de 5 anos).

Para piorar a situação, o Banco Mundial projeta que a seca e o calor deixarão 40% das terras da região incapazes de suportar a colheita de milho em 2030. O aumento nas temperaturas poderá afetar também as pastagens nas savanas e os ganhos das comunidades pastorais.

Entre os dados alarmantes sobre a seca e a fome, a FAO destaca o desperdício na agricultura. Em primeiro lugar, aproximadamente 6,6 milhões de toneladas de grãos são desperdiçadas anualmente devido à degradação do ecossistema. Esse volume seria o suficiente para garantir as necessidades calóricas anuais de pelo menos 30 milhões de pessoas no continente. Em segundo lugar, as abordagens convencionais na agricultura têm levado as perdas nas colheitas para quase 23%. De acordo com Rhoda Tumusime, Comissária para Economia Rural e Agricultura da União Africana, o continente africano gasta mais com os desperdícios de alimentos pelos fatores climáticos (US$ 48 bilhões) do que com a importação de alimentos (US$ 35 bilhões).

Nesse sentido, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançou o Programa de Adaptação para Segurança Alimentar baseado no ecossistema (Regional Ecosystembased Adaptation for Food Security Program). Mais que um programa com perfil técnico, ele é desenhado para se adequar aos efeitos da mudança climática, ou de forma mais específica, aos efeitos do aquecimento global. O Programa tem o objetivo de prevenir a erosão do solo, melhorar a fertilidade dele e garantir a diversidade biológica, o que provocaria mais produção na agricultura e resultados econômicos benéficos.

Em um evento no final de julho passado, líderes africanos lançaram a Agenda de Nação de Nairobi sobre a Adaptação para Segurança Alimentar baseada no Ecossistema da África, para legitimar a redução do desperdício, conservar o clima e criar oportunidades de empregos, especialmente para mulheres e jovens no continente.

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Imagem (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d4/Africa_Food_Security_15_(10665294293).jpg

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Fonte Consultada:

Ver:

http://www.nation.co.ke/lifestyle/DN2/FOOD-SECURITY-Hotter-and-hungrier/-/957860/2857440/-/s93csu/-/index.html

COOPERAÇÃO INTERNACIONALEuropaNOTAS ANALÍTICAS

Governos europeus juntam forças para o combate a crise migratória

Medida classificada como “histórica”, os Governos da Áustria, Hungria, Sérvia e Macedônia assinaram, na sexta-feira passada, dia 4 de setembro, um Memorando juntando esforços para a solução da crise migratória que assola o território dos países supracitados.

Assinaram os seguintes Ministros do Interior: Mitko Cavkov, pela Macedônia; Johanna MiklLeitner, pela ÁustriaNebojsha Stefanovic, pela Sérvia; e a ministra Krisztina Bertapela, pelo Governo Húngaro[1]. Como resultado do Memorando, patrulhas mistas serão implantas nas fronteiras entre Sérvia e Hungria, Sérvia e Macedônia, e GréciaMacedônia, com o objetivo-mor de conter o tráfico humano e a travessia ilegal dessas fronteiras.

O encontro, ocorrido em Ohrid, na Macedônia, serviu também para o Ministro Sérvio reiterar o compromisso que o país possui para com a União Europeia, e com uma futura adesão ao bloco continental. Stefanovic salientou que seu país recebeu “120 mil migrantes nos primeiros oito meses deste ano (…). [e] (…) continua a sua busca por auxílio financeiro ou outras formas de assistência, de modo a ser capaz de receber essas pessoas de forma humana[2]. Já o Estado Macedônio vê, diariamente, em média, 3 mil migrantes darem entrada em sua fronteira sul com a Grécia[2].

Paralelamente ao encontro, o Alto Comissariado Geral das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), na figura do Alto Comissário, Antônio Guterres, alertou os países europeus, alegando que “a Europa não poderá responder a esta crise com abordagens fragmentadas ou incrementais[3].

Como resposta, está prevista para a próxima semana a revelação de um novo programa para a realocação de mais 120 mil refugiados, capitaneada pelo Presidente da Comissão Europeia, JeanClaude Juncker, se opondo ao sistema de cotas por país, que acabou gerando polêmica nos últimos meses[3].

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Imagem (Fonte):

http://www.balkaninsight.com/en/file/show//Images/Images.New/Places/Macedonia/ohrid%20signing%20by%20mvr%20gov%20mk.jpg

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[1] Ver:

http://www.balkaninsight.com/en/article/macedonia-serbia-hungary-austria-boost-cooperation-on-refugees-09-04-2015

[2] Ver:

http://www.b92.net/eng/news/politics.php?yyyy=2015&mm=09&dd=04&nav_id=95336

[3] Ver:

http://www.rappler.com/world/regions/europe/104745-un-refugees-shared-among-eu-states

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Ver Também:

http://www.dw.com/pt/uni%C3%A3o-europeia-prop%C3%B5e-cotas-de-refugiados-para-pa%C3%ADses-membros/a-18448533