COOPERAÇÃO INTERNACIONALEuropaNOTAS ANALÍTICAS

Noruega prepara-se para atender os refugiados de 2016

A Noruega é um Estado humanitário por excelência, que incorpora o discurso e a prática da ajuda internacional em sua política externa. Para o Governo norueguês é importante contribuir com o alívio da necessidade dos que sofrem, sobretudo em zonas de conflitos, assim como promover formas de desenvolvimento em regiões periféricas do globo.

A nível internacional, destaca-se a fala do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Børge Brende, que afirmou: “o governo está a dar prioridade às áreas de educação para crianças e jovens, assistência humanitária e de saúde nos Estados frágeis. É através de nossos esforços, nestas áreas, que podemos fazer a maior contribuição para aliviar a necessidade, ajudando refugiados perto de zonas de conflito, prevenção de novas crises de desenvolvimento, e garantir o desenvolvimento a longo prazo nos países pobres[1].

Debaixo da meta proposta, a nível doméstico, os noruegueses esperam receber cerca de 33.000 pedidos de asilo em 2016 e buscam preparar-se para tal envergadura. O orçamento proposto para 2016, no âmbito de ajuda internacional, é de 34,8 bilhões de coroas norueguesas, que representa mais de 1% do rendimento nacional bruto do país (RNB)[1].

De acordo com a declaração do ministro Børge Brende, “Estamos agora a ter de tomar decisões difíceis e fazer alterações no orçamento de ajuda, a fim de ser capaz de receber os refugiados na Noruega e garantir que eles sejam tratados com dignidade[1].

De imediato, a administração da cidade de Oslo, capital da Noruega, planeja a construção de 3.000 centros de acolhimento, capazes de abrigar os refugiados que ingressam no país, contudo, nem tudo são flores, pois o Prefeito de Oslo, Raymond Johansen, já apelou ao Governo para controlar o quantitativo de refugiados, de modo a diminuir os pedidos sem fundamento, ainda que seja necessário o uso da polícia[2].

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ImagemStortinget – Parlamento da Noruega” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/23/The_Parliament_of_Norway_%28Stortinget%29%2C_Oslo%2C_Norway.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver Alterações no orçamento de ajuda devido à crise de refugiados”:

http://www.norwaypost.no/index.php/news/latest-news/31039 (Acesso: 13.11.2015)

[2] Ver Nordbey foi nomeado chefe de Oslo”:

http://www.osloby.no/nyheter/Tidligere-UDI-topp-Trygve-Nordby-skal-hjelpe-Oslo-med-flyktningkrisen-8240713.html (Acesso: 13.11.2015)

ÁfricaAMÉRICA DO NORTECOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Doações norte-americanas à Tunísia reforçam o papel do país como guardião da democracia no continente africano

Um espectro assombra o mundo ocidental – é o espectro do terrorismo islâmico. Instituições políticas movimentam-se, articulações são estabelecidas e parcerias internacionais são seladas: tudo enquanto estratégia para afastar gradativamente as pressões terroristas islâmicas para além do horizonte ocidental-secular-democrático.

Os ataques a Paris na última sexta-feira (13 de novembro) demonstram que a ameaça está próxima e, sem nenhuma dificuldade, pode-se prever o provável cenário político e social que emerge após os ataques: maiores recursos a serem gastos para reduzir os riscos de novos atentados, maior legitimação à vigilância cibernética e um campo aberto para a extrema direita europeia definitivamente participar do jogo político.

Como um corpo que se atirado ao alto volta inevitavelmente ao solo devido à força da gravidade, muitos analistas veem a atual ameaça como uma consequência inevitável de um longo histórico de exclusão social das populações islâmicas e dos imigrantes a oportunidades de emprego e de melhores condições de vida nas grandes capitais europeias.

Por outro lado, autoridades políticas buscam soluções práticas e, por isso, viajam às fronteiras” (espaços onde a ameaça terrorista já é visível, mas que de alguma forma são territórios ilhados a tais ameaças), zonas em que as instituições originalmente ocidentais ainda encontram espaço para a sua sobrevivência. Seriam tais zonas fronteiriças países como o Líbano, o Marrocos, a Nigéria, o Quênia e a Tunísia.

Sobre este último, tem sido notável a gradativa presença norte-americana: ao todo, desde 2012, cerca de um bilhão de dólares foi doado para o fortalecimento da democracia[1]. Se, em outros países da Primavera Árabe emergiram governos autoritários, ou mesmo a ausência destes, na Tunísia, local de nascimento deste grande movimento, a esperança da conquista da democracia ainda guarda a mesma intensidade daquela vivida em 2011.

Por isso, como se fosse um verdadeiro “mantra” da geopolítica norte-americana, a questão da possibilidade da existência da democracia no mundo árabe é fato recorrentemente levantado pelas autoridades deste país em encontros internacionais. Na visita do secretário de estado norteamericano John Kerry à Tunísia, na última sexta-feira, dia 13 de novembro, ouviu-se o mesmo “mantra” novamente: “A Tunísia é um grande exemplo para aqueles que afirmam que a democracia não é possível nesta parte do mundo[1]. Afirmou Kerry, na tentativa de desmistificar qualquer opinião que veja o projeto norte-americano para região como um projeto quixotesco.

Não à toa, o Prêmio Nobel da Paz deste ano foi concedido a um grupo formado pela sociedade civil tunisiana, o Quarteto de Diálogo Nacional, em um claro processo de advocacia transnacional com o intuito de reforçar a atuação de grupos locais que lutam pela instauração completa de um regime democrático neste país[2].

Por outro lado, enquanto “fronteira”, na Tunísia revelam-se constantes pressões terroristas, como foi o ataque ao Museu Nacional de Bardo, em março, e à Praia de Susse, em junho, que desestabilizam e, de alguma maneira, minam o projeto democrático. Analistas acreditam que a prevista queda no número de turistas devido a tais eventos poderá também reduzir a entrada de divisas e desestabilizar a economia nacional.

Porém, o que reside para além dessas fronteiras? Comumente ouvimos na mídia e no pronunciamento de autoridades[3][4] que aí nessas regiões dominam-se “atos impronunciáveis de barbárie[3], conforme já afirmou o próprio presidente Barack Obama. O termo “barbárie”, em si, resume a percepção geral quanto a um território cuja organização política e social, bem como os valores coletivos, são tão diferentes daqueles vivenciados no velho ocidente.

São, assim, repulsas a esta conjuntura “bárbara”, somado ao medo que episódios como o de Paris causam à população, que faz evidente a atuação cada vez maior das principais potências ocidentais nessas regiões “fronteiriças”, posicionando-as como verdadeiros baluartes reais à ameaça terrorista islâmica.

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Imagem (Fonte News Yahoo):

http://news.yahoo.com/kerry-tunisia-help-bolster-fledgling-democracy-094509820.html

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Fontes Consultadas:

[1] VerThe New York Times”:

http://www.nytimes.com/2015/11/14/world/africa/john-kerry-says-us-will-give-tunisia-more-financial-aid.html?ref=africa&_r=0

[2] VerG1”:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/10/grupo-da-tunisia-vence-nobel-da-paz-2015.html

[3] VerG1”:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/02/estado-islamico-conduz-barbarie-em-nome-da-religiao-diz-obama.html

[4] VerExpresso”:

http://expresso.sapo.pt/sociedade/2015-11-14-Morte-e-barbarie.-Dez-respostas-para-conhecer-o-Estado-Islamico

COOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL

Nós podemos acabar com a fome, mas a mudança climática ameaça nossos esforços

Políticas e investimentos em segurança alimentar e na agricultura deveriam estar no centro dos debates sobre as mudanças climáticas[1].

Esta é uma opinião compartilhada por José Graziano da Silva, DiretorGeral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), e por Stéphane Le Foll, Ministro da Agricultura da França. A Declaração foi emitida durante o Comitê de Segurança Alimentar Mundial, em referência à recente adoção da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e aos desafios para fechar um acordo sobre as mudanças climáticas antes da Conferência de Paris (COP 21).

De acordo com José Graziano da Silva, “Nós podemos acabar com a extrema pobreza e com a fome até 2030 […]. Nós sabemos o que funciona e temos as ferramentas para pôr em prática, mas a mudança climática ameaça destruir nossos esforços[2]. Além disso, o DiretorGeral da FAO destacou que os agricultores familiares, os pescadores e os silvicultores, maiores dependentes dos recursos naturais, são os menos responsáveis pelas mudanças climáticas e os primeiros a sofrer os efeitos destas. Complementarmente, Le Foll destacou a urgência que os líderes mundiais têm para achar um acordo tangível e com objetivos concretos para conter o aquecimento global.

Le Foll também destacou a importância em renovar os mecanismos agrícolas e a adaptação aos ecossistemas. Primeiro, devido a grande emissão de gases de efeito estufa, a sociedade precisa progredir com técnicas que consumam menos energia e que sejam mais econômicas. Entretanto, as tecnologias devem ser combinadas com o aspecto social, de forma a interligar mecanismos naturais para beneficiar a produção e se adequar a cada ecossistema.

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Imagem (Fonte):

http://static.un.org/News/dh/photos/large/2015/October/10-14-2015FAO_France.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] VerUN News Centre”:

http://www.un.org/apps/news/story.asp?NewsID=52260#.ViEEb36rS72

[2] VerOnu Brasil”:

http://nacoesunidas.org/aquecimento-global-ameaca-objetivo-de-acabar-com-a-fome-no-mundo-ate-2030-diz-diretor-geral-da-fao/

Ver TambémFAO”:

http://www.fao.org/news/story/en/item/336488/icode/

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

A influência do Movimento Gülen no cenário internacional

[:pt]

Aos 72 anos, o turco Fetullah Gülen figura[1] entre as cem pessoas mais influentes do mundo, segundo a revista Time. Este líder religioso, filósofo, escritor e educador é um empreendedor bem-sucedido que inspirou um movimento conhecido como “Hizmet” (Serviço, em turco), ou Movimento Gülen. O Movimento[2] originou-se no final dos anos 1960, na Turquia, como inspiração islâmica baseada na fé e em torno da criação de oportunidades educacionais, na forma de bolsas de estudo, dormitórios, escolas e centros de ensino. Durante quatro décadas, o Movimento Gülen tem crescido como um movimento transnacional, educacional, intercultural e inter-religioso, com o número de participantes chegando aos milhões, incluindo centenas de fundações, empresas, associações profissionais, associações formais e informais. No início da década de 1970, a mensagem de Gülen sobre profunda fé e prática religiosa, altruísmo e ação foi transmitida em uma Turquia repleta de pobreza e corrupção, em que ocorriam intervenções não democráticas, restrições à expressão religiosa na vida pública, embates políticos e ideológicos. Neste cenário caótico, a abordagem abrangente de Gülen sobre indivíduo, sociedade, nação e a humanidade em geral permitiu o fortalecimento do Hizmet.

Os ensinamentos do Movimento Gülen[3] baseiam-se em aspectos motivadores da , como meio para transformação do espírito humano; da educação, como modificadora da mentalidade social; da ativa participação da sociedade, diante de questões não solucionadas pelos Governos; da inclusão social, por meio de atuação nas instituições da visão integracionista da sociedade e do Governo. Os participantes do movimento não são diferentes da população comum da Turquia, em termos de etnia, cultura, religião, classe social, e atitudes em relação à violência. Outro fator que contribui para o desenvolvimento do Movimento Gülen é o respeito às leis, ao ensinar o poder da Democracia, pois cada cidadão é visto como um futuro participante potencial. No mundo[4] atual, o Hizmet atraiu um grande número de empresários, como a agência de notícias Cihan, a maior do país, que possui correspondentes em 82 países, incluindo o Brasil, onde tem um escritório estabelecido em 2011, em São Paulo.

No entanto, mesmo sendo considerado o muçulmano mais influente do mundo, Fetullah Gülen foi apontado[5] como um dos motivadores da recente reviravolta no cenário político da Turquia em julho deste ano (2015), com o resultado das eleições parlamentares que sinalizou uma derrota para o presidente turco Erdogan. Para alguns analistas e cientistas políticos, apesar de tentar consolidar a ideia de um islamismo brando, as intenções de Gülen não são explícitas e atraem suspeitas. Segundo o cientista político alemão de ascendência turca Ekrem Güzeldere, que trabalha[6] como analista no think tank ESI (European Stability Initiative), existe um sério problema em relação ao movimento, que é a falta de transparência, e afirma: “O Movimento Gülen não é transparente, portando-se quase como algo clandestino[6]. Para Gareth Jenkins, analista do Institute for Security and Development Policy, um centro sueco de pesquisas e analises geopolíticas,  “o Movimento Gülen baseia-se em crenças conservadoras que se propagam em três fases: 1) islamizar o indivíduo; 2) islamizar a sociedade; e 3) islamizar o Estado e introduzir a sharia[6].

Com análises favoráveis e desfavoráveis, o Movimento Gülen[7] continua sua expansão e, atualmente, possui instituições de ensino de inspiração gulenista espalhadas por mais de cem países, do Quênia ao Cazaquistão, passando por Estados Unidos e nações da Europa, além, é claro, da Turquia. Tais instituições são descritas como seculares e os professores devem se apresentar como modelos morais (não podem fumar, beber e nem serem divorciados), as mulheres têm pouca participação e não ocupam posições de chefia no Movimento Gülen. Ao que tudo indica, a Casa Branca e os demais países não o veem como um chefe islâmico radical, mas como alguém que deve ser acompanhado, dado o poder financeiro e influência que exerce no cenário internacional.

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Imagem (Fonte):

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/gulen-vs-erdogan-struggle-thre-2014311144829299446.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.huffingtonpost.com/david-l-phillips/turkeys-fight-against-ter_b_6445664.html

[2] Ver:

http://pt-hizmetmovement.blogspot.com.br/p/gulen-movement.html

[3] Ver:

http://thediplomat.com/2015/08/tajikistan-turkey-and-the-gulen-movement/

[4] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/03/1425613-polemico-movimento-turco-tem-braco-no-brasil.shtml

[5] Ver:

http://oglobo.globo.com/mundo/acusado-por-erdogan-de-tramar-golpe-movimento-hizmet-diz-temer-por-liberdade-na-turquia-11337481

[6] Ver:

http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/quem-e-fetullah-gulen-o-muculmano-mais-influente-do-mundo/

[7] Ver:

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/gulen-vs-erdogan-struggle-thre-2014311144829299446.html

[:en]

Aos 72 anos, o turco Fetullah Gülen figura[1] entre as cem pessoas mais influentes do mundo, segundo a revista Time. Este líder religioso, filósofo, escritor e educador é um empreendedor bem-sucedido que inspirou um movimento conhecido como “Hizmat” (Serviço, em turco), ou Movimento Gülen. O Movimento[2] originou-se no final dos anos 1960, na Turquia, como inspiração islâmica baseada na fé e em torno da criação de oportunidades educacionais, na forma de bolsas de estudo, dormitórios, escolas e centros de ensino. Durante quatro décadas, o Movimento Gülen tem crescido como um movimento transnacional, educacional, intercultural e inter-religioso, com o número de participantes chegando aos milhões, incluindo centenas de fundações, empresas, associações profissionais, associações formais e informais. No início da década de 1970, a mensagem de Gülen sobre profunda fé e prática religiosa, altruísmo e ação foi transmitida em uma Turquia repleta de pobreza e corrupção, em que ocorriam intervenções não democráticas, restrições à expressão religiosa na vida pública, embates políticos e ideológicos. Neste cenário caótico, a abordagem abrangente de Gülen sobre indivíduo, sociedade, nação e a humanidade em geral permitiu o fortalecimento do Hizmat.

Os ensinamentos do Movimento Gülen[3] baseiam-se em aspectos motivadores da , como meio para transformação do espírito humano; da educação, como modificadora da mentalidade social; da ativa participação da sociedade, diante de questões não solucionadas pelos Governos; da inclusão social, por meio de atuação nas instituições da visão integracionista da sociedade e do Governo. Os participantes do movimento não são diferentes da população comum da Turquia, em termos de etnia, cultura, religião, classe social, e atitudes em relação à violência. Outro fator que contribui para o desenvolvimento do Movimento Gülen é o respeito às leis, ao ensinar o poder da Democracia, pois cada cidadão é visto como um futuro participante potencial. No mundo[4] atual, o Hizmat atraiu um grande número de empresários, como a agência de notícias Cihan, a maior do país, que possui correspondentes em 82 países, incluindo o Brasil, onde tem um escritório estabelecido em 2011, em São Paulo.

No entanto, mesmo sendo considerado o muçulmano mais influente do mundo, Fetullah Gülen foi apontado[5] como um dos motivadores da recente reviravolta no cenário político da Turquia em julho deste ano (2015), com o resultado das eleições parlamentares que sinalizou uma derrota para o presidente turco Erdogan. Para alguns analistas e cientistas políticos, apesar de tentar consolidar a ideia de um islamismo brando, as intenções de Gülen não são explícitas e atraem suspeitas. Segundo o cientista político alemão de ascendência turca Ekrem Güzeldere, que trabalha[6] como analista no think tank ESI (European Stability Initiative), existe um sério problema em relação ao movimento, que é a falta de transparência, e afirma: “O Movimento Gülen não é transparente, portando-se quase como algo clandestino[6]. Para Gareth Jenkins, analista do Institute for Security and Development Policy, um centro sueco de pesquisas e analises geopolíticas,  “o Movimento Gülen baseia-se em crenças conservadoras que se propagam em três fases: 1) islamizar o indivíduo; 2) islamizar a sociedade; e 3) islamizar o Estado e introduzir a sharia[6].

Com análises favoráveis e desfavoráveis, o Movimento Gülen[7] continua sua expansão e, atualmente, possui instituições de ensino de inspiração gulenista espalhadas por mais de cem países, do Quênia ao Cazaquistão, passando por Estados Unidos e nações da Europa, além, é claro, da Turquia. Tais instituições são descritas como seculares e os professores devem se apresentar como modelos morais (não podem fumar, beber e nem serem divorciados), as mulheres têm pouca participação e não ocupam posições de chefia no Movimento Gülen. Ao que tudo indica, a Casa Branca e os demais países não o veem como um chefe islâmico radical, mas como alguém que deve ser acompanhado, dado o poder financeiro e influência que exerce no cenário internacional.

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Imagem (Fonte):

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/gulen-vs-erdogan-struggle-thre-2014311144829299446.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.huffingtonpost.com/david-l-phillips/turkeys-fight-against-ter_b_6445664.html

[2] Ver:

http://pt-hizmetmovement.blogspot.com.br/p/gulen-movement.html

[3] Ver:

http://thediplomat.com/2015/08/tajikistan-turkey-and-the-gulen-movement/

[4] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/03/1425613-polemico-movimento-turco-tem-braco-no-brasil.shtml

[5] Ver:

http://oglobo.globo.com/mundo/acusado-por-erdogan-de-tramar-golpe-movimento-hizmet-diz-temer-por-liberdade-na-turquia-11337481

[6] Ver:

http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/quem-e-fetullah-gulen-o-muculmano-mais-influente-do-mundo/

[7] Ver:

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/gulen-vs-erdogan-struggle-thre-2014311144829299446.html

[:ru]

Aos 72 anos, o turco Fetullah Gülen figura[1] entre as cem pessoas mais influentes do mundo, segundo a revista Time. Este líder religioso, filósofo, escritor e educador é um empreendedor bem-sucedido que inspirou um movimento conhecido como “Hizmat” (Serviço, em turco), ou Movimento Gülen. O Movimento[2] originou-se no final dos anos 1960, na Turquia, como inspiração islâmica baseada na fé e em torno da criação de oportunidades educacionais, na forma de bolsas de estudo, dormitórios, escolas e centros de ensino. Durante quatro décadas, o Movimento Gülen tem crescido como um movimento transnacional, educacional, intercultural e inter-religioso, com o número de participantes chegando aos milhões, incluindo centenas de fundações, empresas, associações profissionais, associações formais e informais. No início da década de 1970, a mensagem de Gülen sobre profunda fé e prática religiosa, altruísmo e ação foi transmitida em uma Turquia repleta de pobreza e corrupção, em que ocorriam intervenções não democráticas, restrições à expressão religiosa na vida pública, embates políticos e ideológicos. Neste cenário caótico, a abordagem abrangente de Gülen sobre indivíduo, sociedade, nação e a humanidade em geral permitiu o fortalecimento do Hizmat.

Os ensinamentos do Movimento Gülen[3] baseiam-se em aspectos motivadores da , como meio para transformação do espírito humano; da educação, como modificadora da mentalidade social; da ativa participação da sociedade, diante de questões não solucionadas pelos Governos; da inclusão social, por meio de atuação nas instituições da visão integracionista da sociedade e do Governo. Os participantes do movimento não são diferentes da população comum da Turquia, em termos de etnia, cultura, religião, classe social, e atitudes em relação à violência. Outro fator que contribui para o desenvolvimento do Movimento Gülen é o respeito às leis, ao ensinar o poder da Democracia, pois cada cidadão é visto como um futuro participante potencial. No mundo[4] atual, o Hizmat atraiu um grande número de empresários, como a agência de notícias Cihan, a maior do país, que possui correspondentes em 82 países, incluindo o Brasil, onde tem um escritório estabelecido em 2011, em São Paulo.

No entanto, mesmo sendo considerado o muçulmano mais influente do mundo, Fetullah Gülen foi apontado[5] como um dos motivadores da recente reviravolta no cenário político da Turquia em julho deste ano (2015), com o resultado das eleições parlamentares que sinalizou uma derrota para o presidente turco Erdogan. Para alguns analistas e cientistas políticos, apesar de tentar consolidar a ideia de um islamismo brando, as intenções de Gülen não são explícitas e atraem suspeitas. Segundo o cientista político alemão de ascendência turca Ekrem Güzeldere, que trabalha[6] como analista no think tank ESI (European Stability Initiative), existe um sério problema em relação ao movimento, que é a falta de transparência, e afirma: “O Movimento Gülen não é transparente, portando-se quase como algo clandestino[6]. Para Gareth Jenkins, analista do Institute for Security and Development Policy, um centro sueco de pesquisas e analises geopolíticas,  “o Movimento Gülen baseia-se em crenças conservadoras que se propagam em três fases: 1) islamizar o indivíduo; 2) islamizar a sociedade; e 3) islamizar o Estado e introduzir a sharia[6].

Com análises favoráveis e desfavoráveis, o Movimento Gülen[7] continua sua expansão e, atualmente, possui instituições de ensino de inspiração gulenista espalhadas por mais de cem países, do Quênia ao Cazaquistão, passando por Estados Unidos e nações da Europa, além, é claro, da Turquia. Tais instituições são descritas como seculares e os professores devem se apresentar como modelos morais (não podem fumar, beber e nem serem divorciados), as mulheres têm pouca participação e não ocupam posições de chefia no Movimento Gülen. Ao que tudo indica, a Casa Branca e os demais países não o veem como um chefe islâmico radical, mas como alguém que deve ser acompanhado, dado o poder financeiro e influência que exerce no cenário internacional.

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Imagem (Fonte):

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/gulen-vs-erdogan-struggle-thre-2014311144829299446.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.huffingtonpost.com/david-l-phillips/turkeys-fight-against-ter_b_6445664.html

[2] Ver:

http://pt-hizmetmovement.blogspot.com.br/p/gulen-movement.html

[3] Ver:

http://thediplomat.com/2015/08/tajikistan-turkey-and-the-gulen-movement/

[4] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/03/1425613-polemico-movimento-turco-tem-braco-no-brasil.shtml

[5] Ver:

http://oglobo.globo.com/mundo/acusado-por-erdogan-de-tramar-golpe-movimento-hizmet-diz-temer-por-liberdade-na-turquia-11337481

[6] Ver:

http://veja.abril.com.br/noticia/mundo/quem-e-fetullah-gulen-o-muculmano-mais-influente-do-mundo/

[7] Ver:

http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2014/03/gulen-vs-erdogan-struggle-thre-2014311144829299446.html

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AMÉRICA LATINACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

BID promove evento sobre inovação na América Latina e Caribe

O Banco  Interamericano de Desenvolvimento (BID) promoveu, no dia 7 de outubro[1], em Buenos Aires (Argentina), um evento para celebrar o meio século de vida do Instituto para a Integração da América Latina e do Caribe (INTAL) do BID.

A chamada INTAL50 reuniu acadêmicos de universidades internacionais, empresários, empreendedores e funcionários públicos para debater sobre os temas críticos para a integração e as estratégias comerciais dos países da região, como o futuro da educação e do emprego, o potencial da biotecnologia e da nanotecnologia, o estímulo à inovação, os riscos das mudanças climáticas e os desafios que as mudanças tecnológicas “disruptivas” representam para os formuladores de políticas públicas da região. A ideia central foi debater como as tecnologias podem impactar a vida cotidiana dos habitantes latino-americanos e caribenhos.

Gustavo Beliz, Diretor do INTAL, destacou as novas iniciativas do Instituto, como o INTAL-LAB, um espaço para a co-criação de ideias inovadoras em integração e comércio, e o Nodo i+i, uma iniciativa lançada em colaboração com a Universidade de Columbia, que examina como a integração regional pode ajudar a reduzir a desigualdade nas Américas. Líderes, formadores de opinião e representantes dos governos da região já haviam se reunido em Nova York, nos dias 25 e 26 de setembro, para trocar e compartilhar ideias sobre o tema e analisar projetos de políticas públicas que tenham alto impacto social.

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Imagem (Fonte):

https://pbs.twimg.com/media/CNwpx7vWUAA-Oay.jpg:large

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Fonte Consultada:

[1] Ver:

http://www19.iadb.org/intal/50/#3rd

ÁfricaCOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

HANCI: nivelando o comprometimento dos Governos com a fome e a nutrição

No fim de setembro, o Institute of Development Studies da Universidade de Sussex lançou a terceira edição do estudo Hunger and Nutrition Commitment Index (HANCI 2014), um projeto que busca: 1) ranquear o comprometimento político de governos no combate à fome e à desnutrição; 2) mensurar o que os governos tem alcançado ou onde tem falhado nesses temas, de forma a contribuir com a transparência e prestação de contas; 3) elogiar e chamar a atenção dos governos, de acordo com suas condutas no tema; 4) apoiar a sociedade civil para estimular e acelerar o alcance das metas; e 5) avaliar se o maior comprometimento leva à redução da fome e da desnutrição[1].

Lançado pela primeira vez em abril de 2013[2], o HANCI serve para difundir os esforços nacionais para a erradicação da fome, como também, para colaborar no acompanhamento, monitoramento e avaliação de políticas públicas voltadas para a redução da fome e da desnutrição a nível global[3]. O índice ganha respaldo através do primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM) (Reduzir pela metade, até 2015, a proporção da população com renda inferior a um dólar por dia e a proporção da população que sofre de fome)[4] e, mais recentemente, na adoção do primeiro Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) (Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares até 2030) e ODS 2 (Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável)[5].

Para fornecer os dados, o índice compara as políticas adotadas por 45 países em desenvolvimento com status severo ou alarmante relacionados à fome e à desnutrição. Dessa forma, o índice ranqueia o comprometimento político baseado em 22 indicadores, sendo 10 ligados à redução da fome e 12 ligados às políticas para redução da desnutrição. Ambos os indicadores são agrupados em três temas: gastos, políticas e leis[6].

Os gastos são referentes às despesas públicas, como a porcentagem do orçamento governamental destinado à agricultura. As políticas são representadas pelos programas, arranjos e articulações governamentais na abordagem dos temas da fome e desnutrição. Ou seja, de que forma os temas estão inseridos no planejamento ou nas estratégias de desenvolvimento nacional. Por fim, as leis condizem com o enquadramento legal, isto é, a forma pela qual o Governo garante através da Constituição ou outros arranjos normativos o direito à alimentação adequada ou assuntos correlatos.

O HANCI 2014 trouxe dados relacionados aos primeiros e aos últimos do ranking, às melhores variações em relação à última edição, aos padrões encontrados e às divergências entre as políticas. O Peru alcançou a primeira colocação, ultrapassando a Guatemala – primeira colocada nos dois primeiros relatórios. Malaui, Madagascar e Brasil completam o top 5. Infelizmente, Guiné Bissau, Sudão e Angola permanecem entre os últimos colocados do ranking, assim como no HANCI 2013. Contudo, alguns países mostraram melhorias consideráveis, com variações de cinco ou mais posições no ranking. Essa lista de países é composta pela África do Sul, Costa do Marfim, Camarões, República Democrática do Congo, Mali, Quênia e Filipinas.

Coincidentemente, os únicos três países da América Latina presentes no HANCI estão entre os cinco melhores. O estudo também constatou que os países onde a taxa de crianças com menos de 5 anos desnutridas ultrapassam os 40% apresentam baixíssimos níveis de comprometimento político, a saber, Camboja, Paquistão e Nigéria.

Um dado importante do estudo ressalta que o relativo comprometimento na redução da fome não significa que o país também tem se mobilizado no campo da nutrição. Por exemplo, Gambia é o primeiro colocado no sub-indicador sobre nutrição, mas está apenas na 36ª posição no ranking quando se analisa o combate à fome. Do outro lado, a China está na segunda colocação no combate à fome, enquanto figura apenas na 41ª posição nas políticas relacionadas à melhoria da nutrição.

Seguindo a lógica de monitoramento e avaliação, o índice serve de apoio para pesquisadores, tomadores de decisões, organismos internacionais, organizações não governamentais e sociedade civil, para acompanhar o comprometimento dos países no que tange aos temas (fome e desnutrição), às ações tomadas em diferentes âmbitos (leis, gastos e programas/políticas), ao longo do tempo e de forma comparada com os demais.

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Imagem (Fonte):

http://www.hancindex.org/wp-content/uploads/2014/05/hanci-themes-schematic.gif

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

LINTELO, D.J.H.; LAKSHMAN, R.W.D. “The Hunger and Nutrition Commitment Index (HANCI 2014)”. Evidence Report, No 150. IDS: Sussex, Sept, 2015.

Disponível em:

http://opendocs.ids.ac.uk/opendocs/bitstream/handle/123456789/7072/ER150_TheHungerandNutritionCommitmentIndexHANCI2014.pdf;jsessionid=289268873C47D8ADF6AB203B02860B8E?sequence=1

[2] VerHunger and Nutrition: What do we know?”:

https://www.youtube.com/watch?v=PKv6G0Zw4UI

[3] VerHANCI Index”:

http://www.hancindex.org/

[4] VerObjetivos de Desenvolvimento do Milênio”:

http://www.objetivosdomilenio.org.br/fome/

[5] VerObjetivos de Desenvolvimento Sustentável”:

http://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/

[6] VerHANCI Index (Understanding the indicators)”:

http://www.hancindex.org/explore-the-data/understanding-the-indicators/