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Mais sobre o projeto colombiano que ganhou prêmio mundial de sustentabilidade ambiental

A Cidade de Medellín, capital do Departamento de Antioquia, na Colômbia, foi a vencedora do Prêmio Ashden 2019 na categoria “Cooling for People” (resfriamento para pessoas, em tradução livre). A premiação ocorreu em 3 de julho de 2019 e o projeto colombiano Corredores Verdes foi um dos 20 finalistas e competiu na sua categoria com iniciativas da Etiópia e Singapura.

Una Medellín verde para vos” é a estratégia que contempla o Projeto 30 Corredores Verdes, o qual consiste no plantio de árvores, arbustos, palmeiras e gramados em 18 vias, 12 margens de cursos de águas, parques e morros. Um total de 8.300 árvores e 350 mil arbustos foram plantados, o que gerou redução do calor em até 3 graus, a exemplo da Avenida Oriental, uma das principais artérias do município. 

A Agência de Cooperação e Investimento de Medellín e Área Metropolitana (ACI Medellín), que inscreveu o projeto na premiação, aponta dentre outros benefícios: a redução do calor; a melhoria das condições de conservação da biodiversidade; o aumento dos tipos de flora e a melhoria da qualidade do ar. Além disso, o Jardim Botânico da Cidade capacita pessoas com deficiência para se tornarem jardineiros e técnicos em plantio de árvores.

Corredor verde da Avenida Oriental em Medellín

A Ashden é uma instituição beneficente do Reino Unido que apoia e estimula iniciativas pioneiras que promovam a transição para um mundo de energia limpa e accessível. Os agraciados com o Ashden Awards, além de receberem um prêmio em dinheiro, recebem suporte para compartilhar sua experiência, aumentar a visibilidade e o raio de ação e para influenciarem políticas públicas.

O Prefeito de Medellín, Federico Gutiérrez, expressou sua alegria em ver a sua cidade ser reconhecida como referencial de sustentabilidade perante o mundo. No vídeo de 2:06, publicado pela Ashden no YouTube, Gutiérrez apresenta o projeto. Por sua vez, o Secretário Municipal de Meio Ambiente, Sergio Orozco declarou que “o programa veio da necessidade de conectar as pessoas com a Natureza – recuperando espaços que antes eram ocupados por concreto”.

Em abril de 2019 uma matéria do portal de notícias Minuto 30.com afirmava que a cidade se enchia de corredores verdes, mas que as pessoas não cuidavam. Ao ser entrevistado, o secretário Orozco fez um apelo para que os cidadãos deixassem de retirar plantas dos corredores para levar para suas casas e ajudassem na preservação. Espera-se que a visibilidade agora alcançada com a premiação sensibilize os medelhinenses.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Cerimônia de entrega do Ashden Awards 2019” (Fonte): https://dsm1xyznqyfoc.cloudfront.net/resized/s3-eu-west-1_amazonaws_com/ashden/downloads/images/article/Ashden-Awards-ceremony-2019_aeb5180a397cd625e164475a8aa9c8e0.jpg

Imagem 2 Corredor verde da Avenida Oriental em Medellín” (Fonte): https://i2.wp.com/www.acimedellin.org/wp-content/uploads/2017/04/Corredor-verde-de-la-avenida-Oriental.jpeg?resize=750%2C562&ssl=1

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Medellín cria corredores verdes como alternativa ao calor

A segunda maior cidade da Colômbia, Medellín, tornou-se modelo na adoção de estratégias inspiradas na natureza para regular as altas temperaturas do verão.  Para lidar com o aquecimento, 18 ruas e 12 hidrovias foram transformados em paraísos verdes, sob a execução do projeto “Corredores Verdes”.

A iniciativa venceu este ano (2019) o Prêmio Ashden de Refrigeração Baseada na Natureza, apoiado pelo Programa Kigali de Eficiência de Refrigeração, em parceria com a iniciativa Sustainable Energy for All. Segundo o prefeito Federico Gutiérrez, “com essa intervenção, foi possível reduzir a temperatura em mais de 2°C e os cidadãos já percebem essa diferença”.

Em outubro de 2016, os Estados Partes do Protocolo de Montreal decidiram, na 28ª Reunião das Partes ocorrida em Kigali, Ruanda, pela aprovação de uma emenda que inclui os hidrofluorcarbonos (HFCs) na lista de substâncias controladas pelo Protocolo. A Emenda de Kigali, como ficou conhecida, define um cronograma de redução da produção e consumo dos HFCs até um patamar mínimo a ser atingido pelos Estados Partes.

Ao reduzir o uso de hidrofluorocarbonetos podemos evitar até 0,4°C do aquecimento global ao final do século. Até agora, 68 países do Protocolo de Montreal ratificaram a emenda e estamos esperançosos que muitos outros irão aderir e continuar o trabalho fantástico feito através do Protocolo de Montreal”, explica Tina Birmpili, a Secretária Executiva do Secretariado do Ozônio.

O Pnuma destaca que os parques urbanos podem reduzir a temperatura ambiente durante o dia em uma média de aproximadamente 1°C

As soluções baseadas na natureza estão entre as abordagens desenvolvidas pelo referido Programa Kigali, que reúne governos, empresas, sociedade civil e organizações internacionais, como o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a fim de permitir a troca de experiências e promover a transformação de métodos usuais para aqueles que sejam orientados ao desenvolvimento sustentável e à economia verde.

Portanto, um dos seus objetivos é impulsionar serviços de refrigeração à base de energia renovável. Nesse sentido, busca-se evitar o chamado “resfriamento ativo”, isto é, quando se utilizam técnicas e aparelhos pouco sustentáveis para amenizar o calor. Para isso, aposta-se na construção civil inteligente e no planejamento urbano. Abaixo, no rodapé, o vídeo descreve e apresenta a nova realidade local da cidade de Medellín com seus Corredores Verdes*.

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Nota:

* Vídeo do Projeto Corredores Verdes: https://youtu.be/Kv0m2MSIo2s

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Jardineiros cuidam de corredor botânico instalado nos arredores de um curso dágua em Medellín – #Para cego ver: a imagem mostra uma mulher e um homem, ambos jardineiros, em frente ao Corredor botânico instalado em Medellín Foto: Ashden”(Fonte): https://nacoesunidas.org/cidade-colombiana-cria-corredores-verdes-para-combater-calor/

Imagem 2O Pnuma destaca que os parques urbanos podem reduzir a temperatura ambiente durante o dia em uma média de aproximadamente 1°C#Para cego ver: a imagem mostra a copa de uma árvore acompanhada da legenda O Pnuma destaca que os parques urbanos podem reduzir a temperatura ambiente durante o dia em uma média de aproximadamente 1°C’ – Foto: FAO/Rudolf Hahn” (Fonte): https://news.un.org/pt/story/2019/07/1680671

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Organizações Internacionais lançam iniciativas para sustentabilidade

No último dia 16 de julho (2019), ao longo da programação do Fórum Político de Alto Nível (em Nova York), foram lançadas pelas organizações internacionais novas iniciativas em prol do desenvolvimento sustentável. A divulgação e promoção dessas ferramentas partem da Green Growth Knowledge Partnership – GGKP  (Parceria para Conhecimento em Crescimento Verde).

Liderada pelo Global Green Growth Institute, Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), ONU Meio Ambiente, UNIDO e Banco Mundial, possui na sua proposta de criação a formulação de estudos e o desenvolvimento de estratégias que permitam o florescimento de economias verdes com melhor aproveitamento das potencialidades locais e, sobretudo, com a diminuição da exploração incorreta de recursos naturais escassos.

Além disso, o financiamento das ações do GGKP é oriundo dos governos da Suíça, da Alemanha e da iniciativa Partnership for Action on Green Economy. Na oportunidade, foram apresentadas a Green Industry Platform (Plataforma da Indústria Verde) e a Green Finance Platform (Plataforma de Financiamento Verde). O foco dos dois projetos é reunir dados e orientações para impulsionar a responsabilidade ecológica no setor privado.

Infográfico sobre Crescimento verde

As duas plataformas vão usar recursos da já existente Green Growth Knowledge Platform — GGKP (Plataforma de Conhecimento do Crescimento Verde), que, lançada em 2012, reúne um compilado de informações de especialistas de temas que vão desde o retorno do investimento em energias renováveis até os títulos verdes, infraestrutura sustentável, normas e regulamentos.

As análises são divididas por setor da economia, país, região, ou eixos como gênero, emprego, mudanças climáticas, economia circular e capital natural. O acesso a GGKP pode ser realizado por este link.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Plataformas de conhecimento foram criadas por organismos internacionais, incluindo agências da ONU, para impulsionar práticas sustentáveis na indústria e nas finanças. Foto: Pixabay (CC)” (Fonte): https://nacoesunidas.org/organismos-internacionais-lancam-plataformas-de-conhecimento-sobre-industria-e-financas-sustentaveis/

Imagem 2Infográfico sobre Crescimento verde. Foto: GGP” (Fonte): https://www.greengrowthknowledge.org/page/explore-green-growth

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Peru e Bolívia pretendem banir plástico de uso único

O Governo do Peru pretende estabelecer um imposto sobre as sacolas plásticas de uso único, vigente a partir de agosto de 2019, bem como a cobrança pelo fornecimento do item aos clientes por parte das lojas. Na Bolívia tramita uma lei regional, válida para o Departamento de La Paz, que visa eliminar o uso de plásticos descartáveis, incluindo as garrafas PET.

O Ministerio del Ambiente (Minam) peruano publicou o projeto de regulamentação da Lei Nº 30.884 para apreciação e sugestões da sociedade até meados de junho de 2019. A ministra Lucía Ruíz acredita que o diálogo entre as partes envolvidas – consumidores, fabricantes, comerciantes, governo e entidades ambientais – será de suma importância para o banimento do plástico de uso único.

Em La Paz, segundo o periódico El Deber, a medida encontra alguma resistência dos setores produtivos, que criticam os termos da lei e temem pelos impactos na economia. Ainda conforme o El Deber, Gustavo Torrico, membro da Assembleia Legislativa de La Paz e  autor do projeto, discorda e afirma que a norma é possível de ser cumprida.

Dados do United Nations Environment Program (Unep) informam que de 1 a 5 bilhões de sacolas plásticas descartáveis são utilizadas anualmente, enquanto a ONG Ocean Crusaders estima em 500 bilhões de unidades anuais. A vida útil* média de cada uma é de apenas 12 minutos e, não obstante a divergência nos números, é crescente a preocupação mundial com a poluição. Boa parte desse material plástico, de demorada decomposição, termina nos oceanos, matando animais marinhos.

Plásticos proibidos

Por essa razão, governos federais, estaduais e municipais, bem como empresas têm adotado medidas para minimizar ou erradicar sua produção e uso. Bangladesh é conhecido como o primeiro Estado a banir as sacolas plásticas em 2002. E o Quênia é tido como o país que adotou medidas mais severas para coibir o uso. Na América do Sul, o Chile é considerado o pioneiro na adoção de medidas restritivas.

A publicação Prohibición de Plásticos de Uno Solo Uso do Unep traz na sua página final um conjunto de diretrizes para formuladores de políticas públicas, com 10 passos a serem seguidos. Espera-se que as recomendações do Programa da ONU, assim como os exemplos de Chile, Peru e La Paz incentivem os demais países sul-americanos a adotarem medidas similares que contribuirão para o desenvolvimento sustentável do planeta.

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Nota:

A “vida útil” de um produto corresponde ao tempo em que ele é utilizado pelo usuário com a finalidade para a qual foi fabricado, não se computando o tempo de decomposição da sucata, resíduo ou produto abandonado.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Lixo de sacolas plásticas descartáveis” (Fonte): https://www.unenvironment.org/sites/default/files/styles/topics_content_promo/public/2019-06/Cover_Plastic%20waste_Qube.jpg?itok=zexEPdGY

Imagem 2 Plásticos proibidos” (Fonte): https://cdn.www.gob.pe/uploads/document/file/311797/standard_ley_plasticos.png

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A dependência energética da Ucrânia

A Ucrânia está entre os maiores consumidores de energia do continente europeu e com um nível mediano de consumo per capita em termos mundiais. Poucos países são tão dependentes de combustível estrangeiro quanto a Ucrânia. Esta realidade forçou o país, desde o Euromaidan*, em 2014, a diversificar o rol de fornecedores, ao ponto de se tornar independente da importação de gás russo. Por outro lado, as importações de diesel da Rússia aumentaram no país, respondendo por ¼ do consumo ucraniano, em que pese o embargo aos seus produtos entre outubro de 2015 e março de 2016. Hoje, metade de seu mercado é abastecido pela Bielorrússia. No total, 85% dos produtos petrolíferos é importado, o que revela a elevada dependência externa dessas commodities.

O setor petrolífero ucraniano sofre a defasagem atual após anos de falta de investimentos, o que sucateou a sua capacidade de refino. A questão vai além do mero cálculo econômico. Na última década surgiu um mercado concorrencial na distribuição de combustíveis, mas que depende, basicamente, de uma empresa, a Proton Energy Group S/A, sediada em Genebra, na Suíça, que leva ao país o diesel russo produzido pela Rosneft

Além dos hidrocarbonetos, a Ucrânia é altamente dependente da energia nuclear (15 reatores geram cerca de metade da eletricidade). A maior parte de seus serviços nucleares e combustível derivado provém da Rússia (apesar da redução desta dependência através de compras da Westinghouse). Em 2004, encomendou dois novos reatores e o governo planeja manter a participação nuclear na produção até 2030, daí seu interesse em investimentos e tecnologia ocidentais.

Em 2013, o consumo energético, segundo a matriz destacada, foi distribuído da seguinte forma:

·               Combustível fóssil sólido (carvão), 36%;

·               Gás natural, 34%;

·               Nuclear, 19%;

·               Derivados de petróleo, 9%;

·               Renováveis (hidroelétrica, solar, eólica, biomassa), 2%.

As reservas de carvão ucranianas estão entre as sete maiores do mundo e a maior parte dessas jazidas é localizada na bacia de Donbass, atualmente em conflito. Em 2010, a Ucrânia foi o 13º maior minerador de carvão do mundo e, em 2011, o volume de carvão-vapor (destinado à geração de eletricidade) alcançou 62% da produção total.

O mercado de distribuição e venda de eletricidade no país é altamente concentrado, as empresas nesta área são monopólios naturais** e,em alguns casos, parcialmente controlados pelo Estado, que, na maioria deles, é um sócio minoritário. Grandes empreendedores são proprietários dessas empresas, por vezes não diretamente, mas através de empresas a que são filiados. Muitas dessas corporações são registradas no exterior, como estratégia de evasão fiscal***.

Plataforma de perfuração da Chornomornaftogaz

Outra importante variável a ser considerada quando se fala em produção energética na Ucrânia é a geopolítica. A Rússia tenta impedir a exploração de hidrocarbonetos na plataforma continental**** ucraniana no Mar Negro. As plataformas de perfuração da empresa estatal Chornomornaftogaz, uma subsidiária da Naftogaz, foram capturadas pelas Forças Especiais Russas em março de 2014 durante uma operação na Crimeia. A infraestrutura marítima civil instalada contempla sistemas de vigilância para ambientes superficiais e subaquáticos nas plataformas offshore fixas. Seu uso híbrido, civil e militar, prevê a estratégia de contenção para possíveis ações futuras da OTAN. Seguindo esta configuração, os gasodutos de Nord Stream, Nord Stream II e TurkStream nos mares Báltico e Negro também contarão com o aumento da presença da Marinha Russa, justificada pelo argumento da necessidade adicional de proteção.

A Ucrânia é o maior país integralmente localizado no continente europeu, riquíssimo em recursos minerais, solos férteis e com grandes possibilidades de aumentar seu parque energético. No entanto, a sustentabilidade de suas obras e infraestrutura não depende apenas do aporte econômico ou vontade política, mas, também, de um plano geopolítico de longo prazo para evitar a perda de recursos para potências que estão contrapostas ao país. Neste sentido, o consenso em temas cruciais é o primeiro passo para seu Parlamento, que já começa a ser renovado, tão logo ocorram as eleições marcadas para o dia 21 de julho.

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Notas:

* Euromaidan significa, literalmente, “Europraça”, referindo-se a uma série de manifestações de cunho nacionalista, anti-russa e pró-União Europeia, que durou quatro meses, entre novembro de 2013 e março de 2014.

** Monopólio natural corresponde ao monopólio de uma indústria onde os custos fixos, de infraestrutura, são tão altos que praticamente barram a entrada de um competidor no mercado, tornando único seu fornecedor original.

*** Evasão fiscal é quando o contribuinte deixa de recolher impostos ou o órgão arrecadador, por algum motivo, não consegue arrecadá-los. No caso específico, uma empresa instala sua sede em um país que lhe fornece vantagens fiscais, isto é, menos impostos.

**** Plataforma continental corresponde à formação geológica submarina que se estende do litoral do continente até o talude continental, quando começa o declive mais acentuado. Ela apresenta profundidade média de 200 metros e sua importância estratégica e econômica está na maior predisposição à formação de jazidas petrolíferas e de gás natural.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Usina Nuclear de Rivne,Varash” (Fonte): https://uk.wikipedia.org/wiki/%D0%90%D1%82%D0%BE%D0%BC%D0%BD%D0%B0_%D0%B5%D0%BB%D0%B5%D0%BA%D1%82%D1%80%D0%BE%D1%81%D1%82%D0%B0%D0%BD%D1%86%D1%96%D1%8F

Imagem 2 Plataforma de perfuração da Chornomornaftogaz” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:%D0%9F%D0%BB%D0%B0%D1%82%D1%84%D0%BE%D1%80%D0%BC%D0%B0_-2%D0%A1%D0%9F%D0%91%D0%A3_-_panoramio.jpg

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HBO, Chernobyl e Rússia: a questão histórica sobre o desastre nuclear

Em 26 de abril de 1986, o pior acidente da história da geração de energia nuclear ocorreu na usina de Chernobyl, alocada no assentamento de Pripyat, cidade localizada a pouco mais de 100 quilômetros ao norte de Kiev, capital da, na época, República Socialista Soviética da Ucrânia. 

Imagem aérea do reator nuclear acidentado

De acordo com investigações técnicas posteriores ao acidente, foram levantadas as causas desse desastre, quando foi apurado que o reator RBMK* número quatro saiu de controle durante um teste de baixa potência. Segundo informações da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA – International Atomic Energy Agency), as medidas de segurança foram ignoradas, o que levou ao superaquecimento do reator e ao vazamento do combustível de urânio através das barreiras protetoras, ocasionando, assim, uma grande explosão.

Cerca de 150.000 quilômetros quadrados na Bielorrússia, Rússia e Ucrânia foram contaminados com partículas de elementos radioativos que foram espalhados pelas correntes de ar, dos quais, a maioria deles teve seus efeitos reduzidos por sua curta “vida útil”, mas, os mais perigosos, tais como Estrôncio-90 e Césio-137 (metais alcalino-terrosos representados na Tabela Periódica pelos símbolos Sr e Cs, respectivamente) terão seus efeitos prolongados por décadas, talvez séculos, conforme apontam especialistas. Desde o acidente, uma área que abrange o raio de 30 quilômetros ao redor da planta, hoje desativada, é considerada “zona de exclusão” e é essencialmente desabitada por motivos óbvios de segurança.

Logotipo da HBO

Após 33 anos da tragédia, o canal de televisão HBO** revive os momentos trágicos do acidente numa série televisiva nomeada “Chernobyl[Vídeo 1], retratada em cinco episódios, onde apresenta de uma maneira teatral, mas baseada em detalhes factuais[Vídeo 2], o decorrer dos acontecimentos desde a hora fatídica da explosão, passando por todo o processo de atendimento dos bombeiros que colocaram suas vidas em risco para conter o incêndio radioativo e as manobras de evacuação geral das áreas em torno da planta. Outro ponto que marca a produção televisiva é a exposição da trama política por trás do evento, expondo o comportamento do Governo soviético para tentar minimizar a situação.

Sarcófago da Usina Nuclear de Chernobil

Entre críticas e elogios, a dramatização deixa claro a enorme movimentação humana que se realizou para conter a propagação dos efeitos da radiação. Os trabalhadores de emergência, na época denominados de “liquidatários”, foram recrutados para a área e ajudaram a limpar as instalações da fábrica e a região circundante. Estes indivíduos eram principalmente trabalhadores da planta, bombeiros ucranianos, soldados e mineiros da Rússia, Bielorrússia, Ucrânia e outras partes da antiga União Soviética.

O número exato de liquidatários é desconhecido porque não há registros completamente precisos das pessoas envolvidas na limpeza. Segundo informações de órgãos internacionais, entre 400 mil e 600 mil liquidatários foram recrutados para trabalharem em descontaminação e grandes projetos de construção, incluindo o estabelecimento de assentamentos e cidades para trabalhadores de plantas e evacuados. Eles também construíram repositórios de resíduos, barragens, sistemas de filtração de água e o “sarcófago”, que sepulta todo o quarto reator para conter o material radioativo remanescente.

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Notas:

* RBMK é um acrônimo em russo, que significa Reaktor Bolshoy Moshchnosty Kanalnyy (Reator Canalizado de Alta Potência) sendo um reator nuclear de canais pressurizados, refrigerado à água ordinária, com canaletas individuais de combustível passando por dentro de blocos de grafite que, além de moderador, atua como elemento estrutural do núcleo. Tais projetos de reator nuclear, juntamente com os reatores VVER são um dos dois projetos principais a emergir na extinta União Soviética, e ainda são fundamentais para geração de nucloeletricidade na Rússia moderna, que é o único país a operar estes reatores, com um total de 11 ainda em ampla operação.

** HBO é a sigla para Home Box Office. Trata-se de um canal de televisão pay-per-view (por assinatura) norte-americano.

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Vídeos:

Vídeo 1 – Trailler da série televisiva “Chernobyl” do canal HBO. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=s9APLXM9Ei8

Vídeo 2 – Comparação da dramatização televisiva com vídeos reais documentados à época do acidente. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?time_continue=1&v=P9GQtvUKtHA

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Cena o filme Chernobyl do canal HBO” (Fonte): https://i.ytimg.com/vi/s9APLXM9Ei8/maxresdefault.jpg

Imagem 2 Imagem aérea do reator nuclear acidentado” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Acidente_nuclear_de_Chernobil#/media/Ficheiro:Chernobyl_Disaster.jpg

Imagem 3 Logotipo da HBO” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/File:HBO_logo_1975.png

Imagem 4 Sarcófago da Usina Nuclear de Chernobil” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Sarcófago_da_Usina_Nuclear_de_Chernobil#/media/Ficheiro:New_Safe_Confinement_Structure.jpg