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A Tragédia de Brumadinho: desconsideração sobre as experiências internacionais e impunidade

Após três anos da tragédia ocorrida com a barragem da Samarco em Mariana, considerada a maior do país, o Brasil voltou a viver outra calamidade de grandes proporções, novamente no estado de Minas Gerais, agora na cidade de Brumadinho. Assim como em 2015, no caso ocorrido em Mariana, o bloqueio de valores, indenizações, multas ambientais, entre outras punições cabíveis, serão atribuídas a quem é considerado o principal responsável, a empresa Vale, e aos demais envolvidos que deverão ser acionados judicialmente.

A busca por todos os responsáveis pela tragédia é o grande tema na imprensa nacional e internacional, e isso não se deve apenas ao desastre ocorrido, mas também aos demais aspectos que podem estar enredados e acredita-se que foram tratados nos bastidores.

Os acidentes com barragens e outras obras do gênero não é novidade no Brasil e no Mundo, porém, em solo brasileiro, as regras, leis e padrões demoraram para ser implantados e existem barragens com sistema de construção antiga e manutenção precária. Os fatos históricos e experiências vividas por outros países poucas vezes são analisados adequadamente e implantados no país, por isso acidentes do gênero chamam a atenção da imprensa mundial, principalmente quando são catástrofes ocorridas graças a estruturas ultrapassadas.

Na década de 1970, após sofrer com casos parecidos, os Estados Unidos e países europeus começaram a atuar mais com a prevenção de acidentes. A experiência internacional mostra que o monitoramento, correção e a manutenção preventiva de estruturas danificadas são mais eficazes e eficientes, tendo poucos casos similares aos brasileiros registrados, ressaltando-se que os acidentes no Brasil estão entre os maiores já ocorridos mundialmente e o caso de Mariana está no topo.

Região de Brumadinho – Foto 3” (Fonte – Ricardo Stuckert/Fotos Públicas)

Segundo dados da Wise Uranium Project utilizados para ilustração de reportagem do Jornal O Globo, os grandes casos mais recentes registrados foram na Mina de Mount Polley, no Canadá, em 2014, e na Mina de Omai, na Guiana, em 1995.

Além de grandes acidentes e desastres, no Brasil sempre há registro da ocorrência de casos pequenos. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), a média é de três acidentes por ano em todo o território brasileiro. A Agência iniciou a elaboração de relatórios sobre tais eventualidades em 2011, quando tinha registrado 24 casos e assumiu que poderia haver outros, porém não ocorreram mais registros deste tipo de incidente para o Governo Federal. Do ano de 2011 até o ano de 2017, a média de acidentes com barragem sempre foi de 4 por ano, e de incidentes – ocorrências menores que podem levar a um acidente – subiram de 4 para 11 por ano.

Antes da ANA, era mais complicado elaborar planejamento sobre fiscalização destas estruturas com base em dados oficiais. Em 2008 ainda se estudava a criação de uma política nacional para segurança de barragens, quando, o até então aluno da Escola de Engenharia da UFMG, Anderson Pires Duarte defendeu Dissertação para concluir a sua pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos, nomeada: CLASSIFICAÇÃO DAS BARRAGENS DE CONTENÇÃO DE REJEITOS DE MINERAÇÃO E DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS NO ESTADO DE MINAS GERAIS EM RELAÇÃO AO POTENCIAL DE RISCO.

A Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), através da Deliberação Normativa (DN) 62 (COPAM, 2002), alterada pela DN 87 (COPAM, 2005) e pela DN 113  (COPAM,  2007), realizava o cadastro e classificava as barragens conforme seu potencial de dano ambiental em 2008. Desde então, trabalhos similares continuaram sendo realizados, mas, devido aos dois grandes acidentes de grandes proporções em Mariana e Brumadinho, os especialistas apontam que, de fato, pouco foi feito e pouco se aprendeu com as experiências internacionais.

Os fatores que levaram as empresas mineradoras a aproveitarem ou aprenderem de forma mínima com empresas estrangeiras podem conduzir a uma profunda discussão se houve a exploração das falhas do poder público em nível municipal, estadual e federal, por parte dessas corporações. No entanto, em meio a tantas possibilidades, especulações e possíveis irregularidades, identifica-se que o choque entre os interesses de defensores setoriais, especialmente quando eles se sobrepõem, prejudicou e prejudica diretamente outras áreas da economia.

Os noticiários brasileiros discorrem sobre a fiscalização e legalização deste tipo de operação no país. No caso de Minas Gerais, o foco foi para os representantes da sociedade que estão presentes nas câmaras municipais, estadual e federal (vereadores e deputados estaduais e federais), os quais têm grande participação na denominada “Bancada Mineradora”, sendo atores que, conforme é divulgado na mídia, tentam auxiliar e em alguns casos facilitar as atividades das grandes empresas do ramo no país.

Brumadinho MG 28 01 2019-Tragedia na cidade de Brumadinho em Minas Gerais bombeiros trabalham na localização de vitimas.Foto Ricardo Stuckert

Não é recente a grande disputa entre bancadas que defendem certos setores da economia contra os que defendem o meio ambiente e um sistema de produção mais sustentável e menos agressivo, bem como a fauna e biodiversidade da natureza no país. Analisando os casos em Mariana e Brumadinho, especialistas apontam que a bancada mineradora obteve vitórias junto ao governo mineiro, conquistando facilidades de operação e ampliação de suas instalações e, com isso, conseguiu destruir quase que por completo outras atividades econômicas ligadas ao turismo, agricultura, piscicultura, hortifrútis e agropecuários.

No evento mais recente da Barragem do Café, o governo mineiro está calculando os prejuízos causados pelo acidente da mineradora Vale, e informa que a região metropolitana de Belo Horizonte já sofre com o abastecimento de alimentos. E já se considera que a poluição de lençóis freáticos e rios na região vai aumentar ainda mais o prejuízo dos produtores mineiros no entorno da zona afetada pelo rompimento da barragem.

O conflito de interesses não apenas afetou a economia, mas também o cotidiano e na vida do povo do estado de Minas Gerais. Com a poluição do rio Paraopeba, os indígenas da aldeia Naô Xohã terão que mudar a sua economia de subsistência, pois não tem outro recurso hídrico para suas plantações e, assim como demais moradores da região e não indígenas, estarão impedidos de prover da pescaria.

A falta de fiscalização de barragens e de outras inúmeras estruturas extratora de matérias-primas e produtivas pelo país concede lucro aos empreendedores e grandes corporações, mas, no caso de falhas, o prejuízo também é maximizado. A Vale, por exemplo, além das indenizações que terá de pagar, está sofrendo com as oscilações de suas ações na bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA), tanto que elas estão sendo vendidas a valores bem inferiores aos de dias antes da catástrofe em Brumadinho.

Tendo o histórico do acidente em Mariana, observadores concluem que a falha do Estado em punir e fiscalizar as empresas Samarco e Vale, além de terem sido identificado que inúmeras multas não foram pagas até o momento, gerou a sensação de impunidade para so diretores dessas corporações, logo, posturas displicentes, tanto que, três anos depois da maior tragédia ambiental no país algo de igual teor ocorreu. No entanto, acredita-se que a sociedade cobrará do novo governo, liderado pelo presidente Jair Bolsonaro, a que, de fato, não deixe impunes os responsáveis pelo acidente recente que, no momento, já gerou mais de uma centena de vítimas. Por isso, o cenário que se avizinha é de que as indenizações, multas entre outras punições que ainda serão avaliadas e aplicadas contra a empresa, certamente desestimularão os investidores residentes e estrangeiros, principalmente devido à queda na confiança em relação à empresa.

Por essa razão, aponta-se também que o ano de 2019 poderá ser aquele em que os atores que representam os setores econômicos do Brasil devam repensar suas estratégias, posturas e formas de agir, alterando a linha de pensamento dos produtores e da indústria, algo que lhes levará a focar as grandes corporações internacionais estruturando seus planejamentos estratégicos de médio e longo prazo, com o intuito de preservar os recursos que lhes gerarão riquezas nos próximos anos, ou seja, tento em mente o conceito de sustentabilidade, o que poderá ser uma mudança forçada, mas concreta de comportamento.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Região de Brumadinho – Foto 1” (Fonte Ricardo Stuckert/Fotos Públicas): https://fotospublicas.com/tragedia-na-cidade-de-brumadinho-em-minas-gerais-bombeiros-trabalham-na-localizacao-de-vitimas-2/

Imagem 2 Infográfico Publicado no Jornal O Globo” (Fonte Ricardo Stuckert/Fotos Publicas): https://oglobo.globo.com/brasil/infografico-os-maiores-acidentes-com-barragens-no-mundo-23404340

Imagem 3 Região de Brumadinho – Foto 3” (Fonte Ricardo Stuckert/Fotos Públicas): https://fotospublicas.com/tragedia-na-cidade-de-brumadinho-em-minas-gerais-bombeiros-trabalham-na-localizacao-de-vitimas-2/

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Congressistas dos EUA apresentam projeto de lei sobre Segurança de Saúde Global

O congressista republicano Steve Chabot (Ohio) e o democrata Gerry Connolly (Virgínia), apresentaram no dia 13 de dezembro um Projeto de Lei sobre Segurança da Saúde Global. De acordo com o comunicado de imprensa divulgado, a Lei de Segurança da Saúde Global procura abordar duas questões principais:

  • 1. Atualmente as equipes e atividades de segurança de saúde global dos EUA dependem em grande parte de uma ordem executiva e não especificamente apoiada em lei, 
  • 2. Os EUA precisam de um funcionário designado permanente, responsável pela coordenação da resposta interinstitucional. 

Este Projeto de Lei reforça o compromisso dos EUA com a Agenda Global de Segurança Sanitária, que é uma iniciativa multilateral para fortalecer a capacidade dos países em gerenciar ameaças de doenças infecciosas e elevar a segurança da saúde como uma prioridade mundial. 

Países membros da Agenda Global de Segurança Sanitária

Em seu preâmbulo, o Projeto de Lei apresenta que aproximadamente 67% dos países não implementaram totalmente o Regulamento Sanitário Internacional e não construíram capacidades básicas apropriadas para detectar, avaliar, relatar e responder a emergências de saúde pública.

O deputado Gerry Connolly afirmou quesalvar vidas da próxima pandemia global começa com o investimento na preparação. (…). Como vimos inúmeras vezes, as doenças não respeitam as fronteiras e as crises globais de saúde têm imensas consequências de segurança, econômicas e humanitárias”. 

Por sua vez, o deputado Steve Chabot ressaltou queimplantando as ferramentas para prevenir doenças como a Zika e o Ebola, que chegam aos Estados Unidos, é um componente vital para proteger nossa nação”.

Mapa Ebola pelo Mundo

Tom Inglesby, diretor do Centro Johns Hopkins para a Segurança da Saúde, expressou apoio à proposta: “A Lei de Segurança da Saúde Global fortalece a maneira como os Estados Unidos trabalham para proteger, detectar e responder a grandes epidemias internacionais”, disse Inglesby. “Ajudaria a codificar a Agenda Global de Segurança Sanitária e trazer coordenação aos programas relevantes entre as agências”, complementou. 

O Projeto atende as necessidades da Estratégia Nacional de Biodefesa (ENB) apresentada em setembro de 2018 pelo Presidente Trump. A ENB inclui objetivos comofortalecer as capacidades de segurança sanitária global para prevenir que os bioincidentes locais se tornem epidemias” e “fortalecer a preparação internacional para apoiar as capacidades internacionais de resposta e recuperação”.

Acesse o projeto de lei completo neste link.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Saúde Global” (Fonte): https://sole.hsc.wvu.edu/Apps/News/story/global-health-week-at-wvu-health-sciences-to-be-held-sept-25-29/thumb/1200/medium

Imagem 2 Países membros da Agenda Global de Segurança Sanitária” (Fonte): https://www.ghsagenda.org/home

Imagem 3 Mapa Ebola pelo Mundo” (Fonte): http://www.govtech.com/em/health/Study-by-RI-doctors-says-Ebola-response-cost-US-hospitals-some-360-million.html 

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Mais de 2,1 milhões de pessoas vivem com HIV na AL

O HIV trata-se de uma sigla para o Vírus da Imunodeficiência Humana. Este vírus pode desencadear a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). Portanto, deve-se destacar que uma pessoa com HIV não necessariamente possui AIDS, já que a referida síndrome ocorre quando não se realiza o tratamento por antirretrovirais adequadamente.

Nesse sentido, quando não há o controle, o HIV afeta e destrói células específicas do sistema imunológico (Células CD4 ou Células T), tornando o organismo incapaz de lutar contra infecções e doenças. A única forma de se detectar o HIV, de maneira confiável, é por meio do teste.

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) lançou em dezembro deste ano (2018) a plataforma online“Deu positivo, e Agora?” (deupositivoeagora.org). A iniciativa conta com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Comunicação (UNESCO) e tem como principal objetivo mostrar que o tratamento, quando iniciado precocemente e seguido corretamente, permite melhor qualidade de vida à pessoa infectada.

Não há cura para o HIV, no entanto, estudos científicos já comprovaram que a adesão ao tratamento antirretroviral pode levar a um nível chamado indetectável”. Logo, deixa de ser transmitido a outras pessoas.

Campanha Governo do Estado do Rio Grande do Sul em apoio ao Dezembro Vermelho. Fonte: Secretaria de Estado da Saúde do Governo do Estado do Rio Grande do Sul

Em se tratando da incidência de HIV na América Latina e Caribe, mais de 2,1 milhões de pessoas são acometidas pela doença. Desse grupo, 1,6 milhão (76%) sabem que tem o vírus.

Essas estimativas foram divulgadas pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e também revelam uma queda de 12% das mortes relacionadas à AIDS ao longo do período 2010-2017. No Caribe, o índice foi ainda mais alto, 23%.

A taxa de novas infecções na região latino-americana permanece inalterada em cerca de 100 mil por ano. A maioria das novas infecções ocorre entre gays, profissionais do sexo e seus clientes, mulheres transexuais e pessoas que fazem uso de drogas injetáveis.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Dezembro Vermelho Mês de ações de prevenção e combate a AIDS. Fonte: UNAIDS” (Fonte):

https://unaids.org.br/2018/12/acoes-do-unaids-no-brasil-durante-o-dezembro-vermelho-2018/

Imagem 2 Campanha Governo do Estado do Rio Grande do Sul em apoio ao Dezembro Vermelho. Fonte: Secretaria de Estado da Saúde do Governo do Estado do Rio Grande do Sul” (Fonte):

http://www.saude.rs.gov.br/zero-discriminacao-as-pessoas-vivendo-com-hiv-aids-e-tema-de-campanha-publicitaria-e-seminario-no-rs

ENERGIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

G20: Acordo de cooperação nuclear entre Rússia e Argentina

Durante a cúpula dos países que formam o G20, realizada em 30 de novembro e 1o de dezembro de 2018, em Buenos Aires, Argentina, no dia 1º, o presidente argentino Mauricio Macri e o seu homólogo russo, Vladimir Putin, fecharam um acordo de cooperação bilateral no que se refere ao uso pacífico da energia nuclear. O documento de âmbito estratégico, assinado pelo diretor executivo da Rosatom (Empresa estatal de energia nuclear russa), Alexey Likhachev, e pelo Ministro da Energia da Argentina, Javier Iguacel, ressalta o desenvolvimento de diferentes modelos de implementação de projetos referentes à geração de energia nuclear na Argentina

Usina nuclear de Embalse na Argentina

O acordo assinado é fruto de várias negociações entre os dois países, que, desde janeiro de 2018, vinham elaborando um memorando de entendimento para impulsionar a exploração e produção de urânio no país sul-americano, o qual pode incluir 250 milhões de dólares em investimentos, proporcionando, assim, à Argentina, a possibilidade de reduzir seu déficit energético, sendo que, atualmente, o país sul-americano, com seus três reatores nucleares existentes*, gera em torno de 5% de sua eletricidade, e o país tem planos para iniciar a construção de dois novos reatores a um custo de 13bilhões de dólares (cerca de R$ 50,8 bilhões).

A negociação entre Rússia e Argentina não faz menção à construção demais uma nova usina nuclear, mas permitirá ampliar a cooperação existente para a construção de centros de pesquisa e desenvolvimento de capacidade pessoal. Atualmente,o Governo argentino já vem realizando negociações com a China para a construção de sua quarta usina de geração de energia.

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Nota:

* Usinas nucleares de Atucha I, Atucha II e Embalse.

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Fontes das Imagens:

Imagem1 Usina nuclear de Atucha na Argentina” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a8/Atucha_desde_el_Parana.jpg

Imagem2 Usina nuclear de Embalse na Argentina” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Central_nuclear_Embalse_-_C%C3%B3rdoba,_Argentina.jpg


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Manual internacional para combater a resistência de bactérias a antibióticos

A “resistência antimicrobiana”* tem como principais causas a automedicação e o uso indevido de antibióticos e outros medicamentos. Nesse sentido, caracteriza-se o fenômeno pelo desenvolvimento de superbactérias em que os medicamentos se tornam limitados no combate das doenças.

Outros fatores associados ao agravamento da referida resistência em âmbito mundial são: programas de prevenção e controle de infecção inexistentes ou insuficientes; baixa qualidade de medicamentos; vigilância inadequada e regulação insuficiente quanto ao uso de antimicrobianos. Estima-se que, a cada ano, 700.000 pessoas morram em decorrência de cepas resistentes de bactérias causadoras de infecções comuns** presentes em casos como HIV, tuberculose e malária.

Profissionais de saúde. Foto: ANVISA

Para enfrentar essa situação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou, em 2015, o Plano de Ação Global em Resistência a Antimicrobianos. Neste documento, sintetiza-se a abordagem de uma “Saúde Única” (One Health) por orientar o envolvimento multissetorial para o enfrentamento ao problema global.

As frentes de atuação deste plano são: conscientizar a sociedade e os profissionais sobre o uso adequado de antimicrobianos; promover melhores condições de saneamento básico; incentivar a descoberta de vacinas, novos antimicrobianos ou alternativas terapêuticas; e desenvolver pesquisas para melhor entender esses micro-organismos e sua distribuição no país.

Além do risco de aumento da mortalidade em função da ineficácia medicamentosa, os impactos indiretos relacionam-se, especialmente, às perdas econômicas por conta da queda de produtividade global. Estima-se, desta forma, um prejuízo de 100 trilhões de dólares (387 trilhões de reais) até 2050.

Na América Latina, as intervenções de manejo antimicrobiano foram coordenadas pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e por outras organizações dedicadas à temática, por meio da obrigatoriedade de apresentação de prescrições médicas. Após a implantação desse regulamento no Chile (1999), na Colômbia (2005), no Brasil*** e no México (2010), não foram detectados aumentos nas admissões clínicas relacionadas a infecções bacterianas, o que aponta para a eficácia da medida.

Recentemente, a OPAS lançou um Manual**** com orientações práticas sobre a prescrição e uso desses medicamentos voltado para autoridades, gestores e profissionais de saúde. Assim, reforça as iniciativas regionais para combater este problema sanitário.

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Nota:

* Expressão de acordo com o Manual da OMS e com dados da ANVISA. A referida resistência é justamente aos agentes que combatem os micróbios.

** As “cepas resistentes de bactérias causadoras de infecções comuns” consta na aba “Profissionais de Saúde” da ANVISA e, certamente, refere-se as bactérias comuns que acompanham estas doenças, uma vez que, por exemplo, o HIV se trata de um retrovírus, pertencente ao gênero Lentivirus.

*** Folheto do Ministério da Saúde brasileiro sobre uso consciente de antibióticos pode ser lido neste link.

**** OPAS: Manual para combater a resistência de bactérias a antibióticos (em inglês) pode ser conferido na íntegra.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Consumo excessivo e inadequado de antibióticos aumenta a resistência de bactérias a esses medicamentos. Foto: PEXELS” (Fonte):

https://nacoesunidas.org/opas-lanca-manual-para-combater-resistencia-de-bacterias-a-antibioticos/

Imagem 2 Profissionais de saúde. Foto: ANVISA” (Fonte):

http://portal.anvisa.gov.br/antibioticos/profissionais

                                                                             

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Paraguai, Brasil e Suriname são reconhecidos como “Campeões contra a Malária”

Ao longo dos últimos dez anos, a Organização Pan-Americana da Saúde e seus parceiros têm reconhecido e premiado iniciativas de prevenção à malária na região. Assim, 27 projetos já foram identificados como importantes mecanismos de cooperação para o enfrentamento ao Mosquito Anopheles, transmissor da doença, que segue endêmica em 20 países, principalmente na sub-região amazônica.

Atendimentos in loco para prevenção à Malária

A malária não é contagiosa, portanto, é necessária a ação de seu vetor para a transmissão. Os sintomas comuns desta enfermidade são: febre alta, calafrios, tremores, sudorese e dor de cabeça que podem ocorrer de forma cíclica; já a malária grave pode levar a óbito.

Em 2018, os “Campeões contra a Malária nas Américas” são Paraguai, Brasil e Suriname. Destes três, apenas o primeiro adquiriu o reconhecimento da Organização Mundial da Saúde (OMS) de eliminação total da doença – em 45 anos.

Além disso, a Argentina e outros seis países (Belize, Costa Rica, Equador, El Salvador, México e Suriname) reduziram a incidência de casos autóctones, apresentando potencial para certificação de erradicação até 2020, segundo a OMS.  

Em síntese, os programas vencedores deste ano (2018) possuem como característica a integração de esforços em nível municipal, estadual e nacional, como demonstrado a seguir:

– O Governo do Suriname, desde 2017, tem implantado ações para eliminar a malária até 2020. Nesse sentido, introduziu um modelo sólido em saúde centrado nas pessoas, especialmente em mineiros, migrantes e comunidades indígenas. A iniciativa criou capacidades em nível local e melhorou o diagnóstico, tratamento e controle de vetores. Também integrou os serviços de saúde e buscou soluções operativas e tecnológicas.

– O Governo brasileiro se destacou em dois programas: 1) Programa de Controle da Malária do município de Machadinho D’Oeste (RO), que obteve um maior acesso ao diagnóstico e ao tratamento, a partir do uso de mosquiteiros. Assim, houve uma redução de 44% nos casos da doença entre 2016 e 2017. 2) Programa de Controle no Alto Rio Solimões (AM), por seus esforços ao controlar a incidência de malária em áreas indígenas. Houve uma redução expressiva de 70% do número de casos confirmados, desde 2015, em uma área de difícil acesso que abriga mais de 70 mil pessoas distribuídas entre 13 comunidades à beira de rios.

– O Programa Nacional de Controle da Malária, no Paraguai, tem oferecido acesso universal ao diagnóstico e tratamento da doença. A responsabilidade dessa iniciativa é do Serviço Nacional de Erradicação da Malária, órgão do Ministério da Saúde Pública e Bem-Estar Social, que está distribuído em 19 áreas operativas que correspondem às divisões geopolíticas do país.  Como resultado, não há registros de casos autóctones de malária desde 2011.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Campeões contra a Malária”. Foto: OPAS” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/pahowho/albums/72157702983961054/with/44771572215/

Imagem 2 Atendimentos in loco para prevenção à Malária. Foto: OPAS” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/pahowho/45635357142/in/album-72157702983961054/