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[:pt]Doutrina Nuclear Indiana: o posicionamento indiano sob observação[:]

[:pt] Nas últimas semanas, surgiu uma polêmica acerca da veracidade da doutrina nuclear indiana de somente retaliação, instituída pelas Forças Armadas indianas desde seu primeiro posicionamento oficial sobre a questão, em 1999. A discussão foi…

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[:pt]Brasil e EUA assinam Convênio na área da Defesa[:]

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No último dia 22 de março, o Ministério da Defesa da República Federativa do Brasil e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América (EUA) assinaram um memorando acerca dos termos do Convênio para o Intercâmbio de Informações em Pesquisa e Desenvolvimento (MIEA, Master Information Exchange Agreement). Segundo o comunicado emitido pelo órgão brasileiro, esse Convênio visa abrir novos caminhos para o fomento de projetos de desenvolvimento tecnológico no âmbito da Defesa.

Ainda de acordo com o Mistério da Defesa, o MIEA é resultado da retomada de negociações entre Brasil e EUA, após a assinatura pelo Congresso Nacional do Acordo sobre Cooperação em Matéria de Defesa (DCA, Defense Cooperation Agreement) e do Acordo relativo a Medidas de Segurança para a Proteção de Informações Militares Sigilosas (GSOMIA, General Security of Military Information Agreement). Assim sendo, segundo o Ministério, o MIEA ampliará a relação entre os dois países para além do campo comercial. Além disso, deverá funcionar como um mecanismo para futuros acordos que digam respeito à tecnologia na área.

Ademais, a assinatura do Convênio é fruto também dos esforços para fortalecer a aproximação entre os países, a partir de meados do ano passado (2016). O passo inicial para a ampliação das relações deu-se com o Diálogo da Indústria de Defesa Brasil e Estados Unidos, ocorrido em setembro de 2016, em Brasília. O evento foi promovido pelos Ministérios da Defesa, das Relações Exteriores (MRE), da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MICS) do Brasil e pela Embaixada dos Estados Unidos. Naquela ocasião, Raul Jungmann, Ministro da Defesa do Brasil, e Liliana Ayalde, embaixadora norte-americana no Brasil, e outros organismos discutiram uma agenda comum de interesses que viabilizasse o incremento na relação bilateral no âmbito da Defesa.

O Governo brasileiro espera através desse Convênio impulsionar projetos de desenvolvimento científico e tecnológico. Conforme o comunicado do Ministério a previsão é de que os primeiros projetos sejam voltados ao desenvolvimento de tecnologias de caráter dual, sendo empregados tanto para fins militares quanto civis. Para Flávio Basílio, secretário da Seprod (Secretária de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa), o MIEA desempenhará um papel importante no fortalecimento da relação bilateral entre Brasil e EUA nesta área, além de beneficiar a Base Industrial de Defesa Brasileira.

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Imagem 1 Ministro da Defesa do Brasil, Raul Jungmann, e Embaixadora dos Estados Unido no Brasil, Liliana Ayalde” (Fonte):

http://defesa.gov.br/noticias/24884-industria-de-defesa-brasil-e-estados-unidos-buscam-mecanismos-de-aproximacao-comercial

Imagem 2 Indústria de Defesa: Brasil e Estados Unidos buscam mecanismos de aproximação comercial” (Fonte):

http://defesa.gov.br/noticias/24884-industria-de-defesa-brasil-e-estados-unidos-buscam-mecanismos-de-aproximacao-comercial

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[:pt]Reino Unido pede abertura da criptografia do Whatsapp, após atentados em Londres[:]

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Após o atentado na capital inglesa (Londres), quando um cidadão de 52 anos, Khalid Massod, atropelou pedestres na ponte de Westminster e foi morto à tiros, depois de esfaquear um policial, o Governo britânico exigiu a quebra da criptografia de aplicativos como o WhatsApp. Algo que vem se tornando um tema recorrente, em seguida a ações terroristas.

Dessa vez, a Secretária de Assuntos Internos do Reino Unido, Amber Rudd, argumentou que aplicativos como o WhatsApp e outros não podem oferecer um refúgio para atividades terroristas. Ela deixou claro que uma eventual abertura na criptografia do WhatsApp ocorreria conforme procedimentos legais, para proteger o povo britânico. Vale ressaltar também os esforços do Governo na expansão do seu aparato de vigilância, através da Lei de Poderes Investigativos, como foi previamente reportado no CEIRI NEWSPAPER.

Pode-se observar um padrão se constituindo em relação a atentados terroristas, com imediatas manifestações a respeito de programas ou aplicativos de criptografia que garantem a privacidade de seus usuários. Em junho de 2016, o Senado Norte Americano pediu o aumento dos poderes investigativos do FBI para que o mesmo conseguisse acesso aos dados do responsável pelo massacre na Boate Pulse. O mesmo havia acontecido depois do ataque em Bruxelas, em março de 2016, quando a União Europeia também solicitou o aumento de seus poderes de vigilância.

A natureza criptografada do WhatsApp também fez com que o aplicativo sofresse represálias no Brasil, sendo bloqueado diversas vezes por não oferecer informações de seus usuários. O argumento do WhatsApp continua sendo de que, como as mensagens são enviadas e criptografadas de ponta-a-ponta, a mensagem só é descriptografada no dispositivo receptor da mensagem. Portanto, segundo a empresa, não podem oferecer informações que eles mesmo não têm acesso.

O argumento de ativistas ao redor do mundo é de que, ao aumentar o acesso a informações de diferentes usuários (dentre eles, mais de um bilhão, só no caso do WhatsApp), as práticas governamentais de vigilância estariam invadindo a privacidade dos cidadãos, além de “aumentar o palheiro, ao invés de ajudar a procurar a agulha no palheiro existente”. Outro argumento importante é que as informações obtidas sob o pretexto da segurança poderiam ser usadas contra a população, monitorando conversas e informações privadas.

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Imagem 1Ponte de Westminster e prédio do parlamento em Londres” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3AWestminster_Bridge_and_Palace.jpg

Imagem 2Secretária de assuntos internos do Reino Unido, Amber Rudd” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3A342303320_Amber_Rudd_MP.jpg

Imagem 3Logo do WhatsApp” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/WhatsApp

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURABLOCOS REGIONAISCooperação InternacionalDEFESAEUROPAPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Segurança na Europa: uma matéria pendente [:]

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O atentado perpetrado em pleno centro de Londres nas portas do Parlamento Britânico se soma a uma lista trágica de ataques que vem se repetindo em importantes cidades da Europa. Dentre outras, Bruxelas, Paris, Berlim e Nice. A segurança nas principais cidades europeias e as medidas tomadas pelos Estados não foram efetivas no combate ao terrorismo internacional, aumentando os reflexos na opinião pública em relação a temas sensíveis, tais como a migração, o auxílio aos refugiados, o respeito às diversidades cultural e religiosa, e as políticas de segurança pública.

A segurança da Europa sempre foi uma matéria pendente de discussão. O continente nutriu desde a Segunda Guerra Mundial uma forte dependência dos Estados Unidos para proteger a Europa frente as ameaças internacionais. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) se transformou na salvaguarda da Europa, embora a participação dos países europeus na manutenção da organização tenha começado a ser questionada na Era Obama – após a Crise Financeira Internacional e a Crise Síria –  e voltado a ser tema de discussão com a gestão de Donald Trump. O mandatário americano mencionou abertamente em redes sociais o débito da Alemanha nesse setor, além de mandar o recado para os demais países da Aliança, o que gerou um alerta na região para que se voltasse a discutir a criação de um Exército Europeu.

A União Europeia trabalhou no projeto de criação de um Exército Europeu, mas as assimetrias entre as suas unidades, a instabilidade política e a crise enfrentada pelos os países do Sul inviabilizaram a concretização do projeto. Atualmente, o mesmo tema voltou a pauta, após o aumento das pressões da OTAN. Por outro lado, embora exista uma Polícia Europeia, a Europol, a mesma não possui a autonomia necessária para garantir a integração dos serviços de segurança pública, nem a capacidade de fazer uso da força coercitiva sem ultrapassar a jurisprudência das próprias polícias locais de cada país.

Mesmo que seja patente a necessidade de discutir a segurança tanto internacional quanto pública na Europa, a situação política do continente e o aumento das divergências colocam em segundo plano a questão da segurança, transladando o mesmo para o âmbito nacional de cada país. Até mesmo o posicionamento da Europa em temas internacionais, como a situação da Síria, diverge de nação para nação, além das políticas de combate ao terrorismo, onde, mesmo havendo uma diretiva comum, cada país aplica-a de forma diferente e toma decisões de maneira autônoma.

O terrorismo é como uma quimera, possui diversas faces e se expande pelo mundo usando as próprias facilidades geradas pela globalização. Existem diferentes espectros e dimensões desse fenômeno, sendo cada dia mais difícil o combate eficiente ao terror. Frente a essa situação, muitos países adotam medidas radicais, gerando a criminalização das supostas fontes do terrorismo, tais como o Islã, sem diferenciar o extremismo religioso da vivência religiosa, o fundamentalismo da cultura, sendo que essa própria marginalização é uma fonte poderosa que alimenta uma nova cara do terrorismo, que alista diariamente jovens deslocados e não inseridos socialmente, os quais são atraídos pela inerente necessidade humana de se encaixar em um grupo e se reconhecer socialmente.

Outro fator importante e por vezes ignorado é a própria realidade demográfica das nações afetadas e sua partição recente na formação territorial de países onde, hoje, o terrorismo é uma realidade.

O combate ao terrorismo precisa abranger as diferentes dimensões que o geram. A segurança deve agir de forma estratégica para não gerar efeitos sociais catastróficos e aumentar as tensões sociais e, consequentemente, políticas. Ao final, “A guerra é a continuação das relações política por outros meios”, conforme dizia Clausewitz.

Por esse motivo, o combate ao terrorismo na Europa precisa ser encarado por diferentes ângulos. Por um lado, o continente deve ampliar a integração dos serviços de inteligência e dos órgãos de segurança pública; avaliar o real impacto social das políticas que afetam a população, sejam elas políticas de integração de estrangeiros, ou políticas sociais em geral; definir uma estratégia comum para combater o terrorismo (que não conhece fronteiras e nem entende de blocos regionais). Por outro lado, deve também ampliar sua atuação, não somente nas comunidades passíveis de serem aliciadas pelo terrorismo, mas, também, nas nações vizinhas que alimentam essa máquina devido a sua incapacidade econômica ou de infraestrutura, fornecendo a elas inteligência europeia para o combate ao terrorismo, vendo assim o vizinho como um colaborador e não como um possível inimigo na questão do terrorismo internacional.

É um tema que, sem dúvidas, deve ser discutido não somente pelos líderes de Estado e no âmbito da segurança, mas também no âmbito público, econômico, social, jurídico etc. Dessa forma, será possível criar uma Hidra capaz de combater a Quimera que aterroriza a Europa e ameaça o mundo inteiro.

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Imagem 1 Mapa político de países membros da União Europeia e da OTAN” (Fonte):

https://conceptdraw.com/a1130c3/p1/preview/640/pict–political-map—eu-and-nato-european-membership-of-the-eu-and-nato-map.png–diagram-flowchart-example.png

Imagem 2 Reunião da OTAN” (Fonte):

https://nato-uniform.com.ua/images2/NATO-logo.jpg

Imagem 3 Atentados de 22 de julho de 2011 na Noruega” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Terrorismo

Imagem 4 General Carl von Clausewitz” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_von_Clausewitz

Imagem 5 Héracles mata a Hidra de Lerna Por FrançoisJoseph Bosio / Museu do Louvre” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hidra_de_Lerna

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[:pt]Manifestações relembram os dezoito anos dos bombardeios da OTAN à Iugoslávia[:]

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Na última sexta-feira (24 de março de 2017), centenas de cidadãos sérvios se juntaram em Belgrado, próximos à ponte de Grdelica, em luto pelo 18º aniversário da campanha de bombardeios efetuados pela OTAN no ano de 1999, na então República Iugoslávia. O ocorrido fez parte da Guerra do Kosovo, conflito armado que consistiu nos embates entre forças do Exército Iugoslavo, o Exército de Liberação do Kosovo – guerrilha independentista – e uma coalizão de membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a KFOR (Kosovo Force). Entre 24 de março e 9 de junho daquele ano (1999), ataques aéreos diários efetuados por forças da coalizão assolaram Belgrado. Ações que estavam inicialmente focadas em instalações do Exército Iugoslavo alargaram-se, à medida que a oposição de Slobodan Milošević (Presidente da República Iugoslava à época) resistia a assinar os Tratados de Rambouillet*.

Em 9 de julho, Belgrado concordou em retirar seu Exército e a força policial sérvia do Kosovo, suspendendo as incursões aéreas da OTAN, e concordou com a determinação da Organização para a ocupação, temporariamente, de tropas terrestres pela Kosovo Force (KFOR), que assim encerraram os bombardeios.

Na cerimônia da última semana, o Primeiro-Ministro sérvio, Alexsandar Vucic, reiterou que a “Sérvia está mais forte que era naquela época” e adicionou: “nunca mais sofreremos uma agressão de que nós não sairemos como vitoriosos”. Por causa do ocorrido, a Sérvia frui relações que verificam elevada parcimônia com a OTAN. Ambas entidades assinaram o “Partnership for Peace” (Parceria para a Paz, em tradução livre) no ano de 2006, visando uma abertura para o diálogo em torno da segurança do continente europeu. Algumas parcerias foram feitas no decorrer dos anos, porém, o Estado sérvio mantém sua posição de militarmente neutro, sem ambição de se juntar aos Estados-membros da OTAN. Pesquisa feita pelo Institute for European Affairs revela que 64% do país não aceitaria desculpas vindas da OTAN pelo ocorrido.

Em Pristina, capital do Kosovo, a tônica da data foi outra. O Primeiro-Ministro, Isa Mustafa, escreveu em suas redes sociais: “o lançamento da campanha aérea da OTAN […] é um dia histórico para o Kosovo e para a OTAN, mas também carregado de um conceito de liberdade e de nossa proteção contra regimes criminosos”. As duras críticas ao Governo da Iugoslávia, à época, permeiam a consolidação do Kosovo como uma República autônoma até hoje. No dia 16 de março de 2017, o presidente Hashim Thaci anunciou a intenção de instaurar um Exército nacional próprio, desvencilhando-se completamente das forças internacionais que ainda estão presentes no país. Em entrevista para o Voice of America, Thaci salientou que o Exército seria multiétnico, não somente constituído de membros oriundos da etnia albanesa.

O então porta-voz da OTAN, o britânico Jamie Shea, arguiu que a decisão de lançar ataques aéreos na Iugoslávia veio rapidamente “com um consenso verdadeiro e determinação em torno da mesa do Conselho da OTAN”. Ele considera que nos conflitos da Guerra da Bósnia, a OTAN exerceu um papel hesitante, mas que ela conseguiu agir antes de um massacre.

A KFOR, atualmente, ainda está presente no Kosovo e se mostra veementemente contrária a posição do Kosovo lançar iniciativas pela construção de um Exército próprio. Para Shea “o Kosovo realmente precisa se concentrar na reforma política, na luta contra a corrupção e na educação do seu povo […] não vejo como a criação de um exército […] seria útil para a estabilidade”.

Recentemente, em uma nota divulgada para a imprensa, a OTAN e os EUA alertaram o país para a medida. Declararam: “Apoiamos a transformação gradual e transparente da Força de Segurança do Kosovo numa força multiétnica, em conformidade com as normas da OTAN, mas esta transformação deve ser feita de acordo com a Constituição do Kosovo e através de um processo político inclusivo e representativo que reflita a democracia multiétnica do Kosovo”.

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* A Conferência de Rambouillet consistiu em uma série de diálogos no início do ano de 1999 para estabelecer as pazes entre a Iugoslávia e os albaneses do Kosovo (etnia majoritária), que foram mediados pela ex-Secretária de Estado dos Estados Unidos, Madeleine Albright.

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Imagem 1 Ministério da Defesa da Iugoslávia atingido pelos bombardeios de 1999” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Serb-milit-bomb-nato.jpg

Imagem 2 Emblema da KFOR em ambos os caracteres, latino e cirílico(Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Kosovo_Force

Imagem 3 F117, caça utilizado nos bombardeios da OTAN(Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:F-117_Operation_Allied_Force.jpg

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[:pt]Cooperação em Defesa ganha ‘momentum’ na União Europeia[:]

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As atividades de cooperação no campo da Defesa sempre estiveram entre os grandes desafios da União Europeia. Elas passaram a integrar a pauta do Bloco de maneira mais estruturada após o Tratado de Maastricht (1992), ocupando o que seria conhecido como o segundo pilar da integração europeia (Política Exterior e de Segurança Comum – PESC). Diferentemente das atividades mais conhecidas, regidas pela supranacionalidade, a área de Defesa apresentava caráter intergovernamental, com menor autonomia para os órgãos europeus e necessidade de consenso para as decisões.

Essa característica impactou diretamente no ritmo de integração observado neste pilar, mais vagaroso e sensível que os demais. Contudo, a cooperação na área apresenta avanços consistentes no agregado histórico e coadjuva a política externa europeia como se pode notar com a Política de Segurança e Defesa (PESD), institucionalizada no Bloco com o tratado de Nice (2000), a Estratégia de Segurança Europeia (2003), a criação da Agência Europeia de Defesa (2004), a valorização da cooperação em Defesa promovida pelo Tratado de Lisboa (2009) e diversos outros desdobramentos no nível tático do processo institucional europeu.

Em Editorial publicado no dia 11 de março de 2017 em diversos* jornais e meios de comunicação europeus, Jorge Domecq, Executivo-Chefe da Agência Europeia de Defesa (AED), destaca a elevada priorização que a temática recebeu na pauta europeia em 2016, após um período fora dos holofotes comunitários.

Domecq destaca basicamente dois tipos de argumentos: i. político, ao considerar que as contingências da ordem internacional forçarão a Europa a aprofundar a cooperação em Defesa para que possa garantir a proteção de seus interesses e de seus cidadãos; e ii. técnico-orçamentário, no qual destaca que a eliminação da duplicação de esforços e despesas poderia gerar economia de quase 1/3 do valor investido no setor, uma vez que cada Estado se dedicaria ao espectro da pauta de Defesa na qual opera com mais eficiência.

O texto de Domecq foi publicado um dia depois do lançamento do Relatório Anual da AED relativo às ações de cooperação em Defesa realizadas em 2016. O relatório se destaca por, além de trazer os dados técnicos relativos à cooperação dessa área no Bloco, ecoar a Estratégia Global da União Europeia (publicada em junho de 2016) como um ponto de inflexão na mudança do pensamento europeu no que tange aos assuntos de Defesa.

De fato, o segundo semestre de 2016 foi bastante profícuo para esse setor. O Conselho da Europa aprovou o plano de implementação dos itens de Segurança e Defesa previstos na Estratégia; a Comissão Europeia adotou o Plano de Ação para a Defesa Europeia (abrindo caminho para o esperado Fundo de Defesa Europeu, entre outros tópicos); e houve a Declaração Conjunta da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), reforçando o viés estratégico desta parceria. Tríade que recebeu o nome de Pacote de Defesa Europeu, indicando a relevância que a temática adquiriu ao longo de 2016.

Das informações acima, nota-se gradual ganho de impulso na pauta de Defesa europeia ao longo de 2016. A temática ficou mais robusta e conseguiu emplacar uma sequência de decisões que navegam entre o espectro estratégico e tático. As expectativas agora se concentram em observar se em 2017 o setor vai conseguir aproveitar esse ímpeto e trazer para o nível operacional as soluções técnicas e de coordenação política necessárias para concretizar a mudança de pensamento aventada pelo Executivo-Chefe da ADE.

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Notas e fontes consultadas, para maiores esclarecimentos:

* La Tribune (France), La Repubblica (Italy), Le Soir (Belgium), La Vanguardia (Spain), Der Standard (Austria), Dagens Nyheter (Sweden), De Volkskrant (Netherlands), Diario das noticias (Portugal), Rzeczypospolita (Poland), Times of Malta, Euractiv (several languages), Bruxelles2.

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Imagem 1 Capa do catálogo European Defence Industry Associations 2016” (Fonte):

https://www.eda.europa.eu/docs/default-source/procurement-library/ndia_catalogue_final.pdf

Imagem 2 Brasão da Agência de Defesa Europeia costurado em um uniforme (Fonte):

https://www.eda.europa.eu/docs/default-source/eda-annual-reports/eda-2016-annual-report-final

Imagem 3 Momentos chave na tramitação dos principais assuntos de interesse da cooperação em defesa em 2016” (Fonte):

https://eeas.europa.eu/sites/eeas/files/defence_package_06_03_2017.pdf

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[:pt]O futuro da Defesa finlandesa[:]

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Na última semana, o Parlamento finlandês começou a debater sobre o futuro da Defesa do país, por meio da divulgação de um relatório específico do setor, o qual aponta sugestões de âmbito operacional em consonância a realidade atual. Dentre os aspectos mencionados, prevalecem como objeto de intensa conversação: a compra de novos caças para a substituição dos Hornets; com orçamento de 7 a 10 bilhões de euros; a aquisição de quatro navios para a Marinha, no valor estimado de 1,2 bilhão de euros; e o acréscimo de 30% no quantitativo de soldados em prontidão, com o contingente elevando-se de 230.000 para 296.000 soldados, sendo que, em 2012, o número era de 350.000.

Os partidos políticos não discordaram da proposta apresentada, porém divergiram quanto aos custos políticos e financeiros do projeto, devido ao baixo aquecimento da economia finlandesa e ao déficit que poderia advir aos setores sociais por carência de recursos, conforme é observado na declaração da parlamentar Krista Mikkonen, do Partido Verde Finlandês: “Os verdes estão comprometidos com o desempenho e a substituição dos equipamentos envelhecidos da Marinha e da Força Aérea. Nós não estamos comprometidos com qualquer nível de financiamento em contratos de defesa que sejam financiados pelo corte de serviços de bem-estar”.

O parlamentar Markus Lago Negro, da Aliança de Esquerda, também não é favorável a pauta de Defesa nas condições apresentadas pelo relatório, e declarou: “Nós não concordamos com a quantidade de contratos de substituição. Nós também questionamos a estimativa de preço mostrada de 7 a 10 bilhões de euros. É simplesmente demais num país como esse, que vive um desemprego em massa, entretanto o mesmo possui como ideia alternativa o desenvolvimento de um complexo industrial militar capaz de liberar a Finlândia de qualquer inconveniente com relação a alinhamentos permanentes com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Os partidários pela ampliação de recursos para a Defesa salientam que é necessário maior volume de finanças com o propósito de ter um setor credível e não defasado, e, desta forma, almejam para este ano um montante de 80 milhões de euros, com graduais aumentos até o marco de 150 milhões de euros, em 2020, de acordo com a recomendação original do Relatório de Defesa. Segundo a declaração do Ministro finlandês da pasta, Jussi Niinistö, “O aumento do número de tropas não é um truque técnico, mas o aumento real na força” em correlação à aplicação de ações realistas, de acordo com as necessidades do Estado.

Conforme os analistas, é preciso mencionar que todo o país precisa realmente renovar seus equipamentos militares, visto que ambos possuem seu período de vida útil, porém o fato de aumentar o contingente de soldados aptos à guerra demonstra que a Finlândia observa preocupação com os rumos da segurança regional, em meio a murmúrios de supostas atuações russas no local. Todavia é importante afirmar que o equilíbrio fiscal também deve ser digno de consideração, pois, sem recursos, torna-se impossível articular uma boa gestão no âmbito básico das políticas públicas de um Estado, somando-se o aumento das despesas militares.

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Imagem 1 Brasão de Armas da Finlândia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/ae/Coat_of_arms_of_Finland.svg/1000px-Coat_of_arms_of_Finland.svg.png

Imagem 2 Ministro da Defesa da Finlândia, Jussi Niinistö” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/14/JussiNiinist%C3%B6Heureka2015Ulko%26turvallisuuspoliittinenpaneeli_11.JPG/776px-JussiNiinist%C3%B6Heureka2015Ulko%26turvallisuuspoliittinenpaneeli_11.JPG

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