AMÉRICA LATINADEFESANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Grupo Guerrilheiro colombiano FARC entrega as armas[:]

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No último dia 2 de fevereiro, quinta-feira passada, a Missão das Nações Unidas na Colômbia anunciou que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) iniciaram o processo de entrega dos seus armamentos. Essa é uma das etapas do Acordo de Paz ajustado entre o Governo colombiano e o grupo guerrilheiro.

A região onde se localiza Los Pondores, situada ao norte da Colômbia, foi o ponto final de um dos mais sangrentos conflitos atuais da humanidade. Na localidade, foi criado um campo de desmobilização chamado Ponto Transitório de Normalização de Pondores, que fica dentro dos limites do departamento de La Guajira.

Os integrantes das Farc marcharam para o local, onde foram recebidos pelo alto-comissário para a paz do governo do país, Sergio Jaramillo. Além de Jaramillo, estavam presentes a liderança da entidade paramilitar, Ivan Márquez, e o vice-diretor do grupo de observadores da Missão da ONU, José Mauricio Villacorta.

O representante da ONU na ocasião, Villacorta, afirmou que “Enquanto missão da ONU, esse momento é crucial porque significa que nós continuaremos a verificar o cessar-fogo e a suspensão das hostilidades através de nossa participação no Mecanismo Tripartite. E nós seremos capazes de começar a parte operacional da verificação da deposição de armamentos”.

Vale ressaltar que a entrega dessas armas já estava sendo articulada há cerca de 6 (seis) meses, desde setembro do ano passado (2016), quando o Acordo foi assinado. O primeiro passo consiste em as Farc fornecerem todas as informações para identificar, registrar e coletar as armas em seu poder. Dentro desse universo, também serão incluídas minas ou restos de explosivos que estejam espalhados pelo país.

Diante desses fatos, o que se observa é que o Acordo está se tornando uma realidade. Apesar do grande contingente de pessoas que se deslocou ao Ponto Transitório de Normalização de Pondores, cerca de 5.800 pessoas, não houve nenhum incidente grave, o que foi comemorado pelos representantes da ONU. Contudo, o que resta aos expectadores dessa grande mobilização é a torcida para que a paz seja de uma vez estabelecida.

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Imagem 1 Bandeira das FARC” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Forças_Armadas_Revolucionárias_da_Colômbia#/media/File:Flag_of_the_FARC-EP.svg

Imagem 2 Sergio Jaramillo Caro” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Sergio_Jaramillo_Caro#/media/File:Sergio_Jaramillo_Caro.jpg

Imagem 3 Foto de la primera pagina del Acuerdo Final Para La Terminación Del Conflicto Y La Construcción De Una Paz Estable Y Duradera’ (texto completo aquí) publicado 24 de agosto de 2016” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Acuerdos_de_paz_entre_el_gobierno_Santos_y_las_FARC#/media/File:Acuerdo_final.jpg

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DEFESAEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade InternacionalTecnologia

[:pt]A Nova Doutrina de Segurança de Informação Russa[:]

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No dia 6 de dezembro, Vladimir Putin assinou a Nova Doutrina de Segurança de Informação Russa, sob efetividade imediata. A Doutrina marca o alinhamento estratégico russo na esfera das informações e ciberespaço.

Um dos principais objetivos da nova estratégia de Cibersegurança é, de acordo com os autores, a “dissuasão estratégica e prevenção de conflitos militares, que podem resultar do uso de tecnologias da informação”.

O Documento aponta a crescente tendência da mídia internacional em transmitir notícias prejudiciais à Rússia. De fato, a presença cibernética e possível influência russa nas eleições norte-americanas não passaram despercebidas, de forma que a candidata Hillary Clinton acusa o presidente russo Vladimir Putin de envolvimento direto nos ciber-ataques que obtiveram informações e minaram sua campanha, além disso, a mídia tradicional norte americana entrou em um frenesi, culpando os russos por envolvimento nas eleições. Algo que, por sua vez, gerou comentários de órgãos e instituições internacionais que criticam a falta de evidências com que a CIA e a grande mídia norte-americana acusaram e julgaram os russos pelo seu possível envolvimento no processo eleitoral.

O Documento também aponta a insuficiência do desenvolvimento de seguranças em tecnologias da informação no setor econômico, evidenciando o aumento de casos de ciber-crimes no país.

Porém o mais interessante de ser analisado é o posicionamento estratégico tomado pela Doutrina, de forma que, no Documento, são considerados os meios e táticas usadas por serviços especiais de certos Estados que visam “(d)esestabilizar a situação política e social interna em várias regiões do mundo e levando a minar a soberania e violar a integridade territorial dos países”. A medida, de certa forma, legitima a preocupação com o ciberespaço como representação de uma nova face de combate, assim como a terra, o céu e o mar.

A Nova Doutrina de Segurança de Informação Russa também prevê a contenção e prevenção de ataques, tanto cibernéticos quanto militares, provenientes de informações obtidas em função de esforços que minam as telecomunicações da Rússia. Ainda segundo o texto, seus objetivos estratégicos são: “Garantir a segurança da informação no domínio da segurança pública e do Estado, que são a proteção da soberania, o apoio à estabilidade política e social, a integridade territorial da Federação Russa, a garantia dos direitos e liberdades do homem e do cidadão e a proteção da infraestrutura”.

Pode-se observar, portanto, um posicionamento defensivo na estratégia informacional russa, caraterizada no desejo de se proteger de ataques cibernéticos provenientes de agências especiais de outros países. A Doutrina também é decorrente da mudança no posicionamento da cibersegurança russa, especialmente após o sucesso do ciberataque Stuxnet, em 2010, encabeçado pelos Estados Unidos e Israel, que atrasaram significativamente o programa nuclear iraniano. No entanto, a proteção sob a perspectiva interna também é significativa, principalmente após a Primavera Árabe, que veio minando governos no Oriente Médio desde 2011.

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ImagemVladimir Putin” (FonteMariajoner):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3APUTIN_RUSO.jpg

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BLOCOS REGIONAISDEFESAEURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]A visita de Sergei Lavrov à Sérvia e o fortalecimento das relações russo-sérvias[:]

[:pt] O Ministro das Relações Exteriores da Federação Russa, Sergei Lavrov, fez uma visita oficial à Sérvia nos dias 12 e 13 de dezembro (2016). A comissão foi recebida pelo presidente Tomislav Nikolic, pelo primeiro-ministro…

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AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURADEFESAPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]EUA: Trump critica altos custos do setor de Defesa[:]

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Desde a campanha eleitoral para a Presidência nos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, Presidente eleito, vem promovendo críticas contra empresas do setor de Defesa que possuem contratos com o Governo estadunidense. Em outubro de 2015, por exemplo, antes mesmo de ser considerado como potencial candidato à Presidência norte-americana, ele declarou-se cético quanto às capacidades efetivas dos caças F-35 Joint Strike Fighter, chegando a afirmar durante entrevista à HugHewitt que existem aviões melhores. No início desta semana, Trump teceu novas críticas ao programa de caças F-35 da Lockheed Martin, assinalando que tais aeronaves possuem custos absurdos.

O Programa Joint Strike Fighter (JSF) surgiu em 1996 e tinha como objetivo inicial a criação de um modelo capaz de substituir várias aeronaves, tais como o F-16, o F-18, o caça bombardeiro A-10 Thunderbolt, entre outros. Somente em 2015, entretanto, após anos de pesquisas e de mais de 400 bilhões de dólares gastos para o seu desenvolvimento, é que a aeronave foi declarada operacional, tornando-se o programa mais caro na história militar estadunidense. 

Os F-35 são aeronaves de quinta geração, com característica Stealth (aviões furtivos, que dificultam sua detecção), multifunção, podendo voar a velocidades supersônicas. Esses caças possuem três versões e foram projetados para missões de ataque a solo, inteligência, vigilância e reconhecimento. De acordo com estimativas, cada aeronave deve custar em média 100 milhões de dólares, e estão sendo produzidas para integrar as Forças Armadas dos Estados Unidos, além de países como Austrália, Coreia do Sul, Dinamarca, Grã-Bretanha, Holanda, Israel, Itália, Japão, Noruega e Turquia.

No final do mês de novembro, a Lockheed Martin ganhou um Acordo para o desenvolvimento de 90 caças F-35 para as Forças Armadas estadunidenses e de aliados, no valor aproximado de 7,2 bilhões de dólares, para serem entregues em 2020. Segundo comunicado do Pentágono, o contrato altera algumas questões acordadas anteriormente e, agora, o desenvolvimento e produção deverão atender às necessidades específicas de cada cliente.

No último dia 12 de dezembro, mesmo dia em que Trump teceu críticas ao desenvolvimento desses caças, Ash Carter, Secretário de Defesa dos Estados Unidos reuniu-se com Benjamin Netanyahu, Primeiro-Ministro de Israel, para a entrega de duas aeronaves F-35. Em nota, Carter destacou a importância dessas aeronaves e pontuou que essas foram as primeiras unidades dos 50 aviões que serão entregues à Força Aérea israelense e ressaltou ainda o memorando acordado, no qual os Estados Unidos se comprometem a destinar 38 bilhões de dólares ao seu tradicional aliado no Oriente Médio, pelos próximos 10 anos. Ainda de acordo com nota, Carter ressaltou que “estamos comemorando o notável progresso da relação de defesa entre EUA-Israel, e também de uma força aérea (israelense) que começou a voar sob aviões da Segunda Guerra Mundial e que agora esta voará com a aeronave mais avançada da história”.  

Segundo declarações de assessores de Donald Trump, o novo Presidente deve continuar pressionando por corte nos custos de equipamentos militares, tal como ele próprio afirmou, via sua conta no twitter. Nesta, declarou que, após o dia 20 de janeiro, bilhões de dólares poderão e serão economizados com o corte na aquisição desses equipamentos militares. Em resposta, Jeff Babione, líder do Programa F-35 da Lockheed Martin, assinalou que o programa possui uma tecnologia incrível, mas ressalvou também que a companhia compreende as preocupações sobre os custos e que a Lockheed Martin tem investido para a redução dos custos das aeronaves.

Segundo análise publicada por David A. Graham, no periódico online The Atlantic, três questionamentos são essenciais para entender o comportamento de Trump: Porque o presidente eleito está levantando essa pauta agora? Quão perto da verdade ele está? E, por fim, se Trump estiver certo, quem se beneficiará? Resumidamente, para Graham, Donald Trump faz suas críticas ao programa num momento oportuno, justamente quando ocorre a entrega dos F-35 a Israel. Quanto ao segundo questionamento, Graham assinala alguns pesquisadores e analistas, tais como James Fallows, que criticam o desenvolvimento do programa, o qual era para ser um dos mais baratos e tornou-se o mais caro da história. Finalmente, Graham aponta que as discordâncias sobre o desenvolvimento do F-35 abrangem tanto democratas como republicanos, mas parar o desenvolvimento do programa é praticamente impossível, uma vez que muitos daqueles que se beneficiam com ele encontram-se também entre os membros do Congresso.

A Lockheed Martin não foi a única empresa alvo das críticas do novo Presidente estadunidense. Na semana passada, Trump criticou o Programa Air Force One da Boing, alegando que os custos para o desenvolvimento das aeronaves presidenciais eram exorbitantes e estão completamente fora de controle, pois custariam cerca de 4 bilhões de dólares cada. Trump chegou a declarar, via twitter, que cancelaria a encomenda desses aviões. O contrato com a Boeing foi acordado em janeiro de 2015 e o programa deve ser concluído em 2024. Em resposta, a Boeing se comprometeu a trabalhar com o futuro Governo para que os custos do novo Air Force One se mantenham no melhor preço possível.

Esse foi um dos pontos destacados também por Jason Miller, porta-voz da equipe de transição de Trump, que argumentou que o novo Governo pretende alcançar acordos melhores. No que tange a compra dos caças F-35, John McCain, presidente do Comitê do Senado sobre Serviços Armados, ressaltou que uma vez que os recursos já foram empregados, eles não podem ser cancelados, mas o Governo, assim como o Comitê, poderá reavaliar o Programa. Já Richard Blumenthal, Senador democrata, afirmou que o Programa dos caças F-35 geraram cerca de 2 mil empregos na Pratt & Whitney, empresa responsável pela fabricação dos motores, e um total de 146 mil empregos em outras empresas e fornecedores. Para Blumenthal e outros congressistas os cortes arbitrários no programa afetarão a oferta de empregos do setor.

Conforme mencionado anteriormente, desde a campanha para Presidência, Trump vem promovendo críticas a companhias ligadas a Defesa do país. Além disso, criticou também funcionários que fecham contratos para o Governo e um ou dois anos depois estão trabalhando para essas corporações. Nessa última semana, tais críticas repercutiram negativamente sobre as ações do setor.  Assim, as atuações da Lockheed Martin, bem como da General Dynamics, Northrop Grumman, BAE e Raytheon sofreram queda na bolsa de valores. Entretanto, as ações da United Technologies e da Boeing apresentaram uma pequena alta nesta semana. Apesar da variações que tais declarações ocasionaram, Byron Callan, analista financeiro da Capital Alpha Partners, ressalvou que não se pode acreditar que os investidores irão desistir de suas perspectivas sobre o programa JSF, tendo como base um único tweet de Trump.

Roman Schweizer, analista da Cowen and Company, declarou que um Presidente possui grande poder para conquistar seus objetivos e, apesar das críticas, Trump acabou chamando os holofotes e atenção do público geral sobre bilhões gastos em defesa pelo país. E, nesse aspecto, Schweizer argumenta que embora o Congresso tenha um papel relevante em programas de Defesa, qual legislador irá criticar Trump por tentar diminuir os superfaturamentos dos programas da área?

Apesar de analistas destacarem que Trump dificilmente conseguirá travar o desenvolvimento dos caças JSF, como Presidente ele poderá vir a alterar contratos, não apenas ligados à Força Aérea, mas também ligados à Marinha e ao Exército. Por fim, cabe pontuar que Barack Obama, atual Presidente dos EUA, também fez pressões para diminuir custos do F-35, uma delas ocorreu no último acordo, quando Obama pressionou para que o acordo com a Lockheed Martin fechasse em 6,1 bilhões de dólares.

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ImagemPrimeira mulher piloto de F-35 começa a treinar” (Fonte):

http://fotospublicas.com/primeira-mulher-piloto-de-f-35-comeca-a-treinar/ 

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DEFESANOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade InternacionalTecnologia

[:pt]Ligações do Governo Sírio com o Mercado de Monitoramento em Massa[:]

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Em uma leva de documentos obtidos pelo órgão Privacy International, e analisados em um relatório publicado pela entidade, pode-se observar a evolução do projeto de monitoramento da Internet na Síria, de 2007 a 2010, um ano antes de começar a revolução que evoluiu para guerra civil e, atualmente, está no cerne da crise dos refugiados sírios. 

Em 2007, o acesso à Internet na Síria era limitado aos servidores estatais, de forma que serviços como Google, Facebook e Twitter eram inacessíveis. Mas, antes da inevitável expansão do acesso à Internet no país, o Estabelecimento de Telecomunicações Sírio (STE, na sigla em inglês) publicou um pedido para companhias desenvolverem um sistema de vigilância capaz de monitorar todos os dados fluindo pela Internet síria. Nessa publicação, eram delimitados os serviços a serem monitorados, dentre eles: sites visitados, e-mails, chats, mensagens instantâneas, VPNs, e conexões criptografadas. O sistema a ser desenvolvido ficou conhecido como “Sistema Central de Monitoramento de Serviços de Rede de Dados Públicos e Internet”.

Uma das empresas que tentou vencer a concorrência foi a empresa fundada em Berlim, chamada de “Advanced German Technology” (AGT), que, assim como outras empresas europeias, vêm criando uma crescente carteira de clientes ao redor do mundo. A AGT, junto com a empresa italiana RCS Lab, foi a Damasco em 2008 para apresentar um protótipo do sistema de vigilância desejado pelo Governo sírio. 

Documentos dessa apresentação, publicados no relatório do Privacy International, revelam termos como “abrangente solução de monitoramento de telecomunicações” capaz de “identificação de redes” e “filtragem e coleta de pacotes”. O sistema seria hábil para filtrar por palavra-chave, de acordo com o documento, e identificar e monitorar “milhares de diferentes protocolos IP”, como HTTP, os protocolos de e-mail SMTP e POP3, chat e protocolos de vídeo para MSN, IRC, Yahoo, ICQ e outras aplicações.

Porém, quem venceu o contrato foi outra empresa italiana, chamada Area Spa, em conjunto com a empresa alemã Ultimaco, além da empresa francesa Qosmos. Atualmente, a Area Spa está sendo investigada na Itália pelo seu envolvimento com o Governo sírio e a Qosmos está sob investigação na França por, alegadamente, auxiliar o Governo da Síria a torturar dissidentes. 

Em 2009, foi lançado o próximo passo do sistema de vigilância do país. Dessa vez, o alvo era interceptar dois cabos internacionais que conectavam a Internet a Aleppo e Damasco, em uma tentativa de monitorar todo o tráfego de internet entrando e saindo da Síria. A informação a respeito de quem ganhou esse último contrato de expansão do sistema de vigilância não está nos documentos obtidos pelo Privacy International. 

Vale ressaltar que essas concorrências aconteceram antes da Primavera Árabe e da onda de revoluções que perpassou o Oriente Médio, de forma que a Privacy International argumenta em seu relatório que “A preparação para a Primavera Árabe foi uma temporada aberta para as empresas de vigilância – elas forneceram tecnologias aos ansiosos clientes do governo, amplamente conhecidos por serem publicamente engajados na repressão”.

Apesar de o Governo Assad já ser conhecido pelo seu duro tratamento de dissidentes e pouquíssima transparência antes da Primavera Árabe, a União Europeia não proibia a venda de equipamentos de monitoramento de telecomunicações na Síria, assim como os EUA, que, apesar de algumas sanções e restrições, permitiam a venda de equipamentos de monitoramento sob licença

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ImagemCapa do Relatório” (FontePrivacy International):

https://privacyinternational.org/sites/default/files/OpenSeason.pdf

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[:pt]EUA admitem erro ao atacarem forças sírias[:]

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Há muito se vem comentando na imprensa internacional sobre a Guerra na Síria, que se iniciou no contexto da Primavera Árabe (2011), com uma mobilização popular e midiática contra o Governo de Bashar Al-Assad, e culminou na revolta generalizada entre civis armados e soldados desertores contra as forças governamentais. Com intuito de conter a onda de manifestações e o grupo terrorista Daesh (Estado Islâmico – EI), que se instalou no território sírio, em 2014, foi criado pelos Estados Unidos (EUA) e seus aliados da coalizão internacional o plano de Intervenção militar árabe-ocidental.

Conhecido por Operation Inherent Resolve, a intervenção refere-se a uma série de operações organizadas pelas Forças Navais e Aéreas dos EUA, com o apoio do Reino Unido, França e Austrália, além de outros países árabes, que são contrários aos grupos extremistas. Na Síria, a operação concentra-se em conter os fundamentalistas do Daesh e impedir que os mesmos consigam instalar uma base de operação permanente naquela região. Esta operação também se estendeu para o Iraque em combate ao Estado Islâmico.

No entanto, em setembro (2016), dia 17, um erro militar foi cometido, deixando cerca de 90 soldados sírios mortos e 100 feridos, dando ao grupo Daesh a vantagem de se posicionar estrategicamente e lançar uma ofensiva contra o Exército sírio. O ataque aconteceu na montanha de al-Tharda, próximo ao aeroporto de Deir ez-Zor e foi realizado por drones, aviões não tripulados, da Austrália, Dinamarca, EUA e Reino Unido, além de caças F-16 e F-18. Um mês após os ataques, na última terça feira (29), o Departamento de Defesa norte-americano admitiu o erro e assumiu que o mesmo foi baseado em informações erradas.

Com base nas conclusões de um inquérito, o Comando Central das Forças Armadas dos EUA justificou que a sucessão de erros se iniciou pela identificação errada de um dos veículos das forças sírias ser confundido com um veículo do grupo extremista. No entanto, o equívoco mais significativo ocorreu por uma “falha na comunicação”. O comandante oficial norte-americano, com quem a coligação das forças russas costumava falar por uma linha aberta especial, não estava disponível. O atraso durou 27 minutos, o suficiente para a morte dos soldados. Quando a comunicação foi restabelecida, a advertência russa sobre quem estava sofrendo os ataques foi recebida e o ataque foi suspenso.

Ainda segundo o inquérito final, realizado pelos EUA, concluiu-se que o Exército da Síria não estava devidamente identificado por uniformes ou bandeiras que sinalizassem a entidade militar no local, o que acabou confundindo mais ainda os países que o atacaram. Dado isso, não foi mencionado no relatório que os ataques foram intencionais, mas por um “erro humano”. O Secretário de Defesa norte-americano, Ashton Carter, lamentou o ocorrido e declarou que espera, por parte dos militares estadunidenses, que “aprendam com este gravíssimo erro”.

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ImagemF16 KC135 Inherent Resolve” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3c/F-16_KC-135_Inherent_Resolve.jpg

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[:pt]O Primeiro Confronto Entre as Forças de Defesa de Israel e o Estado Islâmico[:]

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No último domingo, 27 de novembro, nas Colinas de Golã, soldados israelenses entraram em confronto com os jihadistas da organização Shuhada-Yarmouk, criada em 2012, que neste ano (2016) se juntou a outro grupo, passando a denominar-se Jaysh Khalid ibn al-Waleed. Ambos juraram lealdade ao Estado Islâmico (EI) e lutam sob o comando geral de Abu Bakr al-Baghdadi. Segundo a imprensa local, este foi o primeiro embate direto entre as Forças de Defesa de Israel (IDF) e o Estado Islâmico.

Israel, que até então havia mantido certa distância em relação ao conflito sírio, se viu afrontado pelos radicais que tencionavam preparar uma emboscada aos seus soldados em seu próprio território. Os insurgentes utilizaram, como base, uma instalação abandonada da ONU para deflagrar o ataque com armas automáticas e morteiros contra os militares israelenses, mas nenhum ficou ferido. Em contrapartida, as IDF desferiram uma contraofensiva aérea que culminou na morte de quatro militantes islâmicos. Especialistas acreditam que este enfrentamento não será capaz de alterar a dinâmica bélica da região. Porém, é preciso assinalar que, em solo sírio, se encontram os inimigos de Israel, tais como o Irã e o Hezbollah.

Os reveses sofridos pelos extremistas, especialmente o Estado Islâmico que, nos últimos tempos perdeu territórios na Síria e no Iraque, poderão despertar o interesse em justificar a sua própria força e avançar sobre outros espaços, encontrando assim novos oponentes que, até agora, estiveram fora do seu raio de ação. Recentemente, o Xeique Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim al-Thani, Ministro das Relações Exteriores do Catar, advertiu sobre a possibilidade de a Faixa de Gaza, que se encontra em situação caótica, ser transformada numa “plataforma de lançamento” para o “extremismo e o terrorismo” do EI.

Partindo deste pressuposto, a condição de extrema pobreza e de desemprego da população do enclave palestino facilita o recrutamento de mujahideen. Consequentemente, Israel se tornará um alvo provável desses combatentes. Esta é apenas uma hipótese, mas, se ela se concretizar, poderá levar o terrorismo para o território israelense. Cabe ressaltar que, em agosto e outubro deste ano (2016), o grupo salafista Ahfad al-Sahaba Bayt al-Maqdis, ligado ao Estado Islâmico, disparou rockets em direção ao sul de Israel, desde a Faixa de Gaza, tendo atingido a cidade de Sderot, mas não fez vítimas. Na ocasião, o grupo afirmou que o ataque fez parte de um conjunto de ações da “jihad contra os judeus” e também constituiu uma resposta ao Hamas que havia prendido cinco militantes salafistas.

A princípio, tudo indica que Israel está empenhado em impedir que forças inimigas se instalem nas proximidades de suas fronteiras. Em reunião semanal do Governo, na sequência do incidente ocorrido nas Colinas de Golã, o Primeiro-Ministro, Benjamin Netanyahu, prometeu que o seu país “não permitirá que figuras do Estado Islâmico ou outros atores inimigos, a pretexto da guerra na Síria, se instalem ao lado de nossas fronteiras”. Autoridades israelenses acreditam que o EI não pretende abrir uma nova frente contra Israel. Neste contexto, também consideraram que a ação contra os soldados fez parte de uma decisão local e não do alto escalão do grupo. Isto porque a ofensiva desencadeada por parte dos jihadistas foi em pequena escala, diferente das ações que são executadas. De fato, o episódio que teve lugar nas Colinas de Golã não representa, para Israel, o pior dos cenários, mas é um acontecimento primário que, apesar da fraca intensidade, tem potencial para despertar a sanha do Estado Islâmico em pretender se reinventar a partir das fronteiras com Israel.

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Imagem13º Batalhão da Brigada Golani, das Forças de Defesa de Israel, durante um exercício nas Colinas de Golã” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/eb/Flickr_-_Israel_Defense_Forces_-_13th_Battalion_of_the_Golani_Brigade_Holds_Drill_at_Golan_Heights_(22).jpg

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