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A dependência energética da Ucrânia

A Ucrânia está entre os maiores consumidores de energia do continente europeu e com um nível mediano de consumo per capita em termos mundiais. Poucos países são tão dependentes de combustível estrangeiro quanto a Ucrânia. Esta realidade forçou o país, desde o Euromaidan*, em 2014, a diversificar o rol de fornecedores, ao ponto de se tornar independente da importação de gás russo. Por outro lado, as importações de diesel da Rússia aumentaram no país, respondendo por ¼ do consumo ucraniano, em que pese o embargo aos seus produtos entre outubro de 2015 e março de 2016. Hoje, metade de seu mercado é abastecido pela Bielorrússia. No total, 85% dos produtos petrolíferos é importado, o que revela a elevada dependência externa dessas commodities.

O setor petrolífero ucraniano sofre a defasagem atual após anos de falta de investimentos, o que sucateou a sua capacidade de refino. A questão vai além do mero cálculo econômico. Na última década surgiu um mercado concorrencial na distribuição de combustíveis, mas que depende, basicamente, de uma empresa, a Proton Energy Group S/A, sediada em Genebra, na Suíça, que leva ao país o diesel russo produzido pela Rosneft

Além dos hidrocarbonetos, a Ucrânia é altamente dependente da energia nuclear (15 reatores geram cerca de metade da eletricidade). A maior parte de seus serviços nucleares e combustível derivado provém da Rússia (apesar da redução desta dependência através de compras da Westinghouse). Em 2004, encomendou dois novos reatores e o governo planeja manter a participação nuclear na produção até 2030, daí seu interesse em investimentos e tecnologia ocidentais.

Em 2013, o consumo energético, segundo a matriz destacada, foi distribuído da seguinte forma:

·               Combustível fóssil sólido (carvão), 36%;

·               Gás natural, 34%;

·               Nuclear, 19%;

·               Derivados de petróleo, 9%;

·               Renováveis (hidroelétrica, solar, eólica, biomassa), 2%.

As reservas de carvão ucranianas estão entre as sete maiores do mundo e a maior parte dessas jazidas é localizada na bacia de Donbass, atualmente em conflito. Em 2010, a Ucrânia foi o 13º maior minerador de carvão do mundo e, em 2011, o volume de carvão-vapor (destinado à geração de eletricidade) alcançou 62% da produção total.

O mercado de distribuição e venda de eletricidade no país é altamente concentrado, as empresas nesta área são monopólios naturais** e,em alguns casos, parcialmente controlados pelo Estado, que, na maioria deles, é um sócio minoritário. Grandes empreendedores são proprietários dessas empresas, por vezes não diretamente, mas através de empresas a que são filiados. Muitas dessas corporações são registradas no exterior, como estratégia de evasão fiscal***.

Plataforma de perfuração da Chornomornaftogaz

Outra importante variável a ser considerada quando se fala em produção energética na Ucrânia é a geopolítica. A Rússia tenta impedir a exploração de hidrocarbonetos na plataforma continental**** ucraniana no Mar Negro. As plataformas de perfuração da empresa estatal Chornomornaftogaz, uma subsidiária da Naftogaz, foram capturadas pelas Forças Especiais Russas em março de 2014 durante uma operação na Crimeia. A infraestrutura marítima civil instalada contempla sistemas de vigilância para ambientes superficiais e subaquáticos nas plataformas offshore fixas. Seu uso híbrido, civil e militar, prevê a estratégia de contenção para possíveis ações futuras da OTAN. Seguindo esta configuração, os gasodutos de Nord Stream, Nord Stream II e TurkStream nos mares Báltico e Negro também contarão com o aumento da presença da Marinha Russa, justificada pelo argumento da necessidade adicional de proteção.

A Ucrânia é o maior país integralmente localizado no continente europeu, riquíssimo em recursos minerais, solos férteis e com grandes possibilidades de aumentar seu parque energético. No entanto, a sustentabilidade de suas obras e infraestrutura não depende apenas do aporte econômico ou vontade política, mas, também, de um plano geopolítico de longo prazo para evitar a perda de recursos para potências que estão contrapostas ao país. Neste sentido, o consenso em temas cruciais é o primeiro passo para seu Parlamento, que já começa a ser renovado, tão logo ocorram as eleições marcadas para o dia 21 de julho.

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Notas:

* Euromaidan significa, literalmente, “Europraça”, referindo-se a uma série de manifestações de cunho nacionalista, anti-russa e pró-União Europeia, que durou quatro meses, entre novembro de 2013 e março de 2014.

** Monopólio natural corresponde ao monopólio de uma indústria onde os custos fixos, de infraestrutura, são tão altos que praticamente barram a entrada de um competidor no mercado, tornando único seu fornecedor original.

*** Evasão fiscal é quando o contribuinte deixa de recolher impostos ou o órgão arrecadador, por algum motivo, não consegue arrecadá-los. No caso específico, uma empresa instala sua sede em um país que lhe fornece vantagens fiscais, isto é, menos impostos.

**** Plataforma continental corresponde à formação geológica submarina que se estende do litoral do continente até o talude continental, quando começa o declive mais acentuado. Ela apresenta profundidade média de 200 metros e sua importância estratégica e econômica está na maior predisposição à formação de jazidas petrolíferas e de gás natural.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Usina Nuclear de Rivne,Varash” (Fonte): https://uk.wikipedia.org/wiki/%D0%90%D1%82%D0%BE%D0%BC%D0%BD%D0%B0_%D0%B5%D0%BB%D0%B5%D0%BA%D1%82%D1%80%D0%BE%D1%81%D1%82%D0%B0%D0%BD%D1%86%D1%96%D1%8F

Imagem 2 Plataforma de perfuração da Chornomornaftogaz” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:%D0%9F%D0%BB%D0%B0%D1%82%D1%84%D0%BE%D1%80%D0%BC%D0%B0_-2%D0%A1%D0%9F%D0%91%D0%A3_-_panoramio.jpg

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HBO, Chernobyl e Rússia: a questão histórica sobre o desastre nuclear

Em 26 de abril de 1986, o pior acidente da história da geração de energia nuclear ocorreu na usina de Chernobyl, alocada no assentamento de Pripyat, cidade localizada a pouco mais de 100 quilômetros ao norte de Kiev, capital da, na época, República Socialista Soviética da Ucrânia. 

Imagem aérea do reator nuclear acidentado

De acordo com investigações técnicas posteriores ao acidente, foram levantadas as causas desse desastre, quando foi apurado que o reator RBMK* número quatro saiu de controle durante um teste de baixa potência. Segundo informações da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA – International Atomic Energy Agency), as medidas de segurança foram ignoradas, o que levou ao superaquecimento do reator e ao vazamento do combustível de urânio através das barreiras protetoras, ocasionando, assim, uma grande explosão.

Cerca de 150.000 quilômetros quadrados na Bielorrússia, Rússia e Ucrânia foram contaminados com partículas de elementos radioativos que foram espalhados pelas correntes de ar, dos quais, a maioria deles teve seus efeitos reduzidos por sua curta “vida útil”, mas, os mais perigosos, tais como Estrôncio-90 e Césio-137 (metais alcalino-terrosos representados na Tabela Periódica pelos símbolos Sr e Cs, respectivamente) terão seus efeitos prolongados por décadas, talvez séculos, conforme apontam especialistas. Desde o acidente, uma área que abrange o raio de 30 quilômetros ao redor da planta, hoje desativada, é considerada “zona de exclusão” e é essencialmente desabitada por motivos óbvios de segurança.

Logotipo da HBO

Após 33 anos da tragédia, o canal de televisão HBO** revive os momentos trágicos do acidente numa série televisiva nomeada “Chernobyl[Vídeo 1], retratada em cinco episódios, onde apresenta de uma maneira teatral, mas baseada em detalhes factuais[Vídeo 2], o decorrer dos acontecimentos desde a hora fatídica da explosão, passando por todo o processo de atendimento dos bombeiros que colocaram suas vidas em risco para conter o incêndio radioativo e as manobras de evacuação geral das áreas em torno da planta. Outro ponto que marca a produção televisiva é a exposição da trama política por trás do evento, expondo o comportamento do Governo soviético para tentar minimizar a situação.

Sarcófago da Usina Nuclear de Chernobil

Entre críticas e elogios, a dramatização deixa claro a enorme movimentação humana que se realizou para conter a propagação dos efeitos da radiação. Os trabalhadores de emergência, na época denominados de “liquidatários”, foram recrutados para a área e ajudaram a limpar as instalações da fábrica e a região circundante. Estes indivíduos eram principalmente trabalhadores da planta, bombeiros ucranianos, soldados e mineiros da Rússia, Bielorrússia, Ucrânia e outras partes da antiga União Soviética.

O número exato de liquidatários é desconhecido porque não há registros completamente precisos das pessoas envolvidas na limpeza. Segundo informações de órgãos internacionais, entre 400 mil e 600 mil liquidatários foram recrutados para trabalharem em descontaminação e grandes projetos de construção, incluindo o estabelecimento de assentamentos e cidades para trabalhadores de plantas e evacuados. Eles também construíram repositórios de resíduos, barragens, sistemas de filtração de água e o “sarcófago”, que sepulta todo o quarto reator para conter o material radioativo remanescente.

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Notas:

* RBMK é um acrônimo em russo, que significa Reaktor Bolshoy Moshchnosty Kanalnyy (Reator Canalizado de Alta Potência) sendo um reator nuclear de canais pressurizados, refrigerado à água ordinária, com canaletas individuais de combustível passando por dentro de blocos de grafite que, além de moderador, atua como elemento estrutural do núcleo. Tais projetos de reator nuclear, juntamente com os reatores VVER são um dos dois projetos principais a emergir na extinta União Soviética, e ainda são fundamentais para geração de nucloeletricidade na Rússia moderna, que é o único país a operar estes reatores, com um total de 11 ainda em ampla operação.

** HBO é a sigla para Home Box Office. Trata-se de um canal de televisão pay-per-view (por assinatura) norte-americano.

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Vídeos:

Vídeo 1 – Trailler da série televisiva “Chernobyl” do canal HBO. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=s9APLXM9Ei8

Vídeo 2 – Comparação da dramatização televisiva com vídeos reais documentados à época do acidente. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?time_continue=1&v=P9GQtvUKtHA

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Cena o filme Chernobyl do canal HBO” (Fonte): https://i.ytimg.com/vi/s9APLXM9Ei8/maxresdefault.jpg

Imagem 2 Imagem aérea do reator nuclear acidentado” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Acidente_nuclear_de_Chernobil#/media/Ficheiro:Chernobyl_Disaster.jpg

Imagem 3 Logotipo da HBO” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/File:HBO_logo_1975.png

Imagem 4 Sarcófago da Usina Nuclear de Chernobil” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Sarcófago_da_Usina_Nuclear_de_Chernobil#/media/Ficheiro:New_Safe_Confinement_Structure.jpg

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Programa Energia para todos em Moçambique

Foi lançado no dia 12 de novembro (2018), pelo Presidente moçambicano Filipe Nyusi, o Plano Nacional de Energia para Todos. O programa pretende alcançar mais de 28% da população até o ano de 2030, tendo em vista que 72% dos habitantes do país não têm acesso a este recurso. O projeto também contará com a parceria da União Europeia e Banco Mundial, que disponibilizarão cerca de 80 milhões de euros para o programa, aproximadamente 342 milhões de reais, segundo a cotação de 19 de novembro de 2018.

Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi

O Governo buscará captar parte do investimento por meio de empréstimos de Instituições Financeiras Internacionais, além de contar com doações e fundos nacionais. O Plano foi avaliado inicialmente em 5,77 bilhões de dólares até 2030, aproximadamente 21,6 bilhões de reais, segundo a cotação de 19 de novembro de 2018. Igualmente, é importante apontar que o documento lançado engloba consumidores comerciais e sugere a atuação de operadoras privadas de energia para assegurar o alcance da meta estabelecida.

A empresa estatal de energia elétrica, Eletricidade de Moçambique também anunciou que poderá haver reajustes na taxa de eletricidade até o final do mês de novembro, e isto se deve ao planejamento de expansão da rede elétrica, bem como que um percentual ainda não definido do arrecadado será destinado a atender o projeto de 2030 e para ampliar a iluminação pública.

Outra iniciativa lançada pelo Presidente em matéria de energia elétrica ocorreu em agosto de 2018, e refere-se à retomada do projeto de construção da barragem Mpanda Nkuwa, prevista para estar em funcionamento em 2028. Na prospecção do Vice-Ministro da Energia e Recursos Minerais, Augusto de Sousa, apesar do tempo necessário para a operacionalização da nova barragem, o país já terá avançado na geração de energia proveniente de outras matrizes, como o gás natural.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Linhas de transmissão de energia elétrica” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Energia_el%C3%A9trica#/media/File:Electric_transmission_lines.jpg

Imagem 2Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Filipe_Nyusi#/media/File:Filipe_Nyusi,_President,_Republic_of_Mozambique_-_2018_(40689535485)_(cropped).jpg

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Japão reconhece primeira morte relacionada à radiação de Fukushima

O Japão reconheceu, no início do mês de setembro deste ano (2018), que a morte de um funcionário que trabalhou na limpeza emergencial quando os reatores nucleares da usina de Fukushima derreteram, em março de 2011, está relacionada à exposição radioativa excessiva, adquirida durante seu serviço. Ele tinha cerca de 50 anos e o nome não foi divulgado.

Impacto e áreas atingidas pelo tsunami em 2011

O funcionário foi diagnosticado com câncer no pulmão em fevereiro de 2016, um ano após o encerramento de sua função, e a doença e morte foram designadas como “acidente industrial”. O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar admitiu igualmente que 17 trabalhadores entraram com pedido de análise de sua condição, sendo três com leucemia e um com câncer de tireoide. Desse número, dois desistiram, cinco casos foram indeferidos e cinco ainda estão sob análise. Eles recebem indenização do Governo, assim como a família do ex-funcionário.

Tal declaração do Governo japonês é inédita, uma vez que relacionava mortes ao sofrimento e trauma após o desastre, e foi concedida um mês depois que especialistas da ONU denunciaram a exploração dos funcionários, alegando que eles não foram devidamente informados dos riscos da exposição à radiação. A insegurança sobre o quadro de Fukushima reacende o debate sobre as usinas nucleares e leva à desconfiança sobre os limites de exposição definidos pelo Governo, que se aproxima da Olimpíada, em 2020.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Acidente em Fukushima” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Fukushima_I_by_Digital_Globe.jpg

Imagem 2 Impacto e áreas atingidas pelo tsunami em 2011” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Acidente_nuclear_de_Fukushima_I#/media/File:JAPAN_EARTHQUAKE_20110311.png

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China planeja construção de usinas nucleares flutuantes

O lançamento, no dia 28 de abril de 2018, da Akademic Lomonosov, uma usina nuclear flutuante russa, provocou debates sobre o futuro da energia atômica. Grupos ativistas ambientais, preocupados com os possíveis impactos da medida para o ecossistema marinho e a saúde humana, chamaram a usina de “Chernobil* flutuante. Exageradas ou não, as preocupações são legítimas. O movimento das correntes marinhas e a pouca experiência com esse tipo de construção podem desencadear acidentes. A Rússia, entretanto, não está isolada no desenvolvimento de usinas flutuantes. A China tem planos expressivos para esse setor, podendo haver lançamento de uma usina antes de 2020.

Os chineses investem cada vez mais em energia nuclear. Segundo dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o país é o que mais expande sua capacidade nuclear atualmente. Tem 39 usinas atômicas e planeja construir mais 18 nos próximos anos. Apesar das críticas de ambientalistas, a razão declarada para esse investimento é exatamente a de produzir uma matriz energética mais limpa. A China é muito dependente de carvão mineral, que causa emissão de gases de efeito estufa. As usinas nucleares, portanto, poderiam reduzir as emissões.

Em 2016, as empresas nacionais Corporação Nuclear Nacional da China e Grupo Geral de Energia Nuclear da China anunciaram plano conjunto de desenvolver usinas nucleares flutuantes. Há previsão de construção de 20 usinas, e o plano é lançar a primeira até 2020. Zhang Nailiang, engenheiro da Corporação Industrial de Estaleiros da China, afirma que a tecnologia está madura e o primeiro projeto demonstrativo seria empregado em breve em plataformas de perfuração no mar de Bohai, no Norte chinês.

O projeto, contudo, envolve riscos significativos. O primeiro é a falta de experiência com essa nova tecnologia, o que aumenta a possibilidade de acidentes. Além disso, a agência chinesa de segurança nuclear tem número insuficiente de empregados para análise e acompanhamento de problemas, se comparada a agências similares em outros países.

Outro risco é a falta de cooperação com os vizinhos. A Convenção de Segurança Nuclear**, que traz a possibilidade de monitoramento das atividades atômicas por meio de relatórios, só é aplicável a usinas terrestres. A única norma internacional aplicável a usinas flutuantes seria a Convenção sobre Pronta Notificação de Acidente Nuclear***. Isso seria complicado, pois alertar quando ocorre um acidente não é necessariamente suficiente para evitar danos no território de países vizinhos.

Mar do Sul da China

A situação é agravada quando se considera a planejada localização das usinas flutuantes. Elas ficariam no Mar do Sul da China, área em que os chineses têm elevado interesse estratégico e disputas territoriais com outros países. A nação asiática constrói ilhas artificiais e aumenta a presença militar na região. Alguns analistas temem que as usinas nucleares flutuantes, que a China afirma que servirão para abastecer a cidade de Sansha, no arquipélago Paracel****, na realidade serviriam para fortalecer o pleito chinês. As desconfianças dos vizinhos, portanto, são obstáculos a uma cooperação efetiva.

A construção de usinas flutuantes pela China será um desafio geopolítico e ambiental. As tensões geopolíticas também podem aumentar, já que, ao colocar usinas em território disputado, os chineses afirmam sua soberania e irritam os vizinhos. As pressões de grupos ambientalistas, já sentida na usina russa, tende a intensificar-se, devido à magnitude do projeto chinês. Além disso, existe uma corrente que declara que o aumento desse tipo de usinas pode causar catástrofes ambientais em proporções enormes, algo que está sob debate.

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Notas:

* A citação faz referência à usina nuclear russa de Chernobil, onde houve acidente de grandes proporções em 1986. Os efeitos do acidente foram sentidos em boa parte do continente europeu, causando muitas mortes. O episódio aumentou as preocupações da comunidade internacional com usinas nucleares.

** Acordo internacional firmado em 1994, que busca alcançar e manter um alto nível de segurança nuclear mundial através do fortalecimento de medidas nacionais e da cooperação internacional.

*** Acordo internacional firmado em 1986, com o objetivo de os Estados fornecerem informações relevantes sobre acidentes nucleares logo que possível, de maneira a minimizar consequências radiológicas transfronteiriças.

**** Área disputada entre China e Vietnã.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Usina nuclear de Qinshan” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Nuclear_power_in_China

Imagem 2 Mar do Sul da China” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/South_China_Sea

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Demais Fontes Consultadas

[1] Ver:

https://www.telegraph.co.uk/news/2018/05/01/green-groups-warn-maritime-chernobyl-russia-launches-floating/

[2] Ver:

https://www.reuters.com/article/us-china-nuclearpower-offshore/china-close-to-completing-first-offshore-nuclear-reactor-idUSKBN1D0048

[3] Ver:

https://www.iaea.org/newscenter/news/how-china-has-become-the-worlds-fastest-expanding-nuclear-power-producer

[4] Ver:

https://thediplomat.com/2018/05/chinas-risky-plan-for-floating-nuclear-power-plants-in-the-south-china-sea/

[5] Ver:

http://www.news.com.au/technology/innovation/chinas-plans-to-expand-in-the-south-china-sea-with-a-floating-nuclear-power-plant-continue/news-story/bdc1bf6f6b556daf097b3199b5690182

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A Dinamarca é a escolha chinesa para a transição verde

No início do mês de setembro, a Dinamarca recebeu a visita do Diretor da Administração Nacional de Energia (NEA) da China, Nur Bekri, que se reuniu com o Ministro da Energia e Clima do país, Lars Christian Lilleholt, para tratar de assuntos referentes a energia verde.

Ministro Lars Lilleholt

A China é o maior emissor de gases de efeito estufa do mundo e planeja diminuir sua cota de poluição mediante a transição da matriz de carvão e petróleo para a energia verde. Para tanto, Pequim busca a tecnologia dinamarquesa com o objetivo de integrar cerca de 20% de sua matriz eólica, a qual apresenta carência de flexibilidade, e para a efetuação de mudanças com a diminuição do consumo de energia não fóssil até 2020.

A Dinamarca apresenta o oposto da perspectiva chinesa, pois o Estado é líder no desenvolvimento de matriz eólica com concentração energética nos parques offshore. O Jornal Copenhaguen Post expôs a declaração do Ministro Lilleholt sobre a questão: “A China é o maior emissor de gás carbônico do mundo e a chave para resolver as mudanças climáticas globais repousa lá”. Diante das expectativas chinesas, Copenhague estimula o crescimento do setor no país com a decisão de construção dano-chinesa de um centro para testes de energia eólica offshore na China.

O ânimo do Ministro Lilleholt é grande e ele deseja promover as empresas de tecnologia verde dinamarquesas em sua visita à China na primavera. No que diz respeito à esta pauta, o Jornal Reuters noticiou a afirmação do próprio Ministro: “A China está enfrentando uma tarefa gigante na transição verde para viver conforme o acordo climático de Paris, e minha percepção é clara de que ele (Bekri) está muito interessado em trabalhar com a Dinamarca e com as empresas dinamarquesas a esse respeito”.

Os analistas apontam que a oportunidade é boa para ambos os atores, pois, do lado dinamarquês, favorece a ampliação de seus parceiros de negócios e, do lado chinês, abrem-se novas percepções rumo ao aperfeiçoamento de uma matriz energética cada vez mais sustentável.

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Notas:

* Pequim, capital da República Popular da China, referindo-se ao Governo do país.

** Copenhague, capital do Reino da Dinamarca, referindo-se ao Governo do país.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Parque eólico de Middelgrunden Øresund” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/97/Middelgrunden_wind_farm_2009-07-01_edit_filtered.jpg/1280px-Middelgrunden_wind_farm_2009-07-01_edit_filtered.jpg

Imagem 2 Ministro Lars Lilleholt” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/96/Folketingsvalg_2015_1.JPG/1024px-Folketingsvalg_2015_1.JPG