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[:pt]Congressistas pedem a Trump que leve crise da Venezuela ao Conselho de Segurança da ONU[:]

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Na semana retrasada, membros do Congresso dos Estados Unidos da América (EUA) pediram que Donald Trump, Presidente do país, leve a situação da Venezuela ao Conselho de Segurança da Nações Unidas. Congressistas republicanos e democratas enviaram uma carta à Casa Branca, na qual pedem que o Governo Trump faça valer sua voz na ONU, a fim de permitir que ajuda humanitária e o trabalho de Organizações de assistência possam ser oferecidos à população venezuelana.

Ainda na semana retrasada, congressistas estadunidenses propuseram uma legislação para tratar a crise no país sul-americano, que inclui sanções a indivíduos que são apontados por estar envolvidos em corrupção e são considerados responsáveis por esfacelar a democracia da Venezuela. Ainda por esse Projeto de Lei se destinará cerca de US$ 10 milhões em ajuda humanitária.

Ademais, de acordo com a Reuters, o grupo pede também que o Departamento de Estados dos EUA coordene esforços com países da região para amenizar crise e que a Inteligência estadunidense informe ligações de autoridades do Governo venezuelano com o tráfico de drogas e a corrupção. Outro ponto central defendido pelos congressistas refere-se as questões relacionadas ao mercado petrolífero. Congressistas republicanos e democratas apelam também para que o Governo Trump adote medidas que evitem que a Rosneft, estatal petroleira da Rússia, não obtenha controle sobre a infraestrutura de energia dos EUA.

A economia da Venezuela é baseada na produção de petróleo e estimativas apontam que aproximadamente 90% das exportações do país correspondem ao hidrocarboneto. Segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), a Venezuela possui as maiores reservas de petróleo bruto do mundo, cerca de 300 milhões de barris. Tendo em vista a sua dependência econômica, o agravamento da crise que assola o país tem entre seus fatores a queda do preço no barril de petróleo, que, antes de 2014, custava em média 115 dólares e desde então custa metade desse valor.

A preocupação dos congressistas estadunidenses está relacionada à empresa estatal de petróleo, a Petróleos de Venezuela (PDVSA), que na década de 1980 comprou a refinaria Citgo, com sede em Houston, EUA. A PDVSA foi fundada em 1975 e é responsável pela exploração, produção, fabricação, transporte e comercialização de hidrocarbonetos da Venezuela. Em 2016, a PDVSA utilizou 49,9% de suas ações na Citgo como garantia para assegurar um empréstimo oriundo da Rosneft, num montante estimado entre 4 e 5 bilhões de dólares. No entanto, analistas ressalvam que não está claro se a Rosneft poderia assumir a Citgo caso a PDVSA não honre os pagamentos do financiamento. Em abril deste ano (2017), Congressistas já alertavam ao governo Trump que essa possibilidade pode representar um problema à Segurança Nacional dos Estados Unidos. Para H.R. McMaster, assessor de segurança nacional do Governo Trump, conforme destacou a Reuters, declarou que a crise política na Venezuela precisa ser levada a uma conclusão rápida e pacífica.

Os congressistas estadunidenses destacaram ainda na carta enviada a Trump que a “situação desesperadora” que a Venezuela se encontra tem gerado maior pedido de asilo no país. Em 2016, cerca de 18 mil venezuelanos solicitaram asilo nos Estados Unidos. A Venezuela é o único Estado latino-americano a compor a lista de 30 países com maiores pedidos de refúgio na União Europeia (UE), ocupando a 24ª posição. No ano passado (2016), o número de pedidos de venezuelanos na União Europeia foi de cerca de 4.695, embora esse número seja baixo quando comparado aos 1,2 milhão de pedidos feitos a UE oriundos particularmente da Síria, Líbia, Iraque, Afeganistão, Eritréia, entre outros. Dentre os Estados da UE, a Espanha concentra 80% dos pedidos, que em 2016 foi de 3.960. O Brasil também registrou aumento de venezuelanos em seu território. Segundo a Polícia Federal Brasileira em Boa Vista (Estado de Roraima), cerca de 2 mil venezuelanos pediram asilo em 2016. Esse número representa um significativo aumento quando comparado a 2014, ano em que o número de requerentes foi de apenas 9, ou a 2015, quando passou para 230.

Cabe destacar ainda que, no início de maio, Nicolás Maduro, Presidente da Venezuela, anunciou a convocação de uma Assembleia Constituinte que teria por objetivo criar um novo aparato jurídico, resultando em uma nova Constituição que resultaria em eleições gerais. Para a Oposição a Maduro essa medida visa deteriorar a atual Assembleia Nacional que é liderada pelos opositores, além de assegurar Nicolás Maduro no poder. O pronunciamento do Presidente venezuelano gerou uma série de preocupações de lideranças internacionais. Para Luis Almagro, Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), conforme ressaltou a DW, o anúncio de uma nova Constituinte é uma tentativa de dar novamente um Golpe de Estado. Além disso, a declaração de Maduro provocou uma onda de protestos que pedem a saída do Presidente, novas eleições e ajuda exterior para aliviar a crise econômica. Já a Organização das Nações Unidas (ONU) ressaltou que, em virtude do agravamento da crise e da violência, é preciso reduzir a polarização, buscar mecanismos para enfrentar os desafios e achar soluções em benefício do povo venezuelano.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa de Venezuela” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Venezuela

Imagem 2Entrada da sede de PDVSA localizada na avenida 5 de Julio em Maracaibo, podese ler atrás parte da frase Patria, Socialismo o Muerte” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Petr%C3%B3leos_de_Venezuela#/media/File:PDVSA_5_de_Julio.jpg

Imagem 3 Nicolás Maduro Presidente da Venezuela” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Nicolás_Maduro

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AMÉRICA DO NORTEENERGIAMEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDESociedade Internacional

[:pt]A Ordem Executiva de Donald Trump sobre o clima: o panorama para o meio ambiente[:]

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A iniciativa promulgada pela Casa Branca através de Ordem Executiva sobre política energética na última semana concretizou para esse novo ambiente um conjunto de ações que visam bloquear ou reverter as iniciativas climáticas e de energia limpa desenvolvidas pela administração de Barack Obama.

O chamado Plano de Energia Limpa (Clean Power Plan), cujo propósito visa reduzir as emissões de CO2 na geração de energia elétrica, receberá ao longo da administração Trump uma revisão que ficará a cargo da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês), que, por conseguinte, poderá rever ou revogar as ações implementadas por Obama para redução de gases de efeito estufa.

Contudo, no âmbito jurídico, a EPA não possui mecanismos para revogação sem uma ação prévia de substituição, uma vez que a Suprema Corte havia sancionado que a interpretação atual da Lei de Ar Limpo, na qual se baseia o Plano de Energia Limpa, exige da agência ambiental estadunidense regulação do dióxido de carbono como poluente. Dessa forma, a revogação sem a devida análise qualitativa substitutiva violaria a ordem da Suprema Corte, sendo necessário, portanto, uma nova medida de Trump para sustentar junto a Corte tal mudança anunciada por meio de Ordem Executiva.

Apesar da complexidade do cenário, há possibilidade de incluir ações imediatas, dentre as quais:

  • Reversão da moratória de Obama sobre novas concessões de mineração de carvão em terras federais;
  • Eliminar a consideração dos gases de efeito estufa dos exames de permissão ao abrigo da Lei Nacional de Política Ambiental;
  • Abandono formal do roteiro traçado por Obama sobre como alcançar reduções de emissões nos EUA;
  • Eliminação de uma ferramenta para análise de custo-benefício na revisão regulatória denominada “Custo Social do Carbono”.

Como consequências a impositiva iniciativa governamental, o desmantelamento do Clean Power Plan (CPP, na sigla em inglês) culminaria para os EUA no aumento da poluição e inserção em uma faixa menos ambiciosa de redução até 2030, que visava o recuo de 32% nas emissões de CO2. Nesse sentido, impactos econômicos e na saúde poderão ser mais latentes, uma vez que a remoção do CPP implicaria em atrasos dispendiosos na implementação do que, a longo prazo, serão as reduções necessárias em emissões globais de gases de efeito estufa.

Em complemento, de acordo com estatísticas recentes elaboradas pelo Departamento de Energia, a indústria de mineração de carvão, setor protagonista, de acordo com as interpretações do presidente Donald Trump à cerca do tema de recuperação do emprego, absorveu no ano de 2015 cerca de 66 mil mineiros, em comparação aos cerca de 3 milhões de novos postos de trabalho apoiados por energia limpa. Por conseguinte, o impacto provável da encomenda na indústria do carvão será fraco a curto prazo e médio prazo, embora abra espaço para novas fontes de suprimento.

Na esfera geopolítica, a consequência maior está atrelada aos desdobramentos que tal medida de política interna irá impactar no Acordo de Paris para Mudanças Climáticas, em que 141 Estados ratificaram o Acordo que colocou mercados emergentes (China e Índia, por exemplo) em igualdade de condições com os Estados Unidos e outras nações desenvolvidas. Desse modo, por conseguir homogeneizar a multilateralidade em um tema específico, há, conforme especialistas consultados, a possibilidade de impor barreiras comerciais sobre os Estados Unidos, caso a saída do Acordo de Paris seja consolidada.

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Imagem 1 Fumo emitido pela queima de baterias de automóveis descartadas” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/United_States_Environmental_Protection_Agency#/media/File:BURNING_DISCARDED_AUTOMOBILE_BATTERIES._(FROM_THE_SITES_EXHIBITION._FOR_OTHER_IMAGES_IN_THIS_ASSIGNMENT,_SEE_FICHE…_-_NARA_-_553841.jpg

Imagem 2 Exsecretário de Estado John Kerry com sua neta no colo assinando documento da COP21 referente ao acordo de mudanças climáticas no salão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas em Nova Iorque” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Paris_Agreement#/media/File:Secretary_Kerry_Holds_Granddaughter_Dobbs-Higginson_on_Lap_While_Signing_COP21_Climate_Change_Agreement_at_UN_General_Assembly_Hall_in_New_York_(26512345421).jpg

Imagem 3 Foto de Mineiros carvão em West Virginia, em 1908” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/History_of_coal_mining_in_the_United_States#/media/File:Child_coal_miners_(1908)_crop.jpg

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ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALENERGIAMEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASTecnologia

[:pt]Desenvolvimento sustentável na China e o fechamento de 103 usinas de produção de energia à base de carvão[:]

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O Presidente chinês, Xi Jinping, reafirmou o compromisso da China em promover a cooperação internacional na área do meio ambiente e desenvolvimento sustentável, na ocasião no Fórum Econômico Mundial de Davos (2017), ressaltando a importância dos Acordos de Paris*, negociados no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Conforme declarou: “O Acordo de Paris é um uma conquista que demandou muitos esforços… Todos os signatários deveriam manter seus compromissos e não abandonar o que foi negociado”. O discurso do Mandatário é um importante gesto político, entretanto, as ações são mais importantes do que as palavras.

Nesse sentido, o fechamento de 103 usinas de produção de energia a base de carvão na China é um gesto emblemático, que demonstra os esforços do país no sentido de reduzir as suas taxas de poluição e promover um modelo econômico que prime pela sustentabilidade. Várias das usinas já estavam em fase de construção e os projetos se estenderiam por 13 Províncias do país. O uso do carvão como matriz energética caiu de 68,7% do total de energia consumida pela China, no ano de 2014, para 65%, no ano de 2015. Uma queda acentuada, mas que demonstra o longo caminho que ainda precisa ser trilhado.

A China representa 25% do total da produção global de energias geradas através de fontes renováveis. O plano econômico quinquenal vigente, para o período de 2016-2020, tem forte ênfase em inovação e no desenvolvimento de tecnologias verdes, incluindo o objetivo de reduzir as emissões de carbono do país em 18%, até o ano de 2020. Atualmente, a China investe um montante superior ao da União Europeia no desenvolvimento de tecnologia e de energias renováveis.

Uma grande dose de vontade política será necessária para que continue a trilhar o caminho do desenvolvimento sustentável, fato que parece estar sendo comprovado pelas iniciativas acima referidas. Além disso, novas formas de cooperação entre governos, empresas privadas e a sociedade civil serão necessárias para enfrentar o desafio sistêmico do combate ao aquecimento global. O enfraquecimento da posição dos Estados Unidos no debate sobre este importante tema apresenta uma conjuntura de oportunidade para a projeção da liderança chinesa, possibilitando simultaneamente o aumento do poder brando do país e contribuindo para o bem público global.

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Notas e Fontes consultadaspara maiores esclarecimentos:

O Acordo de Paris visa lidar com a redução e a adaptação da emissão de gases que contribuem para o aquecimento global. Espera-se que o Acordo entre em vigência no ano de 2020. Até o presente, 194 países assinaram-no, sendo que 133 deles já o ratificaram no âmbito de suas jurisdições internas. 

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Imagem 1 Usina de Produção de energia a base de carvão ” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d6/Coal_power_plant_Datteln_2_Crop1.png

Imagem 2 Gráfico sobre Consumo e Produção de Energia na China” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/13/China-primary-energy-ej-2009v1.svg/2000px-China-primary-energy-ej-2009v1.svg.png

Imagem 3 Círculos de Sustentabilidade” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/96/Circles_of_Sustainability_image_(assessment_-_Melbourne_2011).jpg

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ENERGIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade InternacionalTecnologia

[:pt]Capacidade nuclear mundial continuou crescendo em 2016[:]

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A capacidade de geração nucleoelétrica global aumentou em 2016 para 391,4 GWe líquidos, contra 382,2 GWe no final de 2015, de acordo com dados da World Nuclear Association. A construção de três grandes usinas nucleares também começou em 2016, enquanto três outras foram permanentemente desligadas

Dez novas usinas nucleares, com uma capacidade de geração combinada de 9.579 MWe, entraram em operação em 2016, superando 2015 (9.497 MWe) e 2014 (4.763 MWe). Cinco destas novas usinas são chinesas (Ningde 4, Hongyanhe 4, Changjiang 2, Fangchenggang 2 e Fuqing 3); uma da Coréia do Sul (Unidade 3 da central nuclear de Shin Kori); uma na Índia (Kudankulam 2); uma no Paquistão (Chashma 3); uma na Rússia (Novovoronezh 6) e uma nos EUA (Watts Bar 2).

A capacidade de geração nuclear de 92 MWe foi também adicionada durante 2016 através de aumentos de potência (power uprates) nos EUA (72 MWe em Peach Bottom 3 e 20 MWe no Catawba 1). Em 2015, 484 MWe de nova capacidade foram adicionados através de uprates.

A China iniciou em 2016 a construção de Tianwan 6 (1.080 MWe) e Fangchenggang 4 (1.150 MWe). Além disso, a China General Nuclear (CGN) iniciou a construção de uma usina nuclear flutuante de 60 MWe. O Paquistão iniciou a construção da unidade 3 da central nuclear de Karachi, onde os trabalhos na unidade 2 começaram em 2015.

Três usinas nucleares com uma capacidade somada de 1.402 MWe foram oficialmente desligadas em 2016: Ikata 1, no Japão; Fort Calhoun, nos EUA; e a Unidade 3 de Novovoronezh, na Rússia. Também no Japão, o Governo tomou a decisão formal de descomissionamento do protótipo de reator de nêutrons rápidos de Monju. Este reator está desligado desde 2010.

No final de 2016, havia 447 usinas nucleares em operação no mundo, totalizando 391,4 GWe líquidos, e 60 novas unidades em construção (64,5 GWe brutos). Ao final de 2015 havia 439 unidades em operação, totalizando 382,2 GWe.

A World Nuclear Association desenvolveu sua própria visão para o futuro da nucleoeletricidade, conhecida como Harmony, baseada num cenário de mitigação da emissão de gases de efeito estufa que limite em dois graus o aumento da temperatura média global. O cenário Harmony visa evitar as consequências mais prejudiciais das alterações climáticas e exige um grande aumento da geração elétrica nuclear. A Harmony prevê um mix diversificado de tecnologias de geração elétrica de baixo teor carbono, implementadas de tal forma que os benefícios de cada uma sejam maximizados enquanto os impactos negativos são minimizados. O objetivo da Associação para a energia nuclear é fornecer 25% da eletricidade em 2050, exigindo que cerca de 1.000 GWe de nova capacidade nuclear seja implantada até lá.

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Imagem 1 Relatório de Desempenho Nuclear de 2016” (Fonte):

http://www.world-nuclear.org

Imagem 2 Banco de Dados de Reatores” (Fonte):

http://www.world-nuclear.org

Imagem 3 Relatório Mundial de Desempenho Nuclear 2016 Edição Ásia” (Fonte):

http://www.world-nuclear.org

Imagem 4 Eletricidade e Armazenamento de Energia” (Fonte):

http://www.world-nuclear.org

Imagem 5 Poderes da Energia Nuclear Seu Estilo de Vida” (Fonte):

http://www.world-nuclear.org

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Fonte Consultada:

Avaliação de Leonam dos Santos Guimarães: Doutor em Engenharia, Diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da Eletrobrás Eletronuclear e membro do Grupo Permanente de Assessoria do DiretorGeral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

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ENERGIAEUROPAMEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]O Governo dinamarquês e a flexibilização da Lei ambiental[:]

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A Dinamarca é um Estado de referência no âmbito da preservação ambiental e da aplicação de valores sustentáveis na sociedade. Dentro desta postura, o atual Governo planeja trazer maior flexibilidade na legislação ambiental, de forma a poder investir na construção de um parque eólico na cidade rural de Ikast, região central do país. Todavia, os críticos alegam que a medida é incongruente com a perspectiva de proteção das florestas, sobretudo na área de destaque, a qual possui grande quantidade de pinheiros.

A proposta governamental é de responsabilidade do Ministro do Meio Ambiente, Esben Lunde Larsen, o qual negocia junto aos parlamentares na intenção de desenvolver um projeto-piloto que privilegie não apenas o aparecimento de turbinas eólicas de 200 metros de altura em terreno de coníferas, mas, também, mudanças pontuais no espaço em questão, por meio da construção de creches florestais, instituições veteranas e um campo de rafting.

Em defesa do projeto, o ministro Larsen apresentou despreocupação com o fim dos biomas florestais e declarou: “Trata-se de criar uma nova floresta, se você quiser colocar turbinas eólicas, e recorda que, desde 1990, a Dinamarca teve um aumento de 15% no quantitativo de florestas”. Em justificativa, afirmou: “O governo quer fornecer mais acessibilidade aos dinamarqueses em nossas florestas. Acreditamos que é importante colocar turbinas eólicas em locais onde vivem poucas pessoas, de modo que, não incomodando os vizinhos, ajudamos a criar energia verde”.

Entretanto, não existe unanimidade sobre o projeto, que enfrenta a oposição da Presidente da Sociedade Dinamarquesa de Conservação da Natureza, Ella Maria Bisschop Larsen, a qual descrê na eficácia do reflorestamento e compreende que após a ação do homem no ambiente o mesmo não pode retornar a seu estado original. No tangente a pauta, a própria Bisschop Larsen afirmou: “É um ataque inaceitável em nosso ambiente natural favorito. Uma vez construída casas unifamiliares ou instituições na floresta você não pode voltar as coisas para trás. Você não pode simplesmente mover a floresta. Se uma floresta se foi, ela se foi”.

Esta não é a primeira vez que o Governo dinamarquês insiste na instalação de parques eólicos no país, pois, recentemente, Copenhague teve a ideia de fazer o mesmo ao longo de sua costa. Todavia, consoante a opinião dos analistas, percebe-se que pode estar ocorrendo um estranhamento na situação, visto que, apesar da nobreza da causa, os legisladores não aparentam concordar quanto aos impactos sociais do projeto, fazendo receber destaque a reflexão sobre a razão para a euforia demonstrada sobre a energia verde. Alguns observadores apontam que, possivelmente, a questão transita pelo universo do marketing político, tanto para fins domésticos, como internacionais. 

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ImagemMapa da Dinamarca com bandeira nacional” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/42/Flag-map_of_Denmark.svg/2000px-Flag-map_of_Denmark.svg.png

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BLOCOS REGIONAISECONOMIA INTERNACIONALENERGIAEUROPAMEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]União Europeia dá novo impulso para a discussão sobre a governança internacional dos oceanos[:]

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Governança, proteção e uso sustentável. Essas foram as palavras-chaves dos discursos das autoridades europeias durante os eventos de alto nível realizados entre os dias 7 e 18 de novembro acerca da gestão do oceano e seus recursos. Foram três eventos independentes, mas que o próprio Karmenu Vella, Comissário Europeu para o Meio Ambiente, Assuntos Marítimos e Pesca, apontou que poderiam ser agrupados como a Semana da União Europeia (UE) para os Oceanos (EU Ocean Week).

captura-de-tela-2016-11-17-as-13-05-39O primeiro evento foi o Fórum sobre Energia Oceânica, ocasião em que a UE lançou o documento “Construindo a Energia Oceânica para a Europa”, relatório que traz orientação estratégica para a viabilização em larga escala desta modalidade de geração de energia para a Europa. O Documento prevê que, até 2050, 10% da eletricidade gerada na Europa pode ter como origem as variações propiciadas pelas ondas e marés. Adicionalmente, a energia oceânica poderia abrir um mercado anual de 53 bilhões de euros para a Europa, além de evitar anualmente a emissão de 276 milhões de toneladas de CO2.

No segundo evento, a Comissão Europeia divulgou o comunicado conjunto acerca da governança internacional dos oceanos, no qual ela propõe 50 ações para a gestão segura, limpa e sustentável do oceano na Europa e no mundo. Iniciativa que Vella  classificou como “chamado para uma ação internacional que visa atualizar o regulamento sobre o alto mar para o século XXI”. A ideia central do documento é pautar a governança internacional dos oceanos em torno de três prioridades: i. Aperfeiçoamento dos mecanismos de governança internacional dos oceanos; ii. Redução a pressão aplicada pelo ser humano nos oceanos e criar as condições para a sustentabilidade da Economia Azul; iii. Fortalecer a pesquisa e coleta de dados oceanográficos.

No texto, a Comissão deixa clara a multidisciplinariedade da iniciativa ao associar a nova agenda para a gestão dos oceanos com três pautas de ação prioritárias da UE: a. geração de empregos e investimentos para impulsionar a debilitada economia do Bloco;b. demonstração prática da postura proativa da UE no que tange ao cumprimento dos compromissos assumidos na sua Estratégia Global para Política Exterior e de Segurança; c. resposta europeia para Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, em especial para a meta 14 sobre conservação e uso sustentável dos oceanos, mares e recursos marítimos.

O encerramento da “EU Ocean Week” ficou por conta da participação do Comissário Europeu na 22ª Conferência Quadro das Partes sobre Mudanças Climáticas (COP 22), realizada em Marrakesh, Marrocos, entre 7 e 18 de novembro. Vella participou da sessão “Economia do oceano e a África” delineando as perspectivas do crescimento sustentável da economia azul para a África e da sessão plenária de alto nível do Dia da Ação para o Oceano, na qual apresentou um balanço das mais recentes iniciativas do Bloco sobre a governança dos oceanos e conclamou os líderes mundiais a cooperarem em prol dessa causa global.

Com essas iniciativas a UE e seus membros reforçam o seu papel de liderança na discussão e cooperação interacional em torno dos assuntos marítimos, temática que traz consigo nuances econômicas e ambientais que muitas vezes ganham contornos estratégicos, como aconteceu recentemente no Mar do Sul da China e no Ártico.

Trazer esta discussão à tona durante a realização da COP 22 favorece o seu enquadramento como um caminho possível para combater as mudanças climáticas. No entanto, deve-se levar em conta que a questão da governança dos oceanos vem ganhando amplitude no cenário internacional, esboçando muitas vezes um ímpeto mais acirrado entre as partes.

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Imagem 1 Infographic the EU and the International Ocean Governance” (Fonte):

https://ec.europa.eu/maritimeaffairs/sites/maritimeaffairs/files/docs/body/eu-and-international-ocean-governance_en.pdf

Imagem 2 Infographic on International Ocean Governance” (Fonte):

https://ec.europa.eu/maritimeaffairs/sites/maritimeaffairs/files/docs/body/2015-international-ocean-governance_en.pdf

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