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A independência energética da Lituânia

Na última semana, o Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker; a Presidente da Lituânia, Dalia Grybauskaite; a PrimeiraMinistra da Polônia, Ewa Kopacz, e demais líderes bálticos assinaram um Acordo sobre financiamento energético com a Comissão Europeia para a construção de um gasoduto que ligará os países bálticos à Europa Ocidental[1].

O projeto Gas Interconnector PolôniaLituânia (GIPL) está estimado em 558 milhões de euros[2] e possui previsão de início em 2019. O gasoduto terá extensão de 534 quilômetros, compreendendo 357 km na Polônia e 177 km na Lituânia, com capacidades iniciais previstas de 2,4 bilhões de m³ por ano, no sentido lituano, e 1 bilhão de m³ por ano, no sentido polonês[1].

O projeto é estratégico da União Europeia (UE) e visa diminuir a dependência dos Estados Bálticos em relação ao gás russo, por meio da integração com os atores do grupo. O presidente JeanClaude Juncker declarou: “Hoje nós temos feito muito mais do que trazer os Estados Bálticos do isolamento de energia. Nós trouxemos a região para mais perto. Hoje, nós concordamos em infraestrutura europeia que é melhor nos unir, em vez de nos dividir[1].

A primeiraministra polonesa Ewa Kopacz declarou “que o acordo era a prova de que era possível agir de forma eficaz, a fim de eliminar as ilhas energéticas na UE e fortalecer a segurança energética de todos os países em nossa região[2]. Dias antes da sua assinatura, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Lituânia, Linas Linkevicius, expressou: “Nossos países têm um grande potencial de cooperação, que devem ser plenamente explorados[3].

Em concordância ao projeto do gás, os governos da Lituânia e Polônia decidiram implementar uma ligação de seus sistemas de energia elétrica, por meio da empresa LitPol Link, encarregada das operações. A parceria recebeu 27,4 milhões de euros de patrocínio da Comissão Europeia e da UE[4] para a redução das ilhas energéticas e compõe de 163 km de linha de transmissão, 51 km na Lituânia e 112 km na Polônia, com capacidade de 500 MW, em dezembro de 2015, e de 1.000 MW, até 2020[5].

O potencial de cooperação entre lituanos e poloneses não é resultante de acaso, pois, no passado, o GrãoDucado da Lituânia e oReino da Polônia uniram-se numa Federação, denominada República das Duas Nações (15691795), cuja abrangência incluía territórios da atual Polônia, Lituânia, Letônia, Estônia, Ucrânia, Bielorrússia e Rússia.

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Imagem Bandeira da Lituânia sobre mapa” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/b2/Flag-map_of_Lithuania.svg/1280px-Flag-map_of_Lithuania.svg.png

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Fontes Consultadas:  

[1] Ver Polônia assina acordo para construir ligação de gás com a Lituânia”:

http://www.warsawvoice.pl/WVpage/pages/article.php/33337/news (Acesso: 19.10.2015)

[2] Ver Lituânia e Polônia assinam acordo para reduzir a dependência do gás russo no Báltico”:

http://www.baltictimes.com/lithuania_and_poland_sign_agreement_to_reduce_baltic_dependence_on_russian_gas/ (Acesso: 19.10.2015)

[3] Ver Lituânia e Polônia desfrutam de laços de amizade – temos de explorar o potencial: Linkevicius”:

https://www.urm.lt/default/en/news/lithuania-and-poland-enjoy-friendly-tieswe-must-exploit-the-potential-linkevicius (Acesso: 19.10.2015)

[4] Ver LitPol link recebe 27 milhões de euros de financiamento da UE”:

https://www.enmin.lt/en/news/detail.php?ID=4359 (Acesso: 19.10.2015)

[5] Ver LitPol link (LituâniaPolônia ligação de energia elétrica)”:

https://www.enmin.lt/en/activity/veiklos_kryptys/strategic_projects/litpolink_project.php (Acesso: 19.10.2015)

ENERGIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Energia nuclear: como a opinião pública pode ser conquistada?

Embora, hoje, o maior problema do setor nuclear seja, sem dúvida, o custo e o prazo de construção de novas usinas, isto é, em última análise, causado por seu baixo nível de aceitação pública. Até que o medo que cerca o setor nuclear seja amplamente superado, é pouco provável que os custos desçam a níveis que permitam que novas usinas nucleares sejam realmente competitivas nos mercados atuais da eletricidade.

A Alemanha baniu a geração nuclear unicamente em razão da aceitação do público, independentemente do absurdo econômico que isso representou. Pouco progresso foi feito na aceitação pública desde o acidente de Fukushima. A resposta da indústria nuclear mundial ao acidente tem sido fraca e fragmentada. Esse, entretanto, é um desafio que deve ser visto de uma perspectiva em longo prazo.

Escolhendo entre os futuros cenários do recente “World Energy Outlook 2014”, lançado em 15 de junho de 2015 pela Agência Internacional de Energia, aqueles que apresentam um declínio notável no setor nuclear na Europa e América do Norte, mas com crescimento significativo na China e em alguns outros países, parecem ser os mais prováveis. O declínio em países mais estabelecidos em termos nucleares irá levar algum tempo para ser revertido, tendo em vista que o número de novas construções é insuficiente para compensar o envelhecimento das usinas existentes.

Uma esperança seria que as lições aprendidas através da construção de um grande número de usinas padronizadas na China sejam eventualmente transferidas para o mundo ocidental. Entretanto, sem abordar a questão da aceitação do público de forma abrangente, é improvável que isso aconteça. Para aqueles de nós convencidos de que o setor nuclear deve desempenhar um papel importante no atendimento à demanda mundial por energia deste século isto é profundamente frustrante.

Até 2030, porém, a mensagem de que as energia renováveis não poderão preencher a lacuna deixada pela diminuição da utilização de combustíveis fósseis certamente irá ser claramente confirmada. Nesse ponto, os esforços direcionados hoje para superar o fator medo da indústria nuclear poderão dar frutos objetivos, talvez com reatores de projetos inovadores, que apresentem melhores resultados econômicos pela combinação de simplicidade e segurança aceitável.

O primeiro ponto num plano de ação para “conquistar corações e mentes” seria a melhoria da compreensão do público sobre a radiação e uma ampla reforma do regime internacional de proteção radiológica. É o medo das consequências da exposição à radiação que corrobora a maioria das áreas em que a indústria vem sofrendo ataque, desde a mineração de urânio, passando pela segurança operacional dos reatores, até a gestão dos resíduos, desmantelamento e transporte de materiais nucleares. É justamente isso que marca o setor nuclear como excepcional. Até o público em geral e os seus representantes políticos entenderem melhor a radiação e seus reais efeitos, seu medo (de fato terror) da energia nuclear não poderá ser combatido.

Esta primeira etapa de compreensão do público é extremamente difícil. Explicar tudo sobre algo que não pode ser detectado por nenhum dos sentidos humanos é um desafio, mas teria que começar com as aulas de ciências da escola. É essencialmente um desafio educacional que tem que começar com aqueles que estarão vivendo suas vidas durante a maior parte deste século.

Não pode estar além da capacidade do setor nuclear desenvolver materiais educacionais fantásticos que possam ser usados internacionalmente, trazendo à luz (sol é um reator nuclear natural!), as exposições naturais de origem terrestre e cósmica às quais todos somos permanentemente submetidos e as exposições médicas, às quais crescente parte de nós se expõe voluntariamente em busca de cura para diversas doenças. As consequências de bombas nucleares não podem ser evitadas aqui: as grandes liberações de radiação em testes atmosféricos passados foram significativas, mas hoje estão proscritas por tratados internacionais. A indústria não tem nada a esconder e deve primar pela total transparência.

Em paralelo, o perverso regime internacional de proteção radiológica fundado no modelo linear nothreshold LNT, que não possui base nem comprovação científica, deve ser reformado. Sem dúvida haverá futuros acidentes nucleares com limitadas liberações externas de radiação. Deve-se supor que algo da ordem de Fukushima possa vir a acontecer novamente. Com as coisas como estão hoje, nós estaríamos diante de mais uma evacuação em massa da população local, sem uma avaliação adequada dos riscos relativos envolvidos e dos correspondentes custos e benefícios.

Os riscos associados a um baixo nível de exposição à radiação precisam ser colocados adequadamente no contexto de outros riscos enfrentados pelos seres humanos. Embora ainda haja algumas divergências internas sobre isso, a indústria precisa chegar a um consenso pelo qual ela possa desafiar o regime atual. As pessoas de Fukushima foram muito mais vítimas da evacuação em massa do que da radiação. A indústria nuclear tem de assumir a liderança e solicitar uma avaliação mais racional e científica dos riscos humanos e começar a colocá-la em todas as decisões.

Uma enorme quantidade de trabalhos de pesquisa muito bem feitos já foi elaborada nesta área, mas até que essa realidade se reflita nas políticas públicas, a indústria terá um grande problema. Em certa medida pode até se sentir vitimizada enquanto outros setores industriais escapam livres de pressões, mas a indústria nuclear tem de superar isso através de suas próprias ações.

O segundo ponto num plano de ação teria que ser uma reavaliação das mudanças climáticas como o principal argumento de justificativa para mais energia nuclear. Esta é uma proposta um tanto controversa e muitos a considerariam herética. Entretanto, lançar mão de ambientalistas que finalmente “viram a luz” e atravessaram as linhas inimigas para abraçar a indústria nuclear como uma espécie de último recurso quando todo o resto, na avaliação deles, falhou, não parece boa estratégia.

Uma crença fervorosa é tudo o que esses ambientalistas trazem para a causa nuclear, já que essas pessoas têm pouca compreensão das realidades comerciais da geração elétrica nuclear no mundo de hoje. Muitos deles acham a tecnologia nuclear atual tão insatisfatória que abraçam novos conceitos um tanto quanto “visionários” sobre reatores do futuro, os quais, invariavelmente, já foram testados e abandonados no passado.

Mesmo que algumas pessoas acreditem firmemente na ciência por trás da conclusão de que impactos perigosos e irreversíveis ao clima já ocorreram a partir da atividade humana e, sem ação, muitos mais virão, todo o processo de mitigação das mudanças climáticas tornou-se um absurdo burocrático internacional. Parece improvável que o setor nuclear vá ganhar muito, se ganhar, a partir de medidas que possam vir a ser criadas decorrentes de acordos internacionais ou políticas locais. Pelo contrário, as regras que tem surgido internacionalmente tendem a penalizar o setor nuclear. Isso porque as pessoas que definem essas regras são, invariavelmente, contrárias ao setor por razões ideológicas diversas.

Parece que sempre que o setor nuclear se envolve em qualquer coisa onde burocratas tentam comandar, controlar e proteger o público, ele tende a perder, vide problema que o setor nuclear tem com respeito à proteção radiológica. Pessoas bem-intencionadas se propõem a ajudar, mas os resultados são frequentemente contrários. Com as políticas de mitigação da mudança climática, são as energias renováveis que tem se beneficiado muito, apesar de seus resultados muitas vezes contraditórios, como o aumento das emissões de carbono na Alemanha e um aumento economicamente suicida nos custos.

O aspecto ambiental da questão nuclear está mais ligado ao seu potencial de limpar o ar nas cidades chinesas e na boa administração dos recursos da Terra, economizando hidrocarbonetos valiosos que têm importantes usos alternativos, do que a geração de energia. Entretanto, sabemos que os formuladores de políticas, infelizmente, têm ignorado de forma abrangente os benefícios nucleares, embora eles já tenham sido claramente identificados pela análise do ciclo de vida de sistemas de energia há muitos anos.

O maior argumento de “venda” do setor nuclear é que ele pode, operado corretamente, produzir grandes quantidades de energia de forma muito confiável, barata e com mínimo impacto ambiental.

O terceiro e último ponto do plano de ação é ficar longe da abordagem baseada em fatos para conquistar a opinião pública. A indústria nuclear sempre acreditou que “a verdade vai prevalecer” e, portanto, conta com o fornecimento de uma massa de notícias e informações, acreditando que isso irá convencer as pessoas de que sua tecnologia é a melhor opção. Entretanto, a informação factual detém pouca influência no comportamento das pessoas, sendo a crença o fator ‘todo-poderoso’. O campo antinuclear tem sido muito bem sucedido ao longo dos anos em incutir nas pessoas a crença de que a energia nuclear é perigosa e “do mal”. As aflições são atiçadas apelando para as emoções, e não ao intelecto. Por essa razão, quaisquer declarações factuais contra essa crença devem evitadas. Tentativas de oferecer somente cada vez mais e melhor informação podem ser contraproducentes.

As organizações representativas da indústria nuclear provavelmente fornecem mais e melhor informação para o resto do mundo do que qualquer outro setor industrial. Constata-se, porém, que essas informações ajudam pouco em obter uma real aproximação à opinião pública. De fato, as pessoas são irracionais quando apresentadas aos fatos sobre o setor nuclear. O que os defensores da indústria pensam ser mensagens muito positivas sobre o aumento da segurança dos mais recentes projetos de reatores, ou quanto aos novos procedimentos que superam limites regulatórios estabelecidos, acabam levando ao público um mensagem oposta, alimentando seus os receios.

A resposta tem que vir de uma mudança de imagem da indústria. Isso será muito difícil de ser alcançado dado o ponto de partida desfavorável: muitas pessoas pensam que a energia nuclear é uma das coisas mais perigosas do planeta. Conseguir uma melhor compreensão sobre a radiação e colocar as mensagens positivas certas sobre a energia nuclear (limpa, barata e segura) vai ajudar muito, mas esta é claramente uma tarefa para especialistas de relações públicas. Imagens positivas da energia nuclear na TV e no cinema muito ajudariam, possivelmente um personagem de desenho animado relacionado à energia nuclear (certamente não Homer Simpson!). Tudo para criar familiaridade do público com a geração elétrica nuclear, passando a vê-la como uma atividade normal e não uma “máquina do fim do mundo”. Alguns bons defensores demonstrando apoio à indústria também seriam muito úteis, como talvez notáveis desportistas, atores e músicos.

Em última análise, para aqueles que acreditam, nenhuma prova é necessária, e para aqueles que não acreditam, nenhuma prova é suficiente. Ficar longe da nuvem de cogumelo e das imagens de filmes de James Bond será certamente difícil, mas é alcançável através da persistência. Não existem soluções rápidas e a indústria precisa produzir uma estratégia que permitirá que a geração elétrica nuclear prospere em longo prazo. A opinião pública é certamente local, mas mesmo em países onde a energia nuclear atrai melhores níveis de aprovação pública, ainda há um fator de medo subjacente. Uma abordagem internacional, mas com veículos de comunicação canalizados para as culturas e sensibilidades locais, é, certamente, uma necessidade urgente.

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Imagem (Fonte):

Wikipedia

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Fonte Consultada:

Avaliação de Leonam dos Santos Guimarães: Doutor em Engenharia, Diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da Eletrobrás Eletronuclear e membro do Grupo Permanente de Assessoria do Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

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Setores público e privado são essenciais para aumentar a oferta de energia elétrica na África

Nas últimas décadas, a África Subsaariana pouco evoluiu em termos de acesso à energia elétrica: se 22% da população, em média, tinha acesso à eletricidade em 1990, em 2010, este índice aumentou pouco, indo para a marca de 31%[1]. Os indicadores são ainda piores à população rural: 8% da população tinha acesso ininterrupto à energia elétrica em 1990; em 2010, este índice não passava dos 14%[1].

Os entraves à consolidação da oferta deste serviço na África Subsaariana são enormes. Uma das principais barreiras são as inúmeras guerras civis existentes no continente, que impedem a execução de políticas públicas voltadas a este setor. Países que recentemente saíram de guerras civis, como Angola, Moçambique e Ruanda, apresentam ainda baixos níveis de acesso à eletricidade. A recente estabilidade social nestas nações serve como conjuntura favorável à condução de políticas de expansão de acesso a este serviço.

Tendo em vista este objetivo, o Governo angolano anunciou na semana passada a criação de um Fundo Nacional para expandir o acesso à energia elétrica nas zonas rurais[2]. Províncias interioranas como Bié e Huambo tiveram sua infraestrutura terrivelmente danificada com a guerra civil no país, finalizada somente em 2002, e sofrem hoje com baixas taxas de acesso à energia elétrica.

Pela dimensão das zonas rurais do país, justifica-se a criação de um fundo que  financie um programa estratégico de eletrificação rural a  ser aprovado pelo Executivo[2], afirmou o Ministro de Águas e Energia de Angola, João Baptista Borges. Entretanto, quando as ações governamentais não avançam em proporções semelhantes à necessidade diária da população local por energia, a sociedade civil, em parcerias com as empresas privadas e as fundações internacionais, tentam fazer a diferença.

É o que acontece, por exemplo, no caso da oferta de energia elétrica a partir do uso de smartphones. A empresa queniana SteamCo, ganhadora do Ashden International Gold Award de inovação tecnológica, conecta proprietários de microredes solares com a população rural do Quênia. Em linhas gerais, o sistema criado pela companhia funciona da seguinte maneira: através de um monitoramento em tempo real das micro-redes solares, proprietários podem obter resultados momentâneos de produção de energia e identificar qualquer problema operacional; aos consumidores, permite a compra online de energia elétrica através do próprio smartphone. Dessa maneira, este aplicativo visa suprir uma demanda restringida a partir de uma maior capacitação operacional dos ofertantes.

Ambos os casos acima demonstram que tanto os atores privados quanto públicos são essenciais para a consolidação de um serviço básico para a promoção do desenvolvimento econômico e social. Porém, tendo em vista os altos custos de implementação e distribuição, iniciativas públicoprivadas podem ser também uma importante estratégia para superar os problemas de oferta de energia elétrica na África Subsaariana.

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Imagem (FontePractical Action):

http://practicalaction.org/blog/2011/02/

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Fontes Consultadas:

[1] VerBanco Mundial Estatísticas”:

http://data.worldbank.org/

[2] Ver Jornal de Angola”:

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/arrendamento_ja_tem_lei_1

[3] Ver The Guardian”:

http://www.theguardian.com/sustainable-business/2015/jun/19/phones4power-using-mobile-phones-to-run-micro-grids-in-africa

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Rússia e a parceria nuclear com a Finlândia

Nesta terça feira (16 de junho), o presidente finlandês Sauli Niinistö esteve em visita oficial à Moscou, em reunião direta com o presidente russo Vladmir Putin. Em meio a reunião, Putin fez observação sobre o comprometimento russo com o Projeto Nuclear Finlandês, que já recebeu o financiamento de um bilhão de euros. O Acordo para a construção da Usina Nuclear na Finlândia foi assinado em 2013, contando com o abastecimento de combustível de fissão por dez anos, com a empresa russa TVEL[1].

Alguns meios de comunicação deram um enfoque maior nas conversas relacionadas à Ucrânia e a preocupação de Niinistö para o cumprimento do Acordo de Minsk para a paz na região[2]. É interessante observar a forma oficial que a Finlândia lida com a declaração governamental sobre a viajem de seu Presidente, evitando as declarações detalhadas sobre notícias referentes a Acordos Bilaterais com a Rússia e, ao mesmo tempo, enaltecendo seu papel de cobrança perante a agenda de segurança na região.

Para analistas, a Finlândia se encontra no epicentro de um jogo político internacional peculiar à região, sendo normal o seu posicionamento de não querer nem se comprometer com a União Europeia e nem com a Rússia, com a qual possui parceria energética desde antes da crise na Ucrânia.

Como a Finlândia também possui necessidade de fornecimento de Gás e adotou um modelo de energia nuclear com tecnologia russa, manter uma relação diplomática amigável com ambos os lados é provavelmente a saída mais compatível com seus interesses geopolíticos.

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Imagem (Fonte)

http://www.tpk.fi/public/download.aspx?ID=145216&GUID={4BFDE612-E44E-4E55-8B7D-0C9C93273E08}

Link do site da foto:

http://www.tpk.fi/Public/default.aspx?contentid=328785&nodeid=44807&culture=en-US

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Fontes Consultadas:

[1] Ver President Niinistö met President of Russia in Moscow” (Publicado em 16 de junho de 2015):

http://www.tpk.fi/Public/default.aspx?contentid=328785&nodeid=44807&culture=en-US

[2] Ver Russia ready to implement contract on nuclear plant construction in Finland” (Publicado em 16 de junho de 2015):

http://tass.ru/en/economy/801160

ENERGIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Geração Elétrica Nuclear nos BRICS

A Geração Elétrica Nuclear faz parte da matriz energética de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul com diferentes graus de contribuição. Somado, o parque de geração nuclear do BRICS monta a 86 usinas em operação*, o que representa 20% do parque mundial. Em termos de geração mundial de eletricidade nuclear, os BRICS produziram 15% do total de 2,5 mil TWh** em 2014.

O grupo também tem 40 usinas em construção***, o que representa 60% das futuras usinas a entrarem em operação ao longo dessa década. A forte participação fica por conta de China, Rússia e Índia. Na África do Sul, o Governo chegou a lançar mais de uma vez licitações internacionais, porém a decisão firme para início de construção de uma terceira usina vem sendo seguidas vezes postergada.

No Brasil há apenas uma usina em construção (Angra 3, com 1.405 MW) com início de operação em 2018. O Governo brasileiro, entretanto, tem anunciado novas unidades em horizontes de mais longo prazo. O Plano Nacional de EnergiaPNE 2030, lançado em 2008, considerava a instalação de 4.000 MW nucleares adicionais após a entrada em operação de Angra 3, porém ainda sem decisões firmes para efetivo início de construção.

A Rússia é um país que tem fartura de recursos energéticos, principalmente gás natural. Sua condição de potência nuclear militar lhe propiciou a base tecnológica para a exploração da geração elétrica nuclear, mas as baixas condições de segurança em seus reatores, tanto de projeto como na operação, levaram ao desastre de Chernobyl. Em 2010 as fontes hídricas, carvão e nuclear respondiam por cerca de 17% cada uma e o gás natural por 47%.

Não há participação significativa de energias alternativas na matriz elétrica russa. A produção a partir de petróleo está sendo desativada, como na maioria dos países, enquanto a participação da energia nuclear cresceu 38% em relação à de 1990. A Rússia tem 9 reatores em construção com capacidade total prevista de 8,2 GW.

A Índia é um país em rápido desenvolvimento, cuja opção para geração foi predominantemente o carvão. Seu PIB entre 1971 e 2009 cresceu 5,7% ao ano, tendo se multiplicado por um fator 8,1. O consumo de eletricidade foi multiplicado por 13,5 tendo crescido a 7,1% ao ano em média.

O país tem 21 reatores nucleares em operação e 6 em construção, com uma potência adicional prevista de 4,8 GW. A Índia é importadora de energia fóssil e depende do abastecimento externo em 16% do carvão, 81% do petróleo e 21% do gás natural.

A crescente aceitação da Índia como potência nuclear militar “de facto” tem aberto caminhos para a cooperação internacional que facilitam essa expansão.

A geração elétrica na China cresceu 9,0% ao ano entre 1971 e 2009, tendo sido multiplicada por um fator 27. O uso da eletricidade passou de 138 TWh para 3.696 TWh por ano. O PIB real cresceu 9,4% ao ano no mesmo período, tendo sido multiplicado por um fator 30****. Para atender este grande crescimento da demanda, a China adotou o carvão como combustível básico, cuja participação atingiu 80%.

Um grande investimento foi feito ainda em hidrelétricas, cuja participação, no entanto, após superar 20% nas décadas de setenta e oitenta, foi reduzida em alguns pontos percentuais. A participação do petróleo, que também chegou a superar 20%, foi reduzida a menos de 0,5% em 2009.

A China é praticamente independente de importação de carvão (4%), mas é dependente de importação de petróleo (52%) e importa 5% do gás natural que consome. Embora sem participação significativa na sua geração atual, a China tem ambiciosos programas nuclear e de energias alternativas.

Estão sendo construídos na China Continental 27 reatores com capacidade total de 26,6 GW, e ela está se preparando para ser fornecedora de centrais nucleares para o exterior. Dois outros reatores estão em construção em Taiwan. A China está atuando fortemente na área de produção de coletores fotovoltaicos a preços muito inferiores aos dos concorrentes e está a caminho de dominar este mercado. Também é líder mundial em energia eólica.

A geração elétrica na África do Sul é amplamente dominada pelo carvão, que responde por mais de 90% do total da eletricidade produzida no País. Isso se explica, basicamente, pela abundância desse recurso natural no país. A segunda maior fonte é a nuclear, com 6%. O gás natural e as renováveis, basicamente hidrelétricas, respondem por parcelas complementares muito pequenas.

A geração nuclear não deverá ser majoritária nestes países, mas continuará a ser uma opção relevante nas suas políticas e matrizes energéticas. A cooperação existente dentro do grupo no setor é ainda muito limitada, mas apresenta perspectivas concretas de acelerado crescimento nos próximos anos.

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* 2 no Brasil, 34 na Rússia, 27 na China, 21 na Índia e 2 na África do Sul.

** Brasil – 15.385 GW.h (2,86% do total de geração nacional); Rússia – 169.049 GW.h (18,57%); Índia – 33.232 GW.h (3,53%); China – 130.580 GW.h (2,39%) e África do Sul – 14.749 GW.h (6,20%)

*** 1 no Brasil; 24 na China; 6 na Índia e 9 na Rússia

**** No mesmo período, o PIB do Brasil se multiplicou por um fator 4,3!

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Imagem (Fonte):

http://4.bp.blogspot.com/-M-PmqVguODo/VCytUz2KwlI/AAAAAAACIUk/75Qp4NKsQ60/s1600/brics.jpg

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Fonte consultada:

Avaliação de Leonam dos Santos Guimarães: Doutor em Engenharia, Diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da Eletrobrás Eletronuclear e membro do Grupo Permanente de Assessoria do Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

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Honduras investe em energia renovável

Uma planta de energia solar com 80.500 painéis solares que pode produzir 145 megawatts de eletricidade para abastecer mais de 71.500 lares foi construída em Honduras[1]. A planta em Nacaome no sul do país é a maior deste tipo na região da América Central e servirá como um centro de pesquisa para acadêmicos[1].

O Parque Fotovoltaico Nacaome y Valle foi considerado por investidores “como a planta de energia solar mais eficiente do mundo[2], de acordo com o discurso de inauguração, proferido pelo do Presidente da República de Honduras, Juan Orlando Hernández[2]. A novidade gerará mais de 1.100 empregos diretos, além de reduzir a dependência de importação de combustíveis fósseis e gerar mais de 10% da eletricidade necessária para Honduras[3].

A obra orçada em 232 milhões de dólares americanos, projetada por uma empresa de engenharia hondurenha com apoio de especialistas espanhóis, foi construída em 10 meses, tempo recorde com a tecnologia mais moderna disponível[2].

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Imagem (Fonte):

http://internacional.elpais.com/internacional/2015/05/08/actualidad/1431042559_905530.html

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Fontes Consultadas:
[1] Ver:

http://cnnespanol.cnn.com/2015/05/18/la-planta-solar-mas-grande-de-latinoamerica-esta-en-honduras/

[2] Ver:

http://www.elheraldo.hn/pais/837738-323/honduras-inaugura-planta-de-energ%C3%ADa-solar-m%C3%A1s-grande-de-latinoam%C3%A9rica
[3] Ver:

http://internacional.elpais.com/internacional/2015/05/08/actualidad/1431042559_905530.html