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O Programa Nuclear Iraniano e o P5+1

A tensão nuclear tem produzido uma árdua tarefa para o conjunto de potências que procuram manter o “status quo” do atual sistema internacional e, consequentemente, evitar uma catástrofe nuclear. Porém, desde a “Guerra Fria”, essa alternativa de demonstração de poder e pujança militar tem aumentado consideravelmente, a julgar pelos Estados frágeis e de grande complexidade política que recém adquiriram a tecnologia e a fórmula para produção de seu próprio artefato atômico gerando preocupações quanto a uma possível corrida armamentista.

Nessa última semana, a comunidade internacional foi testemunha de mais uma tentativa de desmantelamento doPrograma Nuclear Iraniano”, encabeçada pelo blocoP5+1” (“Estados Unidos”, “Reino Unido”, França, Rússia e China, mais a Alemanha) e oGoverno Iraniano”, através do negociador persa, o chanceler Mohammad Javad Zarif.  Todavia, a influência de questões políticas fora do escopo das negociações, bem como o papel ativo de outras nações que não participaram dessa rodada de conversações (leia-se “Arábia Saudita” e “Israel”) tiveram grande relevância no fracasso dessa negociação que, segundo observadores e analistas, tinha grandes chances de produzir um texto normativo sólido quanto ao desmantelamento do programa e o fim de algumas, mas importantes sanções econômicas ao “Governo Persa”.

Nesse sentido, é pertinente analisar a conjuntura de França, Israel e “Arábia Saudita”, Estados que tiveram grande relevância no diálogo doP5+1e consequentemente no seu fracasso inicial. A França foi a grande surpresa, pois não concordou com os termos negociados. Segundo “Laurent Fabius”, Chanceler francês, o texto redigido é muito frágil e não dá garantias de que o Irã irá cumprir o acordado, fato que irritou muito aos norte-americanos. Dentro dessa esfera, a postura adotada peloPalácio do Eliseusoou como uma espécie de retaliação aosEstados Unidos”, uma vez que a França foi o único país que apoiou até o fim aCasa Brancana questão da Síria, oferecendo suporte militar a iniciativa de Washington de invadir o país em retaliação ao ataque químico que matou centenas de pessoas. No entanto, com a posição adotada por “Barack Obama” em negociar secretamente um acordo tácito com “Vladimir Putin”, “Presidente da Federação Russa”, a posição do presidente francês François Hollande frente à sociedade internacional ficou politicamente desmoralizada e fragilizada e, a julgar pelo seu baixo índice de popularidade no âmbito interno, sua recente instrução para frear o ímpeto de um acordo do “P5+1” deu notoriedade a Paris, consequentemente, a ele próprio, passando a mensagem de que o “Palácio do Eliseu”, bem como seu primeiro-ministro, ainda tem forças no contexto internacional.

No que tange a posição de Israel, ela segue a linha francesa. “Binyamin Netanyahu” ao longo de sua carreira política sempre exortou o papel destrutivo de Teerã para com Israel ao passo que os Aiatolás também revelaram essa polêmica posição ao longo dos anos. A postura beligerante de ambos os Estados credencia “Tel-Aviv” a criticar as tentativas de negociar o fim do programa e o afrouxamento das sanções econômicas. É desejo de Israel e de seus últimos primeiros-ministros (Erud Barak, Netanyahu e Ariel Sharon) de promover um ataque preventivo (como já o fizeram algumas vezes) as instalações secretas de Aran, Natanz e Isfahan e liquidar de maneira prática os anseios dos Aiatolás em produzir artefato nuclear para ameaçar e desequilibrar as forças da região.

Agregada a posição israelense, Riad também faz suas objeções. Rival histórico e religioso dos Aiatolás, por seguirem a linha sunita do Islã, aArábia Sauditaalia-se secretamente ao plano deTel-Avivpara frear a iniciativa. Porém, tal alinhamento está implícito no jogo, uma vez que oRei Abdullahnão quer demonstrar esta preocupação e muito menos posar ao lado dos judeus. Sua estratégia é pressionar exclusivamente osEstados Unidos”.

Esse cenário multipolarizado no espectro nuclear mantém congeladas as tensões, mas não extrai da equação um desequilíbrio de forças na região, principalmente pelo fato de os Estados Unidos terem de abrir várias frentes de negociações na tentativa de abrandar as preocupações de Riad e “Tel-Aviv”, parceiros estratégicos tradicionais de Washington. No próximo dia 20 de novembro, uma nova rodada de conversações será realizada em Genebra com o intuito de promover melhores entendimentos sobre o “Programa Nuclear”. Talvez seja uma grande oportunidade de tornar o multilateralismo nuclear cooperativo e gerar aproximação estratégica entre todos os atores envolvidos.

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Imagem (Fonte):

http://www.veteranstoday.com/wp-content/uploads/2012/03/Israels-nuclear-arsenal-nuclear-icbm.jpg

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Fontes consultadas:

Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,a-casa-branca-nao-abandonara-israel-,1080992,0.htm

Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,parlamento-do-ira-aprova-mocao-de-apoio-a-diplomacia-de-rohani,1081178,0.htm

Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,na-onu-netanyahu-diz-nao-acreditar-nas-palavras-do-presidente-iraniano,1080815,0.htm

Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,ira-apresenta-proposta-sobre-programa-nuclear-a-potencias-em-genebra,1085923,0.htm

Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,por-que-os-eua-nao-tem-margem-de-manobra-com-teera,1085766,0.htm

Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,ira-parou-enriquecimento-de-uranio-que-preocupa-potencias-diz-deputado,1089145,0.htm

Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,os-limites-de-uma-aproximacao-com-o-ira-,1079275,0.htm

Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,foram-as-sancoes–que-trouxeram-teera-de-volta-ao-dialogo-,1087345,0.htm

Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,ira-e-agencia-nuclear-da-onu-fecham-acordo-para-ampliar-inspecoes,1095518,0.htm

Ver também:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/11/131108_eua_ira_aliados_pai.shtml

Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/09/130927_dataviz_nuclear_vale_cc.shtml

Ver:

http://www.iaea.org/Publications/Documents/Infcircs/Others/infcirc140.pdf

Ver:

http://www.crisisgroup.org/en/regions/middle-east-north-africa/iraq-iran-gulf/iran/b034-the-p5-plus-1-iran-and-the-perils-of-nuclear-brinkmanship.aspx

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BID apoia primeiro voo comercial brasileiro utilizando bioquerosene

No dia 23 de outubro, um avião da companhia “Gol Linhas Aéreas”, realizou o primeiro voo comercial no Brasil, abastecido com 25% de bioquerosene (combustível alternativo feito, no caso, com óleo de cozinha reciclado de restaurantes da Califórnia, adicionada ao querosene de aviação). Esta iniciativa teve apoio do “Banco Interamericano de Desenvolvimento” (BID), da “Associação Brasileira das Empresas Aéreas” (ABEAR), da “União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene” (UBRABIO), da GE e da Boeing. De acordo com informações do BID[1], a aeronave saiu do “Aeroporto de Congonhas”, em “São Paulo”, e seguiu para o “Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek”, em Brasília.

Ainda de acordo com o BID[1], o “biocombustível foi desenvolvido para proporcionar desempenho equivalente aos combustíveis convencionais derivados do petróleo sem necessidade de modificações nas turbinas ou sistemas de armazenamento ou distribuição de combustível [1].

Eduardo Sanovicz, Presidente da “Associação Brasileira das Empresas Aéreas” (ABEAR), em palestra promovida pela Gol, afirmou que o “uso de bioquerosene pelo setor aéreo brasileiro será inviável sem políticas públicas como as adotadas para incentivar o uso do álcool veicular[2].

Segundo Sanovicz[2], este combustível alternativo ainda é quatro vezes mais caro que o querosene de aviação usado pelas empresas atualmente e o preço tem subido em meio a alta do dólar e pesado nos custos das companhias.

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.iadb.org/pt/noticias/comunicados-de-imprensa/2013-10-23/primeiro-voo-comercial-com-biocombustivel-no-brasil,10618.html

[2] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/10/1360608-gol-faz-voo-com-querosene-feito-de-oleo-de-cozinha-reciclado.shtml

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Questionamento sobre a possibilidade de alterações na posição de EUA e China em relação à geopolítica energética

A importância que as fontes de energia tem sobre a política externa norte-americana sempre foi significativa. Elas definiram parâmetros de sua política interna, projetando-a para além de suas fronteiras. Ou seja, como maior importador de…

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ENERGIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

“Banco Mundial” restringe financiamento usinas geradoras de energia movidas a carvão mineral

Em seu relatório “Toward a Sustainable Energy Future for All: Directions for the World Bank Group’s Energy Sector[1], o “Banco Mundial” anunciou sua estratégia de limitação de recursos para Plantas baseadas em carvão mineral. O documento destaca que somente em “raras circunstâncias” o Banco fornecerá financiamento para Projetos dessa natureza e por meio de seus fundos.

A líder da ONG “World Wild Fund” (WWF), Samantha Smith, avalia: “Para termos uma chance efetiva de enfrentar as mudanças climáticas, o mundo precisa se afastar dos combustíveis fósseis totalmente. Enquanto ajuda os países em desenvolvimento a aumentar seu acesso à energia e fazer a transição para um crescimento econômico de baixo carbono, o Banco Mundial deve, gradativamente, retirar seu apoio a qualquer tipo de geração de energia baseado em combustíveis fósseis, em consonância com sua política de fomentar ações no campo de mudanças climáticas[2].

No Brasil, deverá ocorrer novas contratações de energia advindas da fonte que o “Banco Mundial” acabara de “restringir”. Mais de 68% dos investimentos previstos no “Plano Decenal de Expansão de Energia 2021[3] terão como destino o setor de petróleo e gás e as térmicas a carvão voltarão aos leilões oficias para geração de energia.

Alguns analistas[4] atribuem este fato à crescente dificuldade de implantação de grandes empreendimentos hidrelétricos por conta das questões territoriais indígenas, sendo este um tema que ganhará cada vez mais relevância na pauta energética Brasileira.

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.eenews.net/assets/2013/06/27/document_cw_01.pdf

[2] Ver:

http://www.wwf.org.br/?35702/BancoMundialrestringefinanciamentoacarvaomineral

[3] Ver:

http://www.epe.gov.br/PDEE/20130326_1.pdf

[4] Ver:

http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/pegada-sustentavel/2013/08/02/banco-mundial-e-o-cerco-ao-carvao-mineral/

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Empresa Fonterra pede desculpas por leite contaminado

A empresa neozelandesa Fonterra pediu desculpas para o governo chinês pelo leite exportado contaminado com bactérias prejudiciais à saúde. Segundo informações publicadas pela agência Reuters, o chefe executivo da empresa, Theo Spiering, foi à China desculpar-se formalmente para tentar amenizar o caso, pois, hoje, a China é o maior mercado consumidor da empresa fora de seu país.

A Fonterra comunicou que o método de processamento empregado é suficiente para matar as bactérias e está avaliando o lote exportado para defender a sua reputação, uma vez que também fornece leite para outros países como a Austrália, a Malásia, a Tailândia, a Arábia Saudita e o Vietnan, lugares onde os lotes neozelandeses estão sob observação.

A bactéria encontrada no leite na China causa uma doença chamada botulismo, que é tóxico-infecciosa, afeta o sistema nervoso e é letal para os seres humanos. Os chineses cancelaram toda a importação de leite em pó e outros laticínios da “Nova Zelândia” após a descoberta da contaminação. 

Ainda não há informações sobre a normalização da comercialização dos produtos da Nova Zelândia no território chinês. Por hora, apenas são investigadas as possíveis causas da contaminação e se existem vítimas.

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Fonte consultada:

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/08/empresa-pede-desculpas-china-por-leite-contaminado-com-bacteria.html