EUROPAMEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

A estratégia dinamarquesa para reduzir a poluição de resíduos plásticos

A industrialização é a responsável por expandir a economia e qualidade de vida para milhões de pessoas, gerando renda e usufruto de bens, todavia, ao longo do século XX, o homem se despreocupou com os efeitos negativos da política de crescimento e desenvolvimento que poluíram rios e mares.

Evidenciando a gravidade da poluição residual oriunda dos setores produtivos e domésticos das cidades, observa-se a expansão de lixo não reciclado e sem tratamento no mundo. Em contrapartida, a ascensão dos discursos de sustentabilidade e de preservação ambiental emergem cada vez com maior força, alertando para os perigos da negligência quanto à poluição.

O governo dinamarquês resolveu criar uma estratégia com 27 tópicos, visando a redução do uso de material plástico no país. Entre os principais desafios estão a formação de um centro nacional de plástico, coma finalidade de gerenciamento, e a proibição do uso de sacos plásticos finos, coma previsão de queda pela metade até 2030.

Jakob Ellemann-Jensen, Ministro do Meio Ambiente e Alimentos da Dinamarca

O jornal Copenhaguen Post trouxe a declaração do Ministro do Meio Ambiente e Alimentos da Dinamarca, Jakob Ellemann-Jensen, sobre o assunto: “Hoje, queimamos muito plástico e precisamos melhorar a reciclagem. Nós não temos recursos ilimitados à nossa disposição, e não há razão para explorar novos recursos quando podemos usar os que já possuímos”.

Os analistas classificam a iniciativa dinamarquesa como pioneira, visto que a grande maioria dos Estados ainda não debate a problemática dos resíduos plásticos com o grau de importância que os daneses* estão fazendo. Em relação à crítica, compreende-se que as mudanças propostas necessitam de tempo para assimilação social e podem encontrar resistências de setores econômicos.

———————————————————————————————–

Nota:

* Daneses: adjetivo pátrio, ou outra forma de fazer referência aos habitantes da Dinamarca.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Embalagens plásticas e garoto no Lixão da Vila Estrutural, DF-BR. Por Marcello Casal Jr./Agência Brasil.” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/13/LixoPET20080220MarcelloCasalJrAgenciaBrasil.jpg/1280px-LixoPET20080220MarcelloCasalJrAgenciaBrasil.jpg

Imagem 2 Jakob EllemannJensen, Ministro do Meio Ambiente e Alimentos da Dinamarca” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f9/Jakob_Ellemann-Jensen_1.jpg/886px-Jakob_Ellemann-Jensen_1.jpg

MEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

A Dinamarca lança proposta climática ousada

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 21), de 2015, realizada em Paris, França, trouxe um grande impacto para os tomadores de decisão, pois a emergência de ideias viáveis à sustentabilidade e redução de gases de efeito estufa tornaram-se urgentes.

Ministro de Energia e Clima, Lars Christian Lilleholt

Diante dos desafios de evitar o aumento da temperatura global para as próximas décadas, a Dinamarca investe no desenvolvimento de energia verde e em tecnologias capazes de modificar a dinâmica social. Dentre elas tem-se a expansão do parque eólico marítimo para a produção de energia, e a abolição de venda de carros a gasolina e diesel até 2030.

Os dinamarqueses fazem trabalho reconhecido quando o assunto é o clima e meio ambiente, e por isso se destaca a proposta do Estado com a estratégia Sammen om en grønnere fremtid (Juntos para um futuro mais verde). A proposta contém 38 pontos que visam aperfeiçoar os esforços do país para promover uma sociedade favorável a perspectiva da realidade da COP 21.

Dentre os aspectos destacados a estratégia basicamente sinaliza o estímulo da queda brusca de gás carbônico (CO2) a partir de campanhas, eliminação de cotas e alocação de recursos para pesquisa; maiores cuidados com a qualidade do ar, mediante a vigilância da emissão de enxofre nas águas, amônia pelo setor agrícola e de CO2 por ônibus; e investimento nas usinas de biogás com o acréscimo de maior proporção de biocombustíveis na mistura da gasolina e diesel.

Em relação ao tema, o jornal Copenhaguen Post apresenta a fala do Ministro de Energia e Clima do país, Lars Christian Lilleholt, o qual afirma: “A Dinamarca precisa manter sua posição de pioneira verde. Ao estabelecer novos padrões para clima e meio ambiente, vamos inspirar outros a agir e influenciar o desenvolvimento na Europa e além”.

Os analistas observam com atenção o pioneirismo dinamarquês junto ao clima e entendem que uma mudança no cotidiano das pessoas influenciaria muito o avanço da sustentabilidade no país. Todavia salientam que esse tipo de alteração paradigmática não é uma tarefa simples de ser feita, pois existem setores econômicos que ainda dependem da produção de bens poluentes para viverem e isso sem mencionar os atritos sociais advindos da adaptação aos novos contextos.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Palácio de Christiansborg, sede do parlamento dinamarquês” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/7c/Christiansborg_Slot_Copenhagen_2014_01.jpg/1280px-Christiansborg_Slot_Copenhagen_2014_01.jpg

Imagem 2 Ministro de Energia e Clima, Lars Christian Lilleholt” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/ff/Folketingsvalg_2015_1_%28cropped_to_Lars_Christian_Lilleholt%29.JPG

MEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Pesca predatória de tubarões em Cabo Verde

Às margens da revisão do Acordo sobre Pesca entre Cabo Verde e União Europeia, que ocorrerá no decorrer do mês de outubro (2018), movimentos ambientalistas expressam suas preocupações quanto a pesca de tubarões. O Tratado que foi estabelecido em 2015 pertence a um conjunto de acordos da União Europeia (UE) com países costeiros da África Ocidental. Para tanto, 71 navios dos Estados membros da União têm permissão para pescar no mar territorial de Cabo Verde, em contrapartida, o arquipélago recebeu durante os quatro anos cerca de 10 milhões de euros (aproximadamente, 42,4 milhões de reais, pela cotação do dia 18 de outubro de 2018).

Bandeira da União Europeia

As manifestações dos ambientalistas estão relacionadas ao fato de que, no Documento de 2015, são autorizadas as pescas de atum e afins. O Movimento Contra a Poluição em Cabo Verde (MCPCV), composto por Organizações não Governamentais, pesquisadores, mergulhadores e ativistas cabo-verdianos, considera que o termo utilizado (afins) não impede que seja pescado o tubarão de forma predatória. A sugestão feita pelo Movimento é a proibição desta prática no âmbito das negociações com a União Europeia e a presença de fiscalização em alto-mar.

Tal preocupação com a espécie decorre da diminuição da sua população, uma vez que são pescados mundialmente mais de um milhão de toneladas por ano, segundo pesquisas conjuntas das Universidades de Colúmbia, Hong Kong, do Instituto Swire de Ciências Marinhas, e das organizações não-governamentais Sea Around Us e WildAid Hong Kong.

Mapa de Cabo Verde

Cabe destacar que as barbatas dos tubarões são comercializadas principalmente por fazerem parte de pratos típicos da gastronomia asiática, considerada um ingrediente luxuoso pelo seu alto valor, que pode custar até 700 dólares o quilo (cerca de R$ 2.583,25, de acordo com a cotação do dia 18 de outubro de 2018). Contudo, o fator preocupante para as ONGs de proteção animal é a pratica do Shark Finning, que consiste na retirada das barbatanas e a devolução do tubarão ainda vivo ao mar.

De acordo com o Ministro da Economia e Emprego de Cabo Verde, José Gonçalves, as tratativas com a União Europeia serão realizadas levando em consideração questões de sustentabilidade e de interesse nacional. Complementarmente, o Ministro ressaltou que sob a perspectiva econômica, se faz importante prezar pela preservação dos recursos marítimos e espécies. Na esfera política, seguindo os princípios democráticos, o Governo cabo-verdiano irá ouvir e ponderar sobre as propostas feitas pelas Organizações.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Tubarão Azul, nome científico Prionace glauca” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Prionace_glauca#/media/File:Blue_shark.jpg

Imagem 2 Bandeira da União Europeia” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Flag_of_Europe.svg

Imagem 3Mapa de Cabo Verde” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cabo_Verde#/media/File:Cape_Verde_-_Location_Map_(2013)_-_CPV_-_UNOCHA.svg

ÁFRICAMEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

CPLP busca estabelecer agenda sobre consumo de água

No contexto do 8° Fórum Mundial da Água, realizado no dia 19 de março de 2018, em Brasília (Brasil), o Diretor de Cooperação da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), Manuel Clarote Lapão, declarou a expectativa da Comunidade em incentivar a inserção da pauta sobre o acesso à água para todos os cidadãos dos Estados membros até o ano de 2030.

Logo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa

Sobre esta perspectiva, Lapão salienta a essencialidade da gestão dos recursos hídricos no âmbito da CPLP de forma eficaz, evitando que tal pauta permaneça apenas na esfera dos discursos internacionais. Ele a observa como pertencente aos Direitos Humanos e com grande impacto na diminuição de fatores como pobreza, insegurança alimentar, saúde pública, entre outros. O propósito de buscar a atuação não apenas no processo político, conecta-se à compreensão da necessidade de inclusão das camadas sociais mais vulneráveis, que são fortemente atingidas pela escassez de água.

Logo do 8º Fórum Mundial da Água

Cabe evidenciar que a CPLP, no segundo semestre do ano de 2017, havia realizado uma reunião técnica preparatória para o 8° Fórum Mundial da Água, dedicada ao estabelecimento das bases para a elaboração de um documento referente ao posicionamento conjunto dos Estados.

Podem-se destacar, como iniciativas realizadas pela Organização durante o Fórum, a realização do painel entre os membros sob a temática Sinergia, Água e Meio Ambiente, no contexto da Agenda 2030, e o cumprimento dos Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável, assim como o lançamento de uma rede de recursos hídricos dos Estados membros e a reativação do portal informativo sobre meio ambiente da CPLP.

O debate sobre a gestão da água no âmbito da Comunidade de Países de Língua Portuguesa tem-se apresentado como uma pauta imprescindível por ser um fenômeno presente nos países que a compõe.

A título de exemplo, pode-se mencionar a escassez e dificuldade de acesso a água potável em países como a Angola, Moçambique e Guiné Equatorial. Igualmente, observa-se o processo de desertificação nos países insulares de Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. O Fórum, nesse sentido, representa uma plataforma relevante na busca de meios para a atenuação dos feitos causados sobre a população e, consequentemente, sobre o desenvolvimento destes países.

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 16° Objetivo para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas” (Fonte):

https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2016/04/E_SDG_Icons_NoText-06.png

Imagem 2Logo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/pt/0/0d/Bandeira_CPLP.svg.png

Imagem 3 Logo do 8º Fórum Mundial da Água” (Fonte):

http://cdn.agensite.online/temp/img/arquivos_1031_conteudo_posts_687506_png_350_350_1_0__.png?1512741968

                                                                                

ENERGIAMEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

A Dinamarca é a escolha chinesa para a transição verde

No início do mês de setembro, a Dinamarca recebeu a visita do Diretor da Administração Nacional de Energia (NEA) da China, Nur Bekri, que se reuniu com o Ministro da Energia e Clima do país, Lars Christian Lilleholt, para tratar de assuntos referentes a energia verde.

Ministro Lars Lilleholt

A China é o maior emissor de gases de efeito estufa do mundo e planeja diminuir sua cota de poluição mediante a transição da matriz de carvão e petróleo para a energia verde. Para tanto, Pequim busca a tecnologia dinamarquesa com o objetivo de integrar cerca de 20% de sua matriz eólica, a qual apresenta carência de flexibilidade, e para a efetuação de mudanças com a diminuição do consumo de energia não fóssil até 2020.

A Dinamarca apresenta o oposto da perspectiva chinesa, pois o Estado é líder no desenvolvimento de matriz eólica com concentração energética nos parques offshore. O Jornal Copenhaguen Post expôs a declaração do Ministro Lilleholt sobre a questão: “A China é o maior emissor de gás carbônico do mundo e a chave para resolver as mudanças climáticas globais repousa lá”. Diante das expectativas chinesas, Copenhague estimula o crescimento do setor no país com a decisão de construção dano-chinesa de um centro para testes de energia eólica offshore na China.

O ânimo do Ministro Lilleholt é grande e ele deseja promover as empresas de tecnologia verde dinamarquesas em sua visita à China na primavera. No que diz respeito à esta pauta, o Jornal Reuters noticiou a afirmação do próprio Ministro: “A China está enfrentando uma tarefa gigante na transição verde para viver conforme o acordo climático de Paris, e minha percepção é clara de que ele (Bekri) está muito interessado em trabalhar com a Dinamarca e com as empresas dinamarquesas a esse respeito”.

Os analistas apontam que a oportunidade é boa para ambos os atores, pois, do lado dinamarquês, favorece a ampliação de seus parceiros de negócios e, do lado chinês, abrem-se novas percepções rumo ao aperfeiçoamento de uma matriz energética cada vez mais sustentável.

———————————————————————————————–                    

Notas:

* Pequim, capital da República Popular da China, referindo-se ao Governo do país.

** Copenhague, capital do Reino da Dinamarca, referindo-se ao Governo do país.

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Parque eólico de Middelgrunden Øresund” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/97/Middelgrunden_wind_farm_2009-07-01_edit_filtered.jpg/1280px-Middelgrunden_wind_farm_2009-07-01_edit_filtered.jpg

Imagem 2 Ministro Lars Lilleholt” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/96/Folketingsvalg_2015_1.JPG/1024px-Folketingsvalg_2015_1.JPG

MEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Cabo Verde desenvolve projeto sobre agricultura e mudanças climáticas

No mês de agosto passado, o Ministério da Agricultura e Meio Ambiente cabo-verdiano lançou um projeto voltado para adequação das práticas da agricultura familiar, no que tange às mudanças climáticas. O tempo estimado para a duração do projeto é de quatro anos e será direcionado a quatro ilhas, São Nicolau, Santiago, Fogo e Brava.

Logo do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola

Denominado como Adaptação da Agricultura Familiar às Mudanças Climáticas, o projeto tem por objetivo criar alternativas às vulnerabilidades ocasionadas pelos fenômenos ambientais e climáticos, possibilitando aos agricultores de pequeno porte formas de fortalecimento de suas produções e melhoria nas condições de vida. Cabe destacar também o incentivo dado à participação feminina e de jovens na agricultura familiar.

A execução dessa iniciativa ficará sob a responsabilidade do Programa de Promoção de Oportunidades Socioeconômicas Rurais (POSER). No que diz respeito ao financiamento, este ocorrerá através dos incentivos do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola e pelo Governo de Cabo Verde. 

Segundo o Ministro da Agricultura e Meio Ambiente, Gilberto Silva, o arquipélago, devido as suas características geográficas, precisa elaborar meios estratégicos para tornar a produção agropecuária mais produtiva, rentável, sustentável e adequada para garantir a segurança alimentar da população. O Ministro destacou as dimensões que o projeto deverá abranger, entre as quais se encontram a gestão da água, técnicas duráveis de exploração de recursos naturais e conservação do solo.

Presente no lançamento do projeto, a Coordenadora Regional do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Amath Pathe Sene, compreende a iniciativa como uma maneira de incentivar a resiliência e ampliar a competitividade do setor agropecuário de Cabo Verde.

A necessidade de mudança na forma de produção relaciona-se à vulnerabilidade apresentada pelo país insular frente às mudanças climáticas, tais como a elevação do nível do mar e longos períodos de estiagem, consequências do seu clima subsaariano. Estas previsões sobre os efeitos gerados pelos fenômenos naturais impulsionam o Governo a buscar soluções direcionadas a atenuar os avanços da degradação ambiental.

———————————————————————————————–                    

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira de Cabo Verde” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cabo_Verde#/media/File:Flag_of_Cape_Verde.svg

Imagem 2 Logo do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola” (Fonte):

https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2016/11/P_b_web-624×624.png