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Medellín cria corredores verdes como alternativa ao calor

A segunda maior cidade da Colômbia, Medellín, tornou-se modelo na adoção de estratégias inspiradas na natureza para regular as altas temperaturas do verão.  Para lidar com o aquecimento, 18 ruas e 12 hidrovias foram transformados em paraísos verdes, sob a execução do projeto “Corredores Verdes”.

A iniciativa venceu este ano (2019) o Prêmio Ashden de Refrigeração Baseada na Natureza, apoiado pelo Programa Kigali de Eficiência de Refrigeração, em parceria com a iniciativa Sustainable Energy for All. Segundo o prefeito Federico Gutiérrez, “com essa intervenção, foi possível reduzir a temperatura em mais de 2°C e os cidadãos já percebem essa diferença”.

Em outubro de 2016, os Estados Partes do Protocolo de Montreal decidiram, na 28ª Reunião das Partes ocorrida em Kigali, Ruanda, pela aprovação de uma emenda que inclui os hidrofluorcarbonos (HFCs) na lista de substâncias controladas pelo Protocolo. A Emenda de Kigali, como ficou conhecida, define um cronograma de redução da produção e consumo dos HFCs até um patamar mínimo a ser atingido pelos Estados Partes.

Ao reduzir o uso de hidrofluorocarbonetos podemos evitar até 0,4°C do aquecimento global ao final do século. Até agora, 68 países do Protocolo de Montreal ratificaram a emenda e estamos esperançosos que muitos outros irão aderir e continuar o trabalho fantástico feito através do Protocolo de Montreal”, explica Tina Birmpili, a Secretária Executiva do Secretariado do Ozônio.

O Pnuma destaca que os parques urbanos podem reduzir a temperatura ambiente durante o dia em uma média de aproximadamente 1°C

As soluções baseadas na natureza estão entre as abordagens desenvolvidas pelo referido Programa Kigali, que reúne governos, empresas, sociedade civil e organizações internacionais, como o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a fim de permitir a troca de experiências e promover a transformação de métodos usuais para aqueles que sejam orientados ao desenvolvimento sustentável e à economia verde.

Portanto, um dos seus objetivos é impulsionar serviços de refrigeração à base de energia renovável. Nesse sentido, busca-se evitar o chamado “resfriamento ativo”, isto é, quando se utilizam técnicas e aparelhos pouco sustentáveis para amenizar o calor. Para isso, aposta-se na construção civil inteligente e no planejamento urbano. Abaixo, no rodapé, o vídeo descreve e apresenta a nova realidade local da cidade de Medellín com seus Corredores Verdes*.

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Nota:

* Vídeo do Projeto Corredores Verdes: https://youtu.be/Kv0m2MSIo2s

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Jardineiros cuidam de corredor botânico instalado nos arredores de um curso dágua em Medellín – #Para cego ver: a imagem mostra uma mulher e um homem, ambos jardineiros, em frente ao Corredor botânico instalado em Medellín Foto: Ashden”(Fonte): https://nacoesunidas.org/cidade-colombiana-cria-corredores-verdes-para-combater-calor/

Imagem 2O Pnuma destaca que os parques urbanos podem reduzir a temperatura ambiente durante o dia em uma média de aproximadamente 1°C#Para cego ver: a imagem mostra a copa de uma árvore acompanhada da legenda O Pnuma destaca que os parques urbanos podem reduzir a temperatura ambiente durante o dia em uma média de aproximadamente 1°C’ – Foto: FAO/Rudolf Hahn” (Fonte): https://news.un.org/pt/story/2019/07/1680671

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Organizações Internacionais lançam iniciativas para sustentabilidade

No último dia 16 de julho (2019), ao longo da programação do Fórum Político de Alto Nível (em Nova York), foram lançadas pelas organizações internacionais novas iniciativas em prol do desenvolvimento sustentável. A divulgação e promoção dessas ferramentas partem da Green Growth Knowledge Partnership – GGKP  (Parceria para Conhecimento em Crescimento Verde).

Liderada pelo Global Green Growth Institute, Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), ONU Meio Ambiente, UNIDO e Banco Mundial, possui na sua proposta de criação a formulação de estudos e o desenvolvimento de estratégias que permitam o florescimento de economias verdes com melhor aproveitamento das potencialidades locais e, sobretudo, com a diminuição da exploração incorreta de recursos naturais escassos.

Além disso, o financiamento das ações do GGKP é oriundo dos governos da Suíça, da Alemanha e da iniciativa Partnership for Action on Green Economy. Na oportunidade, foram apresentadas a Green Industry Platform (Plataforma da Indústria Verde) e a Green Finance Platform (Plataforma de Financiamento Verde). O foco dos dois projetos é reunir dados e orientações para impulsionar a responsabilidade ecológica no setor privado.

Infográfico sobre Crescimento verde

As duas plataformas vão usar recursos da já existente Green Growth Knowledge Platform — GGKP (Plataforma de Conhecimento do Crescimento Verde), que, lançada em 2012, reúne um compilado de informações de especialistas de temas que vão desde o retorno do investimento em energias renováveis até os títulos verdes, infraestrutura sustentável, normas e regulamentos.

As análises são divididas por setor da economia, país, região, ou eixos como gênero, emprego, mudanças climáticas, economia circular e capital natural. O acesso a GGKP pode ser realizado por este link.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Plataformas de conhecimento foram criadas por organismos internacionais, incluindo agências da ONU, para impulsionar práticas sustentáveis na indústria e nas finanças. Foto: Pixabay (CC)” (Fonte): https://nacoesunidas.org/organismos-internacionais-lancam-plataformas-de-conhecimento-sobre-industria-e-financas-sustentaveis/

Imagem 2Infográfico sobre Crescimento verde. Foto: GGP” (Fonte): https://www.greengrowthknowledge.org/page/explore-green-growth

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Líder da Esquerda Socialista deseja que o Parlamento norueguês declare crise climática nacional

Conforme vem sendo disseminado na mídia, especialmente por pesquisadores e ativistas, a questão climática é uma realidade global, sobre a qual todos os Estados precisam se unir para reduzirem os poluentes na atmosfera. Conforme apontam especialistas, se a inércia política permanecer e a temperatura do planeta ascender a 2,0ºC, os riscos de desastres naturais são altos. Nesta perspectiva, as geleiras dos polos, por exemplo, irão derreter, fazendo com que os níveis dos oceanos elevem e, com isso, diversos países costeiros serão arrasados.

Na Noruega essa é uma pauta importante, visto que o Estado é um dos maiores produtores de petróleo do mundo e o país possui uma flora e fauna sensíveis à temperatura do Ártico. Todavia, o meio ambiente parece ser um assunto pouco tratado pelos políticos do Storting* e, diante disso, Audun Lysbakken, o líder da Sosialistik Venstreparti – Partido da Esquerda Socialista (SV), vem pressionando o Parlamento para que declare a existência de uma crise climática nacional.

O movimento em defesa do clima é de inspiração britânica, recebendo destaque após ativistas ambientais conseguirem o feito de pressionarem o Parlamento no Reino Unido a decretar uma crise climática nacional, e a adoção de medidas semelhantes pelo Canadá e Suíça. O objetivo do Parlamentar do SV, é despertar a atenção de seus pares para que eles instaurem no país cortes que ele considera realistas, de 60%, até 2030, em defesa do clima e da diversidade de espécies naturais.

Storting

O jornal Aftenbladet trouxe a afirmação do político norueguês sobre o assunto. Ele declarou: “O que nós queremos é que o Storting declare que estamos no meio de uma crise climática que constitui uma emergência nacional para a Noruega e uma emergência para o mundo ao nosso redor. O problema é que propomos medidas climáticas concretas o tempo todo, mas há a paralisia de ação da maioria política. Estamos procurando descobrir se a maioria do Storting compartilha não apenas da nossa percepção, mas também da percepção dos pesquisadores do clima sobre a gravidade da situação”.

Os analistas concordam que precisam ser feitas ações voltadas para a sustentabilidade e para a preservação ambiental, sejam por meio de iniciativas governamentais, sejam por intermédio de pressões populares. Todavia, salientam que a negação ou a ignorância dos alertas dos pesquisadores poderão acarretar fortes prejuízos, não só para a sociedade norueguesa, como, também, para os demais Estados.

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Nota:

* Storting ou Stortinget, em norueguês, é o nome dado ao Parlamento do país, composto por 169 membros, eleitos a cada 4 anos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O parlamentar Audun Lysbakken” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/64/Audun_Lysbakken_2009.jpg/1024px-Audun_Lysbakken_2009.jpg

Imagem 2 Storting” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d0/Stortinget%2C_Oslo%2C_Norway_%28cropped%29.jpg/1280px-Stortinget%2C_Oslo%2C_Norway_%28cropped%29.jpg

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Aliança para melhorar gestão de recursos hídricos nas cidades latino-americanas

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), com o apoio do Escritório Regional da UNESCO para Ciências na América Latina e Caribe e Escritório da UNESCO no Brasil realizou nos dias 7 e 8 de maio de 2019 um evento no âmbito do Programa Hidrológico Internacional para discutir desafios e soluções relacionados à gestão da água diante das mudanças climáticas.

Desta forma, mais de 100 representantes de megacidades latino-americanas, de empresas de água e saneamento e de Universidades acordaram a criação de uma Aliança Regional de Megacidades para a Água e o Clima.  A expectativa é reduzir os riscos para suas atividades econômicas e possibilitar estabilidade social.

Estudante aprendendo o uso efetivo da água doce no Brasil

Nesse sentido, busca-se promover a Cooperação Sul-Sul nos campos relacionados à pesquisa, a soluções técnicas, à educação, à informação e a políticas públicas voltadas à gestão hídrica. Também, deve-se atentar que a legislação internacional em matéria de direitos humanos compele aos Estados a trabalharem para alcançar o acesso universal à água e ao saneamento para todos, sem discriminação, priorizando ao mesmo tempo as pessoas mais necessitadas.

Os danos ambientais e a mudança do clima estão levando a crises relacionadas aos recursos hídricos, como inundações, secas e poluição da água. Nessa perspectiva, estima-se que a demanda mundial por água deva continuar aumentando a uma taxa semelhante até 2050, o que representará um aumento de 20% a 30% em relação ao nível atual de uso, principalmente devido à demanda crescente nos setores industrial e doméstico.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Cidades latinoamericanas discutiram desafios de gestão dos recursos hídricos frente às mudanças climáticas”(FonteFoto: Banco Mundial/Allison Kwesell): https://nacoesunidas.org/cidades-latino-americanas-criam-alianca-para-melhorar-gestao-de-recursos-hidricos/

Imagem 2 Estudante aprendendo o uso efetivo da água doce no Brasil” (FonteFoto: UNESCO/Nelson Muchagata): http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/natural-sciences/environment/water-resources/

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Cabo Verde: gestão de recursos hídricos para tratar da escassez de água

A gestão de recursos hídricos e os efeitos causados pela escassez de água nas esferas sociais, econômicas e ambientais representam um tópico de interesse público e internacional. No tocante ao arquipélago de Cabo Verde, que se utiliza de chuvas sazonais para seus reservatórios e que já registrou períodos de emergência, como no ano de 2017, alternativas ao uso da água em setores produtivos fazem parte das prioridades do país.

Mais recentemente, Cabo Verde sediou durante a segunda semana do mês de março de 2019 o primeiro Fórum Internacional sobre Escassez de Água na Agricultura, com o tema “Não deixar ninguém para trás”, uma vez que a crise hídrica é um obstáculo para muitos Estados, não apenas os insulares. Visando discutir sobre a escassez de água no âmbito da agricultura e segurança alimentar, esta iniciativa incluiu a colaboração da Organização para a Alimentação e a Agricultura das Nações Unidas (FAO, sigla em inglês para Food and Agriculture Organization of the United Nations).

Logo da FAO

A parceria entre a FAO e o país teve início em 1976 e no seu quadro de ações encontra-se o enfoque das relações com as condições climáticas do arquipélago. Em decorrência do caráter emergencial presente nas estiagens que Cabo Verde tem enfrentado, a atuação com programas voltados à mitigação da seca acaba sendo priorizada. Neste contexto de apoio técnico nos setores que interagem com a produção de alimentos, cabe mencionar a criação de programas ampliando a produtividade e o desenvolvimento da agricultura familiar, segurança alimentar e saneamento.

Um exemplo de reutilização dos recursos hídricos é a dessalinização de água do mar para uso doméstico, um recurso já utilizado pelo país e que, ao final do ano de 2018, recebeu investimentos da Agência Francesa de Desenvolvimento, Banco público para o desenvolvimento.

Imagem sobre irrigação

De forma complementar, para além do apoio financeiro, pode ser identificada a Cooperação Técnica no quadro de parcerias. Esta corresponde ao desenvolvimento de relações com países experientes no que tange a produção agrícola em contexto climático adverso, buscando integrar novas tecnologias e capacitar os profissionais da área rural, como ocorre na produção de alimentos em Israel, que é desenvolvida em território semiárido.

Deste modo, pode-se observar a atuação cabo-verdiana no espaço internacional, onde a construção de parcerias estratégicas voltadas para superação de desafios e implementação de mecanismos sustentáveis de gestão da água, independente do recurso pluvial, integram um ponto de inflexão na agenda exterior do Estado.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Foto ilustrativa de irrigação por gotejamento” (Fonte): https://pensamentoverde.com.br/wp-content/uploads/2013/09/img49-300×300.jpg

Imagem 2Logo da FAO” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/db/FAO_logo.svg/2000px-FAO_logo.svg.png

Imagem 3Imagem sobre irrigação” (Fonte): https://www.portalpadom.com.br/wp-content/uploads/2018/07/israel-deserto-exportadores-agricolas-prospero-min-696×453.jpg

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A Tragédia de Brumadinho: desconsideração sobre as experiências internacionais e impunidade

Após três anos da tragédia ocorrida com a barragem da Samarco em Mariana, considerada a maior do país, o Brasil voltou a viver outra calamidade de grandes proporções, novamente no estado de Minas Gerais, agora na cidade de Brumadinho. Assim como em 2015, no caso ocorrido em Mariana, o bloqueio de valores, indenizações, multas ambientais, entre outras punições cabíveis, serão atribuídas a quem é considerado o principal responsável, a empresa Vale, e aos demais envolvidos que deverão ser acionados judicialmente.

A busca por todos os responsáveis pela tragédia é o grande tema na imprensa nacional e internacional, e isso não se deve apenas ao desastre ocorrido, mas também aos demais aspectos que podem estar enredados e acredita-se que foram tratados nos bastidores.

Os acidentes com barragens e outras obras do gênero não é novidade no Brasil e no Mundo, porém, em solo brasileiro, as regras, leis e padrões demoraram para ser implantados e existem barragens com sistema de construção antiga e manutenção precária. Os fatos históricos e experiências vividas por outros países poucas vezes são analisados adequadamente e implantados no país, por isso acidentes do gênero chamam a atenção da imprensa mundial, principalmente quando são catástrofes ocorridas graças a estruturas ultrapassadas.

Na década de 1970, após sofrer com casos parecidos, os Estados Unidos e países europeus começaram a atuar mais com a prevenção de acidentes. A experiência internacional mostra que o monitoramento, correção e a manutenção preventiva de estruturas danificadas são mais eficazes e eficientes, tendo poucos casos similares aos brasileiros registrados, ressaltando-se que os acidentes no Brasil estão entre os maiores já ocorridos mundialmente e o caso de Mariana está no topo.

Região de Brumadinho – Foto 3” (Fonte – Ricardo Stuckert/Fotos Públicas)

Segundo dados da Wise Uranium Project utilizados para ilustração de reportagem do Jornal O Globo, os grandes casos mais recentes registrados foram na Mina de Mount Polley, no Canadá, em 2014, e na Mina de Omai, na Guiana, em 1995.

Além de grandes acidentes e desastres, no Brasil sempre há registro da ocorrência de casos pequenos. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), a média é de três acidentes por ano em todo o território brasileiro. A Agência iniciou a elaboração de relatórios sobre tais eventualidades em 2011, quando tinha registrado 24 casos e assumiu que poderia haver outros, porém não ocorreram mais registros deste tipo de incidente para o Governo Federal. Do ano de 2011 até o ano de 2017, a média de acidentes com barragem sempre foi de 4 por ano, e de incidentes – ocorrências menores que podem levar a um acidente – subiram de 4 para 11 por ano.

Antes da ANA, era mais complicado elaborar planejamento sobre fiscalização destas estruturas com base em dados oficiais. Em 2008 ainda se estudava a criação de uma política nacional para segurança de barragens, quando, o até então aluno da Escola de Engenharia da UFMG, Anderson Pires Duarte defendeu Dissertação para concluir a sua pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos, nomeada: CLASSIFICAÇÃO DAS BARRAGENS DE CONTENÇÃO DE REJEITOS DE MINERAÇÃO E DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS NO ESTADO DE MINAS GERAIS EM RELAÇÃO AO POTENCIAL DE RISCO.

A Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), através da Deliberação Normativa (DN) 62 (COPAM, 2002), alterada pela DN 87 (COPAM, 2005) e pela DN 113  (COPAM,  2007), realizava o cadastro e classificava as barragens conforme seu potencial de dano ambiental em 2008. Desde então, trabalhos similares continuaram sendo realizados, mas, devido aos dois grandes acidentes de grandes proporções em Mariana e Brumadinho, os especialistas apontam que, de fato, pouco foi feito e pouco se aprendeu com as experiências internacionais.

Os fatores que levaram as empresas mineradoras a aproveitarem ou aprenderem de forma mínima com empresas estrangeiras podem conduzir a uma profunda discussão se houve a exploração das falhas do poder público em nível municipal, estadual e federal, por parte dessas corporações. No entanto, em meio a tantas possibilidades, especulações e possíveis irregularidades, identifica-se que o choque entre os interesses de defensores setoriais, especialmente quando eles se sobrepõem, prejudicou e prejudica diretamente outras áreas da economia.

Os noticiários brasileiros discorrem sobre a fiscalização e legalização deste tipo de operação no país. No caso de Minas Gerais, o foco foi para os representantes da sociedade que estão presentes nas câmaras municipais, estadual e federal (vereadores e deputados estaduais e federais), os quais têm grande participação na denominada “Bancada Mineradora”, sendo atores que, conforme é divulgado na mídia, tentam auxiliar e em alguns casos facilitar as atividades das grandes empresas do ramo no país.

Brumadinho MG 28 01 2019-Tragedia na cidade de Brumadinho em Minas Gerais bombeiros trabalham na localização de vitimas.Foto Ricardo Stuckert

Não é recente a grande disputa entre bancadas que defendem certos setores da economia contra os que defendem o meio ambiente e um sistema de produção mais sustentável e menos agressivo, bem como a fauna e biodiversidade da natureza no país. Analisando os casos em Mariana e Brumadinho, especialistas apontam que a bancada mineradora obteve vitórias junto ao governo mineiro, conquistando facilidades de operação e ampliação de suas instalações e, com isso, conseguiu destruir quase que por completo outras atividades econômicas ligadas ao turismo, agricultura, piscicultura, hortifrútis e agropecuários.

No evento mais recente da Barragem do Café, o governo mineiro está calculando os prejuízos causados pelo acidente da mineradora Vale, e informa que a região metropolitana de Belo Horizonte já sofre com o abastecimento de alimentos. E já se considera que a poluição de lençóis freáticos e rios na região vai aumentar ainda mais o prejuízo dos produtores mineiros no entorno da zona afetada pelo rompimento da barragem.

O conflito de interesses não apenas afetou a economia, mas também o cotidiano e na vida do povo do estado de Minas Gerais. Com a poluição do rio Paraopeba, os indígenas da aldeia Naô Xohã terão que mudar a sua economia de subsistência, pois não tem outro recurso hídrico para suas plantações e, assim como demais moradores da região e não indígenas, estarão impedidos de prover da pescaria.

A falta de fiscalização de barragens e de outras inúmeras estruturas extratora de matérias-primas e produtivas pelo país concede lucro aos empreendedores e grandes corporações, mas, no caso de falhas, o prejuízo também é maximizado. A Vale, por exemplo, além das indenizações que terá de pagar, está sofrendo com as oscilações de suas ações na bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA), tanto que elas estão sendo vendidas a valores bem inferiores aos de dias antes da catástrofe em Brumadinho.

Tendo o histórico do acidente em Mariana, observadores concluem que a falha do Estado em punir e fiscalizar as empresas Samarco e Vale, além de terem sido identificado que inúmeras multas não foram pagas até o momento, gerou a sensação de impunidade para so diretores dessas corporações, logo, posturas displicentes, tanto que, três anos depois da maior tragédia ambiental no país algo de igual teor ocorreu. No entanto, acredita-se que a sociedade cobrará do novo governo, liderado pelo presidente Jair Bolsonaro, a que, de fato, não deixe impunes os responsáveis pelo acidente recente que, no momento, já gerou mais de uma centena de vítimas. Por isso, o cenário que se avizinha é de que as indenizações, multas entre outras punições que ainda serão avaliadas e aplicadas contra a empresa, certamente desestimularão os investidores residentes e estrangeiros, principalmente devido à queda na confiança em relação à empresa.

Por essa razão, aponta-se também que o ano de 2019 poderá ser aquele em que os atores que representam os setores econômicos do Brasil devam repensar suas estratégias, posturas e formas de agir, alterando a linha de pensamento dos produtores e da indústria, algo que lhes levará a focar as grandes corporações internacionais estruturando seus planejamentos estratégicos de médio e longo prazo, com o intuito de preservar os recursos que lhes gerarão riquezas nos próximos anos, ou seja, tento em mente o conceito de sustentabilidade, o que poderá ser uma mudança forçada, mas concreta de comportamento.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Região de Brumadinho – Foto 1” (Fonte Ricardo Stuckert/Fotos Públicas): https://fotospublicas.com/tragedia-na-cidade-de-brumadinho-em-minas-gerais-bombeiros-trabalham-na-localizacao-de-vitimas-2/

Imagem 2 Infográfico Publicado no Jornal O Globo” (Fonte Ricardo Stuckert/Fotos Publicas): https://oglobo.globo.com/brasil/infografico-os-maiores-acidentes-com-barragens-no-mundo-23404340

Imagem 3 Região de Brumadinho – Foto 3” (Fonte Ricardo Stuckert/Fotos Públicas): https://fotospublicas.com/tragedia-na-cidade-de-brumadinho-em-minas-gerais-bombeiros-trabalham-na-localizacao-de-vitimas-2/