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Cabo Verde e o desafio do tráfico internacional de drogas

No mês em que se assinala o dia de Campanha Internacional contra o abuso e tráfico de drogas ilícitas (dia 26 de junho), o debate acerca desta temática adquire maior ênfase. A produção de entorpecentes e a distribuição transnacional destes produtos são desafios que permeiam as populações, e que atuam de forma desafiadora para a gestão de segurança fronteiriça e também na área da saúde pública.

Mais especificamente, no que se refere a cocaína, de acordo como o Relatório Mundial sobre Drogas de 2018 desenvolvido pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, sigla em inglês para United Nations Office on Drugs and Crime), a sua produção ocorre majoritariamente na América do Sul, e os Estados destinatários são comumente na América do Norte e a região ocidental do continente Europeu. Nestas dinâmicas encontram-se também os países que estão na rota de distribuição da produção. Cabo Verde está inserido, tento em vista a rota da África Ocidental para a Europa.

Localização de Cabo Verde

Tendo como perspectiva as características insulares de Cabo Verde, pode-se observar a ligação feita pelo oceano Atlântico à América do Sul, onde se encontram os países com as maiores produções de cocaína. Assim, como há proximidade tanto com o continente africano, quanto com o continente europeu, isto confere a Cabo Verde um ponto de transbordo das mercadorias.

Dada esta dinâmica, faz-se interessante ressaltar a Operação Areia Branca, desenvolvida por Portugal em articulação com o Brasil e Instituições do Reino Unido e dos Estados Unidos. A Operação realizada em maio de 2019 interceptou uma embarcação com mais de uma tonelada de cocaína ao sul de Cabo Verde. Neste sentido, a complexidade presente no combate ao crime organizado transnacional e ao tráfico de drogas é uma pauta que concerne a diferentes Estados.

Logo da UNODC

De modo complementar, o arquipélago cabo-verdiano desenvolve ações voltadas para o controle do tráfico de drogas, e também conta com o auxílio através da cooperação internacional. O UNODC tem contribuído com as instituições públicas, viabilizando capacitação, treinamento e fornecimento de equipamentos laboratoriais. O trabalho desempenhado pelo Escritório da ONU está presente em Cabo Verde desde 2006, contemplando em suas iniciativas o fortalecimento das esferas jurídica, científica, e policiamento marítimo. 

Igualmente, no quadro de iniciativas sobre tráfico internacional de drogas, o país conta com o Programa nacional Integrado de Luta contra Drogas e Crimes Conexos (2018-2023). O documento de caráter estratégico possui como objetivo o delineamento coordenado de ações frente aos desafios gerados pelo crime transnacional.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Cocaína em pó, imagem ilustrativa” (Fonte): https://www.opas.org.br/wp-content/uploads/2017/02/cocaina-696×464.jpg

Imagem 2 Localização de Cabo Verde” (Fonte): https://1.bp.blogspot.com/-1kXf6nS6Yzs/WL3Ze9TK33I/AAAAAAAAAEU/3p1z7qJzARg10PTokQtBmgBOjC4K4pFjgCLcB/s320/mapa_caboverde.gif

Imagem 3Logo da UNODC” (Fonte): https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2014/10/UNODC_logo_P_blue.gif

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Novos Embaixadores da Boa Vontade para promover vidas mais saudáveis são indicados pela OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentou quatro novos Embaixadores da Boa Vontade para promover vidas mais saudáveis em nível global. Nomeados a cada dois anos, eles são personalidades conhecidas do mundo das artes, literatura, entretenimento, esporte ou outros campos da vida pública, e se comprometem a contribuir com os esforços da Organização para conscientizar as populações sobre importantes problemas e soluções de saúde. 

Para embaixadores da boa vontade da OMS com foco na promoção da saúde foram nomeados este ano (2019): Alisson Becker, goleiro da seleção brasileira e do time de futebol britânico Liverpool, e Natália Loewe Becker, médica e defensora da saúde no Brasil.

Embaixadores da Boa Vontade

Como embaixadora da boa vontade da OMS para a saúde mental foi nomeada Cynthia Germanotta, presidente da Born This Way Foundation, iniciativa que fundou com sua filha, a cantora norte-americana Lady Gaga.

Por sua vez, a embaixadora da boa vontade da OMS para a força de trabalho em saúde nomeada foi Ellen Johnson Sirleaf, ex-presidente da Libéria e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz. Como primeira mulher eleita Chefe de Estado da África, Sirleaf tornou-se um símbolo popular de democracia, liderança e equidade de gênero, não apenas em seu próprio país, mas em todo o Continente africano e nos países em desenvolvimento. Ela continua seu trabalho defendendo o direito das mulheres e o empoderamento econômico, particularmente de mulheres na liderança e na política.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Saúde Global” (Fonte): http://www.unescobiochair.org/wp-content/uploads/2019/02/global-health-1080×600.jpg

Imagem 2 “Embaixadores da Boa Vontade” (Fonte): https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2019/05/200519-embaixadoresoms-e1558373307920.jpg

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Ações para erradicação da Febre Aftosa na América do Sul

No mês de maio (2019), os representantes dos setores público e privado da Comissão Sul-Americana para a Luta contra a Febre Aftosa (COSALFA) reuniram-se em Cartagena das Índias (Colômbia) para a sua 46ª Reunião Ordinária. O objetivo do encontro foi verificar o progresso alcançado pelos Programas Nacionais de Febre Aftosa, destacando-se os desafios futuros e ações para avançar na erradicação da doença no continente sul-americano.

A referida Comissão foi criada em 1972, durante a V Reunião Inter-Americana de Nível Ministerial sobre o Controle da Febre Aftosa e Outras Zoonoses (RICAZ V), tendo o Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (PANAFTOSA) da Organização Panamericana de Saúde (OPS), vinculada à Organização Mundial de Saúde (OMS), como sua Secretaria Ex Officio.

Os 13 países membros da COSALFA são: Argentina; Brasil; Bolívia; Chile; Colômbia; Equador; Guiana; Panamá, Paraguai; Peru; Suriname, Venezuela e Uruguai. O seu propósito é avaliar o andamento dos programas nacionais de controle e erradicação desta zoonose na América do Sul, garantindo a integração regional das ações de intervenção.

Em relação à Febre Aftosa trata-se de uma doença infecciosa aguda, seguida pelo aparecimento de vesículas (aftas) – principalmente na boca e nos pés de animais (bovinos, ovinos, suínos, caprinos, entre outros). A doença é causada por um vírus e o seu principal efeito é comercial, devido ao alto poder de difusão e à possibilidade de sua veiculação por grandes distâncias e períodos de tempo.

A identificação da infecção pelo vírus, independentemente da apresentação de sinais clínicos, já é considerada um foco da doença, impedindo a comercialização de animais, produtos e subprodutos de origem de animais susceptíveis para zonas e países livres da doença.

Controle de zoonoses

Em síntese, no encontro, a PANAFTOSA destacou que uma grande parte da região sul-americana tem condições epidemiológicas e estruturais para suspender o uso da vacina, caso haja confiança nos trabalhos executados e não exista um risco externo significativo. Além disso, a COSALFA resolveu manter sua colaboração com o programa de controle da Venezuela e instou os atores privados a fornecer aportes para o Fundo Fiduciário para compra de vacinas para aplicação nos estados venezuelanos vizinhos à Colômbia.

Por fim, autorizou-se o desenvolvimento de estudos genéticos com as cepas do Laboratório de Referência da PANAFTOSA, assim como a realização de missões de cooperação técnica com os laboratórios nacionais dos países da região. Também, um novo Plano de Ação do Programa Hemisférico de Erradicação da Febre Aftosa (PHEFA) será apresentado na próxima reunião da COSALFA, que terá a Argentina como sede.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1A 46ª Reunião Ordinária ocorreu em Cartagena das Índias, na Colômbia” (FonteFoto: PANAFTOSA): https://nacoesunidas.org/encontro-na-colombia-discute-acoes-para-erradicar-febre-aftosa-da-america-do-sul/

Imagem 2 Controle de zoonoses” (FonteFoto: OPS): https://www.paho.org/panaftosa/index.php?option=com_content&view=article&id=137:zoonosis-y-enfermedades-desatendidas-intervenciones-e-investigacion&Itemid=371

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A OMS criará um grupo consultivo técnico em saúde digital

A Organização das Nações Unidas (OMS) está estabelecendo um grupo técnico multidisciplinar global para assessorar em questões relacionadas à saúde digital. O seu recém-criado Departamento Digital de Saúde trabalhará para aproveitar o poder das tecnologias digitais de saúde para ajudar no alcance do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3 (Garantir vidas saudáveis e promover o bem-estar para todos em todas as idades). 

Logo da OMS

De acordo com a nota da Organização, para apoiar este trabalho, ela está estabelecendo uma lista de especialistas em várias áreas relacionadas à saúde digital, como abordagens estratégicas, áreas de intervenção e estruturas de governança para regulamentações, e adoção de soluções e produtos de saúde digital. Alguns desses especialistas serão selecionados para fazer parte de um grupo consultivo técnico, enquanto outros poderão ser chamados para participar de subgrupos específicos. 

Para os perfis desejados, os membros do grupo consultivo técnico deverão ter experiência em: trabalho em saúde digital; programas e políticas digitais de saúde nacional ou de grande escala; inteligência artificial e saúde; realidade virtual e aumentada em saúde; inovação biomédica; cirurgia robótica; tecnologias vestíveis e saúde e bem-estar; rastreabilidade (por exemplo, blockchain); ética, governança e segurança no ecossistema de saúde com foco em saúde digital; economia da saúde, com foco em saúde digital; e legislação de saúde, com foco em tecnologias digitais de saúde. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Saúde Digital” (Fonte): https://www.mamutbr.com/healthtech/

Imagem 2 Logo da Organização Mundial da Saúde” (Fonte): http://dravet.pt/organizacao-mundial-saude-oms-reconheceu-potencial-medicinal-do-canabidiol/

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Campanha da OMS e do Brasil no Dia Mundial da Saúde

Ontem, dia 7 de abril, foi o Dia Mundial da Saúde e, para esta data, a Organização Mundial da Saúde (OMS) concentrou uma campanha no tema sobre a cobertura universal de saúde, com o lema: “Saúde para todas e todos. Em todos os lugares”.

Campanha Saúde para Todos

A OMS destaca que milhões de pessoas em todo o mundo ainda não possuem acesso algum a cuidados de saúde e outros são forçados a escolher entre este tipo de atenção e outras despesas diárias, como alimentos, roupas e até mesmo uma casa. 

Neste dia foi divulgado o Relatório de Estatísticas da Saúde Mundial, que inclui informações sobre tendências em áreas específicas, como saúde infantil e neonatal, doenças não transmissíveis, saúde mental e riscos ambientais, além de dados sobre a cobertura universal de saúde e sistemas de saúde.

No Brasil, o tema da campanha do Dia Mundial da Saúde foi sobre “imunização e vacinação”. Ele foi escolhido pelo país neste ano (2019) devido ao registro de baixas coberturas de vacinação, o que permitiu o reaparecimento de doenças que já estavam eliminadas no país, como é o caso do sarampo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Onde você mora no mundo afeta drasticamente o seu acesso aos serviços essenciais de saúde” (Fonte): https://www.who.int/images/default-source/imported/uhc-healthforall.gif?sfvrsn=3b7709c5_12

Imagem 2 Campanha Saúde para Todos” (Fonte): https://www.who.int/images/default-source/imported/world-health-day-2019-health-for-all.gif?sfvrsn=783d725d_14

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Uma em cada quatro unidades de saúde em todo o mundo carece de serviços básicos de água

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF, sigla em inglês) lançaram o relatório “Água, saneamento e higiene nos centros de atenção da saúde”.

Este informe indica que uma em cada quatro unidades de saúde em todo o mundo carece de serviços básicos de água, impactando em mais de 2 bilhões de pessoas. Esses serviços são essenciais para prevenir infecções e fornecer cuidados de qualidade, particularmente para o parto seguro. Estima-se, ainda, que 1 em cada 5 nascimentos ocorre globalmente nos países menos desenvolvidos e que, a cada ano, 17 milhões de mulheres nesses países dão à luz em centros de saúde com água, saneamento e higiene inadequados.

Hospital Al Rantisi, em Gaza. Possíveis vítimas dessa situação incluem recém-nascidos e crianças que dependem de incubadoras

Os pesquisadores da OMS e UNICEF indicam que mais de 1 milhão de mortes por ano estão associadas a nascimentos em centros de saúde sem água potável. As infecções respondem por 26% das mortes neonatais e 11% da mortalidade materna. 

Na Assembleia Mundial da Saúde de 2019, a ser realizada em maio, os governos debaterão uma resolução sobre Água, Saneamento e Higiene nas Instalações de Saúde, que foi unanimemente aprovada pelo Conselho Executivo da OMS no início deste ano (2019).

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Fontes Consultadas:

Imagem 1 Enfermeira prepara uma cama para um paciente com suspeitas de ebola, no Hospital Bwera, na RD Congo” (Fonte): https://global.unitednations.entermediadb.net/assets/mediadb/services/module/asset/downloads/preset/assets/2019/01/03-01-2019-UNICEF-Uganda-Ebola-UN0233859.jpg/image1170x530cropped.jpg

Imagem 2 Hospital Al Rantisi, em Gaza. Possíveis vítimas dessa situação incluem recémnascidos e crianças que dependem de incubadoras” (Fonte): https://global.unitednations.entermediadb.net/assets/mediadb/services/module/asset/downloads/preset/assets/2018/10/25-10-2018_OCHA_GAZA_01.jpg/image560x340cropped.jpg