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[:pt]China anuncia a criação de sua própria enciclopédia virtual, rivalizando com a Wikipédia[:]

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O Governo da República Popular da China pretende lançar no ano de 2018 uma enciclopédia virtual, rivalizando com a Wikipédia. Para este projeto foram contratados cerca de 20.000 pesquisadores de universidades e centros de pesquisa na China. Estima-se que a publicação será lançada com cerca de 300.000 artigos de 1000 palavras cada um. Esta iniciativa estará em concorrência com as enciclopédias virtuais lançadas por grandes empresas chinesas, tais como a Baidu e a Qihu360.

O principal grau de diferenciação do projeto capitaneado pelo Governo chinês é justamente a especialização dos autores que irão prover o conteúdo da enciclopédia. Por outro lado, isto evoca preocupações acerca da isenção política dos verbetes.
A Wikipedia utiliza um modelo de contribuições abertas, sendo que qualquer pessoa pode escrever ou complementar um artigo, mesmo que o conteúdo passe por uma revisão antes de ser publicado no site.

Questiona-se a possibilidade de que o conteúdo da enciclopédia chinesa apresente um viés político, visando à formação de uma consciência coletiva particular. Ressalte-se que 731 milhões de pessoas possuem acesso à internet na China, correspondendo a aproximadamente 53% de sua população. O projeto é comumente referido como “A Grande Muralha Cultural”, visando tornar-se um símbolo nacional acerca do desenvolvimento da cultura e da projeção de poder brando do país.

O acesso à Wikipédia é parcialmente permitido na China, sobretudo aos artigos de áreas de ciência e tecnologia. No entanto, a procura de verbetes como Dalai Lama” e “Xi Jinping”, por exemplo, resultarão na perda da conexão com o site. Paralelamente a isto, ao apresentar uma enciclopédia produzida por pessoas altamente especializadas, autoridades chinesas e pesquisadores participantes do projeto afirmam que o objetivo não é alcançar, mas sim superar o patamar e a influência da Wikipédia.

A denominação “Muralha Cultural” faz uma clara analogia com a Grande Muralha da China, sendo uma magnífica obra arquitetônica que tinha como objetivo afastar os possíveis invasores do país, na época Imperial. No entanto, quando se trata de uma plataforma de disseminação do conhecimento, como uma enciclopédia online, e estando em uma era de mercados digitais altamente integrados, a simbologia utilizada corre o risco de passar uma mensagem contraditória.

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Imagem 1 Logotipo estilizado da Wikipedia, incorporando símbolos da bandeira nacional da China” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c3/Wikipedia-logo_with_China_Flag.png

Imagem 2 Imagem estilizada transmissão do conhecimento” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/ee/Knowledge-sharing.jpg/1024px-Knowledge-sharing.jpg

Imagem 3 A Grande Muralha da China” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/50/20090529_Great_Wall_8125.jpg

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BLOCOS REGIONAISEducaçãoEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]O difícil diálogo entre o Primeiro-Ministro da Hungria, Viktor Órban, e a Comissão Europeia[:]

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A controversa relação entre Comissão Europeia e Governo da Hungria iniciou mais um capítulo polêmico em abril. O gatilho para a recente escalada de desentendimentos foi acionado no dia 4 daquele mês, quando o Parlamento húngaro aprovou Emenda à Lei que rege o ensino superior naquele país. 

Na visão do Governo da Hungria a Emenda consiste, basicamente, na exigência de que as instituições estrangeiras de ensino superior que oferecem diploma a seus alunos só podem atuar na Hungria se suas operações estiverem embasadas em acordos intergovernamentais. Contudo, não convenceram os esforços empenhados pelo Vice-Secretário de Estado da Hungria, Kristóf Altusz, para indicar que a Emenda possui caráter genérico, aplicando-se igualmente a todas as instituições de ensino superior que atuam no país.

Parte da população magiar* e da comunidade internacional entendeu a Emenda como uma manobra política de Viktor Órban, Primeiro-Ministro da Hungria e crítico da Comissão Europeia, para fechar a Universidade Central Europeia (UCE). Segundo o jornal The New York Times, a ação visaria atingir o filantropo e bilionário americano (de origem húngara) George Soros, fundador dessa instituição de ensino, a quem Órban tem criticado explicitamente nos últimos meses.

Para ajudar a compor o panorama da situação, é importante ter em mente as palavras de Frans Timmermans, primeiro Vice-Presidente da Comissão Europeia, que classifica a UCE como “uma pérola da coroa da Europa Central na formação de uma nova geração de líderes europeus que veem leste e oeste como denominações geográficas, não denominações morais ou políticas. Isto é de tão grande valor que merece ser protegido”.

A reação oficial às supostas ameaças trazidas pela emenda foi canalizada pela União Europeia. Em reunião realizada no dia 12 de abril, a Comissão Europeia pediu maiores explicações para o Governo da Hungria sobre a nova Lei, aproveitando para sinalizar que a situação geral envolvendo aquele país causava preocupação em Bruxelas**. Porém, o cenário continuou evoluindo negativamente. Além do desgaste causado pelo lançamento, por parte da Hungria, da consulta nacional Stop Brussels! (Parem Bruxelas! – tradução livre), houve ainda a reação da comunidade acadêmica contra um possível fechamento da UCE. Desta forma, gradualmente formou-se a percepção nos meios acadêmicos e nos executivos de Bruxelas de que a liberdade acadêmica e a livre oferta de serviços poderia estar sob ameaça na Hungria, gerando risco à integridade da Carta Europeia de Direitos Fundamentais.

Em uma tentativa de defender a Emenda bancada pelo seu governo, o Primeiro-Ministro húngaro falou ao Parlamento Europeu que a medida visa garantir que as universidades europeias e húngaras não fiquem em desvantagem contra universidades estrangeiras. Conforme relatado pela Associated Press, Órban, ao referir-se especificamente à UCE, disse que esta não atua de maneira justa ao emitir diplomas aceitos nos Estados Unidos e na Hungria, pois sequer possui um campus em território americano. Portanto, na visão do Premier, esta universidade compete de forma desleal com as demais instituições locais.

Diante do histórico conturbado com a Hungria e após a análise técnica da Emenda “confirmar as preocupações europeias relativas à compatibilidade entre ela, o livre mercado comunitário e a Carta Europeia de Direitos Fundamentais”, a Comissão Europeia decidiu abrir inquérito (infringement procedings) contra a Hungria para avaliar se houve descumprimento de obrigação prevista nos tratados comunitários. O país foi notificado acerca do início deste processo e tem um mês para prestar esclarecimentos para a Comissão.

Especialistas identificam que as eleições parlamentares na Hungria, previstas para 2018, estão influenciando decisivamente o tom combativo de Viktor Órban nos assuntos de política interna. Nesta lógica, as ações recentes relacionadas com a lei do ensino superior comporiam mais um episódio na disputa pelo poder na Hungria, visando deslocar ou enfraquecer potenciais competidores do atual mandatário.  

Nesta mesma linha, o embate com a União Europeia pode ser visto como outro tópico na agenda de poder de Órban. Em março de 2017 a chancelaria húngara, por meio de seus informes eletrônicos, já dava a entender que os ânimos com a União Europeia poderiam escalar a qualquer momento. Com frequência quase semanal, algum informe era veiculado pela chancelaria em tom crítico à União Europeia, particularmente contra a Comissão Europeia.

A celeuma com Bruxelas reiteradamente recai sobre medidas usualmente entendidas como populistas e que são bandeiras políticas de Órban, tais como restrição à imigração ou incentivos à economia húngara. Em contraste, nota-se que Órban concentra suas críticas nos executivos (Comissários) da Comissão Europeia e nas suas ações específicas, evitando colocar-se diretamente contra a União Europeia.

Oscilando em um difícil equilíbrio entre esses comportamentos, populista e pró-europeu, o Premier tem o desafio de consolidar sua posição política como defensor dos interesses nacionais da Hungria sem comprometer a participação do país no Bloco europeu, para não afetar o apoio eleitoral da substancial parcela da população húngara pró-europeia.

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* O termo Magiar refere-se ao habitante natural da Hungria. É sinônimo de húngaro.

** Devido aos constantes atritos entre Bruxelas e Budapeste desde que Órban foi eleito Primeiro-Ministro, em 2010. O cenário atual conta ainda com desentendimentos relacionados às questões de concessão de asilo e financiamento estrangeiro de organizações não governamentais localizadas na Hungria compondo o pano de fundo das discussões. Estes dois temas permanecem latentes, mas, até o momento, não se tornaram alvo de enfrentamento público (como ocorreu com a alteração na lei de ensino superior).

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Imagem 1 Viktor Órban Primeiro-Ministro da Hungria” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Viktor_Orbán

Imagem 2 Frans Timmermans Vice-Presidente da Comissão Europeia (2013)” (Fonte):

https://it.wikipedia.org/wiki/Frans_Timmermans

Imagem 3 Interior do Parlamento Europeu em Estrasburgo” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Parlamento_Europeu#/media/File:European-parliament-strasbourg-inside.jpg

Imagem 4 Logo da Comissão Europeia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/European_Commission#/media/File:European_Commission.svg

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EducaçãoEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade Internacional

[:pt]A liberdade de religião sob pressão na Dinamarca[:]

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A Dinamarca é um dos Estados que mais investiu na recepção dos refugiados durante a recente crise na Europa, sob a égide do acolhimento e da solidariedade. Por ser uma sociedade homogênea e de elevado grau de secularização, os próprios dinamarqueses não religiosos observam que as crenças religiosas dos refugiados e de seus próprios cidadãos representam um risco para a democracia.

A defesa pela “cultura dinamarquesa” já chegou a um estágio de pânico, ao ponto de o Jornal Kristeligt Dagblad informar a atuação das autoridades, ao criarem uma legislação com o propósito de inibir a voz de “pregadores religiosos que buscam minar as leis e os valores dinamarqueses”. A situação está tensa no país, a ponto de existirem discursos de proibição de uso de símbolos religiosos por funcionários em hospitais que possuam contato com os pacientes na região da Dinamarca do Sul.

No último dia 5 deste mês (abril), diversos líderes religiosos realizaram uma conferência com o propósito de discutirem a liberdade religiosa na atualidade, e salientaram que a Democracia não exclui a religião, bem como que está ocorrendo a tendência para a unilateralidade de posicionamento que busca retirar a religião do debate, estando o extremismo religioso e o secularismo intolerante equivalendo-se neste comportamento unilateral. A retórica dos direitos humanos parece estar sendo aplicável apenas aos interesses de grupos não religiosos que desejam liberdade e respeito para si, mas que querem impor a proibição da cerimônia da circuncisão, ou mesmo obrigarem as religiões a aceitarem as teorias de gênero como norma de reconhecimento legal.

Conforme vem sendo apontado por especialistas, a Dinamarca precisa deixar seus cidadãos religiosos e não religiosos desfrutarem de suas vidas em consonância com o Capítulo VII, Inciso 67, de sua própria Constituição, que relata: “Os cidadãos tem o direito de formar congregações para a adoração a Deus de maneira coerente com suas convicções” e não buscar controlá-los sob pretextos sociais e de bem comum, conforme também observou o especialista independente da Organização das Nações Unidas (ONU), Heiner Bielefeldt, no site da instituição, ao realizar visita oficial ao país escandinavo: “Eu valorizo que a Dinamarca respeite o direito de todos de praticarem livremente sua religião, tanto em privado, quanto em público”. E reitera: “trabalhar por uma maior compreensão mútua entre diferentes religiões e os não religiosos (ou ‘seculares’) na sociedade deve ser uma das principais prioridades”.

Conforme a opinião dos analistas entende-se que existe um choque discursivo forte entre os cidadãos religiosos e não religiosos no seio da sociedade dinamarquesa, o qual somente poderá ser diminuído a partir da pluralidade democrática, ou seja, mediante a participação e exposição de argumentos pelos grupos sociais, todavia o que é visto como inconcebível é a tentativa de secularizar a religião a favor das aspirações de uma parcela da população, ou mesmo de uma minoria, de forma a extinguir a autonomia e a liberdade religiosa dos indivíduos.

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Imagem 1 Igreja de Nossa Senhora Catedral de Copenhague (interior)” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/15/Vor_Frue_Kirke_Copenhagen_interior.jpg/1280px-Vor_Frue_Kirke_Copenhagen_interior.jpg (copiar e colar diretamente no navegador)

Imagem 2 Pomba carregando ramo de oliveira” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0e/Peace_dove_noredblobs.svg/705px-Peace_dove_noredblobs.svg.png (copiar e colar diretamente no navegador)

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AMÉRICA DO NORTEÁSIAEducaçãoNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Ataque a Pearl Harbor é relembrado nos EUA[:]

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Na última quarta-feira, 7 de dezembro, foi lembrado pelos Estados Unidos (EUA) o ataque que ocorreu em Pearl Harbor, em 1941, o qual deixou cerca de 1.777 marinheiros e fuzileiros navais mortos. Muitas pessoas, entre elas sobreviventes da tragédia, vieram de todas as partes do país para homenagear aqueles que faleceram naquele dia. A reunião ocorreu no cais coberto que se projetava perto do local onde se encontram, logo abaixo da superfície, os restos do USS Arizona, que na época foi destruído pelas bombas inimigas.

O ataque surpresa foi arquitetado e realizado pelas forças japonesas que lançaram bombas contra navios norte-americanos que estavam atracados na base naval do Havaí. O intuito do ataque era paralisar as forças dos EUA no Pacífico, enquanto o Império Japonês se expandia. Este ocorrido foi o acontecimento que finalizou o processo de entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial.

Em homenagem aos que não sobreviveram ao ataque, o presidente Barack Obama decretou o dia 7 de dezembro como o “Dia da memória por Pearl Harbor e encorajou a todos os norte-americanos a observarem esta data solene, para lembrar e honrar os militares, daquela época e os atuais, com “adequadas cerimônias e atividades”.

No dia 5 de dezembro, três dias antes da homenagem, o Premier japonês, Shinzo Abe, anunciou uma visita aos EUA, a ocorrer entre os dias 26 e 27, próximos. O encontro com o presidente Barack Obama se dará em base militar do país e servirá, segundo o Premier, para refletir e “nunca mais repetir a tragédia de uma guerra”. Contudo, a visita também representará uma retribuição pela ida de Obama a cidade de Hiroshima, que aconteceu em maio deste ano (2016), quando também foram lembradas as vítimas do lançamento de bombas atômicas pelos norte-americanos, em 1945.

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ImagemWreckage of bombed Shaw at Pearl Harbor” / “Naufrágio do Shaw, bombardeado em Pearl Harbor” – Tradução Livre (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/USS_Shaw_(DD-373)#/media/File:USS_Shaw_Pearl_Harbor-7Dec41.jpg

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EducaçãoNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade Internacional

[:pt]Ainda falta mais de um século para que homens e mulheres no Brasil tenham iguais direitos e oportunidades[:]

[:pt] A situação das mulheres no mercado de trabalho brasileiro é preocupante. No último dia 26 de outubro, em Genebra, na Suíça, o Fórum Econômico Mundial publicou um relatório alarmante em relação à diferença salarial…

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AMÉRICA LATINAÁSIACOOPERAÇÃO INTERNACIONALEducaçãoMEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

[:pt]Cooperação Farmacêutica e Agropecuária entre Brasil e Índia[:]

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Nesta semana (em 17 de outubro), o Presidente do Brasil, Michel Temer, em comitiva do Governo, fez reunião com o Primeiro-Ministro da Índia, Narendra Modi. No encontro, foram firmados Acordos de Cooperação, pelos quais ficou definido que o Brasil enviará missões à Índia com o objetivo de ampliar as relações dos dois países nas áreas da indústria farmacêutica e agropecuária.

Na área farmacêutica, foi celebrado um Memorando para cooperação na regulação de produtos entre a Anvisa* e a CDSO/DGHS**. No setor agropecuário, a Embrapa*** celebrou dois Acordos de Cooperação: um de genoma bovino e tecnologias para reprodução assistida, com o Departamento de Reprodução Animal, Laticínios e Pesca da Índia; o outro, na área de recursos genéticos, agricultura, zootecnia, recursos naturais e pesca, assinado com o Conselho Indiano de Pesquisa Agrícola.

Os governos brasileiro e indiano têm tradição de cooperação técnica no segmento aeroespacial, voltada para a construção de um satélite (2012), em um trabalho que teve o apoio também da África do Sul. As parcerias feitas para os segmentos farmacêutico e agropecuário, no entanto, foram consideradas por analistas como históricas, pois, da perspectiva desses, tais Acordos tendem a ampliar as relações entre Índia e Brasil.

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Notas:

* Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

** Organização Central da Índia de Controle de Qualidade de Medicamentos do Diretório Geral dos Serviços de Saúde.

*** Empresa Brasileira de Pesquisa Agrícola.

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Imagem (Fonte):

https://www2.planalto.gov.br/acompanhe-planalto/noticias/2016/10/brasil-e-india-assinam-acordos-de-cooperacao-farmaceutica-e-agropecuaria/temer_reuniao_india_betobarata_pr.jpg/@@images/f65c31b1-d907-4553-983e-716ed6af26ff.jpeg

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ECONOMIA INTERNACIONALEducaçãoENERGIAEUROPAMEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASTecnologia

[:pt]Os trens de alta velocidade e a reestruturação do espaço sueco[:]

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A Suécia é um país com pequeno território no Norte da Europa, cujas ações cotidianas são fixas em valores de liberdade e de igualdade, o que a torna referência na classificação de desenvolvimento humano. Nesse sentido, os suecos desejam um futuro capaz de manter a qualidade de vida que já possuem, mas com outro componente, por meio da formação de uma infraestrutura eficiente e sustentável.

As estatísticas suecas projetam um crescimento de aproximadamente 12 milhões de pessoas no país, em 2035, o que impulsiona os tomadores de decisão a, pelo menos, dois questionamentos: sobre qual modalidade utilizar para o transporte de tamanho quantitativo; e como fazer isso sem afetar negativamente o meio ambiente. A resposta eficaz para esta equação política tem sido o trem de alta velocidade (TAV), visto que o mesmo permite a locomoção das pessoas a grandes distâncias, em baixo tempo, e garante a não emissão de gases de efeito estufa na atmosfera do país.

O Governo sueco planeja construir um ramal de TAV nos próximos anos, por meio da companhia Statens Järnvägar (SJ), o qual faria a ligação entre Estocolmo e Gotemburgo e Estocolmo e Malmö, cujas viagens teriam duração de 2 horas e 2,5 horas, respectivamente. Na prática, os trens com saída de Estocolmo para a região Oeste e Sul da Suécia partiriam a cada 6 minutos e na direção oposta a cada 12 minutos, em horário de pico. A título de exemplo, isto significa que um indivíduo morador de Jönköping, no interior da Suécia, poderia chegar em Gotemburgo em 40 minutos, e em Malmö na faixa de 1 hora e 10 minutos.

O maior benefício do TAV, sem dúvidas, é o deslocamento de pessoas no Leste, Oeste e Sul da Suécia. Todavia, é imprescindível salientar o efeito da reestruturação no espaço físico do país, visto que as cidades passariam a experimentar um movimento de pêndulo no âmbito regional, a partir da abertura de novos empreendimentos e da concorrência entre os mesmos, conforme se observa na descrição de Crister Fritzson (CEO da SJ) e de Jan Sundling (Conselho da SJ) em que, “na prática, significa uma amálgama na região Sul da Suécia, e permite que empresas internacionais desejem localizar suas sedes aqui, em vez de, por exemplo, Berlim, Munique, Bruxelas e Manchester”.

Consoante a opinião dos analistas, é louvável o plano de ação que os suecos desejam executar, pois o mesmo contribuirá para o avanço da transformação do espaço regional de modo a auferir melhores condições de vida no interior do país à futura população. A ideia é viável sob o prisma econômico e ambiental, à medida que intensifica a criação e a atração de novos polos de negócios e torna consistente a coerência das ambições suecas de ser independente de combustíveis fosseis até 2030.      

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ImagemSuécia – Localização” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/c4/Sweden_-_Location_Map_%282013%29_-_SWE_-_UNOCHA.svg/1024px-Sweden_-_Location_Map_%282013%29_-_SWE_-_UNOCHA.svg.png

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