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[:pt]O desenvolvimento na África Subsaariana: uma epopeia em marcha, ou um sonho – TEODICEIA DO DESENVOLVIMENTO (ou PARTE II)[:]

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Talvez o desenvolvimento seja uma das poucas temáticas que congregue vertentes das mais distantes do pensamento social, uma vez que a crença na inexorabilidade do desenvolvimento adentra consonante em diferentes perspectivas teóricas, exibindo em todas elas a sua “naturalidade”. Tal crença no desenvolvimento vai desde Karl Marx, o qual argumentava que “o país industrialmente mais desenvolvido mostra ao menos desenvolvido tão-somente a imagem do próprio futuro”, passando por Walt Rostow, a quem o desenvolvimento ocorria como um processo natural semelhante ao desenvolvimento das plantas, podendo defini-lo em cinco estágios, chegando ao contemporâneo Amartya Sen, que faz questão de trazer no título de sua opus magnum (“Desenvolvimento como liberdade”) um advérbio de modo, defendendo que se desenvolver é um caminhar natural a todos, desde que protegidas e incentivadas as liberdades individuais.

São inúmeras as perspectivas sobre o desenvolvimento que dominaram os debates acadêmicos e as rodas de conversa dos organismos internacionais – Teoria da Modernização, Teoria da Dependência, a Nova Ordem Econômica Internacional, o Basic-Needs Approach, a Escola das Capacitações e entre outras. Cada uma com dois pontos em comum a serem levantados: a crença na profecia desenvolvimentista e a emergência de cada uma como resposta às insuficiências do paradigma anterior. Por exemplo: foi após um constante debate sobre a obscura noção de “necessidades básicas” e sobre a restrita definição de renda como a principal necessidade individual, que a Abordagem das Capacitações emergiu como perspectiva suplementar ao Basic Needs Approach.

Da mesma maneira, a “virada institucional” modificou por completo a maneira de ver e pensar o desenvolvimento, substituindo o foco excessivo que formuladores de políticas públicas davam a fatores como capital e tecnologia. Organizações internacionais bilaterais e multilaterais, como o Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), a Direktoratet for utviklingssamarbeid (NORAD) e o Banco Mundial, trabalham continuamente no desenho de projetos de desenvolvimento na África Subsaariana que apoiem um conjunto de medidas capazes de reordenar um conjunto de instituições locais nos moldes desejados por elas.

Enquanto que o constante reordenamento do discurso desenvolvimentista, de suas categorias e prerrogativas, pode ser lido por alguns como um processo natural – e quiçá dialético – de aprimoramento, outros sustentam na própria necessidade de reorganização do discurso a sua fragilidade imanente.  Uma vez posto em xeque por uma série de indicadores socioeconômicos, a emergência de novas perspectivas, de novas categorias e de novas recomendações de políticas públicas, faz ecoar o desafio posto a outros sistemas valorativos, inclusive o religioso: o de manter intocável a profecia perante as imperfeições do mundo mundano.

Leibniz e o Desenvolvimento. Wilhelm Leibniz foi um pensador que usou o conceito de Teodiceia (“Ensaio de Teodiceia”). Na sua abordagem, trata-se de um conjunto de argumentos que utilizam das imperfeições da humanidade para reiterar a crença em um deus perfeito e justo. Na verdade, na história do pensamento ocidental despontam conceitos com lógicas similares, desde o Ars Inveniendi de Ramon Llull, no século XIII, até as colaborações de Max Weber e Pierre Bourdieu ao conceito de teodiceia já no século XX. O cristianismo, enquanto sistema valorativo, utilizou ostensivamente das imperfeições como argumentação para reiterar a existência de um mundo extramundano: Deus e os valores cristãos não poderiam ser incongruentes com as condições reais da vida, suscitando assim, na visão da Igreja, uma leitura da vida mundana como vida povoada de tentações e pecados que põem à prova a aptidão do indivíduo para se alçar ao reino dos céus*.

O desenvolvimento não escapa à essa leitura, pois constitui-se também de um sistema valorativo, isto é, uma forma específica de ordenar e significar a realidade e também sujeita a uma própria “teodiceia do desenvolvimento”. Conforme afirma Gilbert Rist, cientista social francês e autor do “The History of Development”, “as promessas [do desenvolvimento] são incansavelmente repetidas e os experimentos são constantemente reproduzidos”. Isto porque “a Verdade não pode mentir, e se mente – ou falha – é por má interpretação, falha humana ou falta de informação”.

Neste sentido, desponta uma série de indicadores socioeconômicos na região Subsaariana que demonstram como os projetos desenvolvimentistas falharam. Indicadores que comprometem, em última instância, a sobrevivência do próprio discurso.

Um clássico indicador é o estado da pobreza na região, principal fator combatido pelos organismos internacionais, bilaterais e multilaterais. O Banco Mundial tem repetido uma série de vezes nos últimos anos que o número de pobres no mundo todo tem caído em todo o globo. No entanto, o dado só se faz verdadeiro se observarmos a porcentagem de pobres sobre a população mundial. Analistas argumentam que este indicador decresceu nos últimos anos devido ao acelerado crescimento da população mundial, o que reduz o valor final da proporção calculada, e não devido ao número de indivíduos que saíram da condição de extrema pobreza.

Na verdade, em termos absolutos, o número de pobres na África Subsaariana é superior em 50 milhões de pessoas se comparado ao número obtido em 1990. Jason Hickel, professor da London School of Economics, em artigo ao portal The Rules, demonstra que ao elevarmos o índice de pobreza extrema de 1,25 dólares por dia, convencionado pelo Banco Mundial, para 3,70 dólares por dia – fato que, segundo ele, melhor elucida as condições mínimas de subsistência na maioria dos países –, veremos que 500 milhões de pessoas a mais foram alçadas para a condição de extrema pobreza de 1981 a 2014 no mundo todo.

Tendo estes dados como plano de fundo, questiona-se se as releituras sobre os procedimentos para o desenvolvimento seriam uma teodiceia, reproduzindo uma crença falsa na elevação global dos níveis de consumo e padrão de vida como destino natural de todas as nações. Seguindo esta leitura, nos dois artigos finais que estão porvir serão trazidos indicadores e conjunturas que demonstram a relativa incongruência do discurso desenvolvimentista na África Subsaariana e como as constantes atualizações deste discurso podem, ao final, serem “teodiceias do desenvolvimento”.

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Notas e fontes consultadas, para maiores esclarecimentos:

* Max Weber conduziu uma clássica leitura sobre teodiceia no cristianismo em sua obra Economia e Sociedade. É principalmente nela em que apoiamos a leitura aqui feita sobre o tema.

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Imagem 1 Pobreza Urbana” (FonteCommons Wikimedia):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Urban_Poverty.jpg

Imagem 2 Funcionários da GIZ e do KfW, juntamente com parceiros locais, visitam um projeto numa escola em Gitega, Burundi” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Deutsche_Gesellschaft_für_Internationale_Zusammenarbeit

Imagem 3 Gottfried Wilhelm von Leibniz” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gottfried_Wilhelm_Leibniz

Imagem 4 A sede do Banco Mundial em Washington, D.C.” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Banco_Mundial#/media/File:World_Bank_building_at_Washington.jpg

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ÁSIADEFESANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Manobras militares do Japão podem causar atritos com a China[:]

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Na semana passada, as redes de notícias asiáticas reproduziram informações da imprensa japonesa sobre o envio do navio de guerra Izumo para o Mar do Sul da China e para o oceano Índico, com o objetivo de realizar manobras de teste e participar de exercícios conjunto com as Marinhas dos Estados Unidos e da Índia. Este comunicado desagradou aos chineses que ameaçam retaliar o Japão, caso o navio se dirija à região.

O Izumo é um enorme Destroyer, único no mundo, que em outras regiões poderia ser classificado como Porta-Aviões leve, devido a sua capacidade de transportar um significativo número de helicópteros e aviões do tipo F-35B, de decolagem vertical. Esta é uma das peças que compõem a Marinha e as Forças de Autodefesa do Japão, as quais são limitadas desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A partir dessa época a Marinha Japonesa não amplia sua zona de atuação, hoje restrita apenas às áreas próximas ao território japonês, deixando alguns especialistas em segurança com dúvidas sobre os planos do país em demonstrar a capacidade de sua força naval em uma região onde ele não tem envolvimento em conflitos e disputas territoriais. Esta área é regida por uma série de disputas territoriais envolvendo China, Filipinas e Vietnã, cujas discussões vem melhorando e se tornando menos tensas nos últimos 2 anos, mas que podem ganhar novo elemento de tensão com a presença japonesa.

Sem dúvida, isto será uma demonstração do poder e das novas capacidades da marinha japonesa e das suas capacidades para projetar a força nas áreas mais distantes do mundo”, afirmou o especialista militar russo Vasily Kashin para a Sputnik News da China.

A porta-voz da chancelaria chinesa, Hua Chunying, comunicou que a China irá retaliar o Japão de forma rígida em diferentes campos de atuação, deixando em aberto as possibilidades para embargos econômicos ou até intervenção militar na região, caso a manobra se concretize. Curiosamente, o percurso calculado para o Destroyer faria escalas em Singapura, Indonésia, Filipinas e Siri Lanka, antes de se unir aos indianos e estadunidenses, sendo uma programação chamativa, tendo em vista os problemas territoriais que ocorrem nesta área.

Atualmente, os navios japoneses são importantes peças para as campanhas estadunidenses na Ásia, assim como para o seu aliado, a Coreia do Sul. A união entre Washington, Seul e Tokyo dá ao grupo maior mobilidade aeronaval e terrestre na região, contando com a forte presença da Força Aérea Americana em bases na ilha de Okinawa, uma efetiva Marinha Japonesa e um Exército eficaz na Coreia do Sul, enquanto a China ainda esta finalizando seus novos Submarinos e Porta-Aviões de médio e grande porte, os quais estão centrados na região sul do país, voltados exatamente para onde os japoneses pretendem testar sua capacidade marítima, na tensa região da indochina.

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Imagem 1 JS Izumo (DDH183) em Dezembro de  2016” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Izumo-class_helicopter_destroyer

Imagem 2 Hua Chunying” (Fonte Xinhua News/Chinanews.com):

http://portuguese.cri.cn/1721/2017/03/16/1s229061.htm

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AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICASTecnologia

[:pt]Governo dos EUA responsabiliza russos e hackers criminosos de roubo as contas de usuários do Yahoo, em 2014[:]

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Na última quarta-feira, 15 de março, dois membros da Agência de Inteligência Russa (FSB, ou ФСБ, na sigla em cirílico) e dois hackers supostamente contratados por eles foram acusados pelo Governo norte-americano de serem os responsáveis pelo roubo de 500 milhões de contas dos usuários do Yahoo, em 2014. Esta notícia foi considerada pelo jornal norte-americano The Washington Post como “as primeiras acusações criminais contra oficiais do governo russo”, pois incluíam espionagem econômica, comerciais e roubo de segredos.

O responsável pela investigação, Mary McCord, relatou que os alvos dos espiões e hackers eram jornalistas da Rússia, funcionários públicos norte-americanos e empregados de serviços financeiros, também de ambos os países. Os acusados, entre eles, Igor Sushchin, Alexsy Belan e Karin Baratov, utilizavam o Yahoo também para acessar dados das vítimas em outras plataformas, devido aos seus compartilhamentos de senhas, tais como o Google. Conforme apontam os acusadores, os ataques permitiram o conhecimento de dados valiosos da inteligência estadunidense, entre os quais estavam contas de autoridades governamentais, como diplomatas e militares.

Esta invasão virtual se deu por meio do sistema de um fornecedor do Estado de Vermont, leste dos EUA. O então denominado “ciberataque” não trouxe problemas para o funcionamento da empresa, porém mostrou suas vulnerabilidades. Apesar das ações não terem trazido danos mais graves para funcionários e a própria empresa do Yahoo, McCord declarou que “Não há passe-livre para comportamento criminal patrocinado por um Estado estrangeiro” e que essa atitude foi uma violação de dados digitais que entrará para a história dos EUA.

Conforme declarações de representantes da Inteligência norte-americana, este ciberataque seria mais uma prova de que a Rússia estaria por trás da interceptação de e-mails de dirigentes do Partido Democrata e dos assessores de Hilary Clinton durante as eleições presidenciais do ano passado (2016), tendo ocorrido entre os anos de 2014 e 2016, assunto discutido no início do ano (2017).

Além disso, segundo relatado na última semana no CEIRI NEWSPAPER, a acusação da invasão russa tornou os apontados como prováveis fontes do Wikileaks, uma organização que trabalha com publicações na internet, conseguidas por meio de fontes anônimas e que, na semana retrasada, vazou novas informações da Agência de Segurança dos EUA (NSA, na sigla em inglês). Todavia, durante uma coletiva de imprensa na última quarta-feira, dia 15, McCord evitou relacionar ambos os casos e afirmou que a possível interferência russa durante as eleições é “objeto de uma investigação separada

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Imagem 1Sede do Yahoo! em Sunnyvale, CA” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Yahoo!#/media/File:Yahoo_Headquarters.jpg

Imagem 2Militares americanos monitorando o envio de dados a aviões numa simulação de ciberguerra” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ciberguerra#/media/File:Monitoring_a_simulated_test_at_Central_Control_Facility_at_Eglin_Air_Force_Base_(080416-F-5297K-101).jpg

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BLOCOS REGIONAISDEFESAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Cooperação em Defesa ganha ‘momentum’ na União Europeia[:]

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As atividades de cooperação no campo da Defesa sempre estiveram entre os grandes desafios da União Europeia. Elas passaram a integrar a pauta do Bloco de maneira mais estruturada após o Tratado de Maastricht (1992), ocupando o que seria conhecido como o segundo pilar da integração europeia (Política Exterior e de Segurança Comum – PESC). Diferentemente das atividades mais conhecidas, regidas pela supranacionalidade, a área de Defesa apresentava caráter intergovernamental, com menor autonomia para os órgãos europeus e necessidade de consenso para as decisões.

Essa característica impactou diretamente no ritmo de integração observado neste pilar, mais vagaroso e sensível que os demais. Contudo, a cooperação na área apresenta avanços consistentes no agregado histórico e coadjuva a política externa europeia como se pode notar com a Política de Segurança e Defesa (PESD), institucionalizada no Bloco com o tratado de Nice (2000), a Estratégia de Segurança Europeia (2003), a criação da Agência Europeia de Defesa (2004), a valorização da cooperação em Defesa promovida pelo Tratado de Lisboa (2009) e diversos outros desdobramentos no nível tático do processo institucional europeu.

Em Editorial publicado no dia 11 de março de 2017 em diversos* jornais e meios de comunicação europeus, Jorge Domecq, Executivo-Chefe da Agência Europeia de Defesa (AED), destaca a elevada priorização que a temática recebeu na pauta europeia em 2016, após um período fora dos holofotes comunitários.

Domecq destaca basicamente dois tipos de argumentos: i. político, ao considerar que as contingências da ordem internacional forçarão a Europa a aprofundar a cooperação em Defesa para que possa garantir a proteção de seus interesses e de seus cidadãos; e ii. técnico-orçamentário, no qual destaca que a eliminação da duplicação de esforços e despesas poderia gerar economia de quase 1/3 do valor investido no setor, uma vez que cada Estado se dedicaria ao espectro da pauta de Defesa na qual opera com mais eficiência.

O texto de Domecq foi publicado um dia depois do lançamento do Relatório Anual da AED relativo às ações de cooperação em Defesa realizadas em 2016. O relatório se destaca por, além de trazer os dados técnicos relativos à cooperação dessa área no Bloco, ecoar a Estratégia Global da União Europeia (publicada em junho de 2016) como um ponto de inflexão na mudança do pensamento europeu no que tange aos assuntos de Defesa.

De fato, o segundo semestre de 2016 foi bastante profícuo para esse setor. O Conselho da Europa aprovou o plano de implementação dos itens de Segurança e Defesa previstos na Estratégia; a Comissão Europeia adotou o Plano de Ação para a Defesa Europeia (abrindo caminho para o esperado Fundo de Defesa Europeu, entre outros tópicos); e houve a Declaração Conjunta da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), reforçando o viés estratégico desta parceria. Tríade que recebeu o nome de Pacote de Defesa Europeu, indicando a relevância que a temática adquiriu ao longo de 2016.

Das informações acima, nota-se gradual ganho de impulso na pauta de Defesa europeia ao longo de 2016. A temática ficou mais robusta e conseguiu emplacar uma sequência de decisões que navegam entre o espectro estratégico e tático. As expectativas agora se concentram em observar se em 2017 o setor vai conseguir aproveitar esse ímpeto e trazer para o nível operacional as soluções técnicas e de coordenação política necessárias para concretizar a mudança de pensamento aventada pelo Executivo-Chefe da ADE.

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Notas e fontes consultadas, para maiores esclarecimentos:

* La Tribune (France), La Repubblica (Italy), Le Soir (Belgium), La Vanguardia (Spain), Der Standard (Austria), Dagens Nyheter (Sweden), De Volkskrant (Netherlands), Diario das noticias (Portugal), Rzeczypospolita (Poland), Times of Malta, Euractiv (several languages), Bruxelles2.

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Imagem 1 Capa do catálogo European Defence Industry Associations 2016” (Fonte):

https://www.eda.europa.eu/docs/default-source/procurement-library/ndia_catalogue_final.pdf

Imagem 2 Brasão da Agência de Defesa Europeia costurado em um uniforme (Fonte):

https://www.eda.europa.eu/docs/default-source/eda-annual-reports/eda-2016-annual-report-final

Imagem 3 Momentos chave na tramitação dos principais assuntos de interesse da cooperação em defesa em 2016” (Fonte):

https://eeas.europa.eu/sites/eeas/files/defence_package_06_03_2017.pdf

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AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade InternacionalTecnologia

[:pt]Wikileaks publica documentos a respeito das capacidades cibernéticas da CIA[:]

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No dia 7 de março de 2017, a organização WikiLeaks começou a publicar uma série de documentos a respeito das capacidades cibernéticas da CIA. A primeira leva esta sendo chamada de “Year Zero” e é composta de mais de 8.000 arquivos, provenientes de uma rede altamente segura situada dentro do Centro de Ciber-Inteligência da CIA, em Langley, Viriginia. Vale ressaltar que a quantidade de documentos publicados no Year Zero já ultrapassa a quantidade vazada por Edward Snowden, desde 2013.

Segundo o WikiLeaks, a CIA recentemente perdeu o controle de seu arsenal de ferramentas cibernéticas, dentre elas, cavalos de troia, malware, vírus, ferramentas de acesso remoto, entre outros. Os arquivos que compõem o arsenal cibernético da Agência foram obtidos depois de circularem entre hackers do Governo norte-americano e terceirizados, de maneira que a fonte obteve esses dados e os divulgou em parte para o WikiLeaks, que, por sua vez, publicaram partes incompletas do arsenal, e omitiram alvos específicos da CIA em redes na América Latina, Europa e nos EUA.

O escopo das ferramentas da Central de Inteligência Americana para hackear e invadir dispositivos ao redor do mundo é tão grande que o Centro de Ciber-Inteligência (CCI) possuía mais de 5.000 usuários registrados desenvolvendo ciber-armas para a Agência. O WikiLeaks aponta que, na prática, a CIA replicou um arsenal de ciber-espionagem e monitoramento essencialmente igual ao da NSA, porém com menos responsabilidade ou divulgação e, principalmente, sem ter que justificar o custo de replicar uma gama de ferramentas já disponíveis em outra Agência.

Dentre as suas capacidades cibernéticas estão a habilidade de extrair dados de fabricantes como Apple, Microsoft, Google, Samsung, além de outras empresas multinacionais, europeias, chinesas, entre outras. Na prática, o Ramo de Dispositivos Móveis (MDB) da CIA desenvolveu condições de infectar e extrair dados de celulares Android, iPhones, iPads, assim por diante. Outros sistemas operacionais que foram hackeados são Windows, OSx, Linux, além de roteadores, TVs e outros sistemas inteligentes. Vale ressaltar que já havia sido abordado aqui o interesse da comunidade de inteligência norte-americana em invadir utensílios domésticos e empresariais interconectados.

O que podemos observar desse vazamento mais recente por parte do WikiLeaks é a face governamental de uma corrida armamentista no ciberespaço que vem se expandindo pelo mundo e já foi observada no mercado privado, na forma de softwares de espionagem sendo vendidos para nações no Oriente Médio e América Latina.

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Imagem 1Ramificações executivas da CIA” (Fonte):

https://wikileaks.org/ciav7p1/files/org-chart.png

Imagem 2Selo da Agência Central de Inteligencia (CIA)” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Central_Intelligence_Agency#/media/File:Seal_of_the_Central_Intelligence_Agency.svg

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DEFESAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]O futuro da Defesa finlandesa[:]

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Na última semana, o Parlamento finlandês começou a debater sobre o futuro da Defesa do país, por meio da divulgação de um relatório específico do setor, o qual aponta sugestões de âmbito operacional em consonância a realidade atual. Dentre os aspectos mencionados, prevalecem como objeto de intensa conversação: a compra de novos caças para a substituição dos Hornets; com orçamento de 7 a 10 bilhões de euros; a aquisição de quatro navios para a Marinha, no valor estimado de 1,2 bilhão de euros; e o acréscimo de 30% no quantitativo de soldados em prontidão, com o contingente elevando-se de 230.000 para 296.000 soldados, sendo que, em 2012, o número era de 350.000.

Os partidos políticos não discordaram da proposta apresentada, porém divergiram quanto aos custos políticos e financeiros do projeto, devido ao baixo aquecimento da economia finlandesa e ao déficit que poderia advir aos setores sociais por carência de recursos, conforme é observado na declaração da parlamentar Krista Mikkonen, do Partido Verde Finlandês: “Os verdes estão comprometidos com o desempenho e a substituição dos equipamentos envelhecidos da Marinha e da Força Aérea. Nós não estamos comprometidos com qualquer nível de financiamento em contratos de defesa que sejam financiados pelo corte de serviços de bem-estar”.

O parlamentar Markus Lago Negro, da Aliança de Esquerda, também não é favorável a pauta de Defesa nas condições apresentadas pelo relatório, e declarou: “Nós não concordamos com a quantidade de contratos de substituição. Nós também questionamos a estimativa de preço mostrada de 7 a 10 bilhões de euros. É simplesmente demais num país como esse, que vive um desemprego em massa, entretanto o mesmo possui como ideia alternativa o desenvolvimento de um complexo industrial militar capaz de liberar a Finlândia de qualquer inconveniente com relação a alinhamentos permanentes com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Os partidários pela ampliação de recursos para a Defesa salientam que é necessário maior volume de finanças com o propósito de ter um setor credível e não defasado, e, desta forma, almejam para este ano um montante de 80 milhões de euros, com graduais aumentos até o marco de 150 milhões de euros, em 2020, de acordo com a recomendação original do Relatório de Defesa. Segundo a declaração do Ministro finlandês da pasta, Jussi Niinistö, “O aumento do número de tropas não é um truque técnico, mas o aumento real na força” em correlação à aplicação de ações realistas, de acordo com as necessidades do Estado.

Conforme os analistas, é preciso mencionar que todo o país precisa realmente renovar seus equipamentos militares, visto que ambos possuem seu período de vida útil, porém o fato de aumentar o contingente de soldados aptos à guerra demonstra que a Finlândia observa preocupação com os rumos da segurança regional, em meio a murmúrios de supostas atuações russas no local. Todavia é importante afirmar que o equilíbrio fiscal também deve ser digno de consideração, pois, sem recursos, torna-se impossível articular uma boa gestão no âmbito básico das políticas públicas de um Estado, somando-se o aumento das despesas militares.

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Imagem 1 Brasão de Armas da Finlândia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/ae/Coat_of_arms_of_Finland.svg/1000px-Coat_of_arms_of_Finland.svg.png

Imagem 2 Ministro da Defesa da Finlândia, Jussi Niinistö” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/14/JussiNiinist%C3%B6Heureka2015Ulko%26turvallisuuspoliittinenpaneeli_11.JPG/776px-JussiNiinist%C3%B6Heureka2015Ulko%26turvallisuuspoliittinenpaneeli_11.JPG

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BLOCOS REGIONAISEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]União Europeia e seus vizinhos: percepções sobre os atores da península balcânica[:]

[:pt] Recentemente, a Chefe da Política Externa da União Europeia, Federica Mogherini, fez um tour à região dos Bálcãs Ocidentais em uma tentativa de reestimular a atração e o impulso para os procedimentos de integração…

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