ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade Internacional

[:pt]O desenvolvimento na África Subsaariana: uma epopeia em marcha, ou um sonho – FRAUDES (ou PARTE III)[:]

[:pt] Há dois posicionamentos possíveis no discurso do desenvolvimento: o “desenvolvido” e o “não desenvolvido” – este convencionado pelo establishment como o “em desenvolvimento”. A fronteira entre ambos os posicionamentos, no entanto, se faz cada…

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[:pt]Segurança na Europa: uma matéria pendente [:]

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O atentado perpetrado em pleno centro de Londres nas portas do Parlamento Britânico se soma a uma lista trágica de ataques que vem se repetindo em importantes cidades da Europa. Dentre outras, Bruxelas, Paris, Berlim e Nice. A segurança nas principais cidades europeias e as medidas tomadas pelos Estados não foram efetivas no combate ao terrorismo internacional, aumentando os reflexos na opinião pública em relação a temas sensíveis, tais como a migração, o auxílio aos refugiados, o respeito às diversidades cultural e religiosa, e as políticas de segurança pública.

A segurança da Europa sempre foi uma matéria pendente de discussão. O continente nutriu desde a Segunda Guerra Mundial uma forte dependência dos Estados Unidos para proteger a Europa frente as ameaças internacionais. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) se transformou na salvaguarda da Europa, embora a participação dos países europeus na manutenção da organização tenha começado a ser questionada na Era Obama – após a Crise Financeira Internacional e a Crise Síria –  e voltado a ser tema de discussão com a gestão de Donald Trump. O mandatário americano mencionou abertamente em redes sociais o débito da Alemanha nesse setor, além de mandar o recado para os demais países da Aliança, o que gerou um alerta na região para que se voltasse a discutir a criação de um Exército Europeu.

A União Europeia trabalhou no projeto de criação de um Exército Europeu, mas as assimetrias entre as suas unidades, a instabilidade política e a crise enfrentada pelos os países do Sul inviabilizaram a concretização do projeto. Atualmente, o mesmo tema voltou a pauta, após o aumento das pressões da OTAN. Por outro lado, embora exista uma Polícia Europeia, a Europol, a mesma não possui a autonomia necessária para garantir a integração dos serviços de segurança pública, nem a capacidade de fazer uso da força coercitiva sem ultrapassar a jurisprudência das próprias polícias locais de cada país.

Mesmo que seja patente a necessidade de discutir a segurança tanto internacional quanto pública na Europa, a situação política do continente e o aumento das divergências colocam em segundo plano a questão da segurança, transladando o mesmo para o âmbito nacional de cada país. Até mesmo o posicionamento da Europa em temas internacionais, como a situação da Síria, diverge de nação para nação, além das políticas de combate ao terrorismo, onde, mesmo havendo uma diretiva comum, cada país aplica-a de forma diferente e toma decisões de maneira autônoma.

O terrorismo é como uma quimera, possui diversas faces e se expande pelo mundo usando as próprias facilidades geradas pela globalização. Existem diferentes espectros e dimensões desse fenômeno, sendo cada dia mais difícil o combate eficiente ao terror. Frente a essa situação, muitos países adotam medidas radicais, gerando a criminalização das supostas fontes do terrorismo, tais como o Islã, sem diferenciar o extremismo religioso da vivência religiosa, o fundamentalismo da cultura, sendo que essa própria marginalização é uma fonte poderosa que alimenta uma nova cara do terrorismo, que alista diariamente jovens deslocados e não inseridos socialmente, os quais são atraídos pela inerente necessidade humana de se encaixar em um grupo e se reconhecer socialmente.

Outro fator importante e por vezes ignorado é a própria realidade demográfica das nações afetadas e sua partição recente na formação territorial de países onde, hoje, o terrorismo é uma realidade.

O combate ao terrorismo precisa abranger as diferentes dimensões que o geram. A segurança deve agir de forma estratégica para não gerar efeitos sociais catastróficos e aumentar as tensões sociais e, consequentemente, políticas. Ao final, “A guerra é a continuação das relações política por outros meios”, conforme dizia Clausewitz.

Por esse motivo, o combate ao terrorismo na Europa precisa ser encarado por diferentes ângulos. Por um lado, o continente deve ampliar a integração dos serviços de inteligência e dos órgãos de segurança pública; avaliar o real impacto social das políticas que afetam a população, sejam elas políticas de integração de estrangeiros, ou políticas sociais em geral; definir uma estratégia comum para combater o terrorismo (que não conhece fronteiras e nem entende de blocos regionais). Por outro lado, deve também ampliar sua atuação, não somente nas comunidades passíveis de serem aliciadas pelo terrorismo, mas, também, nas nações vizinhas que alimentam essa máquina devido a sua incapacidade econômica ou de infraestrutura, fornecendo a elas inteligência europeia para o combate ao terrorismo, vendo assim o vizinho como um colaborador e não como um possível inimigo na questão do terrorismo internacional.

É um tema que, sem dúvidas, deve ser discutido não somente pelos líderes de Estado e no âmbito da segurança, mas também no âmbito público, econômico, social, jurídico etc. Dessa forma, será possível criar uma Hidra capaz de combater a Quimera que aterroriza a Europa e ameaça o mundo inteiro.

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Imagem 1 Mapa político de países membros da União Europeia e da OTAN” (Fonte):

https://conceptdraw.com/a1130c3/p1/preview/640/pict–political-map—eu-and-nato-european-membership-of-the-eu-and-nato-map.png–diagram-flowchart-example.png

Imagem 2 Reunião da OTAN” (Fonte):

https://nato-uniform.com.ua/images2/NATO-logo.jpg

Imagem 3 Atentados de 22 de julho de 2011 na Noruega” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Terrorismo

Imagem 4 General Carl von Clausewitz” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_von_Clausewitz

Imagem 5 Héracles mata a Hidra de Lerna Por FrançoisJoseph Bosio / Museu do Louvre” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hidra_de_Lerna

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ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade Internacional

[:pt]A situação da desigualdade na China sob o olhar de Thomas Piketty[:]

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A desigualdade de renda e patrimônio é um dos maiores desafios para a estabilidade da economia global. A desigualdade entre os Estados bem como a desigualdade manifesta no âmbito intraestatal, causam efeitos negativos sobre o desenvolvimento e sobre os níveis de bem-estar das populações. A Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu a redução da desigualdade como um dos objetivos da Agenda do Desenvolvimento Sustentável para o ano de 2030.

Segundo a ONG de origem britânica Oxfam, que utiliza dados disponibilizados pelo Banco Credit Suisse, desde o ano de 2015, os 1% mais ricos da população global possui um patrimônio maior do que os 99% restantes, além disto, os oito homens mais ricos do mundo possuem a mesma riqueza que a metade mais pobre da população global.

Thomas Piketty chamou atenção para os riscos do crescimento da desigualdade no seu livro “O Capital no Século XXI”, lançado em 2013. Um recente estudo conduzido por este autor e outros pesquisadores acerca da situação da desigualdade na China aponta que o país possui uma renda per capita média que é de 3 a 4 vezes menor do que a renda dos Estados Unidos, entretanto, possui ainda um recorte de 130 milhões de pessoas que detêm uma renda equivalente à dos países desenvolvidos. Adicionalmente, a participação dos 50% mais pobres da população chinesa na renda nacional caiu de 28% para 15% no período de 1978-2015, enquanto a renda dos 10% mais ricos subiu de 26% para 41% do total da renda nacional, no mesmo período.

O mesmo estudo afirma que a concentração de renda do grupo dos 1% mais ricos da China ainda é menos preocupante que a situação encontrada nos Estados Unidos, visto que na China este grupo controla 13% da renda nacional, enquanto nos Estados Unidos a cifra chega a 20%. A desigualdade é um problema que afeta de maneira mais intensa as pessoas que estão no início de suas vidas profissionais e lutam para adquirir patrimônio. Estima-se que haja 385 milhões de chineses entre as idades de 18-35 anos, denominados como a geração “Millennial”. O agravamento da desigualdade terá efeitos perniciosos, sobretudo para este grupo, caso não haja políticas que assegurem o acesso a empregos qualificados e redistribuição de renda.

Nos países desenvolvidos, já se observa um fenômeno no qual os jovens possuem, em média, níveis educacionais mais elevados do que a geração anterior, no entanto, possuem menos renda e patrimônio do que os seus pais eram capazes de conquistar, considerada a mesma faixa etária. No médio e longo prazo, a China precisa promover políticas públicas de modo a evitar que a desigualdade em sua economia alcance níveis similares aos encontrados nos países centrais do capitalismo.

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Imagem 1 Poster: The answer to Inequality cant be blindness” / “Poster: A resposta à desigualdade não pode ser cegueira” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9f/Answer_to_inequality_cant_be_blindness_poster_vector.svg/2000px-Answer_to_inequality_cant_be_blindness_poster_vector.svg.png

Imagem 2 Thomas Piketty” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9a/Thomas_Piketty_2015.jpg

Imagem 3Three people that appear to be Millennials using smartphones” / “Três pessoas que parecem ser Millennials usando smartphones” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Millennials

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AMÉRICA DO NORTEÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Governo de Donald Trump não descarta ataque militar preventivo contra a Coreia do Norte[:]

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A política de paciência estratégica acabou”, afirmou o Secretário de Estado Norte-  Americano, Rex Tillerson, em relação as provocações da Coreia do Norte. O pronunciamento ocorreu na penúltima sexta-feira, 17 de março, e foi uma resposta aos lançamentos de quatro foguetes que ocorreram no início do ano até o princípio deste mês. Um dos lançamentos coincidiu com o início do treinamento militar que vem ocorrendo entre Estados Unidos (EUA) e Coreia do Sul, algo que Kim Jong-un vê como um verdadeiro pretexto para uma preparação de invasão ao seu país.

A princípio, o Secretário de Estado relatou que não espera que os conflitos entre ambos os países cheguem a ser resolvidos militarmente, no entanto, caso o país norte-coreano eleve seu potencial nuclear para um nível acima do proposto, novas atitudes deverão ser tomadas. Segundo ele, “Estamos estudando novas medidas diplomáticas, de segurança e econômicas” e findou seu discurso dizendo que todas as opções para alcançar este objetivo, serão consideradas.

O pronunciamento de Tillerson foi feito durante sua visita à zona desmilitarizada que separa as duas Coreias. Logo após seu duro posicionamento, um dos assuntos abordados pelo Secretário, que estava na presença do Ministro de Relações Exteriores sul-coreano, Yun Byung-se, foi voltado para a decepção acerca da perda de vinte anos dos esforços diplomáticos, destinados a intervir no programa de desarmamento nuclear de Pyongyang.

A partir disso, Washington não considerou um próximo diálogo até que Kim Jong-un cumpra o propósito de dar fim ao programa nuclear do país. Este posicionamento rígido estadunidense representa uma reviravolta da nova política norte-americana adotada por Donald Trump, o qual, por meio de sua conta no Twitter, acusou a Coreia do Norte de “enganar os EUA há anos”.

Em busca de aliados, Tillerson realizou uma visita à China no penúltimo sábado, dia 18 de março, para concretizar o que já havia sido comentado, que Pequim e Washington trabalharão juntos em prol de combater o programa nucelar da Coreia do Norte. Contudo, o Ministro de Relações Exteriores da China, Wang Yi, apresentou um discurso pacifista em relação a Pyongyang, dizendo que “a única maneira de resolver a crise na Coreia é através do diálogo”.

Contudo, ainda segundo Wang Yi, Pequim e Washington não descartaram a ideia de “encontrar uma forma para reativar as negociações e não abandonar a esperança de alcançar a paz”. Enquanto isso, a Coreia do Norte ainda mantém um posicionamento inflexível, que foi apresentado no mesmo sábado, dia 18, por um jornal de Pyongyang, Rondong Sinmun, o qual disse que “se os Estados Unidos fizerem o menor gesto para lançar um ataque preventivo contra nós, nossa força de ataque nuclear aniquilará o quartel-general dos provocadores e invasores”.

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Imagem 1Tillerson em sua audiência de confirmação em 11 de janeiro de 2017” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Rex_Tillerson#/media/File:Rex_Tillerson_confirmation_hearing.jpg

Imagem 2Secretário de Estado Rex Tillerson aperta a mão com o presidente Xi Jinping na chegada em Pequim, 19 de março de 2017” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/China%E2%80%93United_States_relations#/media/File:President_Xi_Jinping_Greets_Secretary_Tillerson_(33139050550).jpg

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AMÉRICA LATINAÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

[:pt]Hong Kong segue Pequim e proíbe a compra de carnes do Brasil[:]

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O maior mercado consumidor de carnes do Brasil é a China Continental, sob administração direta de Pequim. O segundo maior mercado de carnes brasileiras é a região administrativa especial de Hong Kong, que na quarta-feira, 22 de março, seguiu a política de Pequim de suspensão de importação de carnes de frigoríficos brasileiros, temporariamente, provavelmente até o fim das investigações acerca do escândalo de corrupção de funcionários do Ministério da Agricultura do Brasil.

O Presidente do Brasil, Michel Temer, bem que tentou esclarecer que os casos de “carne estragada” aprovadas por fiscais corruptos eram pontuais, não sistêmicos, mas, pouco adiantou. O Centro de Hong Kong para a Segurança dos Alimentos anunciou uma proibição temporária de todas as importações de carne e aves congelados e refrigerados produzidos no Brasil. Ao menos é assim que a imprensa de Hong Kong analisa os fatos no Brasil e sua repercussão na Ásia.

A proibição de importação e a “queda” do consumo de carnes brasileiras por este importantíssimo mercado representa um duro golpe na já combalida economia brasileira, considerando que Hong Kong é uma região administrativa especial sob domínio da China, de economia capitalista liberal, com predomínio de baixos impostos e taxas alfandegárias para o livre comércio, sendo a Bolsa Valores de Hong Kong (HKEx) a segunda colocada no ranking asiático, em termos de capitalização de mercado, ficando atrás apenas da Bolsa de Valores de Tóquio, no Japão.

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Imagem 1Estoquista retira carnes do Brasil das prateleiras de supermercado de Hong Kong” (Fonte):

http://finance.sina.com.cn/roll/2017-03-22/doc-ifycspxn9436390.shtml

Imagem 2O Two International Finance Centre em meio aos outros arranha-céus do centro financeiro de Hong Kong” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hong_Kong  

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ÁfricaAGÊNCIAS DE COOPERAÇÃOBLOCOS REGIONAISCOOPERAÇÃO INTERNACIONALEuropaNOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSociedade Internacional

[:pt]União Europeia reforça suas ações de peace building para a África[:]

[:pt] No dia 17 de março de 2017 a União Europeia anunciou nova alocação de recursos na área de peace building no âmbito da parceria com a União Africana. Nas palavras do Comissário Europeu para…

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AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

[:pt]Macri en su peor momento[:]

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La ruta a las parlamentarias encuentra a la administración Macri en su peor momento. Por las características propias de Argentina, las elecciones de medio término tienen algo de plebiscitaria y marcan el terreno hacia una hipotética reelección o a convertirse en un pato rengo. Con pocos logros para mostrar, al gobierno se le comienzan a acumular datos negativos. La contracción el Producto Bruto Interno Bruto del 2,3% en 2016, la caída del consumo, la apertura de la economía y la persistente inflación, configuran el contexto material de la sociedad, que ya dio por terminada la extensa luna de miel que la unió con el actual mandatario.

Resulta interesante puntualizar que en las encuestas de opinión se ha naturalizado la pregunta  “¿para quién cree Ud. que gobierna Macri?”, teniendo como resultado un abrumador: “para los que más tienen”. Si el apoyo a Macri por parte de los independientes -y no del todo convencidos- era casi un bien aspiracional, los escándalos por conflicto de intereses ha dejado la impresión que los beneficiarios son más acotados. De hecho, los escándalos en torno la deuda del clan Macri con el estado y la concesión de rutas aéreas han impactado enormemente en la imagen presidencial.

El gobierno ha perdido el control de “la calle”, lo que no es poco para la dinámica política argentina. Si bien resulta difícil afirmar que alguna vez lo tuvo, La Rosada pudo surfear la situación gracias a la combinación del marketing en torno al futuro e importantes acuerdos con los gobernadores peronistas y los gremios. Buena parte de ese esquema se ha comenzado a desmoronar. Los argentinos son más pesimistas en torno a la situación futura, los gobernadores peronistas están más atentos a su propio juego que a las necesidades de La Rosada y los líderes gremiales llamaron a un paro general.

Los líderes sindicales están redefiniendo su posicionamiento. El contexto de este recalculo arroja pistas interesantes en términos prospectivos. Alineados a sus propios intereses, negociaron con Macri y le garantizaron paz social, en medio de una fuerte contracción del empleo y salario real. Cuando ya no pudieron soportar la presión de las bases, llamaron a una movilización que no solo fue multitudinaria, sino que dejó expuesta la distancia entre las bases -que con cánticos reclamaban la definición de la fecha para un paro general- y los líderes sindicales que fueron virtualmente corridos del escenario.

En conclusión, la administración Macri transita días tormentosos. El mes de marzo ha sido prolífico en manifestaciones populares en la calle-y -por historia o impericia- el propio presidente continúa cometiendo errores no forzados que lo dejan debilitado frente a las parlamentarias. Sus posibilidades de salir fortalecido en las urnas comienzan a reducirse. El parámetro será el resultado electoral en la estratégica provincia de Buenos Aires. Allí la gobernadora del Frente Cambiemos continúa con buena imagen, aunque en caída gracias a los desaciertos que el gobierno nacional (y el suyo propio) vienen cometiendo en la pulseada que mantienen con los gremios docentes.

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Imagem 1 Palacio Pizzurno (Ministerio de Educación), en Recoleta, Buenos Aires” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Ministerio_de_Educaci%C3%B3n_y_Deportes_(Argentina)

Imagem 2 Proletariado, El Cuarto Estado, pintura de Giuseppe Pellizza da Volpedo” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Huelga_general#/media/File:Quarto_Stato.jpg

Imagem 3 Macri ingresa por primera vez a trabajar como presidente el 11 de diciembre de 2015. Aquel día recibió a quienes fueron sus competidores en las elecciones presidenciales” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Presidencia_de_Mauricio_Macri#/media/File:Macri_ingresando_a_trabajar.jpg

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[:pt]O desenvolvimento na África Subsaariana: uma epopeia em marcha, ou um sonho – TEODICEIA DO DESENVOLVIMENTO (ou PARTE II)[:]

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Talvez o desenvolvimento seja uma das poucas temáticas que congregue vertentes das mais distantes do pensamento social, uma vez que a crença na inexorabilidade do desenvolvimento adentra consonante em diferentes perspectivas teóricas, exibindo em todas elas a sua “naturalidade”. Tal crença no desenvolvimento vai desde Karl Marx, o qual argumentava que “o país industrialmente mais desenvolvido mostra ao menos desenvolvido tão-somente a imagem do próprio futuro”, passando por Walt Rostow, a quem o desenvolvimento ocorria como um processo natural semelhante ao desenvolvimento das plantas, podendo defini-lo em cinco estágios, chegando ao contemporâneo Amartya Sen, que faz questão de trazer no título de sua opus magnum (“Desenvolvimento como liberdade”) um advérbio de modo, defendendo que se desenvolver é um caminhar natural a todos, desde que protegidas e incentivadas as liberdades individuais.

São inúmeras as perspectivas sobre o desenvolvimento que dominaram os debates acadêmicos e as rodas de conversa dos organismos internacionais – Teoria da Modernização, Teoria da Dependência, a Nova Ordem Econômica Internacional, o Basic-Needs Approach, a Escola das Capacitações e entre outras. Cada uma com dois pontos em comum a serem levantados: a crença na profecia desenvolvimentista e a emergência de cada uma como resposta às insuficiências do paradigma anterior. Por exemplo: foi após um constante debate sobre a obscura noção de “necessidades básicas” e sobre a restrita definição de renda como a principal necessidade individual, que a Abordagem das Capacitações emergiu como perspectiva suplementar ao Basic Needs Approach.

Da mesma maneira, a “virada institucional” modificou por completo a maneira de ver e pensar o desenvolvimento, substituindo o foco excessivo que formuladores de políticas públicas davam a fatores como capital e tecnologia. Organizações internacionais bilaterais e multilaterais, como o Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), a Direktoratet for utviklingssamarbeid (NORAD) e o Banco Mundial, trabalham continuamente no desenho de projetos de desenvolvimento na África Subsaariana que apoiem um conjunto de medidas capazes de reordenar um conjunto de instituições locais nos moldes desejados por elas.

Enquanto que o constante reordenamento do discurso desenvolvimentista, de suas categorias e prerrogativas, pode ser lido por alguns como um processo natural – e quiçá dialético – de aprimoramento, outros sustentam na própria necessidade de reorganização do discurso a sua fragilidade imanente.  Uma vez posto em xeque por uma série de indicadores socioeconômicos, a emergência de novas perspectivas, de novas categorias e de novas recomendações de políticas públicas, faz ecoar o desafio posto a outros sistemas valorativos, inclusive o religioso: o de manter intocável a profecia perante as imperfeições do mundo mundano.

Leibniz e o Desenvolvimento. Wilhelm Leibniz foi um pensador que usou o conceito de Teodiceia (“Ensaio de Teodiceia”). Na sua abordagem, trata-se de um conjunto de argumentos que utilizam das imperfeições da humanidade para reiterar a crença em um deus perfeito e justo. Na verdade, na história do pensamento ocidental despontam conceitos com lógicas similares, desde o Ars Inveniendi de Ramon Llull, no século XIII, até as colaborações de Max Weber e Pierre Bourdieu ao conceito de teodiceia já no século XX. O cristianismo, enquanto sistema valorativo, utilizou ostensivamente das imperfeições como argumentação para reiterar a existência de um mundo extramundano: Deus e os valores cristãos não poderiam ser incongruentes com as condições reais da vida, suscitando assim, na visão da Igreja, uma leitura da vida mundana como vida povoada de tentações e pecados que põem à prova a aptidão do indivíduo para se alçar ao reino dos céus*.

O desenvolvimento não escapa à essa leitura, pois constitui-se também de um sistema valorativo, isto é, uma forma específica de ordenar e significar a realidade e também sujeita a uma própria “teodiceia do desenvolvimento”. Conforme afirma Gilbert Rist, cientista social francês e autor do “The History of Development”, “as promessas [do desenvolvimento] são incansavelmente repetidas e os experimentos são constantemente reproduzidos”. Isto porque “a Verdade não pode mentir, e se mente – ou falha – é por má interpretação, falha humana ou falta de informação”.

Neste sentido, desponta uma série de indicadores socioeconômicos na região Subsaariana que demonstram como os projetos desenvolvimentistas falharam. Indicadores que comprometem, em última instância, a sobrevivência do próprio discurso.

Um clássico indicador é o estado da pobreza na região, principal fator combatido pelos organismos internacionais, bilaterais e multilaterais. O Banco Mundial tem repetido uma série de vezes nos últimos anos que o número de pobres no mundo todo tem caído em todo o globo. No entanto, o dado só se faz verdadeiro se observarmos a porcentagem de pobres sobre a população mundial. Analistas argumentam que este indicador decresceu nos últimos anos devido ao acelerado crescimento da população mundial, o que reduz o valor final da proporção calculada, e não devido ao número de indivíduos que saíram da condição de extrema pobreza.

Na verdade, em termos absolutos, o número de pobres na África Subsaariana é superior em 50 milhões de pessoas se comparado ao número obtido em 1990. Jason Hickel, professor da London School of Economics, em artigo ao portal The Rules, demonstra que ao elevarmos o índice de pobreza extrema de 1,25 dólares por dia, convencionado pelo Banco Mundial, para 3,70 dólares por dia – fato que, segundo ele, melhor elucida as condições mínimas de subsistência na maioria dos países –, veremos que 500 milhões de pessoas a mais foram alçadas para a condição de extrema pobreza de 1981 a 2014 no mundo todo.

Tendo estes dados como plano de fundo, questiona-se se as releituras sobre os procedimentos para o desenvolvimento seriam uma teodiceia, reproduzindo uma crença falsa na elevação global dos níveis de consumo e padrão de vida como destino natural de todas as nações. Seguindo esta leitura, nos dois artigos finais que estão porvir serão trazidos indicadores e conjunturas que demonstram a relativa incongruência do discurso desenvolvimentista na África Subsaariana e como as constantes atualizações deste discurso podem, ao final, serem “teodiceias do desenvolvimento”.

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Notas e fontes consultadas, para maiores esclarecimentos:

* Max Weber conduziu uma clássica leitura sobre teodiceia no cristianismo em sua obra Economia e Sociedade. É principalmente nela em que apoiamos a leitura aqui feita sobre o tema.

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Imagem 1 Pobreza Urbana” (FonteCommons Wikimedia):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Urban_Poverty.jpg

Imagem 2 Funcionários da GIZ e do KfW, juntamente com parceiros locais, visitam um projeto numa escola em Gitega, Burundi” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Deutsche_Gesellschaft_für_Internationale_Zusammenarbeit

Imagem 3 Gottfried Wilhelm von Leibniz” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gottfried_Wilhelm_Leibniz

Imagem 4 A sede do Banco Mundial em Washington, D.C.” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Banco_Mundial#/media/File:World_Bank_building_at_Washington.jpg

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