ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

UNODC e COI fazem parceria para combater a corrupção no Esporte

Os casos envolvendo corrupção na alta cúpula do esporte têm se intensificado cada vez mais nos megaeventos esportivos, levando a sociedade internacional a se mobilizar. O foco desta discussão é traçar estratégias eficazes para combater estes crimes, que comprometem os resultados oficiais das competições em prol de “ganhos ilícitos”, conforme declarado por Jean-Luc Lemahieu, Diretor do UNODC para Análise de Políticas e Assuntos Públicos.

Reunião da IPACS, em Lausanne, no dia 29 de junho de 2018

Principais organizações interessadas neste tema, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e o Comitê Olímpico Internacional (COI) uniram forças, com auxílio da Organização Internacional de Polícia Criminal (INTERPOL) e demais representantes dos Estados Membros, a fim de investigar e punir os envolvidos.

Dentro deste contexto, foi criada a Parceria Internacional Contra a Corrupção no Esporte (IPACS) em 2017, na cidade de Paris. Esta plataforma pluri-participativa denominou um grupo de trabalho composto por representantes de governos, organizações intergovernamentais e organizações esportivas. Estabeleceu-se, então, três pontos mais críticos que demandam maior prioridade de mitigação com objetivo de avançar no combate à corrupção, as chamadas forças-tarefas. 

A primeira força-tarefa tem por finalidade reduzir o risco de corrupção nas aquisições relacionadas a eventos esportivos e infraestrutura; a segunda força-tarefa concentra-se em garantir a integridade na seleção dos grandes eventos esportivos, com um foco inicial na gestão de conflitos de interesses; e a terceira força-tarefa visa otimizar os processos de cumprimento dos princípios de boa governança para mitigar o risco de corrupção.

O próximo encontro da IPACS – o quarto da série – para acompanhamento dos resultados concretos, bem como definição dos próximos passos, será realizado entre os próximos dias 2 a 8 de dezembro (2018) na cidade de Londres, Inglaterra. O Brasil estará mais uma vez representado pela advogada da União, Tatiana Mesquita Nunes.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Sede da UNODC em Viena, Áustria” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f2/Austria_august2010_0073.jpg

Imagem 2 “Reunião da IPACS, em Lausanne, no dia 29 de junho de 2018” (Fonte):

https://www.unodc.org/images/Safeguardingsport/3rd_IPACS.jpg

ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

Turistas estrangeiros gastam US$ 6.8 bilhões no Canadá, atraídos pelo esporte

O turismo esportivo é responsável por fatia relevante da economia canadense. Analisando dados do ano passado (2017), a Canadian Sport Tourism Alliance chegou à conclusão de que os turistas de diversos países atraídos pelos esportes somaram US$ 6.8 bilhões (aproximadamente 25,23 bilhões de reais, de acordo com a cotação do dia 19 de outubro de 2018) em despesas, valor US$ 33 milhões acima do apurado em 2016.

Canadá vs China em jogo de basquete realizado na Rogers Arena em Vancouver

Principal origem, os Estados Unidos da América ficam no topo da lista de nacionalidade dos turistas estrangeiros, devido à sua proximidade geográfica e a grande afinidade de seus fãs para com determinadas modalidades esportivas, como são os casos do hockey, do basquete e do baseball.

Outro fator determinante para receber times estrangeiros – e consequentemente seus torcedores – é a alta qualidade de infraestrutura dos ginásios e arenas canadenses. CEO da Canadian Sport Tourism Alliance, Rick Traer avalia que “[o Canadá tem]  uma reputação estelar de nossa especialização em sediar esportes de verão e de inverno, com excelentes instalações, habilidades organizacionais, voluntários acolhedores e forte apoio financeiro ao programa de hospedagem nos níveis federal e provincial”.

American League of Baseball (2016) no estádio Rogers Centre, em Toronto

Diante desta importância econômica, o governo federal apoia as estratégias de desenvolvimento de eventos esportivos em seu país. As ações de marketing aplicadas por Destination Canada, Comitê Olímpico Canadense, CBS Sports e os mais variados destinos canadenses surtiram bons resultados, com o total de 41 eventos esportivos internacionais sediados no Canadá em 2017.

As províncias que mais hospedaram eventos e turistas estrangeiros em 2017 foram Ontario (37%), seguido por Quebec (25%), British Columbia (12%), Alberta (11%), ao passo que todas as outras províncias receberam 16% do total. Diante deste cenário, nota-se o significante papel que representam os esportes e o turismo esportivo na economia canadense, bem como os esforços aplicados pelas autoridades locais a fim de desenvolver melhores índices ano após ano.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Time canadense de hockey masculino comemora medalha de ouro sobre os Estados Unidos na Olimpíada de Inverno de 2010” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/26/Canada2010WinterOlympicsOTcelebration.jpg

Imagem 2 “Canadá vs China em jogo de basquete realizado na Rogers Arena em Vancouver” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/59/China_vs._Canada.jpg

Imagem 3 “American League of Baseball (2016) no estádio Rogers Centre, em Toronto” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/ad/The_Blue_Jays_host_the_Orioles_in_the_AL_Wild_Card_Game_%2830243609331%29.jpg

ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

Medalha Olímpica em 2012 inspira geração guatemalteca

O dia 4 de agosto de 2012 entraria para sempre na História esportiva. Não apenas pelo recorde olímpico conquistado pelo chinês Chen Ding, ao finalizar a prova de 20 quilômetros em marcha, com o tempo de 1:18:46 (Uma hora, Dezoito minutos e Quarenta e Seis segundos), como também pela inédita medalha a um atleta guatemalteco em uma edição dos Jogos Olímpicos.

Estádio Olímpico de Londres, sede das competições de atletismo

Ao cruzar a linha de chegada 11 segundos após o campeão, Erick Bernabé Barrondo García – na época com 21 anos – tornou-se um ídolo para seus compatriotas ao conquistar a prata e colocar a Guatemala no quadro geral de medalhas pela primeira vez.

Nascido em uma pequena aldeia Chiyuc em San Cristóbal Verapaz, Erick Barrondo iniciou seu contato com o atletismo competindo em corridas de longa distância, seguindo a carreira de seus pais. Porém, uma grave lesão o levou a praticar a marcha olímpica como forma de recuperação. O atleta acabou por levar adiante a nova modalidade profissionalmente até conquistar o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em 2011.

Atletas passam pelo Palácio de Buckingham durante prova

Motivado por este marco, o Olympic Channel produziu um episódio da série The Power of One (O Poder de Um, traduzido para o português) inteiramente dedicado a Erick e como seu feito inspirou toda uma geração na Guatemala, apesar de o futebol ser o esporte mais popular no país.

Sua origem humilde e a escassez de recursos financeiros tornaram-se fatores em comum para toda comunidade de Alta Verapaz, onde estima-se que há mais de 300 crianças praticando a marcha atlética. De acordo com um estudo realizado no final de 2012 mencionado no episódio da série The Power of One, 60% dos jovens guatemaltecos preferiam praticar a marcha olímpica ao futebol.

Vê-se no esporte a oportunidade de melhorar de vida e deixar de viver na pobreza. Segundo o próprio Erick Barrondo, “como a medalha olímpica foi ganha por alguém que não tinha nem o que comer, a Guatemala descobriu que quando você quer fazer alguma coisa, é possível. (…) se eu perder, não será pior que antes, mas vamos pensar em ganhar”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Tocha olímpica acesa no estádio em Londres (2012)” (Fonte):

https://stillmed.olympic.org/media/Photos/2012/08/03/Olympic%20impressionism_170924.jpg?interpolation=lanczos-none&resize=1060:*

Imagem 2 “Estádio Olímpico de Londres, sede das competições de atletismo” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/35/Stadium_filling_up_now_3596.jpg

Imagem 3 “Atletas passam pelo Palácio de Buckingham durante prova” (Fonte):

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ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

Pesquisas estudam competição internacional de empresas de material esportivo

Um estudo com dados dos últimos 16 anos, recentemente publicado pela Sports Value, analisou o desempenho econômico, desenvolvimento de marca e market share das maiores empresas de material esportivo do mundo, e como estas se comportam em um cenário de competição cada vez mais globalizado.

Fábrica da Adidas em Herzogenaurach (Alemanha)

Para entender melhor o impacto destas corporações no mercado, foi constatado, em âmbito geral, que o faturamento no setor de varejo esportivo em 2017 foi de US$ 260 bilhões, dos quais US$ 82 bilhões – ou seja, mais de 30% – são pertinentes às vendas de material e equipamento esportivo. O maior mercado consumidor de tais produtos concentra-se nos Estados Unidos e na Europa, somando expressivos 75%, enquanto o consumo latino-americano agrega em apenas 6% do total.

O ranking de posicionamento competitivo das marcas é atualmente liderado pela norte-americana Nike, a qual apresentou um faturamento no ano passado (2017) de US$ 34,4 bilhões. Na sequência vem a alemã Adidas – que já chegou a figurar como primeiro lugar desta lista – com US$ 24 bilhões, seguida de Under Armour (US$ 5 bilhões), deixando a Puma com o quarto lugar, ao faturar US$ 4,7 bilhões. Juntas, estas empresas somam US$ 68 bilhões, ou 83% do mercado internacional.

Fábrica da Adidas em Herzogenaurach (Alemanha)

Atribui-se a este sucesso o investimento agressivo em marketing esportivo, por meio de patrocínio a atletas/clubes, eventos e competições. Com o objetivo de reforçar o valor de sua marca no mercado, a Nike investiu US$ 3,3 bilhões, a Adidas US$ 3,1 bilhões, a Under Armour e a Puma US$ 0,6 bilhões cada com propaganda em 2017. No quesito lucro líquido, a Nike abre ampla vantagem frente às concorrentes ao atingir US$ 4,2 bilhões, enquanto as demais somaram apenas US$ 1,3 bilhões.

Deste panorama setorial bilionário, pode-se inferir que as estratégias comerciais e publicitárias das grandes empresas internacionais de material esportivo mencionadas as garantem em um posicionamento mercadológico de destaque perante os demais concorrentes locais, cujas verbas de gestão em marketing nem se aproximam destes números apresentados no estudo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Sede mundial da Nike em Beaverton, Oregon (EUA)” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/35/Nikeworldheadquarters.jpg

Imagem 2 “Fábrica da Adidas em Herzogenaurach (Alemanha)” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/06/Adidas-factory-outlet-Herzogenaurach.jpg

Imagem 3 “Fábrica da Puma em Herzogenaurach (Alemanha)” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a7/Zeppelinstra%C3%9Fe_2_Herzogenaurach_03.JPG

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Caso de transgênero inglês chama a atenção de comunidade internacional de Rugby

Acontecimentos em que atletas LGBT assumem sua sexualidade perante o público tornam-se cada vez mais frequentes, à medida que o debate pela regulamentação de suas atividades no esporte avança. No Brasil, temos a história de Tiffany Abreu, sendo a primeira transgênero a disputar a Superliga Feminina de vôlei, na elite nacional da modalidade, ao final do ano passado (2017), defendendo o time de Bauru (SP).

Referência para todas as organizações esportivas, o Comitê Olímpico Internacional (COI) divulgou em novembro de 2015 um relatório consensual a respeito da atuação de transgêneros, o qual defende “os direitos humanos e a justa competição”, estabelecendo regras como limite dos níveis de testosterona, sem manter a obrigatoriedade da cirurgia de mudança de sexo.

Foto recente de Verity Smith, que há 18 meses novamente injetou testosterona para acelerar a transição e completar o tratamento

Porém, o tema segue alvo de discussões e críticas, principalmente no que diz respeito às modalidades que exigem força física e contato pessoal entre atletas. Recentemente, veio à tona a história de Verity Smith, transgênero inglês de 37 anos que joga pela liga inglesa feminina de rugby.

Assegurado pelo lema “esporte para todos” da Rugby Football Union (RFU) – entidade suprema da modalidade na Inglaterra -, Verity, que continuará usando seu nome de registro, faz jus ao direito de exercer o esporte “sem prejuízo”. Todavia, por conta de sua aparência, efeito de seu tratamento hormonal desde os 19 anos, algumas adversárias recusam-se a entrar em campo contra a jogadora do Rotterdam Ladies e Dewsbury Moore, pela união e liga de rugby, respectivamente.

Smith aguarda ansiosamente pela revisão das políticas da RFU sobre transgêneros e está confiante de que o modelo utilizado pelo COI será adotado pelo rugby inglês, garantindo segurança e equidade no tratamento de todos(as) os(as) jogadores(as).

Enquanto isso, Verity Smith espera sua próxima consulta para a retirada dos seios. De acordo com o jogador, no momento afastado por uma lesão no pé, “foi-me oferecido um lugar em uma equipe masculina e eu queria provar que você pode jogar e fazer a transição [de sexo] com sucesso, só para que as crianças tenham algo para admirar”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Verity Smith posa para foto com o time de rugby feminino Halifax Ladies, da Inglaterra” (Fonte):

https://pbs.twimg.com/media/C3NT4E4WQAILWOs.jpg:large

Imagem 2 Foto recente de Verity Smith, que há 18 meses novamente injetou testosterona para acelerar a transição e completar o tratamento” (Fonte):

https://pbs.twimg.com/media/C6okxu0WsAAzoPL.jpg:large

ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

Engajamento social da FIFA no resgate de time juvenil da Tailândia

O resgate dos jogadores das equipes sub-12, sub-16 e sub-19 do time tailandês Javalis Selvagens FC chamou a atenção da mídia e comoveu toda a sociedade internacional no período compreendido entre final de junho e começo de julho deste ano (2018). Ao todo, 12 jovens (de 11 a 17 anos) e o treinador de 25 anos, Ekapol Chantawong – conhecido como Ake – participaram de uma excursão que tinha como destino final a caverna de Tham Luang (“Senhora Adormecida”, em português), na província de Chiang Rai.

Profissionais do resgate e equipamentos na entrada da caverna de Tham Luang

No dia 23 de junho de 2018, o grupo foi surpreendido por fortes chuvas que inundaram a entrada da caverna repentinamente, impossibilitando o retorno para casa. Logo após a formalização do desaparecimento, as operações de resgate foram iniciadas, enfrentando obstáculos ainda maiores por conta do difícil acesso ao local e das fortes chuvas que ainda acometiam a província.

A Marinha da Tailândia contou com a cooperação internacional de mais de dez países para cumprir esta missão, incluindo Israel, Ucrânia, Suécia, Estados Unidos, Rússia, Finlândia, dentre outros, totalizando mais de 1.000 pessoas. O caso teve uma repercussão ainda maior com o óbito de Saman Kunan, um mergulhador tailandês de 38 anos, devido à falta de oxigênio no retorno à entrada da caverna, após levar suprimentos aos garotos.

Tal fato ocorreu concomitantemente a Copa do Mundo de Futebol 2018. Sensibilizado pela ocorrência, Gianni Infantino, atual presidente da Federação Internacional de Futebol (FIFA, na sigla em francês de “Fédération Internationale de Football Association”), organizadora do evento, chegou a enviar uma carta ao presidente da Federação Tailandesa de Futebol convidando os meninos e o técnico vitimados no acontecimento, além de todos os envolvidos no resgate, para assistirem à final da Copa, realizada em Moscou, no dia 15 de julho (2018).

No entanto, após o término da operação – realizada entre os dias 8 e 10 de julho (2018) –, o grupo ficou em observação no Hospital Chiang Rai Prachanukroh e, por recomendações médicas, foi desaconselhado a viajar para a Rússia. Após a nota de agradecimento da Federação Tailandesa de Futebol, a FIFA também publicou que, oportunamente, ainda será feita uma homenagem aos meninos.

A exemplo de Infantino, o clube inglês Manchester United comemorou o desfecho deste caso informando, em sua conta no Twitter, que iria aguardar a visita dos resgatados em seu estádio, o Old Trafford, na próxima temporada 2018/2019, cujo início se dará no dia 11 de agosto.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Equipe de socorristas estuda melhor estratégia de adentrar a caverna, em 30 de junho de 2018” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/36/Police_exploring_cave_opening_at_Doi_Pha_Mi.jpg

Imagem 2 “Profissionais do resgate e equipamentos na entrada da caverna de Tham Luang” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/be/Rescue_equipment_in_Tham_Luang_entrance_chamber_%28cropped%29.jpg