NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

A recente escalada de violência na Líbia

A Líbia voltou recentemente a ocupar manchetes por conta da escalada do conflito no país. Um grupo militar comandado pelo general Khalifa Haftar lançou uma ofensiva sobre a capital do país, Trípoli.

Com pouco tempo de conflito ainda não é possível prever seu desfecho ou tampouco quais os efeitos mais duradouros que as manobras possam produzir. O Governo do Acordo Nacional, entidade reconhecida pelas Nações Unidas como governantes da Líbia, foram pegos de surpresa pelo anúncio de que tropas marchariam para tentar tomar definitivamente o controle do país.

Khalifa Haftar, membro das Forças Armadas da Líbia desde 1966, apoiou Muammar Gaddafi no golpe que este empreendeu contra o rei Idris I, em 1969. Nas décadas que serviu sob o comando do ditador líbio, o General ascendeu dentro das Forças, comandando as tropas no conflito com o Chade. Após desertar para a Frente Nacional de Salvação da Líbia, grupo opositor ao governo, decidiu exilar-se nos Estados Unidos, onde tornou-se cidadão.

Após a derrubada de Gaddafi, em 2011, o general Haftar regressou ao seu país. A partir de 2014, converteu-se em comandante autoproclamado do Exército Nacional Líbio (ENL), organização que contesta a autoridade do governo em Trípoli, proclamando uma autoridade paralela, com a conquista de territórios ao leste do país, por meio de uma campanha militar autoproclamada “Operação Dignidade.

Desde então, há uma disputa pelo controle do país, que é particularmente intensa na região de Tobruk, cidade ao leste. Neste cenário, os militares que apoiam Haftar possuem apoio de Estados como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes e o Egito. As Nações Unidas tentam mediar o processo e desencorajar o grupo insurgente de perseguir seus objetivos.

O Secretario Geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, que se encontrava na Líbia com objetivo de organizar uma conferência dedicada a planejar futuras eleições, deslocou-se até a cidade de Benghazi para demover o líder do ENL da sua ofensiva. Após a falha das negociações, Guterres declarou em 6 de abril que deixava a Líbia “com o coração pesado e profundamente preocupado. Eu ainda espero que seja possível evitar um confronto sangrento dentro e ao redor de Trípoli”.

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Entretanto, no dia 4 de abril, o General divulgou um áudio entre a população anunciando o lançamento de sua ofensiva para conquistar a capital. Este foi o ponto de partida de uma iniciativa militar do autoproclamado governo paralelo, começando com ataques aéreos à capital, a partir do dia 7de abril.

A missão da ONU permaneceu no país, ainda que com pessoal reduzido, uma vez que a parte administrativa da missão foi deslocada para a vizinha Tunísia. Nos últimos dias tem se dedicado a remover alguns cidadãos em regiões de risco. Também haviam planejado uma conferência para discutir o cenário eleitoral, que deveria ter início no dia 14 de abril, mas, dadas as condições na Líbia, este compromisso foi adiado.

O Governo do Acordo Nacional que possui apoio das Nações Unidas, dentre outros membros da comunidade internacional, lançou uma contraofensiva militar e conta com uma série de milícias ao redor da capital dispostas a enfrentar as forças do autoproclamado ENL.

A Operação “Vulcão de Raiva, lançada pelas Forças Armadas da Líbia, leais ao governo, procura retomar territórios ocupados pelos insurgentes, incluindo o aeroporto nacional de Trípoli. Conflitos no sul da capital já deixaram mais de 3.400 desabrigados, segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários. A entidade condena o conflito e urge a Haftar para cessar a escalada da violência.

De uma maneira geral, a comunidade internacional permanece silente à questão. Pelo que vem sendo disseminado na mídia, grandes países ocidentais tomaram pouca atitude ou não se pronunciaram quanto ao tema. No dia 8 de abril, os EUA retiraram as tropas que possuíam estacionadas no país alegando razões de segurança. Segundo a CNN, o secretario de Estado, Mike Pompeo, afirmou que “não há solução militar para o conflito na Líbia”, conclamando autoridades líbias e internacionais a buscar mediações.

A deflagração do maior conflito no território líbio nos últimos anos ainda deve permanecer sob observação. O Conselho de Segurança das Nações Unidas deve reunir-se em breve para lidar com preocupações como a segurança da população, como isto afetaria o fornecimento de matérias-primas e uma possível nova crise de refugiados.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Crianças desabrigadas pelo Conflito na Líbia” (Fonte Twitter do Chefe da OCHA na Líbia, @NielScott): https://twitter.com/NielsScott/status/1115631522298642432

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

OTAN realiza exercícios militares no Mar Negro

Entre os dias 9 e 13 de abril (2019), a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) realizou um exercício militar no Mar Negro, o chamado “Sea Shield”, que traduzido livremente significa “Escudo do Mar”. Participam da missão navios e aeronaves dos Estados Unidos, Bulgária, Grécia, Canadá, Holanda, Romênia e Turquia e há também a cooperação das forças da Geórgia e da Ucrânia.

Esse treinamento militar ocorre após a escalada de tensões entre a Ucrânia e a Rússia pela passagem do Estreito de Kerch, área que liga o Mar Negro ao Mar de Azov, em novembro do ano passado (2018). Na época, navios russos detiverem a passagem de três embarcações ucranianas sob a alegação que elas estariam invadindo o território marítimo da Rússia.

Após esse incidente, a OTAN expandiu a sua vigilância. No início deste mês (abril, 2019), os Estados Unidos anunciaram o envio de novos navios para fortalecer a presença militar da Organização na região. De acordo com os Ministros da OTAN, a postura agora é direcionada para a defesa e dissuasão no Mar Negro.

O Mar Negro visto por satélite

Não obstante, a Federação Russa não enxerga esse novo posicionamento da mesma maneira. Segundo o Vice-Ministro das Relações Exteriores, Alexander Grushko, “(…) qualquer esforço da OTAN na região do Mar Negro não tem sentido do ponto de vista militar. Eles não fortalecerão a segurança nem da região nem da própria OTAN, mas serão associados a riscos militares adicionais”. Grushko também destacou que a segurança da área tem que ser fundada na cooperação entre os países da costa, a qual pode ser aprofundada ou pela Organização para a Cooperação Econômica do Mar Negro*, ou pelo Documento sobre medidas de construção de confiança no Mar Negro**.

Em relação ao exercício militar da OTAN, a Rússia anunciou que responderia igualmente, tendo realizado ela mesma um treinamento no Mar Negro no dia 13 de abril (2019). Dessa forma, os dois eventos aconteceram ao mesmo tempo na região, o que o serviço de imprensa da frota naval classificou como “uma boa oportunidade para simular as habilidades da marinha numa situação real de combate”. A atividade militar envolveu não apenas navios, como também forças terrestres e aéreas.

A presença militar da OTAN no Mar Negro, portanto, traz novas instabilidades. A razão divulgada pela Organização para a sua presença militar mais incisiva na região é para garantir que as frotas ucranianas circulem livremente e com segurança. Entretanto, especialistas apontam que pode haver outros objetivos. Em entrevista ao jornal Sputnik, o presidente da Academia de Problemas Geopolíticos da Rússia, Leonid Ivashov, destacou que os exercícios da Organização visam impedir a aproximação entre Rússia e Turquia e dificultar o projeto do gasoduto TurkStream, que transportaria gás natural do território russo pelo Mar Negro até a Europa. Sejam quais forem as verdadeiras razões, teme-se que as provocações de ambos os lados evoluam para algo mais preocupante.

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Notas:

* A Organização para a Cooperação Econômica do Mar Negro foi criada em 1992 pelos Chefes de Estado e de Governo dos 12 Estados membros: Albânia, Armênia, Azerbaijão, Bulgária, Geórgia, Grécia, Moldóvia, Romênia, Rússia, Sérvia, Turquia e Ucrânia. O objetivo é incentivar a interação e a harmonia entre seus membros, assim como garantir a paz, a estabilidade e a prosperidade na região do Mar Negro. Hoje é um fórum de discussão que engloba assuntos relacionados desde à agricultura até a troca de informações e tecnologia.

** O Documento sobre medidas de construção de confiança no Mar Negro foi aprovado, em 2002, pelo Ministros das Relações Exteriores dos seis países que dividem suas costas com o Mar Negro, sendo eles: Bulgária, Geórgia, Romênia, Rússia, Turquia e Ucrânia. Os objetivos desse acordo são o desenvolvimento das relações de boa-vizinhança e a contribuição ao fortalecimento da estabilidade e do sentimento de confiança na região.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O Cruzador russo Pedro, o Grande durante uma missão de exercício” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/73/Tactical_exercises_of_the_Russian_Navy.jpg

Imagem 2 O Mar Negro visto por satélite” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8f/Mar_Negro_satelite.png

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIO

Evo Morales vai a Dubai em busca de investimento estrangeiro direto

O Presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, Evo Morales, esteve em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos (EAU), onde participou da abertura da IX Reunião Anual de Investidores no dia 8 de abril. Uma semana depois de ter recebido a visita do Presidente da Índia, com quem firmou acordos de cooperação, Morales foi aos EAU em busca de atrair investidores, confiante no argumento de que a estabilidade política, econômica e social faz do seu país  uma boa opção  para investimentos.

A Reunião, denominada em inglês de Annual Investment Meeting, foi promovida pelo Ministério da Economia dos Emirados e reuniu, de 8 a 10 de abril de 2019, cerca de 20 mil pessoas de mais de 140 países. Os Emirados Árabes Unidos (EAU ou UAE, em inglês) é uma confederação de sete Monarquias soberanas (Emirados) situada no Golfo Pérsico, tendo Abu Dhabi como capital e Dubai como a cidade mais populosa. É Estado membro da OPEP e uma das maiores economias do mundo, com invejáveis posições nos rankings de IDH, PIB bruto e PIB per capita.

A abertura do evento no dia 8 de abril de 2019 contou com discursos do Ministro de Desenvolvimento de Infraestrutura dos EAU, Abdullah Al Nuaimi; do Presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, e do Presidente da Bolívia. O mandatário boliviano apresentou os eixos da Agenda do Bicentenário referentes à agropecuária, combustíveis fósseis, energia e mineração. A Agenda, lançada 24 de março de 2019, consiste  em um plano de desenvolvimento econômico e social inclusivo com 13 pilares e que deve avançar até 2025, ano em que se celebram os 200 anos de independência da Bolívia.

Evo Morales se reúne com o Ministro de Desenvolvimento da Infraestrutura dos EAU

No seu discurso, Evo afirmou que a Bolívia quintuplicou o PIB em pouco mais de 10 anos, liderando o crescimento na América do Sul, com média de 4,9%, além de ter reduzido a pobreza extrema de 38,2% para 15,2%. Com efeito, estudos sobre situação econômica e democracia na América Latina, divulgados pela ONG chilena Corporación Latinobarómetro, por meio do Informe Latinobarómetro 2018, indicam que os bolivianos são o povo que mais percebe o progresso (págs. 4-5), reconhecem a boa situação econômica (págs. 7-9;13), embora não estejam satisfeitos com a vida que levam (pág. 68).

Sobre a atividade empreendedora, ele informou que a criação de empresas aumentou em 388% e fez questão de destacar que a posição central do país no continente é estratégica e será valorizada pelo projeto de trem bioceânico em curso. O Presidente da Bolívia não esteve presente nos demais dias da AIM porque no dia 9 de abril já se encontrava em Ankara, Turquia, onde foi recebido pelo presidente Erdogan para uma agenda de ampliação de cooperação e intercâmbio comercial.

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) publica relatórios anuais de análise de investimento estrangeiro direto (IED) no bloco regional. De acordo com a edição 2018 (página 47), do Investimento Estrangeiro Direto na América Latina e Caribe (Foreign Direct Investment in Latin America and the Caribbean), a Bolívia foi dos destinos que menos receberam IED em porcentagem sobre o PIB na região, cuja média foi de 3,1% em 2017.  Entretanto, segundo o mesmo Relatório (páginas 30 e 46), foi o segundo país que teve maior incremento percentual de IED (116%), de 2016 para 2017, perdendo apenas para Argentina (253%).

Evo Morales, em vias de enfrentar eleições, pelo quarto mandato, em outubro deste ano (2019), parece estar em busca de parcerias internacionais que reforcem o apoio ao seu governo e aumentem os ingressos de IED, conforme sua postagem no Twitter, após os três encontros com Índia, EAU e Turquia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Presidente da Bolívia no discurso de abertura da AIM” (Fonte): http://www.presidencia.gob.bo/images/noticias/dubai_1.jpg

Imagem 2 Evo Morales se reúne com o Ministro de Desenvolvimento da Infraestrutura dos EAU” (Fonte): http://assets.wam.ae/uploads/2019/04/147665158501424857.jpg

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Cidades chinesas buscam atrair imigrantes domésticos

A Comissão de Desenvolvimento Nacional e Reforma da China publicou na segunda-feira (8 de abril) seu plano de urbanização para 2019, afirmando que cidades com uma população com menos de 3 milhões de pessoas devem levantar todas as suas restrições para novos imigrantes domésticos, ao passo que as cidades com populações entre três e cinco milhões de pessoas devem “flexibilizar, de forma compreensiva, seus requisitos para residência permanente”. Recentemente, cidades de médio porte, como Hangzhou, na Província de Zhejiang, e Xian, na Província de Xianxim, já flexibilizaram os requisitos para a residência permanente de imigrantes, exigindo somente comprovação de ensino superior. O plano prevê que as cidades grandes, como Pequim e Xangai, podem manter suas atuais medidas de controle populacional, que permitem uma quantidade um pouco maior de imigrantes, mas, sob o plano, devem permitir que mais pessoas se estabeleçam dentro de suas jurisdições,informa o jornal South China Morning Post.

Documento de registro (hukou)

A China implementou um sistema de registro de cidadãos (chamado de hukou, em mandarim) para gerir os grandes fluxos migratórios que ocorrem dentro do país. Um hukou é um documento de registro que todos os cidadãos chineses devem possuir e que controla o seu acesso a serviços públicos, de acordo com o seu local de nascimento. Desse modo, os trabalhadores imigrantes possuem o hukou de sua cidade natal, o que significa que a possibilidade de usufruir de serviços públicos será bastante limitada em qualquer outra cidade para a qual eles se mudem. Esses imigrantes domésticos são chamados de “população flutuante” pelas autoridades chinesas (liudong renkou, em mandarim) e seu número aumentou significativamente desde 1980, atingindo a marca de 244 milhões de pessoas em 2017. A maioria deles é formada por trabalhadores rurais que se dirigem para as cidades para trabalhar como operários nas indústrias de manufatura e exportação.

Muitos imigrantes rurais partem em busca de trabalhos nas cidades

A preocupação das capitais de províncias em atrair imigrantes domésticos sinaliza um foco maior em urbanização, que também é motivada pela percepção das autoridades locais de que elas precisam de um fluxo constante de pessoas parasustentar os mercados locais de propriedades e para fomentar o crescimento econômico. Os esforços dos governos locais são endossados por Pequim, pois a autoridade central promove a “urbanização do povo” como o principal motor de crescimento econômico do país. Apenas em 2018, 14 milhões de trabalhadores rurais imigrantes conseguiram obter o hukou das cidades para as quais se mudaram. De acordo com um plano publicado em 2016, a China planeja fornecer residência permanente para 100 milhões de pessoas até 2020.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Hangzhoucapital da Província de Zhejiang” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Hangzhou#/media/File:Hangzhou_Yan%27an_Road_02.jpg

Imagem 2 Documento de registro (hukou)” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Hukou_system#/media/File:Hukou_zh.jpg

Imagem 3 Muitos imigrantes rurais partem em busca de trabalhos nas cidades” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Hukou_system#/media/File:Xinhui_%E6%96%B0%E6%9C%83_%E4%B8%AD%E5%BF%83%E5%8D%97%E8%B7%AF_Zhongxin_Nanlu_%E7%94%98%E8%94%97_%E4%B8%89%E8%BC%AA%E8%BB%8A_Tricycle_morning.JPG

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia ultrapassa EUA em exportação de gás liquefeito para a Europa

De acordo com o relatório anual (2019) do Grupo Internacional de Importadores de GNL* (Gás Natural Liquefeito), a Federação Russa ultrapassou os EUA, no último ano (2018), na exportação dessa commodity para a Europa, chegando no montante de 4,43 milhões de toneladas contra os 2,70 milhões de toneladas (60,9% acima do concorrente norte-americano), tendo como principais clientes os Países Baixos (25,73%), Reino Unido (25,96%), França (24,60%) e Espanha (14,45%).

Uma das principais causas desse crescimento, segundo especialistas, foi devido a normalização gradativa do fornecimento de gás ao mercado europeu, posto que, estava retraído por conta da diminuição do seu fluxo em uma de suas principais vias de abastecimento, a Ucrânia. O fato gerador desse processo foi uma acusação pela nação reclamante, Rússia, direcionada ao governo ucraniano pelo suposto desvio do recurso energético aos europeus, devido ao fato de utilizarem os mesmos dutos de abastecimento, ocasionando, assim, a retaliação russa por meio do corte no fornecimento até que, através de exaustivas negociações entre os dois países, juntamente com a Comissão Europeia, sobre trânsito de gás, o problema fosse solucionado.

Outro ponto importante para o alargamento do fornecimento de gás natural pela Rússia não só até o continente europeu, mas também para outras localidades, é o desenvolvimento de grandiosos projetos na área energética, tais como o aumento da exploração em campos produtores, tanto baseados em terra quanto os campos offshore, acarretando o aumento da malha de fornecimento através de gasodutos, tendo como principais protagonistas os projetos:

  • Campo de exploração de Yamal, com 32 pontos de extração e reservas confirmadas em torno de 26,5 trilhões de metros cúbicos de gás, 1,6 bilhão de toneladas de gás condensado e 300 milhões de toneladas de petróleo;
Mapa com extensão dos gasodutos russos Nord Stream e Nord Stream 2
  • Gasodutos Nord Stream e Nord Stream 2, que farão a transmissão de até 55 bilhões de metros cúbicos de gás anualmente, através de um percurso de 1.224 quilômetros, desde as proximidades de Vyborg, na Rússia, passando pelo Mar Báltico, até Greifswald, na Alemanha.
Mapa com extensão do gasoduto russo Power of Siberia
  • Gasoduto Power of Siberia, o mais extenso sistema de transmissão do leste da Rússia, com 3 mil quilômetros de extensão, e capacidade de fornecimento anual para a China em torno de 38 bilhões de metros cúbicos de gás.

A Federação Russa, de acordo com o BP Statistical Review of World Energy 2018alcançou a primeira posição mundial em reservas confirmadas de gás natural, com um montante em torno de 35 trilhões de metros cúbicos (18,1% das reservas mundiais), seguido logo de perto pelo Irã, com 33,2 trilhões de metros cúbicos (17,2% das reservas mundiais), sendo que, o total da Europa, por sua vez, possui reservas em torno de 3 trilhões de metros cúbicos (1,5% das reservas mundiais), o que a transforma num grande dependente do gás russo e de suas diretrizes, algo que, segundo estrategistas políticos, poderiam transformar esse produto em uma arma geopolítica.

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Nota:

A GIIGNL é uma organização sem fins lucrativos, cujo objetivo é promover o desenvolvimento de atividades relacionadas ao GNL: compras, importação, processamento, transporte, manuseio, regaseificação e seus diversos usos. O grupo constitui um fórum para o intercâmbio de informações e experiências entre os seus 81 membros, a fim de reforçar a segurança, a fiabilidade e a eficiência das atividades de importação de GNL e o funcionamento dos terminais de importação de GNL em particular. A GIIGNL tem um enfoque mundial e sua filiação é composta por quase todas as empresas do mundo ativas na terminação de importação e regaseificação de GNL.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Obras do gasoduto russo Nord Stream” (Fonte): http://www.gazprom.com/f/posts/04/069336/23-11-2016_nord_stream_7.jpg

Imagem 2 Mapa com extensão dos gasodutos russos Nord Stream e Nord Stream 2” (Fonte): http://www.gazprom.com/f/posts/34/784591/map_sp2e2017-09-08.png

Imagem 3 Mapa com extensão do gasoduto russo Power of Siberia” (Fonte): http://www.gazprom.com/f/posts/38/114934/map_sila_sib_e2017-05-18.png

AMÉRICA LATINACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Relatório do Banco Mundial aponta necessidade de transferência de renda na América Latina

Segundo dados do Anuário Estatístico da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL), relativo ao período 2017-2018, o PIB médio anual regional por habitante a preços correntes de mercado foi de 8.858 dólares (em torno de 34.374,40 reais, de acordo com a cotação de 12 de abril de 2019), com valores similares entre América Latina e Caribe. Por sua vez, o balanço de conta corrente teve um saldo negativo de pouco mais de 88,3 bilhões de dólares, aproximadamente, 342,66 bilhões de reais, conforme a mesma cotação (1,6% do PIB regional).

Em relação à população, atingiu-se pouco mais de 652 milhões de habitantes em 2018, com 80% vivendo em áreas urbanas e uma esperança de vida de quase 76 anos. Por outro lado, desastres geofísicos como terremotos e maremotos, secas, inundações e tormentas são eventos que corroboram negativamente para o crescimento econômico desses países.

Estima-se que a América Latina e o Caribe tenham sofrido 462 desastres de dimensões importantes, levando a óbito mais de 5 mil pessoas e ferindo ou retirando a moradia de 10% do conjunto demográfico, ou seja, mais de 64 milhões de pessoas – cifra equivalente a toda a população da Colômbia e do Equador reunidas.

Tendo estas estatísticas por inspiração, o Banco Mundial lançou, em abril (2019), o relatório “Efeitos dos Ciclos Econômicos nos Indicadores Sociais da América Latina e Caribe: Quando os Sonhos Encontram a Realidade”. Desta forma, apresenta-se como uma de suas principais conclusões a necessidade de se produzirem programas sociais como seguro-desemprego. Assim, segundo o documento, proporcionam-se amortecedores nas épocas de aumento cíclico da pobreza, já que estes mecanismos foram responsáveis por cerca de 35% da queda deste indicador durante o superciclo das commodities.

A análise macroeconômica do Banco Mundial situa que a América do Sul tenha crescido 0,1% em 2018 e deve alcançar apenas 0,4% em 2019. Já a América Central atingiu 2,7% em 2018 e deve expandir para 3,4% em 2019; o Caribe, de 4,0% em 2018, deve desacelerar para 3,2% em 2019.

Além disso, elencam-se como os principais motivos do fraco crescimento da AL: a contração de 2,5% do PIB argentino, a recuperação lenta do Brasil após a grande recessão de 2015 e 2016, o crescimento anêmico no México devido à incerteza política, bem como o colapso econômico da Venezuela. Por fim, reitera-se o impacto previsível da falta de impulso econômico nos indicadores sociais como é o caso do Brasil ao registrar um aumento da pobreza monetária de aproximadamente 3 pontos percentuais entre 2014 e 2017.

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Notas:

* Relatório Anuário Estatístico da CEPAL pode ser conferido neste link, podendo ser descarregado em PDF (em espanhol): https://www.cepal.org/es/publicaciones/44445-anuario-estadistico-america-latina-caribe-2018-statistical-yearbook-latin

** Relatório do Banco Mundial na íntegra neste link (em inglês): “Efeitos dos Ciclos Econômicos nos Indicadores Sociais da América Latina e Caribe: Quando os Sonhos Encontram a Realidade”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Contraste entre as desigualdades no município do Rio de Janeiro”(Fonte – FotoLuiz Gonçalves Martins – ODS 10): https://nacoesunidas.org/cepal-busca-estudos-de-casos-sobre-investimento-em-desenvolvimento-sustentavel-no-brasil/

Imagem 2 Relatório Banco Mundial 2019”(Fonte – Banco Mundial): https://openknowledge.worldbank.org/handle/10986/31483