AMÉRICA LATINAÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Equador recebe empréstimo de 900 milhões de dólares da China

O Governo do Equador anunciou no último dia 12 de dezembro, quarta-feira passada, a obtenção de um crédito de $ 900 milhões de dólares, junto à China, aproximadamente 3,53 bilhões de reais,conforme a cotação do dia 17 de dezembro de 2018. Por meio da conta oficial da Presidência no twitter, o Executivo informou que este empréstimo, obtido com a “taxa de juros mais baixa da história”,  foi o principal benefício econômico-financeiro da visita oficial ao país asiático, que faz parte de uma agenda de visitas que inclui também o Catar e a Espanha.

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Segundo matéria publicada, em 2013, no periódico equatoriano La Hora, o país já se encontrava em posição de dependência do financiamento chinês, que acumulava, de 2005 a 2011, um montante de 7,254 milhões de dólares(em torno de 28,41 milhões de reais, também de acordo com a cotação do dia 17de dezembro), mais de 45 vezes o valor recebido do Banco Mundial e quase o triplo do obtido junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no mesmo período. Ainda segundo o La Hora, o Equador ocupava o posto de 4º maior tomador de empréstimo chinês no continente, superado por Venezuela, Argentina e Brasil.

Analistas criticavam a situação, na época, afirmando que: a) tratava-se de uma estratégia de disputa de espaço na região, por parte da China, em relação aos Estados Unidos; b) havia desvantagens para o Equador, que deixava de diversificar suas fontes de financiamento, em troca de uma relação assimétrica;c) os chineses tinham maior poder de decisão, o que resultava, dentre outras coisas, na reduzida contratação de empresas locais. 

O presidente Correa justificava que os empréstimos se davam a longo prazo, com a exigência de contrapartida em petróleo e não do que ele classificou de “sacrifícios horrendos” exigidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Para o analista e professor da Universidade de São Francisco de Quito, Pedro Romero, a preferência pela China era coerente com a diretriz correista de não depender das instituições de crédito multilaterais tradicionais.

Chegada do presidente Moreno à China

Os empréstimos contraídos na década passada dessa maneira tornaram-se mais difíceis de serem quitados, por conta da queda nos preços do petróleo, por isso a dívida do Equador com a China atinge hoje a cifra de $ 6,5 bilhões de dólares (em torno de 25,46 bilhões de reais, na mesma cotação), levando o atual Presidente, Lenín Moreno, a buscar solução para o problema, cogitando inclusive o financiamento por parte das instituições que Correa evitava.

De acordo com a agência de notícias Associated Press (AP), a Chancelaria equatoriana informou que a taxa de juros a ser aplicada pelo Banco de Desenvolvimento da China é de 6,5%em um período de 6 anos, com até 2 anos de carência. Moreno obteve ainda, com os chineses, um valor de $ 69,3 milhões de dólares para reconstrução e US$ 30 milhões, a título de assistência não reembolsável, respectivamente, próximos de 271,39 milhões de reais e 117,45 milhões de reais,na mesma cotação.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Assinatura do termo de empréstimo ChinaEquador”(Fonte Facebook da Presidência do Equador): https://scontent.fbsb8-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/48174604_2257828417563010_3223151760537288704_n.jpg?_nc_cat=101&_nc_ht=scontent.fbsb8-1.fna&oh=aae425f260911d770fce9ff354c913f7&oe=5C90F4DC

Imagem 2 Chegada do presidente Moreno à China”(Fonte Facebook da Presidência): https://scontent.fbsb8-2.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/48356368_2255302084482310_2683276497438900224_n.jpg?_nc_cat=107&_nc_ht=scontent.fbsb8-2.fna&oh=211ee6e033748f70c591c91835605d39&oe=5CA7EDC5

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

As deepfakes e seus perigos para a Democracia

As deepfakes podem ser entendidas como manipulações digitais de áudio e de vídeo altamente realistas e, por conseguinte, difíceis de serem detectadas. Associadas ao contexto da crescente relevância política de fenômenos como as fake news e a noção de pós-verdade, essas manipulações de mídia geralmente são concebidas como o próximo estágio no aprofundamento das possibilidades de deturpação da realidade por meio de iniciativas de desinformação.

Ainda que as deepfakes possam ser utilizadas em diferentes áreas e situações, analistas afirmam que são nos âmbitos da política e das relações internacionais que essas manifestações podem se mostrar mais assustadoras, podendo ser responsáveis por incitar a violência, corromper as instituições, difamar os governantes e, até mesmo, alterar os resultados de eleições.

Hany Farid, professor de ciências da computação na Faculdade de Dartmouth, nos Estados Unidos, afirma que, com essas manipulações, torna-se possível fazer qualquer pessoa aparecer em um vídeo falando exatamente aquilo que o criador desse conteúdo deseja.

As Raízes das Fake News

Por sua vez, Matt Turek, chefe do programa de computação forense da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, assevera que

manipulações que exigiam recursos em nível de Estado, o trabalho conjunto de várias pessoas e recursos financeiros significativos agora podem ser feitas em casa”, e por “um único indivíduo”.

Vídeo criado por um partido político belga no qual o
presidente norte-americano Donald Trump
advoga a retirada do país europeu do Acordo de Paris

Essa proliferação tecnológica fez com que, em 2018, algumas manipulações ganhassem repercussão, ainda que amadoras, como o vídeo criado por um partido político belga no qual o presidente norte-americano Donald Trump advoga a retirada do país europeu do Acordo de Paris. Ainda que os criadores do vídeo tenham acreditado que a precariedade do mesmo faria com que a audiência não fosse ludibriada, o fato de que algumas pessoas acreditaram na manipulação suscitou o debate de que as deepfakes não precisam ser indetectáveis ou mesmo convincentes para serem legitimadas e causarem algum tipo de dano.

Nesse sentido, especialistas afirmam que essa proliferação tecnológica será particularmente útil para atores não estatais, como agrupamentos terroristas e grupos insurgentes, que, historicamente, encontram dificuldades para custear a produção e a disseminação de conteúdo falso em larga escala.

Deve-se destacar, por fim, que os analistas reconhecem que um dos principais perigos das deepfakes é o que tem sido chamado de “lucro do farsante”, ou seja, com o aumento da descrença generalizada devido a essas manipulações de mídia, torna-se mais provável que, mesmo acontecimentos verídicos passem a ser desacreditados por parte dos envolvidos, prejudicando, assim, a transparência e, por conseguinte, as próprias instituições democráticas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Repórteres com vários tipos de notícias falsas” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Fake_news#/media/File:The_fin_de_si%C3%A8cle_newspaper_proprietor_(cropped).jpg

Imagem 2 As Raízes das Fake News”(Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Fake_news#/media/File:The_roots_of_%27fake_news%27.png

DIPLOMACIA CORPORATIVANOTAS ANALÍTICAS

Presidente da plataforma streaming Youku da Alibaba é preso na China

No dia 3 de dezembro de 2018, Yang Weidong, presidente da plataforma de vídeos online Youku, foi preso por autoridades chinesas sob acusação de recebimento de pagamentos indevidos. De acordo com o periódico Caijing, Weidong teria aceitado propinas durante a produção do programa de entretenimento “This Is”, lançado em janeiro de 2018. O Youku pertence ao grupo Alibaba, o qual declarou em nota oficial que “está comprometido com as melhores condutas e padrões de negócios com cada um de nossos stakeholders, incluindo nossos clientes, parceiros comerciais e acionistas”.

Marca da Youku

O Youku foi adquirido pela Alibaba em 2015 por 3,6 bilhões de dólares (aproximadamente 14,1bilhões de reais, de acordo com cotação 14 de dezembro de 2018). Após a detenção de Weidong, FanLuyuan, CEO da Alibaba Pictures, foi anunciado como novo líder da companhia. Estima-se que o número de usuários do Youku alcance 580 milhões de indivíduos por mês e seus principais concorrentes são os aplicativos Youtube, Tencent Video e iQiyi.

Jack Ma

A prisão ocorre em um contexto de transição na liderança na Alibaba, terceira maior companhia de software da China. No dia 9 de setembro de 2018, JackMa, fundador do grupo e membro do Partido Comunista Chinês anunciou que iria se retirar do cargo de diretor executivo no final do ano (2018).

Em sua carta de despedida, Ma afirmou que a transição

demonstrará que a Alibaba passou para o próximo nível de governança corporativa. Mostrará que nos tornamos uma empresa que não depende somente de indivíduos, mas sim de sistemas organizacionais de excelência e de uma cultura de desenvolvimento de talentos”.

A prisão de Yang Weidong sugere que o próximo CEO da Alibaba, Daniel Zhang, enfrentará uma conjuntura bastante distinta do que a que seu antecessor se deparou. Não só devido a escalada de tensões entre os Estados Unidos e China na esfera internacional, mas também pelo recrudescimento das pressões regulatórias do governo chinês sobre a iniciativa privada do país. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Sede da Alibaba, em Beijing” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/99/Alibaba_group_Headquarters.jpg/800px-Alibaba_group_Headquarters.jpg

Imagem 2 Marca da Youku” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/File:Youku_png.png

Imagem 3 Jack Ma, fundador do grupo Alibaba” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a9/Enabling_eCommerce-Small_Enterprises%2C_Global_Players%2839008130265%29_%28cropped%29.jpg/800px-Enabling_eCommerce-Small_Enterprises%2C_Global_Players%2839008130265%29_%28cropped%29.jpg

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALEUROPANOTAS ANALÍTICAS

Japão assina Acordo de Livre Comércio com União Europeia

O Parlamento japonês ratificou, no dia 8 de dezembro de 2018, um Acordo de Livre Comércio com a União Europeia (UE). O documento ainda passará pelo legislativo europeu,e, se ratificado até o final deste ano (2018), entrará em vigor em fevereiro de2019, e é considerado um dos maiores acordos de livre comércio já feito.

Por ele se prevê a eliminação de tarifas de importação entre as duas partes, além de englobar incentivos a investimentos e proteção à propriedade intelectual. O Japão isentará taxas de cerca de 95% de todas as importações do Bloco até 2035, em contrapartida, a UE aplicará a isenção em 99% de importações vindas do país asiático.

Donald Tusk, Presidente do Conselho Europeu

As negociações foram iniciadas em 2013, porém, com a política “America First” implantada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a ratificação tomou um caráter de urgência perante o crescimento do protecionismo. O Presidente americano criticou o Acordo, designando-o como “injusto”.

ShinzoAbe, Primeiro-Ministro japonês, tem fortalecido o multilateralismo e o livre comércio, inclusive em sua atuação no Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica (TPP), cuja revisão entrará em vigor dia 30 de dezembro deste ano, noqual os Estados Unidos deixaram de integrar.

Tal postura condiz com a possível dificuldade econômica futura, principalmente no que tange à falta de mão de obra e envelhecimento populacional, alertada pelo FMI recentemente. A expansão de parceiros comerciais e o aprofundamento de relações vantajosas, como o caso da UE, em que o Japão permanece em condição superavitária, será uma alternativa para enfrentar esses desafios. Seguindo esta estratégia, negociações também estão sendo realizadas com os Membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) para a Parceria Econômica Regional Abrangente.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 PrimeiroMinistro do Japão, Shinzo Abe” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Shinz%C5%8D_Abe#/media/File:Shinzo_Abe_at_CSIS.jpg

Imagem 2 Donald Tusk, Presidente do Conselho Europeu” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Donald_Tusk

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A reforma no sistema de ensino na Estônia

A Estônia é um ex-membro da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e, de forma análoga ao que ocorreu nos diversos países do Leste Europeu, o território estoniano hoje possui uma minoria russa por causa das relações políticas da época em que fazia parte da URSS.

Atualmente, a herança da Era soviética permanece e este legado disputa espaços políticos e culturais no interior da sociedade estoniana, tal qual em sua vizinha Letônia. Todavia, isso não tem sido um problema desde que os direitos humanos sejam respeitados no país, ressalte-se,ainda, que é na escola o local de maior transparência da composição populacional da Estônia.

Em relação ao sistema de ensino do Estado báltico, existe uma luta parlamentar pela uniformização da língua estoniana em todos os níveis acadêmicos, visto que as escolas secundárias de língua russa possuem a obrigatoriedade de ensinar 60% do conteúdo em estoniano, enquanto as escolas básicas e creches o ritmo pode ser menor.

O projeto de expansão do estoniano alcançou 50 votos a favor e 2 votos contra no Parlamento, no último dia 4 deste mês(dezembro de 2018), e, devido ao fato de não ter alcançado o mínimo de 51 votos,o mesmo foi retirado da agenda. Todavia os políticos de oposição do Partido da Reforma entregaram uma nova proposta no último dia 5, a qual ainda deverá ser apreciado.

Jürgen Ligi, parlamentar estoniano e líder do Partido da Reforma

No tocante à questão, o jornal Baltic Times trouxe a declaração do líder do Partido da Reforma, Jürgen Ligi, no Parlamento estoniano: “A maioria dos partidos políticos expressou seu apoio a essa reforma, e fazê-la é uma questão de colocar nossas mãos nisso. Não ouvimos nenhuma crítica substancial à transição para a educação estoniana no Riigikogu*”.

Os analistas entendem a insistência do investimento na língua estoniana como um meio de incentivar o nacionalismo e a perpetuação cultural de uma população inferior a 2 milhões de habitantes. Todavia, salientam que os descendentes russos também fazem parte da história estoniana e não poderiam deixar de ter seu protagonismo.

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Nota:

* Riigikogu é o nome do Parlamento Unicameral estoniano, formado por 101 membros.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Riigikogu Parlamento estoniano” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a1/Riigikogu_%282011%29.jpg/1280px-Riigikogu_%282011%29.jpg

Imagem 2 Jürgen Ligi, parlamentar estoniano e líder do Partido da Reforma” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4d/J%C3%BCrgen_Ligi%2C_2011.jpg/1024px-J%C3%BCrgen_Ligi%2C_2011.jpg

Direito InternacionalNOTAS ANALÍTICAS

A 17ª Assembleia dos Estados Partes do Estatuto de Roma foi realizada em Haia

De 5 a 12 de dezembro, foi realizada a 17ª Assembleia dos Estados Partes do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia. Trata-se do órgão legislativo e de supervisão da administração do TPI, composto por representantes dos Estados que ratificaram e aderiram ao Estatuto de Roma*. Foram discutidos os principais desafios que o Estatuto enfrentou durante os seus vinte anos de existência, completados no dia 17 de julho de 2018.

O Juiz Chile Eboe-Osuji, presidente do TPI, em seu discurso de abertura da Assembleia declarou que a ocasião da Assembleia é uma oportunidade de encorajamento das reflexões acerca do que o Estatuto de Roma e o TPI significam à humanidade, da qual compartilhamos todos as conexões comuns. Acrescentou, ainda, que: “é correto e necessário que os Estados Partes ajam sozinhos e coletivamente para defender a Corte em todos os momentos”.

A Assembleia teve a presença não somente dos Estados Partes, mas também de Estados observadores, Organizações Internacionais e representantes da sociedade civil que adotaram resoluções sobre o funcionamento do TPI e do Fundo em Favor das Vítimas, bem como decisões sobre seu funcionamento e orçamentos.

Uma contribuição de 135,000 euros foi feita pela Irlanda ao Fundo em Favor das Vítimas, aproximadamente 631,3 mil reais,pela cotação do dia 12 de dezembro de 2018. O Fundo é usado para a reparação às vítimas de crimes de competência do Tribunal e seus familiares**. O Procurador Geral da Irlanda, Séamus Philip Woulfe SC declarou que a “Irlanda acredita que fornecer justiça reparatória e assistência à vítima é importante no contexto da implementação do Estatuto de Roma. Nós vemos nossa contribuição financeira anual ao Fundo em Favor das Vítimas como um elemento integral de nossa adesão à Corte”.

A Alemanha,uma parceira de longa-data do Fundo, contribuiu com a quantia de 300,000 euros(mais ou menos, 1,34 milhão reais, também na mesma cotação de 12 de dezembro de2018), o que soma a um montante de contribuição na ordem de 380 milhões de euros desde o ano de 2006, ou seja, aproximados 1,7 bilhão de reais, ainda na mesma cotação.

Motoo Noguchi, o Presidente do Conselho de Administração do Fundo em Favor das Vítimas, declarou: “é importante tornar o processo de reparações simples e rápido, para que o processo de reparações não seja um ônus físico e mental para as vítimas, ou que aumente suas expectativas desnecessariamente”.

Fatou Bensouda, Procuradora do TPI

No dia 5 de dezembro de 2018, Fatou Bensouda, Procuradora do TPI, apresentou o seu Relatório Anual sobre as Atividades de Análises Preliminares (2018) que foram conduzidas no período entre o dia 1o de dezembro de 2017 e 30 de novembro de 2018. Durante tal período, foram abertos três exames preliminares em relação à situação da Venezuela, Filipinas e a suposta deportação dos Rohingya de Myanmar/Birmânia para Bangladesh. Destacou sucessos e desafios enfrentados no ano passado(2017), como também aprimoramentos institucionais. Reforçou o seu compromisso com a investigação e o julgamento efetivos dos crimes do Estatuto de Roma, a fim de preveni-los.

De acordo com o Relatório, em 21 de setembro de 2018, concluiu que não há razoabilidade em continuar com a investigação em relação à situação do Gabão, porém as investigações preliminares continuarão no tocante aos seguintes países: Colômbia; Guiné; Iraque/Reino Unido; Nigéria; Palestina e Ucrânia. A importância do TPI no combate da impunidade também foi enfatizada pelo Ministro da Justiça e Segurança da Holanda.

Em 7 de dezembro de 2018, O Tribunal Penal Internacional (TPI) e a República da Eslovênia concluíram um Acordo sobre a Execução de Sentenças, o qual prevê que pessoas condenadas pelo TPI podem cumprir sua pena de prisão na Eslovênia, caso se trate de decisão do Tribunal aceita por este país.

Na ocasião do Dia dos Direitos Humanos (10/12), que comemora a adoção da Declaração Universal dos Direitos Humanos em 10 de dezembro de 1948, o Presidente do Tribunal Penal Internacional, Juiz Chile Eboe-Osuji, fez uma declaração especial na qual relembra o papel importante que o TPI desempenha no sistema universal dos Direitos Humanos, pois processa indivíduos acusados de crimes graves que abalam a consciência da humanidade, quando os tribunais nacionais não estiverem dispostos ou forem incapazes de investigar e julgar tais crimes atrozes, e assegura que as vítimas sejam ouvidas. Por fim, destaca o papel fundamental da Corte na proteção dos direitos fundamentais e na construção de uma paz duradoura, valores consagrados no Estatuto de Roma.

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Notas:

* Artigo 112 – Assembleia dos Estados Partes

1. É constituída, pelo presente instrumento, uma Assembleia dos Estados Partes. Cada um dos Estados Partes nela disporá de um representante, que poderá ser coadjuvado por substitutos e assessores. Outros Estados signatários do Estatuto ou da Ata Final poderão participar nos trabalhos da Assembleia na qualidade de observadores.

2. A Assembleia:

a) Examinará e adotará, se adequado, as recomendações da Comissão Preparatória;

b) Promoverá junto à Presidência, ao Procurador e ao Secretário as linhas orientadoras gerais no que toca à administração do Tribunal;

c) Examinará os relatórios e as atividades da Mesa estabelecido nos termos do parágrafo 3° e tomará as medidas apropriadas;

 d) Examinará e aprovará o orçamento do Tribunal;

e) Decidirá, se for caso disso, alterar o número de juízes nos termos do artigo 36;

f) Examinará, em harmonia com os parágrafos 5 e 7 do artigo 87, qualquer questão relativa à não cooperação dos Estados;

g) Desempenhará qualquer outra função compatível com as disposições do presente Estatuto ou do Regulamento Processual;

3. a) A Assembleia será dotada de uma Mesa composta por um presidente, dois vice-presidentes e 18membros por ela eleitos por períodos de três anos;

b) A Mesa terá um caráter representativo, atendendo nomeadamente ao princípio da distribuição geográfica equitativa e à necessidade de assegurar uma representação adequada dos principais sistemas jurídicos do mundo;

c) A Mesa reunir-se-á as vezes que forem necessárias, mas, pelo menos, uma vez por ano. Assistirá a Assembleia no desempenho das suas funções.

4. A Assembleia poderá criar outros órgãos subsidiários que julgue necessários, nomeadamente um mecanismo de controle independente que proceda a inspeções, avaliações e inquéritos em ordem a melhorar a eficiência e economia da administração do Tribunal.

5. O Presidente do Tribunal, o Procurador e o Secretário ou os respectivos representantes poderão participar, sempre que julguem oportuno, nas reuniões da Assembleia e da Mesa.

6. A Assembleia reunir-se-á na sede do Tribunal ou na sede da Organização das Nações Unidas uma vez por ano e, sempre que as circunstâncias o exigirem, reunir-se-á em sessão extraordinária. A menos que o presente Estatuto estabeleça em contrário, as sessões extraordinárias são convocadas pela Mesa, de ofício ou a pedido de um terço dos Estados Partes.

7. Cada um dos Estados Partes disporá de um voto. Todos os esforços deverão ser envidados para que as decisões da Assembleia e da Mesa sejam adotadas por consenso. Se tal não for possível, e a menos que o Estatuto estabeleça em contrário:

a) As decisões sobre as questões de fundo serão tomadas por maioria de dois terços dos membros presentes e votantes, sob a condição que a maioria absoluta dos Estados Partes constitua quórum para o escrutínio;

b) As decisões sobre as questões de procedimento serão tomadas por maioria simples dos Estados Partes presentes e votantes.

8. O Estado Parte em atraso no pagamento da sua contribuição financeira para as despesas do Tribunal não poderá votar nem na Assembleia nem na Mesa se o total das suas contribuições em atraso igualar ou exceder a soma das contribuições correspondentes aos dois anos anteriores completos por ele devidos. A Assembleia Geral poderá, no entanto, autorizar o Estado em causa a votar na Assembleia ou na Mesa se ficar provado que a falta de pagamento é devida a circunstâncias alheias ao controle do Estado Parte.

9. A Assembleia adotará o seu próprio Regimento.

10. As línguas oficiais e de trabalho da Assembleia dos Estados Partes serão as línguas oficiais e de trabalho da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas.

** Artigo 79 do Estatuto de Roma – Fundo em Favor das Vítimas

1. Por decisão da Assembleia dos Estados Partes, será criado um Fundo a favor das vítimas de crimes da competência do Tribunal, bem como das respectivas famílias.

2. O Tribunal poderá ordenar que o produto das multas e quaisquer outros bens declarados perdidos revertam para o Fundo.

3. O Fundo será gerido em harmonia com os critérios a serem adotados pela Assembleia dos Estados Partes.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Em verde: Estado Parte do Estatuto de Roma; em amarelo: Signatário que não ratificou; em lilás: Estado Parte que posteriormente retirou a adesão; em laranja: Signatário que posteriormente retirou sua assinatura; em vermelho: Não é Estado Parte e nem Signatário”(Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/States_parties_to_the_Rome_Statute_of_the_International_Criminal_Court#/media/File:ICC_member_states.svg

Imagem 2Fatou Bensouda” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Fatou_Bensouda#/media/File:Deputy_Prosecutor.jpg