AMÉRICA LATINACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Novo presidente do BID toma posse e anuncia suas principais linhas de ação

No dia 12 de setembro de 2020, Mauricio Claver-Carone foi eleito Presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), sendo o primeiro cidadão norte-americano a liderar a instituição.

Claver-Carone, que até então era conselheiro sênior de Trump para a América Latina, assumiu no dia 1o de outubro em uma reunião com os funcionários do Grupo BID para discutir sua visão e objetivos para seu termo de cinco anos.

Mauricio Claver-Carone

Na ocasião, o novo presidente reforçou a importância de “aumentar o poder de empréstimo do BID e focar na geração de empregos para acelerar a recuperação dos impactos da pandemia causa pela COVID-19”.

Ele também argumentou que a digitalização é essencial para o desenvolvimento e o Banco Interamericano de Desenvolvimento deve liderar esforços para expandir a internet acessível e de alta qualidade nas áreas rurais, bem como na educação, bancos e finanças.

Claver-Carone ainda anunciou uma iniciativa inédita para estreitar a relação com o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e outras organizações, com objetivo de criar plataformas conjuntas de países e coordenar esforços para ajudar a América Latina e o Caribe. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Banco Interamericano de Desenvolvimento” (Fonte):

https://www.sunoresearch.com.br/wp-content/uploads/2018/11/Banco-Interamericano-de-Desenvolvimento-2.jpg

Imagem 2 Mauricio ClaverCarone” (Fonte):

https://www.iadb.org/sites/default/files/mauricio-claver-carone.jpg

MEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Mistério em Botsuana: porque os elefantes estão morrendo

Botsuana é o país com a maior população de elefantes do mundo, com cerca de 130.000 da espécie. No entanto, entre maio e junho de 2020 foram encontrados cerca de 350 elefantes mortos na região de Delta de Okavango. O governo de Botsuana iniciou, em julho de 2020, uma investigação para entender o motivo das mortes. Assim, diversas medidas foram tomadas, como a coleta de amostras e mobilização de especialistas.

Cerca de 70% dos cadáveres encontrados estavam perto de poços de água com alta concentração de organismos microscópicos tóxicos, ou cianobactérias. As autoridades locais haviam descartado essas bactérias, pois outros animais não foram afetados e elas se proliferam nas bordas das lagoas, enquanto os elefantes bebem no meio. Alguns cientistas acreditam que os elefantes podem ser mais suscetíveis, uma vez que, além de beber, passam muito tempo na água tomando banho.

Mmadi Reuben, responsável pelo departamento de vida selvagem e parques nacionais, afirmou em conferência no dia 21 de setembro de 2020 que foram detectadas neurotoxinas de cianobactérias que levaram à morte desses animais. Os testes da água foram realizados nos laboratórios de Botsuana, da África do Sul e dos Estados Unidos da América. Contudo, ainda não sabem o motivo pelo qual ocorreu a proliferação dessas bactérias, e porquê apenas nessa área. 

Baobá em Botsuana

O Doutor Niall McCann, diretor de conservação da organização do Reino Unido National Park Rescue, alertou que a presença de cianobactérias não é o suficiente para comprovar que elas são culpadas pela intoxicação. Assim, são necessárias amostras do tecido dos animais para serem analisadas em laboratórios especializados. No entanto, isso exige condições especiais e precisam ser realizadas rapidamente, o que não foi feito no caso de Botsuana. De qualquer forma, é provável que a proliferação de algas tóxicas ocorra novamente devido à mudança climática, sendo necessário monitoramento e sistemas regionais de alerta. Outras causas como caça ilegal, anthrax, envenenamento e um patógeno desconhecido foram descartadas.

Grupo de elefantas na Tanzânia

Em agosto de 2020, mais de 20 elefantes foram encontrados mortos no Zimbábue, entre o Parque Nacional Hwange e as Cataratas de Vitória. O governo do Reino Unido está cooperando com o Zimbábue para analisar as amostras e saber se é a mesma causa do incidente em Botsuana. Outra teoria aponta a bactéria pasteurella como a causa das mortes, similar ao ocorrido em 2015 no Cazaquistão, com o óbito de 200.000 antílopes saiga.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Elefante africano” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/African_elephant#/media/File:Loxodontacyclotis.jpg

Imagem 2Baobá em Botsuana” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Botswana#/media/Ficheiro:Adansonia_digitata_arbre_MHNT.jpg

Imagem 3Grupo de elefantas na Tanzânia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/African_elephant#/media/File:Serengeti_Elefantenherde2.jpg

AMÉRICA LATINANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Evo Morales e Rafael Correa fora das eleições na Bolívia e no Equador

Em 7 de setembro de 2020, a justiça boliviana negou um recurso de Evo Morales, ex-Presidente da Bolívia, que solicitava sua candidatura como Senador nas próximas eleições. No mesmo dia, a justiça equatoriana ratificou sentença contra o ex-presidente Rafael Correa, condenando-o por corrupção e impedindo sua candidatura às eleições de 2021. 

Morales teve seu recurso negado pela Corte da Bolívia, que manteve o indeferimento anterior à sua candidatura pelo Movimiento Al Socialismo (MAS), em razão de não cumprir com o requisito de residência no país. A decisão é irrecorrível e o torna inelegível para o pleito previsto para 18 de outubro de 2020, após adiamentos por conta da pandemia.

Depois de cumprir sucessivos mandatos como Presidente do Estado Plurinacional da Bolívia desde 2006, Morales renunciou, em 2019, imediatamente após um conturbado processo eleitoral. Em um primeiro momento ele se refugiou no México, tendo se mudado em seguida para a Argentina, onde chegou dois dias depois da posse de Alberto Fernández na Casa Rosada*.

No mês passado (agosto), Correa havia anunciado sua candidatura ao cargo de Vice-Presidente, numa chapa de coalizão denominada Unión por la Esperanza (Unes), formada por oito organizações sociais e políticas. A Unes tem um ex-Ministro de Correa, Andrés Arauz, como candidato a Presidente e se coloca como oposição ao atual mandatário Lenín Moreno.

Entre os anos de 2007 e 2017, Rafael Correa presidiu o Equador, implantando o que denominou de Revolución Ciudadana, um projeto de governo mais identificado ideologicamente com as ideias de esquerda. Moreno, que se elegeu em 2017 como seu sucessor tornou-se seu desafeto logo depois. Pesa contra Correa acusações de financiamento ilícito de campanha entre 2012 e 2016, as quais ele nega e atribui a perseguição política por parte de Moreno.

Morales e Correa juntos quando ainda eram Presidentes

As eleições no Equador estão marcadas para 7 de fevereiro de 2021, com votação para Presidente, Vice-Presidente e para os 137 parlamentares da Assembleia Nacional (congresso unicameral).   Tudo indica que a Unes apresentará o jornalista Carlos Rabascall como candidato à Vice-Presidência, no lugar de Rafael Correa. Já o boliviano Evo Morales aposta na possibilidade de voltar ao país, baseado em pesquisa recente que apontou vantagem para o candidato do MAS nas eleições.

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Nota:

* Casa Rosada: sede do Governo Presidencial da Argentina, em Buenos Aires, assim chamada pela cor rosa das paredes.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Evo Morales e Rafael Correa juntos em conferência de imprensa” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Presidentes_Rafael_Correa_y_Evo_Morales_ofrecen_una_rueda_de_prensa_conjunta_(5079411140).jpg

Imagem 2 Morales e Correa juntos quando ainda eram Presidentes” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Saludo_de_los_Presidentes_Evo_Morales_y_Rafael_Correa_(7335805238).jpg

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Repressão à greve de professores aumenta preocupação com repressão na Jordânia

O governo da Jordânia vem sendo objeto de recorrentes críticas de associações de direitos humanos pela maneira como vem lidando com a greve de professores no país. As denúncias incluem recorrente repressão policial, até o desligamento da internet e redes sociais em distintas regiões do país para evitar que os protestos ganhem visibilidade.

As manifestações começaram após uma decisão do governo local de congelar os gastos públicos em abril. Com esta medida, não foi possível cumprir um acordo estabelecido em 2014 com o Sindicato dos Professores da Jordânia, que previa um aumento salarial de 50% para toda a categoria ao longo do ano de 2020.

Fundada em 2011, a Associação dos Professores da Jordânia possui hoje mais de 100 mil membros em todo o país e é considerada por muitos observadores internacionais como uma das poucas organizações sindicais independentes a operar na Jordânia. O sindicato é notoriamente bem articulado e foi responsável por organizar a maior paralisação do setor público na história jordaniana, em outubro de 2019.

No dia 25 de julho, após a instauração de um processo contra o dirigente sindical Nasser Nawasreh por incitar um discurso contra o governo, a polícia executou mandados de busca e apreensão por todo o país, resultando na prisão de Nawasreh e outros 12 dirigentes sindicais. A pedido do Advogado-Geral do Reino da Jordânia, Hassan Abdallat, o sindicato também foi proibido de operar no país por dois anos em consequência das acusações.

Nawasreh e os demais dirigentes foram liberados no dia 23 de agosto, após completar quase um mês de detenção sem julgamento ou fiança. A decisão que revoga o direito de o sindicato operar permanece vigente, apesar da pressão do governo que levou à retomada de parte das aulas presenciais na rede pública no dia 1º de setembro.

Policiais bloqueiam rua durante protesto dos professores na cidade de Irbid, Jordânia – Página oficial da Human Rights Watch

As prisões levaram a um aumento dos protestos, que passaram a envolver não somente professores, mas também outros cidadãos que se manifestaram contra a repressão do governo. Uma investigação estima que quase mil professores e pelo menos dois jornalistas foram presos durante as manifestações que sucederam a proibição do sindicato.

O governo local reagiu impondo mais restrições aos protestos e sua divulgação. Uma ordem do Procurador Geral da Jordânia proibiu a difusão de informações sobre a greve em veículos de notícias locais.

Muitas medidas aprovadas durante o surto de infecções causadas pelo novo coronavírus também passaram a ser utilizadas pelo governo jordaniano para proibir protestos e como fundamento para a repressão policial. A escalada dos meios repressivos tem gerado preocupação em distintos observadores internacionais.

O Porta-Voz do Alto Comissariado para os Direitos Humanos das Nações Unidas, Rupert Colville, declarou que os recentes eventos são evidências “de um padrão crescente de supressão das liberdades públicas e da restrição do espaço cívico e democrático pelo governo jordaniano, inclusive contra ativistas dos direitos trabalhistas, defensores dos direitos humanos, jornalistas e aqueles que criticaram”.

O diretor adjunto da organização para o Oriente Médio, Michael Page, declarou que o fechamento do sindicato dos professores “levanta sérias preocupações quanto ao respeito do governo pela lei” e que “a falta de transparência e a proibição da discussão deste incidente em redes sociais somente reforça conclusão de que as autoridades estão violando direitos dos cidadãos”.

Por meio de distintas redes sociais os manifestantes têm denunciado tanto a violência policial quanto cerceamentos à liberdade de expressão no país. Denúncias indicam que houve restrições de acesso a internet e a certas plataformas. A Netblocks denunciou que o serviço de transmissão ao vivo do Facebook foi derrubado durante os protestos dos professores no país.

A Jordânia sempre foi reconhecida em meio à comunidade internacional por manter respeito a certas liberdades civis, ainda mais em comparação com outros vizinhos. Entretanto, a escalada da repressão e o uso de mecanismos estatais tanto para diminuir a ação de entidades da sociedade civil quanto do debate público tem gerado preocupação quanto a uma possível escalada autoritária no país.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Manifestantes se reúnem em frente a sede da Associação dos Professores da Jordânia na cidade de IrbidPágina oficial da Human Rights Watch” (Fonte):

https://www.hrw.org/news/2020/08/27/jordan-arrests-forced-dispersal-teacher-protests

Imagem 2Policiais bloqueiam rua durante protesto dos professores na cidade de Irbid, JordâniaPágina oficial da Human Rights Watch” (Fonte):

https://www.hrw.org/news/2020/08/27/jordan-arrests-forced-dispersal-teacher-protests

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Colômbia inaugura maior túnel latino-americano

No dia 4 de setembro de 2020, o Presidente da Colômbia, Iván Duque, inaugurou, na cidade de Armenia, capital do Departamento de Quindío, o Túnel de la Linea, com 8,6 km de extensão. O La Línea, parte de um complexo viário que conta com outros 24 túneis e 31 pontes, atravessa a Cordilheira do Andes a 2.400 metros de altitude e é considerado o mais longo da América Latina.

Iván Duque esteve acompanhado da Primeira Dama, María Juliana Ruiz, da vice-presidente Marta Lucía Ramírez e da Ministra do Transporte, Ángela María Orozco, dentre outras autoridades. Logo após o corte da faixa inaugural, o Presidente visitou o Monumento aos Trabalhadores do Túnel de La Línea, erguido a seu pedido para homenagear os mais de 6 mil homens e mulheres – engenheiros, eletricistas, topógrafos, mecânicos, ambientalistas, encanadores etc. – envolvidos na construção.

Segundo uma matéria no YouTube, do periódico colombiano La República, o Túnel permite a interligação o Centro ao Sudoeste da Colômbia, ligando as cidades de Cajamarca (Departamento de Tolima) à cidade de Calarcá (Departamento de Quindío). Ainda conforme o La República, a obra sonhada desde o início do Século XX, somente foi iniciada em 2008, na Presidência de Álvaro Uribe, e deverá estar totalmente concluída em 2021.

A BBC conta essa história de 100 anos em uma extensa reportagem publicada em 8 de setembro de 2020. Os colombianos estão separados pela robusta Cordilheira dos Andes e a sua transposição era um sonho antigo, visando inclusive encurtar a distância até o porto de Buenaventura, no Oceano Pacífico, facilitando a ligação marítima com a Ásia. A partir da primeira tentativa, em 1913, simplificou-se o projeto  e chegou-se a uma rodovia, que está a mais de 3 mil metros acima do nível do mar e onde ocorrem cerca de 200 acidentes por ano.

Já por volta de 2005, ao se retomar a ideia, constatou-se a existência de 8 falhas geológicas complexas que dificultariam a construção do túnel. O La República contabiliza que desde o início, até hoje, o projeto passou por 29 Presidentes da República, 17 Ministros de Transportes e uma pandemia (Covid-19). A BBC menciona ainda “incompetência institucional, possivelmente referindo-se ao que a Agência EFE identifica como “problemas de corrupção.

A Forbes conta uma história um pouco diferente, e mais detalhada, com base em informações obtidas junto ao Instituto Nacional de Vías (Invías): após percorrer a região em 1902,  o engenheiro Luciano Battle apresentou um relatório que veio inspirar uma lei de 1913 que determinou a elaboração do projeto de túnel. Nove anos depois foi ordenada a construção, interrompida em razão da complexidade geológica do local. A ideia, retomada em 1940, foi substituída, em 1950, pela rota rodoviária de superfície hoje existente.

O projeto, de acordo com a Forbes, foi retomado em 1985, com estudos e desenhos de viabilidade de construção do túnel, que tiveram as fases II e III em 1992 e 2000, respectivamente. Finalmente, a licitação para as obras se iniciaram em 2005 e foram concluídas em 2008. Com o sucesso do certame licitatório, em dezembro de 2008, as obras de escavação tiveram início em 2009.

Inauguração do Túnel de la Linea

O túnel viabiliza o trajeto em apenas um sentido, para o retorno continuará sendo adotada a rota anterior. Ángela María Orozco, Ministra dos Transportes, explicou que não era possível construir dois túneis ao mesmo tempo, por razões técnicas, uma vez que das oito falhas geológicas existentes, a Falha de La Soledad é considerada a segunda mais complexa em túneis rodoviários do mundo. Segundo o vídeo do La República, o Túnel de La Línea, com seus quase 9 km de extensão, é o primeiro dos Top 5 da América Latina, sendo que os 2º, o 3º e o 4º também estão na Colômbia, e  o 5º (Túnel Las Raíces) fica no Chile e tem 4,52 km. E o mais longo túnel rodoviário do mundo é o Laerdal na Noruega, como 24,5 km.

O Presidente da Colômbia, Iván Duque, no discurso de inauguração,  comparou que a Ponte Golden Gate (San Francisco, EUA) foi construída durante a Grande Depressão e que o Túnel de la Línea estava sendo inaugurado em um momento de crise, gerado pela pandemia.  Economicamente, ele tem ainda a importância de conectar a capital, Bogotá, com Buenaventura, porto por onde o país distribui mais de 50% das suas exportações.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Inauguração do Túnel de la Linea” (Fonte):

https://idm.presidencia.gov.co/GaleriaFotografica/200904-08-Tunel-de-la-Linea-1280.jpg

Imagem 2 Traçado do Túnel de la Línea” (Fonte):

https://idm.presidencia.gov.co/GaleriaFotografica/200904-Cincuenta-minutos-mas-cerca-del-mar-6-1280.jpg

MEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Inundações na região Leste da África e suas implicações

O fenômeno ambiental das chuvas sazonais na região do leste africano se distribui em diferentes intensidades ao longo dos anos. Porém, a maior intensidade pluvial e a reincidência de inundações realçam as implicações sociais que a elevação do nível dos rios pode causar. A maior quantidade de chuvas registradas na região está associada com o fenômeno meteorológico que se forma no Oceano Índico e ocasiona aumento da umidade na costa africana.

Durante os meses de março a maio e de outubro a dezembro, os países que cercam a região dos Grandes Lagos são os mais atingidos (Malaui, Moçambique, Quênia, Uganda e partes da Zâmbia). Na sub-região do Chifre da África, que abarca os países como Djibouti, Etiópia, Eritreia, Sudão, Sudão do Sul, o período que marca o maior conjunto de tempestades é entre junho e setembro.

Entretanto, na primeira metade do ano de 2020 a vultosa quantidade de chuvas resultou em inundações, decorrentes da elevação dos níveis do Lago Vitória. Como destaca a parceira intergovernamental Nile Basin Initiative, no mês de maio o Lago atingiu 13,42 metros, ultrapassando a maior elevação registrada até então, que ocorreu em maio de 1964. Cabe salientar a importância socioeconômica que o Lago Vitória representa para a manutenção das populações que habitam em seu entorno, que utiliza os recursos fornecidos em diversos setores. Dentre estes recursos menciona-se a pesca; a utilização da água para fins industriais e comerciais; transporte e geração de energia.

Rio Nilo

Na confluência do Rio Nilo, mais especificamente entre os Rios Nilo Branco e Azul no Sudão, o período de chuvas também causou danos à população sudanesa e etíope durante os meses de julho e agosto de 2020. Como pode ser observado no relatório do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários sobre a situação do Sudão, ao final do mês de agosto, o cenário de emergência em decorrência da inundação causou danos a propriedades, fatalidades e pessoas desaparecidas. Como resultado das chuvas torrenciais na Etiópia, o Rio Nilo atingiu 17,43 metros, o que representou a maior elevação em 100 anos.

Além das perdas materiais causadas por este fenômeno natural, o ambiente de emergência humanitária se torna mais evidente. Soma-se aos deslocados internos pelas inundações a acentuação da vulnerabilidade dos refugiados, principalmente na parte leste do Sudão. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados estima que cerca de 125 mil refugiados e deslocados no Sudão necessitem assistência.

Inundação Sudão, agosto 2020

Pesquisa realizada pela Universidade do Texas, divulgada em julho, considera que nas próximas décadas se espera o aumento de chuvas e inundações na região em virtude da emissão de gases poluentes. Os pesquisadores salientam que, até o final do século, a quantidade de chuvas pode duplicar, resultando em inundações e na maior ocorrência de infestações de gafanhotos.

A degradação ambiental resultado da atividade humana também é mencionada pelo Ministro da Água e Meio Ambiente de Uganda, Alfredo Okot Okidi, como um dos potencializadores das consequências devastadoras das inundações no Lago Vitória. Segundo o Ministro, a combinação da devastação das matas ciliares, práticas não sustentáveis do uso da terra e dos recursos hídricos e a urbanização comprometem a capacidade de absorção da água e a sobrecarga do sistema de escoamento.

Neste sentido, as políticas voltadas para a gestão ambiental devem levar em conta o espectro de efeitos que os incidentes ambientais e as alterações climáticas podem causar para as populações. Como visto com as inundações experienciadas no leste africano, tal fenômeno pode agravar a questão sanitária e a proliferação de doenças relacionadas ao contato com a água, do mesmo modo que a insegurança sanitária também se torna um fator que dificulta o controle da disseminação da Covid-19.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Lago Vitória” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lago_Vit%C3%B3ria#/media/Ficheiro:Lake_victoria_NASA.jpg

Imagem 2Rio Nilo” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Nile#/media/File:Evening,_Nile_River,_Uganda.jpg

Imagem 3Inundação Sudão, agosto 2020” (Fonte):

https://floodlist.com/wp-content/uploads/2013/08/floods-sudan-august-343×187.jpg