NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Cidades chinesas buscam atrair imigrantes domésticos

A Comissão de Desenvolvimento Nacional e Reforma da China publicou na segunda-feira (8 de abril) seu plano de urbanização para 2019, afirmando que cidades com uma população com menos de 3 milhões de pessoas devem levantar todas as suas restrições para novos imigrantes domésticos, ao passo que as cidades com populações entre três e cinco milhões de pessoas devem “flexibilizar, de forma compreensiva, seus requisitos para residência permanente”. Recentemente, cidades de médio porte, como Hangzhou, na Província de Zhejiang, e Xian, na Província de Xianxim, já flexibilizaram os requisitos para a residência permanente de imigrantes, exigindo somente comprovação de ensino superior. O plano prevê que as cidades grandes, como Pequim e Xangai, podem manter suas atuais medidas de controle populacional, que permitem uma quantidade um pouco maior de imigrantes, mas, sob o plano, devem permitir que mais pessoas se estabeleçam dentro de suas jurisdições,informa o jornal South China Morning Post.

Documento de registro (hukou)

A China implementou um sistema de registro de cidadãos (chamado de hukou, em mandarim) para gerir os grandes fluxos migratórios que ocorrem dentro do país. Um hukou é um documento de registro que todos os cidadãos chineses devem possuir e que controla o seu acesso a serviços públicos, de acordo com o seu local de nascimento. Desse modo, os trabalhadores imigrantes possuem o hukou de sua cidade natal, o que significa que a possibilidade de usufruir de serviços públicos será bastante limitada em qualquer outra cidade para a qual eles se mudem. Esses imigrantes domésticos são chamados de “população flutuante” pelas autoridades chinesas (liudong renkou, em mandarim) e seu número aumentou significativamente desde 1980, atingindo a marca de 244 milhões de pessoas em 2017. A maioria deles é formada por trabalhadores rurais que se dirigem para as cidades para trabalhar como operários nas indústrias de manufatura e exportação.

Muitos imigrantes rurais partem em busca de trabalhos nas cidades

A preocupação das capitais de províncias em atrair imigrantes domésticos sinaliza um foco maior em urbanização, que também é motivada pela percepção das autoridades locais de que elas precisam de um fluxo constante de pessoas parasustentar os mercados locais de propriedades e para fomentar o crescimento econômico. Os esforços dos governos locais são endossados por Pequim, pois a autoridade central promove a “urbanização do povo” como o principal motor de crescimento econômico do país. Apenas em 2018, 14 milhões de trabalhadores rurais imigrantes conseguiram obter o hukou das cidades para as quais se mudaram. De acordo com um plano publicado em 2016, a China planeja fornecer residência permanente para 100 milhões de pessoas até 2020.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Hangzhoucapital da Província de Zhejiang” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Hangzhou#/media/File:Hangzhou_Yan%27an_Road_02.jpg

Imagem 2 Documento de registro (hukou)” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Hukou_system#/media/File:Hukou_zh.jpg

Imagem 3 Muitos imigrantes rurais partem em busca de trabalhos nas cidades” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Hukou_system#/media/File:Xinhui_%E6%96%B0%E6%9C%83_%E4%B8%AD%E5%BF%83%E5%8D%97%E8%B7%AF_Zhongxin_Nanlu_%E7%94%98%E8%94%97_%E4%B8%89%E8%BC%AA%E8%BB%8A_Tricycle_morning.JPG

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Debate na TV pode influenciar as eleições na Ucrânia

No dia 19 de abril de 2019, próxima sexta-feira, haverá o debate presidencial entre Vladimir Zelenski e Petro Poroshenko, no estádio Olímpico, em Kiev, com capacidade para 70.000 pessoas, dois dias antes do segundo turno das eleições que ocorrerá no dia 21 de abril. Em tom jocoso, o candidato e comediante Zelenski propôs que fosse feito exame antidoping para provar que o futuro presidente da Ucrânia “não será um alcoólatra nem um viciado em drogas”, além de que Yulia Tymoshenko, ex-Primeira-Ministra e candidata colocada em terceiro lugar no primeiro turno, fosse a mediadora. Poroshenko aceitou o desafio do que será o segundo debate da TV ucraniana. O primeiro ocorreu em 2004, entre Viktor Yushchenko (ex-Presidente que fora envenenado com poderosa toxina durante a campanha) e Viktor Yanukovich (ex-Presidente que abandonou o cargo após a onda de protestos conhecida como Euromaidán, em 2014).

Segundo o Instituto de Sociologia de Kiev, 74% da população utiliza a TV como principal meio de informação.  Mas, de acordo com o Instituto Ucraniano para o Futuro, 76% da programação televisiva no país é controlada por quatro oligarcas: Victor Pinchuk, Rinat Akhmetov, Dmytro Firtash e Ihor Kolomoisky. Este último é conhecido por suas ligações com Zelenski, acerca das quais seu rival, Poroshenko, faz acusação de que o candidato é um mero fantoche do bilionário.

Logo do Canal 1 + 1, de propriedade de Ihor Kolomoisky

Basicamente, a TV na Ucrânia se divide claramente entre os canais favoráveis ao presidente Petro Poroshenko, os contrários a ele e os neutros. Na primeira categoria temos o TRK Ukraine, de Akhmetov; o Inter, de Firtash, que é um dos canais mais assistidos no país; além do Canal 5, de propriedade do próprio Poroshenko. Outros como o ZIK veiculam notícias com as versões de aliados de Poroshenko e o Pryamii, que elogia o Presidente e critica com veemência seus adversários, além de mais outros, como o Canal 112 e o NewsOne, que também entram nesta lista. Como oposição ao governo há o “1 + 1”, de Ihor Kolomoisky, que apoia Zelenski, o 24 e a TV Nash, pró-russa. Canais como o ICTVNovyi Kanal e STB têm uma abordagem bastante neutra, abrindo espaço para todos os candidatos.

Na sociedade emerge a questão de saber quem se sairá melhor no segundo turno, se será o ator, conhecido das telas, ou o dono de um canal de mídia com apoio de vários outros canais. O presidente Poroshenko tem conquistas como ter estabilizado a economia e racionalizado a distribuição de gás. Pesquisa realizada em sites como o Foreign Affairs e o Atlantic Councilmostram que ele tem a simpatia e apoio ocidentais. Ressalte-se que ele é o candidato pró-Ocidente, leia-se União Europeia e OTAN, mas cujo governo é acusado de incompetência na execução das reformas propostas e no combate à corrupção. Por outro, apesar de ter vários canais ao seu lado, Poroshenko não tem o mesmo apelo midiático de seu rival.

O candidato melhor colocado no primeiro turno das eleições ucranianas em 31 de março, com 30% dos votos, foi Vladimir Zelenski que não é um político conhecido, tampouco experiente, mas um ator que se notabilizou no seu país pela série “O Servo do Povo”. Nela, o candidato interpretava um professor, “Vasyl Petrovych Holoborodko”, que, indignado com a corrupção em seu país, se lança à disputa para a Presidência, sendo bem-sucedido. Zelenski defende a ideia de plebiscitos, não tem histórico de rusgas com o presidente russo Vladimir Putin, fala fluentemente o russo e busca integração com o Leste. Por isso, ele se torna o candidato favorito do Kremlin.

Com apenas 18% dos votos no primeiro turno, acredita-se Poroshenko não perderia em participar do debate a dois dias do final da eleição, quando se adentra no estágio em que as ações caem na condição de valer tudo ou nada. No caso da exposição pública de Zelenski, esta daria aos eleitores a chance de conhecer, de fato, o homem atrás da personagem.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Logo do Canal 5de propriedade de Petro Poroshenko” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:5_Kanal_(Ukraine)

Imagem 2 Logo do Canal 1 + 1, de propriedade de Ihor Kolomoisky” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:1%2B1logo.png

AMÉRICA LATINACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Relatório do Banco Mundial aponta necessidade de transferência de renda na América Latina

Segundo dados do Anuário Estatístico da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL), relativo ao período 2017-2018, o PIB médio anual regional por habitante a preços correntes de mercado foi de 8.858 dólares (em torno de 34.374,40 reais, de acordo com a cotação de 12 de abril de 2019), com valores similares entre América Latina e Caribe. Por sua vez, o balanço de conta corrente teve um saldo negativo de pouco mais de 88,3 bilhões de dólares, aproximadamente, 342,66 bilhões de reais, conforme a mesma cotação (1,6% do PIB regional).

Em relação à população, atingiu-se pouco mais de 652 milhões de habitantes em 2018, com 80% vivendo em áreas urbanas e uma esperança de vida de quase 76 anos. Por outro lado, desastres geofísicos como terremotos e maremotos, secas, inundações e tormentas são eventos que corroboram negativamente para o crescimento econômico desses países.

Estima-se que a América Latina e o Caribe tenham sofrido 462 desastres de dimensões importantes, levando a óbito mais de 5 mil pessoas e ferindo ou retirando a moradia de 10% do conjunto demográfico, ou seja, mais de 64 milhões de pessoas – cifra equivalente a toda a população da Colômbia e do Equador reunidas.

Tendo estas estatísticas por inspiração, o Banco Mundial lançou, em abril (2019), o relatório “Efeitos dos Ciclos Econômicos nos Indicadores Sociais da América Latina e Caribe: Quando os Sonhos Encontram a Realidade”. Desta forma, apresenta-se como uma de suas principais conclusões a necessidade de se produzirem programas sociais como seguro-desemprego. Assim, segundo o documento, proporcionam-se amortecedores nas épocas de aumento cíclico da pobreza, já que estes mecanismos foram responsáveis por cerca de 35% da queda deste indicador durante o superciclo das commodities.

A análise macroeconômica do Banco Mundial situa que a América do Sul tenha crescido 0,1% em 2018 e deve alcançar apenas 0,4% em 2019. Já a América Central atingiu 2,7% em 2018 e deve expandir para 3,4% em 2019; o Caribe, de 4,0% em 2018, deve desacelerar para 3,2% em 2019.

Além disso, elencam-se como os principais motivos do fraco crescimento da AL: a contração de 2,5% do PIB argentino, a recuperação lenta do Brasil após a grande recessão de 2015 e 2016, o crescimento anêmico no México devido à incerteza política, bem como o colapso econômico da Venezuela. Por fim, reitera-se o impacto previsível da falta de impulso econômico nos indicadores sociais como é o caso do Brasil ao registrar um aumento da pobreza monetária de aproximadamente 3 pontos percentuais entre 2014 e 2017.

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Notas:

* Relatório Anuário Estatístico da CEPAL pode ser conferido neste link, podendo ser descarregado em PDF (em espanhol): https://www.cepal.org/es/publicaciones/44445-anuario-estadistico-america-latina-caribe-2018-statistical-yearbook-latin

** Relatório do Banco Mundial na íntegra neste link (em inglês): “Efeitos dos Ciclos Econômicos nos Indicadores Sociais da América Latina e Caribe: Quando os Sonhos Encontram a Realidade”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Contraste entre as desigualdades no município do Rio de Janeiro”(Fonte – FotoLuiz Gonçalves Martins – ODS 10): https://nacoesunidas.org/cepal-busca-estudos-de-casos-sobre-investimento-em-desenvolvimento-sustentavel-no-brasil/

Imagem 2 Relatório Banco Mundial 2019”(Fonte – Banco Mundial): https://openknowledge.worldbank.org/handle/10986/31483

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

A batalha pelo 5G e a Guerra Fria da tecnologia

Uma constelação de novas tecnologias está sendo gerada para dar suporte à transformação digital que a humanidade está construindo. Atualmente, a competição entre as superpotências pela supremacia tecnológica no ciberespaço está se delineando para ser centrada entre poucos atores, principalmente entre EUA e China, países com poder econômico e dotados de políticas e estratégias nacionais suficientemente alinhadas e robustas para garantir uma infraestrutura crítica nacional, necessária aos investimentos e à capacidade global de fornecer equipamentos e soluções de convergências e de hiperconectividade.

O caminho para as nações inteligentes (Smart Union, termo em inglês) está sendo traçado e vem se consolidando a passos largos. Dentre as tecnologias impactantes para construção de cenários das nações inteligentes, tanto em aplicações civis quanto militares, as soluções de hardware e software estão voltadas em grande parte para algumas áreas centrais: a corrida espacial, a inteligência artificial – IA, a robótica, as redes de telecomunicações, a computação quântica, a segurança cibernética, a automação, bioengenharia, lasers, armas hipersônicas, a internet das coisas e as tecnologias urbanas sustentáveis.

A cibereconomia é a forma mais transparente para o sucesso decisivo da soberania nacional aplicada ao ciberdesenvolvimento e passa necessariamente pela tecnologia 5G sem fio. Os conflitos de interesses internos e externos dos Estados Unidos e da China  pelo domínio e pela consequente busca da liderança global da tecnologia 5G remetem a um campo de batalha e trazem à tona um cenário de Guerra Fria da tecnologia pela proteção e preservação de seus sistemas políticos e nos  projetos de design de suas sociedades e economias. Nesse sentido, é uma nova era de guerra cibernética intensificada.

Os riscos e oportunidades que envolvem  a tecnologia de quinta geração ou 5G é muito mais do que o futuro das telecomunicações globais e estabelecem questões-chaves para os decisores políticos considerarem, pois os gigantes das telecomunicações que operam na América e na China, entre outros países, também operam redes sob o comando do complexo de inteligência militar.

A China deverá atingir cobertura nacional de 5G no ano que vem (2020), com a Huawei, e os EUA, com a AT&T e Verizon, só começam a lançar 5G, cidade por cidade, no final deste ano (2019). A enorme escala de gastos de capital envolvidos na rápida introdução da tecnologia 5G no mercado para desenvolver e produzir o hardware e o software necessários para fornecer as primeiras capacidades de 5G – US$ 325 bilhões até 2025, aproximadamente, 1,26 trilhão de reais, conforme a cotação de 12 de abril de 2019 – é diferente de qualquer outro projeto de infraestrutura. 

Refletindo seu compromisso nacional com esta tecnologia, quase a metade do investimento mundial no seu desenvolvimento e emprego será feita pela China. O mercado 5G da China será maior que o dos EUA e da Europa combinados. Esse esforço é o projeto de infraestrutura global de US $ 1 trilhão da China (aproximadamente, 3,87 trilhões de reais, conforme a cotação de 12 de abril de 2019) para expandir sua presença econômica e apoiar seus interesses em escala global, pois os governantes veem isso como um passo fundamental para se tornar a principal potência econômica do mundo até 2049, o centésimo aniversário da fundação do Estado comunista.

A tecnologia para ecossistemas 5G é um grande negócio para as Forças Armadas em todo o mundo. E, ressalte-se, a guerra híbrida e os ataques cibernéticos são setores importantes no cenário para construção de redes 5G. Durante a comemoração dos 70 anos das Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN, a aliança militar ocidental), os aliados mostraram estar dedicando uma nova atenção a potenciais ameaças de segurança representadas pela China, um desafio para uma aliança cujos membros têm atitudes conflitantes em relação a Pequim.

Muitos países europeus, entre outros aliados dos Estados Unidos, têm abraçado os investimentos chineses. Os EUA vêm chamando atenção dos seus aliados para tais investimentos em infraestrutura na Europa e ao redor do mundo, pressionando para investirem em grande parte em setores críticos em telecomunicações e segurança cibernética em suas políticas e estratégias nacionais, em razão dos temores de que Pequim possa forçar suas companhias a espionar ou interromper sistemas de comunicações.

O presidente dos EUA, Donald Trump, que critica aliados por não gastarem o suficiente com Defesa, reuniu-se com o Secretário Geral da OTAN, Jens Stoltenberg, antes do encontro dos Ministros de Relações Exteriores dos 29 países membros da aliança, que estão em Washington para celebrar o 70º aniversário da Otan. Ele reiterou a Stoltenberg que gostaria de ver os membros da Otan pagar mais de 2% do PIB em Defesa. No ano passado (2018), ele pediu aos líderes da aliança para elevarem os gastos para 4% do PIB. “Para todos os aliados, a China está se tornando um parceiro comercial mais e mais importante. (…). Precisamos encontrar o equilíbrio na preocupação com a força crescente da China, sem criar problemas”, declarou Jens Stoltenberg. Os aliados estão em estágios avançados de avaliação da ameaça representada pela China, especialmente focada na defesa da Europa, e de que forma deverão responder a estas ameaças.

Jens StoltenbergSecretário Geral da OTAN

O avanço do 5G na China está ligado à sua estratégia nacional de fusão militar-civil. Em novembro de 2018, os principais participantes do setor estabeleceram a Aliança da Indústria de Aplicações de Fusão Militar-Civil da 5G Technology, incluindo a ZTE, a China Unicom e a Corporação de Ciência e Indústria Aeroespacial da China (CASIC). 

Esta nova parceria visa fomentar a colaboração e o desenvolvimento militar e civil integrados, promovendo simultaneamente aplicações de defesa e comerciais. Em particular, a CASIC está se concentrando no uso de 5G no setor aeroespacial. 

Poderia haver algumas sinergias notáveis no desenvolvimento do 5G entre esses e outros jogadores notáveis. Por exemplo, o 5G exigirá equipamentos de comunicação especializados, como certas antenas e equipamentos de micro-ondas, questão em que o CETC (China Electronics Technology Group Corporation), um conglomerado de defesa estatal, estabeleceu uma proficiência específica no desenvolvimento.

As possíveis ameaças são muitas. Alguns aliados temem os planos da China para o Ártico, depois que ela se declarou um Estado “quase ártico” no ano passado (2018). Numa questão mais ampla, os EUA e outros países estão preocupados com o aumento da presença militar chinesa no Mar do Sul da China e o aumento da influência de Pequim por meio de seu plano global de infraestrutura, a Iniciativa do Cinturão e da Rota (BRI, a Nova Rota da Seda), embora essas ações recaiam sobre um terreno que vai além da esfera principal de atuação da Otan.

Coreia do Sul, por sua vez, foi o primeiro país a propor, para todo território nacional, redes 5G e celulares compatíveis, dando um grande passo na corrida tecnológica mundial para revolucionar as comunicações. Os aliados também estão atentos a considerações estratégicas, pois diversas iniciativas apontam para os florescentes laços econômicos e militares entre Moscou e Pequim, o que amplia os seus temores sobre as influências e poder da China no cenário internacional.

Nesse sentido, a OTAN avaliou o perigo potencial do 5G e também estabeleceu um processo de seleção para investimentos estrangeiros, além disso, em áreas críticas como o 5G, está tentando criar padrões mínimos para o bloco, visando a identificação e combate a ameaças à segurança. Além disso, as Forças Armadas dos EUA estão planejando experimentos para ver como as tecnologias sem fio 5G poderiam melhorar as comunicações e evitar riscos civis e militares. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Reunidos em Washington DC na quintafeira (4 de abril de 2019), os Ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO acordaram um pacote de medidas para melhorar a consciência situacional da OTAN” (Fonte): https://www.nato.int/cps/en/natohq/news_165253.htm

Imagem 2 “Jens StoltenbergSecretário Geral da OTAN”(Fonte): https://www.nato.int/cps/su/natohq/who_is_who_49999.htm

ÁFRICAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Missão Naval portuguesa em Cabo Verde

Realizada no primeiro trimestre do ano de 2019, a Marinha de Portugal, por meio da atuação da Fragata Álvares Cabral, executou a Missão Mar Aberto no mar territorial de Cabo Verde e dos demais países que se encontram no Golfo da Guiné. Voltada para a segurança naval e capacitação dos contingentes militares dos países receptores da missão, o trabalho desempenhado na região ocorreu consoante o desafio presente na localidade: a atuação ilícita e pirataria.

No que se refere à pirataria e ação de grupos criminosos armados contra navios, foram registrados no período mencionado da missão 32 ataques piratas, assim como roubos e raptos de tripulação. De modo complementar, a Agência Marítima Internacional (IMB, na sigla em inglês para International Maritime Bureau) divulgou em relatório de 2018 o aumento do número mundial de registros de pirataria marítima, sendo a área marítima da África Ocidental o local de maior incidência. A termos comparativos, em 2017 ocorreram 180 casos registrados, enquanto no ano seguinte foram identificados 201 ataques criminosos.

Mapa da África Ocidental

Segundo a perspectiva do Ministro da Defesa português, João Gomes Cravinho, estrategicamente a segurança marítima no continente africano se relaciona com a manutenção do espaço de segurança do continente europeu. Consequentemente, a cooperação militar com os países desta localidade representa uma alternativa para a construção de um espaço seguro para a navegação. Com o arquipélago de Cabo Verde foram desenvolvidos treinamentos conjuntos com as Forças Armadas, capacitação para fiscalização e vigilância marítima com o suporte das polícias judiciária e marítima.

Vista aérea da cidade de Praiaem Cabo Verde

Além de ser uma preocupação a nível global, por questões geoestratégicas, para Cabo Verde o crime marítimo transnacional ameaça a economia do país – haja vista que a mesma é voltada para a exploração das suas capacidades insulares. Os setores portuário, de reparação naval e atividade logística, bem como o turismo e a indústria de transformação pesqueira representam, de acordo com a agência de promoção ao investimento e exportação (Cabo Verde TradeInvest), as potencialidades econômicas e prioridades no setor de investimentos.

Neste mesmo quadro, pode-se compreender que a Segurança do espaço territorial marítimo e a manutenção desta entre os países próximo pode configurar um fator preponderante na atração de investimentos externos e no desenvolvimento econômico do país.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Fragata Álvares Cabral” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/NRP_%C3%81lvares_Cabral_(F331)#/media/File:NRP_Alvares_Cabral_040709-N-8654O-027.jpg

Imagem 2 “Mapa da África Ocidental” (Fonte): https://www.ripleybelieves.com/img/world-facts-2018/which-countries-are-part-of-western-africa.jpg

Imagem 3 Vista aérea da cidade de Praiaem Cabo Verde” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Praia_(Cabo_Verde)#/media/File:Praia_aerial.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Vítima de ataque com agente químico Novichok encontra-se com Embaixador da Rússia no Reino Unido

No dia 7 de abril (2019), o cidadão inglês Charles Rowley realizou uma visita à Embaixada da Rússia no Reino Unido, onde realizou uma reunião com o embaixador russo Alexander Yakovenko. Em julho do ano passado (2018), Rowley e sua namorada, Dawn Sturgess, foram hospitalizados sob a suspeita de terem sido envenenados pelo agente nervoso Novichok, arma química que também foi encontrada em Sergei Skripal, ex-espião russo, e em sua filha Yulia, em março daquele ano.

Em ambos os casos, as autoridades britânicas acusam a Rússia de estar envolvida nos ataques com Novichok. Segundo as investigações conduzidas, dois nacionais russos são suspeitos, já que, por meio de imagens e vídeos, foi observado que eles circularam pela área do envenenamento horas antes dos Skripal serem encontrados inconscientes. Além dessas evidências, o Governo inglês acusou a Federação Russa pelos ataques por conta de o agente Novichok ter sido criado há muitos anos na antiga União Soviética.

A partir desses acontecimentos, Rowley e Yakovenko conduziram uma reunião na qual foram discutidas questões referentes a ambos os ataques e a possibilidade do próprio Rowley encontrar-se pessoalmente com o presidente russo Vladimir Putin para tratar sobre o assunto. As percepções acerca desse encontro entre o Embaixador e a vítima inglesa são ambíguas. Pela mídia russa, a situação foi descrita como bastante informativa e bem amigável; já pelas fontes inglesas, a reunião não trouxe nenhuma informação nova a Rowley, o qual seguiria acreditando que o responsável pelos ataques é a Rússia. Essas duas interpretações sobre a mesma situação demonstram o desgaste diplomático que vem ocorrendo entre os dois países desde março do ano passado (2018).

Em entrevista a um jornal britânico, Rowley afirmou que perguntou ao Embaixador diversas questões acerca dos ataques, como o porquê de os suspeitos russos não terem sido entrevistados pela polícia inglesa. E declarou: “eu não consegui nenhuma resposta, apenas consegui propaganda russa. Eu gostei do Embaixador, mas acredito que muito do que ele disse para justificar a inocência da Rússia foi ridículo. Eu sou grato por o ter conhecido e sinto que descobri coisas que não sabia antes, mas eu ainda acredito que a Rússia realizou o ataque”.

O Relatório Salisbury: Perguntas Não Respondidas

Em contrapartida, Yakovenko apontou que houve muitas perguntas e que ficou feliz em responder todas. Ele destacou o relatório “Salisbury: Perguntas Não Respondidas” que foi entregue a Rowley, documento no qual há cartas e anotações enviadas pela Rússia ao Reino Unido sobre as investigações, portanto, uma visão detalhada da perspectiva russa sobre o que aconteceu com os Skripal.

Além disso, o Embaixador afirmou que “a maioria das perguntas foi relacionada à completa falta de informação do lado dos britânicos. Foi nos perguntado se a Rússia envenenou os Skripal e se a Rússia é o único país capaz de produzir Novichok. Nós fornecemos uma explicação completa sobre este assunto e eu provei a ele mais uma vez que este Novichok pode ser feito em qualquer laboratório europeu, o que aconteceu na República Tcheca e em outros países também”.

Há, portanto, duas visões diferentes acerca do que foi discutido, assim como há discrepâncias entre as autoridades inglesas e russas acerca do comando das investigações e dos resultados encontrados. O que permanece como certo é que a Rússia e o Reino Unido ainda enfrentam dificuldades diplomáticas para compreender e resolver a situação.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Charles Rowleyseu irmão Matthew Rowley e o Embaixador Russo para o Reino Unido, Alexander Yakovenko” (Fonte): https://www.rusemb.org.uk/data/img/activity/747_7b.jpg

Imagem 2 “O Relatório Salisbury: Perguntas Não Respondidas” (Fonte): https://www.rusemb.org.uk/data/img/activity/747_8b.jpg