ENERGIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

A Dinamarca aumenta o consumo de biogás

A Dinamarca é considerada um dos maiores produtores de energia verde do mundo. O Estado é conhecido pelos investimentos em energia eólica, com a construção de usinas ao longo de sua costa. Todavia, o setor de biogás tem tido amplo crescimento no país escandinavo, que é um dos únicos a distribuí-lo pela rede convencional de gás natural.

O biogás é uma substância feita a partir do aquecimento em tanque de resíduos orgânicos e esterco de animais. O uso desta simples fonte energética já é o suficiente para ajudar na diminuição dos índices de gás carbônico (CO2) e contribui para propagação da sustentabilidade.

Usina de biogás

Em julho deste ano (2018), o seu consumo entre os dinamarqueses foi de 18,6% de todo o gás utilizado no país. O dado pode parecer pequeno, mas representa um salto equivalente a 50% de consumo em relação a 2017. Com esse ritmo, a Dinamarca tende a alcançar rapidamente a meta de inserção do biogás até 2030.

O Jornal Copenhaguen Post destacou as palavras do Chefe regional da Energinet*, Jeppe Danø, sobre o assunto: “O biogás é o começo da transição verde maciça no sistema de gás e todo o setor de energia que pusemos em movimento, e a quantidade de biogás aumentará nos próximos anos até 2030, quando outros tipos de gás entrarão. É importante, já que estamos enfrentando uma enorme transição em nosso sistema de energia: uma transição para encontrar um sistema que emite uma quantidade líquida de zero CO2 em 2050”.

Os analistas compreendem que a transição para o biogás como matriz energética é um passo fundamental para a independência em relação aos hidrocarbonetos, e veem a medida com ânimo, frente ao desafio de estimular modelos baratos de energia sustentável no mundo.

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Nota:

* Energinet: é o operador nacional dos sistemas de transmissão de eletricidade e gás natural da Dinamarca.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa da Dinamarca” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/3d/Denmark_-_Location_Map_%282013%29_-_DNK_-_UNOCHA.svg/1024px-Denmark_-_Location_Map_%282013%29_-_DNK_-_UNOCHA.svg.png

Imagem 2 Usina de biogás” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/02/Biogas_plant_sketch.jpg

ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Após anúncio de privatizações, Angola busca auxílio financeiro do FMI

Em meio às reformas econômicas propostas pelo governo de João Lourenço, a reestruturação da Sonangol desponta como uma das principais medidas estratégicas. Acima de tudo, a centralidade da empresa na economia angolana, tendo em vista a crucialidade do petróleo na pauta de exportações do país, opera como fator explicativo ao protagonismo ocupado pela corporação no conjunto das reformas implementadas.

Para Archer Mangueira, Sonangol deve priorizar atividades no setor de exploração e produção de petróleo somente

A exoneração de Isabel dos Santos – medida tomada por Lourenço logo nas primeiras semanas de posse – foi um dos primeiros passos tomados pelo atual Presidente na direção de aumentar a transparência quanto à gestão empresarial. Da mesma forma, como discutido neste jornal há algumas semanas, uma das medidas mais recentes neste sentido foi a criação de uma agência reguladora ao setor, tirando da Sonangol o dever de deliberar sobre a concessão e exploração de campos de petróleo, aumentando com isso a atratividade das operações locais à iniciativa estrangeira.

Na mesma direção, a equipe econômica do Governo anunciou, na semana passada, que 54 concessionárias da Sonangol serão privatizadas, com o intuito de aumentar a participação do capital privado no setor nacional de hidrocarbonetos, bem como de reduzir a estrutura de custos da companhia. Segundo os formuladores da política, a corporação possui um conjunto de gastos extremamente elevado, o qual constrange a margem de lucratividade e a viabilidade econômica do empreendimento, principalmente tendo em vista o acentuado processo de redução dos preços internacionais do petróleo.

A reestruturação da Sonangol passa pela redução da sua exposição aos negócios não nucleares, que define claramente a separação das linhas de negócio do grupo, devendo focar a ação nas atividades do setor petrolífero, pesquisa, produção, refinação e distribuição”, afirmou Archer Mangueira, Ministro das Finanças de Angola. A privatização segue o padrão adotado pelo Governo desde o ano passado (2017), dado que, desde então, uma série de empreendimentos controlados pela empresa em outros setores foram privatizados.

Este anúncio foi acompanhado de um pedido, por parte do Estado angolano, de auxílio financeiro de mais de 4,5 bilhões de dólares ao Fundo Monetário Internacional (FMI). O país tem intensificado as suas relações estratégicas com as principais instituições financeiras globais, com vistas não somente a captar recursos externos mediante a escassez de divisas após o choque externo no preço do petróleo, mas também para aumentar a confiança de investidores internacionais quanto ao desenho da política econômica nacional.

O FMI confirmou o pedido de auxílio por parte do Governo angolano, afirmando que este se deu com o intuito de angariar recursos para implementar o ajuste fiscal desejado por Lourenço e por sua equipe, bem como para dar continuidade às reformas econômicas que visam consolidar um ambiente de negócios propício ao florescimento de setores industriais. Segundo a instituição financeira, o auxílio está sendo discutido e avaliado pela equipe, com possibilidade de implementação em parcelas de 1,5 bilhão de dólares por ano.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 No centro da crise econômica angolana, a Sonangol tem sido reformada pelo presidente João Lourenço e sua equipe econômica” (Fonte):

https://www.makaangola.org/2018/06/para-onde-vai-a-sonangol/

Imagem 2 Para Archer Mangueira, Sonangol deve priorizar atividades no setor de exploração e produção de petróleo somente” (Fonte):

http://www.redeangola.info/ministerio-das-financas-recebe-o-quarto-inquilino-em-oito-anos/

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Líder da autoproclamada República Popular de Donetsk é assassinado

A República Popular de Donetsk (RPD) é uma região separatista da Ucrânia que proclamou sua independência em 7 de abril de 2014 e deseja unir-se à Federação Russa, sendo, portanto, um dos movimentos pró-russo no território ucraniano. Desde então, a RPD passou organizar-se de forma autônoma, elegendo seus líderes e montando um governo próprio. Nesse cenário, Alexander Zakharchenko ocupou os cargos de Presidente e de Primeiro-Ministro da recém autoproclamada República, entre novembro de 2014 até o final de agosto de 2018. 

No dia 31, sexta-feira da semana passada, Zakharchenko foi vítima de um ataque por bomba enquanto frequentava um café na Pushkin Boulevard, em Donetsk. O líder morreu no local e as circunstâncias do ataque estão sendo consideradas bastante nebulosas. Os suspeitos por terem implantado a bomba no restaurante foram detidos, mas a identidade deles permanece sob sigilo, portanto, não há informação sobre as nacionalidades ou os motivos por trás de tal ataque. Diante desse cenário, as disputas entre Ucrânia e Rússia se reacenderam.

A localização da região de Donetsk na Ucrânia

O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU, sigla em ucraniano, derivada de Sluzhba Bezpeky Ukrayiny) apresentou duas versões opostas para explicar o atentado à Zakharchenko. O chefe da SBU, Igor Guskov, declarou que “há razões para acreditar que a morte de Zakharchenko pode ser o resultado de uma luta interna entre os militantes, principalmente devido à redistribuição de interesses comerciais. No entanto, também não excluímos a possibilidade de que foi uma tentativa dos serviços de inteligência russos de remover uma figura antipática, que, de acordo com informações, tornou-se supérflua e incomodava os russos”.

Por outro lado, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia aponta que “há todas as razões para acreditar que o regime de Kiev, que usou meios semelhantes para eliminar pessoas indesejadas que têm visões divergentes mais de uma vez, está por trás de seu assassinato”. Moscou, então, acusa a Ucrânia de estar incitando um cenário terrorista para complicar a situação regional, ao invés de cumprir com o Protocolo de Minsk*. Em vista disso, o Comitê Investigativo da Federação Russa abriu uma investigação criminal do ocorrido, visto que há suspeitas de um ato de terrorismo internacional. O Governo russo, portanto, está oferecendo ajuda a Donetsk para apurar o caso.

O presidente Vladimir Putin manifestou-se sobre o caso e declarou o seguinte: “O assassinato desprezível de Alexander Zakharchenko mostra mais uma vez que aqueles que escolheram o caminho do terror, violência e intimidação não querem buscar uma solução política pacífica para o conflito, não querem conduzir um diálogo real com as pessoas no sudeste [Ucrânia]. Em vez disso, eles apostam em desestabilizar a situação e colocar o povo de Donbas** de joelhos, mas eles não serão capazes de fazer isso”.

Desta forma, Ucrânia e Rússia continuam com suas relações bastante estremecidas, com ambas se acusando sobre o ocorrido. Enquanto Kiev afirma sua inocência e indica suas suspeitas, Moscou aponta que foi um ato terrorista provocativo do Governo ucraniano, algo que vem levando os observadores a acreditar que esta situação aumentará as tensões da região, comprometendo o Protocolo de Minsk.

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Notas:

* O Protocolo de Minsk foi assinado em setembro de 2014 pelos líderes da Ucrânia, da Rússia, da República Popular de Donetsk e da República Popular de Lugansk com o objetivo de pôr fim à guerra no leste da Ucrânia.

** Donbas é uma região do extremo leste da Ucrânia, tendo Donetsk como a capital não-oficial da região.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Alexander Zakharchenko, Presidente e PrimeiroMinistro da autoproclamada República Popular de Donetsk, entre 4 de novembro de 2014 e 31 de agosto de 2018” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:2014-12-27._%D0%94%D0%B5%D0%BD%D1%8C_%D1%81%D0%BF%D0%B0%D1%81%D0%B0%D1%82%D0%B5%D0%BB%D1%8F_%D0%B2_%D0%94%D0%BE%D0%BD%D0%B5%D1%86%D0%BA%D0%B5_085.JPG

Imagem 2A localização da região de Donetsk na Ucrânia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/6a/Donetsk-Ukraine-map.png/800px-Donetsk-Ukraine-map.png

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Ministro das Finanças do Irã é impichado pelo Parlamento

No dia 26 de agosto de 2018, o Ministro das Finanças do Irã, Masoud Karbasian, sofreu processo de impeachment* pelo Parlamento, sob a acusação de desvalorização da moeda nacional (Rial iraniano) e pelo agravamento da situação econômica do país. Com 137 votos contra e 121 a favor de sua permanência, Karbasian retirou-se do cargo, concedendo-o a Ali Tayebnia. O novo Ministro das Finanças é descrito por diversas fontes periódicas como um acadêmico de pensamento reformista. Além do mais, ele já fez parte da equipe ministerial do presidente Hassan Rouhani durante os seus quatro primeiros anos de governo.

Após a acusação de 33 membros do Legislativo contra Karbasian, o processo de Impedimento prolongou-se por 10 dias, durante o qual o ex-Ministro foi submetido a diversos questionamentos sobre sua gestão econômica e financeira do país e sobre a alegada incapacidade de criação e implementação de políticas.

Ex-Ministro das Finanças, Masoud Karbasian

A administração Rouhani tem enfrentado múltiplos protestos contra a corrupção, em favor à liberdade feminina e, principalmente, sobre o agravamento da economia persa posteriormente a retirada dos Estados Unidos do acordo nuclear iraniano e da reimposição de sanções ao país. Somado a isso, a incerteza gerada em empresas europeias, asiáticas e do Oriente Médio instaladas no Irã tem como consequência o abandono das suas plantas fabris.

As sanções estadunidenses foram dividas em dois momentos. O primeiro pacote teve início no dia 6 de agosto, pelo qual, de acordo com documento do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, o Irã está sendo impedido de:

  1. Comprar ou adquirir dólar americano;
  2. Comercializar ouro e outros metais preciosos;
  3. Vender, fornecer ou comercializar metais como alumínio ou aço, bem como grafite, carvão e determinados softwares para integração de processos industriais;
  4. Vender ou comprar significativas quantidades de Rial iraniano, ou realizar manutenção de fundos ou contas fora do país utilizando Rial;
  5. Emitir dívida iraniana;

Além disso, todo setor automotivo foi sancionado. Já o segundo pacote entrará em vigor no dia 5 de novembro com a adição de outros seis impedimentos ao país.

Atual Ministro das Finanças, Ali Tayebnia

Desde que o anúncio foi realizado pelo presidente dos Estados Unidos, cerca de 200 empresas ocidentais que estavam registradas, e tentavam realizar atividades no Irã durante 2018, agora estão deixando o país. Adicionalmente, após o dia 6 de agosto, o valor do Rial iraniano (IRR) em relação ao dólar americano (USD) aumentou aproximadamente 30% entre os meses de abril e agosto. Enquanto que no dia 10 de abril, 1 dólar americano (USD) equivalia a 37.499,00 riais (IRR), no dia 9 de agosto 1 dólar americano (USD) passou a equivaler 48.906,00 riais (IRR).

Como consequência, a inflação elevou-se. Se no mês de abril (2018) a inflação estava por volta dos 7,9%, o mês de julho foi encerrado com 18% de inflação anual. Já a taxa de desemprego nacional subiu para 12,5% e entre os jovens elevou-se para 25%

Como resultado destes e de outros fatores, Ali Tayebnia assume o Ministério das Finanças com o papel de reverter o processo econômico interno enfrentado pelo Irã e recuperar a satisfação popular.

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Nota:

* Por lei, o Parlamento iraniano, também conhecido como Majlis, tem o poder de decisão sobre o impedimento do exercício de cargo do Presidente e de seus Ministros. A nomeação dos Ministros é de responsabilidade do Presidente, no entanto, o Parlamento aceita ou rejeita o indivíduo indicado. Adicionalmente, o Presidente e/ou os membros do Parlamento têm o poder de enviar uma carta ao Legislativo solicitando o impedimento de algum Ministro.

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Fontes Consultadas:

Imagem 1Parlamento iraniano, conhecido como Majlis” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Parlamento_do_Ir%C3%A3#/media/File:Iranian_Majlis.jpg

Imagem 2ExMinistro das Finanças, Masoud Karbasian” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Masoud_Karbasian#/media/File:Masoud_Karbasian_2018.jpg

Imagem 3Atual Ministro das Finanças, Ali Tayebnia” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Ali_Tayebnia#/media/File:Ali_Tayebnia_speaking_at_Conference_of_Monetary_policy_and_Currency_(cropped).jpg

ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

Pesquisas estudam competição internacional de empresas de material esportivo

Um estudo com dados dos últimos 16 anos, recentemente publicado pela Sports Value, analisou o desempenho econômico, desenvolvimento de marca e market share das maiores empresas de material esportivo do mundo, e como estas se comportam em um cenário de competição cada vez mais globalizado.

Fábrica da Adidas em Herzogenaurach (Alemanha)

Para entender melhor o impacto destas corporações no mercado, foi constatado, em âmbito geral, que o faturamento no setor de varejo esportivo em 2017 foi de US$ 260 bilhões, dos quais US$ 82 bilhões – ou seja, mais de 30% – são pertinentes às vendas de material e equipamento esportivo. O maior mercado consumidor de tais produtos concentra-se nos Estados Unidos e na Europa, somando expressivos 75%, enquanto o consumo latino-americano agrega em apenas 6% do total.

O ranking de posicionamento competitivo das marcas é atualmente liderado pela norte-americana Nike, a qual apresentou um faturamento no ano passado (2017) de US$ 34,4 bilhões. Na sequência vem a alemã Adidas – que já chegou a figurar como primeiro lugar desta lista – com US$ 24 bilhões, seguida de Under Armour (US$ 5 bilhões), deixando a Puma com o quarto lugar, ao faturar US$ 4,7 bilhões. Juntas, estas empresas somam US$ 68 bilhões, ou 83% do mercado internacional.

Fábrica da Adidas em Herzogenaurach (Alemanha)

Atribui-se a este sucesso o investimento agressivo em marketing esportivo, por meio de patrocínio a atletas/clubes, eventos e competições. Com o objetivo de reforçar o valor de sua marca no mercado, a Nike investiu US$ 3,3 bilhões, a Adidas US$ 3,1 bilhões, a Under Armour e a Puma US$ 0,6 bilhões cada com propaganda em 2017. No quesito lucro líquido, a Nike abre ampla vantagem frente às concorrentes ao atingir US$ 4,2 bilhões, enquanto as demais somaram apenas US$ 1,3 bilhões.

Deste panorama setorial bilionário, pode-se inferir que as estratégias comerciais e publicitárias das grandes empresas internacionais de material esportivo mencionadas as garantem em um posicionamento mercadológico de destaque perante os demais concorrentes locais, cujas verbas de gestão em marketing nem se aproximam destes números apresentados no estudo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Sede mundial da Nike em Beaverton, Oregon (EUA)” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/35/Nikeworldheadquarters.jpg

Imagem 2 “Fábrica da Adidas em Herzogenaurach (Alemanha)” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/06/Adidas-factory-outlet-Herzogenaurach.jpg

Imagem 3 “Fábrica da Puma em Herzogenaurach (Alemanha)” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a7/Zeppelinstra%C3%9Fe_2_Herzogenaurach_03.JPG

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

EUA e Canadá prolongam as negociações do novo NAFTA

Quatro dias de intensas negociações não foram suficientes. Os Estados Unidos e o Canadá fracassaram nesta última sexta-feira (dia 31 de agosto) na tentativa de chegar a um acerto para substituir o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), devido às grandes diferenças no setor lácteo. Os capítulos sobre resolução de disputas entre Estados e empresas, que tornaram a assinatura do NAFTA tão difícil na atualidade, em 1994 também trouxeram importantes bolhas nesta fase final das negociações.

Comércio de mercadorias entre EUA e México entre 1992-2015

As conversações continuarão na próxima quarta-feira (dia 5 de setembro). Porém, a Casa Branca já iniciou seus trabalhos. Notificou seu Congresso sobre o acordo bilateral fechado com o México na última segunda-feira (dia 21 de agosto) e espera fechar acordo com o Canadá.

As razões e os incentivos para fechar o pacto estavam lá desde o primeiro dia da negociação, 13 meses atrás, e nos últimos dias elas não pararam de crescer. O representante do Comércio Exterior e chefe da negociação do lado americano, Robert Lighthizer, descreveu como “construtivo” o diálogo dos últimos dias, mas não foi suficiente, e as conversas que deveriam levar a acrescentar o Canadá ao acordo anunciado no início desta semana por EUA e México deram errado no momento crucial. Trump havia definido a última sexta-feira (dia 31 de agosto) como o limite para chegar a um acerto: era a única maneira de aproveitar o mandato do ainda Chefe de Estado e Governo do México, Enrique Peña Nieto, que expira em 30 de novembro.

Queremos um bom acordo, não apenas um acordo”, disse a Ministra do Exterior do Canadá, Chrystia Freeland, após deixar a sede do representante de Comércio Exterior dos EUA. Chanceler e mão direita de Trudeau no processo, ela admitiu que ainda existe “dificuldade” de chegar à uma solução “vencedora” para todas as partes, “mas com boa vontade e flexibilidade de todos, podemos chegar lá”. Como fez durante toda a negociação, Freeland deixou claro na sexta-feira (dia 31 de agosto) que sua missão era “proteger os interesses e valores” do país que ele representa. “Nós sabemos o que cada um quer”, disse ela.

Já o posicionamento mexicano tem sido diferente. “A notificação enviada pelos Estados Unidos (ao seu Legislativo) representa um passo adiante na formalização dos entendimentos alcançados entre o México e os Estados Unidos em relação ao TLC”, disseram as autoridades mexicanas em um breve comunicado. “As negociações bilaterais entre os EUA e o Canadá continuarão na próxima semana, o governo mexicano continuará a acompanhar as negociações entre os dois países, o México participará da negociação das questões trilaterais, enquanto continua a promover um acordo de que o Canadá será parte”.

O governo mexicano necessita muito mais de um acordo com os Estados Unidos do que o Canadá. Praticamente um terço de seu PIB depende de seu vizinho do Norte, seja para exportações ou para investimentos, fato que deu lugar a questões delicadas para Trump, a fim de alcançar o cobiçado pacto. O novo regulamento da indústria automotiva, por exemplo, tido como o mais importante no país latino-americano, será mais rigoroso quando o novo texto entrar em vigor. Trudeau e sua equipe, por outro lado, resistem. Apesar de Washington ser muito importante para sua economia, eles não querem um mau acordo para hipotecar parte de seu crescimento, mesmo porque a pressão dos mercados monetários e a dívida de Ottawa é notoriamente mais baixa que no país latino-americano.

Embora a negociação tenha levado o México a aceitar as mudanças acima mencionadas nas regras para a produção de automóveis que, em princípio, protegerão os empregos nos EUA, alguns legisladores não estão totalmente convencidos das conquistas no campo dos direitos trabalhistas. Há também alguma insatisfação entre as empresas com o enfraquecimento do mecanismo de resolução de disputas. “O Congresso é o árbitro”, insiste a Casa Branca.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Países membros do NAFTA” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_Norte-Americano_de_Livre_Com%C3%A9rcio

Imagem 2Comércio de mercadorias entre EUA e México entre 19922015” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/NAFTA%27s_effect_on_United_States_employment