ENERGIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

A dependência energética da Ucrânia

A Ucrânia está entre os maiores consumidores de energia do continente europeu e com um nível mediano de consumo per capita em termos mundiais. Poucos países são tão dependentes de combustível estrangeiro quanto a Ucrânia. Esta realidade forçou o país, desde o Euromaidan*, em 2014, a diversificar o rol de fornecedores, ao ponto de se tornar independente da importação de gás russo. Por outro lado, as importações de diesel da Rússia aumentaram no país, respondendo por ¼ do consumo ucraniano, em que pese o embargo aos seus produtos entre outubro de 2015 e março de 2016. Hoje, metade de seu mercado é abastecido pela Bielorrússia. No total, 85% dos produtos petrolíferos é importado, o que revela a elevada dependência externa dessas commodities.

O setor petrolífero ucraniano sofre a defasagem atual após anos de falta de investimentos, o que sucateou a sua capacidade de refino. A questão vai além do mero cálculo econômico. Na última década surgiu um mercado concorrencial na distribuição de combustíveis, mas que depende, basicamente, de uma empresa, a Proton Energy Group S/A, sediada em Genebra, na Suíça, que leva ao país o diesel russo produzido pela Rosneft

Além dos hidrocarbonetos, a Ucrânia é altamente dependente da energia nuclear (15 reatores geram cerca de metade da eletricidade). A maior parte de seus serviços nucleares e combustível derivado provém da Rússia (apesar da redução desta dependência através de compras da Westinghouse). Em 2004, encomendou dois novos reatores e o governo planeja manter a participação nuclear na produção até 2030, daí seu interesse em investimentos e tecnologia ocidentais.

Em 2013, o consumo energético, segundo a matriz destacada, foi distribuído da seguinte forma:

·               Combustível fóssil sólido (carvão), 36%;

·               Gás natural, 34%;

·               Nuclear, 19%;

·               Derivados de petróleo, 9%;

·               Renováveis (hidroelétrica, solar, eólica, biomassa), 2%.

As reservas de carvão ucranianas estão entre as sete maiores do mundo e a maior parte dessas jazidas é localizada na bacia de Donbass, atualmente em conflito. Em 2010, a Ucrânia foi o 13º maior minerador de carvão do mundo e, em 2011, o volume de carvão-vapor (destinado à geração de eletricidade) alcançou 62% da produção total.

O mercado de distribuição e venda de eletricidade no país é altamente concentrado, as empresas nesta área são monopólios naturais** e,em alguns casos, parcialmente controlados pelo Estado, que, na maioria deles, é um sócio minoritário. Grandes empreendedores são proprietários dessas empresas, por vezes não diretamente, mas através de empresas a que são filiados. Muitas dessas corporações são registradas no exterior, como estratégia de evasão fiscal***.

Plataforma de perfuração da Chornomornaftogaz

Outra importante variável a ser considerada quando se fala em produção energética na Ucrânia é a geopolítica. A Rússia tenta impedir a exploração de hidrocarbonetos na plataforma continental**** ucraniana no Mar Negro. As plataformas de perfuração da empresa estatal Chornomornaftogaz, uma subsidiária da Naftogaz, foram capturadas pelas Forças Especiais Russas em março de 2014 durante uma operação na Crimeia. A infraestrutura marítima civil instalada contempla sistemas de vigilância para ambientes superficiais e subaquáticos nas plataformas offshore fixas. Seu uso híbrido, civil e militar, prevê a estratégia de contenção para possíveis ações futuras da OTAN. Seguindo esta configuração, os gasodutos de Nord Stream, Nord Stream II e TurkStream nos mares Báltico e Negro também contarão com o aumento da presença da Marinha Russa, justificada pelo argumento da necessidade adicional de proteção.

A Ucrânia é o maior país integralmente localizado no continente europeu, riquíssimo em recursos minerais, solos férteis e com grandes possibilidades de aumentar seu parque energético. No entanto, a sustentabilidade de suas obras e infraestrutura não depende apenas do aporte econômico ou vontade política, mas, também, de um plano geopolítico de longo prazo para evitar a perda de recursos para potências que estão contrapostas ao país. Neste sentido, o consenso em temas cruciais é o primeiro passo para seu Parlamento, que já começa a ser renovado, tão logo ocorram as eleições marcadas para o dia 21 de julho.

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Notas:

* Euromaidan significa, literalmente, “Europraça”, referindo-se a uma série de manifestações de cunho nacionalista, anti-russa e pró-União Europeia, que durou quatro meses, entre novembro de 2013 e março de 2014.

** Monopólio natural corresponde ao monopólio de uma indústria onde os custos fixos, de infraestrutura, são tão altos que praticamente barram a entrada de um competidor no mercado, tornando único seu fornecedor original.

*** Evasão fiscal é quando o contribuinte deixa de recolher impostos ou o órgão arrecadador, por algum motivo, não consegue arrecadá-los. No caso específico, uma empresa instala sua sede em um país que lhe fornece vantagens fiscais, isto é, menos impostos.

**** Plataforma continental corresponde à formação geológica submarina que se estende do litoral do continente até o talude continental, quando começa o declive mais acentuado. Ela apresenta profundidade média de 200 metros e sua importância estratégica e econômica está na maior predisposição à formação de jazidas petrolíferas e de gás natural.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Usina Nuclear de Rivne,Varash” (Fonte): https://uk.wikipedia.org/wiki/%D0%90%D1%82%D0%BE%D0%BC%D0%BD%D0%B0_%D0%B5%D0%BB%D0%B5%D0%BA%D1%82%D1%80%D0%BE%D1%81%D1%82%D0%B0%D0%BD%D1%86%D1%96%D1%8F

Imagem 2 Plataforma de perfuração da Chornomornaftogaz” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:%D0%9F%D0%BB%D0%B0%D1%82%D1%84%D0%BE%D1%80%D0%BC%D0%B0_-2%D0%A1%D0%9F%D0%91%D0%A3_-_panoramio.jpg

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HBO, Chernobyl e Rússia: a questão histórica sobre o desastre nuclear

Em 26 de abril de 1986, o pior acidente da história da geração de energia nuclear ocorreu na usina de Chernobyl, alocada no assentamento de Pripyat, cidade localizada a pouco mais de 100 quilômetros ao norte de Kiev, capital da, na época, República Socialista Soviética da Ucrânia. 

Imagem aérea do reator nuclear acidentado

De acordo com investigações técnicas posteriores ao acidente, foram levantadas as causas desse desastre, quando foi apurado que o reator RBMK* número quatro saiu de controle durante um teste de baixa potência. Segundo informações da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA – International Atomic Energy Agency), as medidas de segurança foram ignoradas, o que levou ao superaquecimento do reator e ao vazamento do combustível de urânio através das barreiras protetoras, ocasionando, assim, uma grande explosão.

Cerca de 150.000 quilômetros quadrados na Bielorrússia, Rússia e Ucrânia foram contaminados com partículas de elementos radioativos que foram espalhados pelas correntes de ar, dos quais, a maioria deles teve seus efeitos reduzidos por sua curta “vida útil”, mas, os mais perigosos, tais como Estrôncio-90 e Césio-137 (metais alcalino-terrosos representados na Tabela Periódica pelos símbolos Sr e Cs, respectivamente) terão seus efeitos prolongados por décadas, talvez séculos, conforme apontam especialistas. Desde o acidente, uma área que abrange o raio de 30 quilômetros ao redor da planta, hoje desativada, é considerada “zona de exclusão” e é essencialmente desabitada por motivos óbvios de segurança.

Logotipo da HBO

Após 33 anos da tragédia, o canal de televisão HBO** revive os momentos trágicos do acidente numa série televisiva nomeada “Chernobyl[Vídeo 1], retratada em cinco episódios, onde apresenta de uma maneira teatral, mas baseada em detalhes factuais[Vídeo 2], o decorrer dos acontecimentos desde a hora fatídica da explosão, passando por todo o processo de atendimento dos bombeiros que colocaram suas vidas em risco para conter o incêndio radioativo e as manobras de evacuação geral das áreas em torno da planta. Outro ponto que marca a produção televisiva é a exposição da trama política por trás do evento, expondo o comportamento do Governo soviético para tentar minimizar a situação.

Sarcófago da Usina Nuclear de Chernobil

Entre críticas e elogios, a dramatização deixa claro a enorme movimentação humana que se realizou para conter a propagação dos efeitos da radiação. Os trabalhadores de emergência, na época denominados de “liquidatários”, foram recrutados para a área e ajudaram a limpar as instalações da fábrica e a região circundante. Estes indivíduos eram principalmente trabalhadores da planta, bombeiros ucranianos, soldados e mineiros da Rússia, Bielorrússia, Ucrânia e outras partes da antiga União Soviética.

O número exato de liquidatários é desconhecido porque não há registros completamente precisos das pessoas envolvidas na limpeza. Segundo informações de órgãos internacionais, entre 400 mil e 600 mil liquidatários foram recrutados para trabalharem em descontaminação e grandes projetos de construção, incluindo o estabelecimento de assentamentos e cidades para trabalhadores de plantas e evacuados. Eles também construíram repositórios de resíduos, barragens, sistemas de filtração de água e o “sarcófago”, que sepulta todo o quarto reator para conter o material radioativo remanescente.

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Notas:

* RBMK é um acrônimo em russo, que significa Reaktor Bolshoy Moshchnosty Kanalnyy (Reator Canalizado de Alta Potência) sendo um reator nuclear de canais pressurizados, refrigerado à água ordinária, com canaletas individuais de combustível passando por dentro de blocos de grafite que, além de moderador, atua como elemento estrutural do núcleo. Tais projetos de reator nuclear, juntamente com os reatores VVER são um dos dois projetos principais a emergir na extinta União Soviética, e ainda são fundamentais para geração de nucloeletricidade na Rússia moderna, que é o único país a operar estes reatores, com um total de 11 ainda em ampla operação.

** HBO é a sigla para Home Box Office. Trata-se de um canal de televisão pay-per-view (por assinatura) norte-americano.

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Vídeos:

Vídeo 1 – Trailler da série televisiva “Chernobyl” do canal HBO. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=s9APLXM9Ei8

Vídeo 2 – Comparação da dramatização televisiva com vídeos reais documentados à época do acidente. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?time_continue=1&v=P9GQtvUKtHA

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Cena o filme Chernobyl do canal HBO” (Fonte): https://i.ytimg.com/vi/s9APLXM9Ei8/maxresdefault.jpg

Imagem 2 Imagem aérea do reator nuclear acidentado” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Acidente_nuclear_de_Chernobil#/media/Ficheiro:Chernobyl_Disaster.jpg

Imagem 3 Logotipo da HBO” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/File:HBO_logo_1975.png

Imagem 4 Sarcófago da Usina Nuclear de Chernobil” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Sarcófago_da_Usina_Nuclear_de_Chernobil#/media/Ficheiro:New_Safe_Confinement_Structure.jpg

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Pequim declara que o porta-aviões Liaoning não atua em disputas territoriais

Pequim afirmou que o aparecimento de um porta-aviões chinês no Mar do Leste da China, na terça-feira (11 de junho de 2019), não tinha relação com as disputas territoriais na região, mas era parte de um treinamento de rotina. O Liaoning, o único porta-aviões totalmente operacional do país, e vários outros navios foram vistos pelas Forças de Autodefesa do Japão seguindo em direção ao Oceano Pacífico, através do Estreito de Miyako, que separa as ilhas japonesas Miyako e Okinawa, informou o jornal South China Morning Post.

O governo chinês apontou que se tratava de uma missão de rotina que estava sendo conduzida de acordo com o Direito Internacional, e pediu que as outras nações respeitem o direito de passagem das embarcações chinesas. Além disso, relembrou que as operações do Liaoning cobrem as quatro áreas de proteção do tráfego marítimo: a diplomacia naval, a dissuasão regional, a ajuda humanitária e as missões de resgate.

A sua missão no Pacífico envolvia pelo menos cinco outras embarcações, dois destroieres dotados de mísseis teleguiados, duas fragatas e um navio de suprimentos, de acordo com as fotografias liberadas pelo Ministério da Defesa do Japão. A presença do navio de apoio de combate Tipo 901 Hulun Lake, de 45 mil toneladas, sugere que o Liaoning estava indo em direção ao alto-mar, e é a primeira vez que uma embarcação desse tipo participa de uma das missões do porta-aviões.

Localização do Estreito de Miyako, entre as ilhas Miyako e Okinawa

O especialista naval, Li Jie, aponta: “Nós vamos ver o quão longe eles vão, [mas]…o principal propósito de um porta-aviões é que ele possa operar em alto-mar”.O apoio de um navio de suprimentos permitiria que o Liaoning viajasse 10 mil milhas náuticas ou conduzisse milhares de horas de operações, algo essencial nessas missões, segundo Li.

O exercício do porta-aviões no Pacífico é o primeiro desde que passou por um amplo programa de manutenção no início de 2018. Os 300 quilômetros de largura do Estreito de Miyako são a rota mais conveniente para que a Marinha e a Força Aérea da China acessem o Pacífico Ocidental.

Na avaliação de Li: “O Estreito de Miyako é largo o suficiente e as condições marítimas são geralmente estáveis. As missões de treinamento no Pacífico vão se tornar rotina e outros porta-aviões chineses provavelmente também vão usar essa rota”.

O Mar do Leste da China é considerado uma região geopoliticamente sensível por Pequim e por Tóquio devido à disputa entre as duas nações pelas ilhas Diaoyu/Senkaku, que ocorre desde 1970, pois a área das ilhas é rica em petróleo e gás natural. Dessa forma, a movimentação de embarcações militares chinesas ou japonesas na região é motivo de desconforto para ambos os lados. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Portaaviões Liaoning na Baía de Hong Kong (2017)” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Chinese_aircraft_carrier_Liaoning#/media/File:Aircraft_Carrier_Liaoning_CV-16.jpg

Imagem 2 Localização do Estreito de Miyako, entre as ilhas Miyako e Okinawa” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Miyako_Strait#/media/File:Location_of_the_Ryukyu_Islands.JPG

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Cabo Verde e o desafio do tráfico internacional de drogas

No mês em que se assinala o dia de Campanha Internacional contra o abuso e tráfico de drogas ilícitas (dia 26 de junho), o debate acerca desta temática adquire maior ênfase. A produção de entorpecentes e a distribuição transnacional destes produtos são desafios que permeiam as populações, e que atuam de forma desafiadora para a gestão de segurança fronteiriça e também na área da saúde pública.

Mais especificamente, no que se refere a cocaína, de acordo como o Relatório Mundial sobre Drogas de 2018 desenvolvido pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, sigla em inglês para United Nations Office on Drugs and Crime), a sua produção ocorre majoritariamente na América do Sul, e os Estados destinatários são comumente na América do Norte e a região ocidental do continente Europeu. Nestas dinâmicas encontram-se também os países que estão na rota de distribuição da produção. Cabo Verde está inserido, tento em vista a rota da África Ocidental para a Europa.

Localização de Cabo Verde

Tendo como perspectiva as características insulares de Cabo Verde, pode-se observar a ligação feita pelo oceano Atlântico à América do Sul, onde se encontram os países com as maiores produções de cocaína. Assim, como há proximidade tanto com o continente africano, quanto com o continente europeu, isto confere a Cabo Verde um ponto de transbordo das mercadorias.

Dada esta dinâmica, faz-se interessante ressaltar a Operação Areia Branca, desenvolvida por Portugal em articulação com o Brasil e Instituições do Reino Unido e dos Estados Unidos. A Operação realizada em maio de 2019 interceptou uma embarcação com mais de uma tonelada de cocaína ao sul de Cabo Verde. Neste sentido, a complexidade presente no combate ao crime organizado transnacional e ao tráfico de drogas é uma pauta que concerne a diferentes Estados.

Logo da UNODC

De modo complementar, o arquipélago cabo-verdiano desenvolve ações voltadas para o controle do tráfico de drogas, e também conta com o auxílio através da cooperação internacional. O UNODC tem contribuído com as instituições públicas, viabilizando capacitação, treinamento e fornecimento de equipamentos laboratoriais. O trabalho desempenhado pelo Escritório da ONU está presente em Cabo Verde desde 2006, contemplando em suas iniciativas o fortalecimento das esferas jurídica, científica, e policiamento marítimo. 

Igualmente, no quadro de iniciativas sobre tráfico internacional de drogas, o país conta com o Programa nacional Integrado de Luta contra Drogas e Crimes Conexos (2018-2023). O documento de caráter estratégico possui como objetivo o delineamento coordenado de ações frente aos desafios gerados pelo crime transnacional.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Cocaína em pó, imagem ilustrativa” (Fonte): https://www.opas.org.br/wp-content/uploads/2017/02/cocaina-696×464.jpg

Imagem 2 Localização de Cabo Verde” (Fonte): https://1.bp.blogspot.com/-1kXf6nS6Yzs/WL3Ze9TK33I/AAAAAAAAAEU/3p1z7qJzARg10PTokQtBmgBOjC4K4pFjgCLcB/s320/mapa_caboverde.gif

Imagem 3Logo da UNODC” (Fonte): https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2014/10/UNODC_logo_P_blue.gif

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A promoção do trabalho inteligente na Letônia

A Letônia é um dos três Estados bálticos que fizeram parte da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Durante o período do totalitarismo soviético, os letões avaliaram que sua identidade não estava sendo valorizada e, diante dessa abordagem, adquiriram um senso maior de nacionalismo.

Com a restauração da independência, em 1991, a Letônia intensificou sua participação em organizações internacionais, com destaque para a União Europeia (UE) e para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), visando consolidar sua soberania e cultura nacional.

PrimeiroMinistro Krisjanis Karins

Na atualidade, o país se tornou um Estado livre para fazer negócios e exercer sua voz na política internacional. Todavia, o progresso conquistado hoje não tem sido o suficiente para a realidade dos letões, pois existe forte escassez de mão de obra, emigração e taxa populacional negativa. O governo local estuda promover a imigração inteligente de força de trabalho, mediante regulamentações específicas a serem desenvolvidas. O objetivo é suprir o déficit de mercado e inibir o descontrole de imigrantes.

Em relação ao tema, o jornal The Baltic Times trouxe a afirmação do Primeiro-Ministro da Letônia, Krisjanis Karins, sobre o assunto, o qual declarou: “Temos discutido a escassez de mão de obra por um tempo. Há uma consciência comum de que a cada ano o número de pessoas cai de 7.000 a 8.000 pessoas. As partes ainda não têm a mesma opinião sobre isso, mas tenho certeza absoluta de que é necessário encontrar uma maneira inteligente de promover a imigração com base em regulamentos desenvolvidos pelo governo para impedir a imigração descontrolada” (Tradução Livre).

Os analistas consideram a ponderação de atrair imigrantes como uma boa alternativa a médio prazo, todavia, programas de incentivo profissional poderiam contribuir para a atração dos próprios letões com qualificações. O estímulo à natalidade e investimentos na juventude também seriam importantes para evitar a longo prazo uma escassez maior.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Rigacapital da Letônia” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/fb/Riga_-Latvia.jpg/1280px-Riga-_Latvia.jpg

Imagem 2 PrimeiroMinistro Krisjanis Karins” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/19/Krisjanis-Karins-Latvia-MIP-Europaparlament-by-Leila-Paul-3.jpg/655px-Krisjanis-Karins-Latvia-MIP-Europaparlament-by-Leila-Paul-3.jpg

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Destaques do Fórum Econômico Internacional em São Petersburgo

Entre os dias 5 e 8 de junho (2019), ocorreu em São Petersburgo, na Rússia, o 23º Fórum Econômico Internacional (SPIEF, sigla em inglês). O SPIEF é um evento anual que ocorre desde 1997, seu objetivo é reunir chefes executivos das grandes empresas russas e mundiais, além de também atrair Presidentes e Ministros de vários países para discutirem os principais desafios do cenário econômico global. Na edição de 2019, estabeleceu-se um novo recorde com a participação de 19.000 pessoas de 145 países e a representação de 1.300 empresas estrangeiras e de 2.500 companhias russas. Em destaque, tem-se a participação do Presidente da China, Xi Jinping, e do Secretário Geral das Nações Unidas, Antonio Guterres.

No dia 7 de junho, o presidente russo Vladimir Putin realizou um discurso na sessão plenária do Fórum. Sua fala abordou diversos assuntos e ressaltou-se os principais desafios do comércio internacional. Putin, portanto, destacou os temas acerca da recente guerra comercial entre os EUA e a China, além das inúmeras sanções que os americanos e os europeus utilizaram nos últimos anos contra vários países, inclusive a Rússia. De acordo com o Presidente, “países que antes eram a favor dos princípios do livre comércio e da competição justa e honesta passaram a agir de forma a criar guerras comerciais e a recorrer a sanções. Eles usam invasões econômicas, intimidação e quaisquer métodos não mercantis para eliminar a concorrência”.

Símbolo oficial do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo

Putin também utilizou do seu tempo no Fórum para questionar a importância do dólar nas transações internacionais. Assim, afirmou que “por o dólar dos EUA ter se tornado a moeda da reserva global, hoje é uma ferramenta que garante que o país emissor pressione o resto do mundo”. A Rússia, hoje, é um dos vários países do mundo que apoiam e utilizam moedas nacionais nas trocas bilaterais, o que coloca o dólar norte-americano em segundo plano e retira dos EUA a capacidade de intervir economicamente em quaisquer acordos nos quais não haja sua participação direta.

À parte da participação dos grandes empresários e líderes mundiais, a SPIEF também atrai estandes de diferentes companhias que propõem sua visão de mundo para o futuro. Houve várias inovações tecnológicas presentes no Fórum, como um robô batizado de Pythagoras, o protótipo de uma plataforma educacional para ensinar alunos a criar e programar robôs para interações sociais. Outra novidade apresentada foi um aplicativo para os óculos de realidade virtual que simula a visita de uma casa que está a venda. A partir do programa, é possível visitar os cômodos da casa e descobrir a vista das janelas, tudo isso sem que o interessado tenha que se locomover até o local.

Em resumo, o SPIEF 2019 foi bastante importante para garantir visibilidade para a Rússia e também para que acordos econômicos e comerciais fossem discutidos entre as partes presentes, tanto no âmbito privado, entre empresas, como no âmbito público, entre Estados. No total, 650 acordos no valor de 48 bilhões de dólares* foram assinados durante o evento**. Em destaque, tem-se o contrato bilateral entre Rússia e a empresa chinesa de tecnologia Huawei, sobre o qual firmou-se que a companhia implantará no território russo a tecnologia 5G. De acordo com Putin, “tentativas estão sendo feitas não apenas para desafiar a empresa Huawei no mercado global, mas para restringi-la de maneira arbitrária. Alguns círculos já chamam isso de a primeira guerra tecnológica a surgir na era digital”.  Assim, se o Presidente russo estiver certo em sua análise, Rússia e China estariam na frente dos outros Estados na utilização da inovação tecnológica mais importante nos últimos anos.

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Notas:

48 bilhões de dólares é equivalente a, aproximadamente, 186 bilhões de reais, de acordo com a cotação do dia 10 de junho de 2019.

** Os principais acordos firmados são: o contrato realizado entre a companhia Ferrovias Russas e a Siemens para a compra de 13 trens de alta-velocidade e a sua manutenção pela empresa alemã pelos próximos 30 anos; a compra de armas russas pela Armênia; o comprometimento pelo envio de militares russos para a missão de paz das Nações Unidas na República Centro-Africana; e um acordo bilateral entre Rússia e Cuba para renovar o sistema ferroviário cubano.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Símbolo oficial do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2d/%D0%9B%D0%BE%D0%B3%D0%BE%D1%82%D0%B8%D0%BF_%D0%9F%D0%9C%D0%AD%D0%A4.png

Imagem 2 “Presidente da Rússia, Vladimir Putindiscursa no Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big2x/MJnUilZ3OqwO1YCU0kmWPWzA9iStKlzZ.jpg