ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Conexão marítima entre São Tomé e Príncipe e Guiné Equatorial

A insularidade de São Tomé e Príncipe impulsiona a importância dada pelo Estado às questões marítimas, mais especificamente aos aspectos econômicas e comerciais. Neste contexto, a busca por processos de cooperação e investimentos para ampliar a conexão do arquipélago e com a costa continental tornam-se significantes para o país.

Inserida nesta esfera pode-se mencionar a cooperação desenvolvida com a Guiné Equatorial no âmbito de infraestrutura marítima. Durante o mês de junho do ano corrente (2019) foi cedido pela Guiné Equatorial um navio cargueiro de uma empresa privada destinado a operar viagens entre as ilhas de São Tomé e de Príncipe. Inicialmente, esta iniciativa operará visando o transporte de mercadorias. Prevê-se também para o final do mês de julho a cessão de outra embarcação destinada ao transporte de pessoas e cargas. Faz-se relevante destacar que em abril deste mesmo ano ocorreu o naufrágio de uma embarcação que fazia o trajeto entre as ilhas, o acidente causou vítimas fatais e desaparecidos.

Imagem ilustrativaplataforma de petróleo

O processo de cooperação bilateral passou por um processo de aprofundamento nos meses finais do primeiro semestre de 2019. Tendo em vista a proximidade geográfica entre os dois Estados, os acordos de cooperação foram delineados envolvendo questões energéticas, logísticas e infraestruturais.

Um destes projetos propostos, a ser assinado em novembro próximo, refere-se à exploração conjunta de petróleo e gás na fronteira marítima. Para tanto, a extração dos hidrocarbonetos em blocos fronteiriços é uma iniciativa que compreende os países pertencentes ao Golfo da Guiné, que pretendem desenvolver uma reserva comum de gás entre os Estados. Não se limitando apenas à esfera extrativa dos recursos naturais, também pretende-se cooperar para o desenvolvimento técnico e científico santomense.

Ilha de Príncipe

No que se refere as potencialidades de São Tomé e Príncipe, em matéria de hidrocarbonetos, está planificada a expansão do setor. De acordo com a Organização Iniciativa para a Transparência da Industria Extrativista, o Estado tem realizado mudanças no âmbito jurídico nos últimos anos objetivando adequar esta atividade econômica.

Apesar de não ter sido extraído petróleo a nível comercial, o país obteve receitas provenientes de acordos com algumas empresas de exploração licenciadas, que operam em um dos dois blocos offshore. A Guiné Equatorial, por sua vez, tem sua economia atrelada à produção de petróleo e gás, que correspondeu a 60% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015, tal experiência neste seguimento pode vir a contribuir no planejamento estatal santomense.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Marco da linha do Equadorem São Tomé” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Tom%C3%A9_e_Pr%C3%ADncipe#/media/Ficheiro:Equator_Sao_Tome.jpg

Imagem 2 “Imagem ilustrativaplataforma de petróleo” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/50/Mars_Tension-leg_Platform.jpg/250px-Mars_Tension-leg_Platform.jpg

Imagem 3 “Ilha de Príncipe” (Fonte): https://timbuktutravel.imgix.net/countries/kodak_images/000/000/021/original/praia-sundy-principe-island-timbuktu-travel.JPG?w=1420&h=946&auto=format&crop=fit&fit=min&dpr=1&q=50

ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

A candidatura olímpica da Suécia e Letônia para 2026

O Comitê Olímpico Internacional (COI) é a autoridade responsável pela organização dos Jogos Olímpicos de verão e de inverno. O COI recebe e analisa as candidaturas dos diversos Estados para a realização das Olimpíadas. A cidade sede dos jogos é muito disputada, pois, sediar uma competição deste porte contribui para a economia, além da visibilidade que passa a ter a cidade e o Estado anfitrião.

A Suécia e a Letônia submeteram candidatura conjunta para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, às quais compartilhariam da logística de atividades esportivas. Todavia, a escolha das cidades suecas de Estocolmo e Are, e da cidade letã de Sigulda não foram apreciadas para o evento. Possivelmente, a questão contrária foi o entendimento pelo COI da baixa intenção dos atores.

As cidades sedes escolhidas para os próximos Jogos de Inverno de 2026 foram Milão e Cortina d’Ampezzo, na Itália, às quais venceram a disputa por 47 votos em relação a seus rivais suecos e letões, que obtiveram 34 votos. Poucas candidaturas foram recebidas pelo COI, e somente os italianos, suecos e letões permaneceram na busca pela Olimpíada de Inverno. A principal razão de déficit no interesse foram os altos custos do evento, os quais contribuíram para a declinação dos demais concorrentes.

Arcos olímpicos

O jornal The Baltic Times trouxe a afirmação de Christophe Dubi, Diretor de Esportes do COI, sobre a preocupação com a proposta sueca e letã pouco tempo antes da decisão final: “Recebemos várias cartas de intenções e garantias não vinculantes, que não representam compromissos vinculantes e, portanto, colocam em risco a entrega das aldeias olímpicas”.Mas, conforme o The Baltic Times, o porta-voz sueco da candidatura afirmou em sua resposta ao COI: “Temos um diálogo contínuo, positivo e construtivo com o COI”.

Os analistas compreendem que as políticas de austeridade empregadas por muitos Estados é um indicativo da retirada de diversas candidaturas, visto que as populações destes Estados entenderam por correto que os custos de uma Olimpíada seriam altos demais para o contexto atual. Em relação a candidatura sueca/letã, a quantidade de votos sinaliza boa assertividade do marketing, todavia, é possível que a negativa tenha ocorrido por indisposições políticas internas, às quais podem ter levado o COI a escolher a Itália.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Competição de Curling nos Jogos Olímpicos de Inverno” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2b/2010_Winter_Olympics_-Curling-Women-_GBR-SWE.jpg

Imagem 2 Arcos olímpicos” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3e/IOCrings.jpg

AMÉRICA DO NORTEEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Londres decidirá em 2020 se extraditará Assange para os EUA

O tribunal inglês de Westminster, em Londres, anunciou que em fevereiro de 2020 julgará o pedido de extradição de Julian Assange para os Estados Unidos. Este Estado o acusa de autoria de 18 infrações criminais, como: conspirar para hackear computadores do governo americano, violar leis de espionagem do país e submetê-lo a sério risco, ao publicar documentos oficiais sigilosos em seu portal na internet, o WikiLeaks. Chelsea Manning, ex-militar americana, foi uma destas fontes de informações confidenciais, além de outros membros das Forças Armadas americanas lotados no Afeganistão, Irã, Síria e China, de jornalistas e outros civis.

Assange foi detido pelas autoridades inglesas em 11 de abril de 2019 na Embaixada do Equador, onde se abrigava desde junho de 2012. Segundo noticiado pela Agência Brasil, o embaixador não apenas autorizou, mas até as convidou a adentrarem as dependências da embaixada, sob a justificativa de que o país havia removido o asilo político concedido a Assange, em razão de violações suas a convenções internacionais que regulam o instituto do asilo.

Desde 2018 vem sendo noticiados ruídos entre o novo governo do Equador de Lenín Moreno e Assange, repreendido por violar acordo de que não opinasse publicamente sobre matéria política que envolvesse outros países. Assange criticou a prisão do ex-líder catalão Carles Puigdemont através do Twitter e sugeriu a responsabilidade de Moscou pelo envenenamento de um ex-espião russo na Inglaterra. Com isto, o Equador restringiu o acesso de Assange à internet e impôs outras regras de utilização da Embaixada, como a de que ele devesse limpar o próprio banheiro, cuidar de seu gato e pagar pela eletricidade e internet que utilizava.

Assange brinca com seu gato na Embaixada do Equador

A concessão de asilo ao australiano Julian Assange ocorreu após ter sua extradição para a Suécia confirmada pelos tribunais britânicos, pela acusação de haver cometido crime de estupro, pelo qual respondia em regime de prisão domiciliar. No entanto, a fundamentação não poderia ser esta, conforme o direito humanitário. O Artigo 14 da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) garante o direito de buscar e gozar asilo em caso de perseguição não motivada por “crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas”.

Muito embora o crime pelo qual seria extraditado, o estupro, fosse um crime comum, o asilo político concedido a Assange não foi motivado por esta circunstância. Uma sequência de eventos que protagonizou revelou através de informações e documentos fartos, políticas de Estado, essas, sim, consideradas em flagrante violação aos princípios das Nações Unidas.

Desde 2006, o WikiLeaks publicou manual de procedimento militar no Campo Delta da base de Guantánamo, em Cuba; vídeo que questionava a versão oficial sobre como o Exército dos Estados Unidos matou 11 iraquianos em 2007; 391 mil documentos do Pentágono; cerca de 230 mil documentos da diplomacia americana; mais de 2,4 milhões de e-mails de importantes figuras políticas e empresas relacionadas ao regime sírio. Portanto, considerou-se que o australiano sofreria uma perseguição política dos EUA e da Suécia em razão de haver feito tais revelações.

Em 4 de fevereiro de 2016, noticiado na grande imprensa nacional e internacional, o Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária das Nações Unidas classificou como arbitrária a prisão decretada contra Assange, pelo Reino Unido e pela Suécia. Segundo o grupo, o australiano deveria ter permissão para sair livremente da embaixada do Equador em Londres e ser indenizado pelos três anos e meio em que ficou recluso até aquele momento, o que nunca foi observado. Assange, a despeito da discutível legalidade de seus atos, poderá ser julgado e punido justamente por aquele Estado que denunciou, os EUA, de forma mais contundente, e talvez com maior parcialidade, sob o governo liderado por Donald Trump.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Julien Assange quando detido, acena para o público” (Fonte): https://www.braziliantimes.com/mundo/2019/05/26/eua-apresentam-17-novas-acusacoes-contra-julian-assange.html

Imagem 2 Assange brinca com seu gato na Embaixada do Equador” (Fonte): https://noticias.r7.com/internacional/destino-de-gato-de-assange-na-embaixada-equatoriana-e-incerto-12042019

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Crescimento da tensão e possibilidade de enfrentamento entre Estados Unidos e Irã

Entre os dias 20 e 22 de junho, o mundo acompanhou com certa tensão o aumento na complexidade da relação entre Estados Unidos e Irã. Em um comunicado, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou haver identificado um Veículo Aéreo Não-Tripulado (VANT) violando seu espaço aéreo.

Como medida preventiva, o país afirmou que abateu o VANT RQ-4A Global Hawk na madrugada de quinta-feira, dia 20 de junho. As autoridades iranianas salientaram ainda haver contatado Washington, para alertar que suas aeronaves haviam adentrado o espaço aéreo iraniano. Também ressaltam a presença de uma aeronave B8, que possuía 35 tripulantes a bordo em companhia do VANT.

De acordo com o general de brigada Amir Ali Hajizadeh, a segunda aeronave também havia violado espaço aéreo do país. A Guarda Revolucionária, no interesse de não causar conflitos, procedeu com a derruba somente do veículo não tripulado.

O Pentágono confirmou que uma aeronave da Força Aérea dos Estados Unidos havia sido abatida. Entretanto, sustentou que, no momento em que foi atacado, o veículo em questão encontrava-se sobrevoando águas internacionais, sobre o Estreito de Ormuz, não reconhecendo a legitimidade do reclamo iraniano.

Até o momento, as questões entre os dois países haviam permanecido sobretudo no campo discursivo e em medidas econômicas. Ao redor do mundo, diversos analistas e políticos demonstraram pouca convicção de que os eventos pudessem escalar para um confronto militar, ao menos não a um direto.

O presidente do Irã, Hassan Rouhani, em recente discurso em frente ao Ministério da Saúde, em Teerã

Considerando ataques pontuais que ocorreram a aliados estratégicos dos Estados Unidos no Oriente Médio, notoriamente a destruição de um oleoduto saudita no Iêmen pelas milícias Hutus e o ataque a quatro cargueiros pertencentes aos Emirados Árabes Unidos, as avaliações preliminares indicavam que a escalada de violência se daria por vias indiretas. Ainda assim, considera-se o uso de combates assimétricos, como a participação de milícias pró-Irã em ataques, um elemento presente e que contribuiria para envolver todo o Oriente Médio em um eventual confronto.

Dentre o próprio círculo dos tomadores de decisão em Washington havia pouca disposição em buscar um conflito com o Irã. Frente ao novo cenário, as tensões são maiores, ainda que o Presidente dos EUA, Donald Trump, tenha afirmado que ordenou a suspensão de um ataque eminente a bases militares iranianas.

Segundo o próprio Presidente, este tomou a decisão ao ser informado que o ataque resultaria na morte de 100 iranianos, o que seria desproporcional. Em um tweet posterior, publicado no dia 25 de junho, Trump salientou que o ataque a “qualquer alvo estadunidense” seria respondido com uma “força grande e avassaladora”. Questionado posteriormente, ele frisou que “avassaladora em alguns casos significa obliteração”.

Em visita à Israel, o assessor de Segurança Nacional da Presidência dos EUA, John Bolton, afirmou, conforme relata o Huffington Post, que o Irã não deve tomar “a prudência e discrição dos EUA por fraqueza”, afirmando que uma ação militar não está descartada.

O assessor especial para a Segurança Nacional, John Bolton, saúda o premier israelense Benjamin Netanyahu, após medidas para pressionar o Irã, em Jerusalém

Frente a ameaças de incrementos nas sanções, o presidente iraniano Hassan Rouhani afirmou em conferência de imprensa, realizada no dia 25 junho, que a Casa Branca vem sofrendo de “instabilidade intelectual”, que o presidente Trump não se porta de “forma sã”. Ainda de acordo com a Agência de Notícias da República Islâmica, Rouhani afirmou que as sanções cumprem uma tarefa que, além de desumana, não surte efeitos, simbolizando a clara derrota política dos Estados Unidos.

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Fontes das Imagens:                                                                                                                 

Imagem 1O General de Brigada Amir Ali Hazijadeh, comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária do Irã, observa os destroços do VANT estadunidense abatido” (FontePágina Oficial da Agência de Notícias da República Islâmica no Twitter @IRNAEnglish): https://twitter.com/IrnaEnglish/status/1143187263045742592

Imagem 2O presidente do Irã, Hassan Rouhani, em recente discurso em frente ao Ministério da Saúde, em Teerã” (FontePágina Oficial da Agência de Notícias da República Islâmica no Twitter @IRNAEnglish): https://twitter.com/IrnaEnglish/status/1143549664559587334)

Imagem 3O assessor especial para a Segurança Nacional, John Bolton, saúda o premier israelense Benjamin Netanyahu, após medidas para pressionar o Irã, em Jerusalém” (FontePágina Oficial de John Bolton no Twitter. @AmbJohnBolton): https://twitter.com/AmbJohnBolton/status/1142757809680977921

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A volta da Rússia à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa

Após cinco anos de suspensão, a Federação Russa volta a integrar a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa* (APCE). O texto que permitiu o retorno da Rússia à entidade foi aprovado no último dia 25 de junho, numa sessão que durou 8 horas, em meio a acaloradas discussões e pedidos de emenda ao texto.

No plenário do Conselho da Europa, em Estrasburgo, França, 116 deputados dos distintos Estados-membros da organização pan-europeia da defesa dos Direitos Humanos votaram a favor de uma ratificação dos poderes da delegação de parlamentares russos. Sessenta e dois delegados, incluindo ucranianos, britânicos e poloneses, votaram contra e quinze se abstiveram.

O afastamento da Rússia pelo órgão europeu, em 2014, se deu por conta da condenação à anexação da Crimeia pelo país, à alegada ocupação militar do território ucraniano, e ao referendo instituído por Moscou na Península, o que foi intitulado pela instituição europeia como “ilegal. À época, a resolução do afastamento foi aprovada por 145 votos a 21, com 22 abstenções, e que, por prerrogativa de grupos de deputados conservadores, foi apresentado paralelamente a esse processo um pedido de banimento definitivo da Rússia da Assembleia, o que foi descartado, dando lugar a uma resolução de compromisso por parte da Rússia em reverter tais processos.

O hemiciclo onde se reúne a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa

Em resposta a tal decisão, o chefe da delegação russa, Alexey Pushkov, declarou, à época, que Moscou deveria encerrar sua adesão à Assembleia por tal tratamento, onde, também, vários de seus colegas lançaram críticas aos países europeus que haviam “mudado de lado” para punir a Rússia, “adotando uma abordagem patologicamente tendenciosa, tratando a Rússia, um grande país, de uma forma desdenhosa e condescendente. Caso a Federação Russa abandonasse definitivamente a organização, esse processo privaria seus cidadãos de recorrer ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH), braço jurídico do Conselho da Europa.

Desde a votação que suspende o afastamento russo, a Ucrânia protestou e rechaçou os poderes outorgados à Rússia, ao ver na decisão da APCE uma primeira suspensão das sanções impostas a Moscou. Após a votação dessa ratificação, várias parlamentares, sobretudo das delegações ucraniana e georgiana, abandonaram o hemiciclo e anunciaram que deixavam de participar nessa sessão da APCE.

Agora, com a liberação de sua volta ao órgão, a Rússia poderá apresentar sua delegação ao longo do ano (2019), sendo excluída da possibilidade de privá-la de seus principais direitos de voto.

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Nota:

A Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (APCE) (em inglês: PACE – Parliamentary Assembly of the Council of Europe) é um dos dois órgãos estatutários do Conselho da Europa, juntamente com o Comité de Ministros (Ministros dos Negócios Estrangeiros). A assembleia é constituída por representantes das forças políticas dos países membros, tanto as que estão no poder como as que estão na oposição. Tendo reunido pela primeira vez em 10 de agosto de 1949, pode ser considerada a mais antiga assembleia parlamentar baseada num tratado internacional com composição pluralista, baseada em membros de parlamentos democraticamente eleitos. O Conselho de 47 nações da Europa é separado da UE e supervisiona o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Reúne parlamentares da Europa Ocidental e Oriental, bem como os países do antigo bloco soviético. A Rússia é membro desde 1996.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vista aérea do Palácio da Europa  sede onde funciona a APCE, em Estrasburgo” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Assembleia_Parlamentar_do_Conselho_da_Europa#/media/Ficheiro:Council_of_Europe_Palais_de_l’Europe_aerial_view.JPG

Imagem 2 O hemiciclo onde se reúne a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Assembleia_Parlamentar_do_Conselho_da_Europa#/media/Ficheiro:Plenary_chamber_of_the_Council_of_Europe’s_Palace_of_Europe_2014_01.JPG

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Perspectivas políticas de Israel frente à uma nova eleição

O Knesset, Parlamento de Israel, possui um ciclo de mandato de 4 anos e, hoje, busca renovar a presença de atores da sociedade dentro da principal estrutura política do país. Entretanto, segundo seu regulamente interno, é possível dissolver o Parlamento, adiantando o período de eleições. Para tanto, o Primeiro-Ministro ou o Presidente do país devem invocar tal medida, necessitando ser apoiado pela maioria da casa.

Em dezembro de 2018, o premier Benjamin Netanyahu entrou com pedido para a dissolução do 20o Knesset, solicitando, portanto, a antecipação das eleições do país. O processo eleitoral, que deveria ocorrer idealmente em outubro de 2019, foi abreviado para 9 de abril passado.

As escolhas que levaram à tomada desta medida não foram totalmente esclarecidas pelo Premier ou pelo Likud, partido do qual ele faz parte, entretanto, analistas do processo em Israel apontam alguns motivos. O partido possuía uma maioria bastante exígua, que era marcada por somente um voto a mais, totalizando 61 parlamentares na casa com 120.

Também se via ameaçado por dois fatores. O primeiro era a ascensão da coalizão Azul e Branco. A nova legenda apresentou como novidade o General reformado das Forças de Defesa de Israel, Benjamin Gantz, principal adversário de Netanyahu na disputa pelo comando do Parlamento. Em segundo lugar, o julgamento de corrupção que é movido contra Netanyahu.

Apesar de aumentar sua presença no Parlamento, o Likud não provou ser capaz de produzir a maioria necessária para apontar o próximo Primeiro-Ministro*. Em casos extremos, quando não é possível alcançar o consenso, o Presidente ou Primeiro-Ministro do país podem pedir uma moção para realizar novas eleições.

Benny Gantzdiscursa como Membro do Knesset eleito

O 21o Knesset, que tomou posse no dia 30 de abril de 2019, trouxe uma composição complexa. O Likud terminou as eleições com 35 assentos, mesmo número da coalizão Azul e Branco. Após um mês de negociações, como dito, o Likud não conseguiu reunir a maioria necessária entre os partidos de direita para apresentar um gabinete.

Frente à possibilidade de ver seu adversário apresentar uma alternativa de composição, Netanyahu colocou em votação nova dissolução do Parlamento. No dia 30 de maio, o 21o Knesset aprovou sua própria dissolução.

Tal ação não significa um vácuo de poder. Como aconteceu desde dezembro do ano passado (2018), a Lei Básica de Israel determina que seja mantido um governo provisório, encarregado da manutenção do Estado e da promoção de novas eleições. Netanyahu permanece na posição de Primeiro-Ministro, bem como os parlamentares eleitos, que cumprirão funções administrativas sem votar leis. Para Amir Fuchs, diretor do Instituto Defendendo os Valores Democráticos do Programa de Israel, 2019 será “um ano perdido” para o país.

O Plenário do Knesset vazio, em Tel Aviv

Entretanto, com as eleições sendo previstas para ocorrerem em setembro próximo, até a formação de novo gabinete Israel terá permanecido quase um ano sob o comando de um governo provisório. Decisões importantes, como a nova legislação para assentamentos na Cisjordânia, matérias econômicas ou mesmo o orçamento de 2020 não poderão ser votadas até a posse do novo Knesset.

A decisão coloca o país em um estado de virtual paralisia até as eleições. Em uma tentativa de amortizar estes efeitos, há rumores de que o Likud e a coalizão Azul Branco buscariam um acordo, o que foi negado por ambos. Quanto à validade da manobra, as opiniões são divergentes.

Mesmo sobre esta questão, observa-se falta de convergência, pois uma parcela dos parlamentares afirma que seriam necessários 80 votos para reverter a dissolução, acreditando no recuo, no entanto, outro grupo partilha da visão do parlamentar do Likud, Miki Zohar, que afirmou ao Times of Israel:“Nós tentamos todo o possível para reverter as eleições antecipadas, mas já não há nada que se possa fazer”.

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Nota:

A legislação israelense requer maioria simples (50% + 1 dos votos) para nomear o Primeiro-Ministro.

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Fontes Consultadas:

Imagem 1 “Fachada do Knessetem Tel Aviv” (Fonte – Página Oficial do Knesset no Facebook @knesset): https://www.facebook.com/TheKnesset/photos/a.208518629234440/2122227054530245/?type=3&theater

Imagem 2 “Benny Gantzdiscursa como Membro do Knesset eleito” (Fonte – Página oficial de Benjamin Gantz no Facebook @BeGantz): https://www.facebook.com/BeGantz/photos/a.266606450683421/328858464458219/?type=3&theater

Imagem 3 “O Plenário do Knesset vazio, em Tel Aviv”(Fonte – Facebook oficial do Knesset): https://www.facebook.com/TheKnesset/photos/a.208518629234440/2142349105851373/?type=3&theater