Direito InternacionalNOTAS ANALÍTICAS

Suprema Corte dos EUA decide sobre construção de Muro

No último dia 26 de julho de 2019, a Suprema Corte americana autorizou o governo a utilizar US$ 2,5 milhões na construção de muro na fronteira com o México (aproximadamente, 9,46 milhões de reais, conforme a cotação de 30 de julho de 2019). Este recurso foi aprovado pelo Congresso para que fosse empregado no Pentágono, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump, no entanto, decidiu pela sua aplicação nesta edificação.

A insatisfação com a medida, por parte de organizações civis, levou ao envolvimento do Poder Judiciário. Em fevereiro último, um Juiz da Califórnia proibiu liminarmente a utilização deste fundo, por desvio de finalidade. A disputa judicial, no entanto, ainda não foi definitivamente julgada.

A anunciada edificação do muro ao longo da fronteira sulista do país refere-se ao cercamento integral desta, visto que há, desde 1994, construções deste gênero no local, de San Diego, na California, a Brownsville, no Texas, sendo elas descontínuas, no entanto. Em campanha, o presidente Donald Trump anunciou erigir esta construção, como uma política de segurança através da contenção da imigração e de males que associa a este movimento, como o tráfico de drogas.

Na outra ponta, grupos civis ambientalistas e representantes de comunidades de residentes nestas fronteiras do Sul têm apontado, conforme relatado na imprensa, uma perspectiva diferenciada sobre os efeitos provocados pelo muro que já está estabelecido, como o isolamento de comunidades, a destruição da vida silvestre e de mananciais, dentre outros.

Assim como o americano, diversos muros têm sido construídos nos limites de territórios nacionais, o que compete a cada Estado, conforme o direito interno, promover como política local. No entanto, os efeitos das ações dos Estados para além de seus territórios são limitados pelo Direito Internacional Público, pelo Direito Humanitário e pelo Direito Internacional dos Direitos Humanos.

Imagem do posto de controle israelense na Cisjordânia, nos arredores da cidade palestina de Ramallah. Também conhecido como Qalandiya Checkpoint. Em fila estão as mulheres palestinas tentando viajar de Ramallah a Jerusalém

Em Opinião Consultiva sobre as Consequências Jurídicas da Construção de um Muro no Território Palestino Ocupado por Israel, em julho de 2004, há 15 anos, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) concluiu recomendando que fossem implementadas reformas, para adequar o muro, erigido por uma questão de segurança, de forma a atender a obrigações de Israel de respeitar os Direitos Humanos e o Direito humanitário. Esta é uma questão polêmica, do ponto de vista legal e político, mas relevante para a sociedade internacional, pois, em 2001, havia 17 muros entre fronteiras e, em 2017, somavam 70.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Muro em construção na fronteira entre Estados Unidos e México” (Fonte): https://www.ccdiscovery.com/the-supreme-american-court-allowed-the-trump-wall-was-built-with-pentagon-money

Imagem 2Imagem do posto de controle israelense na Cisjordânia, nos arredores da cidade palestina de Ramallah. Também conhecido como Qalandiya Checkpoint. Em fila estão as mulheres palestinas tentando viajar de Ramallah a JerusalémImagem criada em 31 de julho de 2004, domínio público”.(Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Muro_da_Cisjord%C3%A2nia#/media/Ficheiro:RamallahCheckpoint.JPG

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Rússia e EUA: a nova corrida espacial

Há 50 anos, o astronauta norte-americano Neil Armstrong dava os primeiros passos na Lua, completando uma etapa do processo exploratório iniciado alguns anos antes, quando EUA e União Soviética entravam numa disputa de capacidades, no intuito de ultrapassar limites, os quais o homem nunca havia alcançado, e que seria a maior aventura humana no século XX, dando início, assim, a chamada “Corrida Espacial”.

Foguete russo Soyuz

Este processo exploratório, segundo especialistas, teve início quando os EUA lançaram bombas atômicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki no final da Segunda Guerra Mundial (1945), imergindo a civilização numa nova ordem global, em que o poder e a influência não se mediriam em termos de esforço humano, mas, sim, de avanços tecnológicos.

Para suplantar essa “vantagem” apresentada pelos norte-americanos, a União Soviética deveria apresentar, de forma bastante rápida, estratégias adequadas que lhes dessem igual ou superior influência internacional. De acordo com historiadores, em apenas quatro anos, os soviéticos desenvolveram sua primeira bomba atômica (1949) e, por esta ser mais pesada que a dos EUA, tiveram também que desenvolver foguetes mais poderosos para poderem transportá-la.

Foguete soviético R7 – Semyorka

O responsável por essa tarefa foi o engenheiro ucraniano Sergei Pavlovich Korolev, que projetou os mais poderosos foguetes, entre eles o R-7 Semyorka*, que era nove vezes mais potente que qualquer outro lançador criado até aquele momento. No entanto, tal dispositivo se mostrou de forma desqualificada para ser utilizado como arma, devido ao enorme tempo dispendido para preparar seu lançamento, sendo, assim, direcionado para a exploração espacial.

Desde então, a União Soviética se empenhou em ultrapassar os EUA na exploração do espaço sideral, quando foram responsáveis pelo lançamento do primeiro satélite orbital transmissor de sinais de rádio, batizado com o nome de Sputnik (Outubro de 1957); pelo lançamento do primeiro ser vivo ao espaço, a cadela Laika (Novembro de 1957); pelo marco histórico do primeiro ser humano (Yuri Gagarin) a ser lançado em órbita (Abril de 1961) e completar uma volta em torno da  Terra em 1 hora e 48 minutos, deixando para a posteridade a frase “A Terra é azul”; e também pela primeira “caminhada” espacial, que foi realizada pelo cosmonauta russo Alexei Leonov (Março de 1965).

Cosmonauta soviético Yuri Gagarin

Após a série de sucessos soviéticos, os EUA necessitavam de uma façanha ainda maior, levar um homem até a Lua, o que foi realizado em 20 de Julho de 1969, fruto do ímpeto do Governo do Presidente J. F. Kennedy, aliado ao auge da economia norte-americana, que proporcionou o investimento de somas gigantescas no programa aeroespacial da época, ultrapassando, assim, a União Soviética, que direcionou seus esforços para a construção da primeira estação espacial temporal: a Salyut 1 (Abril de 1971).

Décadas se passaram sobre essa “corrida”, trazendo sucessos e fracassos para ambos os lados, mas, que beneficiaram o desenvolvimento tecnológico mundial na área aeroespacial diante de muitas descobertas realizadas pela determinação e coragem de ambas as nações, que estão de volta para uma nova etapa da exploração do espaço.

Atualmente, Rússia e China já iniciaram negociações sobre a expansão da cooperação na indústria espacial, o que dará início a uma aliança capaz de realizar missões tripuladas conjuntas, inclusive para a Lua, onde pretendem criar uma estação lunar tripulada permanente, além de colocar em órbita equipamentos de observação espacial de alta capacidade tecnológica, como o satélite científico russo Spektr-RG, fabricado em parceria com a Alemanha, e que levará ao espaço o telescópio eROSITA**.

O Governo dos EUA, por sua vez, segundo o presidente Donald Trump, determinou que a NASA (Agência Espacial Norte Americana) empenhe esforços não só para voltar a pisar na Lua brevemente, como, também, colocar a bandeira e a pegada norte-americana no solo marciano até 2030, mas, até que o seu novo foguete esteja finalizado para as futuras missões, a NASA tem que pagar 80 milhões de dólares (cerca de R$ 301,87 milhões – cotação de 26/07/19 >> US$1 = R$ 3,7734) para a Agência Espacial Russa para cada astronauta norte-americano que pegar “carona” em seu foguete Soyuz, como foi o caso do lançamento russo realizado no último dia 20 de julho (2019), o qual partiu de Baikonur, localizado no Cazaquistão.

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Notas:

* Inicialmente, o foguete Semyorka foi criado em 1957 como míssil balístico destinado a levar cargas termonucleares a qualquer ponto do globo terrestre. Entretanto, suas possibilidades técnicas eram muito mais amplas do que as exigências em relação à arma balística, algo que o tornou pivot da cosmonáutica soviética. Pertencia à família dos R-7, que apresentou integrantes como o Sputnik 8K71PS (1957), o Vostok 8K72K (1960), o Voskhod 11A57 (1963) e o Soyuz 11A511 (1966), cuja plataforma é utilizada desde então como lançador de satélites e cosmonautas.

** O eROSITA é dotado de sete detectores de raios X. Permitirá observar mais de 100 mil clusters galácticos e obter imagens de milhões de buracos negros, grupos de galáxias e estrelas de nêutrons mortos, marcando “o início de uma nova era na astronomia de raios X”, segundo comunicado do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, em Munique, que forneceu o instrumento.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Astronauta norteamericano Neil Armstrong” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Neil_Armstrong#/media/Ficheiro:Neil_Armstrong_pose.jpg

Imagem 2 Foguete russo Soyuz” (Fonte): https://archive.org/download/nasahqphoto-7187014046/nasahqphoto-7187014046.jpg

Imagem 3 Foguete soviético R7 Semyorka” (Fonte): http://www.b14643.de/Spacerockets_1/East_Europe_1/Semyorka/Gallery/R-7_1big.jpg

Imagem 4 Cosmonauta soviético Yuri Gagarin” (Fonte): https://incrivelhistoria.com.br/yuri-gagarin-terra-azul-1961/

Imagem 5 Família de foguetes russos R7” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/R-7_(família_de_foguetes)#/media/Ficheiro:Roket_Launcher_R-7.svg

NOTAS ANALÍTICASSegurança Internacional

Caças Su-35 aperfeiçoados pelos chineses voam sobre o Mar do Sul da China

Pilotos da Força Aérea do Exército de Libertação do Povo testaram as capacidades de ataque antinavio de seus avançados caças de origem russa Sukhoi Su-35 sobre o Mar do Sul da China. Uma brigada da Força Aérea do Teatro do Comando do Sul fez parte dos exercícios, após a realização das modificações das aeronaves russas Sukhoi, informa o jornal South China Morning Post.

O Su-35 é uma atualização do Su-27, que entrou em serviço na União Soviética em 1985. O modelo possui um motor mais poderoso para garantir maior manobrabilidade e a habilidade de transportar uma carga de até oito toneladas, incluindo mísseis antinavio. O governo chinês encomendou seus vinte e quatro Su-35s em 2015 a um custo de 2,5 bilhões de dólares (aproximadamente 9,45 bilhões de reais, de acordo com a cotação de 26 de julho de 2019). O primeiro conjunto de quatro aeronaves chegou à China em dezembro de 2016 e o pedido foi completado em abril de 2019.

O piloto Song Lindong relata que “as modificações enfatizaram o papel desempenhado pelos armamentos do Su-35 em realizar táticas de combate, aproximando as tripulações da situação de um campo de batalha real”.

Mapa do Mar do Sul da China

Os exercícios incluíram um ataque repetido por três aeronaves contra um alvo no mar, combinado com táticas evasivas e táticas noturnas. Todos os 24 Su-35s da China foram designados para uma Brigada perto de Zhejiang, na Província de Guangdong, onde o Comando do Sul supervisiona as operações no Mar do Sul da China.

A Brigada, que recebeu a alcunha de “Espada do Sul”, fez parte de diversas missões de alto-nível, incluindo patrulhas sobre pontos estratégicos do Mar do Sul da China e operações conjuntas ao redor do espaço aéreo da ilha de Taiwan, com as aeronaves do Teatro do Comando do Leste, em 2018.

Tensões na área aumentaram desde que a Marinha dos Estados Unidos realizaram o que Washington chama de “operações de liberdade de navegação” nas proximidades das ilhas e recifes reivindicados por Pequim. Assim, os militares chineses realizaram diversas melhorias em seus Su-35s como forma de aumentar sua capacidade de monitoramento e presença na região.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Imagem ilustrativa das aeronaves Su35” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Special:Search&limit=20&offset=80&profile=default&search=su-35&advancedSearch-current={}&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Su-35S_(36349482281).jpg

Imagem 2 Mapa do Mar do Sul da China” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=South+China+Sea&title=Special%3ASearch&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:SouthChinaSea.png

MEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Medellín cria corredores verdes como alternativa ao calor

A segunda maior cidade da Colômbia, Medellín, tornou-se modelo na adoção de estratégias inspiradas na natureza para regular as altas temperaturas do verão.  Para lidar com o aquecimento, 18 ruas e 12 hidrovias foram transformados em paraísos verdes, sob a execução do projeto “Corredores Verdes”.

A iniciativa venceu este ano (2019) o Prêmio Ashden de Refrigeração Baseada na Natureza, apoiado pelo Programa Kigali de Eficiência de Refrigeração, em parceria com a iniciativa Sustainable Energy for All. Segundo o prefeito Federico Gutiérrez, “com essa intervenção, foi possível reduzir a temperatura em mais de 2°C e os cidadãos já percebem essa diferença”.

Em outubro de 2016, os Estados Partes do Protocolo de Montreal decidiram, na 28ª Reunião das Partes ocorrida em Kigali, Ruanda, pela aprovação de uma emenda que inclui os hidrofluorcarbonos (HFCs) na lista de substâncias controladas pelo Protocolo. A Emenda de Kigali, como ficou conhecida, define um cronograma de redução da produção e consumo dos HFCs até um patamar mínimo a ser atingido pelos Estados Partes.

Ao reduzir o uso de hidrofluorocarbonetos podemos evitar até 0,4°C do aquecimento global ao final do século. Até agora, 68 países do Protocolo de Montreal ratificaram a emenda e estamos esperançosos que muitos outros irão aderir e continuar o trabalho fantástico feito através do Protocolo de Montreal”, explica Tina Birmpili, a Secretária Executiva do Secretariado do Ozônio.

O Pnuma destaca que os parques urbanos podem reduzir a temperatura ambiente durante o dia em uma média de aproximadamente 1°C

As soluções baseadas na natureza estão entre as abordagens desenvolvidas pelo referido Programa Kigali, que reúne governos, empresas, sociedade civil e organizações internacionais, como o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a fim de permitir a troca de experiências e promover a transformação de métodos usuais para aqueles que sejam orientados ao desenvolvimento sustentável e à economia verde.

Portanto, um dos seus objetivos é impulsionar serviços de refrigeração à base de energia renovável. Nesse sentido, busca-se evitar o chamado “resfriamento ativo”, isto é, quando se utilizam técnicas e aparelhos pouco sustentáveis para amenizar o calor. Para isso, aposta-se na construção civil inteligente e no planejamento urbano. Abaixo, no rodapé, o vídeo descreve e apresenta a nova realidade local da cidade de Medellín com seus Corredores Verdes*.

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Nota:

* Vídeo do Projeto Corredores Verdes: https://youtu.be/Kv0m2MSIo2s

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Jardineiros cuidam de corredor botânico instalado nos arredores de um curso dágua em Medellín – #Para cego ver: a imagem mostra uma mulher e um homem, ambos jardineiros, em frente ao Corredor botânico instalado em Medellín Foto: Ashden”(Fonte): https://nacoesunidas.org/cidade-colombiana-cria-corredores-verdes-para-combater-calor/

Imagem 2O Pnuma destaca que os parques urbanos podem reduzir a temperatura ambiente durante o dia em uma média de aproximadamente 1°C#Para cego ver: a imagem mostra a copa de uma árvore acompanhada da legenda O Pnuma destaca que os parques urbanos podem reduzir a temperatura ambiente durante o dia em uma média de aproximadamente 1°C’ – Foto: FAO/Rudolf Hahn” (Fonte): https://news.un.org/pt/story/2019/07/1680671

Direito InternacionalNOTAS ANALÍTICAS

Panorama do tráfico de armas nos PALOP

Angola apresentou em julho de 2019 a proposta de priorização da pauta sobre desarmamento e tráfico ilegal de armas, no âmbito do Conselho de Paz e Segurança da União Africana. Na perspectiva advogada pelo embaixador angolano Francisco da Cruz, tal atividade comercial ilícita acarreta em uma série de desafios para todo o continente.   

Como destaca, os dados do programa Stable Seas, da organização não-governamental One Earth Future, parte do fluxo ilegal de armas de fogo no continente africano são remanescentes dos conflitos civis e do processo de descolonização, enquanto os armamentos de maior impacto, como granadas de autopropulsão e metralhadoras, comumente adentram o espaço africano por meio dos portos.

Neste contexto, a costa da região do Chifre da África apresenta os mais elevados índices de recepção do tipo de armamentos supracitados, principalmente de origem chinesa, iraniana e ucraniana. Igualmente, a África Ocidental também está inserida nestas dinâmicas, incluindo os países do Golfo da Guiné. Entretanto, segundo a avaliação da Escritório das Nações Unidas sobre Drogas, o principal fluxo ocorre de forma transfronteiriça e a mercadoria é obtida através da atuação de oficiais de segurança corruptos, ocorrendo em menor proporção a entrada de armas pelos portos marítimos.

Localização dos países de língua oficial portuguesa

No que se refere aos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), Cabo Verde, Guiné Bissau e Moçambique são mencionados no relatório da União Africana de janeiro de 2019. Denominado “Mapeamento dos Fluxos de Armas em África”, o documento destaca a presença de fabricação artesanal de armas nestes países. Para tanto, esta prática é referida no relatório como uma das principais formas de obtenção de armas e fluxo transfronteiriço ilícito.

De modo complementar, em 2018, Angola já havia ressaltado sua apreensão em relação ao descaminho de armas de fogo. Como apontaram as análises do Serviço de Investigação Criminal angolano, no segundo semestre de 2018 observou-se o leve aumento da atuação de organizações criminosas, tais como aquelas que operam no mercado do tráfico de drogas, seres humanos e de armamentos.

Neste contexto, cabe observar que a União Africana possui uma agenda voltada para esta matéria. Criado em 2017, o projeto denominado Passos Práticos para Silenciar as Armas na África objetiva a adoção de medidas conjuntas de prevenção do tráfico e circulação ilícita de armas, até o ano de 2020. Entre as diversas ações pautadas pelo roteiro encontram-se o desenvolvimento de mecanismos comuns de monitoramento de atividades ilícitas; e elaboração de respostas ao fluxo de armas adequadas às singularidades dos Estados membros, ao mesmo tempo em que são asseguradas medidas jurídicas integradas.

O respeito às especificidades dos países e a sua relação com o combate ao tráfico de armas se faz importante, tendo em vista o vasto espectro de atividades criminosas conectadas a esta modalidade, tais como outros tipos de tráfico, a manutenção de conflitos armados e a violência nos espaços urbanos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Apreensão de armas” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Arms_trafficking#/media/File:Gun_pyre_in_Uhuru_Gardens,_Nairobi.jpg

Imagem 2Localização dos países de língua oficial portuguesa” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Pa%C3%ADses_Africanos_de_L%C3%ADngua_Oficial_Portuguesa#/media/Ficheiro:Palop.svg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Tensão entre a Turquia e o Ocidente após aquisição de armamento russo

A Turquia anunciou a compra de um sistema de defesa antiaérea S-400, como parte de um programa de aquisição de equipamento da Rússia. As primeiras baterias foram entregues em Ankara no dia 12 de julho de 2019.

O país é um parceiro estratégico da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Desde sua entrada na OTAN, em 1952, três anos após o surgimento do Bloco, a Turquia tem atuado de maneira presente para a consolidação dos objetivos estratégicos que este possui.

Como retaliação, em vista da compra do sistema S-400, os Estados Unidos decidiram suspender a cooperação com a Turquia em programas de defesa. Na quarta-feira, dia 17 de julho, foi anunciado que o tradicional aliado estava suspenso da sua participação no programa F-35.

De acordo com a Casa Branca, a associação de equipamento russo é incompatível e põe em risco o desenvolvimento do programa de caças. O sistema de defesa antiaérea requer o uso combinado de radares, lançadores de projeteis e outros equipamentos, dentre estes as aeronaves. Caso a Turquia fizesse uso de ambos sistemas, isso iria requerer que estes atuassem de forma integrada.

Tendo em vista que o objetivo do F-35 é ser um caça “invisível”*, a associação a um sistema de defesa controlado por terceiros poderia comprometer sua principal característica. O governo turco argumenta que os equipamentos não seriam integrados ao sistema da OTAN, não colocando riscos aos interesses da Aliança

Protótipo do caça F-35

O governo de Ankara reagiu imediatamente à decisão e conversas diplomáticas de alto nível foram estabelecidas já no dia 18 de julho para tentar mitigar os efeitos desta suspensão. Esta representaria perdas em distintos aspectos. Para além dos efeitos que a suspensão do repasse de 30 aeronaves ao país causaria em sua capacidade militar, a Turquia sofreria pesados efeitos econômicos, pois, a indústria local produz 900 componentes destinados ao novo jato de combate. No entanto, o país iniciou conversas para produzir componentes do sistema de defesa russo.

A busca do governo turco por uma aquisição deste porte com um rival global da OTAN representa uma mudança na postura diplomática, que não privilegia exclusivamente os aliados Ocidentais, refletindo, também, uma série de descontentamentos turcos com seus tradicionais aliados.

Políticas como o armamento pelos Estados Unidos das Forças Democráticas da Síria (grupo curdo atuando na fronteira do país com a Turquia) desagradaram a Ankara. O Porta-Voz da Presidência turca, Ibrahim Kalin, declarou em artigo a Bloomberg que uma aliança não significa que “alguns membros são livres para impor suas agendas a outros”; declarou também que os repetidos pedidos para combater forças curdas e o movimento de Gulen nunca foram correspondidas e que a aquisição de tais sistemas se fez uma “necessidade”.

Nesta segunda-feira, dia 22 de julho, uma missão diplomática dos Estados Unidos desembarcou em Ankara para discutir possibilidades para a superação dos entraves. O Secretário-Geral da OTAN, Jen Stoltenberg, afirmou que a Turquia ainda pode ser inserida no sistema do Bloco, apesar do uso de armamento russo, afirmando que o país é um aliado importante e sua saída seria danosa à Organização.

O temor existe de que eventuais embargos levariam a Turquia a buscar uma posição mais isolada, ou alinhada com países com interesses distintos dos Estados Unidos e Bloco Europeu. Neste caso, a posição estratégica turca poderia ser usada de forma prejudicial ao grupo europeu. Também há o temor de que o país deixe de respeitar certas medidas, como não avançar militarmente sobre a região curda na Síria, ou não se comprometa com a criação de uma zona de contenção na região.

O chanceler turco Hulusi Akar afirmou que a decisão estadunidense é “unilateral e injusta” e que espera que os Estados Unidos possam “evitar passos que produzam danos a ambos países, preservando direitos da Turquia enquanto aliado”.

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Nota:

* Convencionou-se chamar de “invisíveis” aeronaves que possuem uma série de tecnologias que permitem reduzir emissão de frequências de radar, de rádio, elétricas, entre outras que tornem as aeronaves detectáveis. Estes elementos constituem técnicas singulares para evitar deixar traços detectáveis por equipamentos, por conta disso possuem grande valor estratégico.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Lançadores de mísseis do sistema de defesa russo, S400” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/File:%D0%A1-400_%C2%AB%D0%A2%D1%80%D0%B8%D1%83%D0%BC%D1%84%C2%BB.JPG

Imagem 2Protótipo do caça F35” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Lockheed_Martin_F-35_Lightning_II#/media/File:F-35A_-_Inauguration_Towing.jpg