EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

O 12º Fórum de Segurança de Kiev

O Fórum de Segurança de Kiev, realizado anualmente na capital ucraniana desde 2007, é o único encontro do gênero na Europa Central e Oriental. Criado pela organização Fundação Arseniy Yatsenyuk “Open Ukraine*, o encontro mantém discussões sobre a segurança nacional, no Mar Negro, na Europa e no mundo. Anualmente são reunidos políticos e representantes de think tanks europeus, americanos, russos e de países da região do Mar Negro.

Seus objetivos são:

  • Estabelecer um fórum independente de discussão para tecer estratégias de segurança global;
  • Reforçar o diálogo e cooperação no domínio da segurança entre União Europeia e região do Mar Negro;
  • Impactar o processo de elaboração de políticas na Ucrânia.

Neste ano, nos dias 11 e 12 de abril, o 12º Fórum de Segurança de Kiev contou com um número recorde de participantes (mais de 1.000), dentre os quais funcionários do alto escalão do Estado Ucraniano, diplomatas e representantes de especialistas de mais de 20 países.

Intitulado neste ano (2019) como “Onda incansável: escolha estratégica da Ucrânia e do Ocidente”, o evento fez referência ao senador americano John McCain, grande apoiador da Ucrânia, falecido em 25 de agosto de 2018, que lançou livro homônimo.

Arseiy Yatsenyuk, organizador do Fórum é explícito em relação a como enxerga a origem do problema de segurança nacional da Ucrânia: “Qualquer tentativa de encontrar uma plataforma de negociação com Vladimir Putin e a Rússia, sobre o fato de que ele parou a guerra, é uma quimera”.

Na sua opinião, a Ucrânia deve receber armas de países ocidentais e ser incluída no sistema de segurança coletiva. O ex-presidente Petro Poroshenko ainda asseverou que se trata de uma luta pelo Estado ucraniano e se o futuro Presidente do país não traçar linhas claras, Putin entenderá como um convite à agressão.

Condoleezza Rice, ex-Secretária de Estado dos Estados Unidos, e Arseniy Yatsenyuk, criador do Fórum de Segurança de Kiev, 23 de setembro de 2007

Embora o Fórum tratasse da questão da segurança nacional, os processos políticos internos são considerados como parte integrante de uma mudança estrutural necessária. Valores coletivos, liberais e democráticos fazem parte da identidade nacional, da sobrevivência ucraniana, ponderou Danylo Lubkivsky, assessor do Primeiro-Ministro da Ucrânia (2014-2016). Em suas palavras: “Organizações internacionais determinam os limites do que é possível. Mas cabe a nós como expandimos essas fronteiras. E eu não estou aqui para ensinar os representantes de outros países, mas do ponto de vista de um ucraniano, eu acredito, que a Ucrânia tem uma palavra sobre o assunto. É a definição do nosso papel internacional, é um entendimento inegável de que a agressão contra nós é uma grande oportunidade para a transformação interna”.

Como o próprio Arseniy Yatsenyuk, o organizador do Fórum, declarou, “nosso caminho é democrático, efetivo, profissional e pró-ocidental” (grifos nossos), deixando claro sua posição anti-russa. E a posição de outros membros também tem sido pela expansão da OTAN na Europa. Hennadiy Kovalenko, vice-presidente de Operações Bilaterais de Cooperação e Manutenção da Paz da Ucrânia contestou a ideia de que as posições da organização nos Países Bálticos, na Polônia e na Romênia sejam suficientes para deter a Rússia. Para Kovalenko, “a Rússia só irá parar quando for forçada a parar, não antes”.

Como deixou registrado em entrevista, Brian Whitmore, investigador americano da política russa durante o 12º Fórum de Segurança de Kiev sobre as estratégias do Kremlin para o Ocidente, sua posição é de que, independentemente de quem seja o Presidente da Rússia, “qualquer projeto imperial russo começa com a Ucrânia, mas não termina com a Ucrânia”. Whitmore também considerou que, à revelia dos resultados da política doméstica, a Rússia fará de tudo para manter a Ucrânia em sua esfera de influência, afastando-a de alianças euro-atlânticas e utilizando os clássicos meios de pressão militares ou aliança com oligarcas ucranianos e corrupção.

A crise ucraniana, impulsionada por fatores internos, econômicos e os externos, mais especificamente a anexação da Crimeia e a intervenção e apoio russos no Leste, têm forçado a uma mudança no país.

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Nota:

* Fundação criada por Arseniy Arsen Petrowytsch Yatsenyuk, Presidente do Parlamento ucraniano entre dezembro de 2007 e setembro de 2008, e Primeiro-Ministro da Ucrânia de 27 de fevereiro de 2014 a 10 de abril de 2016. Sua orientação é pró-União Europeia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Jens Stoltenberg, SecretárioGeral da OTAN, e o expresidente ucraniano Petro Poroshenko, 10 de julho de 2017” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Ukraine%E2%80%93NATO_relations

Imagem 2 Condoleezza Rice, exSecretária de Estado dos Estados Unidos, e Arseniy Yatsenyuk, criador do Fórum de Segurança de Kiev, 23 de setembro de 2007” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Rice_-_Yatsenyuk_2007_09_23_ukraine_600.jpg

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Xi Jinping defende independência da China diante da guerra comercial

O Presidente da China, Xi Jinping, enfatizou a necessidade de a China focar em independência e inovação para lidar com os desafios de longo prazo dos Estados Unidos, informa o jornal South China Morning Post.

A inovação tecnológica é a raiz da vida dos negócios”, afirmou Xi na segunda-feira (20 de abril), durante uma visita à Província de Jiangxi. O Presidente asseverou: “Apenas se nós possuirmos propriedade intelectual e tecnologias-chave, poderemos fabricar produtos com grande competitividade e nós não seremos derrotados com a intensificação da competição”.

Xi Jinping, Presidente da China

Os comentários do Mandatário chinês, transmitidos para toda a China na noite de quarta-feira (22 de abril), ocorrem após o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinar uma ordem executiva que baniu do mercado americano os produtos fabricados pela empresa de telecomunicações chinesa, Huawei, pois acredita que eles representam “um risco injustificado de sabotagem”ao sistema de telecomunicações dos Estados Unidos. Os comentários também seguem o colapso das negociações comerciais entre os dois países, deflagrando o aumento de tarifas sobre importações por parte de Washington e Pequim.

O Presidente chinês também lembrou: “Este ano é o 70º aniversário da fundação da Nova China. Nós devemos ter em mente de onde vem o nosso poder e como a Nova China foi construída, de forma que nós protejamos o socialismo com características chinesas defendido pelo Partido Comunista”, pedindo ao público que se lembre dos sacrifícios feitos pelos comunistas pioneiros.

Xi usou os discursos durante a viagem para destacar várias políticas governamentais, sinalizando que Pequim não comprometerá suas prioridades domésticas ao lidar com os Estados Unidos. As políticas abrangem o apoio a pequenas empresas, energia limpa, desenvolvimento, bem-estar social e combate à pobreza.

Na avaliação de Zhang Yansheng, diretor de pesquisa no Centro Chinês para Intercâmbios Econômicos Internacionais, um think tank afiliado ao governo, a China e os Estados Unidos vão continuar a se confrontar nos anos vindouros. Zhang apontou: “Eu acho que nos próximos 17 anos, até 2035, a China e os Estados Unidos vão continuar a dialogar e a se enfrentar, e a dialogar e a se enfrentar novamente”.Mas, para o analista, ambos os países vão, eventualmente, retornar a um sistema baseado no respeito a normas internacionais para governar o comércio e a economia globais. E frisou: “A China fará o que for necessário para alcançar seus objetivos”.  

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Trabalhadores chineses”(Fonte): https://www.pexels.com/photo/group-of-persons-wearing-yellow-safety-helmet-during-daytime-33266/

Imagem 2 Xi Jinping, Presidente da China” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=xi+jinping&title=Special%3ASearch&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1#/media/File:Xi_Jinping_2016.jpg

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Relações Franco-Angolanas e a Organização Internacional da Francofonia

O continente africano em sua diversidade histórica e heranças do período colonial apresenta a multiplicidade de idiomas como uma das suas especiais características. Somado a este fator, também se observa o diálogo entre os países que possuem similaridades histórico-culturais, por vezes utilizando a facilidade linguística para ampliar as relações político-diplomáticas e incrementar a Cooperação e o Comércio.

Na conjuntura atual da África, pode-se mencionar a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Equatorial e Moçambique) e a Liga dos Estados Árabes (Egito, Líbia, Tunísia, Argélia, Marrocos, Mauritânia e Sudão). De caráter análogo às Instituições extra-regionais supracitadas, a Organização Internacional da Francofonia (OIF) está inserida nas dinâmicas do continente africano.

A OIF desenvolve suas atribuições em um mundo onde, aproximadamente, 300 milhões de pessoas são francófonas – segundo dados da Organização do ano de 2018. Criada em 1970 como um fórum de cooperação multilateral, a OIF possui como objetivo o fortalecimento dos laços entre os 88 Estados Membros, incluindo os Permanentes, os Membros Associados e os Observadores.

Logo da Organização Internacional da Francofonia

Com a intensão de integrar o quadro de Membros Observadores da OIF, o Ministro das Relações Exteriores de Angola apresentou a candidatura do seu país à Secretaria Geral da Organização, no mês de maio de 2019. Além do desejo em ampliar o escopo de suas relações internacionais, também se encontra a relevância dada aos diálogos regionais, como é o caso da República Democrática do Congo, país vizinho de Angola que possui o Francês como língua oficial.

No tocante à relação bilateral Franco-Angolana, estas iniciaram em 1977, porém passaram a ser aprofundadas em 2008. De forma complementar, cabe mencionar a parceria existente na área de investimentos externos, principalmente no setor petrolífero.

Identificam-se como eixos do processo de cooperação bilateral os setores educacionais, pesquisa e cultural, de acordo com a Embaixada francesa em Angola. Dentre as iniciativas existentes que se relacionam com a candidatura angolana a OIF está a difusão do idioma. O projeto, iniciado em 2008, objetiva a inclusão do ensino do francês como componente de língua estrangeira nas Universidades angolanas.

Bandeira e, ao fundo, a Assembleia Nacional de Angola

A iniciativa do Governo angolano de inserção diversificada em fóruns de negociações e cooperação multilateral pode ser identificada como uma atuação expressiva na busca por novos investimentos e aprofundamento de parcerias no cenário exterior. Especificamente no caso da integração com a OIF, compreende-se que tal interesse se atribui às relações já estabelecidas com a França. Soma-se a este fator a esfera regional, uma vez que apenas no continente africano encontram-se 30 países* com status de Membro Permanente da Organização.

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Nota:

*  Benin; Burkina Faso; Burundi; Cabo Verde; Camarões; República Centro-Africana; Chade; Comores; Congo Brazzaville; República Democrática do Congo; República da Guiné; Costa do Marfim; Djibouti; Egito; Gabão; Gana; Guiné-Bissau; Guiné Equatorial; Madagascar; Mali; Marrocos; Maurício; Mauritânia; Níger; Ruanda; São Tomé e Príncipe; Senegal; Seychelles; Togo; Tunísia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa da Francofonia: Estados membro em destaque azul; Estados Associados em azul claro; Estados observadores em verde; e Estados suspensos em vermelho”(Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_Internacional_da_Francofonia#/media/File:Map-Francophonie_organisation_en.svg

Imagem 2Logo da Organização Internacional da Francofonia” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/File:Flag_of_La_Francophonie.svg

Imagem 3 Bandeira e, ao fundo, a Assembleia Nacional de Angola” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Angola#/media/File:Angola_National_Assembly_Building_(19898889148).jpg

MEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

Líder da Esquerda Socialista deseja que o Parlamento norueguês declare crise climática nacional

Conforme vem sendo disseminado na mídia, especialmente por pesquisadores e ativistas, a questão climática é uma realidade global, sobre a qual todos os Estados precisam se unir para reduzirem os poluentes na atmosfera. Conforme apontam especialistas, se a inércia política permanecer e a temperatura do planeta ascender a 2,0ºC, os riscos de desastres naturais são altos. Nesta perspectiva, as geleiras dos polos, por exemplo, irão derreter, fazendo com que os níveis dos oceanos elevem e, com isso, diversos países costeiros serão arrasados.

Na Noruega essa é uma pauta importante, visto que o Estado é um dos maiores produtores de petróleo do mundo e o país possui uma flora e fauna sensíveis à temperatura do Ártico. Todavia, o meio ambiente parece ser um assunto pouco tratado pelos políticos do Storting* e, diante disso, Audun Lysbakken, o líder da Sosialistik Venstreparti – Partido da Esquerda Socialista (SV), vem pressionando o Parlamento para que declare a existência de uma crise climática nacional.

O movimento em defesa do clima é de inspiração britânica, recebendo destaque após ativistas ambientais conseguirem o feito de pressionarem o Parlamento no Reino Unido a decretar uma crise climática nacional, e a adoção de medidas semelhantes pelo Canadá e Suíça. O objetivo do Parlamentar do SV, é despertar a atenção de seus pares para que eles instaurem no país cortes que ele considera realistas, de 60%, até 2030, em defesa do clima e da diversidade de espécies naturais.

Storting

O jornal Aftenbladet trouxe a afirmação do político norueguês sobre o assunto. Ele declarou: “O que nós queremos é que o Storting declare que estamos no meio de uma crise climática que constitui uma emergência nacional para a Noruega e uma emergência para o mundo ao nosso redor. O problema é que propomos medidas climáticas concretas o tempo todo, mas há a paralisia de ação da maioria política. Estamos procurando descobrir se a maioria do Storting compartilha não apenas da nossa percepção, mas também da percepção dos pesquisadores do clima sobre a gravidade da situação”.

Os analistas concordam que precisam ser feitas ações voltadas para a sustentabilidade e para a preservação ambiental, sejam por meio de iniciativas governamentais, sejam por intermédio de pressões populares. Todavia, salientam que a negação ou a ignorância dos alertas dos pesquisadores poderão acarretar fortes prejuízos, não só para a sociedade norueguesa, como, também, para os demais Estados.

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Nota:

* Storting ou Stortinget, em norueguês, é o nome dado ao Parlamento do país, composto por 169 membros, eleitos a cada 4 anos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O parlamentar Audun Lysbakken” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/64/Audun_Lysbakken_2009.jpg/1024px-Audun_Lysbakken_2009.jpg

Imagem 2 Storting” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d0/Stortinget%2C_Oslo%2C_Norway_%28cropped%29.jpg/1280px-Stortinget%2C_Oslo%2C_Norway_%28cropped%29.jpg

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

A OMS criará um grupo consultivo técnico em saúde digital

A Organização das Nações Unidas (OMS) está estabelecendo um grupo técnico multidisciplinar global para assessorar em questões relacionadas à saúde digital. O seu recém-criado Departamento Digital de Saúde trabalhará para aproveitar o poder das tecnologias digitais de saúde para ajudar no alcance do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3 (Garantir vidas saudáveis e promover o bem-estar para todos em todas as idades). 

Logo da OMS

De acordo com a nota da Organização, para apoiar este trabalho, ela está estabelecendo uma lista de especialistas em várias áreas relacionadas à saúde digital, como abordagens estratégicas, áreas de intervenção e estruturas de governança para regulamentações, e adoção de soluções e produtos de saúde digital. Alguns desses especialistas serão selecionados para fazer parte de um grupo consultivo técnico, enquanto outros poderão ser chamados para participar de subgrupos específicos. 

Para os perfis desejados, os membros do grupo consultivo técnico deverão ter experiência em: trabalho em saúde digital; programas e políticas digitais de saúde nacional ou de grande escala; inteligência artificial e saúde; realidade virtual e aumentada em saúde; inovação biomédica; cirurgia robótica; tecnologias vestíveis e saúde e bem-estar; rastreabilidade (por exemplo, blockchain); ética, governança e segurança no ecossistema de saúde com foco em saúde digital; economia da saúde, com foco em saúde digital; e legislação de saúde, com foco em tecnologias digitais de saúde. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Saúde Digital” (Fonte): https://www.mamutbr.com/healthtech/

Imagem 2 Logo da Organização Mundial da Saúde” (Fonte): http://dravet.pt/organizacao-mundial-saude-oms-reconheceu-potencial-medicinal-do-canabidiol/

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

As perspectivas futuras sobre as relações EUA – Rússia

Nos últimos meses, as relações diplomáticas entre Rússia e Estados Unidos (EUA) encontram-se estremecidas e instáveis. Há, de um lado, questões de política internacional em que o posicionamento dos dois países é antagônico, como sobre a liderança política na Venezuela e sobre o fim do Acordo Nuclear dos EUA com o Irã. Mas, há também assuntos bilaterais que impactam negativamente no diálogo entre eles e, consequentemente, despertam desconfianças e apreensão da comunidade internacional.

Diante desse cenário, no dia 14 de maio (2019), o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, esteve em Sochi, na Rússia, para uma reunião oficial com o presidente Vladimir Putin e o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov. A visita oficial de Pompeo representa uma tentativa de aproximação entre os dois países.

Como esperado, assuntos de política internacional foram discutidos entre os três líderes, principalmente sobre a Síria, a Venezuela, o Irã e a Coreia do Norte. Em síntese, o presidente Putin e o secretário Pompeo se comprometeram em manter o diálogo sobre tais questões delicadas e anunciaram que vão se empenhar para encontrar meios que possam permitir que conflitos internos e crises humanitárias, como na Síria e na Venezuela, encerrem-se de maneira pacífica.

O Ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov

À parte dessas questões, as relações bilaterais também foram o foco da Conversa, principalmente sobre o futuro do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF, sigla em inglês) e do Novo START, um Tratado de redução de armas entre os dois países que está para expirar em fevereiro de 2021. Pompeo, Putin e Lavrov comprometeram-se a incentivar suas delegações a negociarem sobre a extensão do Novo START, contudo, o futuro do INF não foi discutido explicitamente. Mike Pompeo, no entanto, destacou que o Presidente dos EUA, Donald Trump, tem a intenção de construir um Acordo trilateral, o qual envolveria não só a Rússia e os EUA, mas a China também. De acordo com o Secretário de Estado, “o presidente [Trump] quer um controle sério dos armamentos que ofereça segurança real ao povo americano e nós sabemos que para alcançar esses objetivos teremos que trabalhar juntos, e seria importante se isso fosse possível envolver a China também”.        

Outro assunto bilateral que foi discutido foi o Relatório Mueller e a suposta intervenção russa nas eleições norte-americanas em 2016. De acordo com esse Documento, o procurador especial Robert Mueller concluiu que não houve conspiração entre a campanha de Donald Trump e a Rússia. Lavrov então destacou que esperava que a conclusão dada pela investigação encerrasse esse momento conturbado entre os dois países, podendo, portanto, caminhar para a construção de um diálogo mais profissional e construtivo. A resposta dada por Pompeo foi de garantir a Putin e Lavrov que os EUA não aceitarão intervenção da Rússia em seus assuntos internos e que caso algo desse porte ocorra nas eleições de 2020, o futuro das relações diplomáticas entre os dois Estados estará bastante comprometido.

Reunião entre as duas delegações, EUA e Rússia, com a presença do Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e do Ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov

Embora a Porta-Voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, tenha descrito que o Encontro produziu uma discussão bastante frutífera entre as partes, especialistas destacam que há ainda muito do que precisa ser feito para que as perspectivas futuras sejam positivas, visto que não houve muitas decisões concretas acerca dos assuntos delicados que permeiam a diplomacia dos dois países. Além disso, recentemente, o Porta-Voz do Kremlin, Dmitry Peskov, deu uma entrevista ao canal televisivo Rossiya-1 em que afirmou que os posicionamentos das autoridades norte-americanas são bastante instáveis, que elas mudam diariamente e não há como prever como estarão as relações Rússia-EUA diante dessas alterações constantes. Segundo Peskov, “dificilmente alguém terá coragem de fazer previsões sobre o futuro das relações bilaterais nos próximos dois anos”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, e o Presidente da Rússia, Vladimir Putin” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/UjvgDM28h9FmvoZXoZdUUOPnbnMCrDSQ.jpg

Imagem 2O Ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/xeRNn5ecLQOTqQJQ68siy9AA0oYfZQAZ.jpg

Imagem 3Reunião entre as duas delegações, EUA e Rússia, com a presença do Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e do Ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov” (Fonte): http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/ZWBWA0dA7WMhqjG1KJCsexmYADwgn4Qf.jpg