EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

A Dinamarca aprova a construção do gasoduto russo

O Nord Stream 2 é um projeto subsidiado pela companhia russa Gazprom, a qual já opera um gasoduto semelhante que faz a ligação entre a cidade eslava de Vyborg e a cidade alemã de Greifswald. O objetivo da nova linha Nord Stream é aumentar o volume de gás natural para a União Europeia (UE), possuindo potencial de acréscimo de 55 bilhões de metros cúbicos.

A questão da construção estava nebulosa, pois a Dinamarca não permitia o avanço da obra em direção a seu território, porém, a controvérsia ganhou uma resolução, pois os dinamarqueses autorizaram que a estrutura ingresse perto da ilha de Bornholm, pertencente a Copenhague*, a qual localiza-se nas proximidades com a Suécia e a caminho do Mar Báltico.

A licença veio da Energistyrelsen (Agência de Energia Dinamarquesa), que legitimou suas ações a partir das obrigações internacionais do Estado escandinavo com a Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o Direito do Mar, que ocorreu em Montego Bay, Jamaica, em 1982.

../../1.%20c.%20Bruno%20Veillard%20-%2018.11.19/Imagem%202%20-%20Bruno%20Veillard%20-%2018.11.19%20-%20Energistyrelsen%20-%20C

O jornal Copenhagen Post trouxe a declaração da Energistyrelsen sobre o assunto, a qual afirmou: “A Dinamarca é obrigada a permitir a construção de gasodutos de trânsito com relação aos recursos e ao meio ambiente e, se necessário, atribuir a rota onde esses gasodutos devem ser instalados”.Apesar da resposta positiva de Copenhague, a medida foi concebida em meio a pequenas polêmicas geopolíticas, pois os mandatários dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, e da Federação Russa, Vladimir Putin, respectivamente, comentaram a hipótese de aplicação de sanções contra a Alemanha, e que a Dinamarca estava sob pressão do exterior em relação à temática.

Os analistas compreendem como sendo sensata a decisão pela aprovação do gasoduto, que representa não apenas maior incidência de energia na Europa, como também a oportunidade de incremento das relações comerciais entre a Dinamarca e a Federação Russa. O risco europeu de dependência do gás russo é uma realidade provável, todavia, isso não significa que ele se torne exclusivo para o Velho Continente, que caminha com uma política conjunta de incentivo à energia renovável, algo que também inclui a Dinamarca.

———————————————————————————————–

Nota:

* Copenhague: capital do Reino da Dinamarca; referente no texto em alusão à soberania do Estado.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa da Dinamarca e Ilha de Bornholm à direita” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/b2/Denmark-es.svg/1280px-Denmark-es.svg.png

Imagem 2 Energistyrelsen Agência de Energia Dinamarquesa” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e3/Amaliegade_44_from_the_water.jpg
ÁfricaCOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Investimento na cultura de Cabo Verde

A cultura vista como uma das pautas dentro do processo de desenvolvimento tem movimentado Cabo Verde durante o ano de 2019. Diversas iniciativas foram adotadas visando a preservação de patrimônios históricos materiais e imateriais.

Ainda neste mês de novembro (2019), foi anunciado pelo Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas e pela Câmara Municipal de Ribeira Grande o investimento para a revitalização da Cidade Velha, localidade situada ao sul da Ilha de Santiago. Avaliado em 1 milhão de euros (aproximadamente 4,6 milhões de reais, na cotação de 11 de novembro de 2019), o empreendimento consiste em restauração de ruas, calçadas e fachadas de prédios históricos. Além de ser uma forma de melhorar a acessibilidade e qualidade de vida da população local, o investimento visa a atração de turistas.

Neste tocante, torna-se importante destacar que a Cidade Velha integra a lista de Patrimônios Mundiais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, sigla em Inglês para United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization) desde 2009.

Entre os séculos XV a XVIII a Cidade Velha integrou as possessões do reino de Portugal, representando um entreposto importante nas dinâmicas escravagistas. O estabelecimento de colonos portugueses influenciou na arquitetura, cultura, religião e idioma local.

Celas coletivas do Campo de Tarrafa

Seguindo a mesma dinâmica de investimento, será reabilitado o antigo Campo de Concentração de Tarrafal, que está orçado em 320 mil euros (em torno de 1,5 milhão de reais, segundo a cotação de 11 de novembro de 2019). Ambos projetos estão inseridos no quadro de ações do Plano Nacional de Reabilitação de Edifícios Históricos e Religiosos.

O Campo de Tarrafal, também conhecido como Campo de Trabalho de Chão Bom, abriga o Museu da Resistência, tendo em vista seu valor histórico. Durante 30 anos a localidade foi uma colônia penal, que funcionou como campo de concentração de inimigos políticos de origem portuguesa, angolana, guineense e caboverdiana (de orientação antifascistas e anticolonialistas) no período do Governo de Salazar, em Portugal.

Logo do Comitê do Patrimônio Mundial da Humanidade da UNESCO

Além dos aspectos históricos culturais herdados do período colonial, o país também investe na valorização de traços culturais naturais do arquipélago. Neste contexto de difusão cultural pode-se citar a Morna, gênero musical originário do arquipélago. O dossiê de solicitação de integração da Morna na lista de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade foi submetido em 2018, e teve sua aprovação durante o mês de novembro (2019). O processo será finalizado com a ratificação, que ocorrerá em dezembro de 2019.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Cidade Velha, Ilha de Santiago, Cabo Verde” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Cidade_Velha#/media/File:Cidade_Velha_Pelourinho_square_b_2011.jpg

Imagem 2Celas coletivas do Campo de Tarrafal” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Campo_do_Tarrafal#/media/Ficheiro:TarrafalEdificios.JPG

Imagem 3Logo do Comitê do Patrimônio Mundial da Humanidade da UNESCO” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/World_Heritage_Site#/media/File:World_Heritage_Logo_global.svg

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Atraso na implementação do acordo no Sudão do Sul e a pressão internacional

No dia 7 de novembro de 2019 houve a terceira reunião entre Salva Kiir Mayardit, Presidente do Sudão do Sul, e Riek Machar Teny Dhurgon, líder da oposição em Uganda. A expectativa era de que a partir do dia 12 de novembro fosse implementado o governo integrado, mas alguns tópicos ainda precisam de resoluções. Assim, com a mediação do Presidente de Uganda, Yoweri Museveni, do Chefe do Conselho Soberano do Sudão, Abdalftah Alburhan, e do enviado especial do Quênia ao Sudão do Sul, Stephen Kalonso Musyoka, o processo foi postergado em 100 dias, com uma revisão após 50 dias e elaboração de mecanismos de supervisão das negociações. Também requisitaram o apoio do organismo sub-regional africano Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD).

Primeiro Presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir Mayardit

Algumas questões precisam chegar a um entendimento comum, como o número de estados no país e a fusão de aproximadamente 41.500 soldados das forças do governo e da oposição em um Exército Nacional unificado, com treinamento padronizado. Desses, 3.000 seriam pertencentes a uma unidade de proteção especial para autoridades. O analista Alan Boswell, do grupo International Crisis (Crise Internacional), afirmou à rede de notícias Associated Press que a implantação do governo desenhado pelo acordo de paz na data prevista teria o risco imediato de colapso sangrento. Por isso, deve-se pressionar para solução dos desafios, para que o regime seja viável.

Vice-presidente e líder da Oposição, Riek Machar Teny Dhurgon

Os líderes na reunião realçaram a importância do apoio da comunidade internacional para implementação do Acordo Revitalizado para Resolução do Conflito no Sudão do Sul. O Secretário de Estado Adjunto dos Estados Unidos para os Assuntos Africanos, Tibor Nagy, realizou algumas declarações em seu twitter, parabenizando as autoridades de Uganda, Sudão e Quênia pela iniciativa. No entanto, os Estados Unidos estão revendo seu relacionamento com o Sudão do Sul e considerando todas as opções possíveis para pressionar aqueles que estão impedindo a paz, além de questionarem a capacidade dos atores por não conseguirem cumprir seus próprios prazos. O Papa Francisco comentou que espera visitar o país no próximo ano (2020), e pediu para que as autoridades sul-sudanesas encontrem o consenso para o bem da nação. Vale relembrar que no dia 20 de outubro houve uma reunião na capital, Juba, na qual os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas já pediam pelo avanço do compromisso assumido.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Reunião tripartite sobre acordo de paz no Sudão do Sul” (Fonte): https://twitter.com/KagutaMuseveni?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1192469049395036160&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.africanews.com%2F2019%2F11%2F08%2Fsouth-sudan-rivals-delay-unity-govt-formation-by-100-days%2F

Imagem 2 “Primeiro Presidente do Sudão do SulSalva Kiir Mayardit” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Salva_Kiir_Mayardit#/media/File:Salva_Kiir_Mayardit.jpg

Imagem 3 “Vicepresidente e líder da Oposição, Riek Machar Teny Dhurgon” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Riek_Machar#/media/Ficheiro:Riek_Machar_VOA_photo.jpg

ÁSIAEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia e China na guerra da (des)informação

Com o ardiloso uso das redes sociais para espalhar fakenews, a desinformação tornou-se uma ferramenta poderosa de controle das massas. A velocidade e a quantidade de dados que trafegam diariamente em nossas páginas iniciais não permitem um escrutínio necessário. Por vezes, o receptor crê em títulos bem elaborados ou textos passionais, sem analisar o conteúdo. Rússia e China se beneficiam desta estratégia.

Recentemente, protestos pró-democracia em Hong Kong chamaram a atenção do mundo. Os participantes foram discricionariamente taxados bandidos” e “radicais por Beijing, como maneira de apaziguar o alarde na China. Imagens de rufiões invadindo as ruas e alegações sem provas de que os movimentos são apoiados pela CIA e grupos estrangeiros estão sendo disseminados pela mídia chinesa, embora desacreditados pelos observadores de fora

Especialistas na área de fakenews e desinformação comparam a abordagem chinesa com a abordagem russa em trabalhar informações jornalísticas, e concluem que são diferentes em estilo e técnica, em parte pelas perspectivas e objetivos divergentes dos países. Enquanto a China “é mais sobre autodefesa, a Rússia é mais sobre ativamente sair a campo, mirando em eventos estrangeiros”, diz o professor Haifeng Huang, do campus Merced da Universidade da Califórnia. Nesse sentido, para ele, na guerra da desinformação a China “se comporta melhor” aos olhos do mundo.

Russia Operação INFEKTION de desinformação

A Rússia conta com uma agência de propaganda chamada Agência de Pesquisa da Internet (Internet Research Agency), sobre a qual há acusações de ser responsável por travar uma guerra de memes* para dividir os Estados Unidos. Isso demonstra um alto nível de conhecimento de causa e, pode-se concluir, se as acusações forem corretas, que os russos se preparam com “meses e meses de antecedência” para criar o paradigma perfeito para espalhar as notícias que querem que o mundo saiba, e, de pronto, a própria influência.

Acredita-se que o Kremlin atingiu um alto nível de sofisticação em trabalhar conteúdo pelas suas origens na longa experiência soviética de espionagem e na vantagem sobre a China, que é possuir mais laços diplomáticos com o Ocidente antes de 1970. Professor Huang ainda diz que as autoridades chinesas “não têm um entendimento sofisticado de discursos comuns, perspectivas e opinião pública fora da China e não sabe como se envolver efetivamente com as sociedades ocidentais”. 

Pelo que tem sido disseminado e apontado por analistas, as informações e (des)informações da Federação Russa são mais críveis que o conteúdo forçado desenvolvido pela China. O Kremlin tem mais habilidade em se infiltrar onde lhe aprouver. Ressalte-se que os escopos são diferentes e não parece que isso mudará tão cedo. Enquanto Beijing olha para dentro, Moscou concentra-se para fora, especialmente agora com a nova Lei da Internet Soberana, que lhe dá a segurança interna de que necessita.

———————————————————————————————–

Nota:

Meme: imagem, conceito ou frase que se espalha rapidamente no meio virtual, com o objetivo de causar impacto, normalmente de maneira humorada.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Repórteres com Fake News 1894” (Fonte – Frederick Burr Opper): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:The_fin_de_si%C3%A8cle_newspaper_proprietor_(cropped).jpg

Imagem 2 “Russia Operação INFEKTION de desinformação” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/38/Deception%2C_Disinformation%2C_and_Strategic_Communications.pdf

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Equador investe para reposicionar café no mercado internacional

Governo do Equador declarou que pretende investir na melhoria de qualidade do café equatoriano para posicioná-lo como produto premium no mercado internacional. A declaração foi feita por Iván Otaneda, titular do Ministério de Produção, Comércio Exterior, Investimentos e Pesca (MPCEIP), em 25 de outubro de 2019, por ocasião do encerramento do Concurso Taza Dorada 2019, em Quito, capital do país.

O Equador é um dos “Top 20” nos rankings de países produtores e de países exportadores da Organização Internacional do Café (ICO, na sigla em inglês). O Ministro afirmou que os produtores devem aumentar a integração entre si e priorizar a qualidade em relação ao volume de produção, visando o posicionamento do Café do Equador como produto de excelência.

Uma das iniciativas do Governo foi a realização do Festival de Café Cuatro Mundos. O Festival reuniu produtores de toda a cadeia produtiva em torno de oficinas, conferências e rodas de diálogo, durante três dias (18, 19 e 20), em outubro de 2019. Por sua vez, o Concurso Taza Dorada é realizado pela Associação Nacional de Exportadores de Café (Anecafé) e os competidores são avaliados por juízes dos Estados Unidos, Ásia e América Central.  

Concurso Taza Dorada

Ministro do MPCEIP ressaltou a importância de aliança entre poder público, academia e setor privado para a oferta de crédito e microcrédito. A estratégia do Governo do Equador, de investir em melhoria de qualidade e diferenciação do café para o mercado internacional, se assemelha à que vem sendo utilizada para o cacau e chocolate, que já foi objeto de matéria no Ceiri News.

———————————————————————————————–

Imagem 1 Planta de café equatoriano” (Fonte): https://scontent.frao1-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/11896050_873118529436975_8538882145782882860_n.jpg?_nc_cat=108&_nc_oc=AQnEPjkC-isH5LxexnwNLOdWN-Zitp5PBVNdaHPpvXbeBbo0S3JNxx4w0Iv6SjG_Qj4&_nc_ht=scontent.frao1-1.fna&oh=d13cc9bcac81ae51dec5d1caa6a85fd0&oe=5E57B760

Imagem 2 Concurso Taza Dorada” (Fonte): http://www.produccion.gob.ec/wp-content/uploads/2019/10/photo5015061831131179123-1024×576.jpg

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

A política externa russa para o Oriente Médio

A política externa russa sempre considerou o Oriente Médio como um espaço de interesse com alta relevância para seus objetivos geopolíticos. Em consequência disto, uma série de medidas e campanhas militares foram empreendidas pelo país na região.

Na última década, sobretudo após a deflagração do conflito da Síria, em 2012, o Kremlin tem diversificado alianças e construído a imagem de um ator fundamental para o equilíbrio da região.

Uma série de escolhas políticas empreendidas pela administração de Donald Trump, como o isolamento do Irã e a retirada de uma grande parte das tropas estadunidenses da Síria, têm representado para muitos analistas oportunidades para a política russa na área. Em um retrospecto, é possível afirmar que Moscou vem empreendendo um esforço considerável e bem-sucedido para aproveitá-las.

A política externa da Rússia para região tem resultado em uma série de acordos nas mais distintas áreas e com uma multiplicidade de aliados, desde a venda de equipamento militar para a Turquia, até a participação da Marinha do Irã em distintos exercícios militares organizados pelas Forças Armadas da Rússia, em outubro de 2019.

O presidente do Irã, Hassan Rouhani, recebe o Ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoygu, em Teerã, para tratar dos conflitos na Síria

O episódio mais recente é a reunião promovida pelo presidente russo Vladmir Putin com o seu par turco, Recep Tayyip Erdogan. Os mandatários reuniram-se na cidade litorânea de Sochi para tratar da Operação Nascente da Paz, a recente ofensiva militar turca sobre o norte da Síria.

A solução envolvendo as três partes levará à criação de uma zona de contenção na região. As forças curdas, particularmente das Unidades de Defesa Popular (YPG, da sigla em curdo para Yekîneyên Parastina Gel), deverão retroceder e permanecer a não menos do que 30 quilômetros da fronteira entre a Turquia e a Síria. Outras forças militares estrangeiras, notoriamente as estadunidenses, também deverão deixar a região.

Em uma solução visando equilibrar as tensões entre turcos e sírios, tropas da Rússia (reconhecida como um interlocutor razoável pelas demais partes) ocuparão o vazio deixado, já que a política externa conduzida atualmente pelos Estados Unidos para o Oriente Médio, que radicaliza a posição do país em negociações como as com o Irã, e também se ausenta da participação em outras esferas, como a proteção aos curdos no norte da Síria, cria uma série de espaços em termos da atuação de potências no Oriente Médio.

Frente a tais atitudes, os Estados da região têm buscado diálogos entre si e com outros aliados extra-regionais, visando diminuir possíveis instabilidades ou desentendimentos que possam vir a existir.

Aproveitando-se desta oportunidade, a Rússia tem atuado como pivô de negociações e ponte para aproximação dos interesses mais diversos. Ao fazer isso, ganha confiança de atores por vezes antagônicos no Oriente Médio.

Por ora, não parece possível afirmar que o país venha a consolidar sua posição de liderança na área, tendo em vista que não foi apresentada nenhuma política para ação conjunta ou criação de uma estrutura centrada na região. Entretanto, é necessário notar que a Rússia vem adotando uma linha da ação de aproveitar oportunidades, dedicada a se inserir em distintos espaços e aproveitar oportunidades que se apresentem.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Os presidentes da Turquia, Receip Tayyip Erdogan, e da Rússia, Vladimir Putin, durante encontro realizado na cidade russa de Sochi, para tratar da operação militar turca no Norte da Síria” (Fonte: Conta oficial da Presidência da Rússia no Twitter @KremlinRussia_E) https://twitter.com/KremlinRussia_E/status/1186739380146397189

Imagem 2O presidente do Irã, Hassan Rouhani, recebe o Ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoygu, em Teerã, para tratar dos conflitos na Síria”(Fonte: Conta oficial do Presidente do Irã no Twitter, @HassanRouhani): https://twitter.com/hassanrouhani?lang=en

https://twitter.com/hassanrouhani?lang=en