AMÉRICA LATINAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rússia inaugura centro de treinamento de pilotos de helicóptero na Venezuela

No dia 29 de março (2019), foi inaugurado um novo centro de treinamento de pilotos de helicóptero na Venezuela. A área foi construída com o auxílio da Rosoboronexport, exportadora de armamentos da Rússia que pertence à estatal Rostec, em parceria com a CAVIM, empresa estatal venezuelana do setor militar.

O objetivo do Centro é instruir pilotos venezuelanos no comando dos helicópteros russos da linha Mi, como o Mi-17V-5, o Mi-35M e o Mi-26T. De acordo com a Rosoboronexport, “atualmente, os helicópteros russos fornecidos à Venezuela não só participam de operações contra contrabandistas, mas também realizam com sucesso levantamentos aéreos de incêndios florestais, participam de missões de resgate e evacuação em áreas atingidas por desastres naturais e transportam cargas humanitárias para regiões remotas do país”. Ainda segundo comunicado da empresa exportadora, espera-se a ampliação contínua da cooperação de defesa entre os dois países, agora atentando-se à capacitação de especialistas e na manutenção dos equipamentos.

A inauguração do novo centro de treinamento ocorre em meio ao escalonamento das tensões entre a Venezuela e o seu entorno regional, principalmente com os Estados Unidos (EUA). No dia 23 de março (2019), dois aviões que transportavam militares russos e 35 toneladas de carga pousaram na capital Caracas. Esse acontecimento despertou desconfianças quanto às intenções russas na região e o Secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, entrou em contato com o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, para esclarecer a situação.

Projeção Ortográfica do Mi-24

De acordo com um diplomata russo, na conversa entre os dois líderes foi explicado que esses militares foram enviados com o objetivo de garantir a manutenção de equipamentos fornecidos sob um acordo intergovernamental, ratificado pelo Parlamento venezuelano, em 2001. Embora tenham apresentado essa justificativa, o governo norte-americano segue em alerta. Pompeo declarou que os EUA não relevariam as ações russas na Venezuela e o presidente Trump declarou publicamente que a Rússia tem que sair do país sul-americano.

A partir do posicionamento americano, o ministro da defesa venezuelano Vladimir López declarou que, embora haja reclamações das atividades militares da Federação Russa em seu país, não há um descontentamento igual ou similar ao aumento das atividades militares dos EUA. De acordo com López, “Ninguém diz nada quando tentam violar a soberania da Venezuela”.

A situação política do país sul-americano, portanto, é conturbada, e as relações entre Rússia e EUA seguem inconstantes, com várias discordâncias. Enquanto o governo norte-americano reconhece Juan Guaidó, líder da oposição, como Presidente Interino da Venezuela, os russos seguem apoiando Nicolás Maduro como o líder legítimo do país. Entretanto, de acordo com o cientista político russo Gevorg Mirzayan, seu governo não tem a intenção de salvar Maduro, “os objetivos são mais globais. O programa mínimo é reforçar o prestígio [da Rússia] nos países do Terceiro Mundo. O programa máximo é forçar os EUA a reverem as relações russo-americanas”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Um Mi24PN russo” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/11/Russian_Air_Force_Mil_Mi-24PN_Dvurekov-6.jpg/800px-Russian_Air_Force_Mil_Mi-24PN_Dvurekov-6.jpg

Imagem 2Projeção Ortográfica do Mi24” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Mil_Mi-24_HIND.svg/800px-Mil_Mi-24_HIND.svg.png

América do NorteÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

EUA demonstram insatisfação com taxas japonesas sobre produtos agrícolas

O governo estadunidense expressou insatisfação em relação às taxas japonesas sobre produtos agrícolas do país, além de queijo e vinho. No relatório anual do Representante de Comércio dos Estados Unidos sobre barreiras comerciais consta que a manutenção das taxas japonesas sobre seus produtos impede a entrada no mercado asiático. Dentre os principais descontentamentos estão as tarifas de dois dígitos, como 32% sobre laranjas, de 22,4% a 40% sobre alguns tipos de queijos, 17% sobre maçãs, e 15% sobre o litro do vinho.

Na balança comercial entre os países, os EUA se encontraram em posição deficitária de U$ 67,6 bilhões, aproximadamente R$ 262,5 bilhões*, representando uma queda de 1,8% em relação ao ano de 2017, com as exportações alcançando uma margem de crescimento de 10,9% no mesmo período.

O Japão foi o 4º maior mercado de exportação do ano passado (2018), porém, considerando somente produtos agrícolas, ocupa a 3ª posição. Quanto a importações, a quantidade de produtos importados do Japão teve um aumento de 4,5%, correspondendo a cerca de U$142,6 bilhões, aproximadamente R$ 552,5 bilhões*.

Encontro entre Shinzo Abe, Primeiro-Ministro japonês, e Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, em novembro de 2017

O Documento foi divulgado antes das negociações possivelmente agendadas neste mês de abril de 2019, a depender de data do encontro de Trump com Xi Jinping, Presidente da China, também esperada para este mês. Em setembro do ano passado (2018), Trump, Presidente dos Estados Unidos, e Shinzo Abe, Primeiro-Ministro do Japão, conversaram a respeito da criação de um Acordo Comercial Japão-EUA.

Espera-se que Abe e Trump se reúnam para discutir o Acordo, que, no entanto, difere-se entre as Partes: Trump gostaria de um acordo de livre comércio, abarcando serviços, investimentos e produtos, enquanto Abe deseja um baseado somente em produtos. É interessante notar que, apesar das altas tarifas, segundo a análise do Relatório, o Japão ainda permanece em altas posições no ranking de parcerias comerciais.

Seguindo a manutenção das boas relações, três encontros possivelmente ocorrerão em meses consecutivos: em abril, Abe pretende ir aos EUA; Trump visitará o Príncipe Naruhito em maio, após sua ascensão ao trono, substituindo o Imperador Akihito em 1º de maio; e Abe convidará Trump para a cúpula do G20, em junho, em Osaka. Não somente o aspecto comercial, como também a questão das sanções da Coreia do Norte, devem ser abordados.

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Nota:

Conforme conversão em:

https://www.bcb.gov.br/conversao

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Encontro entre Shinzo Abe, PrimeiroMinistro japonês, e Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, em fevereiro de 2017” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Shinz%C5%8D_Abe#/media/File:Shinz%C5%8D_Abe_and_Donald_Trump_in_Washington,D._C.(1).jpeg

Imagem 2 Encontro entre Shinzo Abe, PrimeiroMinistro japonês, e Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, em novembro de 2017” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Shinz%C5%8D_Abe#/media/File:Shinz%C5%8D_Abe_and_Donald_Trump_in_Kawagoe_(1).jpg

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Eleições internas no Equador contrapõem correistas e morenistas

No dia 24 de março de 2019 cerca de 13.262.000 pessoas compareceram às urnas para as eleições regionais do Equador, segundo estimativa do Conselho Nacional Eleitoral (CNE). A disputa entre os candidatos aliados ao ex-presidente Rafael Correa e ao atual mandatário Lenín Moreno foi uma das facetas do processo.

Para melhor entender as chamadas “eleições seccionais”, necessário se faz compreender a divisão política do Equador: são 24 províncias (semelhantes aos estados no Brasil), por sua vez subdivididas em 221 cantões que se subdividem em paróquias. Cada província tem um Governador, que é um representante federal designado pelo Presidente da República, e um Prefeito Provincial, eleito por voto popular. Os cantões são como municípios, com suas paróquias urbanas e paróquias rurais, governados por um Alcalde.

CNE – página de resultados das eleições

As Eleições 2019 visaram eleger pouco mais de onze mil cargos, entre titulares e suplentes, sendo: 23 Prefeitos(*) e Vice-Prefeitos, 221 Alcaldes, mais de 1.000 Conselheiros, dentre Urbanos e Rurais, cerca de 4 mil Vogais Paroquiais e 7 Conselheiros do Conselho de Participação Cidadã e Controle Social (CPCCS). Os eleitos tomarão posse em 14 de maio de 2019, para um mandato de 4 anos.

O CPCCS tem como função garantir a transparência e governança do país, sendo inclusive responsável pela nomeação de membros da Defensoria Pública, da Controladoria Geral e do Conselho Nacional Eleitoral. O Conselho é formado por 3 membros do gênero masculino, 3 do feminino e 1 representante dos povos e nacionalidades indígenas, afroequatorianos ou mestiços e de equatorianos no exterior. Pela primeira vez foram eleitos por voto direto, em razão de referendo e consulta popular realizados em fevereiro de 2018, que alterou a forma de designação.

No período de 22 a 27 de março de 2019, foram decretados a Lei Seca (proibição de venda de bebidas alcóolicas) e o Silêncio Eleitoral, que proíbe publicidade eleitoral,   manifestações políticas e propaganda de instituições públicas.  Em 21 de março, quase 10 mil pessoas privadas de liberdade sem sentença condenatória votaram em centros de detenção e, no dia seguinte (22 de março) foi a vez dos idosos e das pessoas com deficiência, que por meio do programa Voto en Casa tiveram seus votos coletados em domicílio.

Em 23 de março começou na Austrália e Oceania a votação dos equatorianos residentes no exterior. Os eleitores com residência no próprio país votaram no dia 24 de março. Segundo a Missão da OEA, as eleições geridas pelo CNE foram realizadas sem maiores problemas, “com alta participação, em ambiente pacífico” e “a jornada transcorreu de maneira tranquila em todo o país, apesar de alguns incidentes isolados”.

Nas primeiras horas do dia principal de votação (24 de março) o jornal brasileiro Estadão apresentava um cenário de incerteza marcado por: de um lado, a queda na aprovação do governo de Lenín Moreno de 77%, no início do mandato (maio/2017), para 30%, em março de 2019; de outro, a dificuldade de posicionamento dos correistas, vinculados ao antecessor de Moreno, Rafael Correa. Finda a votação, a avaliação do mesmo periódico, em 26 de março, é que os correistas foram derrotados porque perderam a eleição nas três principais cidades do país, ou seja, Quito, Cuenca e Guayaquil.

Não há consenso entre a mídia, entretanto, quanto a essa avaliação e, para a Rede de TV Telesur, o voto dos eleitores da Província de Manabí e de Pichincha, onde fica Quito, a capital, consagram o correismo como “a primeira força eleitoral do Equador”.  O El País também destaca o forte apoio popular a candidatos correistas que tiveram que se valer da organização política Força Compromisso Social, em razão de não terem logrado êxito no registro do Movimento Acordo Nacional (MANA),  depois que o Aliança País, fundado por Correa ficou em mãos de Moreno, como resultado de uma disputa.

Posições mais moderadas, como do mexicano Diario Tiempo, consideram que houve alguma expansão do correismo, embora não tenham ocupado postos-chaves nas três cidades mais importantes. As perdas econômicas e sociais acumuladas nos quase dois anos de governo de Moreno parecem estar ajudando a dar uma sobrevida ou mesmo um renascer à Revolução Cidadã, movimento que marcou a gestão de Rafael Correa.

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Nota:

* Dentre as 24 províncias, as Ilhas Gálapagos são a única Província com regime especial, sem Prefeito Provincial, mas elegem os demais candidatos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Votação nas eleições seccionais do Equador” (Fonte): http://cne.gob.ec/images/c/2019/03/190322_cne_voto.jpg

Imagem 2 CNE – página de resultados das eleições” (Fonte): http://cne.gob.ec/images/c/2019/03/190325_cne_general.jpg

NOTAS ANALÍTICASSegurança Internacional

Parentes de uigures desaparecidos se reúnem em Washington

Os uigures são uma minoria islâmica da Região Autônoma de Xinjiang, localizada no extremo oeste da China. Pertencem à etnia turca dos povos da Ásia Central e falam dialeto próprio. O Partido Comunista da China (PCCh) governa Xinjiang desde 1949, logo depois que a China anexou o efêmero Estado uigur do Turquestão Oriental. Os uigures sempre ressentiram o influxo de chineses da maioria han na região e alguns realizaram ataques terroristas contra os han em 2009 e 2017. Ao longo dos anos, Pequim impôs diversas medidas que prejudicaram as atividades religiosas, comerciais e culturais deste grupo étnico.

Uigures em mercado na cidade de Kashgar, em Xinjiang

No domingo (24 de março), aproximadamente trinta parentes de alguns dos supostos 1 milhão de uigures e outros grupos étnicos islâmicos que estão detidos* falaram em um evento em Washington sobre as alegadas prisões em massa, a fim de conscientizar o público americano acerca dessa situação que eles acusam ser uma violação de direitos humanos, mas Pequim afirma ser uma forma de contenção do extremismo religioso violento, conforme informa o jornal South China Morning Post.

Inauguração de campo de reeducação em Lopnur, Xinjiang

A atual situação dos muçulmanos chineses remonta a 2016, quando o líder do Partido Comunista do Tibete, Chen Quanguo, assumiu o seu novo posto em Xinjiang. Conforme foi disseminado na mídia, os uigures foram orientados a conceder amostras de biometria e de DNA para as autoridades. Da mesma forma, também se afirma que os sistemas de vigilância aumentaram na região. Há informações de que o governo estabeleceu mais de 7.300 estações policiais de monitoramento  e rondas ostensivas de guardas patrulham as cidades da província revistando os muçulmanos. Atualmente, as autoridades estão testando sistemas de reconhecimento facial em diversas localidades da região.

Urumqi, capital de Xinjiang

Existe o fator de que Xinjiang está localizada no coração da Iniciativa do Cinturão e Rota (ICR), o amplo projeto internacional de infraestrutura lançado por Xi Jinping em 2013. O governo chinês investiu vastas somas de dinheiro construindo cidades na província para atrair empresas e estimular o crescimento nesta região relativamente atrasada. Preocupações acerca da segurança local poderiam prejudicar o investimento. Pequim continuará a governar Xinjiang com o intuito de assegurar aos investidores que é um lugar seguro para se viver e trabalhar. Aparentemente, o país está adotando uma política específica para a região, visando mantê-la sob controle.

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Fontes das Imagens:

* Conforme está sendo disseminado na mídia eles estão presos sem acusações.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Detentos em um campo de reeducação no Condado de Lop, em Xinjiang (abril de 2017)” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Xinjiang_re-education_camps#/media/File:Xinjiang_Re-education_Camp_Lop_County.jpg

Imagem 2 Uigures em mercado na cidade de Kashgar, em Xinjiang” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Uyghur_people#/media/File:Kashgar_Uyghur_People.jpg

Imagem 3 Inauguração de campo de reeducação em Lopnur, Xinjiang” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Xinjiang_re-education_camps#/media/File:Opening_Ceremony_of_a_re-education_camp_in_Lopnur_County.jpg

Imagem 4 Urumqi, capital de Xinjiang” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/5a/Urumqi.jpg

AMÉRICA LATINAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Possível aliança do Brasil com OTAN recebe análise crítica da Rússia

O encontro entre os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e dos EUA, Donald Trump, que se encerrou em 19 de março (2019), em Washington, foi marcado por uma agenda que, além de elencar pontos estratégicos na relação entre os dois países, levantou uma pretensão de designar a entrada do país sul-americano como aliado fora da OTAN* (Organização do Tratado do Atlântico Norte), ou até mesmo como um membro permanente, e que, segundo informações da Casa Branca, poderá ser discutida no encontro marcado para o dia 2 de abril entre o presidente Trump e o Secretário-Geral da organização, Jens Stoltenberg.

Selo da OTAN

Caso venha a ser aceito, o Brasil poderá receber a designação de major non-Nato ally, ou seja, uma patente fora do círculo de países europeus plenos que participam da Aliança, o que daria ao país privilégios militares, tais como, participar oficialmente do desenvolvimento de tecnologias de defesa, realizar exercícios militares conjuntos e receber ajuda financeira internacional para a compra de equipamento bélico.

A notícia do convite do presidente Trump repercutiu de forma negativa em países como França, Alemanha e, principalmente, Rússia, que vê esse processo como uma afronta ao artigo 10º do Tratado de fundação da OTAN, onde é estabelecido que os países-membros podem, se houver unanimidade, convidar para entrar na aliança “qualquer Estado europeu que esteja em condições de favorecer o desenvolvimento dos princípios do presente tratado e de contribuir para a segurança da região do Atlântico Norte”. Segundo declaração do vice-ministro russo das Relações Exteriores, Alexander Grushko, esse processo não favorece a distensão do ambiente de confronto, o que repercute nos funcionamentos das organizações internacionais”, e que, de acordo com Moscou, a sugestão de Trump evidencia que segue viva a política encaminhada à formação de uma ordem mundial similar à existente no século passado.

Para se entender melhor essa questão, é necessário revisitar esse passado, quando se dá a criação da Aliança, e tentar vislumbrar os motivos que ocasionaram o desagrado por parte do Governo russo de uma suposta expansão da OTAN para o hemisfério sul nos dias atuais. Tudo começou quando o horror da dominação nazista foi extirpado, e os países europeus começaram a encarar uma suposta nova ameaça à sua liberdade, a União Soviética, que, após a 2ª Guerra Mundial, era de longe a maior potência bélica da Europa, com 4 vezes mais soldados, blindados e aviões do que todas as nações europeias juntas.

Assinatura do Tratado em 1949 por Henry Truman – Presidente dos EUA

Com isso, os países da Europa temiam uma possível dominação territorial por parte de Joseph Stalin, líder soviético à época, pois sabiam que sozinhos não teriam condições de impedimento, e, assim, decidiram assinar, em 17 de março de 1948, o Tratado de Bruxelas que definiria um plano de assistência conjunta caso algum membro fosse atacado.

Em 4 de abril de 1949, o Tratado seria substituído pela criação de uma nova organização militar intergovernamental muito mais poderosa, pois detinha como membro os EUA, que era considerado uma das principais potências mundiais. Em 1954, com o aumento do poderio militar soviético, os países membros da OTAN concordaram que, para deter uma eventual invasão soviética, as armas atômicas poderiam ser utilizadas como primeiro recurso de defesa. Em maio de 1955, seria criado o Pacto de Varsóvia** em contraponto ao seu oponente, tendo como principal nação a União Soviética e que, no auge de sua existência, chegou a arregimentar em torno de 20 milhões de soldados prontos para o combate. Com isso, concretizou-se o conflito político-ideológico conhecido como a Guerra Fria.

Entre 1989 e 1991, as revoluções na Europa Central iriam acarretar o fim dos regimes comunistas em vários países pertencentes ao Pacto de Varsóvia, o que culminou com sua extinção em 1o de julho de 1991 e, posteriormente, em dezembro do mesmo ano, a própria União Soviética seria desmantelada.

A partir daí a OTAN passaria a ser a maior organização militar do planeta, que, atualmente, conta com 29 membros permanentes e gastos que chegam a 70% de todo o orçamento militar mundial. Um dos tópicos de sua constituição define que, qualquer decisão de convidar um país para aderir à Aliança é tomada pelo Conselho do Atlântico Norte, o principal órgão decisório político da OTAN, com base no consenso entre todos os aliados.

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Notas:

* O Tratado de Washington – ou o Tratado do Atlântico Norte – constitui a base da Organização do Tratado do Atlântico Norte – ou da OTAN. Assinado em Washington D.C., em 4 de abril de 1949, por 12 membros fundadores: Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Portugal, Reino Unido e Estados Unidos. O Tratado deriva a sua autoridade do artigo 51 da carta das Nações Unidas, que reafirma o direito inerente dos Estados independentes à defesa individual ou coletiva, que está no cerne do Tratado e consagrada no artigo 5º. Ele compromete os membros a protegerem uns aos outros e estabelece um espírito de solidariedade dentro da Aliança. O Tratado é curto, contendo apenas 14 artigos, e prevê uma flexibilidade integrada em todas as frentes. Apesar do ambiente de segurança em mutação, o Tratado original nunca teve de ser modificado e cada aliado tem a possibilidade de implementar o texto de acordo com as suas capacidades e circunstâncias. Atualmente, a OTAN tem 29 membros, que, além dos 12 fundadores, conta com Grécia e Turquia (1952), Alemanha (1955), Espanha (1982), República Checa, Hungria e Polônia (1999), Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e Eslovênia (2004), Albânia e Croácia (2009), e Montenegro (2017).

** O Pacto de Varsóvia foi estabelecido em 1955 depois que a Alemanha Ocidental se tornou parte da OTAN. Foi formalmente conhecido como o Tratado de amizade, cooperação e assistência mútua. O Pacto de Varsóvia, constituído pelos países da Europa Central e Oriental, pretendia contrariar a ameaça dos países da OTAN. Cada país do Pacto de Varsóvia prometeu defender os outros contra qualquer ameaça militar externa. Enquanto a organização afirmou que cada nação respeitaria a soberania e independência política dos outros, cada país foi de alguma forma controlado pela União Soviética. Seus integrantes eram Albânia (até 1968), Bulgária, Checoslováquia, Alemanha Oriental (até 1990), Hungria, Polônia, Romênia e União Soviética. O pacto dissolveu-se no final da Guerra Fria, em 1991.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Cúpula da OTAN, em Bruxelas” (Fonte): https://www.nato.int/cps/en/natolive/topics_49178.htm

Imagem 2 Selo da OTAN” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/NATO#/media/File:NATO_OTAN_landscape_logo.svg

Imagem 3 Assinatura do Tratado em 1949 por Henry Truman Presidente dos EUA” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Truman_signing_the_North_Atlantic_Treaty.gif

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDESociedade Internacional

UNICEF apresenta relatório “WATER UNDER FIRE”, no qual aponta perigos para a infância em conflitos armados

O acesso à água e ao saneamento é reconhecido, mundialmente, como direito básico, bem como elemento essencial para providenciar respostas adequadas a guerras e a outras formas de violência à saúde. No entanto, este direito vem sendo negado, visto que – até este momento (março de 2019) – estão vigentes conflitos violentos em um número maior de países do que em relação ao ano de 1989.

Para ilustrar esta situação, estima-se que 2 milhões de pessoas vivem em zonas frágeis;  e entre 2005 e 2017, o número de crises humanitárias quase duplicou, passando de 16 para 30 regiões e, consequentemente, favoreceu-se o deslocamento de 68,5 milhões de pessoas forçadamente, sendo a metade deste índice representada por crianças.

Em meio a situações dramáticas, ataques deliberados e indiscriminados têm por objetivo destruir infraestruturas, ferir grupos de funcionários e cortar a energia que mantém os sistemas de água, saneamento e higiene funcionando, justamente para tornar o ambiente insustentável e causar danos nevrálgicos à sobrevivência. Também, como estratégia limita-se o acesso a equipamentos essenciais de reparo e consumo, como combustível ou cloro – que podem ser esgotados, racionados, desviados ou bloqueados na entrega.

Sem serviços de água, saneamento e higiene seguros e eficazes, as crianças correm risco de morte devido à desnutrição e a doenças evitáveis, incluindo diarreia, febre tifoide, cólera e poliomielite. As meninas são particularmente afetadas: elas são vulneráveis à violência sexual quando vão buscar água ou se aventuram a usar latrinas; enquanto se banham e administram a higiene menstrual.

Duas meninas bem pequenas buscam água em um açude no campo de Nget Chaung, em Rakhine, Myanmar. O acampamento para desalojados, lar de aproximadamente 4 mil rohingyas, localizado abaixo do nível do mar e quase sem árvores, está em péssima condição e só é acessível após uma viagem de barco de cerca de cinco horas

A partir desse cenário, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançou o Relatório “Water under fire em que calculou as taxas de mortalidade em 16 países com conflitos prolongados: Afeganistão, Burkina Faso, Camarões, Chade, Etiópia, Iêmen, Iraque, Líbia, Mali, Myanmar, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Síria, Somália, Sudão e Sudão do Sul. Ressalta-se que este organismo internacional está presente em 190 países e territórios em que trabalha para cada criança a fim de permitir e colaborar para a construção de um mundo melhor para todos.

Em todos esses referidos países, com exceção de Líbia, Iraque e Síria, meninas e meninos de até 15 anos têm aproximadamente 3 vezes mais probabilidade de morrer de doenças relacionadas à água (85.700 baixas) do que em decorrência da violência coletiva (30.900). Além disso, crianças com menos de 5 anos estão quase 20 vezes mais vulneráveis a morrer de doenças diarreicas (72.000 vidas interrompidas) do que pelo conflito armado (3.400).

As estimativas foram derivadas das taxas de mortalidade da Organização Mundial da Saúde (OMS) para “violência coletiva” e “mortes diarreicas atribuíveis à falta de água, saneamento e higiene” entre 2014 e 2016.

Por fim, o UNICEF torna público seu pedido aos governos e parceiros para que:

  • Interrompam ataques a infraestruturas de água e saneamento e a funcionários desses setores;
  • Vinculem respostas humanitárias vitais ao desenvolvimento de sistemas sustentáveis de água e saneamento para todos; e
  • Reforcem a capacidade dos governos e das agências de ajuda de fornecer consistentemente serviços de água e saneamento de alta qualidade em emergências.

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Nota:

* O Relatório da UNICEF “Water under fire” pode ser conferido neste link, nos idiomas: inglês; espanhol; francês; e árabe.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Relatório da UNICEF Water under fire sobre os perigos enfrentados por crianças em meio a emergências complexas”(Fonte): https://weshare.unicef.org/Package/2AMZIF3HHUU0#/SearchResult&ALID=2AMZIF3HHUU0&VBID=2AMZVNUG4C9F

Imagem 2Duas meninas bem pequenas buscam água em um açude no campo de Nget Chaung, em Rakhine, Myanmar. O acampamento para desalojados, lar de aproximadamente 4 mil rohingyas, localizado abaixo do nível do mar e quase sem árvores, está em péssima condição e só é acessível após uma viagem de barco de cerca de cinco horas”(FonteUNICEF): https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/criancas-que-vivem-em-conflitos-prolongados-tem-tres-vezes-mais-chances-de