EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Eleição na Ucrânia terá segundo turno

A Ucrânia não se furtou ao segundo turno ser disputado no dia 21 de abril, que ocorrerá entre o atual Presidente, Petro Poroshenko, e a “zebra” do pleito, Volodymyr Zelenskyi, um conhecido comediante no país, famoso por atuar em uma série de televisão no papel de um professor que se torna Presidente da Ucrânia, “O Servo do Povo”. Zelenskyi alcançou mais de 30% dos votos de 63% dos eleitores que foram às urnas no dia 31 de março, pelo partido homônimo, em eleição com maior índice de participação do que a anterior, em 2014.

Como resultado desse primeiro pleito tivemosPoroshenko com cerca de 18% e a candidata Yulia Tymoshenko, ex-Primeira-Ministra com um fraco desempenho de apenas 14% dos votos. No gráfico abaixo observamos que Zelenskyi já havia crescido nas pesquisas de intenção de voto desde o ano passado (2018), acelerando a partir de dezembro de 2018 (linha verde clara), enquanto que Tymoshenko já vinha em declínio (linha vermelha) e Poroshenko (linha azul) em crescimento também, porém mais lento.

Eleição Presidencial da Ucrânia – 2019

Embora a diferença entre o primeiro e o segundo colocados seja significativa, Petro Poroshenko é um político experiente. Ele já fala em “mobilização total dos patriotas ucranianos”, usando a retórica nacionalista ao mesmo tempo em que acusa Zelenskyi de ser mero títere de um oligarca, Kolomoisky.

Por outro lado, Poroshenko enfrentou a fúria das manifestações de nacionalistas contra seu governo. Grupos de militantes nacionalistas, o National Corps, acompanharam-no em seus comícios, acusando-o de corrupção. Aliás, a reclassificação do grupo para “perigosos paramilitares com ligações com a Rússia”, já que durante a Guerra do Donbass fora chamado de “defensores heroicos de Mariupol”, informa muito sobre a guerra de informações e contrainformações no período pré-eleitoral.

Com sua popularidade caindo de mais de 50% em 2014 para menos da metade em 2019, Poroshenko tem de lidar com os casos de corrupção envolvendo seu governo, particularmente o do setor de defesa, casos da UkrOboronProm e da estatal de gás, Naftogaz. Contra isso, parte significativa do eleitorado preferiu apostar na “renovação”, em que pesem críticas quanto a sua inexperiência em dirigir um país em guerra, como ocorre no Leste, nas regiões separatistas do Donbass.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Volodymyr Zelenskyi” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:ВладимирЗеленскийв_Чехии.jpg

Imagem 2 Eleição Presidencial da Ucrânia 2019” (Fonte): https://ru.wikipedia.org/wiki/Файл:Ukraine_Presidential_Election_2019.png

AMÉRICA LATINAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Possível aliança do Brasil com OTAN recebe análise crítica da Rússia

O encontro entre os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e dos EUA, Donald Trump, que se encerrou em 19 de março (2019), em Washington, foi marcado por uma agenda que, além de elencar pontos estratégicos na relação entre os dois países, levantou uma pretensão de designar a entrada do país sul-americano como aliado fora da OTAN* (Organização do Tratado do Atlântico Norte), ou até mesmo como um membro permanente, e que, segundo informações da Casa Branca, poderá ser discutida no encontro marcado para o dia 2 de abril entre o presidente Trump e o Secretário-Geral da organização, Jens Stoltenberg.

Selo da OTAN

Caso venha a ser aceito, o Brasil poderá receber a designação de major non-Nato ally, ou seja, uma patente fora do círculo de países europeus plenos que participam da Aliança, o que daria ao país privilégios militares, tais como, participar oficialmente do desenvolvimento de tecnologias de defesa, realizar exercícios militares conjuntos e receber ajuda financeira internacional para a compra de equipamento bélico.

A notícia do convite do presidente Trump repercutiu de forma negativa em países como França, Alemanha e, principalmente, Rússia, que vê esse processo como uma afronta ao artigo 10º do Tratado de fundação da OTAN, onde é estabelecido que os países-membros podem, se houver unanimidade, convidar para entrar na aliança “qualquer Estado europeu que esteja em condições de favorecer o desenvolvimento dos princípios do presente tratado e de contribuir para a segurança da região do Atlântico Norte”. Segundo declaração do vice-ministro russo das Relações Exteriores, Alexander Grushko, esse processo não favorece a distensão do ambiente de confronto, o que repercute nos funcionamentos das organizações internacionais”, e que, de acordo com Moscou, a sugestão de Trump evidencia que segue viva a política encaminhada à formação de uma ordem mundial similar à existente no século passado.

Para se entender melhor essa questão, é necessário revisitar esse passado, quando se dá a criação da Aliança, e tentar vislumbrar os motivos que ocasionaram o desagrado por parte do Governo russo de uma suposta expansão da OTAN para o hemisfério sul nos dias atuais. Tudo começou quando o horror da dominação nazista foi extirpado, e os países europeus começaram a encarar uma suposta nova ameaça à sua liberdade, a União Soviética, que, após a 2ª Guerra Mundial, era de longe a maior potência bélica da Europa, com 4 vezes mais soldados, blindados e aviões do que todas as nações europeias juntas.

Assinatura do Tratado em 1949 por Henry Truman – Presidente dos EUA

Com isso, os países da Europa temiam uma possível dominação territorial por parte de Joseph Stalin, líder soviético à época, pois sabiam que sozinhos não teriam condições de impedimento, e, assim, decidiram assinar, em 17 de março de 1948, o Tratado de Bruxelas que definiria um plano de assistência conjunta caso algum membro fosse atacado.

Em 4 de abril de 1949, o Tratado seria substituído pela criação de uma nova organização militar intergovernamental muito mais poderosa, pois detinha como membro os EUA, que era considerado uma das principais potências mundiais. Em 1954, com o aumento do poderio militar soviético, os países membros da OTAN concordaram que, para deter uma eventual invasão soviética, as armas atômicas poderiam ser utilizadas como primeiro recurso de defesa. Em maio de 1955, seria criado o Pacto de Varsóvia** em contraponto ao seu oponente, tendo como principal nação a União Soviética e que, no auge de sua existência, chegou a arregimentar em torno de 20 milhões de soldados prontos para o combate. Com isso, concretizou-se o conflito político-ideológico conhecido como a Guerra Fria.

Entre 1989 e 1991, as revoluções na Europa Central iriam acarretar o fim dos regimes comunistas em vários países pertencentes ao Pacto de Varsóvia, o que culminou com sua extinção em 1o de julho de 1991 e, posteriormente, em dezembro do mesmo ano, a própria União Soviética seria desmantelada.

A partir daí a OTAN passaria a ser a maior organização militar do planeta, que, atualmente, conta com 29 membros permanentes e gastos que chegam a 70% de todo o orçamento militar mundial. Um dos tópicos de sua constituição define que, qualquer decisão de convidar um país para aderir à Aliança é tomada pelo Conselho do Atlântico Norte, o principal órgão decisório político da OTAN, com base no consenso entre todos os aliados.

———————————————————————————————–

Notas:

* O Tratado de Washington – ou o Tratado do Atlântico Norte – constitui a base da Organização do Tratado do Atlântico Norte – ou da OTAN. Assinado em Washington D.C., em 4 de abril de 1949, por 12 membros fundadores: Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Portugal, Reino Unido e Estados Unidos. O Tratado deriva a sua autoridade do artigo 51 da carta das Nações Unidas, que reafirma o direito inerente dos Estados independentes à defesa individual ou coletiva, que está no cerne do Tratado e consagrada no artigo 5º. Ele compromete os membros a protegerem uns aos outros e estabelece um espírito de solidariedade dentro da Aliança. O Tratado é curto, contendo apenas 14 artigos, e prevê uma flexibilidade integrada em todas as frentes. Apesar do ambiente de segurança em mutação, o Tratado original nunca teve de ser modificado e cada aliado tem a possibilidade de implementar o texto de acordo com as suas capacidades e circunstâncias. Atualmente, a OTAN tem 29 membros, que, além dos 12 fundadores, conta com Grécia e Turquia (1952), Alemanha (1955), Espanha (1982), República Checa, Hungria e Polônia (1999), Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e Eslovênia (2004), Albânia e Croácia (2009), e Montenegro (2017).

** O Pacto de Varsóvia foi estabelecido em 1955 depois que a Alemanha Ocidental se tornou parte da OTAN. Foi formalmente conhecido como o Tratado de amizade, cooperação e assistência mútua. O Pacto de Varsóvia, constituído pelos países da Europa Central e Oriental, pretendia contrariar a ameaça dos países da OTAN. Cada país do Pacto de Varsóvia prometeu defender os outros contra qualquer ameaça militar externa. Enquanto a organização afirmou que cada nação respeitaria a soberania e independência política dos outros, cada país foi de alguma forma controlado pela União Soviética. Seus integrantes eram Albânia (até 1968), Bulgária, Checoslováquia, Alemanha Oriental (até 1990), Hungria, Polônia, Romênia e União Soviética. O pacto dissolveu-se no final da Guerra Fria, em 1991.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Cúpula da OTAN, em Bruxelas” (Fonte): https://www.nato.int/cps/en/natolive/topics_49178.htm

Imagem 2 Selo da OTAN” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/NATO#/media/File:NATO_OTAN_landscape_logo.svg

Imagem 3 Assinatura do Tratado em 1949 por Henry Truman Presidente dos EUA” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Truman_signing_the_North_Atlantic_Treaty.gif

NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Supercomputação estimula surgimento de Nações Inteligentes

A Computação de Alto Desempenho, ou HPC (do inglês High-Performance Computing), foi a grande vitrine internacional no mês de fevereiro de 2019. A organização americana Singularity University divulgou no seu portal, dia 25 de março, segunda-feira última, que os EUA preparam a operação do supercomputador Aurora, que fará um quintilhão de contas por segundo. Com previsão para começar a operar em 2021, Aurora é a nova arma americana na “corrida dos supercomputadores”, juntamente com a China, Europa e Japão, que estão presos em uma competição para construir a primeira máquina de exaflops* do mundo.

A corrida para o exascale é uma história de superpoderes e supercomputadores. Estas máquinas serão capazes de operar um quintilhão de contas por segundo e ficará online em 2021, depois que o governo dos EUA entregou à Intel e ao fabricante de supercomputador Cray um contrato para construir um computador exascale, que irá executar AI em escalas sem precedentes. A vantagem real de Aurora virá de sua capacidade de usar a inteligência artificial para guiar seus modelos e simulações.

A China planeja lançar um supercomputador exascale próprio em 2020 e o Japão pretende ter um em funcionamento em 2021. Países europeus tendem a ficar para trás dos EUA, China e Japão, mas a Comissão Europeia comprometeu  € 1 bilhão (aproximadamente, R$ 4,39 bilhões, pela cotação do euro no dia 29 de março 2019), para produzir uma máquina exascale até 2023. A Europa já está construindo sua estratégia. A China, por sua vez, não está na liderança do ranking, mas possui a maior quantidade de supermáquinas. São 227 das 500 melhores do mundo, contra 109 dos Estados Unidos, segundo a lista que contabiliza os supercomputadores

Os benefícios da HPC envolvem uma imensa gama de oportunidades e possibilidades de inovação, requerendo aplicação de importantes políticas estatais e privadas que atendam a interesses nacionais e globais na utilização do espaço cibernético, inclusive os de militarização que estão envolvidos na corrida espacial e no seu entorno de negócios. O esforço frenético dos governos para propagar o aprendizado profundo de tecnologias disruptivas apoia-se na ideia de sustentação, interna e externa no domínio cibernético.

A busca pela supremacia global em questões que envolvem os supercomputadores está inter-relacionada à aplicação em tecnologias destinadas, principalmente, à segurança nacional, ao ciberdesenvolvimento das sociedades, à sua capacidade de resiliência, na manutenção de seus sistemas de governo e nas suas necessidades de ampliação e segurança de suas infraestruturas críticas, como verticais essenciais para participar na onda da transformação digital causada pela internet.

A digitalização crescente de governos e de sociedades alavanca o surgimento de novas economias sustentáveis e a evolução dos padrões de cidadania e bem-estar da população. Esta convergência de novas tecnologias de comunicação e informação, aliadas às tecnologias de automação, está sendo aplicada agora no campo das políticas e estratégias nacionais. As iniciativas para construir as nações inteligentes estão se tornando realidade. Cingapura está partindo na frente para adotar os pilares desta transição. Assim, as nações e as cidades inteligentes serão amplamente beneficiadas com os recursos da supercomputação.

A HPC já está desempenhando um papel fundamental em ajudar nações e cidades a perseguir objetivos de segurança social, no uso eficiente de recursos e alcance de uma qualidade de vida melhor. As cidades inteligentes (Smart Cities, termo em inglês) é um fenômeno global e é, também, um movimento sem precedentes para a história da humanidade. O tamanho global do mercado de cidades inteligentes está previsto para chegar a US$ 2,57 trilhões até 2025 (aproximadamente R$ 10,048 trilhões, conforme cotação de 29 de março de 2019) de acordo com um novo relatório da Grand View Research, Inc..

Exibição de identificação digital de Cingapura para o novo plano nacional de ‘Nações Inteligentes’

O Índice Global de estratégias cibernéticas inclui estratégias nacionais que abordam a defesa cibernética nacional civil e militar, conteúdo digital, privacidade de dados, proteção de infraestrutura crítica, e-commerce e cibercrime. Isso fornece aos formuladores de políticas e autoridades diplomáticas um banco de dados unificado e imediato de estruturas jurídicas e políticas globais para ajudar a comunidade global a entender, rastrear e harmonizar as regulamentações internacionalmente. Este índice é baseado em fontes disponíveis publicamente e será atualizado conforme necessário. 

Sinteticamente, serão cinco (5) as maneiras iniciais  de como os supercomputadores darão suporte para tornarem as cidades inteligentes: no design e planejamento mais inteligente; na capacitação para pesquisa de energia; na previsão do tempo; na mobilidade urbana e no monitoramento da poluição do ar. Os supercomputadores estão ajudando os planejadores urbanos a realizar simulações, fazer previsões e construir modelos, aproximando o sonho de uma cidade inteligente da realidade. Como ciência de sistemas urbanos, o exascale surge para permitir novos recursos de planejamento para paisagens urbanas em evolução.

Ao desenvolver métodos para acoplar esses modelos com dados operacionais, estes novos recursos estarão disponíveis para as cidades e provedores de serviços públicos, por exemplo, para reduzir os custos de energia e estabilizar a oferta, monitorando as renováveis na rede e prevendo o consumo de energia. Mas, os pesquisadores primeiro precisam desenvolver uma estrutura pela qual esses vários modelos de sistemas urbanos possam trocar dados relevantes.

A HPC estará disponível para a governança eletrônica e o ciberdesenvolvimento das nações inteligentes. A prestação de serviços governamentais por meio de plataformas on-line, pode melhorar os processos de administração, prestação de serviços, prestação de contas do governo e transparência. A Austrália, por exemplo, reconhece o papel transformador que as tecnologias digitais desempenham no aumento da eficiência e eficácia dos serviços governamentais.

Além disso, as tecnologias digitais também fornecem soluções alternativas para os desafios.  Na Integração de mercados globais, outra vantagem está associada à HPC na identificação de novos programas comerciais que permitirá aos indivíduos, empresas e sociedades a sua integração em economias segmentadas, incentivando o crescimento e os seus benefícios nos negócios digitais junto às pequenas empresas, grupos de baixa renda, minorias indígenas, étnicas e religiosas, entre outras.

Ao reduzir os custos de informação, as tecnologias digitais reduzem, consideravelmente, o custo das transações econômicas e sociais para empresas, indivíduos e setor público. Promovem a inovação quando os custos de transação caem para essencialmente zero. Aumentam a eficiência à medida que as atividades e serviços existentes se tornam mais baratos, mais rápidos ou mais convenientes. E eles aumentam a inclusão à medida que as pessoas obtêm acesso a serviços que antes estavam fora de alcance.

———————————————————————————————–

Nota:

* Exaflops: O FLOPS é um termo usado em computação que significa “FLoating-point Operations Per Second” (operações de ponto flutuante por segundo), sendo por isso um acrônimo. Seu uso se aplica para observar o desempenho de um computador, entendido tal desempenho como cálculos por segundo, razão pela qual o S no final do acrônimo significa segundo. As unidades e seus múltiplos são: megaflop/s (Mflop/s), gigaflop/s (Gflop/s), teraflop/s (Tflop/s), petaflop/s (Pflop/s) e exaflop/s (Eflop/s), zettaflop/s (Zflop/s), yottaflop/s (Yflop/s). No caso do Exaflops a grandeza de velocidade de operação é de 1018, conforme a seguinte referência:

megaflop/s        106

gigaflop/s          109

teraflop/s          1012

petaflop/s          1015

exaflop/s           1018

zettaflop/s         1021

yottaflop/s         1024

** Exascale é a referência que se faz aos sistemas de computação que chegam a realizar operações de, ao menos, um exaflops, ou seja, um bilhão de bilhões por segundo (ou seja, um quintilhão, pela notação brasileira).

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Supercomputador Aurora. Computação de alto desempenho (High Performance Computing, HPC) que busca promover a liderança dos EUA no desenvolvimento de computação exascale”(Fonte): https://www.anl.gov/article/us-department-of-energy-awards-200-million-for-nextgeneration-supercomputer-at-its-argonne-national

Imagem 2Exibição de identificação digital de Cingapura para o novo plano nacional de Nações Inteligentes” (Fonte): https://www.secureidnews.com/news-item/singapore-digital-id-key-new-national-smart-nations-plan/

ÁfricaCOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Ajuda Internacional a Moçambique

A passagem do Ciclone Tropical Idai durante o mês de março de 2019 pela África Austral registrou diversas mortes e desabrigados, bem como pode-se observar a mobilização internacional no que tange à disponibilização de recursos para os países afetados pelo fenômeno natural.

Esta catástrofe atingiu principalmente Moçambique, que além das perdas causadas pela força dos ventos, a tempestades torrenciais no Malaui e no Zimbábue provocaram o transbordamento de rios. Em decorrência da dificuldade no acesso causado pelas enchentes, os números de óbitos e desalojados são atualizados pelas autoridades locais. Porém, até o dia 23 de março, contabilizava-se cerca de 417 mortos e 1.528 feridos, apenas em Moçambique.

Enchentes em Tete, Moçambique

No âmbito das Organizações Internacionais, equipes das Nações Unidas e suas agências, como a Coordenação de Emergência do Programa Mundial de Alimentos, encontram-se em Maputo. O quadro de ação inicial atém-se ao resgate e salvamento, o colhimento e a disponibilização de suprimento de necessidades primárias como alimentação e água.  Questões de saúde e saneamento também são priorizadas, principalmente pela proliferação propiciada pelos alagamentos de doenças como a malária e a cólera. Enquanto âmbito de auxílio financeiro, em abril de 2019 será realizada a conferência de doadores, voltada para a contribuição na reconstrução do país. 

A Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) anunciou a criação de um Fundo Solidário à catástrofe em Moçambique, membro da Organização. Como medida complementar, a CPLP irá discutir a criação de mecanismos de resposta conjunta para situações de crise humanitária e catástrofes originárias da ação climática. Igualmente, saudou-se a atuação unilateral de outros Estados membros que contribuíram financeiramente, como Cabo Verde, que irá disponibilizar o valor de 200 mil dólares (aproximadamente, 775 mil reais, de acordo com a cotação do dia 23 de março de 2019).

Imagem de satélite do Ciclone Idai

Segundo informações da Earth Observatory, observatório da agência norte-americana NASA (sigla em inglês para National Aeronautics and Space Administration), a tempestade foi categorizada como nível 3, de acordo com a Escala Saffir-Simpson*, correspondendo a ventos de 193 km/h. A região que abrange o sudoeste do Oceano Índico possui temporadas onde as tempestades e ciclones em diferentes intensidades são presentes.

Cabe destacar que entre os meses de janeiro até o começo do mês de março intensificam-se as atividades climáticas como tempestades e ciclones na região sul do Oceano Índico. Neste sentido, além do auxílio internacional para a reconstrução do país, compreende-se a contribuição da CPLP em desenvolver meios de longo prazo para a prevenção e pronta resposta a eventos climáticos sazonais e de grande destruição.   

———————————————————————————————–

Nota:

* A Escala Saffir-Simpson categoriza tempestades de ventos ininterruptos em níveis de intensidade de 1 a 5, sendo o último o mais intenso.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Enchentes em Moçambique” (Fonte): https://midiastm.gazetaonline.com.br/_midias/jpg/2019/03/22/screenshot-6065446.jpg

Imagem 2 Enchentes em Tete, Moçambique” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ciclone_Idai#/media/File:Flooding_in_Tete_after_T.D._11_made_landfall.png

Imagem 3 Imagem de satélite do Ciclone Idai” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ciclone_Idai#/media/File:Idai_2019-03-14_1135Z.jpg

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Relatório governamental aponta fraqueza na economia japonesa

Um relatório econômico realizado pelo governo japonês rebaixou a avaliação da economia nipônica neste mês de março (2019). Divulgado na quinta-feira passada, 21 de março, o Documento prevê que a estagnação perdure por mais um período no futuro. Essa é a primeira vez em três anos que um relatório econômico demonstra preocupação com a fraqueza da economia.

O relatório do mês de fevereiro, ainda que mostrasse números não favoráveis, destacava que a economia estava em um crescimento gradual, no entanto, não enfatizou, como o do mês de março, que tal conjuntura persistisse.

O Documento menciona a guerra comercial entre China e Estados Unidos, que influenciou a queda de exportações e da demanda de celular e peças de chips japonesas para o mercado chinês. Como consequência, as exportações caíram por três meses consecutivos, e a produção industrial em janeiro teve uma forte redução.

Esta conjuntura força o governo a repensar o novo imposto sobre consumo, atualmente de 8%, programado para entrar em vigor em outubro de 2019. A nova taxa de 10% sobre o consumo visava impulsionar a arrecadação, porém, agora há hesitação de que o emprego da taxa cause um desestímulo maior. O Banco do Japão (BOJ) já se encontra pressionado para buscar soluções para estimular a economia, além de possivelmente diminuir as previsões da inflação.

Logo do Banco do Japão

No mês de fevereiro (2019), o índice de preços ao consumidor, abrangendo produtos de petróleo, mas excluindo custos de alimentos frescos, aumentou 0,7% em comparação ao ano de 2018, abaixo do 0,8% esperado. Analistas vinculam esse resultado à queda de 1,3% do preço da gasolina, a qual o BOJ tem, igualmente, o desafio de segurar e aumentar o valor do combustível, que, no mês passado, caiu pela primeira vez em dois anos. Os custos de mão de obra e transporte, contudo, mantêm os preços de alimentos subindo.

Os consumidores estão reagindo com cautela às reduções de preços, poupando para que tenham ainda mais vantagens com a queda deles. Entretanto, o esfriamento do consumo está prejudicando o crescimento da economia, que já passou por um período de deflação nos anos 1980, quando a resposta foi o aumento na impressão de moeda. Empresas expressaram reduções de seus lucros, já que o valor não será suficiente para cobrir os futuros custos. O BOJ reforçou que focará na baixa de preços, porém, reafirma que a economia japonesa está gradualmente crescendo e, o consumo, se recuperando.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Ienes” (Fonte): https://es.wikipedia.org/wiki/Yen#/media/File:JPY_Banknotes.png

Imagem 2 Logo do Banco do Japão” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/File:Bank_of_Japan_logo.svg

AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Relatório Mueller nega conspiração entre a campanha de Trump e a Rússia

O procurador especial Robert Mueller encerrou as investigações sobre o suposto conluio entre a campanha presidencial de Donald Trump e a Rússia. De acordo com o Relatório, não foram encontradas evidências que comprovem que o presidente Trump e sua equipe tenham conspirado com quaisquer russos durante as eleições de 2016. O Documento foi resumido e entregue ao Congresso norte-americano pelo procurador-geral William Barr, no dia 24 de março (2019).

A investigação perdurou por dois anos. Inicialmente, ela estava sob o comando de James Comey, o diretor do FBI na época. Entretanto, em maio de 2017, o presidente Trump decidiu pela demissão de Comey, o que suscitou suspeitas acerca de obstrução da justiça. Após esse episódio, Robert Mueller, ex-diretor do FBI, foi indicado por Rod Rosenstein, vice-Procurador-Geral, para liderar as investigações.

Assim, Mueller ficou responsável não só por averiguar as acusações de envolvimento da campanha Trump com a Rússia, como também passou a apurar se o Presidente americano teria obstruído a justiça. No total, mais de 40 agentes federais envolveram-se nas investigações; em torno de 500 testemunhas foram ouvidas; e mais de 2.800 intimações foram expedidas.

O Procurador Especial, Robert Mueller

O Relatório Mueller não foi divulgado na íntegra, contudo, o procurador-geral Barr divulgou o sumário, onde destacou que “o procurador especial não descobriu que qualquer pessoa dos EUA ou funcionário da campanha de Trump tenha conspirado ou coordenado intencionalmente com a Rússia”. Ademais, Mueller não chegou a uma conclusão definitiva se o presidente Trump obstruiu ou não a justiça. Barr e Rosestein afirmaram que “ao catalogar as ações do presidente, muitas das quais aconteceram às vistas do público, o relatório não identifica ações que, em nosso julgamento, constituam conduta obstrutiva”. Entretanto, Robert Mueller destaca no Documento que isso não significa que Trump esteja exonerado, ou seja, que não tenha tentado obstruir as investigações. Em meio a essa situação dúbia, o Presidente norte-americano publicou em sua rede social Twitter: “Sem conluio, sem obstrução, exoneração completa e total. Mantenha a América grande!”.

https://platform.twitter.com/widgets.js

No que concerne a Rússia, o porta-voz do presidente Putin, Dmitry Peskov, afirmou que “é difícil encontrar um gato preto em um quarto escuro, especialmente se ele não está lá” e completou que no sumário do Documento “não há nada de novo, apenas o reconhecimento da ausência de conluio”. Efetivamente, Mueller deixa explícita a inocência de Trump e sua equipe de campanha, mas afirma, enfaticamente, que houve interferência nas eleições por meio de hackers do governo russo, os quais tiveram acesso às informações pessoais de Hillary Clinton, ex-candidata à Presidência dos Estados Unidos em 2016.

Apesar desse cenário, Konstantin Kosachev, senador que lidera o Comitê de Assuntos Exteriores da Federação Russa, afirmou que “há uma chance de recomeçar as nossas relações a partir do zero, mas é uma questão de saber se Trump assumirá esse risco. Certamente, estamos prontos”. Entretanto, essa situação pode ainda estar distante, visto que ainda há inconsistências diplomáticas entre os dois países, já que a Rússia segue afirmando que não interferiu nas eleições dos EUA em 2016.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1Relatório: Avaliando Atividades e Intenções Russas nas Eleições Recentes do EUA (Capa)” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9a/Intelligence_Community_Assessment_-_Assessing_Russian_Activities_and_Intentions_in_Recent_US_Elections.pdf

Imagem 2O Procurador Especial, Robert Mueller” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Director_Robert_S._Mueller-_III.jpg