ANÁLISES DE CONJUNTURASAÚDE

10 Riscos Globais para a Saúde em 2019

O mundo está enfrentando vários desafios relacionados à saúde, desde doenças evitáveis à possibilidade do surgimento de novas pandemias de origem desconhecida. Observando os principais desafios globais, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou, em janeiro de 2019, o seu plano estratégico para os próximos 5 anos (2019-2023). Este documento destaca os 10 riscos globais para a saúde neste ano:

1. Poluição do ar e mudança climática

Em 2019, a poluição do ar é considerada pela OMS como o maior risco ambiental para a saúde. Poluentes microscópicos no ar podem penetrar nos sistemas respiratório e circulatório, danificando os pulmões, coração e cérebro, matando 7 milhões de pessoas todos os anos prematuramente de doenças como câncer, derrames, doenças cardíacas e pulmonares. Cerca de 90% dessas mortes ocorrem em países de baixa e média renda, com altos volumes de emissões da indústria, dos transportes e da agricultura, ressalta a OMS.

2. Doenças não transmissíveis

As doenças não transmissíveis, como diabetes, câncer e doenças cardíacas, são responsáveis por mais de 70% de todas as mortes no mundo, ou 41 milhões de pessoas. Mais de 85% dessas mortes prematuras ocorrem em países de baixa e média renda. O aumento dessas doenças, ainda de acordo com a OMS, tem sido impulsionado por cinco fatores de risco principais: uso do tabaco, inatividade física, consumo nocivo do álcool, dietas pouco saudáveis e poluição do ar. Esses fatores de risco também acentuam os problemas de saúde mental: metade de todas as enfermidades mentais começa aos 14 anos, mas a maioria dos casos não é detectada ou tratada, por sua vez, o suicídio é a segunda causa de morte de jovens entre 15 e 19 anos.

3. Pandemia Global de Gripe

A preocupação com a possibilidade de uma próxima pandemia global de gripe é constante. A OMS monitora a circulação dos vírus da gripe para detectar potenciais pandemias: 153 instituições em 114 países estão envolvidas na vigilância e resposta global. 

4. Contextos frágeis e vulneráveis

Mais de 1,6 bilhão de pessoas (22% da população mundial) vivem em locais onde crises prolongadas (por meio de uma combinação de desafios como seca, fome, conflitos e deslocamento da população) e frágeis serviços de saúde os deixam sem acesso a cuidados básicos. 
Em seu plano estratégico, a OMS indica a necessidade de trabalhar para o fortalecimento dos sistemas de saúde de modo que eles estejam mais preparados para detectar e responder a surtos, bem como para fornecer serviços de saúde de qualidade, incluindo, especialmente, a imunização.

5. Resistência microbiana

O desenvolvimento de antibióticos, antivirais e antimaláricos são alguns dos maiores sucessos da medicina moderna. Agora, a resistência microbiana – a capacidade de bactérias, parasitas, vírus e fungos resistirem aos medicamentos – ameaça nos mandar de volta à uma época em que não conseguíamos tratar facilmente infecções como pneumoniatuberculosegonorreia e salmonelose

Como exemplo, em 2017, cerca de 600 mil casos de tuberculose foram resistentes à rifampicina – droga de primeira linha mais eficaz – e 82% dessas pessoas apresentaram tuberculose multirresistente.

Uma das linhas de trabalho da OMS é a implementação de um plano de ação global para combater a resistência microbiana aumentando a conscientização, o conhecimento e incentivando o uso prudente de antibióticos.

6. Ebola e outros agentes infecciosos de alta ameaça

Em 2018, a República Democrática do Congo vivenciou dois surtos de Ebola no país, os quais se espalharam para cidades com mais de 1 milhão de pessoas. Uma das províncias afetadas também está em uma zona de conflito.

Plano de Pesquisa e Desenvolvimento da OMS identifica doenças e agentes infecciosos que têm potencial para causar uma emergência de saúde pública, mas carecem de tratamentos e vacinas eficazes. Esta lista para pesquisa e desenvolvimento prioritários inclui Ebola, várias outras febres hemorrágicas, ZikaNipahcoronavírus da síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV) e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e a “doença X”, que representa o conhecimento de que uma grave epidemia internacional poderia ser causada por um agente infeccioso atualmente desconhecido. Por isso, os planos de pesquisa e desenvolvimento buscam explicitamente habilitar, na medida do possível, a preparação transversal que também é relevante para uma “doença X” desconhecida.

Especialistas da OMS indicam que uma nova enfermidade tem a possibilidade de surgir a partir da manipulação de genes, acidente ou até mesmo terrorismo. Há ainda a hipótese de que ela possa ser provocada por uma patologia zoonótica, ou seja, transmitida de animais a seres humanos.

7. Atenção primária à saúde

A atenção primária à saúde é geralmente o primeiro ponto de contato que as pessoas têm com o sistema de saúde e, idealmente, deve fornecer cuidados abrangentes, acessíveis ao longo da vida. 

No entanto, muitos países não possuem instalações de atenção primária adequadas. Essa negligência pode ser por falta de recursos em países de baixa ou média renda, mas, também possivelmente um foco nas últimas décadas em programas para doenças específicas. Em 2019, a OMS pretende trabalhar com parceiros para revitalizar e fortalecer a atenção primária à saúde em diversos países.

8. Recusa em Vacinar

A hesitação na vacinação – a relutância ou a recusa em vacinar apesar da disponibilidade de vacinas – ameaça reverter o progresso feito no combate a doenças evitáveis. 

A vacinação é uma das formas mais econômicas de se evitar moléstias. Atualmente, de acordo com a OMS, previne-se 2 a 3 milhões de mortes por ano, e outros 1,5 milhão poderiam ser evitadas se a cobertura global de vacinas melhorasse.

sarampo, por exemplo, registrou um aumento de 30% nos casos em todo o mundo. As razões para esse aumento são complexas, e nem todos esses casos se devem à hesitação. No entanto, alguns países que estavam perto de eliminar a doença viram o ressurgimento dela. 

A título de ilustração, no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, quase metade dos municípios brasileiros em 2018 não atingiram a meta de vacinar 95% das crianças de 1 a 5 anos de idade, mesmo com 11 estados que enfrentaram um grande surto da doença ano passado, totalizando mais de 10.300 casos no país. 

9. Dengue

Uma ameaça crescente há décadas, a dengue, transmitida por mosquito que causa sintomas semelhantes aos da gripe, pode ser letal e matar até 20% das pessoas com dengue grave. 

Estima-se que 40% do mundo está em risco de contrair a doença, e existem cerca de 390 milhões de infecções por ano. A estratégia de controle da dengue da OMS visa reduzir as mortes em 50% até 2020. 

10. HIV

O HIV ainda é uma epidemia global com quase um milhão de pessoas a cada ano morrendo. Desde o início da epidemia, mais de 70 milhões adquiriram a infecção e cerca de 35 milhões morreram. Hoje, cerca de 37 milhões de indivíduos no mundo vivem com HIV. De acordo com a OMS, alcançar pessoas como profissionais do sexo, pessoas na prisão, homens que fazem sexo com homens* ou pessoas transexuais é um desafio em vários países, pois muitos ainda não estão preparados para estes atendimentos.

Este ano (2019), a OMS trabalhará com diversos governos para apoiar a introdução do auto-teste, para que mais pessoas que vivem com o HIV conheçam seu estado e possam receber tratamento (ou medidas preventivas, no caso de um resultado negativo).

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Nota:
*
No relatório está sendo usada exatamente
esta forma de expressar.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Máscara de Gás” (Fonte): https://pixabay.com/pt/m%C3%A1scara-g%C3%A1s-m%C3%A1scara-de-g%C3%A1s-467738/

Imagem 2 “Chaminé de Indústria” (Fonte): https://pixabay.com/pt/fumo-fumar-chamin%C3%A9-lareira-fuma%C3%A7a-258786/

Imagem 3 “Homem fumando e bebendo” (Fonte): https://pixabay.com/pt/homem-fumo-cerveja-trigo-tabagismo-2181478/

Imagem 4 “Vírus” (Fonte): https://pixabay.com/pt/v%C3%ADrus-microsc%C3%B3pio-infec%C3%A7%C3%A3o-doen%C3%A7a-1812092/

Imagem 5 “Contextos Frágeis” (Fonte): https://pixabay.com/pt/pobreza-favela-pobre-%C3%A1frica-do-sul-216527/

Imagem 6 “Antibióticos” (Fonte): https://pixabay.com/pt/dor-de-cabe%C3%A7a-dor-p%C3%ADlulas-medica%C3%A7%C3%A3o-1540220/

Imagem 7 “Isolamento por Ebola” (Fonte): https://pixabay.com/pt/ebola-isolamento-infec%C3%A7%C3%A3o-v%C3%ADrus-549471/

Imagem 8 “Cuidados Básicos” (Fonte): https://pixabay.com/pt/ebola-isolamento-infec%C3%A7%C3%A3o-v%C3%ADrus-549471/

Imagem 9 “Criança sendo vacinada” (Fonte): https://pixabay.com/pt/crian%C3%A7a-paciente-vacina-vacina%C3%A7%C3%A3o-89810/

Imagem 10 “Mosquito da Dengue” (Fonte): https://pixabay.com/pt/mosquito-inseto-dengue-2566773/

Imagem 11 “Vírus da AIDS” (Fonte): https://pixabay.com/pt/hiv-sida-v%C3%ADrus-doen%C3%A7a-sa%C3%BAde-1903373/

MEIO AMBIENTENOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICAS

A Tragédia de Brumadinho: desconsideração sobre as experiências internacionais e impunidade

Após três anos da tragédia ocorrida com a barragem da Samarco em Mariana, considerada a maior do país, o Brasil voltou a viver outra calamidade de grandes proporções, novamente no estado de Minas Gerais, agora na cidade de Brumadinho. Assim como em 2015, no caso ocorrido em Mariana, o bloqueio de valores, indenizações, multas ambientais, entre outras punições cabíveis, serão atribuídas a quem é considerado o principal responsável, a empresa Vale, e aos demais envolvidos que deverão ser acionados judicialmente.

A busca por todos os responsáveis pela tragédia é o grande tema na imprensa nacional e internacional, e isso não se deve apenas ao desastre ocorrido, mas também aos demais aspectos que podem estar enredados e acredita-se que foram tratados nos bastidores.

Os acidentes com barragens e outras obras do gênero não é novidade no Brasil e no Mundo, porém, em solo brasileiro, as regras, leis e padrões demoraram para ser implantados e existem barragens com sistema de construção antiga e manutenção precária. Os fatos históricos e experiências vividas por outros países poucas vezes são analisados adequadamente e implantados no país, por isso acidentes do gênero chamam a atenção da imprensa mundial, principalmente quando são catástrofes ocorridas graças a estruturas ultrapassadas.

Na década de 1970, após sofrer com casos parecidos, os Estados Unidos e países europeus começaram a atuar mais com a prevenção de acidentes. A experiência internacional mostra que o monitoramento, correção e a manutenção preventiva de estruturas danificadas são mais eficazes e eficientes, tendo poucos casos similares aos brasileiros registrados, ressaltando-se que os acidentes no Brasil estão entre os maiores já ocorridos mundialmente e o caso de Mariana está no topo.

Região de Brumadinho – Foto 3” (Fonte – Ricardo Stuckert/Fotos Públicas)

Segundo dados da Wise Uranium Project utilizados para ilustração de reportagem do Jornal O Globo, os grandes casos mais recentes registrados foram na Mina de Mount Polley, no Canadá, em 2014, e na Mina de Omai, na Guiana, em 1995.

Além de grandes acidentes e desastres, no Brasil sempre há registro da ocorrência de casos pequenos. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), a média é de três acidentes por ano em todo o território brasileiro. A Agência iniciou a elaboração de relatórios sobre tais eventualidades em 2011, quando tinha registrado 24 casos e assumiu que poderia haver outros, porém não ocorreram mais registros deste tipo de incidente para o Governo Federal. Do ano de 2011 até o ano de 2017, a média de acidentes com barragem sempre foi de 4 por ano, e de incidentes – ocorrências menores que podem levar a um acidente – subiram de 4 para 11 por ano.

Antes da ANA, era mais complicado elaborar planejamento sobre fiscalização destas estruturas com base em dados oficiais. Em 2008 ainda se estudava a criação de uma política nacional para segurança de barragens, quando, o até então aluno da Escola de Engenharia da UFMG, Anderson Pires Duarte defendeu Dissertação para concluir a sua pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos, nomeada: CLASSIFICAÇÃO DAS BARRAGENS DE CONTENÇÃO DE REJEITOS DE MINERAÇÃO E DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS NO ESTADO DE MINAS GERAIS EM RELAÇÃO AO POTENCIAL DE RISCO.

A Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), através da Deliberação Normativa (DN) 62 (COPAM, 2002), alterada pela DN 87 (COPAM, 2005) e pela DN 113  (COPAM,  2007), realizava o cadastro e classificava as barragens conforme seu potencial de dano ambiental em 2008. Desde então, trabalhos similares continuaram sendo realizados, mas, devido aos dois grandes acidentes de grandes proporções em Mariana e Brumadinho, os especialistas apontam que, de fato, pouco foi feito e pouco se aprendeu com as experiências internacionais.

Os fatores que levaram as empresas mineradoras a aproveitarem ou aprenderem de forma mínima com empresas estrangeiras podem conduzir a uma profunda discussão se houve a exploração das falhas do poder público em nível municipal, estadual e federal, por parte dessas corporações. No entanto, em meio a tantas possibilidades, especulações e possíveis irregularidades, identifica-se que o choque entre os interesses de defensores setoriais, especialmente quando eles se sobrepõem, prejudicou e prejudica diretamente outras áreas da economia.

Os noticiários brasileiros discorrem sobre a fiscalização e legalização deste tipo de operação no país. No caso de Minas Gerais, o foco foi para os representantes da sociedade que estão presentes nas câmaras municipais, estadual e federal (vereadores e deputados estaduais e federais), os quais têm grande participação na denominada “Bancada Mineradora”, sendo atores que, conforme é divulgado na mídia, tentam auxiliar e em alguns casos facilitar as atividades das grandes empresas do ramo no país.

Brumadinho MG 28 01 2019-Tragedia na cidade de Brumadinho em Minas Gerais bombeiros trabalham na localização de vitimas.Foto Ricardo Stuckert

Não é recente a grande disputa entre bancadas que defendem certos setores da economia contra os que defendem o meio ambiente e um sistema de produção mais sustentável e menos agressivo, bem como a fauna e biodiversidade da natureza no país. Analisando os casos em Mariana e Brumadinho, especialistas apontam que a bancada mineradora obteve vitórias junto ao governo mineiro, conquistando facilidades de operação e ampliação de suas instalações e, com isso, conseguiu destruir quase que por completo outras atividades econômicas ligadas ao turismo, agricultura, piscicultura, hortifrútis e agropecuários.

No evento mais recente da Barragem do Café, o governo mineiro está calculando os prejuízos causados pelo acidente da mineradora Vale, e informa que a região metropolitana de Belo Horizonte já sofre com o abastecimento de alimentos. E já se considera que a poluição de lençóis freáticos e rios na região vai aumentar ainda mais o prejuízo dos produtores mineiros no entorno da zona afetada pelo rompimento da barragem.

O conflito de interesses não apenas afetou a economia, mas também o cotidiano e na vida do povo do estado de Minas Gerais. Com a poluição do rio Paraopeba, os indígenas da aldeia Naô Xohã terão que mudar a sua economia de subsistência, pois não tem outro recurso hídrico para suas plantações e, assim como demais moradores da região e não indígenas, estarão impedidos de prover da pescaria.

A falta de fiscalização de barragens e de outras inúmeras estruturas extratora de matérias-primas e produtivas pelo país concede lucro aos empreendedores e grandes corporações, mas, no caso de falhas, o prejuízo também é maximizado. A Vale, por exemplo, além das indenizações que terá de pagar, está sofrendo com as oscilações de suas ações na bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA), tanto que elas estão sendo vendidas a valores bem inferiores aos de dias antes da catástrofe em Brumadinho.

Tendo o histórico do acidente em Mariana, observadores concluem que a falha do Estado em punir e fiscalizar as empresas Samarco e Vale, além de terem sido identificado que inúmeras multas não foram pagas até o momento, gerou a sensação de impunidade para so diretores dessas corporações, logo, posturas displicentes, tanto que, três anos depois da maior tragédia ambiental no país algo de igual teor ocorreu. No entanto, acredita-se que a sociedade cobrará do novo governo, liderado pelo presidente Jair Bolsonaro, a que, de fato, não deixe impunes os responsáveis pelo acidente recente que, no momento, já gerou mais de uma centena de vítimas. Por isso, o cenário que se avizinha é de que as indenizações, multas entre outras punições que ainda serão avaliadas e aplicadas contra a empresa, certamente desestimularão os investidores residentes e estrangeiros, principalmente devido à queda na confiança em relação à empresa.

Por essa razão, aponta-se também que o ano de 2019 poderá ser aquele em que os atores que representam os setores econômicos do Brasil devam repensar suas estratégias, posturas e formas de agir, alterando a linha de pensamento dos produtores e da indústria, algo que lhes levará a focar as grandes corporações internacionais estruturando seus planejamentos estratégicos de médio e longo prazo, com o intuito de preservar os recursos que lhes gerarão riquezas nos próximos anos, ou seja, tento em mente o conceito de sustentabilidade, o que poderá ser uma mudança forçada, mas concreta de comportamento.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Região de Brumadinho – Foto 1” (Fonte Ricardo Stuckert/Fotos Públicas): https://fotospublicas.com/tragedia-na-cidade-de-brumadinho-em-minas-gerais-bombeiros-trabalham-na-localizacao-de-vitimas-2/

Imagem 2 Infográfico Publicado no Jornal O Globo” (Fonte Ricardo Stuckert/Fotos Publicas): https://oglobo.globo.com/brasil/infografico-os-maiores-acidentes-com-barragens-no-mundo-23404340

Imagem 3 Região de Brumadinho – Foto 3” (Fonte Ricardo Stuckert/Fotos Públicas): https://fotospublicas.com/tragedia-na-cidade-de-brumadinho-em-minas-gerais-bombeiros-trabalham-na-localizacao-de-vitimas-2/

ÁfricaCOOPERAÇÃO INTERNACIONALEuropaNOTAS ANALÍTICAS

A cooperação norueguesa com a União Africana

A Noruega firmou recentemente um acordo de cooperação com a União Africana* (UA), o qual visa o fortalecimento do diálogo político entre os atores para os próximos três anos. O estreitamento de relações emerge em meio a um momento de pressão para o multilateralismo, que é cada vez mais desafiado a encontrar soluções conjuntas para os problemas ambientais.

O Acordo prevê o investimento de 180 milhões de coroas norueguesas** em apoio ao desenvolvimento sustentável no continente africano, tal como aos trabalhos da Agenda 2063, que se baseia em acelerar as iniciativas de crescimento e transformação socioeconômica para os próximos 50 anos.

Além da temática ambiental, a parceria busca contribuir com a paz e segurança regional, bem como com a manutenção da democracia e governança na África. A partir dessa perspectiva, os noruegueses estabeleceram uma delegação permanente na sede da UA, em Adis Abeba, na Etiópia, desde outubro deste ano (2018), a qual reforça os laços diplomáticos entre os atores.

Ministra dos Negócios Estrangeiros da Noruega, Ine Eriksen Søreide

A Ministra dos Negócios Estrangeiros da Noruega, Ine Eriksen Søreide, declarou no site do referido Ministério: “Numa altura em que as normas globais e a cooperação multilateral estão sob pressão, a UA é um parceiro vital para a Noruega. Queremos em particular ajudar a fortalecer ainda mais a capacidade da UA de prevenir e resolver conflitos”.

Os analistas entendem as ações do Estado norueguês como parte de sua política externa sobre a África na busca de Estados parceiros, os quais defendam valores similares, como a negociação internacional e a sustentabilidade. A UA é a maior Organização Internacional (OI) do continente africano, podendo ter influência para a resolução de conflitos diversos e também para propagar políticas de mútuo interesse entre africanos e noruegueses.

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Nota:

* União Africana: é uma organização internacional criada em
2002 e herdeira da Organização da Unidade Africana, fundada em 1963, e visa
promover a integração os países do continente, valorizando a solidariedade, a
eliminação do colonialismo, a integração econômica e a cooperação política e
cultural dos Estados africanos.
** Aproximadamente 20,68 milhões de dólares, ou 80,57 milhões
de reais, conforme a cotação de 19 de dezembro de 2018.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Presidente da União Africana, Moussa Faki Mahamat” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/c9/Moussa_Faki_Mahamat_%2834515259582%29.jpg/1280px-Moussa_Faki_Mahamat_%2834515259582%29.jpg

Imagem 2 Ministra dos Negócios Estrangeiros da Noruega, Ine Eriksen Søreide (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e9/Ine_Marie_Eriksen_S%C3%B8reide_20090830-1.JPG/794px-Ine_Marie_Eriksen_S%C3%B8reide_20090830-1.JPG

AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

O fechamento da fábrica da Goodyear na Venezuela

Faz duas semanas, a empresa norte-americana Goodyear Tire and Rubber Company decidiu fechar sua filial em território venezuelano, a CA Goodyear Venezuela, encerrando as atividades da única fábrica que tinha no país, com capacidade de produção de até 10.500 unidades diárias, mas que estava reduzida à tiragem entre 1.000 e 1.900 unidades por dia, ou seja, a aproximadamente 10% de seu potencial.

A empresa declarou não ter mais condições de permanecer na Venezuela, ou de manter qualquer atividade, devido à crise econômica que se vivencia, graças também às sanções que os EUA impuseram, as quais aumentaram o problema, bem como por culpa das dificuldades impostas pelo Governo, que inibiram ainda mais a possibilidade de a empresa se manter.  Devido a essas medidas governamentais, os empresários de vários segmentos se viram na situação de não suportar as exigências que há muito tempo tentam compensar as ações administrativas do Regime bolivariano, as quais são consideradas inadequadas por expressiva gama de economistas no país e no exterior.

A título de exemplo, com a crise econômica instalada, principalmente depois da queda das receitas geradas pela extração de petróleo, quando o valor do barril despencou no mercado internacional, o governo venezuelano passou a pagar as contas públicas imprimindo moeda, gerando a inflação que hoje chega a casa de 1.000.000% ao ano, segundo cálculo apresentado pela Assembleia Nacional. A inflação atingiu diretamente as camadas populares e os governantes buscaram corrigir a perda do poder de compra desses segmentos da população obrigando os empresários a aumentarem os salários dos funcionários de suas empresas, criando um ciclo que certamente resultaria em falências, tal qual resultou.

Paul Litchfield, inventor do pneu para carros sem câmara que promoveu a parceria com o Zeppelin e mais tarde tornou-se presidente da Goodyear e presidente do Conselho

A Goodyear é apenas mais uma das recentes empresas a fechar as portas. Antes dela saíram muitas outras, a destacar a empresa de alimentos Kellogg, e a fabricante de produtos de higiene pessoal Kimberley Clark.

Para cumprir com as obrigações trabalhistas, os funcionários foram pagos com pneus, cada um recebendo 10 unidades, e, segundo noticiado, aceitaram porque é mais vantajoso ter este produto de alta qualidade para vender no mercado negro do que receber dinheiro que se desvalorizaria rapidamente.  

O governo Maduro reagiu acusando a empresa de ter realizado tal ação como parte da guerra econômica contra a recuperação da crise e ordenou ao Ministério Público que realizasse uma investigação penal contra os seus proprietários, pois considerou que isso foi um ato de “sabotagem e boicote”.

Decidiu também encampar a fábrica para restaurar as operações, visando, de acordo com declaração governamental, dar “…proteção necessária conforme o estabelecido na Constituição e na Lei Orgânica do Trabalho, das Trabalhadoras e Trabalhadores, em vigor”. Contudo, passadas essas duas semanas dos anúncios e declarações, ainda se espera a definição das medidas concretas que poderão manter a estrutura, diante de intenções que são contrárias à lógica econômica.

Acredita-se que os acordos econômicos, técnicos e militares assinados recentemente pelo presidente venezuelano Nicolás Maduro com a Federação Russa poderão dar fôlego ao seu governo para preservar estruturas corporativas e empresas dessa natureza, que foram encampadas, mas a Goodyear é apenas uma das muitas que deixaram o país, acrescentando-se a isso o êxodo populacional que está ocorrendo, algo que vem reduzindo a capacidade produtiva venezuelana, bem como minando sua mão de obra e o mercado consumidor.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Pneu furado” (Fonte): https://dinamicarpneus.com.br/wp-content/uploads/2018/08/agosto6-pneu-furado.jpg

Imagem 2 Paul Litchfield, inventor do pneu para carros sem câmara que promoveu a parceria com o Zeppelin e mais tarde tornou-se presidente da Goodyear e presidente do Conselho” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Goodyear_Tire_and_Rubber_Company#/media/File:PaulLitchfield.jpg

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Austrália reconhece Jerusalém Ocidental como capital de Israel

No dia 15 de dezembro de 2018, o Governo australiano reconheceu formalmente Jerusalém Ocidental como a capital de Israel. Scott Morrison, Primeiro-Ministro da Austrália, mencionou que o Knesset e as instituições governamentais israelenses situam-se em Jerusalém Ocidental, o que justificaria o reconhecimento. Afirmou, ainda, que seu país não mais irá se abster em resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU) quando estas for em contra Israel.

A Transferência da Embaixada Australiana para Jerusalém

Em um primeiro momento, não haverá a transferência da Embaixada australiana de Tel Aviv para Jerusalém, pois o Governo entende que se deve aguardar a assinatura de um acordo de paz entre palestinos e israelenses quanto à cidade, tendo Jerusalém Oriental como capital do futuro Estado Palestino. Todavia, anunciou-se a procura de possíveis locais para uma futura sede, e escritórios comerciais e militares (Defesa) já serão abertos.

Até hoje, os Estados Unidos e a Guatemala fizeram as transferências para Jerusalém, porém, a maioria dos países prefere não instalar missões diplomáticas na cidade, pois esta ainda é reivindicada tanto por palestinos quanto por Israel. O Governo israelense esperava um reconhecimento da cidade de Jerusalém como um todo, o que incluiria também sua porção Oriental, e desejava o estabelecimento das sedes das representações.

O embaixador palestino Izzat Abdulhadi, acreditado na Austrália, declarou que seu governo pretende incitar os países árabes e muçulmanos a retirarem seus embaixadores e a boicotarem economicamente os australianos. Sua declaração foi acompanhada por Saeb Erekat, Chefe da Organização pela Libertação da Palestina (OLP), o qual apelou àqueles países a congelarem suas relações com a Austrália.

Diante da possibilidade de transferência da Embaixada, a Indonésia, país majoritariamente muçulmano que estava por assinar um acordo de livre-comércio (“Comprehensive Economic Partnership Agreement”) com o Governo australiano, ameaçou adiar sua assinatura,já que, em outubro de 2018, o Ministro das Relações Exteriores indonésio manifestou-se no sentido de que os australianos e demais países continuassem a apoiar o processo de paz entre Palestina e Israel, não tomando medidas que ameacem a segurança global.

Protestos eclodiram nas ruas de Jakarta, Bali, Makassar e de Surabaya ao longo do mês de novembro de 2018. Em um deles, houve manifestantes ateando fogo nas proximidades da Embaixada australiana em Jakarta, com pretensões de invadi-la. A Indonésia,desde 1949, ano de sua independência, apresentou governos favoráveis às causas palestinas, posicionamento que conta com o apoio da população.

Simon Birmingham

No dia 18 de novembro de 2018, Simon Birmingham, o Ministro do Comércio, Turismo e Investimento da Austrália rejeitou a possível pressão na política externa de seu país, proveniente da Indonésia,afirmando que não haveria imposições. Jakarta decidiu aguardar o posicionamento  quanto à mudança da sede diplomática.

O Primeiro-Ministro australiano reuniu-se com o presidente indonésio Joko Widodo em 19 de novembro de 2018, na Cúpula da Asean, realizada em Singapura. No dia 14 de dezembro de 2018, turistas australianos foram recomendados a tomarem precauções quando visitassem a ilha em viagens de fim de ano.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Panorama urbano de Jerusalém” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Jerusal%C3%A9m#/media/File:IL-jerus-skopus-pano.jpg

Imagem 2Simon Birmingham” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Simon_Birmingham#/media/File:Simon_Birmingham.jpg

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Congressistas dos EUA apresentam projeto de lei sobre Segurança de Saúde Global

O congressista republicano Steve Chabot (Ohio) e o democrata Gerry Connolly (Virgínia), apresentaram no dia 13 de dezembro um Projeto de Lei sobre Segurança da Saúde Global. De acordo com o comunicado de imprensa divulgado, a Lei de Segurança da Saúde Global procura abordar duas questões principais:

  • 1. Atualmente as equipes e atividades de segurança de saúde global dos EUA dependem em grande parte de uma ordem executiva e não especificamente apoiada em lei, 
  • 2. Os EUA precisam de um funcionário designado permanente, responsável pela coordenação da resposta interinstitucional. 

Este Projeto de Lei reforça o compromisso dos EUA com a Agenda Global de Segurança Sanitária, que é uma iniciativa multilateral para fortalecer a capacidade dos países em gerenciar ameaças de doenças infecciosas e elevar a segurança da saúde como uma prioridade mundial. 

Países membros da Agenda Global de Segurança Sanitária

Em seu preâmbulo, o Projeto de Lei apresenta que aproximadamente 67% dos países não implementaram totalmente o Regulamento Sanitário Internacional e não construíram capacidades básicas apropriadas para detectar, avaliar, relatar e responder a emergências de saúde pública.

O deputado Gerry Connolly afirmou quesalvar vidas da próxima pandemia global começa com o investimento na preparação. (…). Como vimos inúmeras vezes, as doenças não respeitam as fronteiras e as crises globais de saúde têm imensas consequências de segurança, econômicas e humanitárias”. 

Por sua vez, o deputado Steve Chabot ressaltou queimplantando as ferramentas para prevenir doenças como a Zika e o Ebola, que chegam aos Estados Unidos, é um componente vital para proteger nossa nação”.

Mapa Ebola pelo Mundo

Tom Inglesby, diretor do Centro Johns Hopkins para a Segurança da Saúde, expressou apoio à proposta: “A Lei de Segurança da Saúde Global fortalece a maneira como os Estados Unidos trabalham para proteger, detectar e responder a grandes epidemias internacionais”, disse Inglesby. “Ajudaria a codificar a Agenda Global de Segurança Sanitária e trazer coordenação aos programas relevantes entre as agências”, complementou. 

O Projeto atende as necessidades da Estratégia Nacional de Biodefesa (ENB) apresentada em setembro de 2018 pelo Presidente Trump. A ENB inclui objetivos comofortalecer as capacidades de segurança sanitária global para prevenir que os bioincidentes locais se tornem epidemias” e “fortalecer a preparação internacional para apoiar as capacidades internacionais de resposta e recuperação”.

Acesse o projeto de lei completo neste link.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Saúde Global” (Fonte): https://sole.hsc.wvu.edu/Apps/News/story/global-health-week-at-wvu-health-sciences-to-be-held-sept-25-29/thumb/1200/medium

Imagem 2 Países membros da Agenda Global de Segurança Sanitária” (Fonte): https://www.ghsagenda.org/home

Imagem 3 Mapa Ebola pelo Mundo” (Fonte): http://www.govtech.com/em/health/Study-by-RI-doctors-says-Ebola-response-cost-US-hospitals-some-360-million.html