ÁfricaCOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Promoção da língua portuguesa pelo continente africano

Em busca da promoção da língua portuguesa no continente africano, o Governo de Portugal assinou memorandos de entendimento com África do Sul, Namíbia, Tanzânia e Senegal, agora, em dezembro de 2018. Este processo de cooperação de caráter educacional incluirá a disciplina de língua portuguesa em Instituições de ensino superior dos países citados.

Bandeira de Angola

A difusão do idioma, segundo a perspectiva da Secretária dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação portuguesa, Teresa Ribeiro, se relaciona com o potencial econômico e financeiro de Angola e Moçambique. Nesta abordagem, a lusofonia seria uma ferramenta para a facilitação das relações e negociações entre os países.

De modo complementar, as relações entre Angola e Portugal ao longo do ano de 2018 estreitaram-se. Durante visita oficial do Presidente angolano a Portugal, (realizada em novembro de 2018) o Ministro de Negócios Exteriores português, Augusto Santos Silva, destacou a importância de Angola e os demais países do continente africano para a Política Exterior de Portugal.

Para tanto, uma outra medida adotada por Portugal, relacionada a aproximação com o continente, diz respeito a sua Presidência no Conselho da União Europeia em 2021*. As expectativas deste mandato estão voltadas para a priorização das relações Europa-África, tendo Angola como a base da lusofonia no continente.

Importante destacar neste contexto de expansão do idioma o objetivo do Instituto Camões de Cooperação e Língua Portuguesa**, que divulgou a meta de expandir a sua atuação. Atualmente, há mais de 20 países que adotam a língua portuguesa como componente curricular no ensino básico. O Instituto almeja duplicar este número nas redes públicas de educação, tal como realizou em 2017.

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Nota:

* A Presidência rotativa do Conselho da União Europeia é exercida por um grupo de três Estados Membros, que desenvolvem a agenda comum da União. Durante 2020-2021 Alemanha, Portugal e Eslovênia estarão à frente do Conselho.

** Instituição portuguesa vinculada ao Ministério de Negócios Exteriores, Educação e Cultura, voltado para a promoção exterior da Língua e cultura de Portugal.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Mapa do Continente Africano” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Geografia_da_%C3%81frica#/media/File:African_continent-pt.svg

Imagem 2Bandeira de Angola” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9d/Flag_of_Angola.svg/1200px-Flag_of_Angola.svg.png

ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

FMI alerta redução de 25% da economia japonesa nos próximos 40 anos

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou o Japão, no dia 28 de novembro de 2018, sobre uma possível contração econômica de 25% no decorrer dos próximos 40 anos. O aviso baseia-se na manutenção da atual conjuntura e pelo constante envelhecimento da população do país, que diminuiu em 1 milhão de 2012 a 2017. Hoje, o país tem aproximadamente 127 milhões de habitantes.

Primeiro-Ministro Shinzo Abe

A estimada redução no PIB pode, segundo o FMI, ser amenizada caso reformas sejam aplicadas. A Agência recomenda o aumento da força de trabalho, com maior participação de mulheres, trabalhadores mais velhos e migrantes, apoiando, assim, as atuais propostas de alteração da legislação nacional, que visa à atração de trabalhadores estrangeiros por meio de isenções de testes e qualificações para algumas categorias.

O FMI declarou também que as sugestões de modificações nas políticas comerciais, monetárias e no setor corporativo, além da estabilização da dívida, podem elevar o nível do PIB em 15% nos próximos 40 anos, caso sejam efetivadas de fato, afastando-se da presente situação que o Japão se encontra.

Este ano (2018), estima-se que o PIB atinja 1,1%, abaixo da meta do Banco do Japão de 2%. Entretanto, a projeção para o ano que vem é de 0,9%. A economia japonesa, altamente alimentada pelo consumo interno, poderá ter uma arrecadação maior com a aplicação do aumento do imposto sobre o consumo (de 8% para 10%) em 2019, porém, igualmente corre risco de diminuição do mercado interno.

Para responder a esses desafios, o “Abenomics” – plano econômico do primeiro-ministro Shinzo Abe, lançado em 2012 – desenvolveu-se da estrutura de “três flechas” (expansão da base monetária, política fiscal e crescimento econômico) para uma nova formulação, que conta com quatro pontos: mudanças estruturais sociais; leis e regulamentações voltadas a negócios e tecnologia (smart technology); atração de oportunidades internacionais e maior competitividade de negócios.

O Primeiro-Ministro terá então grandes desafios, uma vez que em seu discurso para reeleição, prometeu aprofundar mais seu plano econômico. Os novos pontos a serem abordados impactam bastante o cotidiano da sociedade japonesa, tanto em consumo, bem-estar social e características demográficas, influenciando a popularidade do Primeiro-Ministro com maior tempo no governo atualmente.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Fundo Monetário Internacional” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fundo_Monet%C3%A1rio_Internacional#/media/File:Fundo_Monet%C3%A1rio_Interacional.png

Imagem 2 PrimeiroMinistro Shinzo Abe” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Shinzo_Abe,_Prime_Minister_of_Japan_(9092387608).jpg

COOPERAÇÃO INTERNACIONALEURÁSIANOTAS ANALÍTICAS

O fortalecimento da cooperação trilateral entre China, Índia e Rússia

Neste último fim de semana, nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro (2018), ocorreu a Reunião de Cúpula do Grupo dos 20 (G20) em Buenos Aires, na Argentina. Líderes das maiores economias do mundo estiveram presentes para discutir assuntos de relevância para o cenário internacional, desde questões relacionadas à crise dos refugiados até discussões sobre as criptomoedas. Durante o Encontro, muitos Chefes de Estado e de Governo aproveitaram para realizar reuniões em paralelo, para tratar de assuntos políticos e econômicos com determinados países. Foi o caso da Rússia, da China e da Índia.

O Primeiro Ministro da Índia, Narendra Modi, na Reunião Trilateral entre China, Índia e Rússia

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, o Presidente da China, Xi Jinping, e o Primeiro Ministro da Índia, Narendra Modi, encontraram-se para discutir sobre o fortalecimento da cooperação trilateral. A iniciativa foi de Putin, o qual destacou seu interesse em continuar realizando conferências no formato RIC (Rússia, Índia e China), pois há uma conexão centenária e amistosa entre eles, a qual sempre foi baseada em relações igualitárias e com confiança mútua.

A última vez que ocorreu um Encontro entre esses três países foi há 12 anos, o qual, segundo o Presidente russo, foi bastante produtivo, resultando diretamente na criação do BRICS*. Ainda de acordo com ele: “acreditamos que o formato RIC tenha grandes perspectivas e que a cooperação trilateral possa se tornar uma complementação efetiva à cooperação que nossos países realizam bilateralmente e nos BRICS”.

O objetivo da Reunião do RIC foi estabelecer uma relação mais forte e douradora entre eles, tanto política quanto economicamente. Durante a discussão, os três líderes debateram sobre a liberalização e a facilitação do comércio e investimento entre as partes, além de também compartilharem o entendimento comum quanto à promoção da paz e a estabilidade nas regiões em crise pelo globo.

O Presidente da China, Xi Jinping, na Reunião Trilateral entre China, Índia e Rússia

O Presidente chinês destacou a importância dos três países em fortalecer a coordenação e a cooperação em Reuniões multilaterais como o G20, o BRICS e a Organização para a Cooperação de Xangai**. Em adição, Modi apontou que o RIC tem que ser uma plataforma de discussão e comparação das percepções destes sobre as maiores ameaças à comunidade internacional, como questões relacionadas ao terrorismo transnacional.

O Ministro das Relações Exteriores da Índia, Vijay Gokhale, declarou: “todos [os líderes presentes] sentiram que deveríamos trabalhar juntos para orientar a governança econômica global. Além disso, concordaram que os três países deveriam se unir para promover a paz em uma crise regional, cooperando no combate ao terrorismo e no oferecimento de assistência humanitária”.

Ao final do Encontro, Putin, Jinping e Modi concordaram em continuar realizando reuniões trilaterais em paralelo às cúpulas e eventos internacionais. Assiste-se, portanto, ao fortalecimento das relações entre China, Índia e Rússia por meio do estabelecimento e do fortalecimento de mecanismos de cooperação. De acordo com Putin, isso é importante para que haja entre eles a coordenação de política e de economia na região da Eurásia.

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Notas:

* O BRICS é um bloco político que foi formalmente institucionalizado em 2009. Na época, era formado por Brasil, Rússia, Índia e China. Em 2011, a África do Sul uniu-se oficialmente ao grupo.

** A Organização para a Cooperação de Xangai é uma organização política, econômica e militar da Eurásia formada em 2001 pela China, Cazaquistão, Quirguistão, Rússia, Tadjiquistão e Uzbequistão.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1A Reunião Trilateral entre China, Índia e Rússia” (Fonte):

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Imagem 2O Primeiro Ministro da Índia, Narendra Modi, na Reunião Trilateral entre China, Índia e Rússia” (Fonte):

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Imagem 3O Presidente da China, Xi Jinping, na Reunião Trilateral entre China, Índia e Rússia” (Fonte):

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ÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Espanha e China se aproximam estrategicamente na política e na economia

A Espanha recebeu o Presidente da China, Xi Jinping, antes da cúpula do G20 na Argentina. O objetivo do encontro foi reforçar as relações bilaterais entre os países. Segundo reportagem do El País, a principal motivação espanhola seria de caráter econômico, sobretudo no que diz respeito às exportações.

De acordo com o Observatório de Complexidade Econômica da Universidade de Harvard, a China representa apenas 2,2% das exportações espanholas, pouco menos de US$ 6 bilhões; já as importações compreendem 8,6%, cerca de US$ 26 bilhões, tornando-a o terceiro maior parceiro econômico espanhol, superando os Estados Unidos da América (EUA).

Xi Jinping, Presidente da China

O principal interesse chinês em sua política externa é a nova Rota de Seda (Belt and Road Initiative, BRI) e a Espanha poderia ser um parceiro importante na Europa, bem como na União Europeia. No entanto, o Governo espanhol acenou negativamente para o grande projeto logístico da China, que pretende escoar sua produção por terra e por mar através do espaço eurasiático, a fim de alcançar os mercados ocidentais.

Mesmo assim, Xi Jinping e Pedro Sanchez, Primeiro-Ministro espanhol, assinaram diversos acordos em vários segmentos com o objetivo de estreitar relações entre os Estados. Ademais, ainda que a Espanha não se posicione abertamente a favor da BRI, demonstra um evidente alinhamento com o país asiático. Vale ressaltar que os dois países possuem movimentos de independência em seus territórios – Catalunha, na Espanha; e Xinjiang, na China –, sendo ambos aliados em discursos contrários a secessões.

O posicionamento da Espanha favorável aos chineses aponta, em parte, para um desalinhamento às políticas adotadas pelos EUA. A expansão chinesa para o Ocidente não é novidade, mas a perda de terreno, sobretudo econômico, dos norte-americanos na Europa é um fenômeno recorrente, principalmente após a ascensão de Donald Trump à Presidência do país.

A Guerra Comercial entre China e EUA é uma importante evidência do incômodo do último em razão das investidas do primeiro. Resta saber se os Estados europeus permanecerão sob a influência não só política, mas principalmente econômica dos norte-americanos, ou se permitirão uma maior abertura às empresas chinesas e à sua política externa expansionista.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira da Espanha” (Fonte):

https://pixabay.com/pt/espanha-amarelo-vermelho-bandeira-518688/

Imagem 2Xi Jinping, Presidente da China” (Fonte):

http://en.kremlin.ru/events/president/news/56046/photos/51177

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

O incidente da fragata norueguesa Helge Ingstad

A fragata norueguesa Helge Ingstad seguia para a base naval de Haakonsvern, localizada na cidade de Bergen, após participar da Trident Juncture 2018, realizada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) entre os dias 25 de outubro e 7 de novembro deste ano (2018).  No dia 8 de novembro, colidiu com o navio petroleiro Sola TS, por volta das 4h00 (horário local), deixando a embarcação militar impossibilitada de prosseguir viagem. Apesar do incidente, inexiste informação de danos, gravidade, ou vazamentos de óleo, excetuando-se que oito tripulantes estão hospitalizados por ferimentos leves.

Porto de Bergen

O fato gerou distúrbios, pois, conforme foi disseminado na mídia, o ocorrido poderia ter sido evitado com simplicidade, todavia, as autoridades recolheram dados para buscar compreender o que aconteceu. O prazo de término da investigação marítima é de 1 ano para divulgar um relatório público, e tanto militares como a polícia local trabalham para obterem respostas.

O Diretor do Departamento Marítimo, Dag Liseth, declarou ao jornal Verdens Gang (VG): “Nos primeiros dias antes do fim de semana, entrevistamos todos os envolvidos nesta equipe de ponte em ambas as embarcações, e outros indivíduos. Nós coletamos faixas e registros eletrônicos. Isso nos deu uma base relativamente boa para o que nós trabalhamos neste fim de semana, que foi montar um curso grosseiro de eventos” (Tradução Livre).

Os analistas entendem que é preciso cautela em relação à divulgação de informações, pois a questão ainda está sendo apurada, entretanto, salientam que caberiam respostas mais assertivas à imprensa local por parte dos militares noruegueses, visto que a sociedade precisa saber o necessário para ponderar argumentos e evitar a propagação de possíveis temores.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Fragata Helge Ingstad” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0e/KNM_Helge_Ingstad.jpg

Imagem 2 Porto de Bergen” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/80/Porto_de_Bergen.jpg/1024px-Porto_de_Bergen.jpg

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Shinzo Abe pode aceitar acordo de restituição de apenas dois territórios disputados

As negociações referentes às Ilhas Kurilas (denominação russa) ou Territórios do Norte (denominação japonesa) avançaram após a 33ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), no dia 14 de novembro de 2018. Dentre os quatro territórios disputados, o Japão possivelmente aceitará a restituição de somente dois, Shikotan e Habomai, enquanto o controle das maiores ilhas, Etorofu e Kanashiri, permanecerá sob domínio russo.

O território foi ocupado pela então União Soviética (URSS) em 1945, a partir do Acordo assinado na Conferência de Yalta, levando à expulsão dos habitantes japoneses que ali viviam. Apesar de no Tratado de Paz de São Francisco, de 1951, incluir a renúncia do Japão de direitos sobre as Ilhas Kurila, esses quatro locais não são mencionados no Documento, que não foi ratificado pela URSS. Desde então, o Japão tem tentado recuperar sua soberania sobre elas por meio de esforços diplomáticos.

Ilha de Etorofu

A decisão japonesa atual de aceitar Shikotan e Habomai tem como base a Declaração Comum Nipo-Soviética de 1956, que reestabeleceu a relação diplomática entre os dois países no pós-Segunda Guerra e definia que a então União Soviética as devolveria mediante um Tratado de Paz, selando as relações internacionais entre os dois países pós-Segunda Guerra.

A execução da negociação chamada “two plus alpha”, que consiste na devolução das ilhas menores (Shikotan e Habomai) e na ampliação de negócios realizados com as maiores (Etorofu e Kanashiri), pode permitir que, de fato, o Tratado seja finalmente finalizado, sendo uma vitória para o governo do primeiro-ministro Shinzo Abe por conseguir um feito histórico há anos planejado.

Contudo, a posição anterior japonesa era de reconquistar todas as quatro Ilhas. Alguns analistas apontam que tal renúncia demonstra fraqueza, principalmente pela localização estratégica do local, que a Rússia pretende manter sobretudo para fins militares. Temendo que o Japão as utilize para exercer o acordo de defesa EUA-Japão, dificilmente o lado russo cederá às propostas da outra parte. Abe, em 2016, havia proposto a desmilitarização do território, que foi declinada por Putin e não foi debatida com os EUA.

O Primeiro-Ministro terá que demonstrar, então, que os acordos econômicos e o Tratado de Paz compensarão a desistência de reapropriação do território, diminuindo as críticas pela mudança de posicionamento.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Ilha de Kanashiri” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Kunashir_Island

Imagem 2 Ilha de Etorofu” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Iturup