ÁfricaCOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Ampliação da Cooperação entre Portugal e São Tomé e Príncipe

São Tomé e Príncipe e Portugal estreitaram as relações de cooperação em dois acordos no âmbito da capacitação profissional e emprego, incluindo a gestão do Centro de Formação Profissional de São Tomé e Príncipe. Este processo está inserido no Programa Estratégico de Cooperação assinado em 2016, com validade até o ano de 2020.  O orçamento estimado é de 5 milhões de euros, divididos em quotas de contribuição: 75% de Portugal e 25% de São Tomé e Príncipe.

Bandeira de Portugal

Segundo a perspectiva do Ministro do Emprego e Assuntos Sociais santomense, Emílio Lima, o arquipélago possui uma população jovem, o que representa um potencial para o desenvolvimento, uma vez que sejam fornecidos meios de integração dos mesmos ao mercado de trabalho de forma competitiva. 

Cabe evidenciar que o Programa Estratégico prevê como setores prioritários na cooperação bilateral: a Cultura e Educação, Energia e Meio ambiente, Capacitação Institucional, Saúde, Segurança, Justiça e Assuntos Sociais. Igualmente, tais áreas estão relacionadas à busca pela concretização da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. No que tange a área da Educação, encontra-se a criação de Programas de Bolsas de Ensino Superior, Capacitação Institucional e Assistências Técnicas ao setor de Administração Pública, Programas de Ensino Militar, entre outros.

Em viagem oficial a São Tomé e Príncipe no início do ano de 2018, após dezoito anos da última visita realizada por Jorge Sampaio, então Presidente de Portugal, o atual mandatário português Marcelo Rebelo de Sousa destacou a intenção de o país ampliar as relações bilaterais e a aproximação por meio de mais encontros políticos e empresariais. Segundo a perspectiva do mesmo, o arquipélago é uma prioridade nas relações diplomáticas portuguesas, acolhendo todas as áreas de cooperação já estabelecidas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Localização de São Tomé e Príncipe” (Fonte):

https://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2011/10/mapa-sao-tome-e-principe.gif

Imagem 2Bandeira de Portugal” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bandeira_de_Portugal#/media/File:Flag_of_Portugal.svg

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Irã ameaça fechar estreito de Ormuz

Após a saída unilateral dos Estados Unidos do acordo nuclear iraniano, conhecido como Joint Comprehensive Plan of Action (JCPOA), governo Trump anunciou a aplicação de novas sanções ao país persa. Além disto, solicitou que nenhum aliado seu importe petróleo do Irã e pressionou os Estados do Golfo Árabe para aumentarem a produção de petróleo. O presidente iraniano Hassan Rouhani, em resposta, declarou na sua página oficial que “os estadunidenses têm apoiado sobre a completa paralização das exportações de petróleo iraniana. Mas eles não entendem o real significado dessa declaração porque não existe nenhum motivo para o petróleo iraniano não ser exportado, enquanto os outros países da região o fazem”, por isso também ameaçou fechar o Estreito de Ormuz.

Mapa do Estreito de Ormuz

A importância geoestratégica desta região é essencial para o equilíbrio do comércio de petróleo no mundo. O passo entre o Golfo Persa e o de Omã é responsável por cerca de 30% a 35% da exportação marítima do produto a todos os continentes. Aproximadamente 17 milhões de barris por dia atravessam o estreito. Embarcações do Iraque, Kuwait, Bahrein e Catar, bem como de alguns portos dos Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita saem diariamente. Portanto, conforme reiteração do observador de mercado global de energia, Cyril Widdershoven, sendo a ameaça do governo de Rouhani um blefe ou não, inevitavelmente são gerados impactos e incertezas quanto a passagem segura dos barcos carregados de petróleo e gás natural.

De acordo com especialistas em Oriente Médio, o fechamento de Ormuz seria a última opção da administração Rouhani. Por um lado, a tentativa poderia causar um possível confronto entre Irã e Estados Unidos, além de provocar um rompimento com o Conselho de Cooperação do Golfo, que busca preservar a livre circulação de navios e cargueiros pelo estreito. Por outro lado, reduziria o seu poder de negociação nas tratativas de mitigação das sanções estadunidenses e afastaria a União Europeia, China e Índia da sua esfera estratégica de parceria. Ademais, caso os aliados norte-americanos suspendam suas importações de petróleo, o país reduziria a venda de cerca de 1 milhão de barris por dia (bpd). Atualmente, a exportação da commodity alcança 2,28 milhões/bpd, resultando em consideráveis perdas na sua receita.

Especialistas pelo mundo apontam que dificilmente o Irã irá obstruir a travessia no local, porém é possível que o Governo central utilize sua expertise em cyberwar* contra os aliados estadunidenses na região, podendo importunar suas frotas militares e embarcações de petróleo no Golfo Pérsico.

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Nota:

* Conhecida como Ciberguerra ou Guerra Cibernética, é uma modalidade de guerra na qual o conflito não ocorre com o uso de armas físicas, mas através da confrontação com meios eletrônicos e informáticos no chamado ciberespaço.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Hassan Rouhani reeleito nas eleições de 2013 (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Hassan_Rouhani#/media/File:Hassan_Rouhani_press_conference_after_his_election_as_president_14.jpg

Imagem 2 Mapa do Estreito de Ormuz(Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/92/Strait_of_Hormuz.jpg

COOPERAÇÃO INTERNACIONALEuropaNOTAS ANALÍTICAS

A Noruega lança candidatura para o Conselho de Segurança das Nações Unidas

No último dia 22 de junho deste ano (2018), o Estado da Noruega lançou sua candidatura a Membro não-Permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (CSNU, na sigla mais usada em português). O país já participou do Conselho por 4 vezes e disputa as 2 vagas abertas para o mandato de 2021-22, junto com a Irlanda e o Canadá.

Ministério dos Negócios Estrangeiros da Noruega

O CSNU é composto por 15 membros, sendo 5 permanentes, a saber, Estados Unidos, Reino Unido, França, Federação Russa e China, e 10 não permanentes. Os não permanentes possuem mandatos de 2 anos e são eleitos pela Assembleia Geral (AG) da ONU. A importância do Órgão decorre do seu poder político, já que concentra as decisões em matéria de segurança internacional.

A concorrência pelo Assento está acirrada entre os 3 Estados e eles têm liberdade para fazer campanha até 2020, quando os 193 Estados-Membros da Assembleia Geral escolherão mediante voto. Os noruegueses estão otimistas, pois contribuem a mais de 70 anos na ONU com apoio político e econômico, e, sobretudo, pela confiança em seu próprio trabalho, como reconciliadores e assistentes humanitários.

Oslo* aposta na vitória pelo seu histórico de facilitador e mediador de conflitos no Oriente Médio, Colômbia e no Chifre da África, e entende que a redução de tensões equivale a queda da pobreza, a qual, por sua vez, contribui para a diminuição da migração e da necessidade de ajuda humanitária.

No site do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Noruega, a Ministra Eriksen Søreide, apontou: “A Noruega tem um interesse fundamental em apoiar a ONU, o direito internacional e um veredito baseado em regras abalizadas no Pacto das Nações Unidas. O direito internacional público é a base para condições estruturais estáveis ​​para a segurança, prosperidade e valor da Noruega.

Perguntada pelo Jornal VG obre as dificuldades políticas envolvendo a questão dos 5 membros permanentes, a Ministra Søreide afirmou: “É uma questão real hoje que o Conselho de Segurança é muito polarizado. É difícil obter soluções unificadas com consenso, mas o que temos visto nos últimos anos é que não apenas os cinco membros permanentes decidem. Estamos vendo cada vez mais que é possível envolver os membros não permanentes”.

Os analistas atentam que a Noruega pode vir a produzir uma dinâmica diferente no CSNU devido a sua expertise nos assuntos de paz e mediação de conflitos. Todavia, é preciso cautela diante das realidades que ainda sobrevirão, visto que a cooperação não é unilateral e cabe a todos os membros do Conselho o desafio de alcançar resultados com o menor grau de impedimentos possível.

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Nota:

* Oslo é capital do Reino da Noruega, significando aqui o Governo norueguês, logo o país.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Conselho de Segurança da ONU” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/95/UN-Sicherheitsrat_-_UN_Security_Council_-_New_York_City_-_2014_01_06.jpg/1024px-UN-Sicherheitsrat_-_UN_Security_Council_-_New_York_City_-_2014_01_06.jpg

Imagem 2 Ministério dos Negócios Estrangeiros da Noruega” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Utenriksdepartementet_Oslo.jpg

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Somália: Al-Shabab novamente causa terror em Mogadíscio

Dois carros-bombas foram detonados em Mogadíscio (capital e a maior cidade da Somália), em 7 de julho de 2018, pelo grupo terrorista al-Shabad, causando 10 mortes e, ao menos, 20 feridos. O grupo islamista posicionou um dos carros armadilhados junto ao edifício do Ministério do Interior somali e o outro veículo próximo ao Palácio Presidencial. Houve também um confronto de duas horas com troca de tiros entre terroristas islâmicos e forças somalis, o qual resultou na morte dos primeiros. 

Treinamento de tropas ugandenses, 2012

Há aproximadamente 12 anos que esses militantes terroristas, os quais possuem ligação com a al-Qaeda desde 2012, tentam dominar o poder na Somália e instituir a Sharia como lei local. Parte do país – Centro e regiões do Sul – já ficou sob seu domínio. Em 2006, a capital, Mogadíscio, foi tomada pelo grupo, sendo libertada apenas em agosto de 2011. Os militantes foram expulsos também das outras áreas invadidas, porém ainda influenciam e causam ondas de violência que assolam a Somália até os dias de hoje.

Suspeita-se que o ataque de abril de 2018 ao estádio de futebol em Barawe, durante a partida entre os times Elmen e SYL, como também a explosão próxima ao hotel Weheliy, em março (2018), tenham sido de sua autoria. No primeiro, jogadores e torcedores foram vítimas de um dispositivo posicionado no setor VIP do estádio, possivelmente com a pretensão de atingir autoridades. Em 14 de outubro de 2017, a organização vitimou 512 pessoas no maior atentado terrorista que a Somália já teve, atingindo hotéis, restaurantes e edifícios do Governo.

A atuação deste grupo terrorista estende-se por outros países africanos, tais como o Quênia, o qual, no ano de 2015, teve o campus da Universidade de Garissa atacado, resultando em 147 estudantes cristãos mortos, em sua maioria, pois os terroristas questionaram a religião de suas vítimas, em um segundo momento do massacre. O mesmo procedimento foi usado no ataque ao ônibus em 2014, cujas vítimas eram cristãos. Em 2013, o alvo do ataque foi o shopping center de Nairóbi. Recentemente, em março de 2018, policiais e soldados quenianos foram mortos pelos terroristas. Em abril do mesmo ano, soldados “peacekeepers da União Africana (UA) também foram vítimas.

Um ataque suicida duplo em Kampala, Uganda, atingiu torcedores que assistiam à final da Copa do Mundo de 2010. O país foi escolhido pelos terroristas porque soldados ugandenses compunham as tropas da missão “peacekeeping”, Amisom da União Africana, usadas no combate ao grupo.

A influência e ameaças de fundamentalistas islâmicos não cessam em sua tentativa de desestabilizar países africanos. Em Mocímboa da Praia,  Moçambique,  suspeita-se que a autoria dos ataques de 2017 tenham correlação com grupos que foram treinados pela al-Shabab, da mesma forma que outros grupos que atuam no continente africano. Deve-se destacar, no entanto, que foi formado um outro grupo com a mesma denominação, porém supostamente sem ligação com a organização somali, o qual decapitou pessoas em maio de 2018 na região de Cabo Delgado. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira da Somália” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Somália#/media/File:Flag_of_Somalia.svg

Imagem 2Treinamento de tropas ugandenses, 2012” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/African_Union_Mission_to_Somalia#/media/File:USMC-120816-M-ZZ999-207.jpg

ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

Rússia desenvolverá plano para usar a infraestrutura da Copa do Mundo

No dia 6 de julho (2018), o presidente russo Vladimir Putin encontrou-se com estrelas do futebol mundial. A reunião ocorreu no Kremlin e teve a presença de vários atletas, como o mexicano Jorge Campos, o alemão Lothar Matthaus, a inglesa Alexandra Scott.

Durante a celebração, Putin discursou sobre a importância global desse esporte e como a Copa do Mundo ajudou a destruir vários estereótipos negativos sobre o povo russo. Além disso, destacou que esse evento proporcionou que torcedores de diversos países se aproximassem e comemorassem juntos como uma única família.

Vladimir Putin, Presidente da Rússia, jogou um amistoso com estrelas do futebol mundial e jovens atletas durante sua visita ao Parque do Futebol da Copa do Mundo na Praça Vermelha, em Moscou

O Presidente apontou também que há um plano em desenvolvimento para que a infraestrutura montada durante o campeonato da FIFA possa ser utilizada futuramente. Isso quer dizer que há a pretensão para que os estádios não sucumbam ao fenômeno dos chamados “elefantes brancos”*, mediante o desenvolvimento da cultura física e de esportes de massa pelo país.

Nesse sentido, Putin destacou: “vamos prestar especial atenção ao desenvolvimento do patrimônio futebolístico. Muito em breve, após o término da Copa do Mundo, nos reuniremos com todos aqueles que lidam com a cultura física e com todos aqueles que participaram da construção e operação dessas instalações esportivas e da infraestrutura esportiva como um todo. Dessa forma, elaboraremos um plano para usar a infraestrutura que foi construída a fim de desenvolver a cultura física no país”.

Assim, com tal plano, a Federação Russa investirá no seu futebol nacional, garantindo que clubes locais utilizem os estádios como bases de treinamento. Além disso, o Governo pretende trazer mais competições esportivas e eventos de grande porte ao país, como forma de incentivar ainda mais essa cultura e garantir a plena utilização de toda a herança da infraestrutura da Copa do Mundo de 2018.

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Nota:

* Elefantes brancos” é uma expressão idiomática que tem como significado as obras grandiosas que por um momento têm utilidade, mas que seu custo de manutenção se torna desproporcional e supera os retornos esperados, ou que é abandonada sem ter mais utilização.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Encontro entre o Presidente russo, Vladimir Putin, e grandes atletas do futebol mundial, no Kremlin, no dia 6 de julho de 2018” (Fonte):

http://en.kremlin.ru/events/president/news/57956/photos/54487

Imagem 2Vladimir Putin, Presidente da Rússia, jogou um amistoso com estrelas do futebol mundial e jovens atletas durante sua visita ao Parque do Futebol da Copa do Mundo na Praça Vermelha, em Moscou” (Fonte):

http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/6kRgd95YmrDR2LyeJEGiWpo1GKagXBAP.jpg

ÁSIACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Agência da ONU para o Desenvolvimento Industrial busca intensificar cooperação com a China

O Diretor Geral da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO, sigla em inglês), o chinês Li Yong, realizou diversas reuniões de alto nível com funcionários de alto escalão do Governo da China para impulsionar ainda mais a cooperação entre a UNIDO e a potência asiática.

UNIDO em reunião com funcionários de alto escalão do Governo chinês

Li Yong se reuniu com Wang Xiaotao, presidente da recém-criada Agência Internacional de Cooperação para o Desenvolvimento da China (CIDCA) para verificar áreas potenciais de parcerias e trabalhos conjuntos, incluindo a Belt and Road Initiative (Nova Rota da Seda), a Cooperação Sul-Sul, a industrialização na África, e a promoção de comércio, investimento e capacitação em países em desenvolvimento. Em pronunciamento, ele declarou que “o estabelecimento da CIDCA servirá para fortalecer a cooperação da China com os países em desenvolvimento”. 

No âmbito do Quadro de Cooperação Estratégica da UNIDO-China 2018-2021 sobre a indústria verde, inovação e cooperação internacional, Li Yong, como Diretor Geral Organização, e o Ministro da Ciência e Tecnologia da China, Wang Zhigang, assinaram um Memorando de Entendimento para fortalecer os trabalhos conjuntos em diversos setores. Também concordaram em identificar e implementar demonstrações técnicas na área de parques ecoindustriais e zonas de inovação, além de apoiar o desenvolvimento de capacidades nos países em desenvolvimento para ciência, tecnologia e inovação.

Yong também debaterá com Hu Xiaolian (Presidente do Banco de Importação e Exportação da China), com Xiong Meng (Vice-Presidente Executivo e Secretário Geral da Federação de Economia Industrial da China), além de outros parceiros, as oportunidades de cooperação relacionadas às atividades da UNIDO e à iniciativa do Programa de Parceria com o País.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 “Diretor Geral da UNIDO debate áreas de cooperação com a China, durante visita oficial a Pequim” (Fonte):

https://www.unido.org/sites/default/files/styles/fullwidth_image/public/styles/1_1_crop_widget/public/2018-07/China%201.JPG?itok=0oxoYIhL

Imagem 2 “UNIDO em reunião com funcionários de alto escalão do Governo chinês” (Fonte):

https://www.unido.org/sites/default/files/styles/1_1_crop_widget/public/2018-07/China%202.JPG?itok=ZF3cVFpG