AMÉRICA LATINAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Capital do Equador quer se projetar como Smart City global

Em Quito, capital do Equador, realizou-se de 29 a 30 de outubro de 2019, o Congresso Internacional Smart City. Na ocasião, o Vice-Ministro de Turismo, Mariano Proaño, apresentou o Metroférico de Quito, o projeto de transporte público que promete incluir a capital equatoriana no rol mundial das Smart Cities.

Esta terceira edição do Congresso – a primeira foi em 2017 – promoveu o intercâmbio de conhecimento sobre cidades inteligentes (Smart Cities) e o fortalecimento das capacidades locais acerca do tema. Mais de dez temáticas foram abordadas no evento, dentre as quais: governabilidade, mobilidade urbana, cidades sustentáveis, tecnologias urbanas, empreendimento digital, energia e meio ambiente, planejamento urbano e territorial.

Logo do Congresso Smart City Ecuador

Dentre os projetos em andamento apresentados, encontravam-se o Porto de Águas Profundas de Posorja, que estará conectado ao Tren Playero, e o Metroférico de Quito. Segundo o Vice-Ministro, a Linha 1 do projeto terá 22 km de extensão e conectará o Aeroporto Mariscal Sucre com o norte da capital equatoriana, reduzindo o trajeto dos atuais 60 minutos para apenas 35 minutos. Os trens terão 15 estações de parada e estima-se que transportarão 400 mil pessoas/dia.

O Ministério do Turismo do Equador se diz empenhado em realizar ações como esta, em parceria com a iniciativa privada e governos regionais para atrair investimentos e melhorar a atratividade dos destinos turísticos do país.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Congresso Internacional Smart City Equador” (Fonte): https://www.turismo.gob.ec/wp-content/uploads/2019/10/WhatsApp-Image-2019-10-30-at-17.44.10.jpeg

Imagem 2 Logo do Congresso Smart City Ecuador” (Fonte): https://smartcityecuador.com/wp-content/uploads/2019/06/SMAR_web-logo-01.png

NOTAS ANALÍTICASSAÚDE

Plano internacional de incentivo à doação de órgãos

Durante o 57º Conselho Diretivo da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), ocorrido em outubro de 2019, os Ministros da Saúde dos diferentes países que constituem a instituição lançaram em conjunto a Estratégia e o Plano de Ação sobre Doação e Acesso Equitativo ao Transplante de Órgãos, Tecidos e Células 2019-2030. O intuito é fortalecer as ações entre os países membros, tendo como apoio a melhoria da qualidade de vida dos beneficiários, bem como as relações de custo-benefício diante da efetividade dos transplantes realizados.

Estima-se que com 53,3 transplantes em cada 1 milhão de pessoas, as Américas compõem a maior taxa de realização desses procedimentos, seguida pela Europa. Na América Latina, o Uruguai lidera a doação de órgãos (16,8 por milhão de pessoas), seguido pelo Brasil (14,2) e Argentina (12). A Espanha é o líder mundial (47).

Campanha para doação de órgãos

Segundo Clarissa F. Etienne, diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) “a estratégia é um roteiro para atender à crescente demanda por transplantes pelo aumento das doenças crônicas e da expectativa de vida”. Além disso, o estímulo para os países parte da taxa de 25,5% dos transplantes em 2016, oriundos de doadores vivos, superior a 21,8% em 2015.

Para mais dados sobre o tema, consulte a decisão oficial promulgada pela OPAS neste link.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Em 2016, mais de 182 mil pessoas estiveram em listas de espera para transplantes de rim e menos de 10% da demanda por transplante de fígado atualmente é atendida na região das Américas. Foto: Ministério da Saúde/Creative Commons” (Fonte): https://nacoesunidas.org/ministros-da-saude-das-americas-aprovam-plano-para-aumentar-doacoes-e-transplantes-de-orgaos/

Imagem 2 Campanha para doação de órgãosFoto: OPAS”(Fonte): https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6040:ministros-da-saude-se-comprometem-com-plano-para-aumentar-doacoes-e-transplantes-de-orgaos&Itemid=838

AMÉRICA DO NORTEÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Rivalidade estratégica entre a China e os Estados Unidos marcará a Cúpula do Leste da Ásia

A ausência de um oficial americano de alto escalão no fórum regional na Tailândia não deve ser considerada como uma distensão da rivalidade estratégica entre Washington e Pequim, apontam analistas. A Cúpula do Leste da Ásia, que ocorre por dois dias, começou com reuniões preliminares em Bangkok, no domingo (3 de novembro de 2019), e o principal evento ocorreu hoje, no dia seguinte (4 de novembro de 2019), em Nonthaburi, uma cidade a 20 quilômetros ao norte da capital tailandesa, relata o jornal South China Morning Post.

Enquanto se esperava a presença do Primeiro-Ministro da China, Li Keqiang, do Primeiro-Ministro do Japão, Shinzo Abe, e do Primeiro-Ministro da Índia, Narendra Modi, a delegação estadunidense é chefiada pelo novo Conselheiro de Segurança Nacional, Robert O’Brien, e pelo Secretário de Comércio, Wilbur Ross. “A presença de oficiais americanos de escalões relativamente baixos pode ser interpretada como um sinal de que a atenção do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a região está diminuindo”, observa Xu Liping, professor do Instituto de Estudos da Ásia-Pacífico na Academia Chinesa de Ciências Sociais. E completou: “Mas, isso não quer dizer que a contenda pelo poder entre a China e os Estados Unidos está em declínio. É provável que sua rivalidade esteja presente ao longo da Cúpula”.

Caças americanos no Mar do Sul da China

A Cúpula do Leste da Ásia é um encontro anual entre os líderes dos 10 Estados-membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e de representantes da China, dos Estados Unidos, da Rússia, do Japão, da Índia, da Coreia do Sul e da Austrália. Este ano (2019) é o primeiro, desde a adesão dos Estados Unidos ao evento, em 2011, em que o país não será representado por um Ministro sênior, apesar do fato de as tensões estratégicas entre Washington e Pequim estarem particularmente elevadas no Mar do Sul da China, devido ao aumento da presença chinesa na região.

Na quinta-feira (31 de outubro de 2019), David Stilwell, Secretário de Estado Assistente para o Leste da Ásia e o Pacífico, dos Estados Unidos, declarou que “os membros da ASEAN devem trabalhar juntos para resistir às tentativas de Pequim de militarizar o Mar do Sul da China”.Um dia antes (30 de outubro de 2019), o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, afirmou que “os Estados Unidos devem fazer mais quando a China ameaça seus vizinhos, como o Vietnã e as Filipinas, e quando ela clama por todo o Mar do Sul da China”.

Collin Koh, pesquisador do Instituto de Defesa e Estudos Estratégicos de Cingapura, atentou: “Enquanto a questão do Mar do Sul da China pode vir a ser discutida durante a Cúpula, é improvável que ocorram quaisquer tensões sérias entre os dois países”. Já Xu Liping afirmou que é mais plausível que Pequim enfrente uma forte oposição vinda de Hanói. Segundo ele: “É provável que o Vietnã use a sua posição de presidente da Cúpula do Leste da Ásia para avançar a sua agenda, e como ele foi eleito como membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas para o período 2020-2021, é provável que o país procure aumentar a sua influência internacional e tome maiores iniciativas em relação à questão do Mar do Sul da China”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Encontro da Cúpula do Leste da Ásia (2015)” (Fonte): https://commons.m.wikimedia.org/wiki/File:A_session_of_the_10th_East_Asia_Summit_(EAS).png

Imagem 2 Caças americanos no Mar do Sul da China”(Fonte): https://commons.m.wikimedia.org/wiki/Category:South_China_Sea#/media/File%3A110629-M-KA277-089_(5905856284).jpg

EURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

O treinamento dos Boinas Negras russos

A função básica das instituições militares de qualquer Estado é proteger a integridade territorial e proporcionar a garantia da soberania dos países. O treinamento das Forças Armadas envolve atividades de defesa e de ataque com o objetivo de proteção e resguardo dos interesses do Estado. Na atualidade, a maioria dos países não participa de guerra declarada contra terceiros, todavia, apesar de esta ser uma opção, o mundo de hoje apresenta ameaças diferentes e insere na realidade desafios em relação ao uso militar em situações específicas.

O combate a incidências criminosas e contrárias ao Direito Internacional, tais como aquelas relacionadas ao terrorismo, por exemplo, constitui-se na preparação de equipes capazes de corresponderem à altura. Diante de ações diversas e de caráter transnacional, a Federação Russa resolveu fazer modificações no treinamento de seu Corpo de Fuzileiros Navais. A Ideia é adaptar os militares para enfrentarem ambientes para além do uso do rifle de assalto Kalashnikov.

O treinamento dos fuzileiros navais russos ou “boinas negras” consiste na proteção da costa do Estado eslavo e na condução de operações locais de desembarque, todavia, a partir de agora eles também estão sob à preparação para atuarem como forças expedicionárias em qualquer lugar do mundo. A ênfase recai não mais em hostilidades contra um Exército regular, mas no exercício de papéis de abrangência político-militar. Ou seja, o uso dos “boinas negras” também está atrelado nas missões de paz, na evacuação de cidadãos russos, e em ações de interesse da Federação Russa em conflitos locais.

Militar Russo – trabalho retirado do site do Ministério da Defesa da Federação Russa, conforme especificação obrigatória de licenciamento para uso

O jornal Izvestia trouxe a afirmação do professor associado Alexander Perendzhiev, da Universidade Econômica Russa de Plekhanov, o qual declarou sobre o assunto que “a tarefa do fuzileiro naval é desembarcar do navio. E essa costa pode ser estranha”.O objetivo é ilustrar que o “boina negra” deve aprender a se comportar e interagir com a população local. Em outras palavras, o fuzileiro naval russo precisa ser um pequeno diplomata e falar a linguagem local para alcançar seu objetivo e não apenas a linguagem do rifle.

Os analistas entendem a mudança no treinamento militar dos “boinas negras” como um fator positivo para o uso em missões internacionais. É preciso sensibilidade e compreensão da cultura político-cultural-religiosa local para obter a melhor solução possível sem o uso da força. Todavia, salientam que o uso do poder suave (soft power)* representa uma forma de conquista de uma determinada comunidade por meio da simpatia e identificação de valores. Essa abordagem possui múltiplos meios de uso e pode ser vista como benéfica, diante do combate a uma ameaça em comum, ou mesmo maléfica perante um olhar mais nacionalista

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Nota:

* Poder suave: o poder suave, poder brando, ou no original em inglês, soft power, é uma expressão da disciplina de Relações Internacionais criada pelo teórico Joseph Nye na década de 1980. O termo descreve a habilidade de um Estado para influenciar indiretamente o comportamento de outros atores políticos mediante meios culturais ou ideológicos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Corpo de Fuzileiros Navais Russos da Frota do Pacífico trabalho retirado do site do Ministério da Defesa da Federação Russa” (Fonte): http://mil.ru/et/news/[email protected]

Imagem 2 Militar Russo trabalho retirado do site do Ministério da Defesa da Federação Russa, conforme especificação obrigatória de licenciamento para uso” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/29/%D0%9F%D0%BE%D1%81%D1%82%D0%BE%D1%8F%D0%BD%D0%BD%D0%B0%D1%8F_%D0%B3%D1%80%D1%83%D0%BF%D0%BF%D0%B8%D1%80%D0%BE%D0%B2%D0%BA%D0%B0_%D0%92%D0%9C%D0%A4_%D0%A0%D0%BE%D1%81%D1%81%D0%B8%D0%B8_%D0%B2_%D0%A1%D1%80%D0%B5%D0%B4%D0%B8%D0%B7%D0%B5%D0%BC%D0%BD%D0%BE%D0%BC_%D0%BC%D0%BE%D1%80%D0%B5_%D0%BE%D0%B1%D0%B5%D1%81%D0%BF%D0%B5%D1%87%D0%B8%D0%B2%D0%B0%D0%B5%D1%82_%D0%BF%D1%80%D0%BE%D1%82%D0%B8%D0%B2%D0%BE%D0%B2%D0%BE%D0%B7%D0%B4%D1%83%D1%88%D0%BD%D1%83%D1%8E_%D0%BE%D0%B1%D0%BE%D1%80%D0%BE%D0%BD%D1%83_%D0%BD%D0%B0%D0%B4_%D1%82%D0%B5%D1%80%D1%80%D0%B8%D1%82%D0%BE%D1%80%D0%B8%D0%B8_%D0%A1%D0%B8%D1%80%D0%B8%D0%B8_%2812%29.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

UE concede nova prorrogação para saída do Reino Unido, enquanto Parlamento britânico decide data de novas eleições gerais

Na segunda-feira, dia 28 de outubro de 2019, Donald Tusk, o Presidente do Conselho Europeu*, confirmou a concessão de uma nova data para a saída do Reino Unido da UE. Agora marcado para o dia 31 de janeiro de 2020, Tusk apelidou a concessão de “flextensão” (derivado de “extensão flexível”), já que os britânicos terão a oportunidade de sair previamente, caso o Parlamento aprove em tempo o acordo sobre a nova relação com o Bloco europeu.

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Donald Tusk, Presidente do Conselho Europeu, divulgou no Twitter que os países membros da UE aceitaram o pedido de nova prorrogação do Brexit

Esta é a segunda vez que a data é alterada. Inicialmente, a saída estava marcada para março de 2019. Porém, ela foi prorrogada para o dia 31 de outubro de 2019, devido à incapacidade de o governo de Theresa May aprovar os termos negociados com a UE. Em publicação oficial, os europeus anunciaram que não permitirão a reabertura do acordo de saída, que recentemente sofreu mudanças importantes em relação à questão da fronteira entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte.

Manifestações a favor e contrárias ao Brexit ocorrem diariamente em frente ao Palácio de Westminster, sede do Parlamento britânico

A prorrogação convenceu os parlamentares da oposição a aprovar uma nova eleição geral, que ocorrerá no dia 12 de dezembro de 2019. Certa resistência foi apresentada por parte de alguns partidos, como o SNP (Partido Nacional Escocês) e os Liberais Democratas, que queriam que as eleições ocorressem no dia 9 de dezembro de 2019, data que facilitaria a participação dos estudantes no pleito eleitoral, principalmente nas cidades universitárias. Já os Trabalhistas esperavam a garantia de que um “não-acordo” estivesse totalmente fora de cogitação

Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, o principal partido da oposição – UK Parliament

Houve também uma tentativa de adicionar Emendas importantes ao Projeto de Lei, que estabeleceria a nova data para as eleições. Dentre elas, estavam os planos de estender o direito de votação aos jovens de 16 a 17 anos e aos cidadãos europeus residentes permanentes no país. Contudo, as Emendas foram rejeitadas por Lindsay Hoyle, o Vice-Presidente da House of Commons (equivalente à Câmara de Deputados no Brasil). Contudo, Boris Johnson conseguiu convencer a maioria dos Trabalhistas para que a legislação necessária fosse aprovada com 420 votos a favor, 20 contras e 191 abstenções. A Lei agora irá passar pela House of Lords (Câmara dos Lordes, ou Câmara Alta, que, com as devidas proporções, pode ser vista como uma espécie de Senado), mas não deverá sofrer resistências. As atividades parlamentares estão previstas para se encerrarem na próxima quarta-feira, dia 6 de novembro de 2019, para que os partidos possam se concentrar na campanha eleitoral.

Em dia de eleições é comum ver placas indicando a localização das urnas, que geralmente ocorrem em igrejas, escolas e centros comunitários

As eleições no Reino Unido tradicionalmente acontecem nos meses de maio ou junho. Esta será, desde 1923, a primeira a ocorrer em dezembro. Existem algumas preocupações em relação à logística do evento. Uma delas é de que não haverá tempo suficiente para disponibilizar espaços em escolas, igrejas e centros comunitários, onde geralmente se encontram as urnas. Próximo à esta data, muito desses lugares já estão reservados para festividades natalinas. O clima úmido e frio, desta época do ano, também pode afugentar alguns eleitores. Além disso, o período coincide com o fim do trimestre escolar, que pode afastar jovens estudantes em época de exames.

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Nota:

* O Conselho Europeu é o órgão da União Europeia que reúne os Chefes de Estado ou Governo dos países membros. O polonês Donald Tusk é o atual Presidente do órgão.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Ônibus com a bandeira da UE, em frente ao Parlamento britânico” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:EU_Bus_(46963682851).jpg

Imagem 2 Donald Tusk, Presidente do Conselho Europeu, divulgou no Twitter que os países membros da UE aceitaram o pedido de nova prorrogação do Brexit” (Fonte): https://twitter.com/eucopresident/status/1188748108764721152

Imagem 3 Manifestações a favor e contrárias ao Brexit ocorrem diariamente em frente ao Palácio de Westminster, sede do Parlamento britânico” (Fonte):

Foto do Autor – André Miquelasi (CEIRI NEWS)

Imagem 4 Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, o principal partido da oposição UK Parliament” (Fonte): https://www.flickr.com/photos/uk_parliament/25743557291

Imagem 5 Em dia de eleições é comum ver placas indicando a localização das urnas, que geralmente ocorrem em igrejas, escolas e centros comunitários” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Polling_Station,_Minster-in-Thanet,_Kent,_England,_2015-05-07-5156.jpg

ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Primeira Cúpula Rússia-África sinaliza retorno de influência ao continente africano

Após a Semana Russa da Energia, em Moscou, a cidade-balneário de Sochi sediou a primeira Cúpula Rússia-África, nos dias 23 e 24 de Outubro (2019). O evento contou com a presença de 43 Chefes de Estado africanos, e foi co-presidido pelo presidente russo Vladimir Putin e pelo Presidente egípcio e da União Africana, Abdel Fattah el-Sisi.

A cimeira ocorreu concomitantemente ao Fórum Econômico Rússia-África, e ambos discutiram pontos críticos relacionados ao papel da Federação Russa na promoção da África e o viés econômico dos Estados africanos no sistema financeiro internacional, bem como desafios de securitização. Neste paradigma, o conhecimento em segurança e influência na exportação de armas privilegiam Moscou nos negócios com o continente africano.

De acordo com o Financial Times, o Kremlin diz que negócios comerciais no valor de 12,5 bilhões de dólares* em investimento foram tratados na cúpula, onde áreas como energia, agropecuária, mineração e armamentos foram abordadas.  O foco, contudo, foi expandir o comércio de armas já existente, mantendo, assim, a hegemonia russa no suprimento de armamentos para o território africano.

O evento pioneiro está sendo tratado como uma empreitada da Rússia para exercer influências na África, enquanto potências como os Estados Unidos miram em outra direção. Durante a cúpula, oficiais russos arguiram que firmar acordos com seu país garante mais independência aos africanos para negociarem com potências como França, Reino Unido e mesmo China.

A própria Declaração da Primeira Cúpula Rússia-África envasa o comprometimento da Rússia e dos Estados Africanos em “trabalhar juntos para contra-atacar o despotismo político e chantagem financeira no comércio internacional e cooperação econômica”, dispositivo que coaduna a nova instância russa em sua relação com a África. O jornalista Joe Penney, em contribuição ao site Quartz Africa, considera que as palavras de Putin em seu discurso de abertura “posicionaram a nova incursão (da Rússia) no continente na tradição soviética de luta contra o colonialismo”.  

Chefes de delegações posam para foto na Primeira Cúpula Rússia-África

Embora a Federação Russa esteja muito atrás da China no que tange a investimentos e comércio com a África, as ofertas do país para o continente (usinas nucleares, jatos-caça, helicópteros e sistemas de defesa antimísseis) e o conceito de negócios “sem comprometimentos”, tornam a aliança Rússia-África atrativa. O Kremlin desvelou planos de dobrar os investimentos atuais no continente nos próximos anos. O presidente Putin demonstrou otimismo e afirmou que a cúpula “abriu uma nova página na história das relações da Rússia com os países africanos”, e celebrou o sucesso dos esforços conjuntos para “desenvolver uma cooperação integral mutuamente benéfica, bem-estar, futuro pacífico e prosperidade” dos países e povos envolvidos.  

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Nota:

* 12,5 bilhões de dólares = aproximadamente, a R$49.838.036.798,96 – na cotação do dia 28/10/2019.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vladimir Putin na Primeira Cúpula RússiaÁfrica” (Fonte): http://en.kremlin.ru/events/president/news/61893/photos/61680

Imagem 2 Chefes de delegações posam para foto na Primeira Cúpula RússiaÁfrica” (Fonte): http://en.kremlin.ru/events/president/news/61893/photos/61668