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China testa com sucesso míssil ar-terra para helicópteros militares

A China desenvolveu e testou com sucesso um sofisticado míssil ar-terra para helicópteros militares. A nova arma foi testada em um local deserto na Região Autônoma da Mongólia Interior, no final de junho de 2020, quando foi disparada por um helicóptero e atingiu seu alvo, informa o jornal South China Morning Post.

O míssil, cujo nome e especificações não foram revelados, é uma arma excepcional, o que significa que pode ser lançado a uma distância suficiente para permitir que o destacamento ofensivo evite o fogo defensivo. Com seus múltiplos sistemas teleguiados, longo alcance e capacidade de evitar travamentos, o míssil é o primeiro de seu tipo a ser utilizado pelas Forças Armadas da China.

Os helicópteros militares produzidos na China são baseados no helicóptero francês Dauphin

Uma vez totalmente funcional, o novo armamento poderá substituir os mísseis antitanque AKD-9 e AKD-10 e os mísseis antinavio YJ-9. Ao contrário de seus antecessores, o novo artefato não se limita ao uso com apenas um tipo de helicóptero, tornando-o semelhante à série AGM-114 Hellfire, dos Estados Unidos.

Song Zhongping, analista militar de Hong Kong, comentou: “Ter um único míssil capaz de atacar alvos fixos no solo, bem como veículos blindados e até navios, tornaria muito mais fácil e rápido preparar e manter os helicópteros, em vez de ter que considerar várias opções de armas”. Song também observou: “As Forças Armadas da China já possuem o míssil ar-ar TY-90 produzido domesticamente para uso em combates entre helicópteros. Uma combinação da nova arma e o TY-90, que foi o primeiro do gênero no mundo, além de foguetes, aumentaria o poder de ataque das unidades aéreas da Força Terrestre do Exército de Libertação Popular”.A Força possui vários helicópteros de ataque, incluindo o Z-10 e o Z-20, produzidos na China, e o Z-19, que foi modificado a partir do Z-9, que, por sua vez, foi baseado no Dauphin francês.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O novo míssil chinês é similar ao americano AGM114 Hellfire” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?sort=relevance&search=AGM-114+Hellfire&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1

Imagem 2 Os helicópteros militares produzidos na China são baseados no helicóptero francês Dauphin”(Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Eurocopter_AS365_Dauphin#/media/File:ZJ780_8490634574_(cropped).jpg

NOTAS ANALÍTICASSegurança Internacional

Emirados Árabes Unidos e Irã realizam reunião para tratar sobre Segurança Costeira

Na terça-feira, dia 30 de julho, uma missão dos Emirados Árabes Unidos desembarcou no Irã para discutir segurança marítima. Membros dos serviços de Guarda Costeira e diplomatas dos Emirados buscam pontos de identidade e cooperação entre os dois países.

O encontro é um marco em uma relação conduzida por intensa rivalidade política. Os Emirados Árabes Unidos apoiaram uma extensão das medidas restritivas ao Irã, alinhados com os Estados Unidos na suspensão dos efeitos do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, do inglês Joint Comprehensive Plan of Action)*. 

Os príncipes de Abu Dhabi ainda mantêm tropas no Iêmen para combater as milícias Houthi, declaradamente pró-Irã, e usam palcos internacionais para fazer severas denúncias contra o regime dos aiatolás. O episódio de maior tensão entre os países se deu recentemente, quando o Irã foi acusado de ter parte na sabotagem de quatro cargueiros no porto de Fujeira, nos Emirados.

A República Islâmica também é muito crítica da postura do vizinho. De acordo com a afirmação feita à Al-Jazeera pelo conselheiro do Supremo Líder do Irã para assuntos de Defesa, Hossein Denghan, os Emirados Árabes tornaram-se “uma base estadunidense para atacar a segurança nacional iraniana”.

A última vez que uma reunião semelhante ocorreu foi no ano de 2013. Os Emirados Árabes Unidos buscam se envolver como pivô de diálogo, reforçando sua posição de porto seguro no Golfo. Apesar da retórica, quase 29% dos US$ 71,5 bilhões (aproximadamente R$ 272,63 bi, de acordo com a cotação de 31/07/2019) exportados em 2018 pelo Irã passaram por portos do país vizinho. A balança comercial entre ambos fechou julho de 2018 em US$ 1,75 bilhão (aproximadamente 6,67 bilhões de reais).

Os objetivos da reunião não se tornaram públicos, mas, segundo o Hareetz, fontes do governo iraniano confirmam que a discussão pode incluir cooperação técnica, vistos e conexões marítimas. Segundo afirmação à Agência de Notícias da República Islâmica apresentada pelo comandante da guarda-costeira dos Emirados, General de Brigada Mesabh Al-Ahbabi, a cooperação deve focar na decisão e operação conjunta dos países na extensão de suas fronteiras marítimas, visando combater primordialmente o tráfico de drogas e contrabando.

De acordo com as expectativas gerais, o diálogo deve centrar no controle do Estreito de Hormuz. A região é objetivo de uma sensível disputa entre os países, uma vez que estes disputam as fronteiras de seu território marítimo sobre as águas da passagem, tanto pelo direito (de jure) quanto pelo controle direto (de facto). Além disso, os dois países disputam o controle de três ilhas na região, as Ilhas Tunb e Abu Masa.

Mapa do Estreito de Hormuz, incluindo a jurisdição das águas

Anualmente, quase 25% do gás natural consumido em todo o planeta e mais de um terço do petróleo bruto consumido no mundo atravessa esta região. Esta quantidade representa cerca de 21 milhões de barris de petróleo ao dia. O governo em Teerã afirmou repetidas vezes não descartar a possibilidade de negar o uso do acesso por completo, impossibilitando navios comerciais de cruzarem as águas na região.

Os diálogos de alto nível vêm sendo celebrados por ambos países como primeiro passo para uma política de segurança comum. O chanceler iraniano Mohammad Javad Zariff celebrou a atitude dos Emirados como uma mudança política, que espera levar à diminuição da influência de figuras como John Bolton e Benjamin Netanyahu na região.

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Nota:

* O Joint Comprehensive Plan of Action (JCPOA), popularmente conhecido como “Acordo do Irã”, foi firmado em 14 de julho de 2015 entre a República Islâmica do Irã e o P5+1 das Nações Unidas (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia + Alemanha). O acordo estabelece que o Irã controlaria seu projeto de enriquecimento e armazenamento de urânio em troca de combustível para pesquisa e suspenção de sanções. Sob a gestão de Donald Trump, os Estados Unidos denunciaram o acordo em maio de 2018.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O BrigadeiroGeneral Qasem Rezaee, Comandante da Guarda da Fronteira da Polícia do Irã, cumprimenta o Comandante da Guarda Costeira dos Emirados Árabes Unidos, General de Brigada Mohammad Ali Mesbah AlAhba” (FonteAgência de Notícias da República Islâmica IRNA): https://en.irna.ir/news/83418325/Iran-UAE-vow-to-strengthen-diplomatic-border-ties#gallery

Imagem 2Mapa do Estreito de Hormuz, incluindo a jurisdição das águas” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/ae/Strait_of_hormuz_full.jpg/555px-Strait_of_hormuz_full.jpg

NOTAS ANALÍTICASSegurança Internacional

Parentes de uigures desaparecidos se reúnem em Washington

Os uigures são uma minoria islâmica da Região Autônoma de Xinjiang, localizada no extremo oeste da China. Pertencem à etnia turca dos povos da Ásia Central e falam dialeto próprio. O Partido Comunista da China (PCCh) governa Xinjiang desde 1949, logo depois que a China anexou o efêmero Estado uigur do Turquestão Oriental. Os uigures sempre ressentiram o influxo de chineses da maioria han na região e alguns realizaram ataques terroristas contra os han em 2009 e 2017. Ao longo dos anos, Pequim impôs diversas medidas que prejudicaram as atividades religiosas, comerciais e culturais deste grupo étnico.

Uigures em mercado na cidade de Kashgar, em Xinjiang

No domingo (24 de março), aproximadamente trinta parentes de alguns dos supostos 1 milhão de uigures e outros grupos étnicos islâmicos que estão detidos* falaram em um evento em Washington sobre as alegadas prisões em massa, a fim de conscientizar o público americano acerca dessa situação que eles acusam ser uma violação de direitos humanos, mas Pequim afirma ser uma forma de contenção do extremismo religioso violento, conforme informa o jornal South China Morning Post.

Inauguração de campo de reeducação em Lopnur, Xinjiang

A atual situação dos muçulmanos chineses remonta a 2016, quando o líder do Partido Comunista do Tibete, Chen Quanguo, assumiu o seu novo posto em Xinjiang. Conforme foi disseminado na mídia, os uigures foram orientados a conceder amostras de biometria e de DNA para as autoridades. Da mesma forma, também se afirma que os sistemas de vigilância aumentaram na região. Há informações de que o governo estabeleceu mais de 7.300 estações policiais de monitoramento  e rondas ostensivas de guardas patrulham as cidades da província revistando os muçulmanos. Atualmente, as autoridades estão testando sistemas de reconhecimento facial em diversas localidades da região.

Urumqi, capital de Xinjiang

Existe o fator de que Xinjiang está localizada no coração da Iniciativa do Cinturão e Rota (ICR), o amplo projeto internacional de infraestrutura lançado por Xi Jinping em 2013. O governo chinês investiu vastas somas de dinheiro construindo cidades na província para atrair empresas e estimular o crescimento nesta região relativamente atrasada. Preocupações acerca da segurança local poderiam prejudicar o investimento. Pequim continuará a governar Xinjiang com o intuito de assegurar aos investidores que é um lugar seguro para se viver e trabalhar. Aparentemente, o país está adotando uma política específica para a região, visando mantê-la sob controle.

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Fontes das Imagens:

* Conforme está sendo disseminado na mídia eles estão presos sem acusações.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Detentos em um campo de reeducação no Condado de Lop, em Xinjiang (abril de 2017)” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Xinjiang_re-education_camps#/media/File:Xinjiang_Re-education_Camp_Lop_County.jpg

Imagem 2 Uigures em mercado na cidade de Kashgar, em Xinjiang” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Uyghur_people#/media/File:Kashgar_Uyghur_People.jpg

Imagem 3 Inauguração de campo de reeducação em Lopnur, Xinjiang” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Xinjiang_re-education_camps#/media/File:Opening_Ceremony_of_a_re-education_camp_in_Lopnur_County.jpg

Imagem 4 Urumqi, capital de Xinjiang” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/5a/Urumqi.jpg

NOTAS ANALÍTICASSegurança Internacional

Delegação da Guiné Equatorial no Brasil e apreensão da Polícia Federal

O Vice-Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Mangue, e sua delegação estiveram no Brasil no dia 16 de setembro em caráter não oficial, portando 20 relógios de luxo avaliados em 15 milhões de dólares e malas contendo R$ 55 mil (cinquenta e cinco mil reais) e 1,4 milhão de dólares, em espécie. Em virtude de não ser uma missão diplomática, a Polícia Federal brasileira reteve os integrantes da comitiva para esclarecimentos e foram apreendidos os bens.

Localização da Guiné Equatorial

Em pronunciamento, o secretário particular de Teodoro, Lemenio Akuben, justificou a passagem da delegação guineense pelo Brasil a um tratamento de saúde realizado pelo Vice-Presidente. Quanto às joias transportadas, essas eram de uso pessoal dele e o montante de dinheiro pertencia ao Tesouro Nacional que seria utilizado em negociações em Singapura, destino da delegação após a visita ao Brasil.

Tendo em vista a apreensão dos bens, Akuben ressaltou que os países nutrem boas relações desde 1971, ano de estabelecimento das relações diplomáticas. Da mesma forma, o secretário declarou que a comitiva estava salvaguardada pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas (1961), que no seu Artigo 36° dispõe que objetos pessoais de agentes diplomáticos estão isentos de inspeção alfandegária. O Governo da Guiné Equatorial e a Embaixada do país no Brasil solicitaram que seja realizada a devolução das posses de Obiang Mangue e delegação.

Palácio do Itamaraty, Ministério das Relações Exteriores do Brasil

Por sua vez, o Ministério das Relações do Brasil emitiu uma nota à imprensa onde destacou a atuação conjunta do Ministério e da Polícia e Receita Federal no que tange a investigação e a tomada de decisão diante do fato. Cabe destacar que as averiguações serão conduzidas sob sigilo diplomático.

Em entrevista para a TVGE (televisão do Estado guineense) o Embaixador Brasileiro em Malabo, Evalde Freire, declarou que, por configurar uma viagem de caráter privado, os viajantes internacionais estão sob as normas aeroportuárias e aduaneiras nacionais. Neste sentido, a atuação da Polícia e Receita Federal no caso refere-se à necessidade de efetuação da Declaração de Bens de Viajantes, que tem como exigência normativa a declaração do porte de papel-moeda nacional e internacional em espécie, quando o montante for superior a R$ 10,000.00 (Dez mil reais).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeiras do Brasil e da Guiné Equatorial” (Fonte):

http://www.itamaraty.gov.br/images/ficha_pais/guine-equatorial.png

Imagem 2Localização da Guiné Equatorial” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/15/LocationEquatorialGuinea.svg/1200px-LocationEquatorialGuinea.svg.png

Imagem 3Palácio do Itamaraty, Ministério das Relações Exteriores do Brasil” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Minist%C3%A9rio_das_Rela%C3%A7%C3%B5es_Exteriores_(Brasil)

ÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALSegurança Internacional

Lançador aéreo de mísseis nucleares em desenvolvimento na China

A China busca aumentar sua segurança por meio do desenvolvimento de sistemas de defesa modernos capazes de conter ataques de potências ocidentais. Em contexto de crescentes tensões geopolíticas na Ásia entre os chineses e aliados dos Estados Unidos, a necessidade de aprimorar o sistema de defesa é aguda. Segundo o relatório norte-americano sobre o poder militar chinês no ano de 2017, a Força Aérea da China já é a terceira maior do mundo, continua a modernizar-se e está aproximando-se das forças aéreas ocidentais em um amplo espectro de capacidades.

Nações debatem a ideia de um Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares na ONU, em maio de 2016, em Genebra

Nesse sentido, o desenvolvimento de um sistema chinês de mísseis balísticos aéreos capazes de transportar ogivas nucleares não é uma surpresa. Segundo o periódico The Diplomat, o míssil CH-AS-X-13*, com alcance de 3.000 km, já foi testado em cinco ocasiões: a primeira em dezembro de 2016 e a última em janeiro de 2018. A comunidade de inteligência norte-americana acredita que o novo míssil estará pronto para ser utilizado até 2025.

Mísseis balísticos não costumam ser lançados do ar. Normalmente, os projetos dos Estados Unidos e da União Soviética**, em tempos de Guerra Fria***, estavam pautados no desenvolvimento de mísseis terrestres e submarinos. Há, contudo, vantagens de realizar o lançamento aéreo, já que, segundo especialistas em defesa, os mísseis são mais difíceis de serem interceptados. Isso garante maior capacidade de reação em eventual conflito nuclear com uma potência estrangeira.

O movimento chinês em direção à defesa nuclear aérea ocorre no momento em que a Rússia anunciou oficialmente estar produzindo mísseis aéreos capazes de transportar ogivas nucleares. O míssil Kinzhal, anunciado no começo de março de 2018, foi testado com sucesso no final daquele mês.

O Departamento de Estado dos EUA respondeu afirmando que aquele “não era um comportamento aceitável de um ator internacional responsável”. Apesar dessa resposta, os norte-americanos também entraram na nova corrida armamentista nuclear****. O presidente Donald Trump, no discurso do Estado da União, em fevereiro de 2018, anunciou que o país deveria “modernizar e reconstruir seu arsenal nuclear”.

A corrida nuclear contrapõe-se à iniciativa do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, adotado em setembro de 2017, que busca proibir a utilização ou ameaça de uso de armas nucleares, bem como torna esse tipo de armamento contrário ao direito internacional.  A China, os EUA e a Rússia não são partes do Tratado.

O projeto chinês de mísseis aéreos tem propósito dissuasório e defensivo. A estratégia do país asiático consiste em evitar ser alvo de ações atômicas, bem como de conseguir realizar resposta rápida a ataques. Por enquanto, a falta de uma data específica de conclusão do sistema e a ausência de declarações oficiais mais substantivas da liderança chinesa permitem afirmar que o programa pode ser experimental, mas também uma amostra do poder tecnológico da China.

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Notas:

Nome atribuído pela comunidade de inteligência dos Estados Unidos.

** País que durou até 1991 e compreende o território da Rússia e de outras nações europeias e asiáticas.

*** Conflito entre Estados Unidos e União Soviética durante 1947 e 1991, caracterizado pela disputa de áreas de influência e pela oposição ideológica entre capitalismo e comunismo.

**** Aumento da produção e do desenvolvimento de armas nucleares, similar ao ocorrido nos tempos de Guerra Fria.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Réplica da primeira bomba nuclear chinesa” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/China_and_weapons_of_mass_destruction

Imagem 2 Nações debatem a ideia de um Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares na ONU, em maio de 2016, em Genebra” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Treaty_on_the_Prohibition_of_Nuclear_Weapons

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Demais Fontes Consultadas:

[1] Ver:

https://www.defense.gov/Portals/1/Documents/pubs/2017_China_Military_Power_Report.PDF

[2] Ver:

https://thediplomat.com/2018/04/revealed-chinas-nuclear-capable-air-launched-ballistic-missile/

[3] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-europe-43362213

[4] Ver:

https://www.nytimes.com/2018/02/04/us/politics/trump-nuclear-russia.html

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALSegurança Internacional

A França e as novas medidas contra a radicalização islâmica

O terrorismo tem representado uma crescente ameaça estratégica para a Europa, pois altera a percepção de segurança, acarreta consideráveis aportes de recursos e estremece a abertura e a tolerância das comunidades europeias. Dos maiores atentados ocorridos em solo europeu nos últimos anos, quatro aconteceram em território francês, mais precisamente em Toulousse, no ano de 2012; em Paris, nos meses de janeiro e de novembro de 2015; e em Nice, em 2016.

Dentre as razões que explicam por que a França se tornou um alvo constante de ataques, se pode destacar: a participação efetiva do país como membro da Força de Coalizão liderada pelos EUA, atuante no combate ao ISIS no Oriente Médio; a presença da maior comunidade islâmica da Europa Ocidental, cuja população imigrante ou de origem estrangeira nascida na França sofre há décadas os problemas de integração e é, em boa parte, desfavorecida socialmente; por fim, a Lei da Laicidade, de 1905, que determina a separação entre o Estado e a Igreja, não permitindo ao Estado francês oferecer serviços públicos específicos para determinada comunidade religiosa, nem financiar a construção de mesquitas.

Primeiro-Ministro Francês, Edouard Philippe

Diante deste contexto, o primeiro-ministro francês Edouard Philippe anunciou um pacote com sessenta medidas para conter uma ameaça gradual representada pela radicalização islâmica no país. Entre as medidas anunciadas salientam-se: a criação de zonas de isolamento para detentos radicalizados nas prisões, sejam daqueles que voltaram de zonas com influência jihadista, ou daqueles que manifestaram interesse pelo terrorismo em terras francesas; a maior regulação na criação e funcionamento de escolas particulares que tenham por base ensinamentos religiosos e ignoram a forma laica de educação pública praticada pelo governo; a intensificação na fiscalização contra postagens radicais em redes sociais; o aumento da prevenção a partir da assistência social e fundos para ajuda psicológica; a formação de uma rede mais forte com países vizinhos nas investigações de possíveis radicalizados; e o afastamento imediato de funcionários públicos com tendências radicais.

As estratégias utilizadas pela União Europeia para o combate ao terrorismo têm sido alteradas e adaptadas em decorrência das mudanças nos modos de atuação das organizações terroristas nos atentados mais recentes. No entanto, os três pilares prioritários a serem respeitados para o constante entendimento e repressão a esse fenômeno, ainda permanecem sendo: promover a segurança da população civil; prevenir a radicalização e proteger os valores; manter e aperfeiçoar a cooperação com os parceiros internacionais.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Polícia francesa colhendo evidências no Bataclan, no dia seguinte ao ataque” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ataques_de_novembro_de_2015_em_Paris#/media/File:Paris_Shootings_-_The_day_after_(22593744177).jpg

Imagem 2PrimeiroMinistro Francês, Edouard Philippe” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89douard_Philippe#/media/File:Edouard_Philippe.png