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A Lituânia e a segurança regional

No último dia 7 deste mês (Julho), reuniram-se em Varsóvia, capital da Polônia, os líderes dos Estados da Europa Central e Oriental, com o objetivo de discutirem sobre a segurança regional no continente. Neste encontro participaram representantes de 12 Estados locais, inclusive da própria Lituânia, que apresenta preocupação com um suposto avanço da Rússia sobre os países Bálticos.

Dalia Grybauskaite, Presidente da Lituânia

O grande fator que deixou as autoridades lituanas mais apreensivas foi o futuro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), devido ao fato de o Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, ter dito em sua campanha eleitoral, em 2016, que a instituição estava desatualizada e ter afirmado sobre sua decisão de aproximar Washington de Moscou. Entretanto, os ares políticos parecem caminhar de forma menos tensa ao longo do Báltico, haja vista a frequência de visitantes estadunidenses na região, tais como o Secretário de Defesa dos Estados Unidos (EUA), James Mattis, que foi à Lituânia, em maio; e o Presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Paul Ryan, que esteve na Estônia, em abril. Além disso, há a expectativa de encontro dos três Presidentes dos Estados Bálticos com o Vice-Presidente norte-americano, Mike Pence, em Tallinn, capital da Estônia, no fim de julho deste ano (2017).

Em meio a questão, a Presidente da Lituânia, Dalia Grybauskaite, aparenta estar mais confiante e expressou sobre a situação o seguinte: “Muito claramente, nós não ouvimos somente garantias de segurança, mas podemos ver resultados completos. Vemos o envio de tropas norte-americanas à Lituânia e aos países Bálticos. Vemos o trabalho real para garantir a nossa segurança”.

Analiticamente, pode-se entender a atual dinâmica do Báltico a partir de duas perspectivas: na primeira percebe-se um esforço diplomático com a intenção de obter maior apoio no campo militar e, dessa forma, fortalecer a defesa nacional; e a segunda refere-se a maior possibilidade de protagonismo internacional da Lituânia com destaques para a operação contra o Estado Islâmico liderada pelos Estados Unidos (EUA), para as oportunidades de colaboração junto a Missão da OTAN no Afeganistão, e na própria Missão da Organização das Nações Unidas (ONU) no Mali.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Estados Bálticos com suas bandeiras” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/50/Baltic_states_flag_map.svg/331px-Baltic_states_flag_map.svg.png

Imagem 2 Dalia Grybauskaite, Presidente da Lituânia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/6d/Dalia_Grybauskaite_by_Augustas_Didzgalvis.jpg/1024px-Dalia_Grybauskaite_by_Augustas_Didzgalvis.jpg

NOTAS ANALÍTICASSegurança Internacional

Patrulha de Fronteira estadunidense invade acampamento humanitário

Na última quinta-feira (dia 15 de junho), oficiais da Patrulha de Fronteira norte-americana invadiram um acampamento humanitário de assistência médica administrado pela Organização não Governamental “No More Deaths” (NMD), em Arivaca, no deserto do Arizona, região de fronteira com o México.

De acordo com os ativistas, a ação da Patrulha iniciou na terça-feira (dia 13 de junho) quando cercaram o acampamento, instalando uma espécie de ponto de controle temporário para interrogar as pessoas que entravam e saiam do local. Até que, na tarde de quinta-feira, cerca de 30 agentes armados invadiram o campo com pelo menos 15 caminhões, dois quadrículos e um helicóptero para apreender quatro pacientes que estavam recebendo atendimento médico. Além disso, a organização alega que a forte presença de policiais impediu as pessoas de acessarem a assistência humanitária durante as atividades da Patrulha. Para eles, estes eventos seguem um padrão de vigilância crescente da ajuda humanitária nos últimos meses, algo que vem sendo aplicado sob a administração do presidente Donald Trump.

Dois homens pulam o muro da fronteira México-EUA em Douglas, no Arizona

A organização não governamental NMD foi criada em 2004 com o intuito de diminuir o sofrimento na fronteira e acabar com as mortes de migrantes, através da iniciativa civil voltada à proteção dos direitos humanos. Nos últimos 13 anos, o grupo já forneceu alimentos, água e cuidados médicos para milhares de pessoas que atravessam o deserto a pé e afirma que, desde 1998, a crise humanitária, causada pela política de fronteira estadunidense, já matou sete mil pessoas.

Por outro lado, segundo a mídia oficial do Departamento de Segurança Territorial norte-americano, os indivíduos presos pela ação já estavam sendo monitorados por apresentarem atividades suspeitas. Houve esforços para que a invasão não ocorresse, mas não foi suficiente. Por isso, foi solicitada uma autorização federal para entrar no acampamento e procurar os estrangeiros ilegais suspeitos. No fim da operação, quatro indivíduos foram presos por violações às leis de imigração, após uma checagem médica que verificou a desnecessidade de atenção médica aos indivíduos.

A mídia oficial relata ainda que um dos presos já foi deportado dos Estados Unidos antes e já ficou cumpriu cinco anos na prisão Aquiles Serdan, em Chihuahua, no México, por tráfico de drogas. Além disso, que há um mês ocorreu um incidente semelhante envolvendo oito indivíduos detectados no campo NMD, mas neste incidente eles foram voluntariamente entregues à Patrulha de Fronteira, sem incidentes.

Drone operado pela Patrulha de Fronteira norte-americana

Contudo, John Fife, um dos fundadores do NMD, explica que, desde 2013, a Patrulha de Fronteira concordou com o NMD que respeitaria o campo como uma instalação médica sob os padrões internacionais da Cruz Vermelha, que proíbe a interferência do Governo. Porém, agora, esse acordo foi quebrado sob circunstâncias suspeitas. John salienta que a Patrulha da Fronteira reconheceu que eles rastrearam um grupo por 18 milhas, mas somente após os migrantes buscarem tratamento médico que a Patrulha se preocupou em prendê-los. Para John, a decisão de capturar essas pessoas apenas depois de entrarem no campo do NMD evidencia um ataque direto à ajuda humanitária da organização.

Em meio a este complexo cenário, Joanna Williams, membro do grupo binacional Kino Border Initiative, de assistência aos migrantes na fronteira entre o Arizona e o México, lembra que a ameaça de prisão dificilmente impedirá o fluxo de pessoas que fogem do México e da América Central vítimas da extrema violência e pobreza. Em vez disso, ela acredita que a repressão encorajará as pessoas a atravessar áreas ainda mais remotas e a não pedir ajuda quando estiverem correndo risco de morte.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Patrulha de Fronteira norte-americana em Algodones Dunes, na California” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mexico%E2%80%93United_States_barrier

Imagem 2Dois homens pulam o muro da fronteira México-EUA em Douglas, no Arizona” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mexico%E2%80%93United_States_barrier

Imagem 3Drone operado pela Patrulha de Fronteira norteamericana” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mexico%E2%80%93United_States_barrier