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As novas fronteiras do Século XXI

A recente comemoração dos 50 anos da chegada do homem à Lua inspira uma reflexão sobre as novas fronteiras do século XXI. Como disse o presidente Kennedy, em 1962, quando engajou os EUA no projeto Apolo, o espaço seria “um novo oceano a ser navegado”, relembrando as navegações do século XV e XVI, em especial Cristóvão Colombo. Entretanto, como o tempo mostrou, as navegações espaciais foram bem menos ambiciosas até o final do século XX e início do século XXI do que os visionários da época imaginaram, apesar de o objetivo de Kennedy ter sido atingido.

Pode-se imaginar que o Espaço Próximo se tornará efetivamente em nova fronteira para a humanidade no século XXI com o recente surgimento, nessa década de 2010, de uma indústria aeroespacial privada e civil nos EUA, e da NASA ter retomado o foco na exploração de Marte, bem como a expansão dos programas espaciais da China e Índia, com um renovado interesse pela exploração da Lua. Note-se que, para essa exploração ser mais ampla, as aplicações da energia nuclear serão de fundamental importância, seja por meio de Geradores Rádio Térmicos (RTGs, na sigla em inglês), por micro-reatores ou por sistemas de propulsão nuclear.

Sistemas de armas espaciais baseadas no solo e em órbita da Terra

Como toda fronteira, problemas associados à soberania e militarização do espaço se tornarão crescentemente relevantes e disputados. Portanto, parece ser de grande importância para o Brasil se posicionar de forma o mais favorável possível nesse contexto em rápida evolução, através de políticas públicas e relações internacionais.

Entretanto, existem ainda duas outras fronteiras, mais próximas, que despontam com grande potencial de desenvolvimento: o mar profundo e as regiões polares, especialmente a Antártica, de maior interesse para o Brasil.

Localização do Oceano Ártico

Os usos do Oceano Polar Ártico e seu subsolo tem sido objeto de grandes movimentos dos países a ele ribeirinhos. A abertura de rotas marítimas ligando Ocidente e Oriente pelas bordas da banquisa ártica é um fato que vem decorrendo das mudanças climáticas. Sua plena utilização causará grandes mudanças no tráfego marítimo internacional e nos usos econômicos de suas margens. Além disso, a descoberta de grandes reservas de óleo e gás nos fundos marinhos da região, cobertos pela banquisa, vem motivando importantes atividades de P&D para seu futuro aproveitamento, para o qual a geração de energia submersa nuclear é condição necessária. A exploração dessa fronteira tem incentivado fortemente os países que tem interesse nessa área, em especial a Rússia, a desenvolverem micro-reatores para geração de energia a médias profundidades (200-500 m).

Tratado da Antártida – Mapa mostrando as reivindicações territoriais da Antártida

A exploração econômica da Antártida está suspensa pelo Tratado Antártico. Esse Tratado, firmado em 1959, determina o uso do continente para fins pacíficos, estabelece o intercâmbio de informações científicas e proíbe reivindicações territoriais. O Documento determinou que até 1991 a Antártida não pertenceria a nenhum país em especial, embora todos tivessem o direito de instalar ali bases de estudos científicos. Na reunião internacional de 1991, os países signatários do Tratado resolveram prorrogá-lo por mais 50 anos, isto é, até 2041 a Antártida será um patrimônio de toda a Humanidade. Difícil prever como evoluirá a situação nos próximos 20 anos, mas alguns movimentos atuais indicam que o status quo do Tratado deverá sofrer modificações.

Qualquer alteração que tenda a uma exploração econômica da Antártida necessariamente terá que ser suportada por fontes de energia locais. Nesse sentido, a energia nuclear, especialmente os micro-reatores, parece bem adaptada a esse uso, dada sua simplificada logística de combustível e operação contínua, independentemente de fatores climáticos externos.

Petrobrás extraiu petróleo do pré-sal pela primeira vez em setembro de 2008. No campo de Tupi a fase de extração petrolífera chamada de ‘teste de longa duração’ teve início em maio de 2009

Finalmente, e talvez mais importante, é a fronteira do Mar Profundo, na qual o Brasil tem um papel de protagonista. Entende-se como mar profundo áreas marítimas com profundidades superiores a 1.000 metros. Com efeito, a Petrobras já vem explorando óleo no pré-sal a essas profundidades.

A tecnologia de exploração de óleo e gás em águas ultra-profundas, da qual o Brasil é um dos líderes, tem evoluído rapidamente, permitindo a exploração econômica dos fundos marinhos em águas internacionais, além das Zonas Econômicas Exclusivas (ZEE) dos países litorâneos e essa atividade certamente levantará questionamentos sobre a soberania nessas áreas.

Proposta de Plataforma Continental – Mapa de linha e Limites

O Plano de Levantamento da Plataforma Continental Brasileira (LEPLAC) é o Programa de Governo instituído pelo Decreto nº 98.145, de 15 de setembro de 1989, com o propósito de estabelecer o limite exterior da nossa Plataforma Continental no seu enfoque jurídico, ou seja, determinar a área marítima, além das 200 milhas, na qual o Brasil exercerá direitos de soberania para a exploração e o aproveitamento dos recursos naturais do leito e subsolo marinho. Significativos avanços já foram alcançados, incorporando à Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do Brasil grandes áreas marítimas além das 200 milhas originais, e o trabalho continua na busca de maximizar a soberania nacional sobre essas áreas marítimas lindeiras à nossa ZEE.

A ampliação da exploração econômica dos fundos marinhos de águas ultra-profundas dependerá fortemente da geração de energia submersa, pois, a tecnologia de geração em plataformas flutuantes possui limites inerentes quanto à profundidade de operação. Novamente, nesse caso, a energia nuclear surge como opção tecnicamente viável para atendimento a essa demanda, em especial os micro-reatores.

A exploração dessas novas fronteiras dependerá fortemente das tecnologias aeroespacial e nuclear. Logo, para o Brasil obter o melhor posicionamento estratégico possível no futuro, torna-se necessário elaborar políticas públicas de longo prazo para essas tecnologias que permitam a inserção do País nesse contexto.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Artistss Conception of Jupiter Icy Moons Orbiter which was mission for Prometheus. It was to be powered by a small fission reactor providing electrical power to ion engines and electronics. A long boom is used to create distance between the reactor and the rest of the spacecraft, and fins radiate waste heat into space” / “Concepção artística da ‘Jupiter Ions Moons Orbiter’, que foi em missão para Prometheus. Era para ser alimentado por um pequeno reator de fissão, fornecendo energia elétrica para motores de íons e eletrônicos. Uma longa lança é usada para criar a distância entre o reator e o resto da espaçonave, e as aletas irradiam calor residual para o espaço” – Tradução Livre.  (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Nuclear_power_in_space#/media/File:Jupiter_Icy_Moons_Orbiter_2.jpg

Imagem 2 Sistemas de armas espaciais baseadas no solo e em órbita da Terra” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Arma_espacial#/media/Ficheiro:Man-Made-Threats-of-Objects-In-Space_DoD_1-800×485.jpg

Imagem 3 Localização do Oceano Ártico” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Oceano_Ártico#/media/Ficheiro:IBCAO_betamap.jpg

Imagem 4 Tratado da Antártida Mapa mostrando as reivindicações territoriais da Antártida” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_da_Antártida#/media/Ficheiro:Antarctica,_territorial_claims.svg

Imagem 5 Petrobrás extraiu petróleo do présal pela primeira vez em setembro de 2008. No campo de Tupi a fase de extração petrolífera chamada de teste de longa duração teve início em maio de 2009” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Camada_pré-sal#/media/Ficheiro:Oil_platform_P-51_(Brazil).jpg

Imagem 6 Proposta de Plataforma Continental Mapa de linha e Limites” (Fonte): https://www.marinha.mil.br/secirm/leplac

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Iniciativa empresarial Brasileira da ONU cresce em 2018 e se consolidada como referência

A Organização das Nações Unidas (ONU), em 2000, enquanto presidida pelo Secretário-Geral Kofi Annan, lançou uma iniciativa denominada “Pacto Global”, com o objetivo de engajar empresas na adoção de valores alinhados aos direitos humanos e à proteção do meio ambiente. De caráter voluntário, tratava-se de um mecanismo para impulsionar a responsabilidade corporativa.

Hoje, a proposta de Annan conta com a parceria de 13 mil membros, de 162 países. Nesse sentido, sua estratégia de atuação está pautada pelas diretrizes baseadas nos Dez Princípios voltados aos direitos humanos, ao trabalho, ao meio ambiente e ao combate à corrupção, como também pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (Agenda 2030).

No Brasil, a materialização dessa ferramenta de compartilhamento de boas práticas empresariais ocorre a partir da “Rede Brasil do Pacto Global das Nações Unidas”, que tem cerca de 800 participantes entre empresas, organizações da sociedade civil e órgãos públicos. Em 2018, consagrou-se a expansão em 6% do número de integrantes, mesmo passando a exigir pagamento das contrapartidas e, por este motivo, havendo expectativa de assistir à redução do quadro de membros.

Desse modo, a rede brasileira consolidou-se como a terceira maior do mundo, atrás apenas da espanhola e francesa.

Logo Rede Brasil do Pacto Global

Além disso, a Rede Brasil ganhou protagonismo global e assumiu uma vaga no Board da organização, máxima instância de representação e decisão do Pacto Global, liderada pelo atual Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres. Também passou a presidir o Conselho Global das Redes Locais e o Conselho Latino Americano das Redes Locais.

Entre os destaques das ações desenvolvidas no ano passado (2018), cabe especial menção ao Fórum Pacto Global, que marcou os 15 anos de Rede Brasil e reuniu CEOs e representantes de diversos setores em torno de discussões sobre sustentabilidade corporativa. A partir disso, integrantes da rede brasileira representaram o país na maior discussão global sobre enfrentamento às mudanças do clima (COP24), em Katowice, e no Fórum de Direitos Humanos promovido pelas Nações Unidas, em Genebra. Já em Nova York, projetos empresariais sustentáveis foram apresentados a investidores internacionais e nacionais na primeira edição do SDGs in Brazil, evento paralelo à 73ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

Outras informações podem ser encontradas no Relatório Anual da Rede Brasil do Pacto Global de 2018 neste link.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Pacto Global da ONU”(FonteFoto: ONU): https://pactoglobal.org.br/noticia/284

Imagem 2 Logo Rede Brasil do Pacto Global” (FonteFoto: Rede Brasil): https://www.facebook.com/pactoglobalbr/?fref=nf

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As incertezas que rondam a Economia da Itália

A Itália vive um momento importante em sua política interna. A Coalizão que governa o país, formada por dois partidos tidos como populistas (Movimento 5 Estrelas e a Liga), endereçou ao Parlamento daquele Estado uma proposta de orçamento que prevê um déficit de 2,4% do PIB para os próximos três anos. Tal política ainda precisa passar pelo crivo do Congresso, onde pode até aumentar e passar dos 3% estipulados pela União Europeia (UE) como o máximo que um país pertencente ao Bloco deve estabelecer como déficit anual.

Esta medida pode acentuar os problemas econômicos do país que possui a terceira maior economia da Zona do Euro, ao mesmo tempo em que tem a segunda maior dívida pública da União Europeia, sendo superada somente pela Grécia, que conviveu, nos últimos anos, com muitas dificuldades e refinanciamentos, em função da elevada dívida interna do país.

Luigi Di Maio e Matteo Salvini – representantes da Coalizão italiana

O déficit representa o desequilíbrio entre as receitas e os pagamentos, ou seja, o Governo manterá os gastos públicos superiores aos recursos arrecadados. Isto faz parte da pauta partidária da Coalizão do Governo que não aceita a diminuição de empregos e investimento público para que se realize o pagamento da dívida pública a Bancos estrangeiros. A preocupação da UE é semelhante a que teve com a Grécia, na medida em que há um temor de aumento da dívida do país e que o mesmo não consiga honrar seus compromissos futuramente.

A dívida pública se encontra acima de 130% do PIB da Itália. A derrota do referendo de 2016 do então primeiro-ministro Matteo Renzi, que previa uma profunda reforma política no país, com intuito de dar maiores poderes ao Estado em relação às autoridades locais, acompanhou a divisão interna que, por pouco, não conseguiu eleger um novo Chanceler italiano. Ademais, a Coalizão formada escancarou o sentimento eurocético, em que se acredita pouco ou nada no processo de integração regional, ao observar a nova composição do Parlamento com maioria de deputados da ala mais à direita, contrários às políticas econômicas (austeridade) e sociais (imigração) da UE.

Após os episódios com a Grécia, citada anteriormente, e Reino Unido, com o Brexit, a preocupação da UE se volta à possibilidade de fragmentação do Bloco a partir das questões político-econômicas que têm surgido nos últimos anos. A Itália é um importante membro da União, tendo sido um dos primeiros Estados a dirigir o processo de integração do continente europeu no pós-guerra. Como vem sendo observado por analistas, o receio de que as incertezas econômicas que pairam sobre a Itália se espalhem pela Europa é real, e cada vez mais visto na prática.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Coliseu de Roma” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Italy#/media/File:Colosseum_in_Rome,_Italy_-_April_2007.jpg

Imagem 2Luigi Di Maio e Matteo Salvini representantes da Coalizão italiana” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7f/Luigi_Di_Maio_and_Matteo_Salvini.jpg

AMÉRICA LATINACOOPERAÇÃO INTERNACIONALEuropaNOTAS ANALÍTICASSem categoria

Colombia recibe en 2018 más refugiados que toda Europa en el mismo período

Colombia y Venezuela comparten una frontera de 2.200 kilómetros, la más larga para ambas naciones. También poseen una historia en común desde su formación. Sobre el caribe comparten una identidad indígena a partir de pueblos cuyos territorios ancestrales no distinguen esta división política y esta zona ha sido históricamente un paso de contrabando. Durante el siglo XX dominó la entrada de licor, cigarrillos y tecnología que procedían de Centroamérica, luego fue remplazada por derivados del petróleo, especialmente gasolina, la cual se vende a lo largo de la frontera por un valor 10 veces menor al que podría comprarse en Bogotá.  Más al sur sobre la cordillera de Los Andes que continua en Venezuela con el nombre de cordillera de Merida se presentan ricos yacimientos mineros de cobre, oro y otros metales; luego se encuentra la Orinoquia, extensas sabanas que son utilizadas principalmente para la ganadería y algunos monocultivos como arroz y granos. Luego la frontera se difumina en la Amazonía, donde se encuentra el hito de la triple frontera con Brasil.

Migración de venezolanos hacia Colombia en puesto fronterizo de la ciudad de Cúcuta

La anterior es una radiografía de un territorio por donde circulan más de 35 mil venezolanos diariamente, esto de acuerdo con un reciente informe del ministerio de relaciones exteriores de Colombia. Esta circulación de población se define inicialmente como pendular, caracterizada por estar asociada al desarrollo de actividades cotidianas. El punto migratorio que registra mayor movimiento se encuentra sobre el puente Simón Bolívar, del lado colombiano la ciudad de Cúcuta y en el lado venezolano San Antonio y San Cristóbal. El 53% de venezolanos que migran con el fin de mejorar sus condiciones de vida lo hacen de forma legal por este punto.

Como señala Cristian Kruger, director general de migración Colombia, y de acuerdo con estimativas de la OIM, en Colombia viven más de un millón de venezolanos entre regulares e irregulares, hecho que presenta un importante desafío para la institucionalidad. Además de acuerdo con declaraciones hechas por el presidente Juan Manuel Santos, se prevé un aumento significativo durante el resto del presente año (2018). El jefe de Estado señalo que en el 2018 más de 200 mil venezolanos han fijado su domicilio en ciudades como Bogotá (40%), Medellín (10%) y Barranquilla (8%). Esta cifra representa un número mayor de migrantes que el número de refugiados recibido por Europa en el mismo periodo.

Con la llegada de venezolanos a Colombia también se han desplazado grandes sumas de capital, la mayoría de estas representada en divisas diferentes al bolívar (moneda cuyo valor de cambio en la frontera es cercano a cero), de acuerdo con la firma Datanálisis, en la última década más de 900 millones de dólares se han invertido de forma directa en Colombia, en los seguimientos de alimentos, medicamentos, restaurantes y agencias de medios.

Cabe decir que un número importante de migrantes son colombianos que regresan con sus familias, quienes residieron en Venezuela por muchos años, en donde encontraron refugio frente al conflicto armado y recibieron ayuda de los programas sociales del gobierno. La frontera fue de manera inversa por muchos años, una válvula de escape por donde cientos de miles de colombianos refundaron sus vidas. Ahora muchas de estas familias regresan a Colombia, en un ambiente que no puede ser de exclusión o de xenofobia, esto último por lo menos ha sido tema a tratar por centros académicos e instituciones de Colombia.

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Fontes das Imágenes:

Imagen 1Frontera entre Colombia y Venezuela” (Fuente):

http://www.cancilleria.gov.co/content/frontera-terrestre-colombia-venezuela

Imagen 2Migración de venezolanos hacia Colombia en puesto fronterizo de la ciudad de Cúcuta” (Fuente):

https://www.cfr.org/report/venezuelan-refugee-crisis

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China amplia cooperação militar com o Camboja

Uma das diretrizes da política externa chinesa consiste na busca de aliados na região da Ásia-Pacífico. Essa orientação é ainda mais acentuada face às recentes tensões no Mar do Sul da China. Nesse contexto, não é surpreendente o fortalecimento dos vínculos militares entre a China e o Camboja, no ano em que o relacionamento bilateral completa 60 anos. 

Os laços de defesa entre os dois países são bastante antigos, sendo a China o maior doador de ajuda militar ao Camboja. Segundo Carlyle Thayer, especialista em Sudeste Asiático na Academia de Força de Defesa da Austrália, a posição privilegiada dos chineses na cooperação militar deriva principalmente da falta de condicionalidade de apoio militar a progressos em relação ao status de direitos humanos no país. Apesar do caráter histórico dos vínculos em Defesa, a cooperação cresceu mais significativamente no último ano (2017).

A maior presença chinesa contrasta com a redução de iniciativas conjuntas entre os cambojanos e os Estados Unidos. Em janeiro de 2017, autoridades do Camboja recusaram-se a participar do exercício militar Angkor Sentinel*, alegando que estariam impossibilitadas por causa das eleições locais, realizadas em junho passado, e da campanha contra os crimes ligados ao tráfico ilegal de drogas. Jay Raman, então representante da embaixada dos EUA no Camboja, garantiu que apesar de não haver exercícios conjuntos a serem realizados em 2017 e em 2018, isso não afetaria o relacionamento bilateral. Em 27 de fevereiro de 2018, contudo, a Casa Branca anunciou que haveria o corte de ajuda ao Camboja, inclusive no âmbito de cooperação de Defesa.

Operação Golden Dragon 2016

No dia 17 de março de 2018, algumas semanas após o anúncio de Washington, foi lançada a operação Golden Dragon 2018, em que 280 soldados cambojanos e 216 soldados chineses realizam atividades conjuntas, como lançamento de mísseis, tiros de helicóptero e até mesmo reparo de estradas. O exercício está centrado em contraterrorismo, cooperação humanitária e assistência durante desastres. A operação durará até o dia 30 de março, sendo mais longa do que a versão de 2016. Em um espaço de tempo curto, portanto, houve duas grandes iniciativas de cooperação militar com Pequim, enquanto o relacionamento com Washington tornou-se mais complexo.

Para o Camboja, as relações com os chineses são benéficas por melhorarem sua posição militar em relação a outros países do Sudeste Asiático, além de garantirem apoio no caso de conflito com algum vizinho. Para a China, a cooperação com o Camboja garante um aliado forte e bem treinado, com acesso ao mar meridional, palco de tensões territoriais com vizinhos e área de interesse para os Estados Unidos. 

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Nota:

* O Exercício Militar Angkor Sentinel constitui-se do exercício conjunto entre EUA e Camboja, realizado anualmente desde 2010, com o objetivo de fortalecer as capacidades dos dois países de assistência humanitária e alívio para desastres, além de fortalecer a cooperação militar. No último exercício, em março de 2016, participaram cerca de 150 militares.

Dados do departamento de defesa dos EUA: https://www.defense.gov/News/Article/Article/695255/us-cambodian-forces-partner-for-exercise-angkor-sentinel-2016/

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Retratos do Presidente Xi Jinping e do Rei Norodom Sihamoni” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Cambodia–China_relations

Imagem 2Operação Golden Dragon 2016” (Fonte):

 http://english.chinamil.com.cn/view/2016-12/27/content_7426135_28.htm

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Demais Fontes Consultadas:

[1] Ver:

https://thediplomat.com/2018/03/china-cambodia-defense-ties-in-the-spotlight-with-military-drills/

[2] Ver:

https://thediplomat.com/2018/03/the-truth-about-us-china-competition-in-cambodia/

[3] Ver:

https://thediplomat.com/2017/04/why-did-cambodia-just-downgrade-us-military-ties-again/

[4] Ver:

https://www.whitehouse.gov/briefings-statements/statement-press-secretary-reduction-assistance-government-cambodia/

[5] Ver:

https://www.voanews.com/a/cambodia-china-joint-military-drills-us-relations-cool/4302875.html

[6] Ver:

https://br.sputniknews.com/asia_oceania/201701167441114-camboja-eua-relacoes/

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Visita de Estado: Evo Morales visita a Espanha antes de ir para Haia

Faltando poucos dias para o início das alegações orais em Haia pela demanda marítima boliviana contra o Chile, o presidente Evo Morales fez uma escala de pouco mais de um dia na Espanha. Entre a noite de 15 de março e todo o dia 16 de março, quinta e sexta-feira passada, o máximo mandatário boliviano esteve em território espanhol, onde aproveitou para se reunir com diversas autoridades e figuras notórias do setor privado.

Rei Don Felipe VI recebe presidente Evo Morales durante visita de Estado na última sexta-feira (16 de março)

Acompanhado pelo seu Ministro das Relações Exteriores, Fernando Huanacuni, o Presidente Morales organizou a sexta-feira (dia 16) para distribuir seus compromissos em Madri. A primeira visita foi realizada pela parte da manhã, quando o Chefe de Estado boliviano foi até o Palácio de La Zarzuela para se reunir com o Rei Don Felipe VI. A reunião foi privada e participarem dela membros do corpo diplomático boliviano e algumas autoridades espanholas.

Posteriormente ao encontro com o Chefe de Estado espanhol, Morales se dirigiu à sede da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais. Lá, ele fez um chamado às empresas espanholas para investirem no país andino. O presidente Evo ressaltou que nos últimos anos as relações com as empresas espanholas foram frutíferas, com 90% dos contratos entre elas e o Governo boliviano sendo executados com sucesso. Fez ainda questão de encerrar qualquer possível preocupação com a nacionalização de empresas estrangeiras, apontando que tal processo é destinado aos recursos naturais do país.

Finalmente, para as 17:00 da sexta-feira, o Presidente boliviano se reuniu com o Presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy. A última visita foi, talvez, a mais importante. Morales e Rajoy discutiram sobre diversos temas que envolvem questões técnicas de cooperação, assim como assuntos políticos e de comércio.

Palácio da Paz, em Haia, sede da CIJ

Dentre os vários assuntos, discutiu-se a possibilidade do apoio espanhol para que os bolivianos possam acessar o Espaço Schengen sem necessidade de visto. De acordo com o mandatário boliviano, a Bolívia contaria com todas as condições técnicas para obter este benefício. O presidente Rajoy se mostrou disposto a apoiar a causa boliviana, agora deve-se esperar para ver como as negociações sobre o tema irão se desenvolver.

Após a série de compromissos oficiais na sexta-feira, o presidente Evo Morales embarcou no seu avião particular rumo a Haia, onde se reuniu com a equipe jurídica nacional e internacional no sábado (dia 17) para terminar os preparativos para as sessões orais na Corte Internacional de Justiça conta o Chile.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 O presidente do governo espanhol Mariano Rajoy, recebe o Presidente o Estado Plurinacional da Bolivia, Evo Morales, em sua chegada ao Palacio de La Moncloa” (Fonte):

http://www.lamoncloa.gob.es/multimedia/galeriasfotograficas/presidente/Paginas/2018/160318-rajoymorales.aspx

Imagem 2Rei Don Felipe VI recebe presidente Evo Morales durante visita de Estado na última sextafeira (16 de março)” (Fonte):

http://www.casareal.es/ES/ArchivoMultimedia/Paginas/archivo-multimedia_galerias-de-fotos-detalle.aspx?data=197518

Imagem 3 Palácio da Paz, em Haia, sede da CIJ” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Tribunal_Internacional_de_Justiça#/media/File:International_Court_of_Justice.jpg