Sebastián Piñera, Presidente do Chile, esteve em visita à China de 24 a 28 de abril de 2019, onde firmou Plano de Ação 2019-2022 com catorze matérias. A pauta incluiu as áreas de política, comércio, ciência, tecnologia, inovação e empreendimento, nas quais ambos ao países aprofundarão a cooperação pelos próximos três anos.

Piñera foi recebido por Xi Jinping, Presidente da China, no Grande Palácio do Povo, onde assinaram o acordo, e  encontrou-se também com o líder do Parlamento Chinês, Li Zhanshu, com quem tratou de intercâmbio de acadêmicos e capacitação de técnicos.  Com o Primeiro-Ministro, Li Keqiang, o diálogo versou sobre relações econômicas e investimentos chineses em transporte, energia e infraestrutura no Chile.

Piñera fala a empresários chineses, em almoço de negócios

A agenda seguinte incluiu diversas atividades, tais como:  visita à Didi, empresa de transporte por aplicativos, que iniciará operação em território chileno ainda em 2019; almoço de negócios com executivos de 16 grandes empresas chinesas, onde se discutiu a ampliação das relações comerciais; reunião com empresas de eletromobilidade, dentre elas a BYD e a Yutong. Entre dezembro de 2018 e março de 2019, as 2 empresas forneceram ao Governo Chileno um total de 200 ônibus 100% elétricos, a maior frota da América Latina, e que torna o Chile, depois da China, o país com mais ônibus elétricos em circulação.

Em 25 de abril, em um fórum de investimentos e inovação, Piñera declarou que deseja fazer do Chile uma porta de entrada para que empresas chinesas alcancem todo o continente latino-americano. E foi o único Chefe de Estado da América Latina a participar do II Fórum Cinturão e Rota para a Cooperação Internacional (26 de abril). Ele também inaugurou um evento de promoção de vinhos na capital, Pequim, no dia 25. O país asiático tornou-se o principal destino do produto chileno depois que o volume importado se ampliou de 200 mil caixas em 2006 para 8 milhões em 2018.

A relação sino-chilena, que completará 50 anos em 2020, tem alguns marcos importantes: o Chile foi o primeiro país sul-americano a estabelecer laços diplomáticos com Pequim, em 1970, e o primeiro na América Latina a estabelecer acordo bilateral e reconhecer o status de economia de mercado da China, quando do seu ingresso na OMC. Em 2005 foi assinado o primeiro Tratado de Livre Comércio, nas gestões de Ricardo Lagos (Chile) e Hu Jintao (China).

Piñera, único Chefe de Estado da América Latina no II Fórum do Cinturão e Rota

Os laços têm sido reforçados nestes últimos treze anos em que Michele Bachelet e Sebastián Piñera tem se alternado no Governo chileno. Na primeira visita de Xi Jinping ao Chile, em 2016, ele e Bachelet elevaram a relação para uma parceria estratégica abrangente, que já vinha sendo gestada desde 2013, com Piñera. O comércio foi multiplicado sete vezes de 2006 a 2018 e, atualmente, a China é o destino de 28% das exportações do Chile, e seu principal parceiro comercial. A parceria extrapola o campo do comércio e, em 2018, uma frota naval chinesa visitou o país andino, onde realizou exercícios militares com a Armada chilena.

Recentemente, em início de abril de 2019, esta união foi criticada pelo Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, que também criticou a presença chinesa na América Latina. Piñera declarou em Pequim que cada país tem o sistema político que deseja, mas o que importa neste caso é que Chile e China estão buscando ações pragmáticas que gerem benefícios a ambos os povos. Este giro pela Ásia incluiu uma visita à Coreia do Sul, no domingo (28 de abril), com retorno a Santiago na segunda-feira (29).

Pesquisa recente elaborada pela empresa chilena Cadem, com chilenos que tem conhecimento da guerra comercial entre EUA e China, apresentou os seguintes resultados: mais da metade dos chilenos (51%) acredita que o Chile deve estreitar a relação com os chineses, 25% entende que deve ser com os EUA e 15% com ambos. Os respondentes também reconhecem que é a China (60%) e não os EUA (33%) o principal parceiro comercial do seu país. No que se refere à boa imagem dos aliados, a China obteve 77% versus 61% de adesão aos norte-americanos e Xi Jinping tem mais que o dobro (61%) de Trump (30%).

A pesquisa de 24 de abril de 2019, denominada Estudo 275, avaliou também o desempenho do Gabinete do Governo Piñera com 48% de desaprovação e apenas 31% de aprovação. No comando da nação que recentemente foi indicada pela Forbes como “o melhor país da América Latina para fazer negócios em 2019”, e pela ONU como “o país mais feliz da América do Sul”, Sebastián Piñera parece estar fazendo uma opção que atraia mais investimentos para o Chile e melhore a avaliação do seu governo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Piñera é recebido no Grande Palácio do Povo, por Xi Jinping” (Fonte): https://prensa.presidencia.cl/lfi-content/uploads/2019/04/thumbs/_aim7371_653x431.png

Imagem 2 Piñera fala a empresários chineses, em almoço de negócios” (Fonte): https://prensa.presidencia.cl/lfi-content/uploads/2019/04/thumbs/_aim9861_653x431.png

Imagem 3 Piñera, único Chefe de Estado da América Latina no II Fórum do Cinturão e Rota” (Fonte): https://prensa.presidencia.cl/lfi-content/uploads/2019/04/thumbs/_aim3406_653x431.png

About author

Mestre e especialista em relações internacionais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), especialista em Política e Estratégia pelo programa da ESG (UNEB, ADESG/BA), bacharel em Administração pela Universidade Católica do Salvador (UCSal). Consultor e palestrante de Comércio Exterior.
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