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China adota padrão para avaliar risco de países parceiros

Na quinta-feira (25 de abril), a China anunciou a publicação de um memorando sobre a sustentabilidade de dívidas para os países participantes da “Iniciativa do Cinturão e Rota” (ICR), informa o jornal South China Morning Post. O documento foi apresentado pelo Ministro das Finanças, Liu Kun, no dia de abertura do Segundo Fórum do Cinturão e Rota para a Cooperação Internacional, que ocorre em Pequim até o dia 29 de abril, no qual participam 37 líderes estrangeiros.

O Ministro afirmou que o memorando é baseado em padrões similares aos usados pelo Banco Mundial (BM) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e que o seu objetivo é “prevenir e evitar problemas de dívidas”associados com projetos da ICR. Liu também lembrou que o memorando será um guia para avaliar o risco da dívida de países envolvidos na ICR, por meio da classificação de seu risco potencial como “baixo, médio ou alto”, procurando enfatizar que “mesmo que um país seja avaliado como de ‘risco alto’ ou mesmo ‘em risco de sobre-endividamento’, não significa automaticamente que sua dívida seja insustentável no longo-prazo”.

Yi Gang, Governador do Banco Popular da China (BPC), o Banco Central chinês, apontou que a sustentabilidade da dívida de longo prazo deve levar em consideração indicadores como: melhorias de infraestrutura, melhoria do padrão de vida das pessoas, produtividade e redução da pobreza. As instituições financeiras chinesas contribuíram para a maior parte dos fundos da ICR, com o BPC contribuindo com o valor de 440 bilhões de dólares (aproximadamente, 1,73 trilhão de reais, conforme a cotação de 26 de abril de 2019).

Porto de Hambantota, no Sri Lanka

A adoção desse padrão de avaliação de risco financeiro pode ser considerada como uma forma de Pequim rebater as acusações de alguns membros da comunidade internacional de que existe o risco de que países economicamente vulneráveis que participam dos projetos da ICR se encontrem envoltos em uma “armadilha de dívidas” (“debt trap”, em inglês), na qual entram em uma espiral de dívidas e aumentam sua dependência em relação à China.

A preocupação internacional em relação às “armadilhas de dívidas” se elevou desde que o Sri Lanka teve que entregar o controle do porto de Hambantota à China por 99 anos, depois de constatar que não conseguiria honrar seus débitos com Pequim. Atualmente, a China detém a maior parte da dívida de vários países ao longo da ICR, como são os casos do Quirguistão, Laos, Maldivas, Mongólia, Montenegro e Paquistão. Desse modo, a implementação do novo documento é um passo importante na construção de confiança entre o governo chinês e seus parceiros ao redor do mundo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Mapa da Iniciativa do Cinturão e Rota” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=ONE+BELT+ONE+ROAD&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1&searchToken=3owcnspgze6tqorv7z4xzb888#%2Fmedia%2FFile%3ASZ_%E6%B7%B1%E5%9C%B3%E5%9F%8E%E5%B8%82%E8%A6%8F%E5%8A%83%E5%B1%95%E8%A6%BD%E9%A4%A8_Shenzhen_City_Planning_Exhibition_Hall_world_map_one_belt_band_one_road_Jan_2017_Lnv2.jpg

Imagem 2 Porto de Hambantota, no Sri Lanka” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=hambantota&title=Special:Search&profile=advanced&fulltext=1&advancedSearch-current=%7B%7D&ns0=1&ns6=1&ns12=1&ns14=1&ns100=1&ns106=1&searchToken=awgzo2jtreeg13wlrdbo8knpt#%2Fmedia%2FFile%3AHambantota_Port.jpg

About author

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP). Bacharel em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Durante a graduação, foi bolsista do Programa Santander Universidades na Universidade de Coimbra, em Portugal. Integra o Grupo de Pesquisa Pensamento e Política no Brasil da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase nas linhas de pesquisa de Pensamento Político Brasileiro e de Relações Internacionais, atuando principalmente nos estudos sobre Política Doméstica e Externa da China, Segurança Internacional, Diplomacia e Diásporas Asiáticas. Associado à Midwest Political Science Association (MPSA).
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