ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

China e Coreia do Sul: a realidade da tecnologia 6G

Atualmente, o noticiário quando a Ásia é o tema foca nos conflitos e disputas entre a China e seus vizinhos, como a Índia, os países do sudeste asiático e os recentes protestos em Hong Kong. Porém, a batalha mais interessante para a população global e para os profissionais de telecomunicações está ocorrendo de forma silenciosa entre chineses e sul-coreanos: a disputa do pioneirismo em apresentar a tecnologia 6G funcional.

Os países do leste asiático como Japão, Taiwan, Coreia do Sul e, nos últimos 15 anos, a China, estão entre os países mais conceituados na área de tecnologia, desde o desenvolvimento até a inovação, bem como a renovação das já existentes. China e Taiwan possuem poderosos polos de fabricação de hardwares que sustentam boa parte do mercado global, e a os sul-coreanos possuem duas empresas que dominam a tecnologia de telas e as exportam para o mundo.

Na década de 1990 e início dos anos 2000, coreanos e chineses deixavam claro que seu objetivo era superar os japoneses em diferentes segmentos, o da tecnologia não foi diferente e, hoje, possuem empresas que superam o vizinho no mercado mundial. Atualmente, o mercado consumidor de tecnologia e entretenimento está recheado de aplicativos, tecnologias, hardwares e outros produtos de origem destas duas potências asiáticas, o que vem incomodando europeus e norte-americanos.

No final do ano de 2019, o Vice-Ministro do Comitê de Fundação Científica da China, Wang Wei, havia anunciado que o país já estava trabalhando no desenvolvimento da tecnologia 6G, mas não deu muitos detalhes, porém, acredita-se que a empresa Huawei, que hoje é líder de mercado com a tecnologia 5G, esteja à frente destes trabalhos. Em maio deste ano (2020), Lei Jun, CEO da chinesa Xiaomi, deixou entusiastas em tecnologia bem animados quando anunciou que a empresa já estava investindo na tecnologia, dando indícios de que as pesquisas existentes no país estão evoluindo positivamente.

Funcionarios da LG Eletrônicos, do KRISS e KAIST, após assinar acordo de parceria tecnológica / Foto: LG/Yonhap – Divulgação

Na península coreana, as maiores empresas da Coreia do Sul, Samsung e LG Eletrônicos, também anunciaram seus trabalhos no desenvolvimento desta nova tecnologia e já deram previsão de que ela poderá ser implantada até o ano de 2030. Executivos da LG, junto ao Instituto de Pesquisa e Ciência da Coreia (KRISS – sigla em inglês) e do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia (KAIST – Sigla em Inglês), confirmaram o início de sua parceria no desenvolvimento do trabalho, bem como planos de implementação da tecnologia no país até o ano de 2029.

A Samsung já havia anunciado seus trabalhos de pesquisa sobre o sistema 6G em julho deste ano (2020), prometendo apresentar uma consolidada rede e experiência com ela no ano de 2028, e se mostra muito confiante, pois foi a primeira empresa a apresentar o 5G funcional e é pioneira vendendo produtos prontos para uso da mesma.

Tais especulações e anúncios extraoficiais de chineses e coreanos, ainda em 2019, mobilizaram o governo japonês a se posicionar dentro da corrida por futuras patentes da tecnologia 6G. O país tem planos de investir cerca de US$ 2 bilhões (aproximadamente, 11,24 bilhões de reais, conforme cotação do dia 21 de agosto de 2020) na sexta geração de internet e a parceria entre governo, a fabricante Toshiba e a operadora NTT Docomo tem meta estipulada para o ano de 2030, um pouco atrás dos planos ousados dos chineses e sul-coreanos, mas demonstra que o país não ficará para trás de seus vizinhos.

Os anúncios e avanços na pesquisa da internet de sexta geração nos países asiáticos e o crescimento de aplicativos e conteúdo de entretenimento sino-coreano pelo mundo põem em alerta máximo empresas europeias e dos Estados Unidos.

Atualmente, o aplicativo chinês Tik Tok é o mais baixado e acessado no mundo, com seu valor de mercado crescendo e superando o já consolidado Facebook em algumas regiões; aplicativos e jogos mobile, principalmente chineses, crescem a cada dia, superando as demais desenvolvedoras ocidentais. As plataformas de stream como a NETFLIX estão cada vez mais aumentando e investindo em produções asiáticas para seus consumidores, um movimento que perturba produtoras estadunidenses.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intimou a empresa chinesa ByteDance a vender o aplicativo TikTok para empresas do seu país, assim como, em 2019, com a tecnologia 5G consolidada entre empresas chinesas e sul-coreanas, exigiu que os EUA patenteie a tecnologia 6G primeiro. O líder americano põe em pauta a confiabilidade de dados de corporações chinesas dentro do campo do entretenimento e comunicação, porém, não há empresas nativas de seu país que têm conseguido superar as chinesas e outras asiáticas em muitos campos da tecnologia aberta para cidadãos e empresas.

Orçamento do Governo sul-coreano para Pesquisa e Desenvolvimento em 2020 / Fonte: Ministério da Ciência da Coreia do Sul

Fora do campo da tecnologia militar, as corporações ocidentais estão longe de voltar a obter a hegemonia no desenvolvimento, criação e implementação de novas tecnologias. O crescimento de empresas asiáticas e a parceria dos governos do Japão, Coreia do Sul e da China com institutos de pesquisa e empresas locais, novas e consagradas, acelera cada vez mais o caminho para o ciclo de nações no revezamento da liderança tecnológica mundial para o mercado global, provando que estão muito à frente de grandes companhias ocidentais, que já foram dominantes nestes segmentos.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Antena de transmissão de internet sem fio 4G/5G Foto: Fabricio Bomjardim / CEIRI NEWS” (Fonte):

Imagem de autoria de Fabrício Bomjardim – cedida ao CEIRI NEWS

Imagem 2 Funcionarios da LG Eletrônicos, do KRISS e KAIST, após assinar acordo de parceria tecnológica / Foto: LG/Yonhap Divulgação” (Fonte):

https://en.yna.co.kr/view/AEN20200812009200320?section=search

Imagem 3 Orçamento do Governo sulcoreano para Pesquisa e Desenvolvimento em 2020 / Fonte: Ministério da Ciência da Coreia do Sul” (Fonte):

https://en.yna.co.kr/view/AEN20191231007100320?section=search

About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. É membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence. Atualmente trabalha como repórter fotográfico.
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