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A China no Quênia e o Quênia como a China: Investimento, Planejamento e Cooperação

Durante os dias 4 e 11 de maio, o Primeiro-Ministro da China, Li Keqiang, viajou pelo continente africano, marcando presença na Etiópia, Nigéria, Angola e Quênia. Com relações formais desde 1963, a China tem dedicado atenção significativa para o Quênia, a maior economia do leste africano[1].  Atualmente, a presença chinesa no país tem sido marcada pelos projetos em infraestrutura, por ser o segundo maior parceiro comercial e também a maior fonte de Investimento Estrangeiro Direto (IED). Além disso, em um survey realizado em 2013, a China está rapidamente deslocando os EUA e a Grã-Bretanha como inspiração para os quenianos, já alcançando a marca de 34% como modelo e destino de oportunidades de negócios, tecnologia e desenvolvimento de infraestrutura[2].

A importância da visita do Premier chinês no país é marcada pela assinatura de 17 Acordos que atingem diversos segmentos da economia queniana e das relações diplomáticas com o gigante asiático. Segundo o Presidente do Quênia, Mr. Kenyatta, o país tem aprendido com a China que só se alcança prosperidade através de bom planejamento e de investimentos prudentes, o que lhe faz afirmar ter adotado políticas do Oriente (Look-East Policy), em oposição às políticas recomendas pelos doadores e agências de desenvolvimento do Ocidente[2].

Vários memorandos de entendimentos foram assinados, em setores como agricultura, saúde, áreas florestais e conservação ecológica, laboratório ultra-moderno em biologia molecular e cooperação na área de transportes. De acordo com o presidente Kenyatta, os três principais projetos se referem às ferrovias, proteção ao patrimônio nacional e com a segurança e a paz na região[3].

O destaque é o Acordo sobre a construção de uma moderna ferrovia no leste da África, o Standard Gauge Railway, com 609 km de extensão e valor estimado em Sh 327 bilhões. A China financiará 85% do custo total, através do Export and Import Bank of China (Exim), enquanto o Quênia pagará os 15% restante. O Acordo marca o fim do Lunatic Express, antiga ferrovia construída pelos britânicos durante a era colonial[4]. O projeto foi lançado para fornecer eficiência e reduzir os custos de fazer negócio na região, além de tornar o Quênia como mercado competitivo no leste africano. O percurso MombasaNairobi levaria quatro horas e 30 minutos para o transporte de passageiros, a 120km/h, e oito horas para o transporte de cargas, a 80km/h[5].

Além das assinaturas de memorandos de entendimento e projetos financiados, o Ministro chinês mostrou sua preocupação com o equilíbrio da balança comercial com o Quênia, tendo em vista o forte favorecimento do lado chinês no comércio. Por essa razão, Li Keqiang declarou que ajudaria o Governo queniano a estabelecer um parque industrial para apoiar o setor de manufaturas na região. Outro projeto na área é a instalação do China-Africa Research Centre que será financiado ao custo de Sh 5,1 bilhões[6].

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Imagem (Fonte):

http://www.humanipo.com/wp-content/uploads/2013/09/shutterstock_107125661-600×335.jpg

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[1] Ver:

http://www.nation.co.ke/oped/Editorial/Ensure-we-get-the-best-from-links-with-China/-/440804/2310390/-/14asyoo/-/index.html

[2] Ver:

http://www.nation.co.ke/news/Why-China-s–soft-power–approach-appeals-to-Kenya/-/1056/2310700/-/12ba2vlz/-/index.html

[3] Ver:

http://www.nation.co.ke/news/-/1056/2310158/-/14u64gl/-/index.html

[4] Ver:

http://www.nation.co.ke/news/CHINA-Sh327bn-deal-paves-way-for-STANDARD-GAUGE-railway/-/1056/2311362/-/h5f9ap/-/index.html

[5] Ver:

http://www.standardmedia.co.ke/?articleID=2000119804&story_title=ea-s-biggest-ever-project-rolled-out&pageNo=1

[6] Ver:

http://www.nation.co.ke/news/-/1056/2310614/-/14u68a8/-/index.html

About author

Mestre em Ciência Política na Universidade Federal de Pernambuco e graduado em Relações Internacionais na Universidade Estadual da Paraíba. Tem experiência como Pesquisador no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no projeto da Cooperação Brasileira para o Desenvolvimento Internacional (Cobradi). Foi representante brasileiro no Capacity-Building Programme on Learning South-South Cooperation oferecido pelo think-tank Research and Information System for Developing Countries (RIS), na Índia; digital advocate no World Humanitarian Summit; e voluntário online do Programa de Voluntariado das Nações Unidas (UNV) no projeto "Desarrollar contenido de opinión en redes sociales sobre los ODS". Atualmente, mestrando em Development Evaluation and Management na Universidade da Antuérpia (Bélgica) e Embaixador Online do UNV na Plataforma socialprotection.org.
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