NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Ciberdiplomacia responderá às guerras eletrônicas

Como o domínio cibernético está intrinsecamente ligado ao espectro eletromagnético, o fato de que a guerra eletrônica (Eletronic Warfare) e a guerra cibernética (Cyberwarfare) estão agora sendo consideradas em conjunto como atividades eletromagnéticas cibernéticas (cyber-electromagnetic activities – CEMA), faz com que uma alteração profunda esteja acontecendo na estrutura de governança global das políticas e estratégias nacionais competitivas para o uso e aplicação de Tecnologias de Informação e Comunicação-TIC’s.

Ações governamentais adotadas pelos EUA e por países da Europa  sobre a evolução no campo da informação e telecomunicações no contexto da segurança internacional,  em consonância com o estabelecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas em dezembro de 2018, alertam para os riscos e benefícios que a revolução  digital está causando para solução de problemas globais agora e no futuro, e têm forçado a construção de um novo ambiente nas relações internacionais.

A dimensão desta revolução envolve a constituição de uma nova orientação diplomática na condução de relações bilaterais e multilaterais, alicerçada, principalmente, no uso da Internet, na teoria e na prática internacional da governança cibernética, na comunicação internacional e política global de informação. Estados-Nações e seus aliados procuram estabelecer novas formas de empreender significados e razões para defesa de sua soberania e interesses econômicos nacionais e globais no ciberespaço, seja na esfera civil ou militar. Esta trajetória influencia decisões políticas, estratégicas, doutrinas e táticas de ataque, defesa e dissuasão contra ameaças que refletem um estado constante de “contínua hiper-competição geopolítica.

A tendência de as nações tornarem-se inteligentes (Smart Union – termo em inglês) traz consigo a preocupação das autoridades para um modelo de conflito em que suas capacidades de proteção e necessidades de múltiplos domínios atuam sobre sua infraestrutura de informações críticas. A Ciberdiplomacia vem atender aos anseios da comunidade internacional e visa integrar e convergir uma configuração de normas e processos legais que se imponha de forma relevante na contenção de ameaças digitais externas.

A soberania do Estado e as normas e princípios internacionais que dela decorrem se aplicam à conduta destes Estados em atividades relacionadas às tecnologias da informação e às comunicações e à sua jurisdição sobre a infraestrutura em seus territórios. Os processos intergovernamentais entre Estados explicitam a necessidade de se estabelecer uma agenda de estratégia internacional para utilização do ciberespaço e passam a influenciar, também, nas práticas diplomáticas contemporâneas às suas iniciativas e realizações.

Imagem do mapa do Reino Unido com feixes de luz vindo do País de Gales, Londres e Kent

Estas ações centram-se, principalmente, em questões ligadas ao domínio do poder cibernético, à atribuição de ciberataques e identificação de vulnerabilidades da Internet ao instrumento diplomático mais poderoso a ser adotado para respondê-las: o uso de sanções cibernéticas. A Ciberdiplomacia complementará a diplomacia tradicional na modelagem política atual e futura das relações internacionais levando em consideração a liberdade, a inovação, o crescimento econômico, os diferentes usos militares, a segurança cibernética e a governança da Internet.

O desenvolvimento de respostas diplomáticas às atividades cibernéticas maliciosas conduzirá a diplomacia convencional  para o desenvolvimento de novas competência para enfrentar os desafios que dificultam uma resposta comum às possíveis formas de guerra eletrônica e aos crimes virtuais, minimizando conflitos e ofertando formas de compartilhamento de recursos,  tecnologias e canais para empreender esforços na construção de coalisões estatais e privadas,  de acordo com o direito internacional,  de maneira a assegurar a estabilidade global em questões cibernéticas.  

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Visão ampla do Salão da Assembleia Geral” (FonteFoto: ONU/Manuel Elias): https://www.un.org/en/ga/

Imagem 2 Imagem do mapa do Reino Unido com feixes de luz vindo do País de Gales, Londres e Kent(Fonte): https://www.gov.uk/government/news/uk-universities-recognised-for-excellence-in-cyber-security-research

About author

Mestrando em Direção Estratégica em Telecomunicações Universidad del Atlantico – Espanha e Porto Rico; Especialista em Expandindo a Competência Exportadora das Empresas, pela Fundação Dom Cabral. Especialista em Políticas e Estratégias Nacionais, pela Universidade do Tocantins. Graduado em Comércio Exterior, pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, UNISINOS, São Leopoldo/RS. Atualmente é Colaborador do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) no Portal de Relações Internacionais CEIRI NEWS https://ceiri.news/. Também, autor no Portal Web Indústria 4.0 ISA (International Society of Automation), Campinas Section. Campinas/SP. Professor do MBA em Gestão e Inovação em Cidades Inteligentes – Facens – Sorocaba/SP. Desenvolvedor do Grupo de Trabalho Cidades Inteligentes – Softsul, Porto Alegre/RS. Nos últimos 3 anos atua como Vice-Presidente de Defesa Cibernética do ISCBA - Instituto Smart City Business América. Secretário da ADESG - Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, Representação Santa Maria/RS. Sócio Diretor da CronCyber Inteligência Empresarial, Cidades Inteligentes e Defesa Cibernética.
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