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NOTAS ANALÍTICASPARADIPLOMACIA

Cidades Globais: o poder da paradiplomacia das cidades

Embora o termo Cidade Mundial fosse utilizado pela primeira vez em 1915 para definir as cidades de maior relevância no cenário internacional, somente com o avanço da globalização o termo Cidade Global foi consolidado e adquiriu real significado.

As primeiras cidades a integrar essa lista de Cidades Globais, em 1991, foram Londres, Nova York e Tóquio, por centralizar nelas grande parte das atividades financeiras e por ser o centro neurológico das principais regiões econômicas do mundo (Estados Unidos, Europa e Ásia)[1].

Com o desenvolvimento do processo da globalização e o enfraquecimento da hegemonia americana, outras cidades representantes de novos players no cenário internacional começaram a aumentar essa lista.

São Paulo, Hong Kong, Mumbai, Frankfurt, Xangai, entre outras, são cidades cuja representação no cenário internacional supera muitas vezes as capitais de seus respectivos países, por isso, são as novas Cidades Globais ou Cidades Alfa. Nelas, grande parte dos recursos nacionais são negociados e sua participação tanto na economia internacional como regional é crescente. A cidade de São Paulo é um exemplo visível de Cidade Global ou Cidade Alfa, já que atua como principal centro de negócios do Brasil, sendo responsável por mais de 11,4% do PIB do país[1].

A paradiplomacia se desenvolveu de forma natural nessas cidades, ligada, principalmente, a atividade comercial e financeira, embora os níveis de atuação variem bastante devido a legislação interna de cada país, ou até mesmo ao grau de desenvolvimento da paradiplomacia. A cidade de São Paulo, por exemplo, possui políticas na área de paradiplomacia alinhadas as políticas estaduais, o que, por um lado, gera maior exposição do conjunto do Estado de São Paulo por inteiro, mas que, por outro, gera uma dispersão em relação a atuação do próprio município individualmente. A existência de outros municípios próximos ou limítrofes – tais como as cidades do ABC, ou a cidade de Campinas, que também possuem estruturas próprias focadas na paradiplomacia –  fragmenta ainda mais essas políticas.

As cidades de Nova York, Paris, Londres, atuam como uma célula única na área da paradiplomacia, representando a todos, ao Estado e a sua área metropolitana, e isso se deve, principalmente, a uma centralização focada na principal cidade e não no Estado, reforçando o papel da cidade a nível local e global.

Cada Cidade Global possui características únicas de modo que não existe parâmetro para sua atuação na área de paradiplomacia, mas certo é que as cidades com maior exposição e participação internacional podem atuar como ponto de referência para uma determinada região (Cidade Alfa).

Também é importante reiterar que uma Cidade Global se caracteriza pela centralização da atividade financeira e estratégica de uma região ou país, sendo apenas uma das múltiplas dimensões da paradiplomacia. De modo que, conforme o uso da paradiplomacia em cada região, a disposição dos órgãos irá, consequentemente, variar, o que gera uma crescente necessidade de legislar e dividir as diversas atividades entre os diferentes níveis que compõe uma cidade, município, Estado ou província e, dessa forma, obter maior competitividade no cenário internacional e maior agilidade no cenário interno.

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Imagem (Fonte):

http://meioambiente.culturamix.com/blog/wp-content/gallery/2-283/cidades-globais-e-a-sua-importancia-2.png

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://press.princeton.edu/titles/6943.html

[2] Ver:

http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/pesquisas/pesquisa_resultados.php?id_pesquisa=46

About author

Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.
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