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NOTAS ANALÍTICASPARADIPLOMACIA

Cidades Irmãs e a Paradiplomacia

A geminação entre cidades surgiu após o fim da II Guerra Mundial com o objetivo de gerar laços de união e maior cooperação entre as cidades da Europa, sendo rapidamente difundido pelo resto do mundo.

Através da sinergia existente entre diferentes populações, a geminação entre cidades trata de gerar mecanismo protocolares e cooperação em áreas como economia, cultura, meio ambiente, tecnologia, dentre outras, sendo uma importante ferramenta para a Paradiplomacia nos dias atuais.

Na União Europeia, o processo de geminação entre cidades é estimulado através de diferentes medidas e com um orçamento de, aproximadamente, 16 milhões de euros ao ano[1]. Na Ásia e nos Estados Unidos as cidades buscam fomentar negócios e promover programas culturais, havendo um Conselho para Autoridades Locais para as Relações Internacionais, ou CLAIR[2], com sede no Japão, e o Sister Cities International[3], com sede em Washington.

Na América Latina, o conceito começou a ser difundido no final dos anos 80. Atualmente,  existe uma série de projetos que fomentam a criação desses acordos e o estabelecimento de cidades irmãs ou cidades geminadas, como, por exemplo, o MERCOCIDADES[4], que está formado por diferentes urbes do Mercosul, ou ocorrer a ação das próprias cidades no cenário internacional.

Como ferramenta estratégica, a paradiplomacia entre cidades ajuda não somente a gerar laços entre comunidades separadas geograficamente, mas, também, na busca de soluções para problemas comuns, tais como o trânsito, a contaminação, a violência, a mobilidade urbana, dentre vários, promovendo um diálogo fluído entre atores que possuem sinergias e características parecidas, criando um canal de diálogo e aproximando a realidade internacional a nível do poder municipal ou urbano, democratizando, dessa forma, a própria diplomacia e geopolítica, o que impacta diretamente na competitividade das nações e no papel do Estado dentro das relações internacionais.

Tema de discussão para o cosmopolitismo e para comunitarismo, e parte fundamental para entender a formação de uma cidadania global e os resultados dos processos demográficos, econômicos e políticos ligados à globalização, “As cidades falam entre elas e buscam se localizar dentro do panorama mundial[5], de modo que a regularização é fundamental. Certo é que o processo é assimétrico em muitos países e a falta de infraestrutura constitui um problema para o desenvolvimento dessa atividade quando se trata de pequenas cidades.

No Brasil, o grande número de municípios e a dependência interna existente, assim como o elevado grau de divisão territorial e política, é uma das principais barreiras, havendo muitas vezes projetos nos quais uma cidade representa toda uma área metropolitana no cenário internacional, como é o caso de Campinas e região[5].

O lado positivo da Paradiplomacia na escala das cidades é que a busca por parceiros é muito mais prática, pois uma grande cidade como São Paulo pode ampliar sua relação com grandes metrópoles latinas para discutir problemas comuns, com grandes cidades americanas para buscar soluções a esses problemas, ou com grandes cidades da Europa ou da Ásia, devido à presença de colônias de imigrantes na cidade.

Dessa forma, é possível observar que a Paradiplomacia possui diferentes níveis, os quais vão desde a ação de Estados ou Províncias no cenário internacional à atuação de cidades ou municípios, algo que se bem realizado pode gerar uma poderosa maquinaria diplomática que se complemente com os diferentes níveis e forme parte da diplomacia central de um Estado, agilizando a formulação e implementação de políticas e democratizando as relações internacionais e a atuação internacional.

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Imagem (Fonte):

http://cajuindica.com.br/wp-content/uploads/2015/02/placas-viagemmmmm.png

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://eacea.ec.europa.eu/citizenship/programme/action1_measure1_en.php

[2] Ver:

http://www.clair.or.jp/e/index.html

[3] Ver:

http://www.sister-cities.org/

[4] Ver:

http://www.mercociudades.org/

[5] Ver:

http://www.campinas.sp.gov.br/governo/cooperacao_internacional/estrutura.php

About author

Pesquisador de Paradiplomacia do IGADI - Instituto Galego de Análise e Documentação Internacional e do OGALUS - Observatório Galego da Lusofonia. Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha (ACCIÓ). Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latino-americano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e Mestrando em Políticas Sociais com especialidade em Migrações na Universidad de La Coruña (España), Mestrado em Gestão e Desenvolvimento de Cidades Inteligentes (Smartcities) da Universitat Carlemany do Principado de Andorra e doutorando em Sociologia e Mudanças da Sociedade Global. Fundador do thinktank CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais. Membro da Associação Internacional IAPSS para Estudantes de Ciências Políticas, do Smartcity Council, da aliança Eurolatina para Cooperação de Cidades, ECPR Consório Europeo de Pesquisa Política e da rede Bee Smartcities. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça e atualmente reside na região da Galícia (Espanha).
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