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NOTAS ANALÍTICAS

“Comissão Europeia” prevê dificuldades no equilíbrio orçamentário da Bélgica

Elio Di Rupo, primeiro-ministro belgaNa ultima sexta-feira, dia 3 de maio, a “Comissão Européia” anunciou previsões econômicas levemente pessimistas tanto para a Bélgica quanto para os demais países da “Zona do Euro”. Tais previsões incluem uma diminuição do “Produto Interno Bruto” (PIB) da ordem de 0,4% (contra os -0,3% anteriores), taxa de desemprego acima de 12% e crescimento econômico apenas a partir do ano de 2014, em torno de 1,2%, para os 17 países que fazem parte da “União Monetária[1].

No que tange especificamente à Bélgica, o PIB não deve crescer os 0,2% previstos pelo governo do primeiro-ministro belga Elio Di Rupo. A “Comissão Européia” afirma ainda que o déficit publico nominal* do país deve atingir 2,9% do PIB nesse ano de 2013, contra 2,5% previstos pelo Governo, e mais pessimista ainda são as previsões para 2014, quando esse mesmo déficit deve ser de incríveis 3,1%, ao contrário das previsões do governo belga que estima em torno de 2%, ou seja, passando a barreira dos 3% fixadas pelo “Pacto de Estabilidade”** da “União Europeia[2]. Como consequência, a dívida pública belga deverá continuar a aumentar durante os próximos dois anos para 101,4% do PIB, em 2013, e 102,1% no ano seguinte (2014), segundo as estimativas da Comissão[3].

Tais previsões apenas confirmam recentes críticas à maneira com a qual a Bélgica tem lidado com a necessidade de cortar gastos e reformar seu orçamento. O próprio presidente do Conselho Europeu” e antigo primeiro-ministro belga Herman Van Rompuy esteve em evidência ao afirmar que os esforços orçamentários da Bélgica até agora eram “pouco impressionantes” e não era correto afirmar que a Bélgica estava sofrendo duramente com a crise européia[4].

Logo após tais afirmações, o “Ministro Federal das Finanças” do governo Di Rupo, Koen Geens, reduziu tais preocupações e afirmou que o governo belga já havia feito um acordo com a União Europeia” para economizar 1% extra do PIB do país. Afirmou ainda que até onde ele vê, já foi atingido 0,75% dessa meta de 1% e o restante deve vir a partir de economias principalmente na região de Bruxelas e na região da Valônia, visto que Flandres já possui um orçamento equilibrado[5].

A situação da Bélgica é apenas um reflexo do que ocorre atualmente na “União Europeia” em termos de respostas para a crise econômica. Ainda que considerada como um país fora do centro da crise, especialistas acreditam que é difícil prever o que poderá ocorrer nos próximos anos com tais países considerados até então “menos propensos” a seguir o caminho dos PIIGS***.

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* Déficit publico é quando o valor das despesas de um governo é maior do que as suas receitas, o fato de ser nominal indica que para o cálculo do mesmo foram considerados os juros e a correção monetária.

** De acordo com o “Pacto de Estabilidade e Crescimento da União Européia”, os países devem evitar déficits públicos superiores a 3% do PIB e uma dívida pública acima de 60% do PIB. Quando estas barreiras são ultrapassadas podem ocorrer sanções a estes países, que incluem o pagamento de multas.

*** Acrônimo que utiliza das iniciais em inglês dos países mais atingidos pela crise européia, nesta ordem Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha.

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Imagem (Fonte):

https://ceiri.news/wp-content/uploads/2013/05/elio_di_rupo.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.lesoir.be/236363/article/actualite/fil-info/fil-info-economie/2013-05-03/zone-euro-recession-pire-que-prevu-en-2013

[2] Ver:

http://www.lesoir.be/236426/article/economie/2013-05-03/une-croissance-zero-pour-belgique-cette-annee

[3] Ver:

http://www.lesoir.be/236426/article/economie/2013-05-03/une-croissance-zero-pour-belgique-cette-annee

[4] Ver:

http://www.lesoir.be/217473/article/actualite/belgique/2013-03-31/van-rompuy-%C2%ABce-que-belgique-economise-n-est-pas-si-impressionnant%C2%BB

[5] Ver:

http://www.deredactie.be/cm/vrtnieuws.english/Politics/130505_Geens_budget

About author

Mestre em Estudos Europeus pela Universidade Católica de Louvain e Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade da Amazônia - UNAMA. Estagiou durante um ano na Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia onde atuou na área de promoção do Comércio Exterior do Estado do Pará e, ao mesmo tempo, trabalhou como voluntario no GADE, grupo interessado em promover o voluntariado no Estado do Pará. Sempre interessado por integração europeia, realizou pesquisas envolvendo temáticas sobre a Política Agrícola Comum Europeia e sua relação com o livre-comércio e também sobre a evolução do Mercado Único e do setor de serviços da União Europeia. Morou seis meses em Varsóvia onde foi estudante Erasmus na Warsaw School of Economics.
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