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NOTAS ANALÍTICAS

Conflito na Síria: Visita de John Kerry a Moscou. Mudanças à vista?

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, em frente à Catedral de São Basílio, em Moscou (Fonte – Mladen Antonov/AFP)Em sua primeira visita oficial a Moscou, entre os dias 7 e 8 de maio, o secretário de Estado norte-americano John Kerry teve como objetivo discutir temas da agenda norte-americana  política internacional com a parte russa. Nesse contexto, o conflito civil que se estende por mais de dois anos e já ceifou milhares de vidas na Síria ganhou particular relevância*.

Em relação ao histórico das relações bilaterais entre a “Federação Russa” e a “República Árabe da Síria”, pode-se perceber grande intensidade a partir da década de 1970, por meio, principalmente, do fluxo de comércio entre os dois países. Na atualidade, a Rússia figura como seu maior fornecedor de armas, além da forte participação do petróleo russo na balança comercial com o país árabe. Ademais do interesse comercial e econômico, pode-se verificar claramente o interesse estratégico-militar no país, por intermédio, por exemplo, da presença de uma base naval russa no Porto de Tartus, no Mar Mediterrâneo”.

No que tange à sua posição quanto ao conflito sírio, após o envio de frota naval ao país árabe**[1] e vários vetos noConselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU)***[2], rejeitando uma reação mais dura frente às atitudes do governo de Bashar AL-Assad, a Rússia passa a inclinar-se, no momento, a uma mudança nas atitudes, apesar de não no discurso. Este ainda caracteriza-se pela defesa da autodeterminação do povo sírio na busca interna de decisões efetivas[3]. No entanto, no que diz respeito às atitudes, a Rússia demonstra estar mais aberta à cooperação com o Ocidente, mais precisamente com os Estados Unidos.

Dessa maneira, tendo como objetivo encontrar uma resolução perene e eficaz ao atual conflito na Síria, Rússia e Estados Unidos decidiram intensificar a cooperação em esforços de contra-terrorismo e entre seus Serviços Secretos no que tange à questão do uso de armas químicas no país árabe. Além disso, como resultado da visita oficial de John Kerry a Moscou, aventou-se a ideia de realização de uma nova conferência internacional sobre a Síria, a ser realizada possivelmente no final de maio[4].   

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* A guerra civil na Síria teve seus desdobramentos iniciais em janeiro de 2011, com uma série de protestos populares, intensificando-se com o decorrer do tempo e das reações desproporcionais do governo de Bashar AL-Assad frente aos insurgentes.

** No começo de 2012, a Rússia enviou, com objetivo dissuasório, uma frota naval liderada pelo porta-aviões Almirante Kuznetsov, ao Porto sírio de Tartus, no “Mar Mediterrâneo.

*** Os vetos russos foram acompanhados pelos chineses no âmbito do “Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) no decorrer dos anos de 2011 e 2012, em razão da recusa de Rússia e China em recorrer a qualquer tipo de intervenção no conflito interno sírio 

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ImagemO secretário de Estado dos EUA, John Kerry, em frente à Catedral de São Basílio, em Moscou (Fonte Mladen Antonov/AFP):

http://g1.globo.com/revolta-arabe/noticia/2013/05/kerry-diz-putin-que-eua-e-russia-tem-interesses-comuns-na-siria-.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1013179-russia-envia-navios-de-guerra-para-base-na-siria-diz-jornal.shtml

[2] Ver:

http://noticias.r7.com/internacional/noticias/milhares-de-sirios-recebem-chanceler-serguei-lavrov-gritando-obrigado-a-russia-20120207.html

[3] Ver:

http://gazetarussa.com.br/articles/2012/08/23/intervencao_na_siria_e_uma_catastrofe_diz_lavrov_15299.html

[4] Ver:

http://www.economist.com/news/middle-east-and-africa/21577394-things-go-bad-horrendous-big-outside-powers-call-talks

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Ver também:

http://rbth.ru/international/2013/05/09/russia_and_the_us_to_call_conference_on_syria_25825.html

About author

Pós-graduando do Curso de Especialização "Globalização, Justiça e Segurança Humana", organizado pela Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU). Graduado em Direito pela Universidade da Amazônia (UNAMA). Atualmente exerce o cargo de Oficial de Chancelaria no Ministério das Relações Exteriores (MRE), por meio do qual pôde realizar missões de trabalho no Catar e na Rússia.
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