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Coreia do Norte e a “Batalha Suicida”: reinício de uma guerra que jamais terminou

Durante anos o presidente Kim Jong-il, “Chefe de Estado” da “Coreia do Norte” entre os anos 1994-2011, ameaçou constantemente atacar os “Estados Unidos da América” e a “Coreia do Sul”. Seus projetos nucleares e o desenvolvimento de armamentos balísticos com maior poder de destruição sempre preocuparam, mas não chegaram a ser o “re-start” para uma nova “Guerra da Coreia”.

Durante a década de 1990 e anos 2000, as ameaças de Pyongyang (capital da “Coreia do Norte”) converteram-se em um importante elemento de negociação e contrapartidas para que as potências internacionais lhes concedessem suprimentos alimentares e apoio econômico para a sua fraca economia. Atualmente, o cenário começa a se modificar, pois, Kim Jong-un,  o sucessor do antigo líder máximo norte-coreano mudou o tom e a estratégia para conquistar os objetivos de seu país.

Desde que assumiu o poder, o novo líder já realizou testes nucleares, exercícios militares próximo às fronteiras com a “Coreia do Sul” e, segundo informações divulgadas na imprensa internacional, já possui mísseis direcionados para o sul da península coreana.  A frase 더는 피하기 힘들게 2 조선전쟁 (é difícil evitar uma Segunda Guerra da Coreia, em tradução livre) está presente nas poucas mídias do país, nos noticiários da mídia televisiva, impressa e nos canais da web, confirmando que o Governo nãoblefouquando anunciou o cancelamento do armistício assinado entre as duas Coreias há mais de 6 décadas.

Em 1953, as autoridades da península coreana assinaram um “acordo de cessar-fogo”, paralisando a “Guerra da Coreia”. O armistício assinado encerrou as batalhas, porém jamais foi considerado por Pyongyang como um Acordo válido para encerrar o conflito. Além disso, o Governo norte-coreano sempre se considerou tecnicamente em guerra contra Seul. Desde a assinatura daquele documento, a “Coreia do Nortepassou a considerar os sul-coreanos comotraidores da pátria” e proibiu que os familiares do norte e do sul, afastados pela divisão da fronteira, pudessem se encontrar.

Nas publicações da propaganda comunista, raramente aCoreia do Sulé vista como um país independente. Na visão dos líderes comunistas sempre existiu e sempre existirá uma única Coreia, a liderada pelo governo do norte, sendo a reunificação da península o principal objetivo da família Kim.

Na época de Kim Il-Sung (líder da Coreia do Norte desde a fundação do país em 1948 até à a sua morte, em 1994), ninguém imaginava que os principais aliados mudariam o cenário interno e externo e a configuração política, social e econômica. O fim da “União Soviética” e a mudança de planos de Beijing para se industrializar, deixaram a “Coreia do Norte” sem forças para confrontar a “Coreia do Sul”, que contava com o poder militar dos EUA. Por falta de apoio bélico e por deficiências político-econômicas internas, as batalhas não foram retomadas, levando a acreditar que o armistício teve eficácia para finalizar a guerra.

Nesta semana, Pyongyang, através de seus meios de comunicação, anunciou que o armistício estava anulado. Também estão destacando em todas as mídias locais o perigo que os EUA representam para a nação, bem como que está chegando o momento da reunificação coreana. Acompanhando a “Agência Oficial KCNA”[1], a “Rondong”[2] e outras mídias de origem norte-coreana, pode-se ver que, da sua perspectiva, Washington é considerado o responsável por todas as tensões na península e pela fragilidade da economia do país.

O cancelamento do armistício agrava as tensões na região, desestabilizando a segurança regional, mas nem todos o consideram totalmente anulado: “O acordo de armistício continua sendo válido e segue em vigor”[3], ressaltou o porta-voz da ONU Martin Nesirky.  Por sua vez, o presidente dos EUA, Barack Obama, acredita que Pyongyang não tem a tecnologia para realizar uma guerra nuclear e, provavelmente, não iniciaria uma guerra, mas as tropas estadunidenses já estão em estado de alerta, junto com as forças militares da Coreia do Sul”.

Enquanto muitos analistas questionam a efetividade das ameaças norte-coreanas, os militares no país já estão posicionados, a linha de comunicação entre a “Coreia do Norte” e a “Cruz Vermelha” foi cortada e outras comunicações de Pyongyang com entidades internacionais podem ser interrompidas. Com o cancelamento do Armistício, existe alta possibilidade de a qualquer momento as “Forças Militares” comunistas atacarem Seul.

As ameaças de ataque a Seul estão se tornando continuamente mais firmes, mas, desta vez, Pyongyang estaria sozinha nesta nova guerra. Seus tradicionais aliados, China e Rússia, mantém o pedido de calma na península e as últimas condenações do “Conselho de Segurança da ONU” com a participação destas duas potências demonstram que ambos não estão de acordo com a postura de Kim Jong-un.

Para diversos especialistas em segurança, a “Coreia do Norte” não aguentaria muito tempo em uma nova guerra, devido a falta de suprimentos e capacidade de enfrentar EUA, “Coreia do Sul” e Japão (três países que trabalham conjuntamente para evitar quaisquer ameaças oriundas da parte norte da península coreana).

Neste momento, o mundo acompanha a mobilização militar na península coreana tentando confirmar se este não é apenas mais umblefede Pyongyang para conseguir que as sanções aplicadas a ela sejam anuladas e conquistar mais suprimentos, ou se o país realmente está disposto a entrar em uma batalha suicida.

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Fontes:

[1] Ver:

http://www.kcna.kp/kcna.user.home.retrieveHomeInfoList.kcmsf?lang=spn

[2] Ver:

http://www.rodong.rep.kp/InterEn/index.php?strPageID=SF01_02_01&newsID=2013-03-11-0014

[3] Ver:

http://noticias.terra.com.br/mundo/asia/armisticio-entre-as-coreias-segue-vigente-diz-onu,3b0ee22722a5d310VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html

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Ver Também:

http://oglobo.globo.com/mundo/coreia-do-norte-anula-pacto-de-nao-agressao-com-coreia-do-sul-7779271

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About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. É membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence. Atualmente trabalha como repórter fotográfico.
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