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ANÁLISES DE CONJUNTURA

Coreia do Norte na “Dinastia Kim”

O ano de 2011 ficará marcado pela morte do líder máximo da “República Democrática da Coréia” (RPDC). O líder Kim Jong-Il (김정일) foi mais um dentre os mandatários que faleceram ou perderam o poder neste momento da história das Relações Internacionais, caracterizado especialmente pela existência de um mundo globalizado. 

 

Para os asiáticos, sobretudo os coreanos, a morte de mais um membro da família Kim não gerou uma comemoração de qualquer espécie, pois não se sabe se foi uma notícia favorável à manutenção da paz na península coreana.

A Coreia do Norte é um país considerado “imprevisível” por seus vizinhos, tanto aliados, como antagonistas. Grande parte da imprevisibilidade das ações decorre dos humores de seus governantes, que neste início de século e no meio século anterior tiveram os membros da “Família Kim” como proprietários tanto do poder político no país, como do comando das “Forças Militares” norte-coreanas, que hoje detém o quarto maior Exército do mundo.

Desde 1948, quando foi formada a RPDC com seu líder Kim Il-Sung (김일성) a família se manteve no poder absoluto. Naquela conjuntura, a Coreia estava anexada ao “Império do Japão”, desde 1910, tendo conquistado a independência no fim da “II Guerra Mundial”, quando lutou ao lado dos chineses e aliados ocidentais. Tornou-se independente de Tokyo, mas, logo depois, iniciou outra guerra entre as duas partes, o norte e o sul, com o líder comunista liderando o Exército nortista na denominada “Guerra da Coreia” (1950-1953). Havia o contexto de bipolaridade do “sistema internacional”, sendo esta a configuração da denominada “Guerra Fria”, algo que colaborou para que ele se mantivesse no comando do país constituindo um Governo autoritário.

Seu filho e sucessor, Kim Jong-Il, já estava em posição favorável para assumir o comando dos militares desde 1991 e este, três anos depois, após o falecimento de Kim Il-Sung, ocupou o poder político até morrer no final deste ano, em 2011. Durante sua gestão, o mundo não tinha grandes contrastes militares como na época de seu pai.

A “União Soviética” já havia colapsado; no Oriente Médio concentravam-se as contraposições que geraram conflitos tidos por muitos como entre ocidentais e povos do mundo árabe, como foi o caso da “Guerra do Golfo” (1990) e o mundo buscava recursos para a manutenção econômica e o desenvolvimento.

Kim Jong-Il manteve o Regime de seu país em total isolamento, contatando apenas os aliados diretos, China e Rússia (a grande herdeira da antiga “União Soviética”), em um mundo que estava passando por transformações econômicas que afetaram o modelo de manutenção do sistema político que ele herdou e manteve.

O custo para manter suas tropas ativas contribuíram para o empobrecimento da população e paralisação de parte das indústrias por falta de recursos, investimentos, perspectivas adequadas para modernizá-las e falta de meios para efetuar a manutenção dos equipamentos. Em seu Governo foi mais difícil controlar os militares, bem como provar sua “força e poder”, por isso houve constantes atritos com a Coreia do Sul, deixando a península constantemente próxima da retomada da guerra.

O “Líder Supremo” (como era chamado Kim Jong-Il) voltou a ganhar holofotes da “Comunidade Internacional” a partir de 2009, com a intensificação do problema referente ao “Programa Nuclear” norte-coreano. No início era uma questão do uso de “Urânio Enriquecido” para meios pacíficos, visando a geração de energia, mas o processo foi evoluindo e o país mostrou indícios de ter meios para produzir armas nucleares, realizando vários testes balísticos com vetores que poderiam alcançar o Japão e os Estados Unidos.

Seu “Programa Nuclear” deu início a um ciclo de barganhas entre a RPDC e as demais potências globais* e nos anos de 2010 e 2011 o “Comandante Supremo” (outra forma como era chamado Ki Jong-il) intensificou o atrito entre as duas Coréias, sem construir quaisquer ações favoráveis à Paz na região.

Kim Il-Sung e Kim Jong-il, também chamado de “Grande líder” e “Eterno líder”, manusearam internamente a conjuntura internacional para manter o país sob regime isolado e mantiveram a reivindicação da parte sul da península (Coreia do Sul) como área territorial de seu Estado, chamando de “traidores” os sul-coreanos e excluindo, dessa forma, os diálogos para a paz.

Por essa razão o mundo pergunta como será o governo de Kim Jong-un (김정은 ). Quais as iniciativas do jovem Kim, em meio a uma nova conjuntura internacional, com maior globalização, sem os riscos de guerra mundial, como na época de seu avô, mas com uma “guerra econômica” voltada para a conquista de mercados, para a procura por recursos e com competições acirradas entre grandes potências e os atuais países emergentes.

O jovem Kim assume um país em situação de pobreza extrema, que ainda sobrevive da ajuda internacional, em especial da que é realizada pelos denominados “traidores” do sul. Assume um Governo em que os líderes militares e seu pai deixaram o país caminhando para uma nova guerra e em situação delicada para se manter ativo. O novo líder norte-coreano ainda é visto como “imprevisível”, perspectiva que tem sido alimentada, principalmente devido a “coincidência”, de ter sido testado mais um míssil, logo após a notícia do falecimento de Kim Jong-il. Contudo, apesar desses temores, existem aqueles que crêem na busca de uma solução pacífica para os problemas da península.

A mídia norte-coreana já está trabalhando com a imagem do seu novo líder. No jornal estatal “Rodong Sinmun”, a propaganda está sendo intensificada, como pode ser observado nas declarações disseminadas no periódico: “o notável líder de nosso partido, nossos militares, nosso povo e um grande sucessor”**; “Declaramos de coração que promoveremos a revolução do ‘Exército primeiro’ com o camarada Kim Jong-un como nosso comandante supremo e nosso general”***.

Na “Agência Central de Notícias da Coreia do Norte” (KCNA, sigla em inglês), homenagens ao pai e ao filho estão sendo constantemente exibidas e dão ênfase às condolências recebidas de líderes do exterior, criando para o povo a impressão de que “tudo está em ordem”.

Deve-se destacar que no exterior sua imagem também é vinculada a educação na Europa, aos seus gostos por cultura estrangeira, a ter uma visão de dois mundo diferentes (do mundo globalizado e de seu país), acreditando-se que isto pode facilitar nas negociações entre a Coreia do Norte, a China, os Estados Unidos, a Coréia do Sul, a Rússia e o Japão para por fim ao “Programa Nuclear” norte-coreano e conseguir auxílio no reinício de um processo de industrialização.

Muitos especialistas acreditam que é o momento para os principais aliados de Pyongyang se mobilizarem para trazer avanços à manutenção da Paz na região. Uma opinião que está sendo disseminada* e contribui para este caminho é de que a China e a Rússia podem ser os agilizadores do processo de negociação, continuando suas boas relações com o país comunista, com o novo líder, além de apresentar caminhos alternativos ao seu “Programa Nuclear”.

Alguns analistas vêem também a existência de uma oportunidade para a aproximação de contatos de ambos os Estados coreanos, algo, no entanto, ainda considerado muito delicado, devido a história dos coreanos. Um exemplo da complexidade se deu recentemente, quando Seul autorizou alguns sul-coreanos a prestarem condolências pessoalmente ao ex-líder do norte (foram os casos de Lee Hee-Ho, viúva do ex-presidente sul-coreano Kim Dae-Jung, e Hyun Jeong-Eun, presidente do grupo Hyundai) mas proibiu a ida de outros cidadãos, parentes de norte-coreanos, bem como de representantes empresariais e do Governo, algo que foi visto como um ato desnecessário da “República da Coréia” e tido como “desumano” pelas autoridades de Pyongyang.

Para alguns analistas, este ato pode ter sido uma perda de oportunidade de trabalhar novos laços com o norte. De acordo com umas das agências de notícia locais, denominada “O Norte”, o próprio Kim Jong-un expressou “profunda gratidão” pela presença dos dois representantes sul-coreanos, uma vez que Kim Dae-Jung e o grupo Hyundai foram os pioneiros na busca de boas relações entre as Coréias,  quando, juntos, também realizaram a primeira “Cúpula Inter-Coreana”, no ano 2000.

As relações da Coreia do Norte para com o mundo podem mudar neste ano que se aproxima (2012), mas isto dependerá da busca de negociações, ignorando parte de suas políticas ou ideologias, além da busca de um diálogo adequado, propício a despertar os antigos laços do jovem Kim com o mundo exterior, bem como dependerá ainda da atração que fizerem para Pyongyang aceitar uma negociação mais aberta e geradora de benefícios mútuos.

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Fontes:

* Ver “CEIRI”:

https://ceiri.news/2011/12/09/coreia-do-norte-ainda-acredita-que-%E2%80%9Cprograma-nuclear%E2%80%9D-e-sua-fonte-de-%E2%80%9Csobrevivencia%E2%80%9D/

** Ver “Estadão”:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,midia-da-coreia-do-norte-elogia-jovem-kim,814267,0.htm

*** Ver “Folha SP”:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1025805-kim-jong-un-ja-e-tratado-como-comandante-supremo-do-exercito-norte-coreano.shtml

Ver também:

“Global Times”:

http://www.globaltimes.cn/NEWS/tabid/99/ID/690004/Kim-Jong-un-gets-key-title-for-credentials.aspx

“KNCA” (espanhol):

http://www.kcna.kp/goHome.do?lang=spa

“CEIRI” (“Coréia do Norte aceita visitas de civis sul-coreanos para prestar condolências à morte de Kim Jong-il”)

https://ceiri.news/2011/12/23/coreia-do-norte-aceita-visitas-de-civis-sul-coreanos-para-prestar-condolencias-a-morte-de-kim-jong-il/

About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. É membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence. Atualmente trabalha como repórter fotográfico.
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