A Organização Mundial da Saúde declarou a Europa como novo epicentro da pandemia causada pelo Covid-19. Ruas, museus, escolas, aeroportos e demais serviços foram paralisados e esvaziados diante do pânico crescente da população, atônita com o aumento do número de casos e óbitos em diversos países do Bloco europeu, trazendo problemas de abastecimento e toque de recolher em diversos municípios. Um ambiente digno de um filme pós-apocalíptico no qual se localiza o correspondente do CEIRI news na Europa, Wesley S.T Guerra, erradicado na Espanha, país que registra mais de 5.200 casos e 150 falecidos, leia seu relato.

Um silêncio estarrecedor nas ruas, colégios, restaurantes e demais serviços, parques sem o barulho das crianças ou idosos passeando com seus cachorros, monumentos sem turistas e transportes funcionando no mínimo de sua capacidade. Um cenário de guerra, onde, de momento, o lado vencedor é o do coronavírus.

Uma onda de pânico causou o desabastecimento temporário em diversas localidades. As notícias de propagação do vírus além das fronteiras da Itália geraram o alarme e cada novo caso contabilizado aumentava o medo da população mais envelhecida do planeta. Fake news e informações desencontradas aumentaram as dúvidas da população. As autoridades decretaram Estado de Emergência, porém, sob críticas por uma atuação tardia.

Na Espanha, antes mesmo de o presidente Pedro Sanchez haver decretado o Estado de Alarme, o governo da Comunidade de Madri (região mais afetada no país Ibérico) havia dado ordem de fechar todos os estabelecimentos públicos e serviços, salvos aqueles de primeira necessidade. Na Catalunha, segunda região em população, as forças de segurança estabeleceram controles e obrigaram a população de diversos municípios a não sair da cidade, alertando aos motoristas: “saiba que se você entrar, não poderá sair”.

O espaço aéreo passou a ser limitado, principalmente após os Estados Unidos declararem o cancelamento dos voos com origem nos países da União Europeia. Fronteiras com países vizinhos, como o Marrocos, foram fechadas e protocolos de segurança foram ativados.

Coronavírus Mercados

O Decreto realizado pelo governo central espanhol permite o uso das Forças Armadas e até mesmo a restrição de direitos civis, tais como o direito circulação dos cidadãos, com o objetivo de reduzir a curva de infecção do vírus e restabelecer aos poucos a calma.

A Bolsa de Madri registrou no dia 12 de março a maior queda da sua história, acompanhada pelas demais bolsas europeias e mundiais. O impacto em setores importantes, tais como turismo, serviços e comércio permanece incalculável. A sensação é que o mundo parou por um instante e um pequeno ser microscópico deixou evidente a soberba humana e a fragilidade de nossas sociedades.

Infelizmente, por outro lado, o estado de quarentena decretado em diversas localidades de Madri, Catalunha, Murcia, País Basco, Aragão se transformou em férias para algumas pessoas que se refugiaram em localidades litorâneas, levando o vírus com ela.

Não sair de casa” essa é a frase que as autoridades citam uma e outra vez como uma tentativa de convencer o povo de que o pior ainda está por vir.

Como medidas, além do fechamento de todos os serviços (salvo os essenciais) e a quarentena dos municípios mais afetados, o governo estimula o home office (trabalho em domicílio) e medidas de prevenção e higiene. Espanha, Portugal e Itália são países cuja população de risco é uma fatia majoritária em sua pirâmide demográfica, sendo necessário controlar o quanto antes o avanço dos casos.

Avenida em Horário de Pico

Segundo as autoridades, é necessário estar consciente de que 80% da população pode ser infectada e que haverá óbitos de seres queridos, de conhecidos, independentemente da colaboração de toda a sociedade.

O Covid-19 possui menor taxa de mortalidade que outros vírus que já circulam na Europa, porém, a alta proporção de pessoas em grupos de risco e a velocidade da propagação, além dos fortes impactos econômicos na economia mundial, transformaram a pandemia do Coronavírus em uma das mais importantes desde a Gripe Espanhola de 1918, que vitimou milhões de pessoas.

Nos demais países da Europa, a situação é semelhante. Portugal, França, Alemanha, Bélgica, entre outros, decretaram o fechamento dos estabelecimentos e locais públicos, com a redução dos serviços e cautela. Circular no Bloco europeu é desaconselhado pelas autoridades e viagens internas devem ser feitas somente por motivos extremos.

Como testemunho pessoal, um companheiro de trabalho está de quarentena pelo fato de que sua esposa (enfermeira) deu positivo, sendo a recomendação médica permanecer em casa e somente sair para emergências, no caso de apresentar maiores sintomas. Assim mesmo, as autoridades facilitam um número de emergência para que pessoas com suspeita possam realizar o teste em sua casa, sem acorrer ao hospital, com a visita de profissionais de saúde. Foi necessário estocar comida e a falta de alguns bens de consumo é notável, porém, dentro do possível, tentando manter a calma e certa normalidade.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Coronavírus Espanha” (Fonte): https://www.eventplannerspain.com/sites/default/files/styles/header_banner/public/images_noticias/coronaeps.jpg?h=c74750f6&itok=3TjNDDvg

Imagem 2Coronavírus Mercados” (Fonte): https://www.publico.es/files/article_main/uploads/2020/03/10/5e67c62312589.jpeg

Imagem 3Avenida em Horário de Pico” (Fonte): https://imagenes.20minutos.es/files/image_656_370/uploads/imagenes/2020/03/11/calles-vacias-madrid.jpeg

About author

Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.
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