ÁFRICAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Crescimento do PIB angolano é revisado após aumento nos preços do petróleo

Na quinta-feira da semana passada (24 de maio), o Fundo Monetário Internacional (FMI) apresentou, em Luanda, as suas avaliações sobre o panorama econômico de Angola. Na ocasião, o representante da instituição, Max Alier, discutiu sobre os últimos avanços na resolução da recessão econômica do país africano, bem como sobre o impacto dos preços internacionais do petróleo na economia nacional.

Para este ano (2018), o FMI projeta um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) angolano de 2,2%, bem como uma expansão de 2,5% para o ano que vem. A projeção é significativamente menor daquela traçada pelo Governo, o qual espera uma taxa de 4,9%. Da mesma forma, a estimativa dessa instituição financeira também diverge da mantida pelo Banco Mundial, cujo entendimento é de que a economia angolana crescerá somente 1,6% neste ano.

FMI e analistas reiteram a necessidade de Angola promover o segundo setor, a fim de reduzi a dependência econômica do petróleo

Nos últimos meses, os formuladores da política econômica angolana, bem como os investidores internacionais, demonstraram relativo alívio frente à gradativa recuperação nos preços do petróleo. A cotação desta commodity na bolsa de Nova Iorque está atualmente em 67 dólares, valor significativamente maior do que a cotação de setembro do ano passado, de 51 dólares. Acima de tudo, este aumento beneficia o país africano em termos de receitas com a exportação.

Similar às recomendações feitas por outros analistas, a missão do FMI em Angola também reiterou a necessidade de o país diversificar a sua economia, a fim de reduzir a sua dependência das rendas obtidas com a exploração de hidrocarbonetos. Conforme declarou Alier: “Falta muito a ser feito na parte estrutural para melhorar o ambiente de negócios, diminuir os custos no setor petrolífero e assim eventualmente criar condições para indústrias não petrolíferas emergirem em Angola”.

A industrialização angolana é tida como um dos principais objetivos do atual Presidente, João Lourenço. No entanto, a escassez de divisas e as iminentes limitações do orçamento público estatal têm impulsionado Lourenço e sua equipe, os quais buscam o capital internacional para a implementação desta política econômica. Na semana passada, por exemplo, o Governo adquiriu um empréstimo de 700 milhões de dólares junto ao banco Credit Suisse, com o objetivo de aplicá-lo na implementação de obras de infraestrutura.

Para atrair o capital externo, a taxa de câmbio passou a operar em regime flutuante desde o final do ano passado (2017). Com efeito, desde dezembro, o kwanza – a moeda local – desvalorizou-se mais de 40% frente ao dólar, concedendo maior poder de investimento a empresários internacionais. Além disso, a depreciação também beneficia as receitas de exportação: a título de ilustração, somente no caso das vendas externas de petróleo registrou-se em abril ganhos de, aproximadamente, 991 milhões de dólares – maior valor desde setembro de 2014.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1FMI prevê maior crescimento após retomada gradativa no preço do petróleo” (Fonte):

http://innovator.gsm.ucdavis.edu/big-data-offers-new-insights-into-financial-markets/

Imagem 2FMI e analistas reiteram a necessidade de Angola promover o segundo setor, a fim de reduzi a dependência econômica do petróleo” (Fonte):

https://www.opportunitiesforafricans.com/imf-internship-program-fip-2018-for-young-professionals/

About author

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique
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