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Crise Diplomática entre Israel e a Jordânia à Luz do “Caso Raed Zuaiter”

O Juiz naCorte de Primeira Instância de Aman”, Raed Zuaiter, de 38 anos, foi morto no dia 10 de março por soldados dasForças de Defesa de Israel”, num posto de controle naPonte Allenby”, que liga Jericó à Cisjordânia. Essa ponte é, hoje, a única via de ligação entre a Cisjordânia e a Jordânia. Raed Zuaiter era natural de Nablus, Palestina, e tinha cidadania jordaniana. O magistrado viajava à Cisjordânia, para visitar o filho de seis anos, hospitalizado em estado de coma, quando se envolveu no episódio que o levou ao óbito. A sua morte não passou despercebida, tendo gerado tensão e obrigou Israel a se pronunciar a respeito do acontecimento, atitude que, até então, o país nunca havia tomado em situações semelhantes[1].

Com a finalidade de conter as tensões, o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu divulgou um comunicado de pesar pela morte do Juiz e se comprometeu, junto da Jordânia, a realizar uma investigação conjunta sobre o episódio[2]. O Presidente israelense, Shimon Peres, também emitiu um pedido de desculpas oficial à Jordânia. Na declaração dirigida ao Rei Abdullah II, Shimon Peres disse o seguinte: “Em nome do Estado de Israel, gostaria de expressar os meus mais profundos pêsames ao povo da Jordânia e ao rei Abdullah sobre a morte do Juiz Raed Zuaiter na ponte, em 10 de março de 2014[3].

Em reação ao trágico acontecimento, o “Ministro das Relações Exteriores da Jordânia”, Nasser Judeh, convocou o chefe da missão israelense em Aman e exigiu urgência nos esclarecimentos sobre o incidente[4]. As investigações preliminares realizadas por Israel apontaram para informações imprecisas, na quais consta que o Juiz reagiu à revista e agrediu os soldados com uma barra de ferro. Contudo, tal fato não se confirma, pois o depoimento das testemunhas é divergente e a câmera de vídeo não estava funcionando naquele momento[5].

A morte do cidadão jordaniano de origem palestina causou grande consternação popular. Segundo Saleh al-Armouti, ex-chefe do “Sindicato dos Advogados Jordanianos”, o seu povo convocou manifestações em frente à Embaixada de Israel para pedir a saída do Embaixador israelense de Aman. A título pessoal, al-Armouti exigiu o cessar das relações diplomáticas entre a Jordânia e Israel e o fim do acordo de paz entre os dois países[6], assinado em 1994.

Israel tem demonstrado preocupação e interesse em reduzir as tensões, pois, para além do Egito, esse é o único país árabe com quem mantém um “Acordo de Paz”. Estrategicamente, eliminar qualquer tipo de tensão com o vizinho é fundamental para Israel evitar o fim do Acordo e o aumento das tensões regionais, cujo equilíbrio é bastante frágil. Tentar resolver este episódio com diplomacia e transparência é necessário para a normalização das relações diplomáticas, a continuidade da coexistência pacífica entre os dois países e a eliminação da possibilidade do alargamento das hostilidades regionais.

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Imagem (Fonte):

https://static-secure.guim.co.uk/sys-images/Guardian/Pix/pictures/2014/3/11/1394529236439/Israeli-soldiers-stand-gu-014.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.haaretz.com/news/middle-east/.premium-1.579251#

[2] Ver:

http://www.jpost.com/Diplomacy-and-Politics/Netanyahu-issues-statement-of-regret-for-death-of-Jordanian-at-Allenby-Bridge-344995

[3] Ver:

http://www.i24news.tv/en/news/israel/diplomacy-defense/140317-israel-issues-official-apology-over-jordanian-judge-s-death

[4] Ver:

http://www.maannews.net/eng/ViewDetails.aspx?ID=680328

[5] Ver:

http://www.i24news.tv/en/news/israel/diplomacy-defense/140317-israel-issues-official-apology-over-jordanian-judge-s-death

[6] Ver:

http://www.maannews.net/eng/ViewDetails.aspx?ID=680328

About author

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).
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