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Crise na Líbia: EUA descolocam fuzileiros navais para o Sul da Itália

Recentemente, com a intensificação das tensões no Estado da Líbia, o Governo dos Estados Unidos da América (EUA) decidiu enviar fuzileiros navais para a região do Sul da Itália. Segundo o Departamento de Defesa norte-americano, essa equipe possui uma rápida capacidade de resposta e a transferência desses fuzileiros refere-se ao agravamento da situação no norte da África.

A Força Marinha, conforme destacou Steven Warren, Coronel e porta-voz do Pentágono, recebeu ordens de proteger as embaixadas dos Estados Unidos no norte da África e de outras regiões[1]. Nesse sentido, e em razão do aprofundamento das tensões na Líbia, os EUA deslocaram, na última semana, aproximadamente 200 fuzileiros navais da base na Espanha para a base aeronaval norte-americana na Sicília, a região do sul da Itália. Esse contingente recebeu o apoio para as possíveis operações de quatro helicópteros Osprey e de dois aviões de abastecimento KC-130[2].

Essa equipe de fuzileiros, segundo Warren, foi organizada devido às críticas do Congresso norte-americano em relação à falta de segurança dos Estados Unidos na Líbia. Vale lembrar que, em 2012, o Consulado dos EUA em Benghazi, segunda maior cidade da Líbia, e onde está instalado o Governo provisório, foi atacado por um grupo de islamitas, que acabou matando o embaixador Christopher Stevens e mais três funcionários[3]. Na época, o Departamento de Estado foi responsabilizado por não estar preparado para defender seu pessoal[4].

Desde o florescer da Primavera Árabe, que derrubou o governo de Muammar Kadhafi,em 2011,a Líbia vem sendo palco de intensos conflitos. No presente, após quase 3 anos, o Governo de transição tem enfrentado dificuldades para estabilizar o país e conter os constantes ataques que tem como alvo o Exército e a Polícia e, segundo as autoridades, são formados por grupos islâmicos extremistas[5]. Embora o Governo de transição  afirme que a situação no país está sob controle, o conflito entre os grupos rebeldes e o Governo tem visivelmente se intensificado. No último domingo, 18 de maio, um grupo armado atacou o Parlamento em Tripoli para reivindicar sua dissolução. No dia seguinte, o aeroporto em Benghazi foi atacado[6].

Ademais, compete ressalvar que, no decorrer deste ano (2014), oito diplomatas do Egito, Jordânia e Tunísia foram feitos reféns pelos rebeldes na Líbia, para que fossem trocados pela liberdade de seus parceiros detidos em prisões no exterior. Esse cenário tem provocado o fechamento de algumas embaixadas no país, como foi o caso da Argélia que evacuou seu embaixador e outros funcionários da Líbia, na semana passada[7].

Já na última segunda, foi a vez da Arábia Saudita fechar sua embaixada em Tripoli,alegando preocupação com a segurança. Segundo Mohammed Mahmoud Al-Ali, Embaixador Saudita na Líbia, a medida foi necessária em razão da “deterioração das condições de segurança na capital líbia, acrescentando que a missão diplomática do país vai retomar suas operações a partir da estabilização da situação na Líbia[8].

Logo, a decisão de enviar marines para o Sul da Itália, conforme alega o Governo norte-americano, serve como precaução para o caso de a embaixada dos EUA sofrer algum tipo de ameaça. Steven Warren assinalou que não existe nenhum plano de esvaziar a embaixada norte-americana em Tripoli no momento, mas destacou que os EUA resolveram descolocar esses fuzileiros em razão da instabilidade geral no norte da África[9]. Para Warren, com esse contingente instalado na Sicília, “eles serão capazes de responder mais rapidamente a qualquer crise no Norte da África[10].

Vale ressaltar ainda que, em março, o líder da Al Qaeda no Iêmen divulgou um vídeo afirmando que atacaria os EUA[11]. Essa ameaça  fez o Departamento de Estado dos EUA alertar todas as embaixadas localizadas no Oriente Médio para a ocorrência de um possível ataque da Al Qaeda. Dessa forma, o deslocamento de fuzileiros navais para a região, não diz respeito apenas ao agravamento dos conflitos na Líbia, mas, sim, a um possível aprofundamento em nível regional. Dado isso, o envio dessa força refere-se ainda ao apoio e fortalecimento militar para o contingente que já se faz presente hoje na região.

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Imagem (Fonte):

http://www.naval.com.br/blog/wp-content/uploads/2013/06/V-22-Osprey-foto-USN.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.worldtribune.com/2014/05/16/delayed-benghazi-response-u-s-sends-marines-n-africa

[2] Ver:

http://www.naval.com.br/blog/2014/05/14/estados-unidos-mobilizam-marines-no-sul-da-italia-por-ameaca-na-libia/  

[3] Ver:

http://portuguese.ruvr.ru/2012_11_02/agentes-cia-embaixada-norte-americana-na-libia/

[4] Ver:

http://www.worldtribune.com/2014/05/16/delayed-benghazi-response-u-s-sends-marines-n-africa

[5] Ver:

http://www.portugues.rfi.fr/mundo/20140519-apos-ataque-parlamento-europeus-se-dizem-preocupados-com-situacao-na-libia

[6] Ver:

http://www.valor.com.br/internacional/3553020/situacao-na-libia-continua-tensa-um-dia-apos-ataque-parlamento#ixzz32I2aeZof

[7] Ver:

http://portuguese.ruvr.ru/news/2014_05_16/midia-argelia-evacua-seu-embaixador-da-libia-8799/

[8] Ver:

http://www.swissinfo.ch/por/internacional_afp/Arabia_Saudita_fecha_embaixada_na_Libia.html?cid=38616952

[9] Ver:

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2014/05/14/interna_mundo,427551/estados-unidos-mobilizam-marines-no-sul-da-italia-por-ameaca-na-libia.shtml

[10] Ver:

http://www.worldtribune.com/2014/05/16/delayed-benghazi-response-u-s-sends-marines-n-africa

[11] Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,lider-da-al-qaeda-no-iemen-promete-atacar-eua-em-novo-video,1154732,0.htm  

 

About author

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.
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