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Cúpula União Europeia-Turquia

No passado dia 7 de março, teve lugar em Bruxelas a polêmica Cúpula entre os 28 membros da União Europeia e a Turquia para discutir a situação das fronteiras e a crescente crise migratória promovida pela instabilidade no Oriente Médio e a Guerra da Síria. A Europa propõe aumentar as medidas de contenção e, assim, evitar o avanço dos refugiados para o território Europeu, oferecendo, em troca, ajudas econômicas para a Turquia, as quais podem alcançar o valor de 3 bilhões de euros.

A opinião pública europeia se mantém dividida, seja por razões humanitárias, ou pelo ônus que deverão pagar para levar tal projeto adiante, sem saber ao certo o impacto negativo que possa vir a produzir.

A Turquia, por outro lado, enfrenta a crescente instabilidade social decorrente do turbulento cenário político que se instaurou no país, após o início da Guerra na Síria e sua participação no conflito. Istambul e outras cidades já foram alvos de atentados terroristas promovidos por grupos radicais e existe o medo de um aumento do conservadorismo em um lugar que, embora seja de origem muçulmana, é constitucionalmente um território laico, com a presença de outras comunidades, como católicos e ortodoxos, além de diversas correntes do islã.

Outro tema que também ocupou a pauta durante a reunião dos membros da Comissão Europeia foi restabelecer o Acordo de Schengen – que permite a livre circulação de cidadãos europeus no Bloco – e que foi parcialmente cancelado. A Europa pretende reativar o Tratado após alcançar um acordo com as autoridades turcas e normalizar o mesmo até final de 2016.

O Tratado de Schengen permaneceu suspenso em determinadas fronteiras, após seu cancelamento, devido aos ataques terroristas perpetrados em Paris por membros do Estado Islâmico, em novembro de 2015, havendo alguns países, como a Bélgica e a Dinamarca, que retomaram o controle de fronteiras para evitar o acesso aos possíveis suspeitos e imigrantes que não cumpram com os requisitos do Acordo, ou que não tenham o pedido de asilo político aprovado.

O controle de fronteiras estabelecido pelo Tratado de Schengen está sendo aplicado também na Eslovênia como forma de fechar a chamada Rota Balcânica, que, desde o início do ano, recebeu mais de 150 mil refugiados. A União Europeia pretende, dessa forma, resolver o problema da crise dos refugiados, mediante um maior controle nos países fronteiriços e evitando o avanço dos fluxos de pessoas que não sejam cidadãs da União Europeia dentro do Bloco. 

Países do mundo árabe, tais como a Jordânia, o Líbano e a Turquia contam com um maior contingente de refugiados que todos os 28 membros da União Europeia e essa proporção deve aumentar nos próximos anos, não ficando muito claro a repercussão que este fato terá no futuro do equilíbrio geopolítico da periferia europeia e da própria Europa, havendo a possibilidade de que este seja um remédio amargado e cujo efeito somente o tempo poderá dizer.

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Imagem (Fonte):

http://casaturca.org/wp-content/uploads/2015/04/Selcuk-Gultasli.jpg

About author

Pesquisador de Paradiplomacia do IGADI - Instituto Galego de Análise e Documentação Internacional e do OGALUS - Observatório Galego da Lusofonia. Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha (ACCIÓ). Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latino-americano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e Mestrando em Políticas Sociais com especialidade em Migrações na Universidad de La Coruña (España), Mestrado em Gestão e Desenvolvimento de Cidades Inteligentes (Smartcities) da Universitat Carlemany do Principado de Andorra e doutorando em Sociologia e Mudanças da Sociedade Global. Fundador do thinktank CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais. Membro da Associação Internacional IAPSS para Estudantes de Ciências Políticas, do Smartcity Council, da aliança Eurolatina para Cooperação de Cidades, ECPR Consório Europeo de Pesquisa Política e da rede Bee Smartcities. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça e atualmente reside na região da Galícia (Espanha).
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