NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Cyber Security Clusters são centros de construção de IA militares

O caráter hiperconectado e aberto do ciberespaço envolve diferentes contextos ou perspectivas de guerra híbrida. Isso ocorre devido à capacidade daquele de dar suporte ao uso intensivo de tecnologias de comunicação e informação para expansão da economia global, algo que se processa através da criação de redes de comércio internacional, bem como do acesso e compartilhamento à informação e ao conhecimento universal.

A internet também oferece oportunidades sem precedentes para a militarização e suas consequentes adequações para a geração, mitigação e soluções de conflitos de nossas sociedades. Neste ambiente, a arquitetura da transformação da natureza, do poder e da guerra faz com que as ameaças cibernéticas cresçam tanto em número quanto em sofisticação. 

O risco cibernético está agora firmemente no topo da agenda internacional e a Inteligência Artificial (IA) tende a ser o principal ativo neste cenário,  já que governos (seus aliados e adversários), empresas e consumidores reconhecem o potencial impacto destrutivo de ataques maciços de hackers e outras falhas de segurança que venham ou possam vir a comprometer os interesses relativos à soberania do povo, sua estabilidade econômica e seu bem-estar social.

A corrida pelo protagonismo e pelo domínio de aplicações militares baseada em soluções de IA tem refletido nas relações cibernéticas, principalmente entre EUA, Rússia e China. Uma base dos valores envolvidos nos conflitos cibernéticos pode ser retratada na recente decisão da Casa Branca, anunciada na segunda-feira (18/03/2019), em pedir mais de US $ 17,4 bilhões para esforços cibernéticos federais no ano fiscal de 2020 (aproximadamente, 65,88 bilhões de reais, conforme cotação de 22 de maço de 2019).

Para organizar suas doutrinas, políticas e estratégias de segurança nacional competitivas, bem como acompanhar e realizar a manutenção de domínios, ou conquistar novas posições em relação ao uso do ciberespaço, a construção de consórcios entre governos, indústrias, empresas e instituições com habilitações interdisciplinares e confiáveis permite combinar sinergias, resultando, por sua vez, na implementação de Clusters de Segurança Cibernética como estratégia de Defesa Nacional, utilizando a Inteligência Artificial para fins militares. Estes clusters são centros avançados, compostos por sociedades digitais de alta capacidade de resposta à ataques virtuais, os quais, atualmente, estão na vanguarda da segurança cibernética. Mitigar riscos de ataques e proteger sistemas é o foco deles.

Logo da OTAN

A propagação desta abordagem, incentivada fortemente pela OTAN/NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte/North Atlantic Treaty Organization), inclui o novo paradigma do uso sistemático e integrativo de redes que permitem a união entre os Estados membros da Organização*, indústrias, empresas, forças militares, academia, associações e instituições de fomento, agências e laboratórios federais, organizações de apoio à inovação e empreendedorismo, órgãos governamentais estaduais e locais, think tanks e organizações de pesquisa, câmaras de comércio e indústria,  visando incrementar capacidades operacionais e fazer frente à crescente disputa pelo poder cibernético.

Nesse sentido, nos clusters de segurança cibernética os processos de coalizões entre Estados e suas respectivas estruturas de agentes estatais e privados têm como objetivos a proteção de seus próprios sistemas, o compartilhamento de informações sobre ameaças, o reforço da resiliência das redes, a ajuda e prevenção, bem como capacitar a responder e a se recuperar de ataques cibernéticos.

Também se deseja identificar vulnerabilidades, dominar processos de inovações tecnológicas e conhecimentos especializados, os quais são cruciais para o financiamento** e a proteção de seus ativos em infraestrutura crítica e de suas cadeias de abastecimento, protegendo as redes de dados, fomentando novos ambientes de negócios, o desenvolvimento de produtos e serviços baseados em pesquisa e alavancando o crescimento econômico regional, além da competitividade nacional. Além disso, é possível aumentar a conscientização pública sobre as melhores práticas de segurança cibernética.

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Notas:

* A OTAN tem vinte e nove membros, principalmente na Europa e América do Norte. Alguns desses países também têm território em vários continentes, mas a Aliança cobre apenas a região acima Trópico de Câncer. Poucos membros gastam mais do que dois por cento do seu produto interno bruto em Defesa, sendo que os Estados Unidos respondem por três quartos dos gastos de Defesa da Aliança Países Membros da OTAN: Albânia, Alemanha, Bélgica, Bulgária, Canadá, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Estônia, França, Grécia, Hungria, Islândia, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Montenegro, Holanda, Noruega, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Romênia e Turquia. TURQUIA (1952)

** Os Aliados da OTAN concordaram com os orçamentos civil e militar para 2019. Em uma reunião do Conselho do Atlântico Norte na terça-feira (18 de dezembro de 2018), os Aliados acordaram um orçamento civil de 250,5 milhões de euros (aproximadamente, 1,081 bilhão de reais, de acordo com a cotação de 22 de março de 2019) e um orçamento militar de 1,395 bilhão de euros para 2019 (aproximadamente, 6,017 bilhões de reais, também de acordo com a cotação de 15 de março de 2019). Os países membros contribuem para esses orçamentos de acordo com uma fórmula de partilha de custos acertada com base no Rendimento Nacional Bruto. Isto inclui medidas para: fortalecer as capacidades de inteligência da OTAN; antecipar e planejar desafios cibernéticos e híbridos; melhorar a maneira como a Aliança lida com os dados como um ativo estratégico; aumentar a cooperação em defesa com os parceiros. Para além dos orçamentos civis e militares, o terceiro principal elemento comum financiado pela Aliança é o Programa de Investimento em Segurança da OTAN. Cobrindo grandes investimentos no sistema de construção e comando e controle, o teto de 2019 para a NSIP é de € 700 milhões (aproximadamente, 3,019 bilhões de reais, de acordo com a cotação de 22 de março de 2019).  

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Chefes de Estado e de Governo que participam na reunião do Conselho do Atlântico Norte em Bruxelasnos dias 11 e 12 de julho de 2018” (Fonte): https://www.otan.missaoportugal.mne.pt/pt/noticias/declaracao-da-cimeira-de-bruxelas

Imagem 2 Emblema da OTAN/NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte/North Atlantic Treaty Organization)”(Fonte): https://www.nato.int/

About author

Mestrando em Direção Estratégica em Telecomunicações Universidad del Atlantico – Espanha e Porto Rico; Especialista em Expandindo a Competência Exportadora das Empresas, pela Fundação Dom Cabral. Especialista em Políticas e Estratégias Nacionais, pela Universidade do Tocantins. Graduado em Comércio Exterior, pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, UNISINOS, São Leopoldo/RS. Atualmente é Colaborador do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) no Portal de Relações Internacionais CEIRI NEWS https://ceiri.news/. Também, autor no Portal Web Indústria 4.0 ISA (International Society of Automation), Campinas Section. Campinas/SP. Professor do MBA em Gestão e Inovação em Cidades Inteligentes – Facens – Sorocaba/SP. Desenvolvedor do Grupo de Trabalho Cidades Inteligentes – Softsul, Porto Alegre/RS. Nos últimos 3 anos atua como Vice-Presidente de Defesa Cibernética do ISCBA - Instituto Smart City Business América. Secretário da ADESG - Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, Representação Santa Maria/RS. Sócio Diretor da CronCyber Inteligência Empresarial, Cidades Inteligentes e Defesa Cibernética.
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